Archives for posts with tag: Panchões

Foram apreendidos e confiscados pela Autoridade Administrativa, (1) no dia 11 de Junho de 1913, grande quantidade de diversos materiais destinados ao fabrico de pau-cheung (panchões).

Extraído de «Boletim Oficial» XIII-25 de 23 de Junho de 1913, p. 276

Anúncio da Repartição Superior de Fazenda da Província de Macau de 19 de Junho, chamava a atenção para a venda em hasta pública destes materiais e utensílios destinados ao fabrico de pau-cheung e pau-cheung já preparados, no dia 28 do mesmo mês, no Depósito do Material de Guerra dos Particulares, sito na Fortaleza da Barra. Foram apreendidos às firmas Iu-Seng-Long-Tac-Qui e Tac-Heng-Long, estabelecidas no sítio do Tanque do Mainato, vulgo Calçada das Chácaras desta cidade.

(1) Transgressão do «Regulamento para o Comércio de Armas, Munições e Explosivos e Indústrias de Fogo de Artifício» (Portaria Provincial de 19 de Agosto de 1907) .

Grande fábrica de panchões ao Norte de Macau

No Anuário de Macau de 1927, estão referenciadas 8 fábricas de panchões (cuja exploração anual era superior a um milhão de patacas), somente uma no norte de Macau (na foto) na Rua Norte de Mong Há – Firma Tong Cheong .

Nova fábrica de tijolos nos terrenos conquistados ao Norte da Ilha Verde

No Anuário de Macau de 1927, estão referenciadas 4 fábricas de tijolos, duas localizadas na Ilha Verde: a firma “The Green Island Cement Works” (gerente T. Arnott) (1) e a referida nesta foto, a ”Macau Brick Work Ltd” (gerente Im Chung Fook) no Norte da Ilha Verde.
(1) A sua produção principal era o cimento que exportava em grandes quantidades para Hong Kong e várias outras partes. Ver referências anteriores:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/fabrica-de-cimento-ilha-verde/  
Fotos extraídas de “Anuário de Macau – ano de 1927

Anuário de Macau de 1951-1952 pp. 201-202

Nos dias 20 e 21 de Abril de 1892 verificou-se em Macau uma greve que se estendeu pela primeira vez há muitos anos, a todo o comércio chinês, devido à questão dos monopólios do vinho chinês liu-pun (vinho de fermentação do arroz) que foi arrematado por um chinês de Hong Kong.
A questão foi encaminhada para resolução da corte, em Lisboa e o Visconde de Sena Fernandes (1) assumiu a questão do pagamento das taxas que o arrematante exigia, até vir resposta, o que de momento acalmou os ânimos (2) (3)
O jornal macaense “ O Oriente português”, (4) publicava no dia 21 de Abril, um artigo noticiando e comentando (uma picardia com outro jornal local “O Macaense”: «Mas também foi a primeira vez em que um jornal portuguez a procedeu de perto com a propaganda de que a greve é ilícita, o que é significativo?»)
………………………………………………………continua
Poderá visualizar todo o artigo, disponível em:
http://purl.pt/32515/3/html/index.html#/4-5
(1) Sobre o Visconde de Sena Fernandes, ver anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bernardino-de-senna-fernandes/
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995)
(3) Os monopólios eram uma das fontes de receita para o território (taxas e impostos), mas por outro lado, encareciam os produtos (indirectamente atingiam os mais pobres, pois muitos  deles viviam dessas fontes de subsistência) e enriqueciam os comerciantes principalmente os que ganhavam a concessão. Estavam em causa os monopólios dos vinhos chineses, dos panchões, do salitre e do enxofre.
(4) «O Oriente Portuguez» Ano I, n.º 1. 26 de Abril de 1892. Redacção e Administração: Rua dos Prazeres n.º 1; Adm: A. V. da Silva; Por ano $5,00; Por Mês 50; N.º avulso: 20.

O entusiasmo da queima de panchões, nos dias festivos do Ano Novo Lunar, atinge todas as idades, e nem o estampido abranda a tarefa, embora por vezes se sintam atemorizados com o estralejar contínuo dos petardos.
Sacodem-se, assim, todos os azares da vida e o mau agoiro que venha prejudicar a felicidade pelo ano fora.
São crenças ainda conservadas no rol das superstições que influenciam este povo milenário, conservador das suas tradições que lhe apontam normas de vida, para que tudo se oriente para a felicidade, tal como ele a concebe.” (1)
(1) Extraído de p.9, «Macau Boletim de Informação e Turismo», Vol XII, n.ºs 1 e 2,  1977.

Encontrei esta fotografia num calendário antigo, sem indicação de autor e data.
Pelos panchões que se vêem, talvez relacionado com o Ano Novo Chinês.

Artigo de F. Amaral publicado na revista universal “Jornal de Domingo” (1), sobre “Uma Festa Chineza em Macau
(1) Revista universal “Jornal de Domingo”, n.º 45, 25 Dezembro de 1881, p. 355-358

Extraído do «Boletim do Governo de Macau e Timor» n.º 9 de 2 de Março de 1868, p. 49.
NOTAS:
FONTE DE LILAU – originariamente denominada Bica do Nilau (nome primitivo da colina que depois é conhecida como Colina da Penha por ter sido lá construída  a Ermida de Nossa Senhora da Penha da França). Foi destruída.

Hoje no Largo do Lilau existe uma fonte que tenta memorizar a bica original.
BALSA – fogo de artifício chinês, muito comum em Macau até à década de 20 (séc. XX) depois caiu em desuso. Este fogo de artifício era chamado porque os foguetes eram colocados em balsas ou baldes Construía-se uma armação em bambu, espécie de torre de dois ou três andares, e em cada andar punha-se uma balsa de foguetes. Acendia-se a primeira, esta ao explodir pegava fogo à segunda e assim sucessivamente. (1)
Referência à «balsa» na «Carta de Siára Pancha a Nhim Miquéla» escrita em «3 de janero de 1865» (2)
Outro dia Voluntario inglez (3) d´Hong Kong já vem Macáo ! Qui lai di bonito ! eu já vai olá também. Macáo parece França, tudo gente fallá. Tem tifin (4), revista di tropa, salva de vinte un há tiro, balsa à note qui bonito, gastá cô tudo aquelle flamancias três mil fóra pataca.
“TUTI”TOU TEI – 土地 – Deus da Família – nos mitos antigos, Tou Tei é um deus que governa a terra, por isso esta festividade se denomina “Festa do Deus da Terra”. Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/02/27/noticia-de-27-de-fevereiro-de-2017-tou-tei-o-deus-da-familia/
(1) BATALHA, Graciete Nogueira – Glossário do DIalecto Macaense. Coimbra, 1977.
(2) Ta-Ssi-Yang-Kuo , Tomo I, 1899, p. 324.
(3) Refere-se à visita dos soldados voluntários da colónia inglesa de Hong Kong a Macau no dia 19 de Novembro de 1864, armados e com artilharia, com exercícios no campo de S. Francisco. Estiveram em Macau até o dia 21. Ver anterior referência a esta visita em postagem já publicada em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/19/noticias-de-19-a-21-de-novembro-de-1864-visita-do-corpo-de-voluntarios-de-hong-kong-a-macau/
(4) “TIFIN” É o mesmo que “lunch” (almoço)

Hoje é o 1.º dia do Novo Ano Lunar – ANO DO CÃO –TERRA e recordo um artigo de David Barrote, publicado no «BGU», (1) do ano de 1957, acerca das festas então realizadas no novo ano lunar – GALO / FOGO  que nesse ano foi a 31 de Janeiro de 1957.
(1) «BGU» XXXIII – 381, Março de 1957.

Extraído do «Boletim de Província de Macau e Timor», XIV – 1, 1868.