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Extraído de «BGU», XLV 525 Março de 1969, p. 129/130

“Na parede do Gabinete do Conservador foi a 29 de Março de 1969 inaugurada uma placa de metal amarelo, encimada com o scudo nacional, a cores , com os seguintes dizeres em português e em inglês:

A placa é de cobre, encaixilhada em teca, sendo obra de Eurico Francisco do Rosário.

José Maria da Ponte e Horta, Governador de Macau (1866-1868) determinou pela Portaria n.º 14 de 26-06-1868 que o serviço de registo predial se iniciasse a partir de 1 de Julho de 1868. A Conservatória do Registo Predial ficou instalada no edifício do Tribunal, assistindo à inauguração o Governador Ponte e Horta, o Juiz João Maria Ferreira Pinto e o presidente do Senado. Foi só a 1 de Janeiro de 1869 que se fez o 1.º registo do prédio n.º 28 da Rua dos Mercadores; em todo esse ano registaram-se apenas 5 prédios e no dia seguinte 50.

O Dr. Diamantino de Oliveira Ferreira foi nomeado em Maio de 1964.

NOTA: Um dos conservadores foi o Dr. Camilo de Almeida Pessanha, professor do liceu, nomeado Conservador a 16-02-1899. Como a lei não permitia acumulação de cargos, foi chamado ao Ministro a Lisboa, onde se apresentou a 5-10-1899; regressando a Macau, deixou o professorado, tomando posse do cargo a 23-06-1900. A 16-04-1904 foi nomeado juiz, passando a Conservadoria ao delegado do procurador da Coroa e Fazenda, Dr. Luís Gonçalves Forte (17-05-1904 – ?) . Em 1905, Pessanha caiu doente e a 13 de Agosto regressou a Portugal; chegou de novo a Macau a 18-02-1909; e agora vai acumular os cargos de Conservador e de Professor, sendo nomeado a 13-03-1909, professor de Economia Política e Direito Comercial no Instituto Comercial, anexo ao Liceu. Em Agosto de 1915 foi exonerado do cargo de Conservador, que servira durante 6 anos de 179 dias; apesar disso, ainda continuou no ofício até 12 de Maio de 1919, em que pediu exoneração, continuando no cargo de juiz. (TEIXEIRA, P. Manuel – A Voz das Pedras de Macau. 1980, pp.127-128).

No dia 19 de Dezembro de 1909, realizou-se uma récita de caridade realizada no Teatro D. Pedro V, pelo «Grupo de Amadores», (1) sob a direcção de Constâncio José da Silva, em que se representaram 4 comédias. A Comissão do Grupo, compunha-se do coronel Fernando José Rodrigues, presidente (2); major Joaquim Augusto dos Santos, secretário (3); António A. Pacheco, tesoureiro; Aníbal C. Henriques, Conde de Sena Fernandes, (2) C. J. da Silva, Ernesto Álvares, Francisco Xavier Brandão, Gerardo J da Rocha, Henrique Manuel Vizeu Pinheiro (4), Dr. José Maria de Carvalho e Rego (director cénico dessa Academia) (5) e Cap. João de Sousa Carneiro Canavarro.

(1) Teve vários nomes: «Grupo de Amadores» no início, «Grupo de Amadores de Teatro e Música» em 1924, «Academia de Amadores de Teatro e Música» em 1934. (6) As suas récitas, concertos e saraus foram, com raras excepções, dados no Teatro D. Pedro V. Com o rebentar da guerra na Europa em 1939 e no Pacífico em 1941, a Academia entrou em agonia e extinguiu-se placidamente de morte natural. O último presidente foi o brigadeiro Temudo de Vera, gerente da Filial do Banco Nacional Ultramarino em Macau. (TEIXEIRA, P. Manuel – O Teatro D. Pedro V, pp. 33-34).

(2) Fernando José Rodrigues (Funchal 1863- Macau 1926). Assentou praça voluntária no Regimento de Infantaria nº 2, a 26 de Setembro de 1882; promovido a alferes para a guarnição de Macau e Timor a 12 de Maio de 1887; serviu em Timor de 1887 a 1890; transferido para a Guarda Policial de Macau em 1890; capitão em 1893, sendo novamente colocado em Timor; regressou a Macau em 1894; promovido a major em 1902; chefe do Estado Maior de Timor em 1903; chefe do Estado Maior de Macau em 1905; comandante do Corpo de Polícia de Macau em 1907; promovido a coronel em 1909 e passou à reserva em 1911 no posto de general de Brigada. Foi membro do Conselho do Governo de Macau, já reformado por vários anos provedor da Santa Casa da Misericórdia e presidente do Grémio Militar. Possuía várias condecorações. Casou em Macau a 16-06-1894, com Alina Clariza de Sena Fernandes (1868-1941), filha de Bernardino de Sena Fernandes e de Ana Teresa Vieira Ribeiro, condes de Sena Fernandes. Em sua homenagem o Leal Senado decidiu atribuir o nome “Rua do General Rodrigues” (7) a uma das artérias de Macau. (8) Ver:  https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bernardino-de-senna-fernandes/

(3) Joaquim Augusto Tomé dos Santos 1867 – 1954, militar e administrador colonial português. Filho de Joaquim Tomé dos Santos, Cirurgião Ajudante do Regimento de Caçadores N.º 9, e de Angélica Monteiro, e neto paterno de Manuel Tomé dos Santos e de sua mulher Maria Joaquina de Jesus. Alferes da Guarda Policial de Macau na altura do seu primeiro casamento, em 2 de Outubro de 1890, e Alferes do Quadro Oriental do Ultramar na altura do seu segundo casamento, em 16 de Fevereiro de 1895, progrediu na carreira militar e passou à reforma no posto de Coronel. Foi Governador Interino de Macau por duas vezes (17 de Julho de 1919 a 23 de Agosto de 1919 e 16 de Julho de 1924 a 18 de Outubro de 1925) e era Comandante Militar de Macau quando se deram os graves distúrbios de 1922. (8) https://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Augusto_Tom%C3%A9_dos_Santos

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/henrique-manuel-vizeu-pinheiro/

(5) José Maria Ernesto de Carvalho e Rego, (Porto 1860 – Macau 1917) – Bacharel em Direito, magistrado judicial em Quelimane, Beira, Timor e Macau. Em 1908 radicou-se defensivamente em Macau como procurador administrativo dos negócios sínicos e advogado. Foi também jornalista, redactor do jornal «A Verdade». Casado com Joana Alexandrina Palmeira de Carvalho e Rego (1860 – Macau, 1934). Pai de José da Conceição Ernesto de Carvalho e Rego (1890-1977) (um dos fundadores do Grupo de Amadores de Teatro e Música, em 1924), Fernando Ernesto Palmeira de Carvalho e Rego (1894-1957) e Francisco Ernesto Palmeira de Carvalho e Rego (1898-1960)

 (6) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/09/01/noticia-de-1-de-setembro-de-1934-academia-dos-amadores-de-teatro-e-musica/

(7) Rua do General Rodrigues – começa na Rua de Afonso de Albuquerque, entre o prédio n.º 16 e a Esquadra Policial n.º 3, e termina na Rua do Bispo Medeiros, ao lado do prédio. N.º 25.

(8) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume III, Fundação Oriente, Macau, 1996, p. 255. TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Tomo II, 1997, pp. 414-415.

Retrato oficial (póstumo) do Presidente Sidónio Pais (1937), por Henrique Medina. Museu da Presidência da República.

O Presidente da República Portuguesa, Dr. Sidónio Pais, 3.º Presidente eleito (primeiro e único eleito por sufrágio directo na 1.ª República) (Presidente – Rei como lhe chamou Fernando Pessoa), foi assassinado em Lisboa, vítima de um atentado, na Estação do Rossio, em 14 de Dezembro de 1918. (1)

Já em 5 de Dezembro, Sidónio Pais sofrera um primeiro atentado, durante a cerimónia da condecoração dos sobreviventes do Augusto de Castilho, do qual conseguiu escapar ileso. Não conseguiu escapar ao segundo, levado a cabo com dois tiros de pistola pelo ex-sargento José Júlio da Costa, (1893-1946) (republicano radica) na Estação do Rossio, acabando por falecer no Hospital de São José (Lisboa) (2)

Bilhete-Postal de 1919, (de autor desconhecido) retratando o assassinato do Presidente Sidónio Pais na Estação Ferroviária de Lisboa-Rossio, no dia 14 de Dezembro de 1918.

No Boletim Oficial (suplemento ao n.º 50), (n.º 11), de 15 de Dezembro, publicava-se ainda o telegrama enviado de Lisboa de 14-XII-1918 ao Governador de Macau, informando-o do malogro da primeira tentativa de assassinato “ … não teve consequências, assassino disparou de entre o povo que aclamava tendo falhado cartuxo…”

O conhecimento da morte foi publicado no 2.º suplemento ao N.º 50 do Boletim Oficial (N.º 12), de 18 de Dezembro. Telegrama de Lisboa do Ministro das Colónias, de 16-12-1918: “Sidónio Pais agredido tiros revolver estação Rocio ao embarcar para Porto falecendo momentos depois. …”

Um terceiro suplemento ao N.º 50 do Boletim Oficial (n.º 13) foi publicado no dia 19 de Dezembro, o Ministro das Colónias comunicava ao Governador Artur Tamagnini Barbosa, com a data de 17 de Dezembro da eleição por unanimidade de João de Canto e Castro da Silva Antunes (1862-1934) para Presidente (de 16 de Dezembro de 1918 a 5 de Outubro de 1919)

O Governador Artur Tamagnini Barbosa em 8 de Janeiro de 1919, tomou a resolução para que a Estrada da Flora passasse a denominar-se Avenida Sidónio Pais embora em chinês continuasse a ser conhecida pela fonte que aí se encontrava: “I Long Hao” (3)

(1) Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais (1872-1918), militar, professor universitário (formado em matemática) e político foi empossado Presidente da República a 9 de Maio de 1918, mas já liderava o Governo desde 12 de Dezembro de 1917 (por ausência de um presidente da República) após a “vitória” das forças revolucionarias” por si comandadas, a 8 de Dezembro de 1917.  Em 1966, os seus restos mortais foram trasladados solenemente para o Panteão Nacional, na Igreja de Santa Engrácia, em Lisboa, aquando da sua inauguração. A cerimónia ocorreu no dia 5 de dezembro e homenageou igualmente com estas honras outros ilustres portugueses. Antes disso, o seu corpo encontrava-se na Sala do Capítulo do Mosteiro dos Jerónimos.

Ver anterior referência em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/12/14/noticia-de-14-de-dezembro-de-1918-morte-de-sidonio-pais/

(2) Segundo algumas versões, as duas balas foram disparadas de duas direcções. O primeiro projéctil alojou-se junto do braço direito do Presidente, e o segundo, fatalmente, no ventre, fazendo com que a vítima caísse de imediato por terra. José Júlio da Costa faleceu em 1946, com 52 anos de idade, internado no Hospital Miguel Bombarda, depois de 28 anos de prisão sem direito a julgamento.

(3) “8-01-1919 – Resolução tomada pelo Governador para que a Estrada da Flora passe a denominar-se Avenida de Sidónio Pais. “ (A.H. M. – F.A.C., P. n.º 578 – S-R) .

Ver anterior referência em:https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/estrada-da-flora/

Continuação da reportagem já postada no ano passado – 2019 (1) de Adam M´Cay publicada no jornal “The Sun”.

«The Sun, Vol. VI, Issue 1774, 21 October 1919», p. 6.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/10/21/noticia-de-21-de-outubro-de-1919-imperial-portugal-colony-of-macao-i/

Porta-Moedas oferecida pela ourivesaria «Tin Seng», situada na Rua das Estalagens n.ºs 41-43 (TEL: 572280 – 577542)

LADO A
LADO B 

A ourivesaria foi inaugurada em 1919 (na mesma família, neste momento, a 3.ª geração) e é presentemente uma das mais antigas ourivesarias em funcionamento em Macau.

Pormenor do LADO A
Pormenor do LADO B
LADO A
LADO B

Pesquisando nas páginas amarelas “Macau Yellow Pages”, (1), a ourivesaria Tin Seng Hap Kei –  天盛金舖 permanece na mesma morada, “Rua das Estalagens n.º 41-45 r/c; tel: 28921919 (2)
Tem actualmente a uma outra loja com o mesmo nome na Avenida de Horta e Costa 90 – A,  r/c; tel: 28921919
(1) https://en.yp.mo/business/Ourivesaria_Tin_Seng.html
(2) 天盛合記金行 – Tin Seng Gold Jewelry Shop – 澳門草堆街41-45號地下 ——28921919 是
https://macaulifestyle.com/city-guide/tin-seng-gold-jewellery-shop/

Notícia de hoje, de há 100 anos-

Reportagem de Adam M´Cay (1) , de Hong Kong, em 18 de Julho de 1919 e publicado no jornal “The Sun”,  VOLUME VI, ISSUE 1774, 21 OCTOBER 1919, p. 6

…………………………………………………….continua

(I) Adam M´Cay, special commissioner dos jornais “The Sun “,de Sidney e “The Herald” de Melbourne.“The Sun”, diário vespertino fundado em 1910 até 1988, em Sydney, Austrália. “The Herald” jornal publicado em Melbourne, Austrália de 1840 a 1990.

«As 5.35 horas da manhã de 13 de Agosto de 1931, (1) explodiu o Paiol da Flora, (2) devido aos grandes calores estivais. A explosão causou a morte das seguintes pessoas: 1.º sargento António Sousa Vidal, Henrique Ciríaco da Silva, funcionários das obras públicas, João Córdova, Natércia Duarte, criança de 11 anos, um filhinho do chefe da Polícia Carlos A. da Silva, um soldado africano e 15 pessoas chineses, sendo os feridos cerca de 50.(3)
O Palacete da Flora ficou reduzido a um montão de escombros; as casas fronteiriças, escalavradas; muitas casas arruinadas e muitíssimas com as janelas, portas e vidros partidos.
Nas três casas Canossianas houve muitos vidros partidos e algumas portas quebradas, mas não houve ferimentos, pois, sendo Verão, tanto as educandas como as órfãs chinesas estavam fora a passar as férias.
Uma bomba incendiária fez uma visita à Casa Canossiana de Mong Há: entrou por uma janela, forçando-a, pois, estava fechada, girou em volta da luz eléctrica, e saiu por outra janela do dormitório ds educandas, sem causar dano algum, além dum grande susto a uma rapariga, que naquela noite havia dormido ali. Atribui-se à protecção de Maria, de quem a pequena era muito devota, o não ter sido vítima do acidente. (4)
Outros estragos materiais mais significativos referenciados, para além das casas próximas do jardim que ficaram danificadas: a casa que Sun Fo tinha construído para a sua mãe, a casa memorial “Sun Yat Sen” na Av. Sidónio Pais: o coreto do jardim de Lou Lim Ioc que se encontrava em lugar diferente do actual, tinha a porta virada Av. Conselheiro Ferreira de Almeida.

A propósito dessa explosão, conta o Padre Teixeira (4) o seguinte episódio:
Nessa manhã, alguém telefonou da Taipa para Macau.
– Ouviu-se aqui um grande «estâmpido». Que aconteceu?
– O paiol da Flora foi pelos ares.
– Houve vítimas?
–  22 mortos e 50 feridos.
– Safa. Que «estâmpido» tremendo!
O caso do «estâmpido» passou de boca em boca e, durante vários dias, era «estâmpido» sem parar.
Nós tínhamos leitura no Seminário, durante as refeições. Sucedeu que o leitor foi o José Dias Bretão. Apareceu essa palavra no livro e ele, com ouvir tantas vezes pronunciar «estâmpido»., já estava um pouco confuso e leu assim mesmo.
Gargalhada geral!
O prefeito mandou que repetisse. E ele «estâmpido».
Por fim, mandou-o sair da estante, ameaçando-o com um castigo, pois julgava que estava a brincar. Só lhe levantou o castigo ao verificar que o rapaz tinha lido a sério.
Resultado: ficou sempre com a alcunha de «estâmpido».
(1) O Conselho do Governo destinou uma verba de 300 mil patacas destinado a ocorrer ao pagamento das despesas resultantes da destruição do Paiol Militar da Flora e à construção de um novo paiol nas Ilhas.
Boletim Oficial da Colónia de Macau de 14 de Agosto de 1931 – Suplemento ao n.º 32
Nomeação de uma comissão para propor as medidas a adoptar para se socorrer as vítimas da explosão do Paiol da Flora.
Boletim Oficial da Colónia de Macau de 14 de Agosto de 1931 – Suplemento ao n.º 32.
 (2) “Década de 20 – Posteriormente, no início de 20, procedeu-se à construção de um complexo sistema de túneis de características militares, que atravessam o subsolo da Colina da Guia, tendo sido instalado, na propriedade, um paiol que em 13 de Agosto de 1931, explodiu provocando a destruição do palacete da Flora “(ESTÁCIO, A. J. E e SARAIVA, A. M. P. – Jardins e Parques de Macau, p.30”
Em 28 de Junho de 1919, o governador aprovou o projecto da Repartição dos Serviços de Obras Públicas para a construção do novo paiol militar junto da Colina da Guia.

O Paiol da Flora estava situado num terreno por detrás do “Ténis da Flora” sensivelmente por detrás do actual Jardim Infantil D. José da Costa Nunes).

(3) O número de mortos e feridos variam conforme as fontes:
“Em 13 de Agosto de 1931, explodiu o paiol militar situado na Fonte de Inveja, causando 41 mortos, nos quais 7 foram crianças, e danificando um grande número de casas nos locais próximos. A explosão causou uma perda económica no valor de 400,000.00 dólares de Hong Kong para os proprietários e habitantes dos locais adjacentes”
http://www.archives.gov.mo/pt/featured/detail.aspx?id=106
11-08-1931 – Uma explosão no Paiol Novo da Flora provocou 24 mortos e 50 feridos e destruiu completamente o palacete da Flora. Várias casas ficaram em ruínas ou danificadas num raio de 3500 metros.”  (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997)
Boletim Oficial da Colónia de Macau, n.º 33 de 15 de Agosto de 1931
(4) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, pp. 221-222

O jardim do Palacete da Flora. Construção antiga melhorada em 1914-1915
1915, Fotógrafo: M. Russel, Copyright: Arquivo Histórico Ultramarino,
https://actd.iict.pt/view/actd:AHUD7626

NOTA: Recorda-se que o Palacete da Flora foi a perda material mais significativa da explosão do Paiol. Foram trinta toneladas de pólvora que destruíram tudo, num raio de 300 metros incluindo o palacete que era a residência de verão dos Governadores; na altura, estava lá instalado o Museu Luís de Camões e servia também como pavilhão de exposições de arte.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/02/06/leitura-uma-exposicao-de-arte-no-palacete-da-flora-1929/
Anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/paiol-da-flora/
Pode-se ver fotografias dos estragos causados pela explosão em:
http://www.archives.gov.mo/pt/featured/detail.aspx?id=106
Outras leituras e video disponíveis:
https://cronicasmacaenses.com/2012/11/08/macau-1931-explodiu-o-paiol-da-flora/
https://www.youtube.com/watch?v=ytRaoL50QEU
http://macauantigo.blogspot.com/2012/07/explosao-do-paiol-da-flora-agosto-1931.html
O «Diário de Notícias” (Portugal) datado de 12 de Setembro de 1931 falava-se da segunda edição da Volta a Portugal em bicicleta, com vitória de José Maria Nicolau na etapa Beja-Évora e conquista da camisola amarela, a campanha contra o analfabetismo, considerado “um grande problema nacional”, e também de “A Catástrofe de Macau”, sobre a terrível explosão do paiol da Flora, acompanhado da seguinte foto:
https://www.dn.pt/edicao-do-dia/12-set-2018/interior/contra-o-analfabetismo-9832957.html

Um soneto de Manuel da Silva Mendes (1) publicado no n.º 3 de 1 de Dezembro de 1920 na folha mensal  “A Academia”, (2) publicação da associação dos alunos do Liceu Central de Macau, denominada “Academia” (fundada por iniciativa do reitor Carlos Borges Delgado).

«O que quereis, à última da hora,
Rapazes, no jornal que vos escreva?!
Tolices? Todo o tempo não me chega
P´ra corrigir as vossas … Ora …Ora!
 
Demais a mais, sabeis que, muito embora
Eu mestre seja, tendes cá na adega
Quem melhor o licor das musas beba,
Ide, pois, lá. Deixai-me em Paz agora …
 
Ou, se não convidai as raparigas:
Há-as ahi na apolínea lira bela
Mui excelentes mestras em tangê-las.
 
Enfim, se imaginais que com cantigas
Me venceis, trêtas, pândegas, ó Rosa,
No fim do ano apanhais uma raposa».

(1) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-da-silva-mendes/
(2) Fundada em 5 de Outubro de 1920, a folha mensal durou até Junho de 1921 e reapareceu (depois das férias) como revista em Abril de 1922, o nº 10 (o último número segundo o Padre M. Teixeira). Tinha como director, Pedro Correia da Silva (3), editor o reitor, Carlos Borges Delgado e administrador Edmundo Carlos da Silva.
(3) Pedro Belford Correa da Silva (Paço d´Arcos) (1905-1936) advogado e poeta, foi aluno do Liceu de Macau entre 1919 e 1922 (5.º ano ao 7.º ano). Fundador do jornal “A Academia” onde também colaboraram os seus irmãos: Joaquim Belford Correa da Silva (1908-1979), ficcionista, dramaturgo, poeta, conhecido como Joaquim Paço d´Arcos e Henrique Belford Correa da Silva (1906-1993) poeta com o nome de Anrique Paço d´Arcos, Os irmãos chegaram a Macau em 1918, acompanhando o pai, o então capitão-tenente da marinha que tinha sido nomeado governador de Macau, Henrique Monteiro Corrêa da Silva (1878- 1935), nascido em Macau e governador de 1919 a 1922. (4)
(4) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/henrique-monteiro-correa-da-silva/
Extraído de TEIXEIRA, P. Manuel Teixeira – Liceu Nacional Infante D. Henrique, 1969.

Fotos de Macau (com as respectivas  legendas) publicados na imprensa brasileira em 1933.

“O farol da Guia, o primeiro construído nos mares da China”

NOTA: creio que a esta estrada foi-lhe dada o nome de “Estrada do Engenheiro Trigo”. Começa entre a Calçada do Paiol e a Estrada de Cacilhas, em frente da estrada dos Parses e circunda a Colina da Guia a meia encosta e vem terminar na própria estrada, um pouco acima do ponto de partida. Adriano Augusto Trigo foi director das Obras Públicas de Macau entre 1919 e 1925. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol II, 1997)

“A linda Avenida da Praia Grande”

NOTA: a Rua da Praia Grande foi cimentada em 1924-1925. Nesta rua erguiam-se as mais elegantes mansões do território como as dos condes de Senna Fernandes, de Carlos Pais de Assunção, Luís Aires da Silva, Major Aurélio Xavier, General António Joaquim Garcia, José Ribeiro, Simplício de Almeida, Dr. João Jaques Floriano Alvares, Constâncio José da Silva, Alexandrino Gonzaga de Melo, Maria do Carmo Piter e também algumas famílias chinesas ricas. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol II, 1997)

“A fachada da célebre Igreja de S. Paulo, construída em 1602 com o auxílio dos japoneses católicos, devorada por um incêndio no dia 26 de Janeiro de 1835”

NOTA: A igreja originariamente feita de palha é de 1565; esta igreja foi incendiada e foi construída outra de madeira e coberta a telha, em 1573. Nova igreja foi edificada na colina e no local onde existem as actuais ruínas de S. Paulo em 1579. Esta igreja foi incendiada em 1601 e nesse mesmo ano iniciaram a reconstrução (1602-1603), com motivos decorativos feitos por artistas japoneses. Embora a igreja reconstruída tenha sido reaberta na véspera de Natal de 1603, e que terá custado 30,00 taéis, só ficou concluída em 1640. (TEIXEIRA, Manuel – Japoneses em Macau)

“Vista parcial do Porto”

NOTA: Vista do Porto Interior, com a Ilha da Lapa no fundo à esquerda.

“O Forte do Monte da Guia construída em 1765 que fez frente às forças holandesas que marchavam sobre a cidade, naqueles dias tristes em que os holandeses queriam tirar a Portugal o poderio ultramarino”

NOTA: A foto mostra a fortaleza de S. Paulo do Monte (e não Monte da Guia), originariamente chamada de Nossa Senhora do Monte. A conclusão da Fortaleza de S. Paulo foi em 1626 (e não em 1765), conforme inscrição epigráfica sobre a porta de acesso. Esta fortaleza teve um papel decisivo no repelir o ataque holandês no dia 24 de Junho de 1622.

A Companhia Portuguesa Coronel Mesquita foi criada em Xangai (Shanghai) a 26 de Fevereiro de 1906, em resultado dos esforços e empenho de Fernando J. de Almeida, Joaquim F. das Chagas, José M Placé dos Remédios e João Frederico Nolasco da Silva (1).
Presidiram aos destinos da Companhia Portuguesa, dela fazendo um símbolo perpétuo de valor alguns nomes para os quais Portugal não estava distante:

João Nolasco da Silva (Capitão) (1906-1914) (2)
António M. Dinis (Major) (1914-1925)
Fernando Leitão (Major) (1925-1930)
Manuel F. R. Leitão (Major) (1930-1941)
Próspero A. da Costa (Capitão) (1941-1942)

A Companhia fazia parte do Corpo de Voluntários de Xangai – Brigada Mista e Internacional criada pela Câmara Municipal de Shanghai (1853 até 1942) para defesa dos europeus. (3)(4)
A história da organização e evolução desta Companhia já foi relatada em anterior postagem (5)
Após a autorização pelo Município de Xangai em 1907, para a Companhia usar uniforme, vozes de comando, instrução e disciplina, segundo o padrão do Exército Português, a instrução dos voluntários foi rigorosa e desde cedo estes evidenciaram-se tanto em torneios individuais como colectivas. Em 1910 a Companhia Portuguesa ganho o magnífico prémio «American Cup» instituído pela comunidade americana para um torneio de tiro.

Vencedores da competição anual “SVC Inter-Company Challenge Shield” (1919). (6)

Em 1919 começou a série de vitórias das equipas e membros da Companhia. O «Eficiency Shield», a mais apreciada e difícil prova de exercícios militares (contra relógio), foi ganha em 1921/1922, 1930/1931 e 1931/1932. (6)
Outras distinções da Companhia:
«Japanese Cup» (tiro) ganha em 1929, 1930, 1931 e 1932.
«Fraser Shield» (futebol) ganha em 1930, 1931 e 1932.
«Lewis Gun Pair» (tiro) ganha em 1931, 1932 e 1933.
«Inter-company Challenge Shield» (exercícios militares) ganha em 1919,1920, 1921 e 1926.
«Barnes Cups» (exercícios militares) ganha em 1921.
«Bray Cup» (exercícios militares) ganha em 1929, 1933 e 1934.
«British Cup» (exercícios militares) ganha em 1920, 1921, 1926, 1928 e 1929.
«Trueman Cup» (tiro) ganha em 1931 e 1937.O Campeonato do Corpo e a “Cruz de Ouro” (tiro) foram ganhos em 1921 pelo então segundo-sargento Manuel Leitão; o 2.º lugar e a” Cruz de Prata” foram ganhos nos anos seguintes pelos segundos-sargentos José Campos, Artur Leitão e segundo-cabo Carlos da Silva.
Em outros desportos, futebol, bilhar, etc., alcançou a Companhia Portuguesa em vários anos o título de campeã. Na organização de festivais, saraus, reuniões elegantes, festas e bailes, nunca nenhuma outra lhe ofuscou o brilho, tornando-se disputados os seus convites na alta sociedade.(1)
(1) «Macau Boletim Informativo» Ano II- n.º 38 de 28 de Fevereiro de 1955, pp.4-5
(2) João Frederico Nolasco da Silva. (1871 – 1951) (filho de Pedro Nolasco da Silva) integrou-se na Companhia como 1.º oficial – tenente e um ano depois (1907) com a graduação em Capitão foi nomeado Comandante. Para esta nomeação terá contribuído a sua formação militar em Lisboa (dois anos) depois transferido para a Guarnição de Macau e Timor (onde esteve cerca de 5 anos). Posteriormente trabalhou como funcionário público em Macau, tendo pedido demissão para ir trabalhar para Shanghai, em 1903, para firma “Messrs Buchheiste & Co”.
Fotografia retirada de “Pela Pátria”, Vol II N.º4 Abril 1941 p. 20 (7)
(3) Após o fim da Rebelião de Taiping (1864) um corpo de voluntários foi constituído com o nome de “Shanghai Volunteer Corps” (SVC) em 1854, para defender os interesses estrangeiros principalmente britânicos e americanos sediados em Shanghai e arredores. Em 1870 este corpo passa a ser gerido pelo Município de Xangai, tendo a primeira unidade portuguesa “SVC n.º 4” sido constituída em 1882 , liderada por Mário Augusto Ferrás (1905- 1978) e Moisés M. Honorato Gutterres (1889 –  ?)
(4) “ A unidade portuguesa tinha como objectivo zelar pela segurança e controlo de pessoas na zona norte da cidade, onde vivia a maioria da comunidade portuguesa. Passados poucos anos, em 1889, numa óptica de reorganização funcional dos SVC, a unidade foi extinta, sendo os seus membros integrados nas seguintes unidades: Guarda Civil, Artilharia e companhia inglesa, mais conhecida por “Companhia C”. Passados apenas dois anos, devido ao permanente descontentamento dos elementos portugueses separados e integrados em outros corpos, o Conselho do Município de Xangai autorizou a criação da “Companhia D”, constituída integralmente por portugueses. Esta companhia esteve ao serviço por cinco anos, sendo também ela extinta em 1886. Com esta nova ruptura os elementos da “Companhia D” decidiram juntaram-se ao já independente corpo francês
GARRETT, Gonçalo Almeida – A Presença Portuguesa nos Shanghai Volunteer Corps de Hong XiuQuan ao Imperador Hirohito in
https://www.revistamilitar.pt/artigo/1151
(5) Referência anterior à Companhia Portuguesa Coronel Mesquita em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/companhia-portuguesa-coronel-mesquita/
(6) http://www.macanesefamilies.com/  
(7) “Pela Pátria” jornal mensal publicado pela comunidade portuguesa em Shanghai nos anos 1940 e 1941.
http://www.macanesefamilies.com/PrivateE-o/uipelapatria.htm