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Vicente de Paulo Salatwichy Pitter (Piter) nascido em Macau, em 10 de Janeiro de 1813 (1) e baptizado em 17 do mesmo mês, (2) (3) (4) faleceu em S. Lourenço a 9 de Julho de 1882. Filho de Pedro Alexandre Salatwichy e Josefa Antónia Favacho.

Extraído de «BPMT», VIII-28 de 15 de Julho de 1882, p. 238

Casou em S. Lourenço em 06-11-1849 com Hermelinda Joaquina Cortela Leiria (15-02-1830/2-08-1855) (5) Deste 1.ª núpcias, teve 4 filhos. Tendo enviuvado casou em S. Lourenço, em 16 de Fevereiro de 1858 com a sua cunhada Eugénia Norberta Cortela Leiria (falecida em 5-07-1902) Deste casamento teve 3 filhos.

Formou-se em medicina na Escola Médica de Goa, praticou na Ala de Medicina do Hospital Real obtendo a carta a 23-04-1839. Regressou a Macau foi nomeado cirurgião ajudante interino do Batalhão de linha e exonerado em 02-05-1865 (OFA n.º 14 de 08-07-1865) conservando no entanto as honras de cirurgião ajudante do mencionado batalhão. Foi também facultativo da superintendência da emigração chinesa.

Extraído de «BGM»,  XI-28 de 10 de Julho de 1865, p. 112

Pelos serviços que prestou gratuitamente às guarnições de vários navios de guerra franceses durante a epidemia de cólera-morbus, que assolou a cidade, foi condecorado com o hábito da Legião de Honra. Mais tarde o governo português agraciou-o com os de Cavaleiros da Legião d´Honra de Cristo e da Conceição e depois de Torre e Espada. («O Macaense, de 13-07-1882)

Ficou com o nome para sempre ligado a um famoso preparado medicinal por ele descoberto e manipulado, o «Sin Cap Dr. Pitter» ou «Chá do Dr. Pitter». (6) Tratava-se de uma infusão de oito espécies (plantas) folhas secas e miudinhas, quase todos específicos contra doenças do tubo digestivo, usados em medicina tradicional chinesa, uma infusão «considerada um bom estomáquico e eupéptico, usava-se como profiláctico, após um chá gordo ou lauto banquete, e era também muito estimada em Macau contra afecções gastro-intestinias de diferentes etiologias»  (6)

NOTA: “Aparentemente o apelido Piter parece ser uma corruptela do nome próprio do pai – Pedro ou seja, Pietro em italiano. Assim, Piter terá funcionado como um autêntico patronímico, logo assumido como apelido em detrimento do próprio apelido original da família.” (3)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/10/noticia-de-10-de-janeiro-de-1813-dr-vicente-pitter/

(2) Segundo Jorge Forjaz (3) foi baptizado em S. Lourenço em 04-01-1813.

(3) TEIXEIRA, Pe. – A Medicina em Macau, Volumes III-IV, 1998, pp.138-142

(4) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume ii, 1996, pp. 464-465

(5) O Dr. Pitter mandou executar uma linda lápide de mármore e alabastro para sepultura de sua esposa que jaz na parede lateral da igreja do Seminário de S. José, à direita de quem entra pela porta principal.

FOTO DO AUTOR 2015

Em cima, em alastro, aparece-nos uma urna encimada pela cruz, com uma caveira e um manto; duas crianças oram junto a uma cruz com uma coroa; na lápide de mármore, estão dois anjos, um com um ramo outro com a coroa do triunfo.(2)

FOTO DO AUTOR 2015

A lápide foi feita em 1860 por A. Bosc, em Nimes, França. Após falecimento em 1855, esteve sepultada no jazigo de família no Cemitério de S. Miguel e depois o bispo autorizou que os ossos fossem transladados para a igreja do Seminário de S. José

FOTO DO AUTOR 2015

(6) “Este famoso chá era ainda preparado em Macau, nos anos 60/70, por D. Maria Tereza Pitter, neta daquele médico. Era vendido em embrulhinhos de papel de seda cor-de-rosa  e apresentava-se sob o aspecto de um pó muito fino , castanho, e fortemente aromático, lembrando o cheiro de limão ou de laranjaAMARO, Ana Maria – Antigas receitas e segredos de Macau. O famoso chá do Dr. Piter e o já esquecido Chá Patrício. Revista da Cultura, Macau, ICM, n.º5, 1988, pp. 25-26 http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30005/1461

Nasceu em Macau, o doutor Vicente de Paulo Salawitchy Pitter, Cavaleiro da Legião d´Honra de Cristo e da Conceição. Deixou o seu nome ligado a um preparado medicinal, por ele descoberto e confeccionado, chamado Sin-câp do Dr. Pitter, remédio composto de plantas medicinais, muito usado em Macau, noutros tempos, para perturbações gástricas, constipações, etc.”  (1)

O chá do Dr. Pitter ou chá sin-cap era o chá mais popular e mais famoso entre a população portuguesa de Macau até meados do século XX. para os “problemas do estômago”. A receita, por ser um segredo de família foi guardado durante muito tempo. (2) (3). Na verdade  era um preparado de oito espécies (plantas), todas elas utilizadas na Medicina Tradicional Chinesa, e com acção comprovada no tubo digestivo.
(1) GOMES, Luís G. Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 265 p.
(2)  “…o chá sin-cap era uma especialidade de muito apreço no meio de Macau. A designação macaense, não seria, pois, mais do que uma corruptela de scented caper, uma vez que o termo sin-cap não é considerado, pelos sinólogos, um vocábulo chinês, nem sequer conhecido fora do comércio que mais está em contacto com pessoas de hábitos macaenses. Um dos propagandistas desse chá sin-cap, se é que não foi o seu autor era um cirurgião, o Dr. Vicente Pitter, de origem estrangeira, mas nascido e velho residente em Macau, onde pelo casamento esteve ligado a família portuguesa”
SOARES, José Caetano – Macau e a Assistência. Edição da Agência Geral das Colónias, 1950
(3) “A família do Dr. Pitter sabia preparar um sin-cap especial em pó. Quando elle vivia, iamos jantar em casa d´elle no dia do seu aniversário ou de qualquer pessoa da família, e obrigava-me a tomar uma cháavena de sin-cap, logo depois de um lauto jantar…”
Carta do macaense Francisco Pereira Marques ao seu primo João Feliciano Marques Pereira (1863 -1909)
NOTA: Informações recolhidas do artigo de AMARO, Ana Maria – O famoso Chá do Dr. Pitter e o já esquecido Chá Patrício. Revista de Cultura, n.º 5, Ano II, 2.º Volume