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Capa de Fernando Lima

Publicado em 1 de Maio de 1994, o primeiro número da “ASIANOSTRA  revista de cultura portuguesa do oriente”, que se anunciava de publicação semestral, com a coordenação de António Aresta e Maria da Conceição Rodrigues;. A edição e propriedade era do Instituto Português do Oriente (IPOR),  e foi impressa na tipografia Mandarim (23 cm x 15,8 cm x 0,5 cm).

Infelizmente somente foram publicados dois números.

ÍNDICE – pág. 3
NOTA PRÉVIA – pág. 5
Contracapa

Por iniciativa do Padre Francisco Xavier Rôndina, S. J. (1) efectou-se a 3 de Abril de 1864, uma quermesse no teatro D. Pedro V, em benefício dos órfãos do Seminário de S. José. Este mesmo jesuíta que veio para Macau em 1862, para ensinar e dirigir o Seminário de S. José, (2) era um defensor dos direitos humanos, denunciando os problemas sociais dos mais pobres e desfavorecidos, e promovendo os meios para sustentar os asilados nomeadamente os órfãos.

Mas só em 1900 por iniciativa do Provedor da Santa Casa de Misericórdia Pedro Nolasco da Silva (1842-1912) surgiu o “Asilo dos Órfãos” instalado no Tap Seac, mas que por razões económicas em 1918, foi extinta. (3) (4)

Em 1933, a “Associação protectora dos jovens pobres e órfãos”, que tinha o edifício alugado denominado «Novo Asilo dos Órfãos» na Travessa dos Santos n.º 2, encomendou a construção de um edifício próprio que seria denominado “Asilo dos Orfãos”. (5)

 «Boletim Geral das Colónias», XII, n.º 134/135, Agosto/Setembro de 1936, pp.181

Para efectivação desta grande obra de beneficência, para angariação de fundos para a sua concretização, em Macau, Abril de 1936, (6) foi impresso e distribuído um “jornal” de 16 páginas (número único) onde se apresenta:

– Uma mensagem do Governador interino, Dr. João Pereira Barbosa

 – Um “ante-projecto, para mostrar o partido tomado e em que ainda não há uma preocupação de detalhe”, elaborado por Keil Amaral, (7) acompanhado de uma “descrição do projectado para construção de um edifício na Rua da Horta da Companhia, (8) a pedido da Associação protectora dos jovens pobres e órfãos”, assinado pelo mesmo arquitecto.

– Um artigo intitulado “Querer É Poder”, história resumida do Asilo dos Órfãos até então, por Luís Nolasco (Macau, 18 de Março de 1936) (9)

Com desenho/projecto na 1.ª página da “Fachada principal do novo edifício do Asilo dos Pobres e Órfãos de Macau”
Planta do 1.º pavimento
Planta do 2.º pavimento
Planta da cave
Mensagem manuscrita do governador interino, Dr. João Pereira Barbosa de 8 de Abril de 1936.

NOTA – Apesar de ter havido lançamento da primeira pedra do edifico, em 23 de Junho de 1936, com projecto do arquitecto Keil do Amaral, na Rua de Horta e Companhia, não consta ter havido concretização desta obra pois não encontro nas minhas pesquisas, até hoje, qualquer informação sobre a inauguração ou trabalhos realizados nessa mesma rua e também porque os «Anuários de Macau» de 1938 (p. 442) e 1940/41 (p. 462) referirem uma nova morada para o Asilo dos Órfãos, na «Vila Flora». Acrescenta-se o facto de, em 13 de Fevereiro de 1924, num terreno denominado Horta da Companhia, doado à Irmandade da Misericórdia de Macau pelo Governo da Província, ter sido construído um edifício destinado para Asilo dos Inválidos, (10)

(1) 08-06-1862 – Chegaram a Macau os Padres jesuítas Xavier Rôndina (1827-1897) e José Joaquim de Fonseca Matos, os primeiros professores do reaberto Seminário.  O Padre Francesco Saverio Rondina nasceu em Itália e aos 15 anos de idade ingressa na Companhia de Jesus e faz o seu noviciado em Roma. É enviado para Macau, tendo residido primeiramente, em Portugal entre 1859 e 1862, em Lisboa, no colégio de Campolide onde obteve a autorização régia para ensinar em Portugal, e posteriormente em Macau. Em 1862, passa pela ilha de Sanchoão, onde encontrou aí, a primeira sepultura de S. Francisco Xavier, que restaurou. Padre Rondina, depois de ter dirigido o Colégio de S. José em Macau de 1862 a 1871, devido à ordem que veio de Lisboa (os professores do Seminário teriam de ser obrigatoriamente de nacionalidade portuguesa e a aqueles que não cumpriam este requisito teriam de abandonar o território), abandona Macau com alguns colegas jesuítas e dirige-se para o Rio de Janeiro, onde permanecerá durante algum tempo mas, por motivos de saúde, regressa finalmente a Itália, em 1882. Nesse ano, quando conhece a obra educativa de S. João Bosco, sob a inspiração e nome de S. Francisco de Sales – os Salesianos – propôs a ida destes para Macau. D. João Paulino Azevedo (1902-1918) dá sequência à instalação dos salesianos em Macau, em 1906. (10)

Sobre a biografia e obra do Padre Rondina , aconselho leitura de: ARESTA, António – Cinco Figuras do Diálogo Luso-Chinês em Macau em file:///C:/Users/ASUS/Downloads/06-Cinco%20figuras__Antonio%20Aresta873-894.pdf

MARTINS, Maria M. B. – Compêndio de Philosophia Theorética e Pratica de Francisco Xavier Rondina S.J.; O Renascimento de Neo-escolástica  em https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/15970.pdf

(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – O Teatro D. Pedro V, 1971, p. 31.

(3) “1900 – Sendo Provedor da Santa Casa de Misericórdia Pedro Nolasco da Silva criou este grande vulto macaense o Asilo dos Órfãos, que ficou a cargo da mesma Santa Casa e instalado em edifício próprio, ao Tap Seac (hoje sede do Instituto Cultural do Governo da RAEM). A instituição foi extinta por medidas económicas em 1918, tendo recolhido e educado ao todo 182 rapazes, alguns dos quais atingiram lugares importantes dentro e fora de Macau. (10)

(4) “Havia antigamente o Asilo dos Órfãos da Santa Casa da Misericordia de Macau, instalado no edifício que a mesma Santa Casa propositadamente mandou construir ao Tap Seac e onde hoje funciona o liceu nacional. Um provedor, porém, em hora infeliz de confissão de incompetência e de comodismo propôs, e conseguiu, a sua extinção. Ficou, então, aberta uma lacuna na obra de assistência pública de Macau.” (Luis Nolasco) (6)

(5) “06-01-1933 – Foi inaugurado a 6 de Janeiro de 1933, o «Novo Asilo dos Órfãos», sob o patrocínio da «Associação Pública de Protecção aos jovens Pobres e Órfãos», alimentada com cotas mensais, sessões de animatógrafo e outras representações de benefício. Faltava um prédio adequado, porque o 1.º, ao Tap Seac, passou a ser o Liceu Central de Macau. Com a ajuda de muitas almas boas, entre elas o arquitecto Keil do Amaral e o Dr. Gustavo Nolasco da Silva (11), impulsionados por Pedro Paulo Ângelo, (12) o Asilo foi instalado na Travessa dos Santos n.º 2 e encontrou quem lhe permitisse continuar (10) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/06/noticia-de-06-de-janeiro-de-1933-novo-asilo-dos-orfaos/

(6) “O Asilo dos Orfãos”, jornal, número único, de Abril de 1936,Macau.

“ABRIL DE 1936 – Publicado um Jornal do Asilo com o título de “O Asilo dos Orfãos”, Número Único, com a história e o projeto de construção do edifício destinado a esta obra de assistência; ainda instalado na Travessa dos Santos, ali se utilizou a política de self-supporting-concern, com oficinas de tipografia e encadernação e professores (e material) concedidos pela Comissão Administrativa de Município, por proposta do Tenente Guedes Pinto. O projecto foi feito gratuitamente pelo arquitecto Keil do Amaral, sendo-lhe destinado um espaço cedido gratuitamente por diligência do Governador Interino, Dr. João Pereira Barbosa.” (10)

(7) Francisco Caetano Keil Coelho do Amaral (1910 — 1975) foi um arquiteto português ligado ao Modernismo, com destaque ao longo dos anos de 1940 e 1950, com responsabilidade projectual de importantes obras públicas, como por exemplo, Aeroporto de Lisboa, Feira das Indústrias de Lisboa, Parque Florestal de Monsanto, Lisboa etc. Completa o curso de Arquitetura da Escola de Belas Artes de Lisboa e a primeira obra é de 1934 (Instituto Pasteur, Porto). Este projecto para Macau terá sido um dos primeiros trabalhos encomendados (não consta na sua biografia) já que só em 1936, é referenciado o concurso para o Pavilhão de Portugal na Feira Universal de Paris, onde esteve durante 1 ano para acompanhar a construção do pavilhão. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Keil_do_Amaral)

(8) A Rua de Horta da Companhia, em 1969, foi redenominada Rua de D. Belchior Carneiro (actual designação) nas comemorações dos 400 anos da chagada a Macau do Bispo D. Melchior.

(9) Dr Luís Gonzaga Nolasco da Silva (1881-1954; filho de Pedro Nolasco da Silva) foi presidente do Asilo dos Órfãos de 1933 (Travessa dos Santos, n.º 2) a 1938/1939 (Vila Flor) (Directório de Macau, 1933, p. 518 e Anuário de Macau, 1938, p. 442) (https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/luis-gonzaga-nolasco-da-silva/)

(10) (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, 2015, Volume II, p. 338; Volume III, pp. 161, 230,239, 251, 283)

(11) Dr. Gustavo Nolasco da Silva (1909-1991; filho de Luís Gonzaga Nolasco da Silva) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/gustavo-nolasco-da-silva/

(12) 14-07-1931- O Sr. Pedro Paulo Ângelo, fazendo parte da Mesa Directora da Sta. Casa, inicia uma subscrição pública para reerguer o Asilo dos Orfãos, instituição onde crescera e sustentada pela Santa Casa da Misericórdia até 1918 quando foi fechado por medidas económicas. Em 13 de Agosto de 1931, os Estatutos foram aprovados pela Portaria n.º 936 do Governo de Macau. Com a subscrição e mais algumas achegas finais, adquiriu-se uma soma de 10 mil patacas.” (10)

Anteriores referências ao Asilo dos Órfãos: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/asilo-dos-orfaos/

Após prolongado sofrimento que o trazia prostrado no leito há mais dum ano, faleceu, na sua residência n.º 71 da Rua da Praia Grande, vitimado por uma tuberculose pulmonar, no dia 6 do corrente, o Sr. Leôncio Alfredo Ferreira, com 69 anos de idade. O funeral realizou-se no dia seguinte, às 17 e meia horas”.(1)

Nascido em Macau a 15 de Maio de 1849, era filho de D. Maria Gualdina Gonçalves, natural de Macau, e de João Eleutério Ferreira, nascido em Portugal. (2) Fez os seus estudos na «Escola Macaense» e transitou para o Seminário de S. José, onde foi sempre aluno distintíssimo, distinguindo-se em todo o seu curso pela sua aplicação, aproveitamento e comportamento exemplar, ganhando inúmeros prémios e referências elogiosas da imprensa.

Terminado no Seminário de S. José, o seu curso com distinção, dirigiu-se para Goa a fim de estudar Jurisprudência, regressando a Macau depois de formado. Estudioso apaixonado da língua chinesa, conhecedor profundo da mentalidade e psicologia dos chineses, revelou-se não só um valoroso intérprete mas mais especialmente um medianeiro inteligente nas relações destes como nosso governo.

Casou na Sé Catedral de Macau em 27 de Setembro de 1881, com Maria José Pereira (1861-?). Segunda núpcias, em 20 de Dezembro de 1894, com sua tia por afinidade Ana Teresa Vieira Ribeiro (condessa viúva de de Senna Fernandes). Não deixou filhos.

Além de advogado de provisão, professor da Escola Municipal e jornalista, (3) desempenhou os altos cargos públicos, com distinção e aprumo moral que eram o timbre do seu carácter integérrimo, enumerando aqui alguns dos cargos: pela Portaria n.º 82 de 20 de Julho de 1825, foi nomeado Secretário da Comissão Administrativa da Santa Casa de Misericórdia; pela Portaria n.º 106, de 8 de Novembro de 1875, foi nomeado Delegado interino da Comarca de Macau de que, porem, se escusou, em 5 de Julho de 1876

«BPMT», XXII-28 de 8 de Julho de 1876, p. 114

Comentando este caso alguém escreveu no «Jornal de Macau» n.º 29 de 24 de Novembro de 1875: “O Senhor Leôncio Ferreira que exerceu com zello e intelligencia o lugar de procurador da coroa, d´esta vez entendeu que não devia aceitar semelhante cargo porque não quer aferir pela balança por onde são pezados os membros da exma. Junta, que estão no equilíbrio das ilegalidades, em quanto se não justificarem das acusações que lhe hão feito” (1)

Pela Portaria n.º 97, de 23 de Dezembro de 1876, foi nomeado Administrador interino do Concelho de Macau, cargo que anteriormente já vinha desempenhando; em 23 de Setembro de 1879 foi nomeado pela Portaria n.º 118, administrador efectivo.

«BPMT», XXII-52 de 23 de Dezembro de 1876

Pela Portaria n.º 67 de 27 de Julho de 1877, foi exonerado do cargo de secretário da Comissão Administrativa da Santa Casa sendo nomeado Pedro Nolasco da Silva para o substituir (Portaria n.º 75 de 3 de Agosto de 1877); pela Portaria n.º 53 de 14 de Agosto de 1878, foi nomeado Procurador interino dos Negócios Sínicos. Exonerado em Setembro de 1879, para tomar posse, em 23 de Setembro, (Portaria n.º 118) do cargo de Administrador efectivo do Concelho de Macau. (até 1881). (4)

No dia 17 de Maio de 1881, António Joaquim Bastos Junior foi demitido do cargo do procurador dos negócios sínicos, para que havia sido interinamente nomeado por portaria n.º 56. Leoncio Alfredo Ferreira foi nomeado para o mesmo cargo. (BGPMT n.º 21 de 21 de Maio de 1881); pela Portaria n.º 81, de 12 de Novembro de 1881, foi nomeado Presidente da Comissão Administrativa da Santa Casa de Misericórdia; pela Portaria n.º 117 de 27 de Outubro de 1883, foi nomeado cônsul de 1.ª classe, em Shanghai (1883-1884).

Pela sua diplomacia, inteligência e valor demonstrados no desempenho desta missão, foi condecorado pelo Governo Central de Lisboa com o Grau de Oficial da Torre e Espada por Diploma de 23 de Janeiro de 1896.

Pela Portaria n.º 22, de 1 de abril de 1885, foi nomeado vogal do Conselho Inspector de Instrução Pública.; pela Portaria n.º 144, de 20 de Dezembro de 1898, foi louvado pela Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar, pela maneira como se houve durante a epidemia de petes bubónica que assolou Macau, de Fevereiro a Julho desse ano, no desempenho dos serviços de higiene e desinfecção; pela Portaria n.º 145, de 5 de Dezembro de 1902, foi nomeado Vogal do Conselho de Governo da Província.

Dados biográficos extraídos de : «Macau Boletim Informativo», II-27 de 15 de Setembro de 1954, pp. 11-12; FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses Volume I, pp. 1077-1078; e o livro referenciado em (1) 

(1) TEIXEIRA, P. Manuel- Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, p. 449-497.

(2) João Eleutério Ferreira (c.1785 – 1872) nasceu em Coimbra, Portugal, vindo para Macau casou, nesta cidade, pela 1.ª vez em 1830 e pela 4.ª vez com Maria Galdina Fernandes, filha de Vicente José Fernandes e de Ricarda Constantina Fernandes e irmã de Bernardino de Sena Fernandes (1.º Barão, 1.º Visconde e 1.º Conde de Sena Fernandes), de quem teve apenas um filho, Leôncio Alfredo Ferreira.

(3) Em favor dos Jesuítas, expulsos de Macau publicou um opúsculo, intitulado: “Um brado pela verdade ou a questão dos Professores Jesuítas em Macao e a Instrução dos Macaenses, Macau, Tipographia Mercantil, 1872.

(4) Na sua qualidade de Administrador do Concelho fez o relatório sobre a morte trágica co coronel Mesquita. (1)

NOTA 1: A Câmara de Macau decidiu honrar a sua memória atribuindo o seu nome à «Rua Leôncio Ferreira» – começa na Avenida de Sidónio Pais, a entrada da Rua de Silva Mendes, e termina na Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida, entre os prédios n.ºs 58-H e 60.

NOTA 2 : Aconselho a leitura dos trabalhos de António Aresta, intitulados ” O Pensamento Moral de Leôncio Alfredo Ferreira, e “A Sinologia Portuguesa: um esboço breve” disponíveis para leitura em: https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/15959.pdf   e http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30032/1963

Anteriores referências neste blogue em: em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leoncio-alfredo-ferreira/

Extraído de «Revista de Artilharia«, n.º 55 ANO V, 1909 , p.623

No dia 3 de Janeiro de 1909, Manuel da Silva Mendes deu uma conferência no Grémio Militar de Macau subordinada ao título “LAO-TZE e a sua doutrina segundo o TAO-TE-KING”. (1)

O texto da conferência foi publicada, em 1908, pela Imprensa Nacional de Macau, portanto, antes da sua leitura. O assunto do tauismo prendeu muito a sua atenção. Silva Mendes não conheceu, porém a obra de Láucio, senão através de traduções, visto que não sabia chinês escrito e o seu conhecimento do chinês falado era muito restrito e superficial, motivo poe que não é crível que tivesse sido capaz de conservar e discutir, em língua nativa, com os homens de letras chineses, sobre assunto tão transcendente. Assim, no ano que precedeu ao seu falecimento, publicou os “Excerptos de Filosofia Taoista”, obra em verso da qual foram impressos apenas 200 exemplares, na Tipografia do Orfanato da Imaculada Conçeição e  que deveria ser seguida dum segundo volume, que ainda não se encontra publicado”  (2)

(1)Texto da conferência publicado na “Nova Colectânea de Artigos de Manuel da Silva Mendes, Volume I (Arte). Folhetins do «Notícias de Macau» (publicados nos n.os 4672 a 4751 de 12-06-1963 a 18-09-1963), 1963, pp.211-253. e também numa trilogia, publicada em 2017, edição de ”Livros do Oriente “ intitulado “Manuel da Silva Mendes: memória e pensamento” organizado com estudos de António Aresta, Amadeu Gonçalves e Tiago Quadros, no volume I (Arte, Filosofia e Religião. Cultura e tradições), pp.311-338

CAPA
CONTRA-CAPA

(2) GOMES, Luís G. – JUSTIFICAÇÃO, p.V do livro “Nova Colectânea de Artigos de Manuel da Silva Mendes”, (1)

Um livro – impressões de viagem – de José Gonçalves de Abreu, (1) que convidado pela “Union of Japonese Scientists and Engineers”, representou Portugal na «Conferência Internacional de Controle de Qualidade/ International Conference on Quality Controle», realizada em Tóquio, com início em 21 de Outubro de 1969, no “areópago da indústria mundial Keidaren-Kaikan”. O autor apresentou na conferência, o trabalho “A Influência do controle de qualidade nas relações entre os povos e na cultura do mundo”. O livro foi prefaciado por Fernando de Castro Pires de Lima (2)

Exemplar com uma dedicatória autógrafa do autor em 10.1.71 ao “Reverendo Padre Pinto Nunes, Homem de Letras, conferencista e Teólogo de raro merecimento …

Fez a rota aérea polar nomeadamente Lisboa-Copenhague-Ancorage-Tóquio (“ 13 mil quilómetros de distância separam ao longo do Ártico e do Pacífico numa longa caminhada através do gelo”)

Findo a conferência e terminada a visita a Japão, voltou através de um voo para Hong Kong, onde esteve três dias, tenho efectuado uma visita de um dia a Macau. Deixou suas impressões de Macau nas pp. 29-3, com 6 fotografias a negro

A cidade de Macau é uma preciosidade na margem do Rio das Pérolas, que atesta a presença de Portugal naquelas paragens de sonho que trouxe, há cerca de quinhentos anos, ao convívio do Ocidente. As suas ruas e avenidas tipicamente à moda portuguesa, banhadas por um sol quente e acolhedor, a que um mundo de transeuntes em mangas de camisa ou em lindos conjuntos, de largas calças e túnica preta, contrastavam com os trajes garridos dos turistas americanos, davam àquela paisagem a beleza das mais lindas capitais daquele lendário continente.

Passámos lá o dia até às cinco horas da tarde, durante esse tempo, corremos auela parcela do solo pátrio em todas as direcções, visitámos os pontos turísticos, os pagodes e os templos Budistas, o comércio, próspero e bem sortido, o seu casino, a gruta onde Camões escreveu a sua obra-prima –  «Os Lusíadas» … (…)

A cidade faz lembrar um presépio na sua configuração e de todos os lados de onde se veja, é uma preciosidade”. “Ali, como em qualquer outra parte do nosso Ultramar pode ver-se a nossa forma de vida, plurirracial, em convívio fraterno com todas as raças e todas as cores de pele. Nos restaurantes, nos cafés, a passear pelas ruas, nas escolas, enfim por toda a parte, os portugueses não escolhem os seus pares ou os seus amigos, juntam-se na mais harmoniosa convivência, com todos os habitantes da cidade, quer sejam chineses, mestiços ou provenientes de qualquer outra parte do mundo. Somos assim e não temos que fazer qualquer esforço para sermos tal qual somos.

Durante a nossa permanência em Macau, procuramos ver tudo que a magnífica cidade possui de mais belo e representativo da vida cultural e recreativa portuguesa, dado que, estando tão longe da mãe Pátria, com uma população de mais de 290 mil chineses e somente 10 mil portugueses seria lógico aceitar que pouco ou nada ali haveria a marcar a nossa permanência em tão pequena minoria. Pois ficamos deslumbrados com a satisfação com que o macaísta declina a sua identidade. Sou português, filho de pai português e de mãe chinesa; aqui nasci, sou português e prezo-me muito disso, não conheço ainda a Metrópole, mas tenho uma certa esperança de lá ir qualquer ocasião. Estudo a língua Pátria, frequento a escola portuguesa, falo chinês mas, cada dia, onde posso fazê-lo, isto é, logo que tenha quem fale a língua de Camões, é essa a língua que gosto de falar.

A presença de Portugal está patente em todos os cantos da cidade. Escolas, repartições públicas, indicações de trânsito, enfim, tudo revela que ali é terra de Portugal, e quando entramos num estabelecimento chinês – praticamente todos são chineses – somos recebidos com visível agrado e dispensam-nos as maiores atenções.

“Também encontramos alguns militares que gostosamente ali prestam serviço. É uma alegria que se dá àqueles rapazes, alguns naturais da metrópole, que ali estão cumprindo serviço e que dão à cidade um ar de urbanismo e importância que nos enche de orgulho e satisfação”.

De Hong Kong seguiu para Bangkok onde esteve três dias.

(1) ABREU, José Gonçalves de – Do Ocidente da Europa aos Confins da Ásia (impressões de uma viagem). Amarante, 1970, 44p. (22,3 cm x 16.9 cm x 0,5 cm)

José Gonçalves de Abreu (1914-2002, nascido em Amarante) foi membro da Delegação Portuguesa em diversas reuniões internacionais,, fundador do complexo industrial “TABOPAN”, em Amarante – pioneiro do fabrico de aglomerados de madeira na Península Ibérica. Foi comendador e esteve quatro anos na presidência da câmara da Amarante. Em 1973, o comendador José de Abreu foi deputado eleito para a Assembleia Nacional, na XI legislatura, cujo termo foi a Revolução de 25 de Abril de 1974.

NOTA: Sobre esta personalidade, e o presente livro, aconselho a leitura de “José de Abreu” do docente e investigador, António Aresta publicado no “Jornal Tribuna de Macau”, em 12 de Maio de 2015. https://jtm.com.mo/opiniao/jose-de-abreu/

2) Fernando de Castro Pires de Lima (1908 — 1973), médico, professor, escritor e etnógrafo português. https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_de_Castro_Pires_de_Lima

Edição Fac-similada da “Amplificação do Santo Decreto” (1) do Imperador Yongzheng, (2) versão portuguesa e compilação de  Pedro Nolasco da Silva ( Chefe da Repartição Técnica do Expediente Sínico de 1885 a 1892) inserido no 2.º volume do seu livro (edição de Autor, 1903, Tipografia Mercantil, Macau) “Manual da Língua Sinica Escripta e Fallada. Primeira Parte – Língua Sínica Escripta”
Do “PREFÁCIO” assinado por António Aresta, transcrevo:
Sob a capa de um manual escolar de língua sínica escrita, anódino e igual a tantos outros, podem encontrar-se inesperadas surpresas.
É o que sucede com a “Amplificação do Santo Decreto”, onde a para de um didactismo exemplar se empreende a pedagogia de uma ideologia, a pedagogia do neo-confucionismo, cujo remoçado fascínio permanece até à actualidade.
A “Amplificação do Santo Decreto” é um verdadeiro manual de instrução cívica, ética e política, obedecendo aos parâmetros da mais pura ortodoxia confuciana, destinado ao povo chinês (…)
O “ Santo Decreto”, santo com o significado de sábio, foi originalmente redigido prelo imperador Shunzhi, (3) o fundador da dinastia Qing, tendo sido sucessivamente amplificado ou desenvolvido por seu filho Kangxi (4) e por seu neto Yongzheng . Assim, o mesmo corpo doutrinal, o “Santo Decreto”, manteve-se em vigor durante dois séculos. (…)”
Da “INTRODUCÇÃO” de Pedro Nolasco da Silva, retiro o seguinte:
Em 1671, KANG-HSI, segundo imperador da actual dynastia tartara-manchú, publicou um decreto contendo 16 máximas, sendo cada uma escripta com 7 carateres chinezes; e em 1724, YUNG-CHÂNG, filho e sucessor de KANG-HSI, publicou um comentario d´essas 16 máximas, sob o título de Amplificação do Santo Decreto (Xâng-Iu Kuang-hsun).
É este o livro que escolhemos para exercício de traducção, não só porque está escripto em estylo moderno, elegante e claro, mas também porque n´elle se contém um esboço interessante e instructivo dos princípios da moral chineza. (…) “
(1) Amplificação do Santo Decreto do Imperador Yongzh:eng, edição fac-similada da versão portuguesa e organização de Pedro Nolasco da Silva. Prefácio de António Aresta, Fundação Macau, 1995, 145 p., 26,5 cm x 18,5 cm x 1 cm, ISBN: 972-8147-47-3
(2) Imperador Yongzheng (1678-1735) Imperador de 1723 a 1735 – 雍正帝mandarim pinyin: yōngzhèngdì; cantonense jyutping: jung1 zeng3 dai3.

(3) Imperador Shunzhi (1638-1661) Imperador de 1644 a 1661. 治帝mandarim pinyin: shùn chí dì; cantonense jyutping: seon6 ci4 dai3.

4) Imperador Kangxi, (1654-1722) – Imperador de 1661 a 1722. 熙帝帝– mandarim pinyin: Kāngxīdì; cantonense jyutping: hong1 hei1 dai3.

Ver anteriores postagens com as “Máximas do Imperador Kangxi” extraídas deste livro em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/imperador-kangxi/
NOTA: sobre Pedro Nolasco da Silva ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/pedro-nolasco-da-silva/

Livro de António Aresta e Celina Veiga de Oliveira. Este exemplar é da Editorial Inquérito, Lda., 2.ª edição, Novembro de 2009 (n.º 4 da Colecção Jorge Álvares) (1)
O livro tem dedicatória “Ao Governador Vasco Rocha Vieira, que tão bem soube honrar o nome de Portugal nos últimos anos de administração portuguesa de Macau
macau-uma-historia-cultural-capaQue balanço deve ser pedido à história daqueles tempos em que dois povos plasmaram num espaço comum hábitos e modos de vida com marcas de recíproca aceitação e convívio? Como lhes foi possível construir e cimentar em Macau uma ambiência universalmente reconhecida como singular e rara?
A história aponta para uma responsabilidade dual dessa atmosfera peculiar, devendo-se tanto a chineses como a portugueses, como se o próprio chão do território impusesse a quem o habitava — temporária ou permanentemente — um comportamento, não totalmente português, não totalmente chinês, mas de Macau.
Obra conjunta de dois povos, do que de melhor haverá a extrair de cada um deles, Macau será sempre para os portugueses que lá vivem ou tiveram o privilégio delá viver, um encontro com a força do passado histórico da nação, uma aprendizagem de convivência, uma certeza de futuro, uma folha de nós lançada ao Oriente.
macau-uma-historia-cultural-contracapaObra de divulgação histórica, a primeira edição de 1996 com o título “Arquivos do Entendimento – Uma Visão Cultural da História de Macau” serviu de suporte a uma série televisiva em doze episódios com realização de Rui Nunes, que foi exibida na Teledifusão de Macau (TDM) e depois na RTP (Portugal) e na CCTV (China).
Do prefácio de Jorge A. H. Rangel saliento:
“… a série televisiva, concebida com intuitos vincadamente pedagógica, visando recordar e interpretar o legado histórico e cultural que deu ao território uma identidade própria. A série constitui um excelente instrumento de comunicação com um público interessado e atento, ao mesmo tempo que estimulou nas novas gerações a curiosidade por um conhecimento maior de acontecimentos relevantes e dos homens que, ao longo de séculos, os protagonizaram, contribuindo para a afirmação e consolidação dessa identidade…”
(1) ARESTA, António; OLIVEIRA, Celina de – Macau uma história cultural. Editorial Inquérito / Fundação Jorge Álvares, 2009, 125 p. 23 cm , ISBN 978-972-670-436-2.
Mais informações sobre este livro em
http://www.jorgealvares.com/conteudo.aspx?lang=pt&id_object=759&name=N.%C2%BA-4-%E2%80%93-%E2%80%9CMacau,-uma-Historia-Cultural%E2%80%9D,-de-Celina-Veiga-de-Oliveira-e-Antonio-Aresta
e http://www.leitura.gulbenkian.pt/index.php?area=rol&task=view&id=30795

No dia 3 de Outubro de 1841 faleceu de febre maligna, no Seminário de S. José, o ilustre sinólogo, padre Joaquim Afonso Gonçalves, da extinta Congregação da Missão ou de S. Vicente de Paula, autor das várias obras destinadas à aprendizagem da língua chinesa, considerado como o primeiro grande sinólogo português em Macau. Foi sepultado no cemitério de S. Paulo e depois transladado para a igreja do Real Colégio de S. José. (1) (2) (3)

padre-joaquim-afonso-goncalvesCerva – Foto MaricelPer – Reverendo Joaquim Afonso Gonçalves (4)

O padre Joaquim Gonçalves nasceu em Tojal, concelho de Cerva, da província de Trás-os-Montes, (5) em 23 de Março de 1781 e foi baptizado na Igreja de S. João de Limões, do arcebispado de Braga. Entrou para a congregação a 17 de Maio de 1799, tomou votos em 1801 (Lazarista) e em 1812, partiu de Lisboa para Macau  onde chegou a 28 de Junho de 1813 (6) com a missão de fundar o Observatório Astonómico de Pequim. No entanto não mais saiu de Macau (excepto um período em Manila para onde fugira pelas suas ideias liberais) tendo ingressado no Real Colégio de S. José, onde aprendeu a língua chinesa tornando-se uma exímio sinólogo e onde ensinou outras matérias: português, gramática, latim, francês, inglês, teologia, aritmética, matemática, álgebra , geometria, música. (6) (7)
padre-joaquim-afonso-goncalves-iiFoi membro da Real Sociedade Asiática de Calcutá. Eleito sócio correspondente da «Academia Real das Sciencias de Lisboa» em 18 de Novembro de 1840, não chegou a receber o diploma, nem o de cavaleiro da ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, cuja mercê lhe fora decretada pelo mesmo tempo. (7)
(1) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) A lápide sepulcral tinha a seguinte inscrição:

D. O. M.
Hic Jacet
Rev. D.Joachim Alph. Gonçalves Lusitanus
Presbyter Congregationis Missionis
In Regali Collegio S.Joseph Macaonensi
Professor Eximius
Regalis Societatis Asiaticae Socius Exter
Pro Sinensibus Missionibus Sollicitus
Perutilia Opera
Sinico, Lusitano Latinoque Sermone
Composuit Et In Lucem Edidit
Moribus Suavissimis, Doctrina Praestanti
Integra Vita, Qui Plenus Diebus
In Domino Quievit, Sexagenário Major
Non. Octobr.
Anno MDCCCXLI
In Memoriam Tanti Viri
Eius Amid Litteraturaeque Cultores
Hunc Lapidem Consecravere (8)

ARESTA, António – Joaquim Afonso Gonçalves, professor e sinólogo, 2000.
file:///C:/Users/ASUS/Downloads/Joaquim%20Afonso%20Gon%C3%A7alves,%20professor%20e%20sin%C3%B3logo.pdf
(3) A sua Necrologia saiu no Diario do Governo, n.º 20, de 24 de Janeiro de 1842.
padre-joaquim-afonso-goncalves-iii(4) http://fotos.sapo.pt/abraaomendes/fotos/?uid=yYrTOu2VkzR5fz7rrZD6#normal
(5) O Padre Joaquim Afonso Gonçalves terá nascido no lugar de Tojais, da antiga Freguesia dos Limões do antigo Concelho de Cerva, em 23-03-1781. Actualmente tudo isto pertence ao Concelho de Ribeira de Pena.
http://geneall.net/pt/forum/158263/joaquim-affonso-goncalves-p-e-1781-1841/
(6) Do Boletim do Governo de Macau:
padre-joaquim-afonso-goncalves-iv(7) PEREIRA, A. Marques – Ephemerides Commemorativas da História de Macau e das Relações da China com os Povos Christãos, 1868.
(8) Tradução: “A Deus Ótimo e Máximo. Aqui Jaz o Reverendo Sr. Joaquim Afonso Gonçalves, Português, Sacerdote da Congregação da Missão, exímio professor Real Colégio de São José, membro estrangeiro da Real Sociedade Asiática. Solicito pelo bem das missões chinesas, compôs e publicou obras muito úteis nas línguas sínica, latina e portuguesa; foi de costumes irrepreensíveis e exímios pela doutrina, sendo de vida ilibada; cheio de dias, descansou no Senhor, em 3 de Outubro de 1841, aos 60 anos de idade. Os seus amigos e discípulos dedicaram esta lápide em memória de tão ilustre Varão”.
TEIXEIRA, Padre Manuel – Vultos Marcantes em Macau, 1982.
Alguns trabalhos académicos sobre a importância do trabalho do padre Joaquim Gonçalves.,  no âmbito do português-chinês, acessíveis na net:
BARROS, Anabela Leal de – Referências interculturais oitocentistas nas obras metalinguísticas em Português e Chinês do P.e Joaquim Gonçalves, 2014.
http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0807-89672014000100005
CEN, Ana Ng – Alguns aspectos da variação linguística num manuscrito e no impresso Arte China de Joaquim Gonçalves.2015.
http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/34274?locale=en
LEVI, Joseph Abraham – Padre Joaquim Afonso Gonçalves (1781-1834) and the Arte China (1829) an innovative linguistic approach to teaching chinese grammar (2007)
https://books.google.pt/books?id=5Oo3CfOuiBcC&pg=PA211&lpg=PA211&dq=Joaquim+Afonso+
Referência anterior neste blog:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/padre-joaquim-afonso-goncalves/

Com a presença do governador de Hong Kong, Reginald Stubbs, no dia 7 de Dezembro de 1920, foi lançada, em Hong Kong, pelo Governador de Macau, Capitão-Tenente Henrique Monteiro Correia da Silva  (governador de 23-VIII-1919 a 20-V-1922) a pedra fundamental, para a construção do novo Clube Lusitano (desenhada por A. G. Hewlitt) em Shelley  Street.  (1) (2)

CLUBE LUSITANO HK 1866-1920Club Lusitano em Shelley Street 1866 – 1920
http://oceandeeop3000.blogspot.pt/2013/07/1.html

O Clube Lusitano foi fundado em 26-12-1865 por portugueses que estavam radicados em Hong Kong, e por iniciativa de dois macaenses  J. A. Barretto (de origem goesa) e Delfino Noronha, que foram trabalhar para Hong Kong e foram   bem sucedidos nos negócios aí realizados. O Governador José Rodrigues Coelho do Amaral (governador de 22-VI-1863 a 1866) que sugeriu o nome «Lusitano», correspondendo à moda de então (por exemplo o clube dos alemães chamava-se «Germania Club ») (2)  presidiu, em Hong Kong, à festa solene da colocação da primeira pedra do edifício do Clube Lusitano. (1) (3)
O primeira edifício/ sede do Clube, em Hong Kong, foi  inaugurado a 17 de Dezembro de 1866, com a presença do Governador José Maria da Ponte e Horta (26-X-1866 – 1868). (1) (4)
O Clube Lusitano desempenhou um papel primordial com a invasão japonesa no natal de 1941.
Foi sede/quartel de duas companhias de voluntários perante a ameaça japonesa e centro de refugiados dos portugueses aquando da invasão e antes da sua retirada para Macau e centro de acolhimento aos que continuaram em Hong Kong durante a guerra.
Embora muitos vieram com a sua família para Macau, alguns permaneceram em Hong Kong na Resistência. Caso de Carlos Henrique “Henry” Basto que foi preso quando estava a jogar bridge no Clube Lusitano. Acusado de espionagem usando a terminologia do jogo do bridge para passar informação, foi decapitado pelos japoneses. (5)
Recorda-se que o Corpo de Defesa Voluntários de Hong Kong que estiveram na defesa da Colónia (queda de Hong Kong em 25 de Dezembro de 1941) estavam cerca de 300 portugueses. Morreram 26 na defesa da Colónia e os restantes foram para o Campo de Prisioneiros de guerra de Shumshuipo e alguns deles, depois transferidos para os campos de trabalhos de Sendai, no Nordeste do Japão.
CLUBE LUSITANO HK 1966Futuramente, nova sede, seria iniciada em 17 de Dezembro de 1966 (cem anos após o lançamento da primeira pedra da sede de Shelley Street) em Ice House Street, Central de Hong Kong, com o projecto de Alfredo Álvares. O Clube Lusitano ocupa cinco andares do edifício.
(1) A informação desta notícia aponta o novo Clube Lusitano situado em Dudell Street.
GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954; SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995
(2) O Clube Lusitano, em 1920, mudou-se para Ice Street, Central. As instalações de Shelley Street foram vendidas a bom preço mas a gerência socorreu-se ainda de um empréstimo de 160 mil dólares de HK ao governo de Macau (, Luís Andrade de – The Boys From Macau, Portugueses em Hong Kong, 1999)
(3) Boletim do Governo de Macau, de 1 de Janeiro de 1866 : “No dia 26 de Dezembro último, foi S.Exª. o Governador a Hong Kong presidir à festa solene da colocação da primeira pedra do edifício que ali se vai erigir para um clube português, com o título de Clube Lusitano. Sua Exª o governador foi de Macau, acompanhado pelo seu estado maior, e foi recebido em Hong Kong pelos cavalheiros da comissão directora do referido club, estando no cais, para o mesmo fim, o general das forças britânicas em Hong Kong, e uma guarda de honra de infantaria 9, salvando-se ao desembarque de S.Exª. com a salva que lhe competia. A festa, a que assistiram todos os principais funcionários ingleses, e a maioria dos portugueses residentes na colónia, correu sumptuosa e brilhante. S.Exª. o governador partiu de Hongkong penhorado por tantas atenções de consideração como as que recebeu na curta demora que teve naquela cidade. Depois da cerimónia que correu com as devidas formalidades, serviu-se um esplêndido ‘lunch’, no qual se fizeram vários brindes, todos com entusiasmo recebidos. Os primeiros foram a S.M. a Raínha Vitória e a S.M. El-Rei o sr. D. Luiz. Damos sinceros parabéns aos sócios do novo club pelo bem que correu esta festa, de muito alcance, e pela dignidade com que se houveram em acto tão solene”.
Retirado de ARESTA, António: http://jtm.com.mo/opiniao/curiosidades-da-historia-de-macau-seculo-xix-2/
(4) Segundo Luís de Sá, o Clube Lusitano foi fundado no dia  17 de Dezembro de 1866, com um magnifico baile na sua sede de Shelley Street, em Hong Kong. Com a inauguração do clube, numa cerimónia  que contou  com a presença do governador de Macau, Coelho do Amaral, (erro, o governador era José Ponte e Horta)  e do representante do governador de Hong Kong, W. T. Menger, os portugueses passaram a ter o seu primeiro teatro, no interior da sede….  (SÁ, Luís Andrade de – The Boys From Macau, Portugueses em Hong Kong, 1999 pp. 86-87).
(5) SILVA, António M. Pacheco Jorge da – The Portuguese Community in Hong Kong. Instituto internacional de Macau, 23 p.  2011.

Cabelos que se tornam sempre escuros,
Olhos chineses e nariz ariano,
Costas orientais, e peito lusitano,
Braços e pernas finos mas seguros.

Mentalidade mista. Tem dextreza
No manejo de objectos não pesados,
Tem gosto por Pop Songs mas ouve fados;
Coração chinês e alma portuguesa.

Casa com a chinesa por instinto,
Vive de arroz e come bacalhau,
Bebe café, não chá e vinho tinto.

É muito bondoso quando não é mau,
Por interesse escolhe o seu recinto
Eis o autêntico filho de Macau

Leonel Alves
in ” Por Caminhos Solidários”  (1)

(1) in  p. 153 de REIS, João C. – Trovas Macaenses, 1992.
João Reis refere na biografia do poeta: “Deixa a ideia de ter chegado à poesia tarde na vida – havendo nos seus trabalhos passagens de saudosa evocação,  e de expressiva inspiração
NOTA: “Nasceu em Macau a 27 de Janeiro de 1921 e aqui faleceu a 10 de Outubro de 1982. Funcionário dos Serviços de Saúde. Colaborou em vários jornais de Macau com poesia e charadas. Frequentou o Liceu, tendo ganho o 1.º prémio de poesia num dos muitos concursos literários promovidos pelo professor Lara Reis. Em edição póstuma foi dado à estampa um livro que reuniu a sua poesia intitulado “Por Caminhos Solitários” (Macau, edição de autor, 1983, 113 p.) in Antologia de Poeta de Macau – sel. e org. Jorge Arrimar e Yao Jingming, 1999.
Aconselho leitura do artigo de António Aresta “Leonel Alves (pai)” no Jornal Tribuna de Macau de 2015:
http://jtm.com.mo/opiniao/leonel-alves-pai/