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Em anterior postagem (1) publiquei a folha lembrança n.º 43 e o sobrescrito formato C5  (229 mm x 163 mm,) com bloco filatélico contendo um selo, carimbado, de 7.50 patacas) do 1.º dia de circulação, da emissão – tema “Meios de Transporte Tradicionais – Hidroaviões” que os «Correios e Telecomunicações de Macau» emitiram em 9 de Outubro de 1989, com o design de Ng Wai Kin.
Hoje publico o bloco filatélico (105 mm x 83 mm) contendo um selo, sem carimbo, de 7.50 patacas
e o sobrescrito formato C6 (114 mm x 162 mm) com os quatro selos:
50 avos – hidroavião + igreja da Penha
70 avos – hidroavião + fortaleza da Guia
2,8 patacas – hidroavião + barraca de pesca
4 patacas –  hidroavião + junco chinês
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/10/09/noticia-de-9-de-outubro-de-1989-1-o-dia-de-circulacao-meios-de-transpor-tes-tradiconais-hidroavioes/ 

Anuário de Macau de 1951-1952 pp. 201-202

Artigo publicado no Boletim Geral das Colónias, em 1950 (1) e assinado pela “Secção de Propaganda da Colónia -Macau
(1) Disponível na net
http://memoria-africa.ua.pt/Library/BGC.aspx

A 1.ª Exposição Colonial Portuguesa foi inaugurada em 16 de Junho de 1934, na cidade do Porto, no Palácio de Cristal (transformado em Palácio das Colónias)  entre os dias 16 Junho a 30 de Setembro de 1934. (1).
Hoje apresento o livro:

O Império Português na 1.ª Exposição Colonial Portuguesa (Album-Catalogo) CaoaO.IMPÉRIO.PORTUGUÊS NA. 1.ª EXPOSIÇÂO.COLONIAL.PORTUGUESA
ALBUM-CATÁLOGO (2)

No Pavilhão de Macau apresentava-se uma mostra de paisagens e curiosos aspectos da vida em Macau; uma constituição da música, actos religiosos e tradicionais, um pavilhão de chá, uma mostra de indústrias e outras de artes e literatura.
O Império Português na 1.ª Exposição Colonial Portuguesa - Pavilhão de cháNa secção Instrução nas colónias  (quarta secção à direita da nave central do Palácio de Cristal,  por baixo da galeria), havia  fotografias da sede e dos alunos do Liceu Nacional de Macau.
Também ficou em exposição, maquetas de embarcações usadas na navegação nos mares da China feitos na Capitania dos Portos e enviados pela Inspecção dos Serviços Económicos de Macau.
O Império Português na 1.ª Exposição Colonial Portuguesa - Palácio de CristalNa exposição industrial (galeria da direita da nave central do Palácio), na secção Pesca e conservas, estavam representadas de Macau, as seguintes empresas:

Kwong Me Chun & Co. –  conservas de peixe;
Hip Cheong –  conservas de peixe e frutas;
Sun Tack Loong C.ª Ld. – conservas de frutas
Sun Tack Loong Yuen Kee Co – conservas de frutas
Sun Tak Loong Canned Co. – conservas de frutas
Fook Tai Hing – molhos
Wing Sang – molhos
Une Xane – molhos
Tsu Chan – calda de tomate
Hin Kee – pastelaria; dôces

Na secção Óleos e sabões:

Hov King – sabões

Na secção Tabacos:

Sing Ping & Co – tabaco manipulado
James Tobaco Mig. Co – tabaco manipulado
Chan Sau Lan  (Rua 5 d e Outubro) – manocas de tabaco, mostruário de tabaco manipulado
Soi Fong – tabacos
Tat Cheong – charutos
Chan Ian Lan . cigarros
Tam Mon Lau (embora erradamente atribuída a Timor, neste Catalogo) (sede estava na Avenida Almeida Ribeiro) – aparelho de cortar tabaco.

Na secção Produtos Químicos:

Leung Wing Hing – (Rua 5 de Outubro) Mostruário de pivetes
Chun Lun Hing  (Rua Almirante Sérgio) – Mostruário de pivetes
Kuong Hing Tai – Mostruário de panchões
Kuong Yeen (Largo do Pagode do Bazar) – mostruário de panchões
Chan Tin Que – mostruário de fogos de artifício
Kwang Long Yuen – mostruário de fogos de artifício
Tai Cong (Avenida Almirante Lacerda) -mostruário de fósforos
Tung Hing ((Estrada Coelho do Amaral) – Mostruário de fósforos
Jorge & C.ª L.ª (Farmácia Moderna) – produtos farmacêuticos.

Na secção Metalurgia:

Metal Manufacturing  Co. L.ª – Lanternas electricas

Na secção Artes gráficas:

Imprensa Nacional de Macau – livros

Na secção Indústria textil e de vestuário

The Tung Wearing & Dyéong Factory – Mostruário de tecidos de fabrico regional (riscados)
Tack Son & Co. (Rua dos Mercadores) -chapéus
Pou Joc Lau – tera chinês
Li Chen Tong  (Rua da Erva) – rêdes

Na secção Peles e derivados:

Yan Yan – calçado
Dun Dun (Avenida Almeida Ribeiro – calçado
Si San (Beco dos Colaus) – calçado

Na secção Ceramica e vidros:

Chan Tin Quel – vidros; modelo de forno para derreter vidro

Na secção Produtos alimentares e de consumo

On Tai – farinhas
Cha Ian Lau – mostruário de chá
Xiao Sane – mostruário de chá
Yee Mow Tai – mostruário de chá
Hig Cheong – vinho chinez

Na secção Ourivesaria e Bijuteria

Veng Hap (Rua Camilo Pessanha) – objectos de cobre
Cong Cheong Seng (Rua da Terceira)- objectos de cobre

Na secção de Arte indígena (secção privativa, ao fundo da nave principal do Palácio)
Trabalhos artísticos em madeira, prata, tecidos e papel, confeccionados por naturais da colónia. Fotografias.
Na secção Etnografia (usos e costumes)
Documento Etnográfico do Governo da Colónia de Macau.
“A 1.ª Exposição Colonial Portuguesa dividia-se em duas grandes secções: A secção oficial e a outra dedicada as iniciativas privadas. A secção oficial dispunha de quinze sub-secções: A secção da História, de forma a referir a história colonial desde 1415; outra destinava-se a apresentar os empreendimentos coloniais portugueses dos últimos quarenta anos; representação etnográfica; a demonstração do exército; os monumentos; o parque zoológico; outra mostrava o teatro e cinema oficiais; outra a livraria colonial; uma secção destinada a provas de produtos coloniais; um salão de conferências e congressos; uma outra de assistência médica e sanitária aos nativos. …(…) …O edifício principal do Palácio de Cristal estava transformado no Palácio das Colónias. Na zona central, encontrava-se a exposição oficial, que incluía referências aos portos marítimos, caminhos-de-ferro, missões religiosas, aspectos relacionados as colónias, entre outros, e que pretendia dar uma maior visão sobre todos os benefícios que a colonização tinha levado aos territórios de além-mar. Na ala direita, estavam expostos os participantes privados vindos das colónias e, na ala esquerda, foram colocados os participantes privados vindos da metrópole. …(…) … O final da exposição marcou-se com o Cortejo Colonial que percorreu algumas ruas da cidade… (3)
(1) Referências anteriores a este tema:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/08/30/30-de-agosto-de-1934-dia-de-macau-e-a-1-a-exposicao-colonial-portuguesa/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/09/01/noticia-de-1-de-setembro-de-1934-dia-de-macau-na-exposicao-colonial/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/08/22/22-de-agosto-de-1849-assassinato-do-governador-ferreira-do-amaral/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/09/04/leitura-a-represen-tacao-de-macau-na-i-exposicao-colonial/
(2) O Império Português na 1.ª Exposição Colonial Portuguesa – Album-Catálogo Oficial. Direcção Literária de do Dr. Alberto Pinheiro Torres e Organização e Direcção Técnica de Mário Antunes Leitão. Tipografia Leitão (Porto), 457 p.
(3) Partes do trecho (recomendo a sua leitura integral) retirado do blog: Cromos da História: 1.ª Exposição Colonial Portuguesa em
http://1exposcaocolonial-porto1934.blogspot.pt/2009/03/1-exposicao-colonial-portuguesa-porto.html

Bol. Soc. Geografia n.º 7-8-1930 -MACAU Jaime do Inso (I)Extracto de uma monografia (1) do capitão-tenente Jaime do Inso, preparada para a Exposição Portuguesa em Sevilha sobre o Comércio e Indústrias de Macau.
Macau fez-se representar na Exposição de Sevilha com um pavilhão próprio. (2)
Jaime do Indo analisa e comenta o movimento comercial de Macau entre 1920 e 1928 e as principais indústrias do território nomeadamente o pescado, (3) cimento, artefactos de malha, tabaco, fósforos, panchões, pivetes, conservas, vinhos chineses, azeite de amendoim e tecidos de algodão.
Bol. Soc. Geografia n.º 7-8-1930 -MACAU Jaime do Inso (II)Alguns extractos da conferência:
(…)  A maior parte do comércio  de Macau encontra-se nas mãos dos chineses, e a quasi totalidade faz-se com portos da China, principalmente com Cantão e Hong Kong…
(…) No comércio da China com as nações estrangeiras, no ano de 1927, avaliado em mais de 27 biliões de patacas, Portugal figura com a importância de $ 73.130 nas exportações e $ 456 nas importações, isto é, um total inferior a 0, 0003% do comércio geral…
(…) Se um par de sapatos bons ingleses, para homem, chega a custar em Hong Kong, 240$00 escudos da nossa moeda, porque não se experimenta colocar na China calçado português?…
(…) O alvitre aqui fica e, se fôr viável, não se deve deixar de perder a oportunidade, porque o Oriente é um mundo onde há muito campo para trabalhar. Com isto lucraria muito não só o comércio da Metrópole, como o da colónia.
Bol. Soc. Geografia n.º 7-8-1930 -MACAU Jaime do Inso (III)(…) Além da pesca (3) , muitas indústrias se encontram em Macau, algumas instaladas em fabricas convenientes e outras domésticas a saber:
CIMENTO: – existe uma importante fábrica pertencente à companhia inglesa «The Green Island Cement Works», que aproveita os lodos do porto interior, ao Norte da Ilha Verde, onde se encontra instalada. A média diária da produção é de 70 toneladas, que aumentará lôgo que termine  instalação de dois novos fornos, mandados fazer por a produção ser muito inferior á procura. A exportação faz-se para vários portos, principalmente para Hong Kong.
TABACO – há em Macau 10 fábricas de tabaco, sendo a mais importante a da firma «Chi Cheong Ki», fundada há um século, que emprega mais de 60 operarios, sendo o valor da sua produção anual superior a $ 100.000. A sua materia prima é importada de Ok-San e Sa-Peng, na província de Kuang-Tung (4), e o tabaco manifacturado que excede o consumo local é exportado, principalmente, para a China, Singapura e California. Esta industria emprega cerca de 500 operários e representa uma produção anual de cerca de $ 700.000. A maior parte do tabaco é preparado para cachimbo, como preferem os chineses, mas também se fabricam cigarros e charutos.
continua…
(1) INSO, Jaime do – Macau, extrato de uma monografia. Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, n.º 7-8, Julho -Agosto, Série 48.ª, 1930, pp. 157- 717.
Sobre Jaime do Inso ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jaime-do-inso/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/05/09/noticia-de-9-de-maio-de-1929-exposicao-mundial-ibero-americana-de-sevilha/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/07/20/leitura-macau-na-exposicao-ibero-americana-de-sevilha-1929/
(3) Sobre esta indústria, transcreverei extractos desta monografia, numa próxima postagem.
(4) Província de Kuang-Tung – Província de Cantão – Guangdong  廣東

MBI I-2 Indústria de Pesca 31-08-1953 IA frota piscatória  regressa ao Porto Interior após mais uma faina

A indústria da pesca, era uma das mais importantes de Macau, se não a mais importante até à década de 50 (século XX), constituindo umas das principais fontes de riqueza na balança económica e comercial.

MBI I-2 Indústria de Pesca 31-08-1953 IIPesca com rede fixa à beira mar

Ocupando uma numerosa população marítima e um grande núcleo da terrestre, a indústria da pesca era, por isso mesmo, uma das indústrias que melhor estava organizada. Fiel aos tradicionais moldes da velha China, encontrava-se esta indústria agrupada em volta das «casas de peixe» ou «lans», proprietárias, geralmente dos juncos do alto mar.

MBI I-2 Indústria de Pesca 31-08-1953 IIIPesca com rede móvel á beira mar

Essas «casas de peixe», girando sob o regime de empresas capitalistas e mutualistas simultaneamente, emprestam ao pescador, que é pobre como os pescadores de todo o mundo, a importância correspondente a metade do valor do lorcha, mediante o compromisso  de todo o peixe pescado ser vendido à loja.
Senhor do seu barco, cuja companha era constituída pelo patrão, geralmente o proprietário da embarcação, pela família deste – que abrangia muitas vezes 4 gerações – e por uma tripulação de 12 a 15 pessoas, o pescador lançava-se na sua tarefa de moirejar a vida.

MBI I-2 Indústria de Pesca 31-08-1953 IVA escolha do peixe após descarga no Porto Interior – para secagem e para venda imediata

Ou nos pequenos Ha-cu-chai  (1) que saíam e entravam diariamente, pescando nas águas próximas, ou nos To-chai (2) que ao alto mar iam buscar as variadíssimas espécies de peixe grosso que abundavam nos mares do Sul da China, era enorme a quantidade de peixe que todos os dias entrava em Macau.

MBI I-2 Indústria de Pesca 31-08-1953 VA secagem do peixe (peixe salgado)

Uma vez em terra, o peixe é salgado por variadas formas sendo, no entanto, a mais comum a de o estender ao sol, e depois de assim preparado é exportado para o interior da China onde as «casas de peixe»têm as suas respectivas agências.

MBI I-2 Indústria de Pesca 31-08-1953 VIVenda de peixe fresco – pesagem com a balança chinesa 桿秤 (3)

A par da indústria da pesca desenvolve-se a construção naval, contando-se em Macau por cima de 30 estaleiros em plena laboração
Informações de Macau Boletim Informativo (1953) e Anuário de Macau (1953)
(1) Há-Kú – barco de pesaca de arrasto com várias redes presas e antenas de bambu.
(2) Tai-Tó – Arrastão (tipo grande) para pesca em parelha.
(3) 桿秤mandarim pinyin: gǎnchèng; cantonense jyutping: gon1 cing1
Tradicional balança chinesa (invenção chinesa; cerca de 200 A. C.) A unidade chamada mace (décima parte do tael) equivalente a 3.78 gr.

LORCHASA pesca é uma indústria de grande valor económico, pois basta considerarmos que as exportações anuais de peixe fresco, salgado e mariscos se cifram em mais de $1.5000.000.
A indústria é orientada pelo grémio dos negociantes de peixe vulgarmente conhecido pelo nome de «Lans de Peixe» e o comércio é feito pelos estabelecimentos cujo número sobe a mais da 100.
As embarcações chinesa que se dedicam a este ramo de indústria sã muitas, pois a calcular pelos elementos publicitados pela Capitania dos Portos, em 1939, o número delas eleva-se a 1.711.

LOBO, Pedro José – As actividades económicas de Macau in Publicação da União Nacional de Macau, 1940.
Sobre Pedro José Lobo, ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/pedro-jose-lobo/

É uma das mias importantes (a indústria da pesca) se não a mais importante desta Colónia.
Ocupando milhares de homens e representando um volume comercial de perto de 5,5 milhões de patacas, esta indústria faz de Macau o principal centro piscatório do Sul da China.
Maior poderia ser a sua importância, se não fôra a pirataria, que flagela a zona marítima compreendida, entre os deltas de Si- Kiang e Chu-Kiang, precisamente a região mais abundante em peixe. Quantas vezes as pobres embarcações de pesca são abordadas por bandos de piratas armados que as despojam de tudo que possa transformar-se em dinheiro!

                    BOLETIM AGC 1929 n.º 25 Junco IMacau na década de 20 (século XX) – Embarcação chinesa (lorcha)

Frequentemente travam-se lutas renhidas entre atacantes e atacados, mas em geral fica vencido o pescador, dada a sua inferioridade em meios de defesa e ataque.
O caos administrativo chinês também contribui poderosamente para a diminuição dos rendimentos desta indústria, em virtude das exacções violentas e exorbitantes por parte das autoridades chinesas, que, a título de contribuição, obrigam as embarcações a pagar pesados impostos pelo pescado e o sal que transportam para a salga do peixe. Contudo, apesar destas causas que entravam um maior e possível desenvolvimento da indústria piscatória em Macau, o facto é que ela constitui, ainda assim, uma das principais fontes de riqueza da Colónia e uma receita importante para o cofre da Fazenda Provincial.

BOLETIM AGC 1929 n.º 25 Junco IIMacau na década de 20 (século XX) – Embarcação chinesa (lorcha)

Ao fundo vê-se o Quartel S. Francisco e a colina de S. Jerónimo e mais ao longe o Farol da Guia /Colina da Guia.

Quando contemplamos essas centenas de lorchas que coalham os mares das vizinhanças de Macau, ou percorremos a rua marginal do Pôrto Interior, onde fervilha numerosa população marítima, talvez não pensemos que estes modestos obreiros representam um valioso factor da nossa economia. A verdade, porém, é que esta classe, pela vida árdua a que se entrega, pelos perigos a que está sujeita e pelas riquezas que nos trás, é merecedora de toda a estima e simpatia, e digna de maior protecção por parte dos poderes públicos.

Artigo de César Gomes do Amaral, capitão dos portos de Macau, publicado no Anuário de Macau 1928 (?) e reproduzido no Boletim da Agência Geral das Colónias, n.º 53, Novembro de 1929.