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Extraído de «A Liberdade»,  I- 7 de 30 de Agosto de 1890, p. 3

Referências anteriores dos jinricshas/riquexós e às ruas de S. Lourenço e do Bazarinho, ver em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/riquexos/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-de-s-lourenco/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-do-bazarinho/

A propósito duma postagem anterior, sobre “jerinxá/riquexó” (1), recupero a referência que o Governador Álvaro de Mello de Machado deixou escrito no seu livro “Coisas de Macau” (1913), na p. 144, (2) sobre os meios de transportes de Macau nomeadamente sobre o “Jrinksha” (grafia do autor)

Jrinksha particular das casas senhoriais da Praia Grande

O meio de transporte mais adaptado em Macau é o jrinksha, ligeiro veículo a duas rodas puxado por um chinez. A pequenez da cidade não comporta as velocidades das carruagens e dos automóveis, e d´ahi a ausência quasi completa de semelhantes vehiculos, que representariam um luxo demasiado caro, quasi sem aplicação” (3)

“ É pois o jrinksha, que invade todas as ruas, circula em todas as direcções, já barulhento e desconfortável rodando ao passo cançado do seu mal alimentado conductor, já elegante, airoso, resplandecendo metaes, deslisando suave sobre os seus aros de borracha, agilmente impelido pelos músculos fortes de dois reforçados rapazes. Todas as pessoas, que vivem com um certo desafogo, possuem um jrinksha que as transporta para toda a parte. (4) E assim, dando largas á fantasia, ao gosto, ou ao espirito de ostentação, o ligeiro carrinho e os seus conductores percorrem todas as escalas, d´este o imundo vehiculo de praça ao bello exemplar acharoado, que o Japão fabrica para preços caros, puxado pelos culis vistosamente enfarpelados, anunciando ao longe as côres a identidade da pessoa que transportam.

A principio custa naturalmente, a quem não está habituado, a sentir-se confortavelmente transportado pelo trabalho violento de humanas creaturas. Mas vem o habito, e com elle a apreciação do treno grande que essa gente tem, podendo correr durante horas sem grande esforço a velocidades moderadas, e aguentando facilmente uma corrida veloz, para menos importantes extensões; e acaba-se por achar natural, e até commodo e agradável, esse meio de transporte”

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/riquexos/

(2) MACHADO, Álvaro de Mello – Coisas de Macau. Livraria Ferreira, 1913, p. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/alvaro-de-melo-machado/

(3) Em 1907 existiam sete automóveis e em 1911, apareceu o primeiro táxi.

(4) Também as entidades oficias tinham os seus jerinshás particulares, como se pode comprovar com esta informação: “13-04-1914 – Aquisição de quatro jerinxás, do tipo Saigão, para o Palácio do Governo (A.H.M.-F.A.C-. P. n.º 73-S-E) in SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. III, 2015, p. 78.

Anteriores referências aos riquexós/ jerinxás em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/riquexos/

Como forma de regularizar o sistema de transporte – jerinxás/riquexós (1), (2) o governo, optou pela concessão em regime de monopólio mas surgiram nos últimos anos do século 19 várias greves. Para tentar revolver o problema, surgiu a hipótese de municipalizar este serviço, isto é, ficar o Leal Senado com o exclusivo dos serviços de transporte, mas não foi concretizado. (3)

Mas em 7 de Julho de 1909, nova greve de serviço de carros – «jerinxás» – promovida pelos cules. (4)

(1) O primeiro regulamento deste meio de transporte data de 1883, tendo sido alterado em 1888. Incluía questões relacionadas com a sinalização, estacionamento, circulação e preços do respectivo aluguer. Em 27-08-1883, após Sessão da Câmara, o Leal Senado de Macau apresenta ao Conselho da Província um projecto de Postura sobre a circulação, vigilância e preços dos carros chamados «Jin-rik-shás» (riquexós); o projecto é aprovado em 26-09-1883 e publicado integralmente no Boletim N.º 42 de 20 de Outubro.

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Extraído de «BPMT», XXIX-42 de 20 de Outubro de 1883, pp. 370-371

(2) O Jerinxá ou riquexó é um pequeno carrinho, muito leve, de rodas raiadas de arame de aço e guarnecidas de arcos de borracha, com assento para uma pessoa. Possui capota para o sol ou para a chuva, dois delicados varais entre os quais se coloca o cule a puxar; e como se tratasse de qualquer outra carruagem, tinha uma campainha ou guizo e as respectivas lanternas. O jerinxá teve origem no Japão jin-riki-gá (homem-força-carro) os ingleses adoptaram o termo para jin-riki-shá e simplificaram depois para rick-shaw. A grafia “riquexó” terá surgido, pela primeira vez, num texto do escritor macanese contemporâneo Luís Gonzaga Gomes” (informação de CAVALHEIRO, Jorge in “Da Sampana ao Jactoplanador, Da Cadeirinha ao Automóvel”, pp. 42-44)

jin-riki-gá, Japão, c. 1897 (https://en.wikipedia.org/wiki/Rickshaw)

(3) Há uma notícia surgida no semanário luso-chinez «Echo Macaense» (1893-1898) de 3 de Janeiro de 1895 que refere “Estão em greve os conductores dos carros jinrickshas [riquexós]. É a segunda vez que isto acontece. Já estava previsto que o regime de monopolio traria por repetidas vezes estas semsaborias. O monopolista não pode explorar o público, porque não pode alterar a tabella dos preços, visto que se obrigou por contrato a respeitá-la. Resta-lhe portanto explorar o trabalho insano dos pobres conductores…”

(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, p. 38

Ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/riquexos/

Notícia curiosa surgida no jornal «O Independente» (1)  em que se anuncia o aparecimento pela primeira vez de «dois carrinhos» velocípedes  que percorreram rapidamente a Praia Grande e estradas do campo.

(1) «O Independente» I- 38 de 21 de Maio de 1869, p. 330

O mesmo acontecimento foi relatado pelo «BPMT» (2) de 17 de Maio.

(2) «BPMT», XV-20 de 17 de Maio de 1869

Dado que em ambos os periódicos, um de 17  e outro de 21 de Maio, referem “…esta semana …” pressuponho que o mesmo episódio tenha sido entre 14 a 16 de Maio de 1869

“O ambiente de optimismo e confiança no futuro ecnómico de Macau manteve-se, em crescendo, por todo aquele ano. O relatório do Comissário das Alfândegas Chinesas da Lapa, publicado em Junho, é francamente favorável e animador. Ali se referem as várias indústrias macaenses em progresso, se aponta a importância das corridas de cavalo, ainda que improvisadas, como factor de grande relevância para o turismo. E mais, exalta-se a inauguração do primeiro troço de oito quilómetros da estrada Macau-Seac Ki, construída pela Repartição das Obras Públicas, em terra vizinha, com a colaboração das autoridades desse território, em 18 de Março, com a presença do Governador Tamagnini, para além da Porta do Cerco.

Esta estrada macadamizada valorizou decisivamente a economia de Macau e as suas relações comerciais com o “hinterland”. A Companhia de Autocarros Kee Kuan lança carreiras para aquele território, dezenas de automóveis atravessam a Porta do Cerco, levando veraneantes e caçadores, principalmente aos Sábados e Domingos, organizam-se piqueniques e caçadas às rolas, perdizes e narcejas, ou então, pescarias à “asa vermelha”, nos meandros do rio e dos ribeiros e riachos afluentes.

Ainda nos lembramos desses passeios. Visitámos muitas localidades cujos nomes nos eram familiares: Chin Sán, Chôi Mei, Ku Oc, Tong Ká, Li Tchai, Seac Ki, Vong Mau Tché, as Águas Quentes e Choi Hang, terra de nascimento de Sun Iat Sen. Na nossa memória ficaram as merendas saboreadas em troços de estrada, à sombra e ao ramalhar de grandes árvores de pagode, os bambuais vergando ao sopro da viração, os búfalos mergulhados nas águas lamacentas das várzeas, com o focinho de fora, os camponeses atravessando pequenas pontes de pedra, a sorrir para nós, e o cheiro penetrante e enjoativo da espiga de arroz, quando madura, que nos perseguia durante todo o trajecto. Era uma vida boa!” (http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30018/1706)

Sobre a estrada Macau – Seak Kei/Shiqi, ver anterior referência em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/16/noticia-de-16-de-marco-de-1928-estrada-macau-seac-kei/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/03/18/noticia-de-18-de-marco-de-1928-a-nova-estrada-macau-seak-kei/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/04/13/noticias-do-mes-de-abril-de-1934-ecos-de-macau/

No dia 15 de Julho de 1988, os «Correios e Telecomunicações de Macau / CTT MACAU» emitiram e puseram em circulação selos postais alusivos à emissão extraordinária Meios de Transportes Tradicionais – 2. º Grupo“ e um bloco filatélico. Trata-se de uma continuação da emissão de selos sob o tema “Meios de Transporte “ iniciado em 1984 com os “Barcos de Pesca” e terminado com os “Hidroaviões” (estes já publicados em anteriores postagens (1) (2)

Os quatros selos desta emissão são nos valores de 20 avos (bicicletas), 50 avos (motociclos) 3,30 patacas (automóvel) e 5 patacas (automóvel) (3)

Os desenhos são de  Ng Wai Kin

“Os primeiros automóveis começaram a circular em Macau nos anos 20. Decorridos dez anos não haveria no Território, mais do que uma escassa dezena de carros; o carro do Governador e os de algumas famílias mais abastadas. Com o decorrer do tempo, porém, o automóvel começou a generalizar-se e, em cada ano que passava, a sua expansão ia sendo cada vez maior. De facto, após os anos 50, o automóvel começa a ser uma presença efectiva no ambiente da cidade. Contudo, a sua circulação permitiu ainda, até finais da década de 70, a circulação regular de meios de transporte tradicionais, nomeadamente o triciclo e a bicicleta.

Nos anos 80, acompanhando o rápido crescimento económico e populacional do Território, o automóvel acabou por conquistar todo o espaço disponível da cidade. Hoje o transporte motorizado automóveis, motociclos e ciclomotores, é um hábito generalizado numa população que ronda o meio milhão de habitantes, vivendo, a maior parte, num espaço exíguo, a península de Macau, ocupada inteiramente pela cidade do mesmo nome, com uma área de pouco mais de 6 km2! “ (4)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/10/09/noticia-de-9-de-outubro-de-1989-1-o-dia-de-circulacao-meios-de-transpor-tes-tradiconais-hidroavioes/

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/10/09/noticia-de-9-de-outubro-de-1989-1-o-dia-de-circulacao-meios-de-transpor-tes-tradiconais-hidroavioes-ii/

(3) Portaria n.º 115/88/M – Emite e põe em circulação selos postais alusivos à emissão extraordinária «Meios de transporte terrestres».

(4) Texto de Jorge Cavalheiro in “Da Sampana ao Jactoplanador, Da Cadeirinha ao Automóvel”. Edição da Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações de Macau, 1990, 114 p.

Anúncio, de 1932, de uma empresa de transporte (aluguer de automóveis) em Macau  “EMPRESA LUSITANA DE TRANSPORTES LIMITADA” em que garantia “serviço da ILT – EFICIENCIA e LIGEIRESA nos TRANSPORTES”.

A sede da empresa estava na Avenida Coronel Mesquita s/n.

Notícia extraída de «A Aurora Macaense». I-40 de 14 de Outubro de 1843.

NOTA: : 01-10-2019 – corrigido o lapso:  a notícia originalmente publicada no dia 10 de Setembro de 2019, como “NOTÍCIA DE 10 DE SETEMBRO DE 1843” deve-se ler “NOTÍCIA DE 7 DE OUTUBRO DE 1843. Peço desculpas pelo erro que não foi devidamente identificado na altura..

Extraído de «BGC» XXVI-305, 1950

Uma das novas lanchas a motor que em 1 de Setembro de 1950 inauguraram as carreiras para as Ilhas da Taipa e Coloane. (1) Em Maio desse ano tinha sido inaugurada a nova ponte do Cais de cimento na Ilha da Taipa, bem como uma estrada de ligação com o centro da vila.
A partir de 7 de Setembro desse mesmo ano, iniciaram as carreiras de «auto-omnibus» entre a ponte cais da Taipa e a povoação da Taipa.

Extraído de «B.O. » n.º 37 de 16 de Setembro de 1950

(1) As carreiras fluviais entre Macau e Ilhas foram reiniciadas a 4 de Fevereiro de 1950 (B.O. de 04-02-1950 – DL 1112 desta data)
e o Regulamento da concessão do exclusivo das carreira fluviais para passageiros entre Macau e as Ilhas foi publicado no B.O. n.º 9 de 4 de Março, n.º 11 de 18 de Março e n.º 35 de 2 de Setembro de 1950

Extraído do «B.O.».  9 de 4 de Março de 1950
Extraído do «B.O.», 35 de 2 de Setembro de 1950,

Guia turístico, em chinês e inglês, emitido pelo “Macau Government Tourism Office” em 1993, com 104 páginas (18,8 cm x 12 cm). Publicado (“Not for sale”) por “Directed Macau Listas Telefónicas, Lda.”, com apoio dos Serviços de Turismo de Macau.
NA CONTRACAPA
Anúncio dos Serviços de Turismo de Macau, publicitando o Buffet de comida macaense às sextas-feiras, por 95 patacas (adulto) e 50 patacas (crianças menor de 12 anos), com acompanhamento da música ao vivo da “Tuna Macaense”, no Restaurante da Pousada de Mong Há.

Calendário dos eventos turísticos e feriados em Macau, de 1993, em inglês
Calendário dos eventos turísticos e feriadossem Macau, de 1993, em chinês

Com interesse, os diversos anúncios e fotos desse ano de 1993 como por exemplo
ANÚNCIO – Restaurante do Casino Jai-Alai no Palácio de Pelota Basca, Porto Exterior, aberto 24 horas e “Our midnight Dim Sum is so distinguished that everyone visits Macau must not miss it
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/casino-jai-alai/
ANÚNCIO – Macau Mokes (“Macau´s original self-drive rental company”)
ANÚNCIO – Café a Bica
Ver anterior referência em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/03/25/caixa-de-fosforos-cafe-a-bica/
澳門遊踪mandarim pīnyīn: ào mén yóu zōng ; cantonense jyutping: ou3 mun4 jau4 zung1.