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Extraído de «BGU», XLV 525 Março de 1969, p. 129/130

“Na parede do Gabinete do Conservador foi a 29 de Março de 1969 inaugurada uma placa de metal amarelo, encimada com o scudo nacional, a cores , com os seguintes dizeres em português e em inglês:

A placa é de cobre, encaixilhada em teca, sendo obra de Eurico Francisco do Rosário.

José Maria da Ponte e Horta, Governador de Macau (1866-1868) determinou pela Portaria n.º 14 de 26-06-1868 que o serviço de registo predial se iniciasse a partir de 1 de Julho de 1868. A Conservatória do Registo Predial ficou instalada no edifício do Tribunal, assistindo à inauguração o Governador Ponte e Horta, o Juiz João Maria Ferreira Pinto e o presidente do Senado. Foi só a 1 de Janeiro de 1869 que se fez o 1.º registo do prédio n.º 28 da Rua dos Mercadores; em todo esse ano registaram-se apenas 5 prédios e no dia seguinte 50.

O Dr. Diamantino de Oliveira Ferreira foi nomeado em Maio de 1964.

NOTA: Um dos conservadores foi o Dr. Camilo de Almeida Pessanha, professor do liceu, nomeado Conservador a 16-02-1899. Como a lei não permitia acumulação de cargos, foi chamado ao Ministro a Lisboa, onde se apresentou a 5-10-1899; regressando a Macau, deixou o professorado, tomando posse do cargo a 23-06-1900. A 16-04-1904 foi nomeado juiz, passando a Conservadoria ao delegado do procurador da Coroa e Fazenda, Dr. Luís Gonçalves Forte (17-05-1904 – ?) . Em 1905, Pessanha caiu doente e a 13 de Agosto regressou a Portugal; chegou de novo a Macau a 18-02-1909; e agora vai acumular os cargos de Conservador e de Professor, sendo nomeado a 13-03-1909, professor de Economia Política e Direito Comercial no Instituto Comercial, anexo ao Liceu. Em Agosto de 1915 foi exonerado do cargo de Conservador, que servira durante 6 anos de 179 dias; apesar disso, ainda continuou no ofício até 12 de Maio de 1919, em que pediu exoneração, continuando no cargo de juiz. (TEIXEIRA, P. Manuel – A Voz das Pedras de Macau. 1980, pp.127-128).

Camilo Pessanha proferiu no Grémio Militar, no dia 13 de Março de 1915, uma conferência sobre «Literatura Chinesa».

LITERATURA CHINESA (Prefácio à tradução das Elegias) (1) –

“Satisfazendo uma antiga dívida para com o ilustre director de O Progresso, entrego hoje ao mesmo semanário umas poucas dúzias de pequenas composições chinesas, (2) com cuja decifração tenho entretido os ócios dos últimos seis anos de residência em Macau – os primeiros da velhice -, tirando dêsse esforço (em boa verdade se diga) horas de um tão suave prazer espiritual que dêle o não esperava tamanho. Começarei por uma minúscula antologia de dezassete elegias da dinastia Ming – elegias pelo acento de dorida melancolia que a todas domina, porquanto a forma, incisiva e curta, é a de verdadeiros epigramas – selecionadas, de entre os inúmeros e vastos cancioneiros da referida época, por um dos mais delicados estetas do Império do Meio nos princípios do século XIX, para presente de despedida a um amigo íntimo que para longe se ausentava. O compilador e copista dessas deliciosas obras primas foi o ministro Iong-Fong-Kong, que ao tempo (no reinado de Chia-King) exercia em Pequim os mais elevados cargos de estado, inclusive o de mentor do príncipe herdeiro. O destinatário da oferta era um pupilo do mesmo alto personagem, que naquela ocasião se iniciava na vida pública, partindo a exercer o modesto lugar de sub-prefeito em qualquer burgo sertanejo da nossa vizinha província do Kuang-Tung (Cantão). Chamava-se entre os amigos Mi-Kana raíz gostosa; da dedicatória não constam o seu apelido nem o seu nome próprio – que era do estilo omitirem-se em tais frivolidades. (…) “

De recordar que o poeta português traduziu, com a ajuda, embora de um letrado chinês, as «Elegias Chinesas de Uang-Shau-Jon» (1472-1528), (3) também conhecido por Uang-po-an e por Uang-iang-ming e cognominado Uan-ch´éng, um notável estadista, general, filósofo e poeta. (4)

“ (…)  Finalmente, nada confiando dos recursos próprios – imperfeitas noções de simples estudioso amador, adquiridas ao acaso das horas vagas -, submeti o trabalho à censura do meu velho amigo e querido mestre Sr. José Vicente Jorge, que tão distintamente dirige em Macau os serviços do expediente sínico. O ilustre sinólogo não só me fêz o favor de emendar em alguns pontos a tradução, aproximando-a mais da intenção original, mas forneceu-me ainda, espontaneamente, grande cópia de notas elucidativas, as mais valiosas de entre as que acompanham cada composição, e sem as quais, como o leitor verificará, por exacta que fôsse a versão, a inteligência dos textos (mesmo sob o ponto de vista puramente estético) ficaria deficiente. (…) “ (1)

Uma das elegias traduzidas, de Uang-l´ing-hsiang, (5) 

(1) PESSANHA, Camilo – China (Estudos e traduções). Agência Geral das Colónias. Lisboa, 1944, pp. 67-72; 77; 84-85

(2) Destas “poucas dúzias de pequenas composições” só oito (e só essas se conhecem) foram publicadas: «Oito Elegias Chinesas (tradução e notas)», pela primeira vez, no semanário “O Progresso”, de Macau, de 13 e 20 de Setembro e 4 e 18 de Outubro de 1914 e depois republicadas (com notas explicativas e eruditas) no n.º 1 da revista “Descobrimentos”, em 1931 – Director: João de Castro Osório.

(3) Ver anteriores elegias já postadas em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/04/07/poesia-vii-elegia-chinesa-de-camilo-pessanha/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/03/02/poesia-vi-elegia-chinesa-de-camilo-pessanha/

(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, p. 82

(5) Uang-l`ing-hsiang, também conhecido por Uang-tsz-heng.  Alcançou o grau de Ching-shih no reinado de Huang-chih – 1487-1505. Foi presidente do Ministério da Guerra e mentor do herdeiro presuntivo do trono (1)

(6) O “terraço do rei de Iueh”, denominação erudita do Pagode dos Cinco andares, em Cantão, sobre a muralha de Norte. Durante a ocupação europeia, de 1857 a 1861, serviu de quartel às forças aliadas. Foi construído em 1368, no reinado de T´ai-tsu.1.º Imperador da dinastia Ming. (1)

(7) “Os três rios”. Assim se designavam o Yang-tsz-kinag (rio Azul dos europeus) e dois afluentes deste, no antigo reino de Iang. Para o poeta que se encontrava no Kuang-Tung, simbolizavam o Norte, e onde ele procedia pois era natural de Chun-ch`uan, no Shan-hsi, a província mais setentrional do império. (1)

(8) A forma Kuang emprega-se mais para significar o Kuang-Tung e Kuang-hsi, ao passo que Iueh designa de ordinário os antigos principados (1)

(9) P´ang-lai-hsien-kuan – o mosteiro taoista de P´ang-lai – em Hoang-sha, a Oeste, de Cantão, do outro do rio. P´ang-lai – as sarcas revoltas – é uma das trê ilhas mitológicas, onduladas de colinas e umbrosas de bosques, habitadas pelos Imortais. (1)

16-11- 1915Aforamento de um terreno com a área de 4.000 m2 sito na Estrada dos Parses, a pedido de Francisco Xavier Anacleto da Silva. Ali mandou construir uma das mansões actualmente classificadas como património arquitectónico de Macau, Vila Alegre, hoje Colégio Leng-Nam”. (1) Idêntico pedido de aforamento de um terreno sito na colina de S. Januário em nome de Francisco Xavier Anacleto da Silva, consta no Processo n.º 42 do A. H. M. de 06-19-1916. (2)

Postal de c. 1920 – Vivendas no Monte da Guia (LOUREIRO, João – Postais Antigos Macau, 2.ª edição, 1997, p. 40)

A construção do palacete Vila Alegre, hoje escola “Leng Nam” bem como a Casa Branca ou casa Nolasco da Silva, sua vizinha, hoje Autoridade Monetária e Cambial, iniciaram se em 1917. Foram mansões residenciais respectivamente dos advogados macaenses Francisco Xavier Anacleto da Silva e Luiz Nolasco da Silva construídos mais propriamente na encosta da colina de S. Jerónimo., segundo um projecto do Eng. John Lamb, de Hong Kong. (1) (3)

A Vila Alegre só foi concluída em 1921, porque a mulher do proprietário, que tão entusiasticamente tinha escolhido as linhas arquitectónicas de uma casa que apreciou em Xangai- e que mandou fotografar – faleceu de parto e as obras foram suspensa. (1) Em 1937, a mansão senhorial de Francisco Xavier Anacleto da Silva – Vila Alegre – deu lugar à instalação da Escola Secundária Leng Nam/Ling Nam (posteriormente ampliada com um edifício anexo (1)

POSTAL de c. 1920 – Vista da Rada do Farol da Guia (Lei Kun Min; Lei Fat Iam – Macau em Bilhetes Postais do Séc. XIX e XX, p. 45.

Nota à foto anterior: o porto exterior ainda sem os aterros de 1923 com o sudeste da Colina da Guia (à direita) banhado pelo mar. Moradias: dt para esq. No sopé da Guia, a casa de Silva Mendes; a casa Nolasco da Silva e a seguir, Vila Alegre na encosta da colina de S. Jerónimo, em 1920 e no topo desta colina, o Hospital Militar São Januário (inaugurado em 1874)

Francisco Xavier Anacleto da Silva, (1883-1946) que teve como seu padrinho de baptismo, o Cónego Francisco Xavier Anacleto da Silva (1815-1888), estudou no Liceu de Macau e iniciou a sua vida na carreira de intérprete sinólogo. (4) Fez depois exame para advogado provisionário. (5) Foi Presidente do Leal Senado, (08-01-1921 – 14-06-1922; 02-04-1928 – 15-01-1930), (6) vogal do Conselho Legislativo, do Conselho Inspector da Instrução Pública e do Conselho da Administração das Obras do Porto. Comendador da Ordem de São Gregório Magno, da Santa Sé (7) e senador por Macau durante a 1.ª República. (8) Viúvo de Maria Bernardina dos Remédios, casou em Macau (2.ª núpcias) a 29-V-1920, com Leolinda Carolina Trigo (1891 – 1983), filha de Adriano Augusto Trigo, Director das Obras Públicas entre 1919 e 1925. (9)

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4 (1997) e Volume III, 3.ª edição, 2015,  pp. 33, 85, 96, 175, 256, 288)

(2)06-09-1916 – Processo n.º 42 – Série A – Pedido de Francisco Xavier Anacleto da Silva, do aforamento de um terreno sito na colina de S. Januário (Boletim do Arquivo Histórico de Macau, Tomo I (Janeiro/Junho de 1985), p. 167) – A.H.M.-F.A.C.P. n.º 37 – S-A

(3) Na 1.ª edição do Volume 4 da “Cronologia da História de Macau” (1997), p. 138, informação de que o projecto da mansão “Vila Alegre” poder ter sido do Engenheiro macaense José da Silva, mas essa informação não surge na edição reformulada e aumentada de 2015 (1)

(4) “18-01-1909 – Nomeação de Francisco Xavier Anacleto da Silva, intérprete-tradutor de 2.ª classe da Repartição do Expediente Sínico, para, durante o impedimento do respectivo titular, desempenhar o lugar de Professor da cadeira da língua Sínica do Liceu Nacional” (1)

(5) REGO, José Carvalho e – Notícias de Macau 7-04-1968 inTEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol. II, 1997, p. 437)

(6) “11-01-1916 – Nomeação do Presidente do Leal Senado da Câmara, Francisco Xavier Anacleto da Silva, para desempenhar as funções de Administrador do Concelho de Macau, durante o impedimento do proprietário Daniel da Silva Ferreira júnior” (A.H.M.-F.A.C.P. n.º 356 –S-N)-Arquivos de Macau, Boletim do Arquivo Histórico de Macau, Tomo I (Janeiro/Junho de 1985) , p.195.

(7) “28-10-1925 – Festa importante da entrega da Comenda da Ordem de S. Gregório Magno, concedida por S. S. o Papa Pio XI ao macaense Sr. Francisco Xavier Anacleto da Silva, Senador por Macau. (1)

(8) 1949 – Francisco Xavier Anacleto da Silva é o 1.º macaense a ter «assento em S. Bento». Esta a referência colhida em Macau na V Legislatura da Assembleia de Nacional, 1949-1953», Macau, U.N., 1953, pág 23, a propósito da eleição de António Maria da Silva, irmão do primeiro e que igualmente vem a ser eleito Senador da Republica (1)

(9) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol II, 1997, p. 434)

29-01-1915Processo n.º 338 -Série QProvidências adoptadas em virtude de queixas do arrematante das matérias fecais, contra assaltos e roubos às embarcações utilizadas neste serviço. (1)
A recolha de matérias fecais e urina dos domicílios era da exclusividade de uma «empresa» que em concurso público (?) ganhava essa actividade. Era recolhida nos domicílios ou nos locais indicados de recolha e transportados em “batelões” para algures (?) dos mares da China. O que me interrogo é porque eram assaltados estas embarcações?
Outras informações acerca deste negócio:
13-02-1912Processo n.º 156 – Série EDiversas resoluções do Conselho da Província sobre o exclusivo de recolher urina em Macau. Construção de vários mictórios públicos.” (1)
24-02-1912 – Processo n.º 159 – Série E – Proposta do Leal Senado da Câmara, não sancionada pelo Conselho de Província, para a prorrogação do contrato do exclusivo de matérias fecais. (1)
(1) Boletim do Arquivo Histórico de Macau; Tomo I/Janeiro/Junho de 1985.

Os serviços de incêndios de Macau foram, em tempos remotos prestados pelos seus próprios habitantes e com material adquirido por particulares.
Até ao ano de 1882, (1) não havia estações de bombeiros, mas apenas postos para a armazenagem do material sendo todo o pessoal constituído por empregados das lojas comerciais, fabricas e outros moradores.
Datam de 1883 os primeiros «Serviços de Incêndios», sob a administração da Fazenda Pública. (2)  Mais tarde, esses serviços passaram à administração da Direcção das Obras Públicas, cujo director desempenhava as funções de Inspector de Incêndios. (3)
Esses serviços, até 1914, (4) eram rudimentares e insuficientes para a cidade, cujo desenvolvimento populacional aumentava em ritmo acelerado.
No ano de 1914, (5) o sr. Henrique Nolasco da Silva pôs à disposição dos Serviços de Incêndios  a sua viatura automóvel, um das poucas existentes em Macau, que ao alarme de fogo, ou de outro sinistro, acorria sem perda de tempo, ao Quartel de S. Francisco, a fim de transportar o Inspector de Incêndios e os bombeiros auxiliares (militares).
Em face deste evidente atraso, o então major de Infantaria, João Carlos Craveiro Lopes, (6) já pela generosidade que era seu timbre, já pelo que em Portugal fizera (2.º comandante dos Bombeiros Municipais de Lisboa) e pelo que vira no estrangeiro, resolveu dotar esta Cidade de Nome de Deus com um serviço de incêndios, a que tinha indiscutível direito, pelo que seu crescente desenvolvimento comercial e industrial, pela expansão das suas artérias e pela sua categoria de grande centro do Sul da China.
E assim se criou, em 30 de Outubro do ano de 1915, a «Inspecção de Incêndios», tendo por seu 1.º Inspector Comandante o detentor da medalha «Torre e Espada», ganha honrosamente ao célebre incêndio da «Madalena», o major João Carlos Craveiro Lopes. (7)
A técnica a empregar na extinção de fogos, posta em vigor em 1915, foi ensinada por este Grande Bombeiro, saudoso pai do actual Presidente da República Portuguesa.
Igualmente a Corporação lhe deve o ter sido apetrechado com material e ferramentas apropriados para os serviços de prevenção e ataque, além das melhores bombas a vapor, conduzidas por tracção animal.
Foi em 1917 adaptada a 1.ª viatura automóvel em «Pronto-Socorro», cedida pelos «Serviços dos Correios de Macau» à «Inspecção de Incêndios».
Em 1919, passou a «Inspecção de Incêndios» a designar-se «Corpo de Bombeiros» a cargo da Câmara, para efeitos de administração. (8)
Em 1922, a Corporação começou a ser equipada com apropriadas viaturas motorizadas das mais completas, da Casa Merryweather. (9)
Em 1923, a Corporação passou a denominar-se «Corpo de Salvação Pública, voltando à administração directa do Governo da Província subordinado à Secretaria Geral do Governo. (10)
Em 1936, coube à Repartição Técnica de Obras Públicas a administração do mesmo. (11)
Nos termos do § 1.º do art. 12.º do Decreto n.º 31:714 do Ministério das Colónias, conjugado com o art. 47.º do D. L. n.º 908, do Governo da Província de Macau, o Corpo de Salvação Pública com o seu pessoal e material transitou para o Leal Senado, a partir de 1 de Janeiro de 1946. (12)
A Corporação, passou então a denominar-se «Corpo de Bombeiros Municipais», de acordo com a Organização dos Serviços do Leal Senado da Câmara de Macau.

obras-e-melhoramentos-1947-1950-pronto-socorro-cbmO novo pronto-socorro do Corpo de Bombeiros Municipais. em 1955

O edifício situado na Estrada Coelho do Amaral serve de «Quartel dos Bombeiros» e tinha 14 divisões: parque para viaturas, casernas, central telefónica, comando, secretaria, arquivo, porto médico, arrecadação, casa-escola, cantina, sala recreativa, sala de aulas, barbearia e campo desportivo.
Em 1951, foi instalado um «Posto de Incêndios» para a protecção do Bairro e moradores das Casas de Madeira da Ilha Verde.
Em 1955, a corporação era constituída por 75 elementos incluindo o Comandante, Manuel Dimas Pina e seu ajudante, Napoleão da Guia de Assis. Tinha ao seu serviço o seguinte efectivo de viaturas:
1) 2 Pronto-Socorros (Ford V-8)
2) 1 Pronto -Socorro (Ford)
3) 1 Auto-Bomba (Dennis)
4) 1 Ambulância (Ford V-8)
5) 1 Ambulância (Austin)
6) 1 Camioneta (Ford)
7) 1 Carro-de-Comando (Willy´s Overland)
8) 2 Moto-Bombas (Merryweather)
9) 1 Moto-Bomba (Pfalaz)

obras-e-melhoramentos-1947-1950-ambulancia-cbmA nova ambulância do Corpo de Bombeiros Municipais, em 1955

(1) “18-03-1867 – Foram aprovadas, provisoriamente, por portaria régia, algumas providências do governo de Macau sobre o serviço de incêndios.” (13)
(2) “25-09-1875 – Nomeado pela Portaria n.º 79 o Major de Engenharia do exercito de Portugal, Augusto César Supico, para o cargo de Inspector de Incêndios. Exonerado em 20-01-1879“. (14)
(3) “20-01-1879 – Exonerado o Major Eng.º Augusto Cesar Supico do cargo de Inspector dos incêndios e nomeado o Major Raymundo José de Quintanilha , Director das Obras Públicas , para exercer o mesmo cargo“. (14)
(4) “28-04-1912 – Nomeação de Simeal José Gregório Madeira, sota da Inspecção dos Incêndios de Macau”. (15)
(5) “1914 – Henrique Nolasco da Silva pôs à disposição dos Serviços de Incêndio o seu automóvel, um dos primeiros que existiram em Macau a fim de acorrer com mais presteza aos sinistros. O pessoal de incêndios, na maioria militares, estava aquartelado em S. Francisco”.(15)
(6) “09-10-1915 – Louvado o Major de Infantaria João Carlos Craveiro Lopes, comandante do Corpo da Polícia (mais tarde General e Governador do Estado da Índia e pai do Marechal Craveiro Lopes, Presidente da República) por se ter oferecido para ministrar instrução de bombeiros a um núcleo de praças do Corpo de Bombeiros Voluntários que satisfaça às exigências da cidade de Macau.(15)
(7) “1-11-1915 – Nomeado para interina e cumulativamente exercer o cargo de Inspector de Incêndios o Major de Infantaria João Carlos Craveiro Lopes (P.P. n.º 253). Exonerado a 13-03-1916″ (15)
(8) “26-04-1919 – A Inspecção de Incêndios de Macau é extinta e criado em sua substituição o «Corpo de Bombeiros». Nesta data pela Portaria n. 80, B. O. n.º 17 é aprovada a organização do Corpo de Bombeiros de Macau, extinguindo a Inspecção de Incêndios . A  2-09-1919, este passa para o Leal Senado”.(15)
(9) “1922 – O Corpo de Bombeiros de Macau recebe equipamento e viaturas modernos. (15)
(10) “01-09-1923 – O corpo de Bombeiros volta para o Governo da Província e passa a denominar-se Corpo de Salvação Pública. (15)
(11)  “7-03-1936  – O Corpo de Salvação Pública de Macau – os «Soldados da Paz», até aí vinculado à Secretaria Geral do Governo, passa a estar ligado às Obras Públicas (15).
(12)  “01-01-1945 – O Corpo de Salvação Pública transita para o Leal Senado, passando a Corpo de Bombeiros Municipais”. (15)
(13) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(14) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau , Vol. 3, 1995
(15) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau,  Vol. 4, 1997

Retirado do artigo “Corpo de Bombeiros Municipais de Macau“, publicado no «Anuário de Macau, 1953-55»,

Depois de uma certa inactividade no campo cultural (1) desde o início do século XX por vários motivos entre eles, a diminuição constante do número de sócios por causa da má situação financeira e da tragédia em 1914 (suicídio de João Canavarro, presidente da direcção dos Proprietários do Teatro D. Pedro V, por desfalque), o «Club de Macau», (2) arrendatário do Teatro D. Pedro V, retomou as actividades culturais nomeadamente as representações teatrais, operetas e óperas, muitas vezes aproveitando a passagem de Companhias estrangeiras por Hong Kong e China.
Assim neste dia de 19 de Junho de 1921, a companhia de Ópera Ligeira e Opereta de Daroff e Shtern iniciou a sua temporada em Macau, com «A Viúva Alegre» de Lehar. Os melhores artistas desta Companhia eram os sopranos Glória Charskaia e Rootkowskaia, o tenor Crugloff e os barítonos Daroff e Elin. Tão boa era esta Companhia que, além da «Viúva Alegre», teve de apresentar ainda, nas noites seguintes, no Teatro D. Pedro V, as seguintes operetas: «Os Mistérios de um Harém» de Valentinoff, «Amor de Cigana» de Lehar, «O Conde de Luxemburgo», também de Lehar, «O Rei dos Violinistas » de Kalmann, «Sílvia» de Delibes» «A Princesa dos Dólares» de Leo Fall, o «Pot-Pourri» de Sidney Jones «O Rei Diverte-se», «A Vestal do Deus do Fogo» e «Hadji- Murat». (3) (4)

D. Pedro V - Salão década de 70 (XX)Salão do Teatro D. Pedro V, na década de 70 (Século XX) (5)

(1) Excepto num período muito curto em 1915 em que se passava filmes mesmo sem equipamento adequado, fruto dum contrato entre o Clube de Macau e uma empresa cinematográfica. O «Club de Macau», no dia 05-05-1914, subarrendou o Teatro  à Empresa Cinematográfica representada por Chan Ham Che e Júlio Eugénio da Silva, por um ano, pela quantia de $ 200,00 mensais. Era presidente do «Club de Macau»,  Fernando de Meneses. Este contrato foi desastroso, pois as bancadas ficaram danificadas e o Teatro sujo, vendo-se o clube obrigado a rescindir o contrato antes de findar o prazo (5). Ver anterior referência em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/15/anuncio-de-1922-animato-grafo-macau/
(2) Após a aprovação dos Estatutos da Sociedade Teatro D. Pedro V, em 1887, fundou-se o «Club União»  que arrendou à sociedade o edifício do Teatro para o fim de aí estabelecer o clube do mesmo nome, obrigando-se a dita sociedade a pagar a esta associação 15% dos rendimentos brutos do clube e do Teatro». Em 17 de Dezembro de 1896, o presidente dos proprietários, General Garcia, reuniu-se com Pedro Nolasco da Silva, presidente da Comissão directora do «Club União», e acordaram ambos no contrato de arrendamento do edifício do Teatro ao clube pelo tempo de 10 anos, a contar de 1-1-1897. Porém em 1903, o oficial de marinha, tenente Marta, membro do «Club União», trouxe a desunião e a morte ao seu clube, pois portou-se incorrectamente com a sra. Saturnina Canavarro num baile do clube e foi tal a celeuma que se levantou que o clube teve de fechar. Assim surgiu o «Club de Macau» cujo presidente Henrique Hyndman pediu o arrendamento, nas mesma condições (período de 10 anos) com pequenas modificações cujo contrato foi assinado a 23 de Junho de 1903. Contrato que foi renovado a 5 de Maio de 1913. Esse arrendamento foi prolongado por dez anos em 23-06-1903 e em 05-05-23 renovado nas mesmas condições que o contrato anterior (5)
(3) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História  de Macau, 1954
(4) Não consegui qualquer referência dos artistas referidos, excepto uma pequena nota do barítono (segundo a crítica, excelente) russo Vladimir A. Elin (1888-1958), estudante de música em S. Petersburgo, que numa digressão ao Oriente, depois das Filipinas foi para Austrália em 1927 onde se radicou por vários anos. Depois seguiu para Inglaterra (1932) e por fim emigrou para os EUA (1938) onde além de actuar foi professor de voz.
Um anúncio publicado num jornal australiano “The Register Adelaide, July 24, 1928 ” dum programa radiofónico com este barítono.

MÚSICA- Anúncio Vladimir Elin barítonohttp://trove.nla.gov.au/newspaper/article/57054882

(5) TEIXEIRA, Pe. Manuel – O Teatro D. Pedro V, 1971
Anteriores referências:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/teatro-d-pedro-v/

ANÚNCIO de 1922 ANIMATÓGRAFO MACAUUm dos primeiros anúncios do “ANIMATÓGRAFO MACAU”  que começou em 1922.
O mais confortável salão cinematografico“, na Rua do Hospital (1) e pertencia ao empresário Filipe Hung
A 1.ª classe custava 20 avos (1.ª sessão) e 30 avos (2.ª sessão)
A 2.ª classe custava 10 avos (1.ª sessão e 2.ª sessão )
Para os “Praças sem graduação e crianças“: 20 avos só para a 2.ª sessão
Não sei em que mês foi a inauguração do “Animatógrafo Macau” mas há referência que em Maio desse ano, exibiu-se aí uma fita sobre Macau, destinada à Exposição do Rio de Janeiro. Apesar de algumas passagens escuras, era muito interessante e foi inteiramente feita por um amador, Sr. Antunes Amor (2).
Embora desde 1915  se passavam filmes no Teatro «D. Pedro V» (não regularmente) (3) e nos teatros então existentes em 1922 – o “Cheng Peng” construído em  1875, mas somente a partir de 1915 foi-lhe passada licença para exibições cinematográficas,  o “Teatro Vitória”  desde 1910 na Rua da Cadeia ( hoje Rua Dr. Soares)  (4) e o chamado “Cinematógrafo Chip Seng” (5) no Largo da Caldeira em 1912 (uma barraca onde se exibia fitas cinematográficas ), o primeiro cinema de Macau instalado para esse fim terá sido o “Teatro Yo Duo“, em 1921.(6)
(1) Em 22-04-1942 a Rua do Hospital passou a designar-se por Rua de Pedro Nolasco da Silva
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-pedro-nolasco-da-silvarua-do-hospital
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4,, 1997)
Ver também em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/04/19/leitura-macau-a-cidade-mais-pitoresca-do-nosso-dominio-ultramari-no-i/
(3) “Esta empresa cinematográfica, instalada no edifício do Teatro Dom Pedro V desta cidade, tem, sem exagero, procurado meios para agradar ao público, com ricos dramas e variadíssimas fitas cómicas, belas ventoinhas e toda a espécie de acomodações; ultimamente, contratou um trio que diariamente executará variado e escolhido reportório”. Do programa deste cinema, constavam matinés especialmente dirigidas às crianças, todas as quintas-feiras e aos domingos, das 16h00 às 18h00, com filmes apropriados. Os preços variavam entre os dez e os 40 avos, dependendo se fosse um bilhete para a galeria e plateia, para a plateia 1.ª classe ou plateia 2.ª classe. Crianças e soldados pagavam apenas metade do preço de um bilhete normal”. (Jornal «O Progresso» de 13 de Setembro de 1914)
http://www.revistamacau.com/2015/02/09/os-loucos-anos-do-cinema/
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2011/12/28/cinemas-de-macau-i/
(5) O escritor Senna Fernandes além de mencionar o “Cinematógrafo Chip Seng” nomeia outro com o nome de “Olympia”, na Rua do Hospital. Será o mesmo “Animatógrafo Macau” ?
 “o mais remoto cinematógrafo da altura era o Chip Seng, na Rua da Caldeira, com bilhetes cujos preços variavam entre os oito e os 35 avos (de pataca), dependendo do assento. Havia também o Tin Lin, no Largo de Hong Kong Mio, com preços entre os dez e os 50 avos. Entre os outros, contava-se também o Olympia, na Rua do Hospital (hoje, Rua Pedro Nolasco da Silva). Seja como for, eram apenas “sórdidos barracões, nada convidativos para os tai-pans (indivíduos ilustres) e os elegantes da época”.
http://www.revistamacau.com/2015/02/09/os-loucos-anos-do-cinema/
(6) “1921Neste ano foi instalado o primeiro cinema de Macau no Teatro «YO DUO». Estava-se no tempo do cinema mudo. Ao lado da pantalha sentava-se um indivíduo que, inspirado nos gestos dos actores principais, narrava vivamente uma história. Os lugares em frente da pantalha eram caros mas por detrás, onde as imagens apareciam do avesso, eram bastante acessíveis. Deve dizer-se que mesmo sem equipamento adequado, já se passavam filmes desde 1915 no Teatro «D. Pedro V» do Clube de Macau.”  (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997).

No dia 7 de Fevereiro de 1915, o jornal «O Progresso», publica o seguinte convite: «O Governador da Província de Macau e D. Berta de Castro e Maia têm a honra de convidar as pessoas das suas relações a visitar hoje, pelas 16 horas, no Palácio do Governo, a exposição de preciosidades chinesas da colecção do Exmo. Se. Dr. Camilo de Almeida Pessanha». Camilo proferiu então uma conferência sobre «Estética Chinesa». (1) É Camilo Pessanha quem organiza pessoalmente a exposição, escolhendo cento e vinte e cinco peças, cem delas classificadas no respectivo catálogo. (2)

POSTAIS CAMILO PESSANHA - 6SET1915Camilo Pessanha com o afilhada Ângela Gracias, em Macau,
no dia 6 de Setembro de 1915, véspera da sua última partida para Portugal (3)

Esta colecção seleccionada é oferecida ao Estado Português, seguindo-se uma outra, de sessenta peças doada por documento de 1926, ano da sua morte, ao Museu Machado de Castro , de Coimbra, terra natal do Poeta. Ambas as doações se encontram hoje nesse Museu, depois de várias vicissitudes e com seis peças em falta (4)

POSTAIS CAMILO PESSANHA - MARÇO 1916Camilo Pessanha com António Osório de Castro, em Lisboa, em Março de 1916
pouco antes de regressar definitivamente a Macau. (3)

(1) Camilo Pessanha já em 28 de Maio de 1910 proferira uma conferência sobre estética chinesa, no Grémio Militar de Macau, a qual se prolongara por duas horas.
O relato desta conferência “Estética Chinesa“, elaborada pelo próprio autor, foi publicado no jornal “A Verdade”, de Macau, nº 85, em 2 de Junho de 1910. Poderá Lê-lo em: https://sites.google.com/site/pesscam/sinologo/estetica-chinesa
(2) “A sua colecção de arte chinesa é exposta no Palácio do Governo no dia 7 de Fevereiro de 1915. Constituída por cem peças, incluía exemplares de pintura e caligrafia, bordados, brocados, indumentária, joalharia, cloisonné, champlevé, bronze com incrustações, escultura em madeira e marfim, unicórnio, pedras duras e vidro, embutidos em madeira, charão e cerâmica. O poeta ofereceu-a então ao Estado português.” http://purl.pt/14369/1/cronologia1909.html
(3) Postais da Colecção «CAMILO PESSANHA no 70º aniversário da publicação do “CLEPSIDRA”». Edição do Instituto Português do Oriente, Macau, 1990.
Postais desta colecção em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/23/leitura-macau-e-a-gruta-de-camoes-xxv-por-camilo-pessanha/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/03/01/noticia-de-1-de-marco-de-1926-falecimento-de-camilo-pessanha-postal-poesia-camilo-pessanha-ii/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/02/06/poesia-postal-de-camilo-pessanha-i/
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.

Foi em 2 de Setembro de 1913, designada pelo nome de «Avenida Almeida Ribeiro» (1) a nova Avenida do Bazar (2). De facto, a Avenida foi feita e aberta por partes. O último troço, a ligação da já designada Av.  Almeida Ribeiro à Praia Grande, só teve o projecto aprovado em 16-10-1918, pelo Conselho Técnico das Obras Públicas,  pelo que só posteriormente é que foi construída e concluída, em 1919 (?) (3) (4)

POSTAL 1986 Av. Almeida RibeiroPOSTAL –  AVENIDA ALMEIDA RIBEIRO – 1986
Copyright Dept. of Tourism (D. S. T.) MACAU – 5000 – 86 – 12
Impresso na Gráfica de Macau Lda.

NOTA: Já em 1905 J. Dyer Ball (“Macao: the Holy City,  the Gem of the Orient Earth”) (5)  referia ao projecto da construção desta “avenida”
Of late years Macao after a period of stagnation has been much improved by new roads laid out over the Campo and about the hills. A grand new avenue to cost $ 300,000 and to lead in direct line from the Inner Harbour opposite the Steamboat Company’s wharf to the Praya Grande, was mooted some years since; but the money has been spent on other improvements.

POSTAL 1986 Av. Almeida Ribeiro by nightPOSTAL –  AVENIDA ALMEIDA RIBEIRO BY NIGHT- 1986
Copyright Dept. of Tourism (D. S. T.) MACAU – 5000 – 86 – 12
Impresso na Gráfica de Macau Lda.

(1) “Porque tem esse nome? Pura e simplesmente porque esse homem (Artur Rodrigues de Almeida Ribeiro), quando ministro das colónias (1913-1914) sancionou a verba para a expropriação  das casas para a abertura da avenida. Apenas isto: uma penada autorizando uma verba  (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol. II, 1997).
(2) Arquivo Histórico de MacauF. A. C. P. n.º 329 – S-N.
O Padre Teixeira dá a inauguração em 1915 na parte a poente do Largo do Senado. Nesse mesmo ano, a 7 de Abril de 1915, já havia um projecto de iluminação eléctrica para a Avenida.
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4, 1997.
(4) “1918 – Mais um troço da Avenida de Almeida Ribeiro rasgado. Para tanto, foi demolido um pavilhão que existia em frente ao Leal Senado e a casa do rico comerciante Lin Lian, então situada no cruzamento da Av. de Almeida Ribeiro com a Rua da Praia Grande. (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.)
23-01-1919 – Aprovado por P.P.18, desta data, o projecto de expropriação para conclusão da Av. Almeida Ribeiro e a sua ligação com a Praia Grande (77 360 patacas; P.P. 82). Expropriação de vários prédios do Largo de Senado, Travessa do Roquete, Rua da Sé e Pátio da Sé, zona sensível, cenário dos primeiros tempos de Macau” (Arquivo Histórico de Macau F. A. C. P. n.º 172 – S-E).
(5) http://www.archive.org/stream/macaoholycitygem00ballrich/macaoholycitygem00ballrich_djvu.txt
Referências anteriores desta Avenida:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/avenida-almeida-ribeiro/

Pedido do Conservador do Registo Predial, Bacharel Camilo d´Almeida Pessanha, no dia 13 de Agosto de 1915, para que seu filho, João Manuel d´Almeida Pessanha, fosse admitido a exame de admissão à terceira classe do Liceu Nacional desta Província.” (1)
João Manuel d´Almeida Pessanha é filho de Camilo Pessanha e da sua companheira, Lei Ngoi Long (2) e  nasceu a 21 de Novembro de 1896.
A 13 de Dezembro de 1897, João Manuel de Almeida Pessanha é baptizado como filho de pais incógnitos, na igreja paroquial de Santo António. Foi seu padrinho Alfredo Augusto Ferreira de Almeida, funcionário público, natural de Lamego, e «madrinha, por devoção, Nossa Senhora da Conceição». (3)
A 24 de Agosto de 1900,  João Manuel de Almeida Pessanha é perfilhado, de acordo com escritura notarial feita na residência de Camilo Pessanha, no Largo de Santo Agostinho, n.º 1, em Macau. Foram testemunhas os seus colegas do Liceu, João Pereira Vasco e Mateus António de Lima. (4) No respectivo registo, afirma-se que «a criança está a ser criada em casa do china Kuoc-va-vai, casado, que vive nesta cidade dos seus rendimentos». (3)
A 17 de Janeiro de 1929, João Manuel de Almeida Pessanha requer o pagamento dos vencimentos de seu pai. (4)
João Manuel de Almeida Pessanha faleceu a 30 de Julho de 1941 de tuberculose pulmonar.  Teve de Francisca Xavier de Sousa do Espírito Santo Rosário (Aquita) uma filha, chamada Maria Rosa dos Remédios do Espírito Santo, (Manhão)  nascida em 1915 (ainda em vida do poeta, portanto) (5) e um filho “Nasce Camilo João de Almeida Pessanha, neto do poeta, no n.º 75 da Rua da Praia Grande. Era filho de João Manuel de Almeida Pessanha, «oficial da marinha mercante, e de mãe gentia», segundo a sua certidão de nascimento” (4)

Camilo Pessanha Campa S. Miguel IFoto tirada em 1988

Camilo Pessanha Campa S. Miguel IIA campa do poeta e da sua companheira (depois também aí enterrado o filho, João Manuel) foi construída a mando de João Manuel de Almeida Pessanha. A laje tumular tem gravada “as armas” da família “Pessanhas”  de que Camilo Pessanha, pelo lado paterno, pertencia. (6)

Camilo Pessanha Campa S. Miguel III

Que razões terão influído na escolha de João Manuel? Para responder, talvez seja necessário voltar um pouco atrás, até ao enquadramento familiar do sepultado…(…)
A relação existente entre pai e filho estava longe de ser boa. Alguns biógrafos dão a entender que Camilo não confiava no comportamento da mãe de João Manuel e que nutria sérias dúvidas acerca da paternidade deste…(…)
A presença das armas na campa de Camilo Pessanha, mantém-se contudo uma questão subjacente: qual terá sido a relação do poeta com a heráldica? João Manuel recorreu para a figuração destas armas. A resposta é fácil: as armas da campa são diretamente copiadas da capa ou folha de rosto da Noticia Historica dos Almirantes Pessanhas e Sua Descendencia Dada no Anno de 1900, da autoria de José Benedito de Almeida Pessanha, primo coirmão de Camilo… ” (7)
(1) Arquivo histórico de Macau – F. A. C. P. n.º 141 – S- E in SILVA,  Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4,1997.
(2) Segundo Danilo Barreiros, em 1895, Camilo Pessanha  compra uma concubina a um corrector, de quem vem a ter, um ano mais tarde, o filho João Manuel. http://purl.pt/14369/1/cronologia1894.html
(3) http://purl.pt/14369/1/cronologia1894.html
(4) O poeta Camilo Pessanha apresentou-se, em Agosto de 1893,  ao concurso para provimento dos cargos de docentes no recém-criado Liceu de Macau. Aprovado na Metrópole, juntamente com Horácio Poiares, Mateus de Lima e João Pereira Vasco.
Camilo Pessanha, morre em Macau, a 1 de Março de 1926, após prolongado sofrimento, na sua residência na Rua da Praia Grande n.º 75, às oito horas da manhã, vítima de tuberculose pulmonar. (SILVA,  Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4,1997.)
(5) http://www.geni.com/people/Jo%C3%A3o-Manuel-de-Almeida-Pessanha/6000000002371365132
(6) Camilo de Almeida Pessanha nasceu como filho ilegítimo de Francisco António de Almeida Pessanha, um estudante de direito de aristocracia, e Maria Espírito Santo Duarte Nunes Pereira, sua empregada, em 7 de Setembro de 1867, às 11.00 horas, na Sé Nova de Coimbra. O casal teria mais quatro filhos.
(7) SEIXAS, Miguel Metelo de – Intersecções Analógicas: Poesia e Heráldica em Camilo Pessanha
http://www.insightinteligencia.com.br/65/PDFs/pdf10.pdf