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Outra publicação (1) do Vice-Almirante Pedro Fragoso de Matos, (2) com o título de “O Maior Tufão de Macau”, de Novembro de 1985, de 30 páginas.

CAPA

Acerca do naufrágio da Escuna «Príncipe D. Carlos» e Canhoneira «Camões» em Macau, em 1874, refere o autor (p. 6):

 “Naturalmente, que conhecedor do Extremo-Oriente fui, desde logo, levado a considerar que aquele sinistro marítimo deveria ter sido causado pelo perigoso inimigo dos marinheiros e dos pescadores do Mar da China – o temível tufão – que, em determinadas épocas do ano – Junho a Outubro – assola com grande violência os portos de Macau e de Hong Kong. Assim, consultando vários livros e muita documentação manuscrita coeva, existente no Arquivo Geral da Marinha, foi-nos possível verificar que no ano de 1874, o porto de Macau foi assolado por um fortíssimo tufão, o mais devastador de todos os tempos, com extraordinários prejuízos, tanto no mar como em terra, como adiante se constatará. (…) ” (3)

(1) nenotavaiconta

Contra Almirante Pedro Fragoso de Matos, Comandante da Escola Naval

(2) MATOS, Pedro Fragoso de – O Maior Tufão de Macau, composto e impresso nas oficinas da Editorial Minerva, Novembro de 1985, 30 p., 22,5 cm x 15,5 cm x 0,1 cm. Separata dos Anais do Clube Militar Naval n.º 7 a 9 de Julho/Setembro de 1985.

Adquirido na I Feira do Livro de Macau, organizada pelo Instituto Cultural de Macau, em Lisboa no Forum Picoas de 12 a 18 de Dezembro de 1988.

Canhoneira «Camões»

(3) «Na noite de 22 para 23 de Setembro do corrente ano, o maior tufão de que há memória não só em Macau, mas nestas paragens, destruiu a maior parte desta cidade, bem como as povoações das Ilhas da Taipa e de Coloane… (B.O. n.º 41/26-9-1874)

“1874 (22 de Setembro) – Grande ciclone em Macau, causando numerosos prejuízos e desgraças, tanto no mar como em terra, e morrendo centenares de pessoas. No porto da nossa colónia afundaram-se alguns navios e entre eles a escuna de guerra «Príncipe D. Carlos» que se perdeu totalmente, e a Canhoneira «Camões». A escuna «Príncipe D. Carlos» era comandada pelo primeiro-tenente Vicente Silveira Maciel e fora lançada ao mar em1866, a canhoneira «Camões» fora lançada ao mar em 1865 e era comandada pelo segundo-tenente José Maria Teixeira Guimarães“ (Efemérides da Marinha Portuguesa, constantes da «Lista da Armada» de 1900 in p. 9 desta separata)

“(…) Entre os europeus há a lamentar a perda de três praças do Batalhão, mas entre os chinas e, principalmente no mar, há milhares de vítimas. Os edifícios públicos ficaram muito deteriorados e alguns destruídos de todo. A maior parte das casas da Praia Grande foram destruídas ou muito prejudicadas pela violência do choque das vagas. Muita artilharia das fortalezas do litoral foi arrastada para o mar depois de destruídas as muralhas. (…) A Escuna «Príncipe D. Carlos» foi perder-se a 12 milhas de Macau, jazendo desconjuntada nuns campos incultos a grande distância do Mar. A «Camões» foi também encalhar em sítio onde nunca houve navegação. Salvaram-se felizmente as tripulações. A «Tejo» conservou-se admiravelmente nas suas amarrações  e não sofreu prejuízos» (B.O. n.º 41/26-09-1874)

Anteriores referências a este tufão em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-i/

Extraído de «BPM», XI-12 de 20 de Março de 1865, p. 48

NOTA I – “Caetano Gomes da Silva (18?? – 20-11-1873) «asfixiado por submersão no rio de Macao entre a Fortaleza da Barra e Taipa». Alferes adido ao Batalhão de Artilharia de Macau, por carta patente de 29.11.1849; capitão do Batalhão de Infantaria. Morreu em circunstâncias trágicas, quando regressava a terra de um jantar a bordo da escuna «Príncipe Carlos». No trajecto para terra, atravessou-se-lhes na frente um fai-ai com 70 chineses, contrabandistas de ópio. Travou-se dura luta, ficaram feridos alguns oficiais e, além de vários marinheiros, morreu o capitão Gomes da Silva, cujo cadáver foi encontrado no dia seguinte na costa da Taipa, mostrando feridas com instrumento perfurante.” (FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Vol. III, 1996, pp.685-686)

Em 05.12.1865 foi atribuído pelo Rei D. Luís I ao capitão do Batalhão de Linha de Macau, Caetano Gomes da Silva a condecoração com o hábito da Ordem de S. Bento de Avis. (https://digitarq.ahu.arquivos.pt/details?id=1413547)

Anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/20/noticia-de-20-de-novembro-de-1873-tragico-acidente-nas-aguas-do-porto-interior/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/caetano-gomes-da-silva/

NOTA II – A Travessa de António da Silva começa no cimo da Escada Quebra- Costas, entre o Pátio do Bonzo e a Rua da Aleluia, e termina entre a Rua do Pe. António e a Rua da Barra, em frente da Rua do Lilau. António da Silva nasceu em Lisboa, donde veio para Macau. Casou com Ana Maria Gonçalves; falecida esta, casou a 14-7-1812 com Ana Faustina Coelho dos Santos (1793 -?). António da Silva era dono duma grande casa, chamada «A Armação de António Silva», a qual foi comprada por Maria Bernardina dos Remédios e António Hugo dos Remédios. Em 1898, esta Armação serviu de asilo a uns 200 frades espanhóis, que se vieram refugiar-se em Macau durante a revolta das Filipinas contra a Espanha. A família Remédios legou esta casa à Diocese de Macau. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol. II, 1997, pp. 366-367)

NOTA III – Ofício do Senado de 14 de Abril de 1847: “Desde a Rua do chalé de Simão até outra vezinha d´escada de pedra chama-se Rua d´Alleluia” (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol. II, 1997, p. 24)

Extraído de «Gazeta de Macau e Timor», I- 22 de 18 de Fevereiro de 1873, p. 2

Dr. Júlio Ferreira Pinto Basto, Procurador dos Negócios Sínicos, eleito deputado pelo Círculo de Macau em 1-3-1874 e pela segunda vez em 8 de Julho de 1874.

O 2.º tenente Vicente Silveira Maciel foi nomeado comandante interino da Policia do Porto de Macau em 11 de maio de 1871, exercendo esse posto até 15 de Janeiro de 1872. Foi comandante da lorcha Amazona e em 1873 nomeado comandante da escuna “ Príncipe D.Carlos”. (1) Em 21 de Agosto de 1873, o mesmo 1.º tenente Maciel, na escuna “Príncipe D. Carlos”, (2) atacou e aprisionou uma lorcha de piratas, esta escuna era a “Salamandra” que fora construída em 1866 na Inglaterra e veio substituir a “Amazona” que ficou no Porto Interior a servir de aquartelamento da Policia de Mar. (3) Em 20 de Novembro de 1873, já como 1.º tenente, foi interveniente no episódio (4) de 20 de Novembro de 1873 quando caiu ao mar mas foi salvo por um marinheiro agarrando-se ambos a um bambu (5) (6)

(1) A escuna “Príncipe D. Carlos” (1866-1874) — Escuna de vapor construída em Inglaterra e que foi adquirida pelo governo de Macau em 1866. Armou com quatro bocas de fogo.Em 1874, em Macau, perdeu-se por encalhe, devido a um tufão.

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/08/21/noticia-de-21-de-agosto-de-1873-escuna-principe-carlos/amp

(3) (TEIXEIRA, Mons. Manuel – Marinheiros Ilustres Relacionados com Macau, 1988, p. 111).

 (4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/20/noticia-de-20-de-novembro-de-1873-tragico-acidente-nas-aguas-do-porto-interior/

(5) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, p. 207.

(6) Segundo outras fontes ??? que não consegui confirmar, o 1.º tenente Vicente Silveira Maciel viria a morrer em 21 de Novembro deste  “Trágico Acidente nas águas do Porto Interior” talvez por vingança dos piratas, pela acção da escuna Príncipe Carlos no combate à pirataria) (4)

Extraído de «O Oriente», I-5 de 15 de Fevereiro de 1872, p.

Extraído de «O Oriente», I-5 de 15 de Fevereiro de 1872,
Extraído de «BPMT», XVIII-53, de 28 de Dezembro de 1872, p. 223

Por este gesto de coragem, “… lançou-se às águas do rio Cantão numa noite de forte temporal para salvar o segundo-tenente Manuel Luís Mendes Leite” foi agraciado com o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada.

Extraído de «BPMT», XIX-18, de 3 de Maio de 1873, p.69

(1) José de Almeida de Ávila (Horta, 29 de Outubro de 1844 — Lisboa, 30 de Outubro de 1902) foi um oficial da Marinha de Guerra Portuguesa, na qual atingiu o posto de capitão-de-mar-e-guerra, político e administrador colonial. Foi governador civil do Distrito da Horta (1894-1895). Era filho de José de Almeida Ávila e de Sofia de Vasconcelos, neto paterno de Manuel José de Ávila (irmão do duque de Ávila e Bolama). Com o posto de segundo-tenente em 1872 foi colocado no comando naval de Macau. Neste período integrou as guarnições da canhoneira Camões, da escuna D. Carlos, da canhoneira Tejo e da corveta Duque de Bragança. Em 1874 foi transferido para a Estação Naval de Moçambique. Em Dezembro de 1883 foi nomeado para o cargo de imediato da canhoneira Tâmega, então a prestar serviço em Macau.

Permaneceu em Macau alguns anos, tendo casado em 8 de Agosto de 1885 (então capitão tenente da Armada, comandante da canhoneira «Tâmega») com Guilhermina Homem de Carvalho. (2) Este casamento voltou a ser efémero, por a esposa ter falecida de parto em 11 de Junho de 1886. No ano seguinte, pediu transferência para Lisboa, sendo em finais de 1877 colocado como capitão-tenente supranumerário na Direcção do Arsenal da Marinha e nomeado conselheiro da Escola de Alunos Marinheiros de Lisboa. Ver biografia mais pormenorizada em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_de_Almeida_%C3%81vila https://en.wikipedia.org/wiki/Duke_of_%C3%81vila_and_Bolama

(2) Guilhermina Maria Homem de Carvalho (S. Lourenço 28-03-1865 e faleceu de parto a 11-06-1886). Filha de José Francisco Homem de Carvalho (1825-1880), negociante e proprietário. Em 1871, era um dos 40 maiores contribuintes de Macau; fundador da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), fundada em 1871. (FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume II, 1996, pp. 217 e 219)

Extraído de «BPMT», XIV-42 de 19 de Outubro de 1868, p 194

NOTA I: a primeira corveta americana “USS IDAHO”, de 3241 toneladas, construída em 1864 (nesta data considerada, o mais rápido transporte marítimo na sua categoria, iniciou actividades em 1866, foi destacada para o Oriente tendo chegado a Nagasaki a 18 de Maio de 1868. Ficou neste porto por 15 meses desempenhado funções de hospital e armazenamento da Esquadra Asiática Americana. Em Agosto de 1869 dirigiu.se para Yokohama para efectuar o regresso aos E.U.A. rumo a S. Francisco que se efectuou a 20 de Setembro. Contudo foi apanhado por um violento tufão ficando severamente danificada, e rebocada para o porto de Yokohama. Permaneceu aí até 31 de Dezembro 1873. Desmantelada foi vendida em 1874.como sucata. https://www.history.navy.mil/content/history/nhhc/research/histories/ship-histories/danfs/i/idaho-i.html

“USS Idaho” no porto naval de Nova Iorque, em 1866. https://en.wikipedia.org/wiki/USS_Idaho_(1864).

NOTA II: Bernard Thaddée Petitjean (1829 – 1884), padre (monsenhor) católico colocado no Japão, foi nomeado o primeiro bispo neste país. Chegou ao Japão – Ilhas Ryukyu onde esteve dois anos e em 1863 colocado em Yokohama. Foi professor de francês e responsável pela construção da Igreja dedicada aos “26 Mártires Japoneses”, (conhecida como Igreja Oura) em Nagasaki, inaugurada a 19 de fevereiro de 1865. Morreu em Nagasaki e enterrado no altar da Igreja Oura. https://en.wikipedia.org/wiki/Bernard_Petitjean

Da noite de 22 à madrugada de 23 de Setembro de 1874, um tufão violento atravessou a foz do Rio das Pérolas causando grandíssimas perdas, considerado na história de Macau como a Calamidade do Tufão de 1874.

Extraído de «BPMT», XX-39 de 26 de Setembro de 1874, p. 108

Anteriores referências a este tufão em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-i/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-ii-incendio-no-bairro-de-santo-antonio

Notícia da noite de 25 para 26 de Outubro de 1872, publicada na «Gazeta de Macau e Timor» (1)

“PIRATAS – Na noite de 25 para 26, foi assaltada pelos piratas uma botica de opo cozido na ilha da Lapa; roubaram opio e outros objectos no valor aproximadamente de $400. Accudiu aos gritos de socorro, uma força de escuna Príncipe D. Carlos, commandada pelo zeloso guarda marinha Fonseca Regala, a qual não conseguiu prender os piratas, pois que, como é costume entre os chinas, os gritos de socorro são dados, sempre depois da retirada d´aquelles.”

(1) «Gazeta de Macau e Timor», I-6 de 29 de Outubro de 1872, p. 3

Extraído de «O Independente», Vol I- 46 de 20 de Julho de 1869, p. 407

Extraído do «Boletim da Província de Macau e Timor», XIV-13 de 20 de Janeiro de 1868
Anteriores referências à Canhoneira Camões em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/canhoneira-camoes/