Archives for category: Poesia

Publicado no jornal “A Voz de Macau” de 5 de Julho de 1937.
Anteriores referências  a esta poetisa em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/maria-anna-acciaioli-tamagnini/

A Jau

Sou a tua presença, aos pés, calada, quieta,
Ò jau, com quem me identifico tanto,
Nesta gruta onde estou e escuto o canto
Das cigarras que é, hoje, a voz do teu poeta.
António sou (tenho o teu nome)
E escravo, também, da poesia.
Para ela é que estendo, em cada dia,
A mão à minha fome.

António Manuel Couto Viana (10.6.86) (1)

Camões e Jau (2)
Theobald Reinhold Freiherr von Oer, c. 1850

NOTA: O escravo indonésio natural da ilha de Java (Jau) a quem foi dado o nome cristão de António ficou conhecido em Portugal como o criado de Camões tendo acompanhado o poeta desde a Índia.
Terá assistido à morte de Camões na Calçada de Santana, juntamente com a mãe do poeta. Desconhece-se o destino do Jau após a morte do poeta. A sua existência é  referenciado por Pedro de Mariz (c 1550 – 1615; bibliotecário, historiado e escritor)

.. viveu em tanta pobreza, que se não tivera um jau,
chamado António, que da Índia trouxe, que de noite pedia
esmola para o ajudar a sustentar, não pudera aturar a vida.
Como se viu, tanto que o jau morreu, não durará ele muitos
meses.
Pedro de Mariz

Lembro aqui a propósito de Jau, outro poeta, Eugénio de Andrade: Lamento de Luís de Camões na morte de António, seu escravo”

Marginal
Devias estar aqui rente aos meus lábios
para dividir contigo esta amargura
dos meus dias partidos um a um
– eu vi terra limpa no teu rosto,
só no teu rosto e nunca em mais nenhum.

(1) In Macau – p.59 Suplemento da Revista Latina, Maio de 1991.
Anteriores referências deste poeta em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-couto-viana/
(2) Ver outro quadro de Camões com o escravo Jau em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/08/04/macau-e-a-gruta-de-camoes-xxxi-francisco-augusto-metrass/

Poesia publicada no jornal “Ta-Ssi-Yang-Kuo”de 1864, intitulada “ O Album e Eu” encontrada “N´um Album de uma Senhora de Macau”,. Sem identificação de autor(a)
«TSYK», I-46 de 18 de Agosto de 1864.

Publicado no jornal australiano “The Leader” de 14 de Maio de 1917 (1), um interessante e  extenso artigo (aconselho a leitura) com  o título “MACAO”, a propósito dum telegrama por cabo de 29 de Março de 1917  (2)

“It is stated that Japan purchased Macau from the Portuguese”

……………………………………………………………………………………..continua

Termina o artigo, com os versos de Sir John Bowring inscritos numa pedra granítica na Gruta de Camões
(1) “The Leader, Monday Morning, May 14, 1917 p. 6 (Orange, NBSW: 1912 – 1922) “
Disponível em:
nla.gov.au/nla.news-article117826380
(2) Sobre este assunto,  ver anterior postagem em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/03/22/noticias-de-22-e-30-de-marco-de-1917-macao-sold-purchased-by-japan-e-macao-island-sale-to-japan-questioned/

MACAO

An alien city rimmed by shallow seas
And purple islands, as the world extreme;
A siren of indolence and ease
Where men live at peace and poets dream
 
Clouds pass, men come and go, the seasons change,
But time moves on, although the clocks pretend,
Her beauty is familiar and strange …
Who, knowing her, shall not proclaim her friend?
 
I shall remember many of her way:
The signbords swingind in the autumn gales,
And on her inlets and tourquoise bays
The idle junks with safron coloured sails.

The yellow hour of twilight that recedes
The darkness burning with unnumbered stars
Dice rolling and men counting little beads,
The show sad songs girls sing to their  guitars.
 
A child cuts firewood in a coblet street
A crowd collects to watch two cricketsfight,
A city sonolent with nooday heat,
Transformed and shadowed with romance by night.
 
These memories and many others such
I shall retain; and underneath their charm
One of a woman I loved too much
And pray  that none may ever come to harm.
                                          Gerald Jollye
 

A baía da Praia Grande, a Igreja da Penha e o Hotel “Boa Vista”
 

Gerard Humphrey Jollye (1921-1950) Como militar britânico, no 1.º Batalhão no Norte de África foi ferido e como membro do Serviço Civil Malaio, morto aos 29 anos de idade, pelos comunistas na insurreição comunista na Malásia, numa emboscada perto de Malaca em 13 de Dezembro de 1950. Esteve em Macau (década de trinta- século XX) como cadete militar, a estudar chinês, hospedado no hotel «Boa Vista»
O Hotel «Boa Vista» que foi comprado em 1932 por Ieong Pat por 55 mil patacas, mas pouco durou como hotel pois em 1934, com um contrato de três anos (1934-1937) esteve alugado ao governo inglês para alojamento dos cadetes dos Serviços de Administração Civil Britânica, que vinham estudar chinês em Macau antes de entrarem no serviço administrativo. Com a invasão da China pelos japoneses, os cadetes regressaram a Hong Kong em 1936.
Segundo Padre Teixeira, «ouve vários romances entre os jovens cadetes e as jovens de Macau mas, como era vedado o casamento, vários corações ficaram partidos na hora da despedida» (1)
Relação dos funcionários ingleses pelo “Indian Office”, publicada no “The London Gazette”, Issue 35279,  19-09-1941 onde consta o nome de “Pte Gerard Humphrey Jollye”

(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997

Onde que tu vai, Macau?
Qui de amanhã ocê tê?
Já não é de Portugau
Nã é de China tambê …
 
Ou-Mun, sim, é de China
Macau foi de português,
Mas agora, terá minha,
Onde que vou pôr meus pés?
 
Filho di Macau largado
Orfão de mãe viva, assim …
Meu povo chora càlado.
Que nã sabe ele-sa fim …
 
Filho de Macau largado
Qui de amanhã para mim?

Graciete Batalha (1)

(1) «Revista de Cultura» n.º 20 (II Série) Julho/Setembro 1994. ICM.
Referências anteriores à Professora Graciete Batalha, em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/graciete-batalha/

Princípio do Ano Novo

As magnólias exalam perfume,                         os narcisos desabrocham,
Chegou o Ano Novo, a Primavera                        volta ao mar e às montanhas
Distribuo laisi aos meus netos,                            alegremente,
A minha esposa ri de um velho                            enlouquecido

Versos de Liang Beiyun  –  梁北云 (1907 – 2001) de 1985
Tradução de Wei Ling / Luís Rebelo in (1)

Verso do Laisi (envelope vermelho)

(1) ABREU, António Graça de; JOSÉ, Carlos Morais (coordenadores) – Quinhentos Poemas Chineses. Nova Veja, 2014, 390 p.
Ver anteriores referências a este poeta em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/liang-beiyun-%E6%A2%81%E5%8C%97%E4%BA%91/