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No dia 5 de Setembro de 1902, passou por Hong Kong de regresso ao Reino, o Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário de Portugal junto à Corte de Pequim, Conselheiro José d´Azevedo Castello Branco, (1) levando consigo, para ser ratificado, o novo Tratado Luso-Chinês. (2) Os sócios e direcção do Club Lusitano preparavam-se para lhe oferecer uma recepção, na tarde de 28 de Outubro, mas um lamentável equívoco inviabilizou o encontro. Na senda das numerosas visitas e embaixadas dirigidas pelas autoridades portuguesas à China, desde o século XVI, temos em José d´Azevedo Castelo Branco o primeiro agente diplomático (não governador) àquele país, no século XX. Nomeado Comissário Extraordinário, conseguiu o acordo para o estabelecimento de um caminho de ferro entre Macau e Cantão que não chegou a ser realidade apenas por problemas financeiros. (3)

(1) José de Azevedo Castelo Branco 1852 – 1923) médico, político, diplomata, escritor, jornalista, poeta e bibliotecário. Médico-cirurgião (licenciado na Faculdade de Medicina em Coimbra em 1878; cirurgião mor em 1886). Dedicou-se à política, filiando-se no Partido Regenerador foi eleito Deputado pela primeira vez em 1884. Em 1890, foi nomeado Governador civil do Funchal e de Lisboa (25 de Junho de 1900 a 7 de Dezembro de 1901). Sendo Conselheiro, antigo Deputado da Nação e Governador Civil do Distrito de Lisboa, por Carta Régia de 29 de Dezembro de 1900, foi feito Par do Reino (Diário do Governo, N.º 296, 31 de Dezembro de 1900), tomando assento na Câmara Alta a 9 de Janeiro de 1901. Em Dezembro de 1901 chega a Macau como Ministro Plenipotenciário (Embaixador) de Portugal na China cargo que anteriormente era exercido pelo Governador de Macau. Desempenhou este cargo durante alguns anos e, antes de terminar ali a sua missão, foi nomeado Bibliotecário-Mor do Reino, lugar que, depois, se transformou no de Inspector Superior das Bibliotecas e Arquivos. Também exerceu o lugar de Director-Geral das Belas-Artes e Ensino Industrial e Profissional

Foi Ministro da marinha e ultramar de 21 de Março a 19 de Maio de 1906. Ministro dos negócios estrangeiros no governo de Teixeira de Sousa, 61.º Governo Constitucional de 26 de Junho até 5 de Outubro de 1910 (Implantação da República). (4) Vai para o exílio em França e depois no Brasil. Retornou a Portugal sendo preso (penitenciária de Coimbra). (5) Aparece depois como deputado monárquico em 1918-1919. (4)

Extraído de «Revista Brasil Portugal», n. 310 de 16 de Dezembro de 1911 , p. 338 .

(2) “1902 – O General Joaquim José Machado (6) é enviado por Portugal à China, para acertar a convenção relativa aos limites de Macau (ilhas) mas as diligências diplomáticas não foram conclusivas. Igual sorte tiveram as negociações em 1910, sendo ministro de Portugal em Pequim o Conselheiro José d´Azevedo Castello Branco. Em 1910-1919, dão-se novas tentativas de definição das fronteiras de Macau, assunto pendente entre Portugal e a China, apesar da ratificação do Tratado entre as ambas as potências, em 1888, em Tientsin.” (3)

(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, pp. 8, 10-11

(4) https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_de_Azevedo_Castelo_Branco

(5) Artigo de Jayme Victor  “Notas da Quinzena” in «Revista Brasil Portugal n. 310 de 16 de Dezembro de 1911 , p. 338 . http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/BrasilPortugal/1911_1912/N310/N310_master/N310.pdf

(6) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joaquim-jose-machado/

Publicado na «Revista Colonial», de 1921 a propósito de um artigo publicado pelo «Hong Kong Daily Press»
(1) «Revista Colonial», ANO IX, II série, n.º 6, Dezembro de 1921, p. 183
Na primeira página (na capa) deste número da “Revista Colonial” está inserido o retrato do General de Engenharia Joaquim José Machado, cuja biografia vem na página 174 desse mesmo número. (2)
Salienta-se desta biografia a nomeação do general, em 1909, como Alto-comissário para delimitação de Macau.
Na verdade já em 1902, o General Joaquim José Machado foi enviado por Portugal à China, para acertar a convenção relativa aos limites de Macau (ilhas) mas as diligências diplomáticas não foram conclusivas. Apesar da ratificação do Tratado entre os dois países, em 1888, este assunto permaneceu pendente, até 1909 quando recomeçaram em Pequim as negociações sobre a delimitação de Macau entre o Conselheiro/ General Joaquim José Machado (nomeado Alto Comissário de Portugal) e o Mandarim Kao-Erh-Chie.
Em 13 de Novembro de 1909, suspenderam-se, após 4 meses de negociações, as conferencias entre o General Joaquim José Machado, e Kao-Ohr-Kim, representante chinês, para a fixação definitiva dos limites de Macau, indicando o Comissário português o recurso à arbitragem. A missão portuguesa era composta pelo General Joaquim Machado (Alto-Comissário); Capitão Demétrio Cinatti (Comissário Auxiliar); Capitão J.M.R. Norton de Matos (Secretário) e Pedro Nolasco da Silva (Intérprete). A parte chinesa era composta por Kao-Ohr-Kim; Shun-Pau-Ho, Superintendente da Polícia de Cantão; Tsung-Yuen-Pi sub-perfeito Marítimo de Tch´in-San; e o Secretário-Intérprete Hou-To-Na. As duas conferências realizaram-se numa sala da residência do Cônsul de Portugal em Hong Kong, João Leiria. Os delegados chineses não aceitaram a proposta de nomeação de uma comissão para definir as delimitações de Macau, a propósito das Ilhas.
Em 1921, o assunto foi submetido à Conferência de Washington mas foi invocado pela China que o governo revolucionário de Cantão não tinha representação na Conferência.(3)
(2)

http://purl.pt/26919

(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.