Archives for category: Poesia

Princípio do Ano Novo

As magnólias exalam perfume,                         os narcisos desabrocham,
Chegou o Ano Novo, a Primavera                        volta ao mar e às montanhas
Distribuo laisi aos meus netos,                            alegremente,
A minha esposa ri de um velho                            enlouquecido

Versos de Liang Beiyun  –  梁北云 (1907 – 2001) de 1985
Tradução de Wei Ling / Luís Rebelo in (1)

Verso do Laisi (envelope vermelho)

(1) ABREU, António Graça de; JOSÉ, Carlos Morais (coordenadores) – Quinhentos Poemas Chineses. Nova Veja, 2014, 390 p.
Ver anteriores referências a este poeta em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/liang-beiyun-%E6%A2%81%E5%8C%97%E4%BA%91/

Extraído de «Boletim do Governo de Macao», IX-26 de 30 de Maio de 1863.
Um Aviso de 3 de Fevereiro de 1863 onde João Miguel da Roza (Calçada de Santo Agostinho, n.º 12), (1) se encarregava, em Macau,  de receber assinaturas para os jornais portugueses nomeadamente:
Correspondência de Portugal” (bimensal) – ????
A Nação” – diário editado por A. M. C. Lacerda de 1847 a 1928, Lisboa

Cabeçalho de «A NAÇÃO» no dia 3 de Fevereiro de 1863

“Archivo Pittoresco” – semanário ilustrado dos editores e proprietários: Castro e Irmão & C.ª de 1857 a 1868.)
“Atalaia Catholica” – jornal religioso de 1854 a 1864 (396 números publicados), com sede em Braga e dirigida sempre por José Maria e Sousa. Continuado depois pela «Revista Ecclesiástica do Arcebispado de Braga»
ARCHIVO PITTORESCO – o primeiro número do ano 1863 (6.º Ano)
O Bem Público” – jornal católico, científico e literário, dirigido por J. M. de Sousa Monteiro. Publicado de 1857 a 1877 (50 números) pela Tipografia Portuguesa em Lisboa.
Fé Catholica”- Jornal religioso, dirigido por António Joaquim Ribeiro Gomes de Abreu de 1861 a 1867 (119 números) em Lisboa.
Amigo da Religião” – revista eclesiástica, religiosa, política e científica., dirigida por A. G. C. Silva, de 1858 a 1861, em Lisboa. (2)
O «AVIZO», anunciava também a venda de “Obras de Nicolau Tolentino”, em brochura ou encadernadas
Nicolau Tolentino de Almeida (1740 – 1811) foi professor, jurista, escritor e poeta português. Pertenceu ao movimento da Nova Arcádia (1790-1794).
Nesse ano (1863) estariam certamente já disponíveis as edições de:
«Obras Poéticas de Nicolao Tolentino de Almeida» – Tomo I e II (1801) (3) e
«Obras Posthumas de Nicolao Tolentino de Almeida» – 1828 (4)
(1) Consultando o livro de Jorge Forjaz, com esse nome: João Miguel da Roza, existem dois; o pai, João Miguel do Espírito Santo Rosa, nascido a 15-05-1829 e falecido a 28-05-1879 e seu filho: João Miguel da Rosa, nascido em 30-4-1846 e falecido a 24-03-1933 e que era escrivão do Colégio de S. José. (FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, III vol, p. 355.)
2) “Inventário da Imprensa Católica entre 1820 e 1910“. Acessível em:
https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/4890/1/LS_S2_03_JoaquimAzevedoeJoseRamos.pdf
(3) Acessível em:
http://purl.pt/133/4/
(4) Acessível em:
http://www.gutenberg.org/files/36608/36608-h/36608-h.htm

Poema “Jóia do Oriente” de autoria do então jovem 2.º tenente Leonel Cardoso, de Setembro de 1950, inserido num artigo intitulado “Recordação de Macau”, publicado na «Revista da Armada» de 1986 (1)

Lorchas, tancar, tancareira – imagens de Macau (foto do sargento-ajudante L. Manuel Horta)

N. R.: Glossário: «cabaia» – vestido usado pelas chinesas; «coolie» – assalariado chinês; «fan-tan» -jogo de azaar; «lorcha» – embarcação chinesa, à vela ligeira e pequena, usada especialmente em Macau; «pataca» – moeda de Macau; «pei-pa-chai» – versão chinesa da gueixa que actualmente já não existe; «sapeca» – dinheiro; «tancar» ou «tancá» – pequeno barco chinês a remos; «tancareira» – mulher que tripula o tancá ou tancar; «tin-tin» – ferro velho

(1) «Revista da Armada» n.º 179, Agosto de 1986, ANO XVI, pp. 16-17, pp. 270-271
https://www.marinha.pt/Conteudos_Externos/Revista_Armada/1986/index.html#p=270

Um soneto de Manuel da Silva Mendes (1) publicado no n.º 3 de 1 de Dezembro de 1920 na folha mensal  “A Academia”, (2) publicação da associação dos alunos do Liceu Central de Macau, denominada “Academia” (fundada por iniciativa do reitor Carlos Borges Delgado).

«O que quereis, à última da hora,
Rapazes, no jornal que vos escreva?!
Tolices? Todo o tempo não me chega
P´ra corrigir as vossas … Ora …Ora!
 
Demais a mais, sabeis que, muito embora
Eu mestre seja, tendes cá na adega
Quem melhor o licor das musas beba,
Ide, pois, lá. Deixai-me em Paz agora …
 
Ou, se não convidai as raparigas:
Há-as ahi na apolínea lira bela
Mui excelentes mestras em tangê-las.
 
Enfim, se imaginais que com cantigas
Me venceis, trêtas, pândegas, ó Rosa,
No fim do ano apanhais uma raposa».

(1) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-da-silva-mendes/
(2) Fundada em 5 de Outubro de 1920, a folha mensal durou até Junho de 1921 e reapareceu (depois das férias) como revista em Abril de 1922, o nº 10 (o último número segundo o Padre M. Teixeira). Tinha como director, Pedro Correia da Silva (3), editor o reitor, Carlos Borges Delgado e administrador Edmundo Carlos da Silva.
(3) Pedro Belford Correa da Silva (Paço d´Arcos) (1905-1936) advogado e poeta, foi aluno do Liceu de Macau entre 1919 e 1922 (5.º ano ao 7.º ano). Fundador do jornal “A Academia” onde também colaboraram os seus irmãos: Joaquim Belford Correa da Silva (1908-1979), ficcionista, dramaturgo, poeta, conhecido como Joaquim Paço d´Arcos e Henrique Belford Correa da Silva (1906-1993) poeta com o nome de Anrique Paço d´Arcos, Os irmãos chegaram a Macau em 1918, acompanhando o pai, o então capitão-tenente da marinha que tinha sido nomeado governador de Macau, Henrique Monteiro Corrêa da Silva (1878- 1935), nascido em Macau e governador de 1919 a 1922. (4)
(4) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/henrique-monteiro-correa-da-silva/
Extraído de TEIXEIRA, P. Manuel Teixeira – Liceu Nacional Infante D. Henrique, 1969.

Quando se erguerão as setteiras,
Outra vez, do castello em ruína ?
E haverá gritos e bandeiras
Na fria aragem matutina?
 
Se ouvirá tocar a rebate
– Sobre a planície abandonada?
E sairemos ao combate
De cota e elmo, e a longa espada?
 
Quando iremos, tristes e sérios,
Nas prolixas e vãs contendas,
Soltando juras, impropérios,
Pelas divisas e legendas?
 
E voltaremos, os antigos,
Os purissimos lidadores,
(Quantos trabalhos e perigos!)
Quasi mortos e vencedores?
 
E quando, ó Doce Infanta Real,
Nos sorrirás do belveder?
— Magra figura de vitral,
Por quem nós fomos combater.

Camilo Pessanha, Macau – 1895

Poesia de F. M. Bordalo, (1) de 20 de Novembro de 1845, intitulada “IMPROVISO” publicada originalmente na «Revista Universal Lisbonense, Jornal dos Interesses Phisicos, Moraes e Intellectuaes» (2) e posteriormente em 1851, aquando da estadia de Francisdo Maria Bordalo em Macau, no  «Boletim do Governo». (3)
.O “Improviso” foi composto a bordo da corveta D. João I, onde o poeta estava a caminho do Brasil em comissão de serviço, no momento em que a corveta se encontrava encalhada no banco de Ortis, no Rio da Prata (separação do Uruguai com a Argentina)
(1) Francisco Maria Bordalo (1821-1861), oficial da armada (promovido a capitão-tenente da armada em 1859), escritor, romancista, dramaturgo,folhetinista e colaborador em várias revistas portuguesas da época, Esteve em Macau de 1849 a 1852 quando era tenente, exercendo o cargo de secretário do governo de Macau.
Irmão do tenente Luís Maria Bordalo, falecido em 29 de Outubro de 1850, na explosão da fragata D. Maria II e a quem dedicou o romance “Sansão na vingança“(4)
É também autor de “Trinta anos de peregrinação -1821 a 1851 que foi publicado em fascículos por vários números no «Boletim de Governo» de 1851.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Maria_Bordalo
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/francisco-maria-bordalo/er
(2) «Revista Universal Lisbonense, Jornal dos Interesses Phisicos, Moraes e Intellectuaes», redigido por José Maria da Silva Real , Tomo VI, Anno de 1846-1847, pp. 202-203.
(3) Extraído do «Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor», Vol 6, n.º 50  de 1 de Novembro de 1851
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/06/08/leitura-sansao-na-vinganca/

No dia 4 de Novembro de 1940, faleceu em Paris, com 67 anos de idade, o padre Jean François Régis Gervaix, (1) que com o nome de Eudore de Colomban (2) foi autor de um «Resumo da História de Macau» (3). Nascido em França, a 3 de Dezembro de 1873, foi ordenado em 24 de Setembro de 1898 como missionário das Missões Estrangeiras de Paris, tendo partido de imediato para Guangdong(Cantão), onde missionou durante vários anos. No ano de 1916, veio de Cantão para Macau, tendo sido nomeado membro do Padroado Português a 28 de Junho de 1917; entre 1917 e 1925 foi professor do Seminário de São José. Foi o principal redactor, durante muito tempo, do Boletim Eclesiástico da Diocese de Macau Em 1925,  por convite, leccionou francês e literatura francesa na Universidade de Pequim, tendo por isso aí  residido.

O Padre Régis Gervaix na Gruta de Camões (ao lado do busto) entre alguns catecúmenos chineses

(1) Ver biografia completa em
TEIXEIRA, Mgr Manuel – Fr. Régis Gervaix the great french historian of Macao in
http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/20019/1013
(2) O Padre Régis Gervaix, com o pseudónimo de Gervásio, publicou no jornal «O Progresso» em 16 de Julho de 1916 (ano em que chega a Macau), um poema em francês, de homenagem a Camilo Pessanha, intitulado «Desiludido de Tudo e de Todos

“Je ne sais que ton nom, j’ignore ton visage,
Qu’on dit celui d’un sage,
D’un poete, sacré par le choix merité
De la posterité…
Car ton nom passera lumineaux d’âge en âge,
Comme un feu qui surnage
A l ‘horizon qui fuit sur l’abîme agité
De l’immortalité…”

(3) Ver anteriores postagens em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/regis-gervais/

MAPA DO PORTO DE MACAU
Plano de futuros (depois de 1926)
In p.144 de COLOMBAN, Eudore de – Resumo da História de Macau, 1927.