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A “Revista Colonial” (1) apresentava no seu número de Junho de 1914, na sua primeira página, um artigo sobre a “Bravura de portuguez”. É relatado a acção de valentia de dois portugueses, guardas do barco “Tai On” que fazia a carreira de Hong Kong para a China e que foi assaltado no dia 27 de Abril de 1914, no Rio Oeste, por piratas. Os guardas foram o macaense Leocádio Jorge da Silva e o antigo soldado da campanha dos cuamatos (2), António Dias.
(1) «Revista Colonial» ano II, n.º 18, 25 de Junho de 1914.
(2) Capitão José A. Alves Roçadas (1865-1926) que foi Governador de Macau (1908-1909), tendo sido nomeado governador do distrito de Huíla no Sul de Angola (1905) iniciou as operações militares de ocupação das terras do povo cuamato (no sul do distrito) onde fundou o Forte Roçadas.

Efeméride desta data, referente a Camilo Pessanha que este ano se comemora os 150 anos do seu nascimento, em 7 de Setembro.
19-02-1909 – Fim da licença concedida ao Conservador do Registo Predial (1) desta Comarca, Dr. Camilo d´Almeida Pessanha”. (2)

Rosas de Inverno
 
Corolas, que floristes
Ao sol do inverno, avaro,
Tão glácido e tão claro
Por estas manhãs tristes.
 
Gloriosa floração,
Surdida, por engano,
No agonizar do ano,
Tão fora da estação!
 
Sorrindo-vos amigas,
Nos ásperos caminhos,
Aos olhos dos velhinhos,
Às almas das mendigas!

Desse Natal de inválidos
Transmito-vos a bênção,
Com que vos recompensam
Os seus sorrisos pálidos.
Camillo Pessanha (3)

1) Camilo Pessanha foi nomeado Conservador do Registo Predial, por decreto de 16 de Fevereiro de 1899, tenho tomado posse desse cargo em 23 de Junho de 1900, abandonando o professorado (veio para Macau em 1894, para professor da 8.ª cadeira, Filosofia Elementar do Liceu Nacional de Macau – nomeado em 18 de Dezembro 1893 – e do Instituto Comercial anexo). Esteve de licença desde 27 de Abril de 1905 pela junta médica de Macau porque sofria de anemia – muito provavelmente devido a um tumor hemorroidário de que veria a ser operado em Novembro de 1907 no Hospital do Carmo na cidade do Porto – e concede-lhe tratamento por 90 dias (que vão sendo prolongados em Junta médica em Portugal) partindo para Portugal a 2 de Agosto. Só regressaria em 15 de Janeiro de 1909 (data de partida com chegada a Macau a 18 de Fevereiro) reassumindo o seu cargo de conservador do Registo Predial.
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
(3) O poema «Rosas de Inverno» reelaborado por Camilo no ano de 1901, foi publicado mais tarde no jornal de Hong «O Porvir» em 21 de Dezembro de 1901 e foi recitado por uma criança num sarau realizado a 15 de Dezembro de 1901 no Teatro D. Pedro V.
poesia-rosas-de-inverno-camilo-pessanha-ipoesia-rosas-de-inverno-camilo-pessanha-iiEncontra-se na Biblioteca Nacional de Portugal, (4) um manuscrito deste poema com a seguinte nota:
“1.º v.º : «Corollas, que floristes». Letra do punho de Alberto de Serpa. Com a indicação de ter sido publicado na página literária de «O Primeiro de Janeiro», Porto, 15 Ago. 1962, junto ao artigo de Guilherme de Castilho. Reunido em «Clepsidra e outros poemas». “
(4) Biblioteca Nacional de Portugal (http://purl.pt/14589)

1899-com-joao-vasco-pereiraCamilo Pessanha e o colega do Liceu, João Pereira Vasco em 1899
Fotografia de MAN-FOOK, MACAO

Anteriores referências neste blogue a Camilo Pessanha em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/camilo-pessanha/
Para melhor informação ver «Cronologia da Vida e Obra de Camilo Pessanha» em:
http://purl.pt/14369/1/cronologia1894.html
e sobre a Bibliografia do poeta em:
http://cvc.instituto-camoes.pt/sabermaissobre/cpessanha/06.html

diario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-cabecalhoNa sequência da notícia publicada no «Diario Illustrado» no dia 22 de Janeiro de 1909 (1), outra notícia foi publicada no mesmo jornal, no dia seguinte (23 de Janeiro de 1909), abordando a questão das dependências do território de Macau – o problema do domínio territorial – com informações de um alto funcionário (?) que preferiu não ser identificado.
diario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-idiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-iidiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-iiidiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-ivdiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-vdiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-vidiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-viidiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-viii(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/01/22/noticia-de-22-de-janeiro-de-1909-a-defeza-de-macau/

Notícia no «Diario Illustrado» (Lisboa) do dia 22 de Janeiro de 1909, (1) a recordar o afundamento do brigue «Mondego» (2) no dia 22 de Janeiro de 1859, próximo do arquipélago das Maurícias, numa viagem de Macau para Lisboa.
diario-illustrado-22jan1909-brigue-mondego-idiario-illustrado-22jan1909-brigue-mondego-iiO brigue, de 20 peças, foi construído no Arsenal da Marinha pelo construtor Joaquim Jesuíno da Costa e lançado à água em 28 de Outubro de 1844. A quilha foi posta em 4 de Abril do mesmo ano. Também aparece como navio de 14 peças. A lotação era de 130 homens.
Esteve em Macau em Maio de 1852, onde deu fundo na Taipa. Em Julho de 1852 largou para Timor, conduzindo o novo Governador Capitão D. Manuel de Saldanha da Gama. O brigue largou de novo a 25 de Novembro de 1853 para nova missão em Macau e chegou a este território a 29 de Maio de 1954, após seis meses e cinco dias de viagem. (3) E a partir de 1855, passou a servir na Estação Naval de Macau. Em Outubro de 1856, largou para Hong-Kong com o Governador de Macau, Isidoro Francisco Guimarães. (4) Em Julho do ano seguinte, saiu em cruzeiro para a costa da China e, em Maio, visitou vários portos da China. Em Janeiro de 1859, largou para Sião e conduziu o mesmo Governador de Macau para assinar o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre Portugal e o reino de Sião.
Em Dezembro do mesmo ano, partiu de Macau com destino a Lisboa. Reparou em Singapura, tendo o construtor naval assegurado que o navio podia empreender sem receio a sua viagem para a Europa. Partiu em 20 de Dezembro desse ano. Durante a travessia o navio sofreu graves avarias conservando-se à tona com grandes dificuldades. Tendo avistado a galera americana “Uriel”, de Boston, pediu socorro. Da galera prontificaram-se a recolher o pessoal, com extrema dificuldade, em consequência do grande mar. Durante a faina de salvamento, o Mondego afundou-se com os seus 40 tripulantes. O total de sobreviventes foi de 66 e o de falecidos 44. Os náufragos do Mondego chegaram a Lisboa em 26 de Abril de 1860. (3)
https://arquivohistorico.marinha.pt/details?id=925
(1) diario-illustrado-22jan1909-cabecalho-do-jornal
(2) Sobre o brigue «Mondego» ver anterior referência em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/1859/
(3) A descrição mais pormenorizada do naufrágio encontra-se descrita na biografia de José Feliciano de Castilho (Cavaleiro da antiga Ordem da Torre e Espada, segundo-tenente da armada, engenheiro hidrógrafo) um dos que sobreviveu a este acidente, em:
 http://www.arqnet.pt/dicionario/castilhojosef2.html
(4) Sobre este Governador,  ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/isidoro-francisco-guimaraes/

diario-illustrado-22jan1909-cabecalho-do-jornalA propósito de um artigo assinado pelo tenente de engenharia Raul Esteves, num dos jornais diários de Lisboa, “A defeza de Macau” o «Diario Illustrado» (jornal regenerador-liberal, publicado em Lisboa) em 22 de Janeiro de 1909 publicou uma entrevista com esse oficial do exército para esclarecer o seu ponto de vista  sobre a defesa terrestre do território de Macau, as suas fortificações e a defesa naval.

diario-illustrado-22jan1909-a-defeza-de-macau-idiario-illustrado-22jan1909-a-defeza-de-macau-iidiario-illustrado-22jan1909-a-defeza-de-macau-iiidiario-illustrado-22jan1909-a-defeza-de-macau-ivdiario-illustrado-22jan1909-a-defeza-de-macau-vdiario-illustrado-22jan1909-a-defeza-de-macau-vidiario-illustrado-22jan1909-a-defeza-de-macau-viidiario-illustrado-22jan1909-a-defeza-de-macau-viii

compendio-de-chorographia-portugueza-capaCompendio de Chorographia Portugueza e Historia de Geografia para a 7.ª classe por Ildefonso Marques Mano (Director Geral de Instrucção Primaria). Obra aprovada pela Commissão de livros.
Cerca de duas páginas dedicada a Macau (pp. 196-198)

compendio-de-chorographia-portugueza-capacontracapaCapa e Contracapa

compendio-de-chorographia-portugueza-pp-196-197CAPÍTULO II
Macau
Situação e população
Situação económica de Macau, administração

“Com a sua pequena superfície não pode ser uma colónia agrícola. É o tipo das colonias feitorias. Vive sobretudo do commercio, da industria e do jogo”
“As principais industrias locais são as seguintes: a desfiadura da sêda que tende a desenvolver-se e a torrificação do chá, que é exportado em navios inglêses para a Inglaterra, o descascamento do arroz, e a preparação do opio.”
“A exportação comprehende sêdas, chá, arroz, louças, lacas, artefactos de marfim, peixe salgado e fresco. O commercio faz-se principalmente com a Inglaterra, Hong Kong e China “
“A situação financeira é prospera: receita 709 contos, despezas 475 contos. Os rendimentos próprios de Macau proveem dos impostos e dos exclusivos que o governo manda arrematar, e que são os seguintes: loterias e jogo do Fantan”
compendio-de-chorographia-portugueza-p-198“ A guarnição é formada por uma companhia europêa de artilheria de guarnição, uma companhia europêa de infantaria, e um corpo de polícia, com o effectivo de 474 homens.”
“Tem um lyceu, e um seminário.”
“ O porto nos últimos tempos tem-se assoreado pelo que se organizou o serviço de dragagem”
MANO, Ildefonso Marques – Compendio de Chorographia Portugueza e Historia de Geografia para a 7.ª classe. Porto, Magalhães & Figueiredo, Limitada – Editores, 1903, 227 p.

Nasceu em Macau, no dia 17 de Maio de 1863, João Feliciano Marques Pereira, filho de António Feliciano Marques Pereira, (1839-1881) (1) nascido em Lisboa, e de Belarmina Inocência de Miranda, natural de Macau.
Muito cedo partiu para Lisboa onde começou a sua educação e os seus estudos. Estudou os preparatórios  no antigo Colégio Luso-Brasileiro, frequentando depois o Curso Superior de Letras onde foi discípulo de Adolfo Coelho e onde se doutorou com distinção.
Ocupou em seguida vários cargos públicos no Ministério dos Negócios Estrangeiros, ingressando depois no  Ministério da Marinha e Ultramar (1888) chegando em pouco tempo a Secretário particular da Conselheiro Barros Gomes, então Ministro da Marinha (1897).
TA-SSI-YANG-KUO CAPA SÉRIE I -VOL I e IIEm 1899, fundou a revista ” Ta-Ssi-Yang-Kuo, archivos e annaes do Extremo-Oriente Português”, (2) que durou até 1903 e cujo título foi inspirado no “seminário de interesses públicos locaes, litterario e noticioso” fundado pelo seu pai, em 1863, ano do seu nascimento. (3)

AMP - Ephemerides Commemorativas - 1863 quatro palavrasRetirado da A. Marques Pereira  “Ephemerides Commemorativas da História de Macau e das Relações da China com os Povos Christãos“, 1868.

Escreveu para inúmeras publicações de que era redactor e de algumas director, sob os mais variados assuntos e crónicas ultramarinas, sob o pseudónimo de Fernão Lopes no Jornal do Comércio e como  colaborador efectivo da Revista Colonial e Marítima.
Por Portaria de 17 de Outubro de 1904, foi nomeado para fazer parte da comissão encarregada de estudar o regime de monopólios e de impostos em Macau.
Quando se criou a Escola Colonial, (1906) foi nomeado professor efectivo de Legislação e Administração Ultramarinas.
TA-SSI-YANG-KUO DedicatóriaRepresentou o círculo de Macau como Deputado no Parlamento, pertencendo ao grupo do Conselheiro Ferreira do Amaral, filho do Governador do mesmo nome.
Foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem de S. Tiago de mérito científico, literário e artístico; foi eleito membro honorário da Real Sociedade Asiática de Paris; Vogal da Secção de Arqueologia da Real Associação de Arquitectos e Arqueólogos Portugueses; Sócio correspondente do Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano.
João Feliciano Marques Pereira faleceu a  7 de Junho de 1909, ano em ainda era deputado às Cortes eleito pelo círculo de Macau.(4)
TA-SSI-YANG-KUO CAPA SÉRIE II-VOL III e IVNOTA – Dados biográficos retirados de artigo não assinado em «MACAU Bol. Inf. 1954»
(1) Ver anteriores referências a António Feliciano Marques Pereira em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-feliciano-marques-pereira/
(2) Há uma edição da Direcção dos Serviços de Educação e Cultura/Arquivo Histórico de Macau de Dezembro de 1984 do conteúdo desta publicação, em reprodução fiel do original., em dois volumes.
TA-SSI-YANG-KUO – Archivos e annaes do Extremo-Oriente português 1899 -1900Colligidos, coordenados e anotados por J. F. Marques Pereira.  Série I- Vols I e II e Série II, Vol. III e IV.
(3) Ver trabalho de GARMES, Hélder – A Cultura Sino-Portuguesa no Século XIX e o TA-SSi-YANG-KUO em
http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/viewFile/49743/53855
(4) “João Feliciano Marques Pereira (1863-1909), apesar de ser um defensor do colonialismo e dos direitos legítimos de Portugal em Macau, foi também um investigador e divulgador dedicado sobre a história dos portugueses na China. Considerado o primeiro sinólogo português moderno, vai fundar, em 1899, a revista Ta-Ssi-yang-kuo, archivos e annaes do Extremo-Oriente Português, onde pretendia divulgar a cultura, civilização e actualidades da China, assim como o historial da presença portuguesa no Oriente. A publicação transformou-se progressivamente num órgão de propaganda da linha ideológica defendida por Marques Pereira para a política externa portuguesa relativamente ao império chinês e à chamada “Questão de Macau”.
COUTO, Marcos Miguel Oliveira – Representações do Oriente em “O Mundo Português”  (1934-1947)
http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/60899/2/TESEMESMARCOSCOUTO000150583.pdf
“Mas o dialecto (patois) teve ainda um intérprete apaixonado no orientalista João Feliciano Marques Pereira.(…)  Embora não tenha editado os seus trabalhos literários em Macau, toda a sua actividade está ligada ao território que o podemos considerar como um verdadeiro escritor macaense. (…)”
AZEVEDO, Rafael Ávila de  – A Influência da Cultura Portuguesa em Macau
file:///C:/Users/ASUS/Downloads/bb095.pdf