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Edição Fac-similada da “Amplificação do Santo Decreto” (1) do Imperador Yongzheng, (2) versão portuguesa e compilação de  Pedro Nolasco da Silva ( Chefe da Repartição Técnica do Expediente Sínico de 1885 a 1892) inserido no 2.º volume do seu livro (edição de Autor, 1903, Tipografia Mercantil, Macau) “Manual da Língua Sinica Escripta e Fallada. Primeira Parte – Língua Sínica Escripta”
Do “PREFÁCIO” assinado por António Aresta, transcrevo:
Sob a capa de um manual escolar de língua sínica escrita, anódino e igual a tantos outros, podem encontrar-se inesperadas surpresas.
É o que sucede com a “Amplificação do Santo Decreto”, onde a para de um didactismo exemplar se empreende a pedagogia de uma ideologia, a pedagogia do neo-confucionismo, cujo remoçado fascínio permanece até à actualidade.
A “Amplificação do Santo Decreto” é um verdadeiro manual de instrução cívica, ética e política, obedecendo aos parâmetros da mais pura ortodoxia confuciana, destinado ao povo chinês (…)
O “ Santo Decreto”, santo com o significado de sábio, foi originalmente redigido prelo imperador Shunzhi, (3) o fundador da dinastia Qing, tendo sido sucessivamente amplificado ou desenvolvido por seu filho Kangxi (4) e por seu neto Yongzheng . Assim, o mesmo corpo doutrinal, o “Santo Decreto”, manteve-se em vigor durante dois séculos. (…)”
Da “INTRODUCÇÃO” de Pedro Nolasco da Silva, retiro o seguinte:
Em 1671, KANG-HSI, segundo imperador da actual dynastia tartara-manchú, publicou um decreto contendo 16 máximas, sendo cada uma escripta com 7 carateres chinezes; e em 1724, YUNG-CHÂNG, filho e sucessor de KANG-HSI, publicou um comentario d´essas 16 máximas, sob o título de Amplificação do Santo Decreto (Xâng-Iu Kuang-hsun).
É este o livro que escolhemos para exercício de traducção, não só porque está escripto em estylo moderno, elegante e claro, mas também porque n´elle se contém um esboço interessante e instructivo dos princípios da moral chineza. (…) “
(1) Amplificação do Santo Decreto do Imperador Yongzh:eng, edição fac-similada da versão portuguesa e organização de Pedro Nolasco da Silva. Prefácio de António Aresta, Fundação Macau, 1995, 145 p., 26,5 cm x 18,5 cm x 1 cm, ISBN: 972-8147-47-3
(2) Imperador Yongzheng (1678-1735) Imperador de 1723 a 1735 – 雍正帝mandarim pinyin: yōngzhèngdì; cantonense jyutping: jung1 zeng3 dai3.

(3) Imperador Shunzhi (1638-1661) Imperador de 1644 a 1661. 治帝mandarim pinyin: shùn chí dì; cantonense jyutping: seon6 ci4 dai3.

4) Imperador Kangxi, (1654-1722) – Imperador de 1661 a 1722. 熙帝帝– mandarim pinyin: Kāngxīdì; cantonense jyutping: hong1 hei1 dai3.

Ver anteriores postagens com as “Máximas do Imperador Kangxi” extraídas deste livro em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/imperador-kangxi/
NOTA: sobre Pedro Nolasco da Silva ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/pedro-nolasco-da-silva/

Livro de António Aresta e Celina Veiga de Oliveira. Este exemplar é da Editorial Inquérito, Lda., 2.ª edição, Novembro de 2009 (n.º 4 da Colecção Jorge Álvares) (1)
O livro tem dedicatória “Ao Governador Vasco Rocha Vieira, que tão bem soube honrar o nome de Portugal nos últimos anos de administração portuguesa de Macau
macau-uma-historia-cultural-capaQue balanço deve ser pedido à história daqueles tempos em que dois povos plasmaram num espaço comum hábitos e modos de vida com marcas de recíproca aceitação e convívio? Como lhes foi possível construir e cimentar em Macau uma ambiência universalmente reconhecida como singular e rara?
A história aponta para uma responsabilidade dual dessa atmosfera peculiar, devendo-se tanto a chineses como a portugueses, como se o próprio chão do território impusesse a quem o habitava — temporária ou permanentemente — um comportamento, não totalmente português, não totalmente chinês, mas de Macau.
Obra conjunta de dois povos, do que de melhor haverá a extrair de cada um deles, Macau será sempre para os portugueses que lá vivem ou tiveram o privilégio delá viver, um encontro com a força do passado histórico da nação, uma aprendizagem de convivência, uma certeza de futuro, uma folha de nós lançada ao Oriente.
macau-uma-historia-cultural-contracapaObra de divulgação histórica, a primeira edição de 1996 com o título “Arquivos do Entendimento – Uma Visão Cultural da História de Macau” serviu de suporte a uma série televisiva em doze episódios com realização de Rui Nunes, que foi exibida na Teledifusão de Macau (TDM) e depois na RTP (Portugal) e na CCTV (China).
Do prefácio de Jorge A. H. Rangel saliento:
“… a série televisiva, concebida com intuitos vincadamente pedagógica, visando recordar e interpretar o legado histórico e cultural que deu ao território uma identidade própria. A série constitui um excelente instrumento de comunicação com um público interessado e atento, ao mesmo tempo que estimulou nas novas gerações a curiosidade por um conhecimento maior de acontecimentos relevantes e dos homens que, ao longo de séculos, os protagonizaram, contribuindo para a afirmação e consolidação dessa identidade…”
(1) ARESTA, António; OLIVEIRA, Celina de – Macau uma história cultural. Editorial Inquérito / Fundação Jorge Álvares, 2009, 125 p. 23 cm , ISBN 978-972-670-436-2.
Mais informações sobre este livro em
http://www.jorgealvares.com/conteudo.aspx?lang=pt&id_object=759&name=N.%C2%BA-4-%E2%80%93-%E2%80%9CMacau,-uma-Historia-Cultural%E2%80%9D,-de-Celina-Veiga-de-Oliveira-e-Antonio-Aresta
e http://www.leitura.gulbenkian.pt/index.php?area=rol&task=view&id=30795

No dia 3 de Outubro de 1841 faleceu de febre maligna, no Seminário de S. José, o ilustre sinólogo, padre Joaquim Afonso Gonçalves, da extinta Congregação da Missão ou de S. Vicente de Paula, autor das várias obras destinadas à aprendizagem da língua chinesa, considerado como o primeiro grande sinólogo português em Macau. Foi sepultado no cemitério de S. Paulo e depois transladado para a igreja do Real Colégio de S. José. (1) (2) (3)

padre-joaquim-afonso-goncalvesCerva – Foto MaricelPer – Reverendo Joaquim Afonso Gonçalves (4)

O padre Joaquim Gonçalves nasceu em Tojal, concelho de Cerva, da província de Trás-os-Montes, (5) em 23 de Março de 1781 e foi baptizado na Igreja de S. João de Limões, do arcebispado de Braga. Entrou para a congregação a 17 de Maio de 1799, tomou votos em 1801 (Lazarista) e em 1812, partiu de Lisboa para Macau  onde chegou a 28 de Junho de 1813 (6) com a missão de fundar o Observatório Astonómico de Pequim. No entanto não mais saiu de Macau (excepto um período em Manila para onde fugira pelas suas ideias liberais) tendo ingressado no Real Colégio de S. José, onde aprendeu a língua chinesa tornando-se uma exímio sinólogo e onde ensinou outras matérias: português, gramática, latim, francês, inglês, teologia, aritmética, matemática, álgebra , geometria, música. (6) (7)
padre-joaquim-afonso-goncalves-iiFoi membro da Real Sociedade Asiática de Calcutá. Eleito sócio correspondente da «Academia Real das Sciencias de Lisboa» em 18 de Novembro de 1840, não chegou a receber o diploma, nem o de cavaleiro da ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, cuja mercê lhe fora decretada pelo mesmo tempo. (7)
(1) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) A lápide sepulcral tinha a seguinte inscrição:

D. O. M.
Hic Jacet
Rev. D.Joachim Alph. Gonçalves Lusitanus
Presbyter Congregationis Missionis
In Regali Collegio S.Joseph Macaonensi
Professor Eximius
Regalis Societatis Asiaticae Socius Exter
Pro Sinensibus Missionibus Sollicitus
Perutilia Opera
Sinico, Lusitano Latinoque Sermone
Composuit Et In Lucem Edidit
Moribus Suavissimis, Doctrina Praestanti
Integra Vita, Qui Plenus Diebus
In Domino Quievit, Sexagenário Major
Non. Octobr.
Anno MDCCCXLI
In Memoriam Tanti Viri
Eius Amid Litteraturaeque Cultores
Hunc Lapidem Consecravere (8)

ARESTA, António – Joaquim Afonso Gonçalves, professor e sinólogo, 2000.
file:///C:/Users/ASUS/Downloads/Joaquim%20Afonso%20Gon%C3%A7alves,%20professor%20e%20sin%C3%B3logo.pdf
(3) A sua Necrologia saiu no Diario do Governo, n.º 20, de 24 de Janeiro de 1842.
padre-joaquim-afonso-goncalves-iii(4) http://fotos.sapo.pt/abraaomendes/fotos/?uid=yYrTOu2VkzR5fz7rrZD6#normal
(5) O Padre Joaquim Afonso Gonçalves terá nascido no lugar de Tojais, da antiga Freguesia dos Limões do antigo Concelho de Cerva, em 23-03-1781. Actualmente tudo isto pertence ao Concelho de Ribeira de Pena.
http://geneall.net/pt/forum/158263/joaquim-affonso-goncalves-p-e-1781-1841/
(6) Do Boletim do Governo de Macau:
padre-joaquim-afonso-goncalves-iv(7) PEREIRA, A. Marques – Ephemerides Commemorativas da História de Macau e das Relações da China com os Povos Christãos, 1868.
(8) Tradução: “A Deus Ótimo e Máximo. Aqui Jaz o Reverendo Sr. Joaquim Afonso Gonçalves, Português, Sacerdote da Congregação da Missão, exímio professor Real Colégio de São José, membro estrangeiro da Real Sociedade Asiática. Solicito pelo bem das missões chinesas, compôs e publicou obras muito úteis nas línguas sínica, latina e portuguesa; foi de costumes irrepreensíveis e exímios pela doutrina, sendo de vida ilibada; cheio de dias, descansou no Senhor, em 3 de Outubro de 1841, aos 60 anos de idade. Os seus amigos e discípulos dedicaram esta lápide em memória de tão ilustre Varão”.
TEIXEIRA, Padre Manuel – Vultos Marcantes em Macau, 1982.
Alguns trabalhos académicos sobre a importância do trabalho do padre Joaquim Gonçalves.,  no âmbito do português-chinês, acessíveis na net:
BARROS, Anabela Leal de – Referências interculturais oitocentistas nas obras metalinguísticas em Português e Chinês do P.e Joaquim Gonçalves, 2014.
http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0807-89672014000100005
CEN, Ana Ng – Alguns aspectos da variação linguística num manuscrito e no impresso Arte China de Joaquim Gonçalves.2015.
http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/34274?locale=en
LEVI, Joseph Abraham – Padre Joaquim Afonso Gonçalves (1781-1834) and the Arte China (1829) an innovative linguistic approach to teaching chinese grammar (2007)
https://books.google.pt/books?id=5Oo3CfOuiBcC&pg=PA211&lpg=PA211&dq=Joaquim+Afonso+
Referência anterior neste blog:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/padre-joaquim-afonso-goncalves/

Com a presença do governador de Hong Kong, Reginald Stubbs, no dia 7 de Dezembro de 1920, foi lançada, em Hong Kong, pelo Governador de Macau, Capitão-Tenente Henrique Monteiro Correia da Silva  (governador de 23-VIII-1919 a 20-V-1922) a pedra fundamental, para a construção do novo Clube Lusitano (desenhada por A. G. Hewlitt) em Shelley  Street.  (1) (2)

CLUBE LUSITANO HK 1866-1920Club Lusitano em Shelley Street 1866 – 1920
http://oceandeeop3000.blogspot.pt/2013/07/1.html

O Clube Lusitano foi fundado em 26-12-1865 por portugueses que estavam radicados em Hong Kong, e por iniciativa de dois macaenses  J. A. Barretto (de origem goesa) e Delfino Noronha, que foram trabalhar para Hong Kong e foram   bem sucedidos nos negócios aí realizados. O Governador José Rodrigues Coelho do Amaral (governador de 22-VI-1863 a 1866) que sugeriu o nome «Lusitano», correspondendo à moda de então (por exemplo o clube dos alemães chamava-se «Germania Club ») (2)  presidiu, em Hong Kong, à festa solene da colocação da primeira pedra do edifício do Clube Lusitano. (1) (3)
O primeira edifício/ sede do Clube, em Hong Kong, foi  inaugurado a 17 de Dezembro de 1866, com a presença do Governador José Maria da Ponte e Horta (26-X-1866 – 1868). (1) (4)
O Clube Lusitano desempenhou um papel primordial com a invasão japonesa no natal de 1941.
Foi sede/quartel de duas companhias de voluntários perante a ameaça japonesa e centro de refugiados dos portugueses aquando da invasão e antes da sua retirada para Macau e centro de acolhimento aos que continuaram em Hong Kong durante a guerra.
Embora muitos vieram com a sua família para Macau, alguns permaneceram em Hong Kong na Resistência. Caso de Carlos Henrique “Henry” Basto que foi preso quando estava a jogar bridge no Clube Lusitano. Acusado de espionagem usando a terminologia do jogo do bridge para passar informação, foi decapitado pelos japoneses. (5)
Recorda-se que o Corpo de Defesa Voluntários de Hong Kong que estiveram na defesa da Colónia (queda de Hong Kong em 25 de Dezembro de 1941) estavam cerca de 300 portugueses. Morreram 26 na defesa da Colónia e os restantes foram para o Campo de Prisioneiros de guerra de Shumshuipo e alguns deles, depois transferidos para os campos de trabalhos de Sendai, no Nordeste do Japão.
CLUBE LUSITANO HK 1966Futuramente, nova sede, seria iniciada em 17 de Dezembro de 1966 (cem anos após o lançamento da primeira pedra da sede de Shelley Street) em Ice House Street, Central de Hong Kong, com o projecto de Alfredo Álvares. O Clube Lusitano ocupa cinco andares do edifício.
(1) A informação desta notícia aponta o novo Clube Lusitano situado em Dudell Street.
GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954; SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995
(2) O Clube Lusitano, em 1920, mudou-se para Ice Street, Central. As instalações de Shelley Street foram vendidas a bom preço mas a gerência socorreu-se ainda de um empréstimo de 160 mil dólares de HK ao governo de Macau (, Luís Andrade de – The Boys From Macau, Portugueses em Hong Kong, 1999)
(3) Boletim do Governo de Macau, de 1 de Janeiro de 1866 : “No dia 26 de Dezembro último, foi S.Exª. o Governador a Hong Kong presidir à festa solene da colocação da primeira pedra do edifício que ali se vai erigir para um clube português, com o título de Clube Lusitano. Sua Exª o governador foi de Macau, acompanhado pelo seu estado maior, e foi recebido em Hong Kong pelos cavalheiros da comissão directora do referido club, estando no cais, para o mesmo fim, o general das forças britânicas em Hong Kong, e uma guarda de honra de infantaria 9, salvando-se ao desembarque de S.Exª. com a salva que lhe competia. A festa, a que assistiram todos os principais funcionários ingleses, e a maioria dos portugueses residentes na colónia, correu sumptuosa e brilhante. S.Exª. o governador partiu de Hongkong penhorado por tantas atenções de consideração como as que recebeu na curta demora que teve naquela cidade. Depois da cerimónia que correu com as devidas formalidades, serviu-se um esplêndido ‘lunch’, no qual se fizeram vários brindes, todos com entusiasmo recebidos. Os primeiros foram a S.M. a Raínha Vitória e a S.M. El-Rei o sr. D. Luiz. Damos sinceros parabéns aos sócios do novo club pelo bem que correu esta festa, de muito alcance, e pela dignidade com que se houveram em acto tão solene”.
Retirado de ARESTA, António: http://jtm.com.mo/opiniao/curiosidades-da-historia-de-macau-seculo-xix-2/
(4) Segundo Luís de Sá, o Clube Lusitano foi fundado no dia  17 de Dezembro de 1866, com um magnifico baile na sua sede de Shelley Street, em Hong Kong. Com a inauguração do clube, numa cerimónia  que contou  com a presença do governador de Macau, Coelho do Amaral, (erro, o governador era José Ponte e Horta)  e do representante do governador de Hong Kong, W. T. Menger, os portugueses passaram a ter o seu primeiro teatro, no interior da sede….  (SÁ, Luís Andrade de – The Boys From Macau, Portugueses em Hong Kong, 1999 pp. 86-87).
(5) SILVA, António M. Pacheco Jorge da – The Portuguese Community in Hong Kong. Instituto internacional de Macau, 23 p.  2011.

Cabelos que se tornam sempre escuros,
Olhos chineses e nariz ariano,
Costas orientais, e peito lusitano,
Braços e pernas finos mas seguros.

Mentalidade mista. Tem dextreza
No manejo de objectos não pesados,
Tem gosto por Pop Songs mas ouve fados;
Coração chinês e alma portuguesa.

Casa com a chinesa por instinto,
Vive de arroz e come bacalhau,
Bebe café, não chá e vinho tinto.

É muito bondoso quando não é mau,
Por interesse escolhe o seu recinto
Eis o autêntico filho de Macau

Leonel Alves
in ” Por Caminhos Solidários”  (1)

(1) in  p. 153 de REIS, João C. – Trovas Macaenses, 1992.
João Reis refere na biografia do poeta: “Deixa a ideia de ter chegado à poesia tarde na vida – havendo nos seus trabalhos passagens de saudosa evocação,  e de expressiva inspiração
NOTA: “Nasceu em Macau a 27 de Janeiro de 1921 e aqui faleceu a 10 de Outubro de 1982. Funcionário dos Serviços de Saúde. Colaborou em vários jornais de Macau com poesia e charadas. Frequentou o Liceu, tendo ganho o 1.º prémio de poesia num dos muitos concursos literários promovidos pelo professor Lara Reis. Em edição póstuma foi dado à estampa um livro que reuniu a sua poesia intitulado “Por Caminhos Solitários” (Macau, edição de autor, 1983, 113 p.) in Antologia de Poeta de Macau – sel. e org. Jorge Arrimar e Yao Jingming, 1999.
Aconselho leitura do artigo de António Aresta “Leonel Alves (pai)” no Jornal Tribuna de Macau de 2015:
http://jtm.com.mo/opiniao/leonel-alves-pai/

Refugia-se em Macau o Mandarim Pui-Keng-Foc, implicado no então ilícito comércio e consumo do ópio. Proferiu o calabouço da Fortaleza do Monte, enquanto o Governador Martinho de Montenegro e o Cônsul-Geral de Portugal em Cantão consertavam como Vice -Rei de Cantão no sentido de lhe ser comutada a pena de morte; depois de assegurado que não seria maltratado, foi o mandarim Pui-Keng-Foc extraditado para a China. Em 8 de Setembro, por notícia vinda da China e veiculada no The Hong Kong Telegraph, sabe-se que que Pui-Keng-Foc foi condenado à morte, estando a execução marcada para o dia 14 do mesmo mês e ano.

ARESTA, António – A Extradição de um Mandarim – Tribuna de Macau, 15 de Julho de 1995 in SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, 4.º Volume.

 

Faleceu neste dia,  29 de Julho de 1870, aos 51 anos, 7 meses e 25 dias de idade, o ilustre médico civil macaense Leocádio Justino da Costa, filho de Nicolau Tolentino da Costa e Mariana Osório da Costa. Cursou os seus primeiros estudos no Real Colégio de S. José com grande aproveitamento e, sem ainda os completar deixou o colégio, seguindo a carreira marítima, por alguns anos. Finalmente deixou de seguir essa vida e resolveu ir estudar medicina em Goa, tendo-o concluído em 23 de Setembro de 1829 (1). Voltou a Macau em 1841. (2)
Inda que no princípio de sua carreira nessa profissão a que se dedicou, novo e com pouca prática que então possuía, pouco fez, contudo depois de 1851, com os anos de prática que já tinha adquirido, com os seus estudos e assíduos trabalhos nessa profissão, tornou-se querido e chamado por quase Macau inteiro para acudir aos seus doentes e nessas ocasiões era tão pronto em acudir risonho e consolador tanto aos ricos como aos pobres como era feliz em acertar com a cura” (3)
Distinguiu-se durante a epidemia de cólera morbuz de 1859, sendo condecorado com o hábito da Torre e Espada. (2)
Como marido foi sempre extremoso; como cidadão ocupou com zelo e ilustração vários cargos importantes nesta sua terra, e em todos se distinguiu sempre com esmero e aptidão. Como cristão, recebeu antes de morrer todos os Sacramentos, e inda que poucos dias sofreu de moléstia, mostrou-se resignado e sofredor durante os 12 dias de seus últimos padecimentos, consolando e despedindo-se de todos com aquela mesma natural bondade. Como amigo, era estimado de Macau inteiro e de todos os que o chegaram a conhecer, tanto aqui como em Goa onde esteve estudando por espaço de seis anos.” (3)

(1) Relação dos primeiros médicos e cirurgiões de Goa publicado no “Oriente Português”,vol 11, p. 214:

Título de médico por Sua Magestade
Leocádio Justino da Costa – 23 de Setembro de 1829

In SALDANHA, M. J. Gabriel de – História de Goa (Política e Arqueológica. 1925, 319 p.
(2) “Mosaico”, n.º 11, 1951
(3) Boletim da Província de Macau e Timor de 8 de Agosto de 1870.
Poderá ler toda a necrologia publicada neste Boletim num artigo de António Aresta no Jornal Tribuna de Macau em:
http://jtm.com.mo/opiniao/curiosidades-da-historia-de-macau-seculo-xix-2/#sthash.pVR6mCmF.dpuf