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Edital da “Repartiçãm da Camara” (Leal Senado) sobre a extinção da companhia dos cules chinas para a limpeza das ruas da cidade devido a grande despesa para o erário público.

Extraído de «O Procurador dos Macaístas», I-13 de 30 de Maio de 1844,
Extraído de «BOGPM», n.º 8 de 20 de Fevereiro de 1926, p. 121

Comparando com os mesmos sinais de 1966 – postagem de 18-04-2012 (1) – os sinais procedidos de dois tiros de peça dados da mesma fortaleza, em 1926, passaram a ser procedidos de toques de sereia, em 1966, e os sinais nocturnos assinalados pelas disposições de uma a três “bolas” (em 1926) passaram a ser sinalizados pela disposição vertical, por lâmpadas de cores (combinação de amarelo e vermelho).

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/04/18/sinais-de-incendio-na-fortaleza-do-monte/

Neste dia de 28 de Maio de 1799, morre em Macau, o capitão de mar-e-guerra Joaquim Carneiro Machado Castelo Branco. (1) A sua sepultura está na capela mor da igreja de S. Agostinho com um lápide em epitáfio latino:

MEMORIAE JOAKHIMI CARNERO MACHADO CASTELLO BRANCO,  DUCIS MARIS % BELLI REGALIUM ARMORUM GOENSIS, PROFESSI     IN  ORDINE  CHRISTI,  QUI,  NATUS  IN  CIVITATE  PORTUENSI, OBIIT   IN   MACAO   DIE   XXVIII   MAII   ANNO   DOMINI   MDCCXCVIII   HANC PETRAM D. C. O. D. R. C. B.                       ANNO MDCCCV

«No ano de 1805, D. R. Castelo Branco ofereceu, dedicou e consagrou esta lápide à memória de Joaquim Carneiro Machado Castelo Branco, capitão-de-mar-e-guerra das armadas reais de Goa, professo na Ordem de Cristo, que, nascido na cidade do Porto, faleceu em Macau no dia 28 de Maio do ano do Senhor de 1799»

O assento de óbito da freguesia de S. Lourenço diz: «Joaquim Carnrº Machado, cazado co D. Josefa Correa, faleceo com todos os Sacramentos, com (Testamtrº Manuel Vicente de Barros) aos 28 de Maio de 1799 annos, e foi sepultado no Convento de Stº Agostinho, e p.ª consto fiz este que assignei (ass.) P. Francisco Jozé António».

Joaquim Machado foi vereador do Senado em 1776; capitão de navios e proprietário do barco “N. Sra. Do Amparo e Almas Santas”, (1782) e da chalupa “Emulação” que faziam o comércio com a Costa de Coromandel, Costa do Malabar e Surrate em 1783. Sua esposa Josefa Correia (nascida da Costa), filha de António José da Costa (foi governador interino de Macau de 1780 até morrer em 1781) e de Antónia Correia (viúva de Nicolau de Fiúmes), faleceu a 25 de Janeiro de 1803. Eles tiveram uma filha: Ana Joaquina Carneiro Machado Castelo-Branco. (2) (3)

(1) p. 332 do «Archivo heraldico-genealogico: contendo notícias historico-heraldicas, genealogias e duas mil quatrocentas e cincoenta e duas cartas de brazão d´armas, das famílias que em Portugal as requereram e obtiveram» de Augusto Romano Sanches de Baena e Farinha de Almeida Sanches de Baena (Visconde de Sanches de Baena), 1872

(2) TEIXEIRA, P. Manuel – A Voz das Pedras de Macau, 1980 p. 62-63

(3) “Ana Joaquina Carneiro Machado Castelo-Branco, casou em S. Lourenço, a 17-12-1793 com António d´Eça d´Almada e Castro, natural de Lisboa. Seus descendentes família Almada e Almada e Castro foram os pioneiros na colónia de Hong Kong, onde deixaram até hoje bom nome” (SILVA, Beatriz Basto da- Cronologia da História de Macau, Volume 2, 1997)

Extraído de «O Independente», Vol. I n.º 20 de 15 de Janeiro de 1869.

Onde ficava esta “ Rua do Hospital dos Gatos”?
Existia em Macau, na segunda metade do século XIX, um hospital francês, segundo Padre Manuel Teixeira:
Esse hospital francês ficava na freguesia de S. Lourenço, sendo estabelecido em 1858, e estava ao cuidado das Irmãs de Caridade de S. Vicente de Paulo, vindas da França. De 1850 a 1858, os franceses eram tratados na Enfermaria Militar do Hospital S. Rafael; em 1858, passaram a ser tratados, no seu hospital da freguesia de S. Lourenço.
De 1850 a 1862, faleceram em Macau 295 franceses:
1951 – 1; 1952 – 1; 1853 – 5; 1856 – 3; 1857 – 2; 1858 – 49; 1859 – 163; 1860 – 70
Os altos e baixos explicam-se pelas guerras da França com a China.
Permita-se-nos uma hipótese. Existe na freguesia de S. Lourenço, a Travessa do Hospital dos Gatos, que começa na Rua de S. Lourenço, entre a Rua de Inácio Baptista e o Pátio da Casa Forte, e termina na Rua do Bazarinho, entre os prédios n.º 24 e 18.
Não ficaria ali o hospital francês que, depois de abandonado, teria sido um ninho de gatos?” (1)
A Travessa do Hospital dos Gatos é chamada actualmente Rua de George Chinnery, desde 1974, bicentenário do seu nascimento. Pos tanto a Rua de George Chinnery começa na Rua de S. Lourenço entre a Rua de Inácio Baptista e o Pátio da Casa Forte, e termina na Rua do Bazarinho, entre os prédios n.º 24 e 28.
Quando chegou a Macau a 29 de Setembro de 1825, viveu alguns meses na Rua do Hospital, numa casa de Christopher August Fearon, empregado da East India C.º, mas logo no ano seguinte arrendou o prédio n.º 8 da Rua de Inácio Baptista e ali viveu até à morte, ocorrida a 30 de Maio de 1852″. (2)
NOTA: Do semanário “O Independente” V-168, de 25 de Dezembro de 1882, encontrei esta referência à Travessa do Hospital dos Gatos

(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, ICM, 1997.
(2) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau Volume II, ICM, 1997.

O Beco da Rede começa na Calçada da Barra, entre os prédios n.ºs 13 e 15 e termina na encosta da Colina da Penha.
“Este toponímico deriva de outro desaparecido, chamado Ponte da Rede, ali em frente.
A 2 de Dezembro de 1828, o mandarim Tso-Tang, de apelido Fom, publicou um edital, dizendo que os chinas anciãos de Macau lhe haviam representado:
«que o Portuguez Leiria na Ponte da Rede mandou fazer hum muro, que cercou o quadro, em que se pretendia fabricar a torre da Fortuna, (1) pelo que indo em pessoa indagar, achei ser verdade todo o referido na representação deles. Por tanto além de ter eu mandado ao Procurador para mandar parar a ditta obra; ordeno tbem a vós todos os pedreiros , e picadores de pedras, que não façaes mais obra naquele terreno, nem leveis para ali mais pedras, com cominação de serdes agarrados, e castigados» (Arq. da Procuratura)
Supomos que o português Leiria é Hermenegildo António Leiria, natural de Lisboa, filho de José António Leiria e de Maria de Jesus; casou em 3 de Março de 1829 com Eugénia Maria Inácia Cortela, filha de António Joaquim Cortela (falecido a 1-06-1842) e de Ana Josefa de Azevedo (falecida a 21-01-1830), neta paterna de Lourenço Baptista Cortela (2) e de Mariana Muniz da Rosa (falecida a 5-11-1788) e materna de Bernardo Manuel de Azevedo e de Inácia Vicência Gomes.
Hermenegildo António Leiria morreu afogado em 1 de Agosto de 1836, à vista de Macau, pelo naufrágio do navio Suzana, onde ele vinha» (3) (Registo de Óbitos da freg. de S. Lourenço) ”(4)
(1) ”2-12-1828 – O tchó-t´óng proibiu os pedreiros de continuarem a construção dum muro, propriedade do português Leiria, na Ponta da Rede, por essa obra vir a cercar dum terreno, onde os chineses pretendiam edificar a Torre da Fortuna (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
(2) Da família Cortela. Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/12/noticia-de-12-de-maio-de-1806-vulto-ilustre-de-macau-do-seculo-xix-joao-francisco-rodrigues-goncalves/
(3) Este registo de óbito em S. Lourenço não está correcta segundo Jorge Forjaz: faleceu «no naufrágio do dia 31 de Agosto de 1836 sucedido ao navio «Suzana» aonde vinha de passagem o qual Navio deo a costa nas praias de Nameam em Sanchoão em que o dito Leiria enterrado » segundo o escrivão Gonçalves no Livro dos Termos das Eleições.
A. H. M. Santa Casa da Misericórdia, Livro dos Termos das Eleições, cód. 144.
FORJAZ, Jorge – Família Macaenses, Volume II, 1996.
(4) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997.

Publicação no «BGPMTS» (VII-15 de 11 de Outubro de 1852) do plano para distribuição da Força do Batalhão Provisório de Macau nos casos de incendio ou rebate,

Extraído de «B. G. M.» XII-29 de 16 de Julho de 1866.
Príncipe Fernando de Orléans, duque de Alençon
Foto da década de 1860

Fernando Filipe Maria de Orléans (Ferdinand Philippe Marie; 1844-1910) é um dos setes filhos de Luís Filipe, duque de Némours e de sua esposa, a princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Koháry (prima da rainha Vitória)
É irmão do príncipe Gastão de Orléans, Conde d’Eu, marido de Dona Isabel, Princesa Imperial do Brasil.
Em 28 de setembro de 1868, na capela do Castelo de Possenhofen, Fernando de Orléans desposou a duquesa Sofia Carlota Augustina da Baviera (1847-1897), (1) irmã mais nova da imperatriz Isabel da Áustria, conhecida popularmente como “Sissi”. O casal teve dois filhos: Luísa de Orléans (1869 –1952) que se casou com o príncipe Afonso da Baviera (1862-1933) e Emanuel de Orléans (1872–1931), Duque de Vendôme, que se casou com a princesa Henriqueta da Bélgica (1872-1931), irmã do rei Alberto I da Bélgica.
O duque Fernando Filipe Maria de Orléans faleceu na Capela Real, em Dreux (França) no dia 29 de Junho de 1910. Foi além de militar, pintor que deixou vários álbuns com desenhos e aguarelas dos lugares por onde viajou nomeadamente Filipinas, de Filipinas, China, Índia e Egipto.
https://www.revolvy.com/page/Prince-Ferdinand%2C-Duke-of-Alen%C3%A7on
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_de_Orl%C3%A9ans,_Duque_de_Alen%C3%A7on

GRANDE MURALHA DA CHINA
Extremidade que termina no golfo de Liaodong / Outubro de 1866
Pintado pelo Duque de Alençon

http://encheres.parisencheres.com/html/fiche.jsp?id=3469397&np=7&lng=fr&npp=20&ordre=1&aff=1&r=

(1) Entre 3 e 6 de maio de 1897, em Paris, as irmãs dominicanas organizaram uma feira beneficente no Bazar de la Charité, um edifício industrial escolhido por Sofia Carlota (nos últimos anos da sua vida tinha dedicado às obras de caridade, ingressando na Ordem Terceira de São Domingos com o nome de Irmã Maria Madalena). por ser mais adequado para a montagem dos stands. Os irmãos Lumière também foram convidados para o evento, para apresentar seus filmes (com material e equipamentos altamente inflamáveis). Subitamente, um acidente com uma das lâmpadas de éter (utilizada na exibição dos filmes) iniciou um incêndio que se alastrou rapidamente. Enquanto todos fugiam em pânico, Sofia preocupava-se em salvar as pessoas que estavam com ela atrás do balcão e a procurar por seu marido. Só decidiu fugir após colocar a última de suas auxiliares a salvo, mas as chamas já haviam tomado todo o bazar e Sofia não conseguiu sair de lá. A lista oficial de mortos na tragédia foi de 132 pessoas, sendo 124 mulheres (damas da alta nobreza francesa e irmãs dominicanas, em sua maioria) e 9 homens. A identificação dos mortos no incêndio foi bastante difícil, pois a maior parte dos corpos estava carbonizada. Embora Sofia tenha sido reconhecida pela arcada dentária (com uma ponte e algumas incrustações de ouro) por seu dentista, sua camareira afirmou que o crânio carbonizado não pertencia à princesa.
A cerimônia fúnebre foi realizada em 14 de maio de 1897, na igreja de Saint-Philippe-du-Roule. Sofia foi sepultada na Capela Real de Dreux.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sofia_Carlota_da_Baviera

A 21 de Maio de 1866 saía no Boletim do Governo (1), o programa que se devia observar na procissão do Corpo de Deus que se realizou no dia 31 de Maio desse ano.
Nesse ano, o mau tempo fez com que a procissão não desse a volta do costume e que só andasse à roda da igreja.
(1) Extraído do «Boletim do Governo de Macau», XII, n.º 21 de 21 de Maio de 1866.,

Um artigo de José de Torres  (1) comentando uma foto de ” Macau- Vista da Praia Grande do Porto Exterior”, publicado no semanário ilustrado ” Archivo Pittoresco” de 1864. (2)
ARCHIVO PITTORESCO VII-44 1864 MACAU Porto Exterior

Macau- Vista da Praia Grande do Porto Exterior

A gravura que precede representa a parte direita da vista da cidade de Macau, tomada do alto da Penha. Alcança pela orla marítima da Praia Grande, ou porto exterior, desde o palacio do governo, que fica fronteiro ao mastro de bandeiras que se vê no primeiro plano, até à ponta em que está o forte de S. Francisco.
Correndo com avista a estampa da esquerda para a direita, distingue-se primeiro de frente um templo com duas torres, que é a parochial de S. Lourenço; por detrás d´elle o seminario diocesano; mais ao longe o elegante frontispício do antigo collegio de S. Paulo, da companhia de Jesus, que hoje serve de portico ao cemiterio publico; logo em seguida a mais importante fortaleza da cidade, chamada do Monte; ao descair d´ella para a praia as duas torres da sé episcopal; na elevação extrema o monte e forte da Guia; na baixa da ponta de S. Francisco o mosteiro de Santa Clara.
Macau é hoje uma das mais importantes possessões portuguezas, pela sua população, industria commercial e navegação. Não obstante o que já se disse d´ella n´este semanário, não nos despedimos de consagrar, em occasião opportuna, mais algumas paginas à singular e authentica historia d´este estabelecimento.
                                                       JOSÉ DE TORRES 
ARCHIVO PITTORESCO VII-44 1864 Artigo MACAU Porto Exterior(1) “José de Torres (1827-1874) escritor e jornalista açoriano que se notabilizou como bibliófilo e investigador da história açoriana. Reuniu uma volumosa colecção de documentos relativos aos Açores, hoje na Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada, a que deu o nome de Variedades Açorianas, a qual constitui hoje um acervo precioso para o estudo da história e cultura açorianas. Foi sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa e membro de várias sociedades científicas estrangeiras.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_de_Torres
José de Torres, à data do início da publicação, o redactor principal do Archivo Pittoresco, e um dos principais autores que também contribuíram para a divulgação dos estudos históricos já desde os tempos da sua colaboração com [6] O Panorama, faz um elogio glorioso ao nascimento do novo periódico literário, incutindo-lhe uma importância, que sem ser vangloriosa, o remeteria para um lugar de destaque nos periódicos literários portugueses da época.DIAS, Eurico – O Archivo Pittoresco (1857-1868). Subsídios para sua História  http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/RecursosInformativos/ActasdeColoquiosConferencias/textos/ConfArqPit.pdf
(2) Archivo Pittoresco: semanário ilustrado foi um jornal publicado em Lisboa, entre 1857 e 1868, pela Castro Irmão e C.ª Lda, apreciado em Portugal e no Brasil. Famoso pela qualidade da sua ilustração, pretendia fomentar “a nossa gravura em madeira, dar relevo à palavra e abrir campo em que as vistas curiosas espaireçam pelas criações da arte, da natureza ou da fantasia”.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Arquivo_Pitoresco
AFONSO, Graça – O Archivo Pittoresco e a evolução da Gravura de Madeira em Portugal http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/RecursosInformativos/ActasdeColoquiosConferencias/textos/ArchivoPGravura.pdf.

NOTA: esta mesma ilustração foi inserida posteriormente no livro de Rocha Martins ” História das Colónias Portuguesas” (no meu “post” de 28-04-2015 ) (3) com a legenda “MACAU – PÔRTO DE MACAU”.
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/04/28/leitura-historia-das-colonias-portugue-sas-de-rocha-martins/

O edifício do Hotel Boa Vista (após 1936, Hotel Bela Vista), debruçado sobre o Bom-Parto e a baía de Bom Pastor, terá sido construído em 1870 para residência da família Remédios e foi no ano de 1890, registado como Hotel, passando a ser propriedade do Capitão Inglês William Edward Clarke. (1)
Foi inaugurada como unidade hoteleira europeia a 1 de Julho de 1890 (2) e a gerência do Hotel manteve-se na família Remédios: L. M. Remédios e sua esposa Maria Bernardina dos Remédios, de 1891 a 1894. (1)

Hotel Boa Vista MAN FOOK 1907O HOTEL BOA VISTA (Foto de MAN FOOK), 1907

Embora o Hotel Boa Vista esteja registado no Registo Predial com a data de 1900 (n.º 5 431 (3), já em 18-11-1899, estava inscrito no Livro do Tabelião Serpa, como pertencente ao Capitão da Marinha Mercante Inglesa William Edward Clarke e mulher, Catherine Hannack Clarke. (1)
A 11 de Novembro de 1899, Clarke e sua esposa hipotecaram o hotel por $ 15 000,00 à “Hong Kong , Canton and Macau Steamer C.º” (onde Clarke trabalhava como capitão); essa quantia foi paga a 21 de Novembro de 1901. Quando o Governador da Indochina Francesa quis comprar o hotel, para aí instalar um sanatório militar e naval, (para a convalescença dos funcionários civis e militares que eram atacados de febre paludosa) “levantou-se tamanha celeuma na imprensa e no parlamento inglês que o governo português se viu obrigado a expropriá-lo para aplacar as iras do leão britânico” (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I). O governou expropria o edifício e vende-o à Santa Casa da Misericórdia por 80 mil patacas.
(1) Não é certo que tenha sido proprietário em 1890 pois em Março 1891, Maria Bernardina dos Remédios aparece em assentos documentais como proprietária do Hotel para reclamantes perante o novo Regulamento de Décimas e Impostos, e em 31 de Maio de 1891, no Processo n.º 339/G, regista-se um recurso interposto ao Conselho da província por Maria Bernardina dos Remédios, após pedido de redução verbal apresentado por Maximiano António dos Remédios e não atendido, contra a Junta de Lançamento de Décimas, que desatendeu a sua reclamação em relação ao valor locativo do Hotel Boa Vista. O Conselho de Província atendeu, em 13 de Junho do mesmo ano, baixando das $750.00 para $ 500.00, por ser tratar de uma unidade hoteleira incipiente (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 3, 1995).
(2) O jornal «Hong Kong Daily Press» do dia 4 de Julho de 1890, «acaba de aparecer uma importante contribuição para as instalações hoteleiras de Macau. O Hotel Boa-Vista, belo e novo edifício com 20 quartos, situado na Baía do Bispo, (4) frente ao Mar do Sul, foi aberto a 1 de corrente… (…). Mrs Maria Bernardina dos Remédios passou a ser apenas gerente” (TEIXEIRA, Pe.M – Toponímia de Macau,  Vol. II)

 Hotel Boa Vista 1910HOTEL BOA VISTA, 1910

(3) Registo Predial N.º 5431 (Ano de 1900): prédio urbano denominado Hotel Boa Vista e dependências sito na freguesia de S. Lourenço, Rua do Tanque do Mainato,(5) tendo a sua entrada principal o n.º1 de polícia …(…) É formado principalmente , pelo Hotel Boa Vista, que abre para esta Rua do Tanque do Mainato e mais cinco terraplenos, ligados por escalas de pedra servindo de jardins, com árvores e duas casetas. Ao fundo do lado do mar tem três tanques pequenos de pedra, dos quais um está arrasado, bem assim a muralha que cercava nesse sítio a propriedade. Tem o valor venal de vinte e cinco mil patacas segundo mostra a escriptura de compra e venda donde se extraiu esta descripção a fls. 47v do Liv. 25 de notas do Tabelião em 18 de Novembro de 1899.(TEIXEIRA, Pe. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I.)
(4)”Havia a praia de Cacilhas, na base do Ramal dos Mouros, hoje totalmente coberta pelo Reservatório, a Praia da Guia onde se erguia a antiga Chácara do Leitão, a Praia do Bom Parto, a Praia do Bispo, onde nadavam os ingleses do Hotel Bela Vista, outro hotel de serviço europeu, e a Praia do Tanque do Mainato, estas duas últimas na baía do Bom Pastor que vai da curva de Bom Pastor à ponta de Santa Sancha” . ” Onde hoje está o Ténis Civil, ficava estão a Baía do Bispo.” “O Tanque do Mainato ficava entre a Baía do Bispo e a Vacaria do Vaz ou Leitaria Macaense, a qual ocupava a área atrás da antiga casa da Obra das Mães.” (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I)
(5) O edifício do Hotel Boa Vista, depois Bela Vista, fica na rua do Comendador Kou Ho Neng antes chamada Rua do Tanque do Mainato ( durante séculos com esse nome por haver ali um tanque onde os mainatos lavavam a roupa. No próprio jardim do Hotel Boa Vista havia outrora três tanques de pedra que depois foram tapados). (TEIXEIRA, Pe. M. – Toponímia de Macau, Volume I).  Hoje, residência oficial do cônsul Geral de Portugal em Macau.