Archives for posts with tag: 1909

Como forma de regularizar o sistema de transporte – jerinxás/riquexós (1), (2) o governo, optou pela concessão em regime de monopólio mas surgiram nos últimos anos do século 19 várias greves. Para tentar revolver o problema, surgiu a hipótese de municipalizar este serviço, isto é, ficar o Leal Senado com o exclusivo dos serviços de transporte, mas não foi concretizado. (3)

Mas em 7 de Julho de 1909, nova greve de serviço de carros – «jerinxás» – promovida pelos cules. (4)

(1) O primeiro regulamento deste meio de transporte data de 1883, tendo sido alterado em 1888. Incluía questões relacionadas com a sinalização, estacionamento, circulação e preços do respectivo aluguer. Em 27-08-1883, após Sessão da Câmara, o Leal Senado de Macau apresenta ao Conselho da Província um projecto de Postura sobre a circulação, vigilância e preços dos carros chamados «Jin-rik-shás» (riquexós); o projecto é aprovado em 26-09-1883 e publicado integralmente no Boletim N.º 42 de 20 de Outubro.

.

Extraído de «BPMT», XXIX-42 de 20 de Outubro de 1883, pp. 370-371

(2) O Jerinxá ou riquexó é um pequeno carrinho, muito leve, de rodas raiadas de arame de aço e guarnecidas de arcos de borracha, com assento para uma pessoa. Possui capota para o sol ou para a chuva, dois delicados varais entre os quais se coloca o cule a puxar; e como se tratasse de qualquer outra carruagem, tinha uma campainha ou guizo e as respectivas lanternas. O jerinxá teve origem no Japão jin-riki-gá (homem-força-carro) os ingleses adoptaram o termo para jin-riki-shá e simplificaram depois para rick-shaw. A grafia “riquexó” terá surgido, pela primeira vez, num texto do escritor macanese contemporâneo Luís Gonzaga Gomes” (informação de CAVALHEIRO, Jorge in “Da Sampana ao Jactoplanador, Da Cadeirinha ao Automóvel”, pp. 42-44)

jin-riki-gá, Japão, c. 1897 (https://en.wikipedia.org/wiki/Rickshaw)

(3) Há uma notícia surgida no semanário luso-chinez «Echo Macaense» (1893-1898) de 3 de Janeiro de 1895 que refere “Estão em greve os conductores dos carros jinrickshas [riquexós]. É a segunda vez que isto acontece. Já estava previsto que o regime de monopolio traria por repetidas vezes estas semsaborias. O monopolista não pode explorar o público, porque não pode alterar a tabella dos preços, visto que se obrigou por contrato a respeitá-la. Resta-lhe portanto explorar o trabalho insano dos pobres conductores…”

(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, p. 38

Ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/riquexos/

Extraído de «BGU», XLV 525 Março de 1969, p. 129/130

“Na parede do Gabinete do Conservador foi a 29 de Março de 1969 inaugurada uma placa de metal amarelo, encimada com o scudo nacional, a cores , com os seguintes dizeres em português e em inglês:

A placa é de cobre, encaixilhada em teca, sendo obra de Eurico Francisco do Rosário.

José Maria da Ponte e Horta, Governador de Macau (1866-1868) determinou pela Portaria n.º 14 de 26-06-1868 que o serviço de registo predial se iniciasse a partir de 1 de Julho de 1868. A Conservatória do Registo Predial ficou instalada no edifício do Tribunal, assistindo à inauguração o Governador Ponte e Horta, o Juiz João Maria Ferreira Pinto e o presidente do Senado. Foi só a 1 de Janeiro de 1869 que se fez o 1.º registo do prédio n.º 28 da Rua dos Mercadores; em todo esse ano registaram-se apenas 5 prédios e no dia seguinte 50.

O Dr. Diamantino de Oliveira Ferreira foi nomeado em Maio de 1964.

NOTA: Um dos conservadores foi o Dr. Camilo de Almeida Pessanha, professor do liceu, nomeado Conservador a 16-02-1899. Como a lei não permitia acumulação de cargos, foi chamado ao Ministro a Lisboa, onde se apresentou a 5-10-1899; regressando a Macau, deixou o professorado, tomando posse do cargo a 23-06-1900. A 16-04-1904 foi nomeado juiz, passando a Conservadoria ao delegado do procurador da Coroa e Fazenda, Dr. Luís Gonçalves Forte (17-05-1904 – ?) . Em 1905, Pessanha caiu doente e a 13 de Agosto regressou a Portugal; chegou de novo a Macau a 18-02-1909; e agora vai acumular os cargos de Conservador e de Professor, sendo nomeado a 13-03-1909, professor de Economia Política e Direito Comercial no Instituto Comercial, anexo ao Liceu. Em Agosto de 1915 foi exonerado do cargo de Conservador, que servira durante 6 anos de 179 dias; apesar disso, ainda continuou no ofício até 12 de Maio de 1919, em que pediu exoneração, continuando no cargo de juiz. (TEIXEIRA, P. Manuel – A Voz das Pedras de Macau. 1980, pp.127-128).

Em 12 de Janeiro de 1774, o governador Saldanha (1) sugere ao Vice Rei da Índia que se renova a cadeia do terreiro de St.º Agostinho, para junto do Senado e dá a razão: o tronco ou cadeia está em lugar solitário, tendo apenas em frente uma casa com janelas para outra parte e o Convento de S.to Agostinho, que tem apenas uma pequena janela de coro que dá para a cadeia; esta «não tem capacidade, nem fortaleza nem segurança». Mas junto ao Senado há uma casa do estado que se pode transformar em cadeia segura. O Vice-rei (D. José Pedro da Câmara) remeteu cópia desta carta ao Senado, a 4 de Maio de 1775, preguntando se havia algum inconveniente; como o Senado respondesse que havia grande despesa e dificuldades, o Vice-rei, a 30-04-1776, determinou «que não faça inovação alguma».

Para a cadeia que ficava anexa ao Senado, foram transferidos, pouco depois de 1776, os presos do tronco que ficava no Largo de Santo Agostinho, e que deu o nome à Calçada do Tronco Velho. (2) A casa onde antes estava era dos jesuítas, alugadas ao Senado; a nova, do Estado. A nova cadeia deu o nome “Rua da Cadeia,” (3) que em 1937 recebeu o nome de Rua Dr. Soares, em homenagem ao Dr. José Caetano Soares. (4) A 5 de Setembro de 1909, os presos passaram para a Cadeia Pública na Colina de S- Miguel e em 1990 para Coloane. (5) (6)

(1) Carta do Governador de Macau Diogo Fernandes Salema de Saldanha, datada de 12-01-1774: “O tronco desta Cidade está situado em hum lugar tão desamparado de cazas, que não tem mais que humas, q´ ficão de fronte delle com janelas para outra parte, e o convento de S. Agostinho, que não tem para parte delle mais que huma piquena janela do seo coro. Tambem não tem capacidade nem fortaleza, nem segurança para prezos recomendáveis; e como junto a caza do Senado, que hé o mais publico lugar há humas cazas pertencentes a Fazenda Real da Administração do Adjunto desta mesma Cidade, as quaes tem capacidade para nella se fazer huma cadeya segura, e com commodos suficientes, e fortes p.ª nella se prenderem os prezoz … Supplico a V. Exa. determine que trocando-se estas do actual tronco pelas outras junto do Sennado; nestas se estaleca a cadeya publica.» Ver anterior referência em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/diogo-fernandes-salema-e-saldanha/

(2) Calçada do Tronco Velho começa no Largo de Santo Agostinho, ao cimo da Calçada do Gamboa, e termina entre a Rua do Dr. Soares (outrora Rua da Cadeia) e a Rua dos Cules, em frente do Beco da Cadeia. Em chinês chamava-se 监牢斜巷 Kam Lou Ch´é Hóng, (7)  i. é, Calçada ou Encosta do Tronco Velho. O tronco ficava no Largo de S. Agostinho, passando depois para junto do Senado. (6)

(3) Rua da Cadeia começa na Rua dos Cules e acaba no Largo do Senado (hoje, Avenida Almeida Ribeiro) («Cadastro das Vias Públicas de 1874») Existe ao Beco da Cadeia que está junto da Rua dos Cules, tendo a entrada entre esta rua e a Rua do Dr. Soares, em frente da Calçada do Tronco Velho (6)

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-da-cadeiarua-dr-soares/

(5) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume I, 2015, p.277.

(6) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, volume I, 1997, p. 331-332

(7)监牢斜巷mandarim pīnyīn: jiān lóu xié hàng; cantonense jyutping: gaam1 lou4 ce3 hong6. Hoje o nome chinês é 東方斜巷 mandarim pīnyīn: dōng fāng xié hàng; cantonense jyutping: dung1 fong2 gaam1 lou4 ; calçada oriental, referindo-se ao hoje inexistente Cine-Teatro Oriental (東方戲院) que esteva nessa calçada, desde 1950 a 1973.

Extraído de «Revista de Artilharia«, n.º 55 ANO V, 1909 , p.623

No dia 3 de Janeiro de 1909, Manuel da Silva Mendes deu uma conferência no Grémio Militar de Macau subordinada ao título “LAO-TZE e a sua doutrina segundo o TAO-TE-KING”. (1)

O texto da conferência foi publicada, em 1908, pela Imprensa Nacional de Macau, portanto, antes da sua leitura. O assunto do tauismo prendeu muito a sua atenção. Silva Mendes não conheceu, porém a obra de Láucio, senão através de traduções, visto que não sabia chinês escrito e o seu conhecimento do chinês falado era muito restrito e superficial, motivo poe que não é crível que tivesse sido capaz de conservar e discutir, em língua nativa, com os homens de letras chineses, sobre assunto tão transcendente. Assim, no ano que precedeu ao seu falecimento, publicou os “Excerptos de Filosofia Taoista”, obra em verso da qual foram impressos apenas 200 exemplares, na Tipografia do Orfanato da Imaculada Conçeição e  que deveria ser seguida dum segundo volume, que ainda não se encontra publicado”  (2)

(1)Texto da conferência publicado na “Nova Colectânea de Artigos de Manuel da Silva Mendes, Volume I (Arte). Folhetins do «Notícias de Macau» (publicados nos n.os 4672 a 4751 de 12-06-1963 a 18-09-1963), 1963, pp.211-253. e também numa trilogia, publicada em 2017, edição de ”Livros do Oriente “ intitulado “Manuel da Silva Mendes: memória e pensamento” organizado com estudos de António Aresta, Amadeu Gonçalves e Tiago Quadros, no volume I (Arte, Filosofia e Religião. Cultura e tradições), pp.311-338

CAPA
CONTRA-CAPA

(2) GOMES, Luís G. – JUSTIFICAÇÃO, p.V do livro “Nova Colectânea de Artigos de Manuel da Silva Mendes”, (1)

No dia 19 de Dezembro de 1909, realizou-se uma récita de caridade realizada no Teatro D. Pedro V, pelo «Grupo de Amadores», (1) sob a direcção de Constâncio José da Silva, em que se representaram 4 comédias. A Comissão do Grupo, compunha-se do coronel Fernando José Rodrigues, presidente (2); major Joaquim Augusto dos Santos, secretário (3); António A. Pacheco, tesoureiro; Aníbal C. Henriques, Conde de Sena Fernandes, (2) C. J. da Silva, Ernesto Álvares, Francisco Xavier Brandão, Gerardo J da Rocha, Henrique Manuel Vizeu Pinheiro (4), Dr. José Maria de Carvalho e Rego (director cénico dessa Academia) (5) e Cap. João de Sousa Carneiro Canavarro.

(1) Teve vários nomes: «Grupo de Amadores» no início, «Grupo de Amadores de Teatro e Música» em 1924, «Academia de Amadores de Teatro e Música» em 1934. (6) As suas récitas, concertos e saraus foram, com raras excepções, dados no Teatro D. Pedro V. Com o rebentar da guerra na Europa em 1939 e no Pacífico em 1941, a Academia entrou em agonia e extinguiu-se placidamente de morte natural. O último presidente foi o brigadeiro Temudo de Vera, gerente da Filial do Banco Nacional Ultramarino em Macau. (TEIXEIRA, P. Manuel – O Teatro D. Pedro V, pp. 33-34).

(2) Fernando José Rodrigues (Funchal 1863- Macau 1926). Assentou praça voluntária no Regimento de Infantaria nº 2, a 26 de Setembro de 1882; promovido a alferes para a guarnição de Macau e Timor a 12 de Maio de 1887; serviu em Timor de 1887 a 1890; transferido para a Guarda Policial de Macau em 1890; capitão em 1893, sendo novamente colocado em Timor; regressou a Macau em 1894; promovido a major em 1902; chefe do Estado Maior de Timor em 1903; chefe do Estado Maior de Macau em 1905; comandante do Corpo de Polícia de Macau em 1907; promovido a coronel em 1909 e passou à reserva em 1911 no posto de general de Brigada. Foi membro do Conselho do Governo de Macau, já reformado por vários anos provedor da Santa Casa da Misericórdia e presidente do Grémio Militar. Possuía várias condecorações. Casou em Macau a 16-06-1894, com Alina Clariza de Sena Fernandes (1868-1941), filha de Bernardino de Sena Fernandes e de Ana Teresa Vieira Ribeiro, condes de Sena Fernandes. Em sua homenagem o Leal Senado decidiu atribuir o nome “Rua do General Rodrigues” (7) a uma das artérias de Macau. (8) Ver:  https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bernardino-de-senna-fernandes/

(3) Joaquim Augusto Tomé dos Santos 1867 – 1954, militar e administrador colonial português. Filho de Joaquim Tomé dos Santos, Cirurgião Ajudante do Regimento de Caçadores N.º 9, e de Angélica Monteiro, e neto paterno de Manuel Tomé dos Santos e de sua mulher Maria Joaquina de Jesus. Alferes da Guarda Policial de Macau na altura do seu primeiro casamento, em 2 de Outubro de 1890, e Alferes do Quadro Oriental do Ultramar na altura do seu segundo casamento, em 16 de Fevereiro de 1895, progrediu na carreira militar e passou à reforma no posto de Coronel. Foi Governador Interino de Macau por duas vezes (17 de Julho de 1919 a 23 de Agosto de 1919 e 16 de Julho de 1924 a 18 de Outubro de 1925) e era Comandante Militar de Macau quando se deram os graves distúrbios de 1922. (8) https://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Augusto_Tom%C3%A9_dos_Santos

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/henrique-manuel-vizeu-pinheiro/

(5) José Maria Ernesto de Carvalho e Rego, (Porto 1860 – Macau 1917) – Bacharel em Direito, magistrado judicial em Quelimane, Beira, Timor e Macau. Em 1908 radicou-se defensivamente em Macau como procurador administrativo dos negócios sínicos e advogado. Foi também jornalista, redactor do jornal «A Verdade». Casado com Joana Alexandrina Palmeira de Carvalho e Rego (1860 – Macau, 1934). Pai de José da Conceição Ernesto de Carvalho e Rego (1890-1977) (um dos fundadores do Grupo de Amadores de Teatro e Música, em 1924), Fernando Ernesto Palmeira de Carvalho e Rego (1894-1957) e Francisco Ernesto Palmeira de Carvalho e Rego (1898-1960)

 (6) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/09/01/noticia-de-1-de-setembro-de-1934-academia-dos-amadores-de-teatro-e-musica/

(7) Rua do General Rodrigues – começa na Rua de Afonso de Albuquerque, entre o prédio n.º 16 e a Esquadra Policial n.º 3, e termina na Rua do Bispo Medeiros, ao lado do prédio. N.º 25.

(8) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume III, Fundação Oriente, Macau, 1996, p. 255. TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Tomo II, 1997, pp. 414-415.

Mário Cabral e Sá, de Goa, num artigo publicado na «Revista Nam Van» de 1984 (1) a propósito do Arquivo Histórico de Goa onde se encontra vários processos administrativos e judiciais do regime português até 1961 (data em que termina a alçada judicial que o Tribunal de Relação de Goa tinha sobre Macau e Timor), refere que entre esses processos nomeadamente numa série de «Livros de Macau» encontrou o processo n.º 113 ( o autor não aponta a data!) que relata sumariamente o seguinte: 

“O Dr. Gustavo Nolasco da Silva, (2) conservador do Registo Predial da Comarca de Macau, foi ferido, com dois tiros de revólver, por Fernando Sena Rodrigues, (3) natural de Macau, casado, comerciante. Nolasco da Silva, que era também vogal da Comissão de Terras, teria dito a Sena Rodrigues que não lhe era possível conceder os terrenos referidos porque já o haviam sido a um tal Gomes, que era financiado por uns alemães de uma sociedade em que o pai de Nolasco da Silva parecia ter interesses.”

(1) SÁ, Mário Cabral e – Há muitas maneiras de matar pulgas in «Revista Nam Vam», n.º 5, 1 de Outubro de 1984, pp. 25-26.

(2) Gustavo Nolasco da Silva (1909-1991), 2.º filho de Luis Gonzaga Nolasco da Silva (7.º filho de Pedro Nolasco da Silva e Edith Maria Angier) e proprietário da «Casa Branca», posteriormente Convento da Ordem do Precioso Sangue, era licenciado em Direito. Foi conservador do Registo Predial de Macau. Foi advogado da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia (Cartório da Santa Casa). https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/gustavo-nolasco-da-silva/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/09/postais-macau-artistico-iv/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/06/personalidade-pedro-nolasco-da-silva/

(3) Fernando de Senna Fernandes Rodrigues (1895-1945) 1.º filho de Fernando José Rodrigues e de Alina Clarissa de Senna Fernandes, proprietário e fundador da «Firma F. Rodrigues, agente de companhias de navegação e seguros. Faleceu assassinado à porta da Caixa Escolar, por Wong Kong Kit, a soldo de uma quadrilha de chineses pró japoneses em 10-09-1945. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/fernando-de-senna-fernandes-rodrigues/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/firma-f-rodrigues/

Notícia da conferência realizada no Grémio Militar de Macau no dia 30 de Junho de 1909 pelo tenente Luciano José Cordeiro (1)

Extraído de «Revista da Artilharia» Ano Vi, n.º 64, Outubro de 1909, p. 206

Anterior referência a Luciano José Cordeiro: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/luciano-jose-cordeiro/

Duas pequenas notícias surgidas no jornal «O Independente» (1) sobre prisioneiros, um  estava na prisão do Monte e outro, na cadeia pública.

Extraído de «O Independente», I- 38, 21 de Maio de 1869, p. 330

Nesse ano, já estava em vigor o «Regulamento da Cadêa de Macao» (Portaria n.º 58 de 11 de Novembro de 1851), que foi complementada em 4 de Abril de 1859 (Portaria Provincial n.º 29). Neste mesmo ano, foi publicado um novo «Regulamento da Cadeia Pública de Macau» em 11 de Junho de 1859 (B.G.n.º 33).

Extraído de « BGPMTS», VI-52 de 15 de Novembro de 1851

Recorda-se que a cadeia em 1754 estava no terreiro de St.º Agostinho, que pertencia aos jesuítas, junto ao Convento de Sto Agostinho. Em 1776 passou para uma casa do Estado, junto ao Senado. Esta rua ainda hoje se chama do Tronco Velho; a nova cadeia deu o nome `Rua da Cadeia”, que em 1937 recebeu o nome de Rua Dr. Soares.

As condições da cadeia no Tronco Velho não eram boas apesar de durante anos ter sido feitas melhorias e alargamento do espaço, como o próprio Boletim Oficial («BGMT», XIV-18 de 2 de Maio de 1868) noticia em 1868:

Só com a construção da nova cadeia iniciada em 1884, em 5 de Setembro de 1909, os presos passaram para a cadeia na Colina de S- Miguel e em 1990 para as novas instalações, em Coloane.

Publicado na «Revista Colonial», de 1921 a propósito de um artigo publicado pelo «Hong Kong Daily Press»
(1) «Revista Colonial», ANO IX, II série, n.º 6, Dezembro de 1921, p. 183
Na primeira página (na capa) deste número da “Revista Colonial” está inserido o retrato do General de Engenharia Joaquim José Machado, cuja biografia vem na página 174 desse mesmo número. (2)
Salienta-se desta biografia a nomeação do general, em 1909, como Alto-comissário para delimitação de Macau.
Na verdade já em 1902, o General Joaquim José Machado foi enviado por Portugal à China, para acertar a convenção relativa aos limites de Macau (ilhas) mas as diligências diplomáticas não foram conclusivas. Apesar da ratificação do Tratado entre os dois países, em 1888, este assunto permaneceu pendente, até 1909 quando recomeçaram em Pequim as negociações sobre a delimitação de Macau entre o Conselheiro/ General Joaquim José Machado (nomeado Alto Comissário de Portugal) e o Mandarim Kao-Erh-Chie.
Em 13 de Novembro de 1909, suspenderam-se, após 4 meses de negociações, as conferencias entre o General Joaquim José Machado, e Kao-Ohr-Kim, representante chinês, para a fixação definitiva dos limites de Macau, indicando o Comissário português o recurso à arbitragem. A missão portuguesa era composta pelo General Joaquim Machado (Alto-Comissário); Capitão Demétrio Cinatti (Comissário Auxiliar); Capitão J.M.R. Norton de Matos (Secretário) e Pedro Nolasco da Silva (Intérprete). A parte chinesa era composta por Kao-Ohr-Kim; Shun-Pau-Ho, Superintendente da Polícia de Cantão; Tsung-Yuen-Pi sub-perfeito Marítimo de Tch´in-San; e o Secretário-Intérprete Hou-To-Na. As duas conferências realizaram-se numa sala da residência do Cônsul de Portugal em Hong Kong, João Leiria. Os delegados chineses não aceitaram a proposta de nomeação de uma comissão para definir as delimitações de Macau, a propósito das Ilhas.
Em 1921, o assunto foi submetido à Conferência de Washington mas foi invocado pela China que o governo revolucionário de Cantão não tinha representação na Conferência.(3)
(2)

http://purl.pt/26919

(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.

A lancha-canhoneira «Macau» que foi lançada à água em Kowloon (Hong Kong), (1) no dia 7 de Julho de 1909 após montadas as peças fabricadas em Glasgow (Inglaterra) pela casa Yarrow, foi vendida ao Japão a 12 de Março de 1943, por necessidades económicas (2) que a guerra ditou (3)
(1) Lancha-canhoneira de aço de 135 toneladas métricas, estava montava com duas peças H. (de 57 mm) e três metralhadoras (de 6,5 mm) Os hélices trabalhavam em túnel. Desempenhou várias comissões nos mares da China, (4) até ser tomada pelo Japão em 1945. (segundo ESPARTEIRO, Marques, p. 91 de
http://3decks.pbworks.com/f/Catalogo+dos+navios+brigantinos+(1640-1910)+-+Esparteiro.pdf
Segundo Ricardo Matias, num comentário à minha postagem de 27-09-2016:
A canhoneira Macau e duas dragas do porto de Macau, foram entregues às autoridades militares japonesas que ocupavam a China por troca com 10.000 sacos de arroz, foi uma troca desigual e forçada pela ameaça de invasão. O navio passou a chamar-se Maiko e com o final da Guerra caiu em mãos chinesas em Cantão, rebaptisado Wu Feng, passou em 1949 para a China Comunista e perdeu-se o rasto. A troca foi realizada em 15 Agosto 1943, mas o navio continuou na lista da Armada até 1945, uma maneira de mostrar aos americanos que não ajudávamos os japoneses “
Sobre esta lancha, aconselho ainda a leitura de:
http://naviosenavegadores.blogspot.pt/2008/09/marinha-de-guerra-portuguesa-o-nrp.html
(2) Já em 1926, devido à crise financeira, houve cortes significativos nos Serviços de Marinha com consequências na lancha canhoneira «Macau».
26-01-1926 – Por leitura do Relatório dos Serviços de Marinha, apresentado nesta data, se conhece o estado de dificuldades económicas que Macau passa. Em resultado da crise financeira são abatidos na lotação das canhoneiras «Macau» e «Pátria», os chegadores, impedidos e criados de câmara, cozinheiros e padeiros, todos eles indígenas de Moçambique” (3)
A lancha canhoneira «Macau» esteve em perigo de se afundar no tufão de 17-09-1926.
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
(4) Um das intervenções mais significativa da lancha canhoneira «Macau» (5) foi a 14 de Julho de 1910, contra os piratas que numa das suas frequentes acções de pirataria, raptaram uma dúzia de crianças duma escola entre Cantão e Macau e refugiaram-se com elas na ilha de Coloane pedindo às famílias resgates na ordem das 35 mil patacas, o que, naquele tempo, era uma fortuna. A preparação do ataque por parte da canhoneira, foi no dia 14 de Julho, tendo sido bombardeados toda a frente marítima da povoação de Coloane com Hotchiss semi-automáticas.(6)
Uma curiosidade resultante dos acontecimentos que se deram até esta data: além do pequeno monumento que se vê no jardim da vila, em memória da expulsão dos piratas e libertação da população, os chineses, agradecidos, ofereceram bandeiras comemorativas às diferentes forças que cooperaram na luta. Sabemos por documentos da época que a bandeira de seda vermelha oferecida ao Comandante da lancha- canhoneira «Macau» (o então Primeiro – Tenente Joaquim Mata Oliveira (7) – depois entregue à Sociedade de Geografia de Lisboa – tinha a seguinte bordadura em letras chinesas «Tributo de homenagem aos senhores Comandante, oficiais e praças da lancha-canhoneira «Macau» da grande nação portuguesa. À vossa protecção devemos o sossego que disfrutamos. Pequena homenagem prestada como todo o respeito por Leong-Cheong-Tak e seu filho Pak-Lok , oriundos da povoação da família Leong no distrito de San. Hui da dinastia Tá-Tsing»” (3)
(5) Outras referências à canhoneira «Macau» em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/canhoneira-macau/
(6) Ver anteriores relatos em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/09/historia-de-piratas-i-ilhas-de-piratas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/21/historia-de-piratas-ii-ilhas-de-piratas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/07/historia-de-piratas-iii-ilhas-de-piratas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/14/historia-de-piratas-iv-ilhas-de-piratas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/09/07/leitura-os-piratas-em-coloane-em-1910/
(7) 1.º Tenente Joaquim Anselmo de Mata e Oliveira (1874-1948) veria a ser governador de Macau embora por pouco tempo, Março a Outubro de 1931. Partiu para Lisboa, em serviço, a 15 de Outubro, no cruzador «Adamastor» que sai da Ponte Nova do Porto Exterior. Só em 21 de Junho  de 1932, Macau teria novo governador: Tenente Coronel de Artilharia, António José Bernardes de Miranda. (3)