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Capa de Fernando Lima

Publicado em 1 de Maio de 1994, o primeiro número da “ASIANOSTRA  revista de cultura portuguesa do oriente”, que se anunciava de publicação semestral, com a coordenação de António Aresta e Maria da Conceição Rodrigues;. A edição e propriedade era do Instituto Português do Oriente (IPOR),  e foi impressa na tipografia Mandarim (23 cm x 15,8 cm x 0,5 cm).

Infelizmente somente foram publicados dois números.

ÍNDICE – pág. 3
NOTA PRÉVIA – pág. 5
Contracapa

No dia 5 de Setembro de 1887, o Vice-Rei de Cantão, mandarim Hong visitou oficialmente as ilhas de Taipa e Coloane. Era governador Firmino José da Costa (7-08-1886-1889). Segundo se constou, a visita tinha como objectivo colher informações pedidas por Pequim com vista ao Tratado (1)
O Administrador José Correia de Lemos, (2) relatou esta visita em ofício de 6 de Setembro de 1887, à Secretaria do Governo:
“… Às 2 e meia horas desembarcou na Taipa o mandarim com o seu estado maior mas sem um único homem armado; percorreu algumas ruas, descansou n´uma loja do pannos onde fez algumas perguntas sobre negocio, população e tributos, indagou também sobre o tempo que a Taipa s sujeitou ao domínio português.
Foram prestadas as honras pela força do destacamento pois que não havia chegado ainda a lancha “Macau”.
Em seguida dirigiu-se o mandarim para Coloane sendo precedido pela lancha que rebocava a força chegada n´aquele momento de Macau.
Recebi no cais o mandarim, que mostrou desejos de desembarcar no quartel da praia, aonde se demorou por 15 minutos.
Percorreu depois as ruas dos Negociantes do Caetano, e entrou n´uma loja de pannos aonde fez também perguntas como na Taipa.
A guarda de honra posta no caes fez a continência devida, tanto no desembarque como na partida.
Tanto na Taipa como em Colovan o mandarim fez entregar aos respectivos Tipus does editais, que eu dei ao enterprete Almeida para traduzir mas que ainda não recebi
Às 14 horas seguio para Macau o mandarim sendo por mim acompanhado até a fortaleza; retirando também a força que viera fazer-lhe as honras do stylo.
Devo informar a V. Exa. que o mandarim Hong me parece bastante satisfeito pela recepção que lhe fora feito.(3)
(1) Tomás de Sousa Rosa, ex-governador de Macau, foi nomeado ministro plenipotenciário responsável pelas negociações diplomáticas iniciadas em 1986 que culminaram na assinatura em Lisboa de um protocolo preliminar em Março de 1887 e que propunha o seguinte:
Artigo 1.º – Um tratado de comércio e de amizade com a cláusula da nação mais favorecida será concluído e assinado em Pequim.
Artigo 2.º – A China confirma a perpétua ocupação e governo de Macau e suas dependências por Portugal como qualquer outra possessão portuguesa.
Artigo 3.º – Portugal obriga-se a nunca alienar Macau e suas dependências sem acordo com a China.
Artigo 4.º – Portugal obriga-se a cooperar com a China na cobrança do rendimento do ópio em Macau do mesmo modo que a Inglaterra em Hong Kong.
Em 1-12-1887 foi assinado em Pequim o Tratado de 1887, e a ratificação foi no ano seguinte. A China reconhecia pela 1.ª vez a soberania portuguesa sobre Macau.
OLIVEIRA, Celina Veiga de – China e Portugal. Como se construiu o entendimento Luso-Chinês a partir de Macau in «Administração» n.º 96, vol. XXV, 2012-2.º, 531-544, disponível para leitura em
https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:ezyGggKm-JIJ:https://www.safp.gov.mo/safppt/download/WCM_016532+&cd=14&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt
(2) Alferes (depois Capitão) José Coreia de Lemos foi nomeado adjunto do comandante militar e administrador substituto do Concelho das Ilhas a 5-5-1879. Passou a efectivo a 25-08-1879 até 1890. Seria substituído em 14 de Janeiro de 1890 pelo Capitão José Maria Esteves.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-correia-de-lemos/
(3) Extraído de TEIXEIRA, Padre Manuel – Taipa e Coloane, 1981, pp 133-134

Livro de António Aresta e Celina Veiga de Oliveira. Este exemplar é da Editorial Inquérito, Lda., 2.ª edição, Novembro de 2009 (n.º 4 da Colecção Jorge Álvares) (1)
O livro tem dedicatória “Ao Governador Vasco Rocha Vieira, que tão bem soube honrar o nome de Portugal nos últimos anos de administração portuguesa de Macau
macau-uma-historia-cultural-capaQue balanço deve ser pedido à história daqueles tempos em que dois povos plasmaram num espaço comum hábitos e modos de vida com marcas de recíproca aceitação e convívio? Como lhes foi possível construir e cimentar em Macau uma ambiência universalmente reconhecida como singular e rara?
A história aponta para uma responsabilidade dual dessa atmosfera peculiar, devendo-se tanto a chineses como a portugueses, como se o próprio chão do território impusesse a quem o habitava — temporária ou permanentemente — um comportamento, não totalmente português, não totalmente chinês, mas de Macau.
Obra conjunta de dois povos, do que de melhor haverá a extrair de cada um deles, Macau será sempre para os portugueses que lá vivem ou tiveram o privilégio delá viver, um encontro com a força do passado histórico da nação, uma aprendizagem de convivência, uma certeza de futuro, uma folha de nós lançada ao Oriente.
macau-uma-historia-cultural-contracapaObra de divulgação histórica, a primeira edição de 1996 com o título “Arquivos do Entendimento – Uma Visão Cultural da História de Macau” serviu de suporte a uma série televisiva em doze episódios com realização de Rui Nunes, que foi exibida na Teledifusão de Macau (TDM) e depois na RTP (Portugal) e na CCTV (China).
Do prefácio de Jorge A. H. Rangel saliento:
“… a série televisiva, concebida com intuitos vincadamente pedagógica, visando recordar e interpretar o legado histórico e cultural que deu ao território uma identidade própria. A série constitui um excelente instrumento de comunicação com um público interessado e atento, ao mesmo tempo que estimulou nas novas gerações a curiosidade por um conhecimento maior de acontecimentos relevantes e dos homens que, ao longo de séculos, os protagonizaram, contribuindo para a afirmação e consolidação dessa identidade…”
(1) ARESTA, António; OLIVEIRA, Celina de – Macau uma história cultural. Editorial Inquérito / Fundação Jorge Álvares, 2009, 125 p. 23 cm , ISBN 978-972-670-436-2.
Mais informações sobre este livro em
http://www.jorgealvares.com/conteudo.aspx?lang=pt&id_object=759&name=N.%C2%BA-4-%E2%80%93-%E2%80%9CMacau,-uma-Historia-Cultural%E2%80%9D,-de-Celina-Veiga-de-Oliveira-e-Antonio-Aresta
e http://www.leitura.gulbenkian.pt/index.php?area=rol&task=view&id=30795

Trata-se de um catálogo de exposição de postais ilustrados (1) das províncias ultramarinas (Cabo Verde, Guiné, S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Índia, Macau e Timor), da colecção do Dr. João Loureiro (2). A exposição foi patrocinada pela Fundação Macau e realizada em Macau.
O catálogo não traz informação quanto à data de realização dessa exposição.
Este catálogo apresenta, de Macau, 9 bilhetes postais (Porta de Cerco, Ruínas de S. Paulo, Seminário de S. José, Busto de Camões, Igreja de S. António, Rotunda Carlos da Maia, Praia Grande, Hotel Bela Vista, Porto de Macau) e um maior (junção de três bilhetes postais), dando um “Panorama de Macau (do oriente para o ocidente)”, este com anotações à mão dos principais lugares, monumentos, edifícios.
           Um dos postais presentes neste catálogo, com o título “Macao, Praya Grande“, já por mim colocado em anterior post (3)

Tem uma Introdução da Dra. Celina Veiga de Oliveira com referência a um texto do macaense Bernardo Fernandes (4) de 1883:
Recostada em várias colinas da pequena e montanhosa península, apresenta a cidade macaense, contemplada do Porto Exterior, um panorama surpreendente e encantador. O pitoresco aspecto da sua principal rua, Praia Grande, semeada de elegantes edifícios de arquictetura europeia, e terminada ao nascente por um vistoso jardim público, as suas igrejas, os seus fortes, renques de árvores plantadas aqui e acolá, e diversas casarias chinesas de fantasioso e agradável gosto, impressionam sobremodo o viandante”
Comenta a Dra. Celina V. de Oliveira: ” Esta imagem/miragem perdeu-se com o tempo
(1)Memória Portuguesa de África e do Oriente: Exposição de Postais Ilustrados. Coordenação Geral da Fundação Macau. Montagem e impressão do catálogo: Tipografia Macau Hung Heng Lda. Tiragem: 1.000 exemplares, 16 p., 29,5 cm x 21 cm.
(2) O Dr. João Loureiro coleccionou cerca de 4 500 bilhetes postais de Cabo Verde, Guiné, S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Índia, Macau e Timor
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/29/postal-antigo-macau-do-seculo-xix-v-praia-grande/
(4) Filho de José Gabriel Fernandes, fundador do semanário histórico e literário «Ta-Ssi-Yang-Kuo – Semanário macaense d´interesses publicos locaes, litterario e noticioso» (1863-1866), José Gabriel Bernardo Fernandes (1850 – ?), jornalista e historiador, autor dos «Apontamentos para a história de Macau» (Lisboa, 1883), da «Relação dos bispos de Macau» (1884) e de «Jornalismo em Macau», tendo colaborado no Jornal de Coimbra, no Conimbricense e no Impulso de Hong Kong.
(http://www.fflch.usp.br/dlcv/posgraduacao/ecl/pdf/via06/via06_06.pdf)