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Na edição de 28 de Setembro de 1843, do jornal “Friend of China”, noticiava a compra do Hotel Albion (1) no dia 1 de Setembro de 1843 pelo Capitão A. H. Fryer. Mais informava que a loja do Sr John Smith (2) e a sala de leilões mantinham-se no hotel. O capitão de navios A.H. Fryer que tinha residência em Macau, além de ser dono do Hotel, era sócio, em 1846, da firma “Bowra, Humphreys & Co” Em 1848 o capitão Fryer iniciou sozinho a sua firma “A.H. Fryer & Co” (3)

Extraído de «BGPMTS», VI-20 de 5 de Abril de 1851, p. 56

Anteriores referências

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-albion/

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/john-smith/

Exemplares de ANÚNCIOS /AVISOS de JNO: SMITH publicados em 1851-1852

Extraído de «BGPMTS» , VII. 5 de 31 de Janeiro de 1852, p. 20

Outro aviso, acerca do falecimento (será o mesmo John Smith?) de 1854          

Extraído do «BGPMTS», IX-4 de 1 de Julho de 1854, p. 131

Esta notícia do falecimento em Macau a 17 de Junho de 1856 do médico José Severo da Silva Telles, filho de António Gomes Teles e de Teresa de Jesus da Silva (nascido em Lisboa), devido a lesão orgânica do coração, foi anteriormente postado neste blogue – VER em (1)

Entretando encontrei a notícia deste mesmo acontecimento publicado no «BGPMTS», de 1856 na coluna “NECROLOGIA” (assinado por J.J.B.) onde traz uma nota biográfica do falecido com outras informações.

Veio para Macau em 1815 e aqui casou a 25 de Janeiro de 1817 com Ana Joaquina do Rego. Teve de Ana Joaquina, 7 filhos.

Obteve a carta de cirurgião a 2-08-1814; admitido como cirurgião do Partido em 15-02-1817 (com o ordenado de 400 taéis anuais); em 1817 nomeado Cirurgião mor do Batalhão Príncipe Regente; em 1824 alferes do Batalhão do Príncipe Regente; em 1825, tenente graduado; em 1830 capitão graduado; em 1846, nomeado Director do Hospital Militar e desde essa época até 1853, serviu interinamente de Cirurgião-mor da Província.

Também serviu como primeiro cirurgião dos Hospitais de S. Rafael e de S. Lázaro. Em 1849 foi encarregado da chefia dos Serviços da Saúde. De 1827 a 1835 foi vereador do Leal Senado. Reformou-se em Janeiro de 1855. Armado Cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa (3 de Fevereiro de 1848) (2)

Extraído de «BGPMTS», II-43 de 16 de Agosto de 1856, p. 172

NOTA: O 2.º filho, Joaquim Cândido da Silva Teles, nascido a 27-08-1819, também foi médico-cirurgião em Macau. Em 1842 nomeado ajudante do Batalhão do Príncipe Regente e em 1857, nomeado cirurgião ajudante graduado do mesmo Batalhão. Em 1863, foi cirurgião-mor deste Batalhão e em 1878 cirurgião-mor do Corpo da Polícia, e na ausência do Dr. Lúcio da Silva (em Sião) foi nomeado chefe interino dos Serviços de Saúde. Reformado em 1877 com a graduação de major. (2)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/06/17/noticia-de-17-de-junho-de-1856-jose-severo-da-silva-teles/

(2) Dados biográficos retirados de TEIXEIRA, Pe. Manuel – A Medicina em Macau, Volumes III-IV,1998, pp.98 a 105

Extraído de «O Procurador dos Macaístas», n.º 4, de 27 de Março de 1844

O Governador era José Gregório Pegado, que iniciou em 6 de Outubro de 1843 até 21 Abril de 1846 (posse de João Maria Ferreira do Amaral) tendo embarcado a 28 de Maio de 1846 e falecendo em Áden, no seu regresso a Portugal nesse ano.

NOTA: a 6 de Março de 1844, foi iniciada a publicação do seminário literário e político “ «O Procurador dos Macaístas», fundado por Manuel Maria Dias Pegado. O jornal seguiu até 2 de Setembro de 1845.

Extraído de «TSYK», III Ano, n.º 84 de 8 de Fevereiro de 1866, p. 84

João Damasceno Coelho dos Santos, natural de Macau (S. Lourenço 11.05.1800; Sé 2.02.1866), filho de Faustino Coelho dos Santos e de Maria Josefa da Costa Lage , bacharel em Direito (U. C.). Terá sido nomeado em 1826, juiz de fora de Algoso (ex-freguesia portuguesa do concelho do Vimioso – Portugal) ( (1)

Em Macau, foi membro do Senado de Macau (desde 1841) (2 ) e depois Procurador da Cidade, entre 1843 e 1844. Foi delegado do Procurador da Coroa e Fazenda em Macau (1846-1866). (3) Foi um dos fundadores e o 1.º Presidente da direcção do Teatro D. Pedro V. Casou com Eudóxia António Joana Rangel (filha de Floriano António Rangel -1778-1843-  e de Ana Maria Antónia de Jesus Correia de Carvalho), Tiveram 7 filhos (4)

(1) Extraído de «Gazeta de Lisboa», n.º 35 de 10 de Fevereiro de 1826, p. 138

(2) Extraído de «The Chinese Repository», Volume 10, From Jan to Dec, 1841, p. 57

(3) Extraído de MAIA, José António (cirurgião pela Escola Mécio-Cirúrgica de Lisboa) – Memória sobre a franquia do porto de Macao, 1849, p. 85

(4) FORJAZ Jorge – Famílias Macaenses I e II Volumes, 1996

Warren Delano Jr. (13 de Julho de 1809 – 17 de Janeiro de 1898) – comerciante americano, nascido em New Bedford, Massachusetts, da família “Delano” muito conhecida nos EUA (é avô materno do presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt) Aos 24 anos (1833) foi para a China, para trabalhar na “Russell & Company “ , empresa pioneira no comércio com a China. Ao longo da sua estadia, Warren Delano Jr. fez uma grande fortuna comercializando ópio em Cantão (Guangzhou). Na China viveu em Cantão, e com a família em Macau. Casou no dia 1 de Novembro de 1843, com Catherine Robbins Lyman (1825 –1896). Tiveram 11 filhos dos quais os dois primeiros nasceram em Macau: a filha Susan Maria Delano (13-10-1844-29-06-1846) que faleceu em Macau com apenas 18 meses (transladada para o cemitério de Fairhaven, Massachusetts/EUA) e a 2.ª filha, Louisa Church Delano (Macau 04-06-1846 – Newburgh NY/EUA 26-05-1869). Warren Delano Jr. com a família regressou aos EUA em 1846/47. (1) (2) (3)

Extraído de «O Procurador dos Macaístas», II-7 de 17 de Abril de 1845

(1) Warren Delano Jr. era o filho mais velho do capitão Warren Delano e de Deborah Perry Church Delano. Após a morte de sua mãe em 1827, seu pai, Warren Delano que trabalhava no comércio marítimo da Nova Inglaterra, casou com Elizabeth Adams, uma viúva do capitão Parker da Marinha dos Estados Unidos. Estudou na Academia Fairhaven aos 15 anos e aos 17 anos, tornou-se comerciante no sector de importação. Aos 24 anos (1833) foi para a China (Cantão/Guangzhou) para trabalhar na “Russell & Company”, pioneira no comércio do ópio com a China. No início de 1843, Delano Jr. tornou-se sócio-chefe da maior empresa americana que lidava com a China. (2) (4)

A filha Sara e o seu irmão Philippe em 1864 após retorno aos EUA, de Hong Kong, onde viveram três anos.

(2) https://en.wikipedia.org/wiki/Warren_Delano_Jr. https://www.geni.com/people/Capt-Warren-Delano-Jr/6000000001637221067 https://www.geni.com/photo/view/6000000001637221067?album

A família Delano em um retrato de família em Algonac, 1889

(3) Regressou aos EUA em 1846/47, contudo Warren Delano Jr. perdeu grande parte de sua fortuna na crise de 1857 (pânico financeiro nos Estados Unidos). Em 1860, ele voltou à China, mas desta vez foi para Hong Kong, onde consegui reconstruir a sua fortuna. Durante a Guerra Civil dos EUA, Delano Jr. forneceu ópio ao Departamento Médico do Departamento de Guerra dos EUA (1861 a 1865)

(4) John Perkins Cushing – também sócio da “Russell & Company “- precedeu Warren Delano Jr. e iniciou um relacionamento próximo com uma autoridade chinesa chamada Howqua. (5) Os dois haviam estabelecido uma base “offshore” – um armazém flutuante ancorado – onde os navios da “Russell & Company” descarregavam seu contrabando de ópio antes de continuarem o Delta do Rio das Pérolas até Cantão com sua carga legal.

Howqua, 1830. Retrato de George Chinnery

(5) Wu Bingjian – 伍秉鑑 (1769 – 1843), conhecido como “Houqua” ou “Howqua”, (浩官” – pīnyīn: hào guān; cantonense:  hou5 gun1 – nome com o qual comerciava) foi o mais importante e próspero comerciante dos negócios  “Hong” (comerciantes chineses intermediários em Cantão/Guangzhou), fundado pelo seu pai, Wu Guorong. Howqua era o mais importante comerciante em Cantão,um dos poucos autorizados a negociar seda e porcelana com os estrangeiros Foi considerado o mais rico do mundo nessa época, quando o negócio era entre a China e o Império britânico (século XIX – 1.ª guerra do Ópio). Dos 3 milhões de dólares de compensação exigidos pelos ingleses no Tratado de Nanjing (1842),  Howqua contribuiu sózinho com 1 milhão. Faleceu no ano seguinte. https://en.wikipedia.org/wiki/Howqua

Notícia publicada em «O Oriente Português» de 26 de Abril de 1892: desabamento de uma parte do tecto acompanhado de vigas na Igreja de S. Lourenço no dia 24 de Abril, (domingo) quando os fieis assistiam à missa conventual celebrando a novena de Nossa Senhora dos Remédios. Felizmente não houve vítimas pois os devotos logo que se começaram a cair o estuque, correram para fora da igreja.

“O Oriente Português”, Abril 26, 1892.

A Igreja de S. Lourenço cuja data de construção precisa se ignora, mas segundo o Padre Teixeira: (1)
Ao tempo da criação da Diocese de Macau, em 23 de Janeiro de 1576, existiam já nesta cidade, segundo se lê na bula “Super Specula”, algumas capelas e outros lugares sagrados. É provável que entre êssas capelas e lugares sagrados esteja indicada a igreja de S. Lourenço, que no seu início devia ser uma pequena igreja de S. Lourenço. Nos preciosos manuscrito intitulado «Asia Sinica, e Japonica: Macao conseguido, e perseguido, obra pósthuma  do R.Pe. Fr. Jozé de Jesus Maria Arrabino»,  missionário nos Estados da India, escrito entre 1744 e 1745, livro IV, e I, p.76 lê-se « em o seguinte anno de 1558 até o de 69, achando-se já aqui alguns Padres da Sagrada Companhia de Jesus, como nos Memoriaes se acha descrito, com sua boa assistencia e idéa entrarão a formar duas ou três pequenas Igrejas de S. Lázaro, S. Lourenço e S. António…» (…)
…Ljungstedt em «Historical Sketch, diz: «a julgar por uma inscrição, esta igreja foi reconstruía em 1618.». mas não fala em construção; contudo, noutro lugar do mesmo livro, p. 155, escreve êle: « em 1593, o Senado comunicou a Filipe, Rei de Portugal, que Macau tinha uma Catedral com duas freguesias, uma misericórdia com dois hospitais e quatro congregações  religiosas, isto é, Agostinhos, Dominicanos, Jesuítas e Capuchinhos»; daqui se conclui que, segundo o mesmo Ljungstedt, a Igreja de S. Lourenço já existia muito antes de 1618… (…)”
De certeza sabe-se que a Igreja foi reconstruída pela primeira vez em 1618, de novo reedificada de Novembro de 1801 a 1 Novembro de 1803, e de Março de 1844 a 1846 e da última vez, em 1892 (após este desabamento), à custa das Obras Públicas de Macau (arquitecto Abreu Nunes), sendo bispo desta Diocese D. António Joaquim de Medeiros. (2)
(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Macau e a Sua Diocese, I, 1940, p. 166-
(2) Sobre a a Igreja de S. Lourenço, ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-lourenco/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/08/10/noticia-de-10-de-agosto-de-258-morte-de-s-lourenco-e-leitura-paroquia-de-s-lourenco/

«B. O. do Governo da Província de Macau e Timor». XLI-4 de 25 de Janeiro de 1895

Faleceu em Macau no dia 19 de Janeiro de 1895, o 1.º e único Barão de Assumpção/Assunção (título criado por D. Carlos I em 6-5-1890), João Corrêa Paes D´Assumpção. (1)

“Ordem d´Armada” de 30 de Junho de 1846
«Annaes maritimos e coloniaes», n.º 3, p. 26.
Lista dos “ Officiaes da Fazenda d´Armada, segundos aspirantes”
«Almanak estatistico de Lisboa»,  Volume 1, 1848, p. 39.

Oficial da Armada, esteve em Macau pela 1.ª vez como comissário da corveta «Infante D. Henrique», voltando novamente em 1854, quando fixou residência em Macau.

«The Directory & Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, …,» 1868.

Durante largos anos foi contador/secretário  da Junta da Fazenda Pública de Macau, Timor e Solor. Foi também 1.º oficial do Corpo dos Oficiais e superintendente da fiscalização da importação e exportação do ópio em Macau,. Em 1891 foi arrolado como um dos 40 maiores contribuintes de Macau.

Cemitério de S. Miguel
http://www.macaneselibrary.org/PublicE-o/p37.htm 

Encontrei esta nota curiosa de felicitação ao comendador por se ter livrado da cegueira do olho direito após tratamento do tratamento duma conjuntivite!

«O Correio Macaense» VI-15 de 24 de Maio de 1889

(1) João Corrêa Paes D´Assumpção (Paço de Arcos 1825 – Macau 1895) foi cavaleiro (1865), comendador da Ordem Militar de Cristo (ordem honorífica portuguesa que herdou o nome da extinta Ordem de Cristo (1834), cavaleiro da ordem de N.ª Srª da Conceição de Vila Viçosa (1888) e cavaleiro da Real Ordem do Cambodja. Foi também cônsul do Brasil (1892)

«Bol. Gov de Macau» XII-9 de 26-02-1866

Dados biográficos recolhidos de FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume I, 1996,p. 293.

“Plan de la ville et des environs de Macao” – 1846
MAPA de Paul François Dupont (1796-1879)
Bibliothèque Nationale de France (1)

No istmo que liga Macau à ilha de Heong Shan havia um destacamento português no Forte de Passaleão, (2) que o Governador Carlos Eugénio Correia da Silva (governo de 1875 a 1879) ali colocara para evitar as malfeitorias praticadas pelos chinas, mas em princípios de Janeiro de 1879, o vice-rei de Cantão exigiu que os soldados fossem retirados desse posto de COSAC (fora das Portas de Cerco), o que o governador cumpriu em 18 de Janeiro de 1879 (2)

Pormenor do mapa anterior – Istmo da Porta do Cerco

No Relatório de 31 de Agosto de 1908, o Governador Pedro Azevedo Coutinho (governo de 1907 a 1908) (3) refere que «o destacamento militar durante muitos anos, a partir de 1849, ocupava o forte de Passaleão, que algum tempo depois foi abandonada por o terreno compreendido entre esse forte e a Porta do Cerco considerado como zona neutra»
Oficialmente, “ O Destacamento em Cosac retira em consequência da “insalubridade do logar (4)
(1) http://lunamap.must.edu.mo/luna/servlet/detail/MUST~2~2~1121~1376:Plan-de-la-ville-et-des-environs-de?embedded=true&widgetType=detail&widgetFormat=javascript  

(2) TEIXEIRA, Pe. Manuel – Macau e a sua Diocese I, 1940.
(3) CAÇÃO, Armando A. A. – Unidades Militares de Macau, 1999
(4) Ordem n.º 2 do Quartel General no Governo da Província de Macau e Timor de 18 de Janeiro de 1879 – Ordem à Força Armada publicado no “Boletim da Província de Macau e Timor” XXV-n.º 3.

Faleceu a 14 de Julho de 1870, dum ataque repentino que o privou dos sentidos, o padre Jorge António Lopes da Silva, nascido em Macau, em 8 de Maio de 1817. Foi muito estimado por toda a população, tendo recebido, em Manila, aos 24 anos de idade a sagrada ordem de presbítero. Na volta a Macau, regeu a cadeira de Português, no Colégio de S. José e abriu, em sua casa, uma escola, donde saíram alguns padres e muitos guarda-livros. Foi depois convidado, pela Câmara Municipal para exercer a cadeira de professor de liceu, que fora então aberto, em Macau (1)
Não foi professor de liceu pois não havia ainda liceu em Macau. O Senado de Macau convidou a 14 de Abril de 1847 o Padre Jorge António Lopes da Silva para ser um dos primeiros mestres da futura Escola Principal de Instrução Primária. (2) O Padre respondeu a 27 do mesmo mês que aceitava ser um dos mestres das primeiras letras com o ordenado de 350 patacas anuais, pondo no entanto as seguintes condições: 1) levar consigo os meninos que estudavam em sua casa; 2) os requerimentos para admissão deveriam ser dirigidos não a ele, mas ao Senado; 3) que se alterasse o horário de inverno, pois o tempo do meio-dia às 2 horas lhe parecia curto para descanso de professores e alunos”, O Senado concordou e o Padre Jorge foi nomeado director e mestre da Escola Principal de Instrução Primária que foi inaugurada a 16 de Junho de 1847. A Escola ficou instalada em metade das casas do Recolhimento de S. Rosa de Lima. (3) (4)
A 14 de Junho de 1847, dois pretendentes oficiaram ao Senado: José Vicente Pereira oferecendo-se para mestre de inglês e francês dessa escola e John Hamilton pedindo-lhe um lugar de professor; a 22 de Novembro de 1847, o Senado comunicou ao Padre Jorge a nomeação de José Pereira e perguntando-lhe se carecia de mais outro professor. A Escola compreendia 3 cadeiras: uma de ensino primário, a cargo de Joaquim Gil Pereira, outra de português a cargo do Padre Jorge Lopes da Silva e outra de inglês e francês a cargo de José Vicente Pereira (3)
Apesar do seu limitado pessoal chegou a ter mais de 300 alunos.
Em fim de 1853, o Padre Jorge António Lopes da Silva pediu a demissão de director e mestre da escola. (5) Para a direcção da Escola foi nomeado o Padre Vitorino José de Sousa Almeida (6) que ficou só um ano pois o Senado teve de o despedir, ou por ter achado nele inaptidão ou por sua severidade pois que no cabo de um ano, estava deserta a aula das línguas portuguesas e latina.

Planta da Colónia Portuguesa de Macau
1870
Desenhada  por M. Azevedo Coutinho (7)

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954
(2) A 27 de Janeiro de 1847, o Senado de Macau oficiou a José Vicente Jorge, Francisco António Pereira da Silveira, Francisco João Marques e Padre António José Victor, comunicando-lhes que haviam sido nomeados para fazer parte duma comissão a fim de elaborar um plano de educação para a mocidade deste estabelecimento. A Escola Principal de Instrução Primária foi fundada pelo Senado de Macau por meio de uma subscrição pública. O  Senado comunicou a João Maria Ferreira do Amaral, governador de Macau entre 1846 e 1849, a 17 de Fevereiro de 1847 que
deliberou com os eleitos das freguesias  solicitar dentre os moradores abastados desta Cidade
Huma subscrição, cujo produto incorporado ao Capital agora existente de $ 5 000 (doado pelo inglês James Matheson feita a Adrião Acácio da Silveira Pinto, governador de Macau de 1837 a 1843), constitua hum fundo capaz de produzir hum rendimento, que junto  ao que este Senado agora despende com a sua escola de primeiras letras seja sufficiente para cubrir as despezas de huma Escola Principal de Instrução Primária: e na qual … se ensine também as línguas Ingleza e Franceza, cujo conhecimento he hoje reconhecidamente de suma utilidade, senão indispensável neste pais”. (3)
(3) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982
(4) Em Abril de 1849, a escola foi transferida para o Convento de S. Francisco; mas a 28 do mesmo ano, o Conselho de Governo comunicou ao Senado que, tendo de aquartelar nesse convento a força auxiliar vinda de Goa, a escola devia ser mudada para outro lugar; regressou então ao Recolhimento. (3)
(5) Segundo artigo publicado no «Echo do Povo» n.º 68 de 15-07-1960, o Padre Jorge Lopes da Silva rdeixou a direcção que ocupava porque obrigaram-no a aceitar o vicariato de S. Lourenço. Foi portanto, nomeado pároco de S. Lourenço e a 5 de Fevereiro de 1866, foi nomeado Governador do Bispado. O Padre Jorge Lopes da Silva foi nomeado em 1867 presidente duma comissão encarregada de estudar as necessidades da Santa Casa de Misericórdia, nomeadamente do recolhimento das raparigas abandonas à porta da Santa Casa, que levou posteriormente ao decreto do Governador José Maria da Ponte e Horta à abolição da Roda dos Expostos da Santa Casa, a 2 de Fevereiro de 1867.
(6) Padre Vitorino José de Sousa Almeida chegou a Macau a 2 de Janeiro de 1832 no Novo Paquete. Foi pároco de S. Lourenço de 1842 a 1852. (3)
(7) Ver referência a este Capitão em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/22/noticia-de-agosto-de-1952-clube-militar/

Duas notícias do dia 8 de Novembro referentes ao Colégio de Santa Rosa de Lima:
A primeira, do dia 8 de Novembro de 1846, data em foi reorganizado o Colégio de Santa Rosa de Lima para educação de meninas (1)
A segunda, do dia 8 de Novembro de 1876, por Decreto, o governo da Metrópole com os rendimentos do recolhimento de S. Rosa e do Mosteiro de S. Clara constitui uma doação para o Colégio de S. Rosa de Lima, que tinha o valor aproximado de cem mil patacas, incluindo todos os edifícios, propriedades, foros e capitais, que foram destinados à sustentação do colégio (2)
No ano anterior (1875), o Convento de Santa Clara (onde funcionava desde 1857 o Recolhimento de Santa Rosa) fundiu-se com o Recolhimento de Santa Rosa, com o nome de Colégio de Santa Rosa de Lima.

colegio-de-s-rosa-de-lima-1907-man-fookColégio de Santa Rosa de Lima em 1907
Atribuída ao fotógrafo Man Fook

Entre estas duas datas, alguns apontamentos mais importantes:
21-12-1848 – As Filhas de Caridade de S. Vicente de Paula, que se estabeleceram em Macau devido aos esforços do Bispo D. Jerónimo José da Mata, assumiram a direcção do Recolhimento de Santa Rosa de Lima, destinado à educação de meninas. O recolhimento funciona a partir de 1849 até 1857 no extinto Convento de Santo Agostinho, sob a direcção do Prelado da Diocese. (1)
02-10-1856 – Foi ordenado por decreto que o recolhimento para a educação das pessoas do sexo feminino, denominado de Santa Rosa de Lima e estabelecido no edifício do extinto convento de Santo Agostinho fosse anexado ao Mosteiro de Santa Clara. (1)
22-01-1857 – Provisão do Bispo D. Jerónimo José da Mata reorganizando o Recolhimento de Santa Rosa de Lima para a educação de meninas pobres anexando-o ao Mosteiro de Santa Clara de acordo com o Decreto anterior. (1)
06-07-1857 – Tendo sido transferido para o Convento de Sta Clara a escola de meninas que funcionava no convento de S. Agostinho, foi este transformado em Hospital Militar até 1872, ano em que foi construído o Hospital Conde de S. Januário. O convento foi depois comprado por Artur Basto que o transformou em sua residência. Com a morte foi adquirido pela Companhia de Jesus e, sob o nome de Residência de Nossa Senhora de Fátima serve de casa de repouso aos jesuítas. (1)
30-1-1875 – A Portaria Provincial n.º 19 desta data determina a incorporação na Fazenda, segundo a lei dos bens móveis e imóveis do Convento de Sta Clara, por ter falecido a última religiosa. (3)
Os Estatutos do Colégio foram publicados em Fevereiro de 1875 e em 4-03-1875 foi nomeada regente do colégio D. Theresa da Annunciação Danemberg, senhora de esmerada educação e muitas virtudes e para professoras sras. D. Lydia Francisca da Santa Cruz e D. Leonidia Maria da Conceição. Estas três senhoras residiam há muitos anos no convento e viram-se sem amparo com a morte da última freira. (2)

colegio-de-s-rosa-de-lima-directoria-1934O Colégio de Santa Rosa de Lima, em 1934

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982.
(3)  Por Portaria Provincial n.º 19 de 30 de Janeiro de 1875, o governador José Maia Lobo d´Ávila determinou o seguinte:
Tendo falecido a ultima religiosa do convento de Santa Clara, (4) e devendo pelas leis em vigor serem incorporadas na fazenda todos os bens pertencentes ao mesmo convento, e sendo necessário proceder a um inventário geral dos mesmos bens: hei por conveniente nomear para este efeito uma comissão composta do secretário da Junta de Fazenda João Correa Paes d´Assompção, do delegado interino do Procurador da Coroa e Fazenda, o advogado Albino António Pacheco e o P. Capelão Vicente Victor Rodrigues Esta Comissão em 15 de Março de 1875 tomou posse de todos os bens móveis e de raiz, e da administração do mesmo extinto convento num valor total de $ 77.983,25.”
(4) Em 1834, pelo decreto de Joaquim António de Aguiar, foram extintos os conventos em Portugal . Esta lei teve a sua repercussão no ano seguinte em Macau, em 1835, mas o governo local continuou a respeitar a existência das Claristas, mantendo-as no seu convento de Sta. Clara até à morte da última religiosa que faleceu a 18 de Fevereiro de 1875.