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Continuação dos anúncios dos advogados e solicitadores que exerciam asua profissão (privada) em Macau no ano de 1921, publicados no «Anuário de Macau 1921», pp II –III- IV (1)

18-05-1918 – Concessão de passagem para a Metrópole ao Senador eleito por este círculo, Carlos de Melo Leitão (A.H.M. – F. A. C. P. n.º 525 – S- P) (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997) 28-05-1918 – Tendo sido eleito Senador pelo Círculo de Macau, na eleição em 28 de Abril de 1918, o tabelião privativo de notas desta comarca bacharel Carlos de Melo Leitão, ficou desde aquela data entregue ao seu ajudante, Henrique Nolasco da Silva, o respectivo cartório («BOGPM», , n.º 18 de 4 de Maio de 1918)

22-12-1916- Processo n.º 399 – Série N – Nomeação do advogado Henrique Nolasco da Silva, para ajudante do tabelião Privativo de Notário desta Comarca, Dr. Carlos de Mello Leitão. (Boletim do Arquivo Histórico de Macau, Tomo I – Janeiro/Junho de1985, p.199).

 (1) Ver anterior em:  https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/12/17/anuncios-de-1921-advogados-i/

ACTUALIZAÇÃO EM  01-05-2021 – Duas preciosas achegas a esta postagem, enviadas por Rogério Beltrão Coelho, sempre atento com os seus precisos apontamentos que muito agradeço.

1 – Constâncio José da Silva teve, de facto, escritório de advogado, mas não era formado em Direito. Beneficiou do estatuto de advogado provisionário. (Pormenores nas pp.18-22 do livro “Roque Choi: um Homem dois Sistemas”).

2 – Tudo leva a crer que Carlos de Melo Leitão nunca marcou presença no Parlamento português embora a viagem para Lisboa lhe tivesse sido concedida. (Pormenores na p.69 do livro “Roque Choi: um Homem dois Sistemas”).

No dia 19 de Dezembro de 1909, realizou-se uma récita de caridade realizada no Teatro D. Pedro V, pelo «Grupo de Amadores», (1) sob a direcção de Constâncio José da Silva, em que se representaram 4 comédias. A Comissão do Grupo, compunha-se do coronel Fernando José Rodrigues, presidente (2); major Joaquim Augusto dos Santos, secretário (3); António A. Pacheco, tesoureiro; Aníbal C. Henriques, Conde de Sena Fernandes, (2) C. J. da Silva, Ernesto Álvares, Francisco Xavier Brandão, Gerardo J da Rocha, Henrique Manuel Vizeu Pinheiro (4), Dr. José Maria de Carvalho e Rego (director cénico dessa Academia) (5) e Cap. João de Sousa Carneiro Canavarro.

(1) Teve vários nomes: «Grupo de Amadores» no início, «Grupo de Amadores de Teatro e Música» em 1924, «Academia de Amadores de Teatro e Música» em 1934. (6) As suas récitas, concertos e saraus foram, com raras excepções, dados no Teatro D. Pedro V. Com o rebentar da guerra na Europa em 1939 e no Pacífico em 1941, a Academia entrou em agonia e extinguiu-se placidamente de morte natural. O último presidente foi o brigadeiro Temudo de Vera, gerente da Filial do Banco Nacional Ultramarino em Macau. (TEIXEIRA, P. Manuel – O Teatro D. Pedro V, pp. 33-34).

(2) Fernando José Rodrigues (Funchal 1863- Macau 1926). Assentou praça voluntária no Regimento de Infantaria nº 2, a 26 de Setembro de 1882; promovido a alferes para a guarnição de Macau e Timor a 12 de Maio de 1887; serviu em Timor de 1887 a 1890; transferido para a Guarda Policial de Macau em 1890; capitão em 1893, sendo novamente colocado em Timor; regressou a Macau em 1894; promovido a major em 1902; chefe do Estado Maior de Timor em 1903; chefe do Estado Maior de Macau em 1905; comandante do Corpo de Polícia de Macau em 1907; promovido a coronel em 1909 e passou à reserva em 1911 no posto de general de Brigada. Foi membro do Conselho do Governo de Macau, já reformado por vários anos provedor da Santa Casa da Misericórdia e presidente do Grémio Militar. Possuía várias condecorações. Casou em Macau a 16-06-1894, com Alina Clariza de Sena Fernandes (1868-1941), filha de Bernardino de Sena Fernandes e de Ana Teresa Vieira Ribeiro, condes de Sena Fernandes. Em sua homenagem o Leal Senado decidiu atribuir o nome “Rua do General Rodrigues” (7) a uma das artérias de Macau. (8) Ver:  https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bernardino-de-senna-fernandes/

(3) Joaquim Augusto Tomé dos Santos 1867 – 1954, militar e administrador colonial português. Filho de Joaquim Tomé dos Santos, Cirurgião Ajudante do Regimento de Caçadores N.º 9, e de Angélica Monteiro, e neto paterno de Manuel Tomé dos Santos e de sua mulher Maria Joaquina de Jesus. Alferes da Guarda Policial de Macau na altura do seu primeiro casamento, em 2 de Outubro de 1890, e Alferes do Quadro Oriental do Ultramar na altura do seu segundo casamento, em 16 de Fevereiro de 1895, progrediu na carreira militar e passou à reforma no posto de Coronel. Foi Governador Interino de Macau por duas vezes (17 de Julho de 1919 a 23 de Agosto de 1919 e 16 de Julho de 1924 a 18 de Outubro de 1925) e era Comandante Militar de Macau quando se deram os graves distúrbios de 1922. (8) https://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Augusto_Tom%C3%A9_dos_Santos

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/henrique-manuel-vizeu-pinheiro/

(5) José Maria Ernesto de Carvalho e Rego, (Porto 1860 – Macau 1917) – Bacharel em Direito, magistrado judicial em Quelimane, Beira, Timor e Macau. Em 1908 radicou-se defensivamente em Macau como procurador administrativo dos negócios sínicos e advogado. Foi também jornalista, redactor do jornal «A Verdade». Casado com Joana Alexandrina Palmeira de Carvalho e Rego (1860 – Macau, 1934). Pai de José da Conceição Ernesto de Carvalho e Rego (1890-1977) (um dos fundadores do Grupo de Amadores de Teatro e Música, em 1924), Fernando Ernesto Palmeira de Carvalho e Rego (1894-1957) e Francisco Ernesto Palmeira de Carvalho e Rego (1898-1960)

 (6) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/09/01/noticia-de-1-de-setembro-de-1934-academia-dos-amadores-de-teatro-e-musica/

(7) Rua do General Rodrigues – começa na Rua de Afonso de Albuquerque, entre o prédio n.º 16 e a Esquadra Policial n.º 3, e termina na Rua do Bispo Medeiros, ao lado do prédio. N.º 25.

(8) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume III, Fundação Oriente, Macau, 1996, p. 255. TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Tomo II, 1997, pp. 414-415.

Autor não identificado, sem data, do  Instituto de Investigação Científica Tropical, Agência Geral de Ultramar, Copyright Arquivo Histórico Ultramarino
https://actd.iict.pt/view/actd:AHUD21581

A escola infantil (1) que estava na Rua Central até 1933, (2) começou a funcionar no novo edifício construído no Jardim da Flora, no dia 2 de Outubro de 1933, segunda-feira. O projecto foi delineado pelo engenheiro Luís Miranda, (3) que tomou a direcção das obras, sendo estas confiadas ao empreiteiro Choi Lok. Porém a 5 de Maio de 1933, o engenheiro Luís Miranda oficiou à Câmara, dizendo que não sabia a quem entregar a direcção e fiscalização das obras, visto Gastão Borges não querer assumir essa fiscalização e não pretender ele, Miranda, continuar à testa das mesmas, pois estava desligado desse serviço desde 8 de Abril. A Câmara, a 17 de Maio, incumbiu o Dr. José Pereira, (4) da direcção e fiscalização dessas obras com a remuneração mensal de $100,00. Foi este que fez o projecto do muro da vedação.

Após a II Guerra Mundial, foi-lhe dado o nome de Escola Infantil “D. José da Costa Nunes”. Em 1946 (Diploma Legislativo n.º 925 de 1946) torou obrigatório o ensino infantil e primário para todas as crianças desde os 5 aos 14 anos. Em 1997, a Escola sofreu remodelação e ampliação com o projecto de arquitectura de Mário Duque, com o nome de «Jardim de Infância D. José da Costa Nunes», instituição de educação pré-escolar privada sob a tutela da antiga e prestigiada “Associação Promotora da Instrução dos Macaenses”.

A Escola Infantil e o Parque Infantil em 1940

 (1) O 1.º Regulamento do ensino Primário das Escolas de Macau (B.O. n.º 27 de 06-07-1918) estabeleceu no seu art.º 2, duas categorias do ensino; infantil e primário. As classes infantis, eram destinadas à educação e ensino das crianças de 5 a 7 anos.

Extraído de «BOGPM», XVIII, n.º 27 de 6 de Julho de 1918, p. 487

Há uma mesma informação, datada de 27-07-1918 (5) e outra de 1 -11-1923 (6) em que o Leal Senado solicitava ao Governador a cedência temporária do Palacete da Flora e Jardim da Flora para nele se instalar a Escola Infantil até que o Senado mandasse construir um edifício próprio. Mas o Governador Rodrigo Rodrigues em 1923, respondeu não ser possível prever quando o edifício poderia ter aplicação, em virtude de não terem ainda principiado as obras de adaptação do mesmo a Jardim de Infância (criado em Macau – Boletim Oficial n.º 6 de 10-02-1923) que seria instalado no Palácio e Jardim da Flora.

NOTA I – A 26 de Abril de 1923, foi aprovada com 15 valores D. Laura Castelo Branco da Costa Mesquitela no exame de concurso para a vaga de professora da Escola Infantil a cargo do Leal Senado, que instalou a escola na Rua Central.

Extraído de BOGPM XXVIII-n.º 18 de 5 de Maio de 1923, p. 298

Chamo a atenção para este digníssimo júri: Manuel da Silva Mendes, Camilo de Almeida Pessanha, Alfredo Rodrigues dos Santos, Constâncio José da Silva e Carlos Borges Delgado

Extraído de »ANUÁRIO DE MACAU DE 1924», p. 409

No ano lectivo de 1923 a 1924 matricularam-se nesta escola 63 crianças e em 1924-25, 105, sendo o ensino ministrado por 3 professoras. (6)

(2) Padre Teixeira refere que a Escola Infantil funcionava em 1923 provisoriamente na Escola de S. Rosa de Lima, esperando que se realizasse a transferência das escolas centrais (5)

(3) Luís Xavier Correia da Graça e Miranda era engenheiro Adjunto da Direcção dos Serviços das Obras Públicas

Extraído de «Directório De Macau», 1932, p. 513: 1933, p. 506; 1934 p. 447

(4) Extraído de «B. O. C.M»,  n.º 21 de 27 de Maio de 1933, p. 547

(5) A.H.M. – F.A. C. P. n.º 247 – S-E in SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997)

(6) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982,p.66

Anteriores referências em https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/27/leitura-a-educacao-em-macau-em-1940

Sobre este mesmo tema, aconselho leitura de: SOUSA, Ivo Carneiro de – Jardim de Infância D. José da Costa Nunes 2010-1020 Um Projecto educativo https://www.academia.edu/25549352/Jardim_de_Inf%C3%A2ncia_D_Jos%C3%A9_da_Costa_Nunes_Projecto_Educativo_uma_escola_inclusiva_cooperativa_e_multicultural

Continuação da publicação dos postais constantes da Colecção intitulada “澳門老照片 / Fotografias Antigas de Macau / Old Photographs of Macao”, emitida em Setembro de 2009 pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. de Macau/Museu de Macau (1)
“Ali (Praia Grande) se erguiam as elegantes mansões dos condes de Senna Fernandes, de Carlos Pais de Assunção, Luís Aires da Silva, major Aurélio Xavier, General António Joaquim Garcia, José Ribeiro, Simplício de Almeida, Dr. João Jaques Floriano Alves, Constâncio José da Silva, Alexandrino Gonzaga de Melo, Maria do Carmo Piter, família Eça, capitão João de Sousa Canavarro, etc. Também algumas de famílias chinesas ricas tinham ali prédios de estilo tipicamente chinês: lam-Lim, Chou Lim Ip, Li Kiang Chin, Chan Fong, etc.
Sangra-nos o coração ao ver que hoje pouco ou nada resta das solarengas casas apalaçadas da Praia Grande…(TEIXEIRA, P. Manuel Teixeira – Toponímia de Macau, Volume I, pp. 73/74.
(1) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/postais/

Artigo republicado no Boletim Geral das Colónias, (1) do jornal “A Voz de Macau” (2) de 11 de Dezembro de 1939, referente à dívida de Macau à Metrópole.
(1) «BGC» XVI-177, Março de 1940.
(2) O jornal «A Voz de Macau» começou a ser publicado em Macau no dia 1 de Setembro de 1931 (3 vezes por semana) e em Outubro de 1931 passou a diário. Foi seu fundador o Capitão Domingos Gregório que mudou o nome para Domingos Gregório da Rosa Duque. Domingos Gregório, tinha sido foi secretário do jornal “O Liberal”, dirigido por Constâncio José da Silva; em Fevereiro de 1923 foi editor e director do semanário republicano “O Combate”. O jornal «A Voz de Macau» foi o único periódico a circular em Macau no ano de 1942. Com interrupções, a 10 de Abril de 1945, o Diário «A Voz de Macau» retoma nesta data a sua publicação até 16 de Agosto de 1947 com um total de 600 números.
GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954; SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
Anteriores referências a este periódico e a Domingos Gregório da Rosa Duque em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/a-voz-de-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/domingos-g-da-rosa-duque/

Continuação do testemunho de Francisco de Carvalho e Rego (1) (2)
De ali, pela tortuosa rua do Gonçalo, apertada e estreita, era o visitante conduzido até à calçada do Governador, por onde vinha dar à “Praia Grande”. E, chegado ao fim da Calçada, à direita tinha o edifício das Repartições Públicas, e à esquerda o pequeno edifício dos Correios, ao lado do qual se mostrava em suas arcadas, tão próprias da arquitectura das cidades cosmopolitas do oriente, o “Hotel Macau” modesto e simples, onde o velho inglês Farmer (3) e sua família recebiam acolhedoramente os hóspedes.
Aquele que viesse encomendado ao “Hotel Bela Vista”, ao deixar a ponte-cais, dirigia-se pela Calçada do Gamboa à Rua do mesmo nome e, seguindo pela Rua do Seminário, entrava no Largo de S. Lourenço, alcançando a Penha pela Rua do Pe. António  e Rua da Penha, indo dar ao chamado Chôc-Chai-Sat  onde , no referido Hotel, era recebido pelo velho Vernon, (4)  que, de há muito, explorava, na Colónia, a indústria hoteleira.

A residência de Verão do Bispo da Diocese (final da década de 40, século XX)

Mas não eram estes os hotéis recomendados aos funcionários chegados à Colónia, porque os seus preços eram elevados. Para estes funcionários era mantido pelo velho Mami o “Hotel Ocidental” modesto e pouco dispendioso e que, situado também na Praia Grande, oferecia ao visitante a mesma vista agradável, que lhe era apresentada nos outros hotéis.
A Praia Grande tinha os seus encantos: bela vista sobre as águas; passeio à beira-mar; brisa do mar, sombra das árvores e a música aos domingos, à noite, que tocava em frente do palácio do Governo e às quintas-feiras no jardim de S. Francisco.
Os únicos meios de transporte, que havia, eram o rickshaw e, a cadeirinha, espécie de palanquim transportado por dois ou quatro homens.
Era a Praia Grande pavimentada a macadame e o resto da cidade quase todo calçado à portuguesa.
Viam-se na Praia Grande as residências dos Primeiros e Segundos Condes de Sena Fernandes, de Carlos Pais da Assunção, de Luís Aires da Silva, do Major Aurélio Xavier, do General Garcia, José Ribeiro, Simplício de Almeida, Dr. Álvares, Constâncio José da Silva, Alexandrino de Melo, da Família Eça, do Capitão Carneiro Canavarro, etc.
E algumas viviam os chineses Lam-Lim, Chou-Sin Ip, Li-Kiang-Chin, Chan-Fong e outros.
(1) Extraído de REGO, Francisco de Carvalho e – Macau … há quarenta anos in «Macau». Imprensa Nacional, 1950, 112 p.
(2)Anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/08/10/leitura-macau-ha-cem-anos-a-chegada-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/08/16/leitura-macau-ha-cem-anos-a-chegada-ii/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/francisco-de-carvalho-e-rego/
(3) O Sr. Farmer comprou o “Hotel Hin-Kee” em Maio de 1903, para transformá-lo no “Macao Hotel”, porque não conseguiu, como era seu desejo, arrendar o Hotel sanatório “Boa Vista”, que em 1901 foi expropriado pelo governo e cedido/vendido  à Santa Casa de Misericórdia por 80 mil patacas.
(4) O súbdito francês A. A. Vernon tinha um projecto de contrato de jogos em Macau em 1909 mas não chegou a concretizar por não ter tido a autorização do Director-Geral da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar. Em 1910 é-lhe concedida licença para a circulação de automóveis em Macau e solicita idêntica autorização de Cantão em 1911 para poder encarregar-se de transportes viários entre Macau e Qiang Shan (Casa Branca para os portugueses)   A. Vernon geria o “Hotel Boa Vista” (arrendado à Santa Casa de Misericórdia) e queria trespassá-lo em Janeiro de 1913 para G. Watkins mas não foi aprovado pelo Governo. Depois de vários outros posteriores arrendamentos (o Liceu de Macau esteve aí instalado até passar ao Tap Seac) o Governo compraria em 1923 o Hotel à Santa Casa de Misericórdia por 82 585 patacas.

No dia 3 de Março de 1929, realizou-se um concerto no Teatro D. Pedro V, com o seguinte programa: pianista Harry Ore; (1) director da Banda Municipal, Sr. Constâncio José da Silva; (2) mezzo-soprano Mrs R. Sanger de  Hong Kong.(3)
Nessa mesma data e no mesmo Teatro,  o Padre Teixeira em (4), pág. 32, refere:
“Uma companhia italiana representou a ópera Carmen, com o mezzo-soprano Agozzino, (5) o tenor Giovanni (6) e o barítono Casarosa (7)”.
(1) Sobre Harry Ore, distinto pianista, irei publicar uma postagem em Abril.
(2) Nesta data, 1929, Constâncio José da Silva era director musical e regente da Banda da Polícia. Foi nomeado pelo  Governador Tamagnini Barbosa (Portaria 192, de 27 de Agosto), para director musical e regente da Banda da Polícia em 1927, ano em que foi criada esta a banda. (JORGE, Cecília; COELHO, Rogério  Beltrão  – Roque Choi, Um Homem dois sistemas, 2015, p. 22).
Quanto à Banda Municipal, em 6 de Julho de 1919, a Comissão Administrativa do “Leal Senado da Câmara de Macau (…) no intuito de melhorar a Banda Municipal, de modo a ser de algum proveito para o publico, resolveu nomear  Constâncio José da Silva para se encarregar da remodelação e regência da dita Banda” , mas as condições colocadas por Constâncio não agradaram à Comissão Administrativa que optou por contratar Alessio Benis, director musical do circo italiano “Bostock” que se encontrava na região. (JORGE, Cecília; COELHO, Rogério  Beltrão  – Roque Choi, Um Homem dois sistemas, 2015, p. 21)
Deixarei para uma próxima postagem, uma abordagem a este advogado e jornalista, Constâncio José da Silva que nasceu em Macau, na freguesia da Sé em 8 de Janeiro de 1864 e faleceu em Shanghai em 1947.
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
(4) TEIXEIRA, Pe. Manuel – O Teatro D. Pedro V, 1971.
Rina Agozzino(5) Rina Agozzino (Mezzo-Soprano) (Summonte/Avellino 1888- ?). Actuou até 1939.
She was born in Sicily and later she moved to Neaples where she studied with Massimino Petrilli. She made her debut in 1906 at Mercadante of Neaples as Lola in Cavalleria Rusticana. In 1914 she appeared at the Teatro Real in Madrid in ”Walkiria” of Wagner  with Ofelia Nieto, Guido Vaccari and Jose Segura-Tallien. In 1916 she sang in ‘’Favorita’’ at the Teatro Regio in Parma with Giuseppe Paganelli as Fernando and Edoardo Faticanti  as Alfonso XI.”
http://forgottenoperasingers.blogspot.pt/2011/08/rina-agozzino.html
No ano de 1929, Rina Agozzino fez um “tour” pelo Oriente actuando em Manila, Batavia, Singapura, Shanghai, Hong Kong, Macau e Tien- Tsin (Tianjin).

Giovanni Martinelli(6) Giovanni Martinelli (1885-1969), tenor italiano com vida artística de 1929-1962. Um dos mais famosos tenores do século XX tendo uma longa carreira no Metropolian Opera em Nova Iorque. Não encontrei registos que confirmem ser este “Giovanni”, o que actuou em Macau.

Giovanni Martinelli  (foto entre 1918-1928)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Giovanni_Martinelli#/media/File:Giovanni_Martinelli3.jpg
(7) Giuseppe Casarosa, barítono italiano, actuações em Itália desde 1911 a 1942 com uma interrupção ente os anos 1927 a 1932, onde possivelmente terá feito actuações no estrangeiro nomeadamente no Oriente.
http://musicsack.com/TheatreYearEvents.cfm?TheatrePK=801000384&Year=1926

As festas da República foram ali assinaladas por uma revista militar que se realisou no Campo de Long Ting Ching.

Festas da República 1913 I“O governador da província, sr Sanches de Miranda, passando em revista os marinheiros da Patria

Eram mais de seiscentos homens, entre os quaes iam os marinheiros da Patria, a infantaria, artilharia e polícia, além dos mouros e chinas que constituem as forças indígenas. O governador da província, sr. Sanches de Miranda, (1) assistiu ao desfile das unidades que pela sua correcção causaram entusiasmo na numerosa assistência que ladeava o campo e as ruas do percurso.

Festas da República 1913 II“Os marinheiros em marcha”

À noite houve iluminações e um grande jantar oficial no palácio do governo, solenisando-se d´este modo,o aniversário do novo regime.” (2)

Festas da República 1913 III “A Pátria e o vapor de Hong Kong a Macau fundeados na bahia da Praia Grande”

 NOTA: A destituição da monarquia constitucional e a implantação da República Portuguesa foi a 5 de Outubro de 1910. A proclamação da República em Macau foi feita a 11 de Outubro de 1910 , pelas 12 horas, no Leal Senado.

“…cerimónia da proclamação da República , indo S. Exa. o Governador da província, à varanda dos Paços do Concelho, onde proclamou a Republica, à qual deu vivas, que foram correspondidos enthusiasticamente pelo povo e funcionários presentes a esse acto, hasteando-se n´essa ocasião a nova bandeira nacional, encarnada e verde, com tralha encarnada …” (3)

O auto da proclamação da República, elaborado pelo escrivão do Leal Senado, Patrício José da Luz foi assinado por 44 individualidades. Os mais conhecidos, Eduardo Augusto Marques (governador de 22-IX-1909 a 29-XI-1910, João Marques Vidal (governador interino de 30-XI-1910 a 17-XII-1910),  Álvaro Cardoso de Mello Machado ( governador interino de 17-XII-1910 a 14-VII-1912, Luiz Gonzaga Nolasco da Silva, Constâncio José da Silva. Manuel da Silva Mendes, Camilo d´Almeida Pessanha, António Nascimento Leitão, Pedro Nolasco da Silva Jr.

(1)   Aníbal Augusto Sanches de Miranda, oficial da armada: governador de 14 de Julho de 1912 a 16 de Abril de 19 de Abril de 1914.
(2)   Artigo não assinado na revista “Illustração Portugueza”, de 24 de Novembro de 1913.
(3)   2.º Suplemento ao Boletim Oficial, n.º 41 (1910)

Anúncio do jornal (anunciava-se como “ «PERIÓDICO, REPUBLICANO INDEPENDENTE») “O LIBERAL”, em 1922.
Este jornal iniciou a sua publicação a 3 de Maio de 1919. O proprietário (também editor e director) foi Constâncio José da Silva (1) e publicava-se duas vezes por semana (às quintas-feiras e aos domingos) (2)

ANÚNCIO O Liberal

Tinha como secretário, D. G. da Rosa Duque (3) e administrador, Elísio das Neves Tavares. Tinha agentes e correspondentes em Hong Kong, Shanghai, Tientsin, Amoy, Cantão, Manila, Soerabaya, Timor, Kobe e S. Francisco da Califórnia.
O número avulso custava 15 avos e “as assinaturas eram pagas em notas de bancos europeus e cobradas adiantadamente”.
Os anúncios no jornal custavam 50 avos por cada polegada de coluna, ou fracção de polegada, com 50 % de desconto caso haja repetição.
A redacção, administração e a tipografia ficavam na Rua da Praia Grande, n.º 55 com o telefone n.º 127.
O periódico tevê curta duração, terminou em 29 de Janeiro de 1924 (4)
(1)   Constâncio José da Silva, tinha sido o director da “Verdade”, periódico anticlerical, que foi contra “o pedido de certas forças locais” para a manutenção, em solo macaense, das congregações religiosas após a implantação da república, em 1910. Refere Beatriz Basto da Silva que Constâncio José da Silva que se mostrou sempre anticlerical, morreu em Shanghai, convertido e confortado com os sacramentos da Igreja.
Recordo que Constâncio José da Silva era advogado e interveio no episódio dos piratas em Coloane e relatado em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/constancio-jose-da-silva/ 
Por curiosidade, é o mesmo Constâncio José da Silva que foi incumbido em 5 de Julho de 1919, para remodelar e reger a Banda Municipal. Há uma indicação de um actuação da banda, em 3 de Março de 1929, num concerto no Teatro D. Pedro V (5)
(2)   Luís G. Gomes refere “O LIBERAL” como um semanário. (4)
(3)   Domingos Gregório da Rosa Duque foi editor e director do semanário «O Combate» iniciado em 06-02-1923 (foi até 21-10-1926) e fundou em 1931 o jornal «A Voz de Macau». (5)
(4)   GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(5)   SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau. Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude de Macau, 1007, 454 p. ISBN-972-8091-11-7

Continuação do anterior post (1)
“Alguns aventuram-se nas ruas de Macau; entram no fantan e jogam; penetram nas casas de prazer onde come o fane (2) e bebem o chá e se a polícia adrega saber que está ali um pirata então arranja- se uma verdadeira série de artimanhas para se pôr a salvo. Já sahiu; abonam-se-lhe as qualidades ou n´um rompante elle foge deixando nas mãos da auctoridade o seu rabicho…postiço. Macau é o paraízo dos piratas que se abrigam quasi sempre em Coloane ou na Taipa onde ha annos foi preso o mais terrível de todos elles. O vice-rei de Cantão tinha medo d´esse homem extranho que raptava as mais ricas donzelas da sua província e ousadamente as levava para as ter como refens. O Ho Nam (3)viu presas as suas mais formosas filhas, as lindas chinezinhas de pés minusculos, olhos em amendoa e sobrancelhas traçadas a nankin: e todo o Kuang Tung (4)chorava de magua por esse raptor de donzelas jamais ser apanhado e que exigia sempre quantias fabulosas pelas suas captivas.

LEGENDA DAS FOTOS:
1 – Os piratas prisioneiros no quartel da polícia
2 – Uma mulher pirata
3 – A povoação de Lai-chi-van onde estavam acoutados os piratas
4 – Trecho da estrada do porto á villa
5 – Estragos do bombardeamento na ilha de Coloane

Corria já bem forte a lenda: o pirata era quasi um semi-deus. Um dia soube.se que estava na Taipa; um pelotão de marinheiros portuguezes foi dar caça a esse terrivel bandido, que tanto incommodava o mandarim vice-rei de Cantão, e, após um tiroteio violento, trouxe ferido n´um calcanhar esse Achilles da raça amarella para a fortaleza do Monte.
Chorava noite e dia o famoso pirata raptor das mais lindas virgens de Ho-Nan e dizia no meio dos seus prantos que jamais fizera mal aos portuguezes que o iam enviar para essa China terrivel, onde seria decepada a sua cabeça”

LEGENDA DAS FOTOS:
1 – Um posto de observação
2 – Outro aspecto da villa bombardeada
3 – Grupo de captivos pelos piratas que as tropas portuguezas libertaram

É sempre assim; os piratas preferem os seus compatriotas como succedeu agora n´essa triste aldeia de Tong ang, no districto de Sanneg, dónde roubaram da escola dezasseis creanças que levaram captivas para Coloane. Do fundo do rochedo, onde as tinham guardado, exigiam trinta e cinco mil patacas. Os paes das creanças choravam; o commerciante de Hong Kong, fundador da escola, desolava-os; todos pediam providencias ás auctoridades portuguezas que, como sempre, marcando muito bem a sua suberania no território, foram caçar os raptores …..”
…continua…..

Artigo e fotos não assinados das páginas 331 e 332 , Ilustração Portuguesa (edição semanal do jornal O SECULO), n.º 238, Lisboa, 12 de Setembro de 1910, pp. 329 – 334.

Segundo Luís Gonzaga Gomes (5), terá sido no dia 5 de Maio de 1910 que “ousados piratas chineses incursionaram as aldeias de Tong Hang e Pac Seac, do distrito de San Neng, em Seak Kei, e raptaram 18 crianças, das quais 17 eram alunos, sendo o último um moço de cozinha, duma escola, exigindo $ 35,000, quantia bastante elevada para a época.” Três chineses de Hong Kong, um dos quais era avô duma das crianças raptadas e outros dois, progenitores de duas das crianças, solicitaram a ajuda do advogado Constâncio José da Silva  (6) no dia 11 de Julho. O advogado fez uma “bem fundamentada exposição” ao Governador da Província (Eduardo Augusto Marques) relatando os factos juntando à sua exposição as três cartas dos chefes dos piratas em que exigiam o resgaste.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/09/historia-de-piratas-i-ilhas-de-piratas/
(2)  –mandarin pinyin: fàn; cantonense jyutping: faan6 – arroz cozinhado, refeição.
(3) Aldeia/Vila da província de Guangdong / 廣東 / Kuangtung / província de Cantão.
(4) 廣東 – mandarin pinyin: guang dong; cantonense jyutping: gwong2 dung2 –  província de Guangdong/Cantão
(5)  GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau. Instituto Internacional de Macau, 2010, 358 p., ISBN: 978-99937-45-38-9 
(6) Constâncio José da Silva era advogado, editor, director e proprietário do hebdomadário “A Verdade“, cuja redacção, administração e tipografia estavam instaladas, no rés-do-chão do prédio n.º 17 da Rua da Praia Grande, onde ele residia com a sua família e onde tinha também o seu escritório de advogado.