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Extraído de «Boletim do Governo de Macau», VI- 17 de 31 de Março de 1860, p. 68

ANTÓNIO Feliciano MARQUES PEREIRA (1839-1881), jornalista e de folhetinista, veio para Macau em 1859. Casou em Macau (na igreja de S. Lourenço), no dia 8 de Janeiro de 1861, com Belarmina Inocência de Miranda, filha de António José Maria de Miranda, nome marcante na governação do Território neste período. É autor de uma série de “romances de acção contemporânea” publicados em vários números do Boletim do Governo de Macau (e depois publicados em separado com a denominação geral de “Esboços e Perfis”), e das “Efemérides Comemorativas a História de Macau” que foram apresentadas ao longo de vários números do Boletim e depois reunidas e publicadas em livro “Ephemerides commemorativas da história de Macau e das relações da China com os povos christãos”. (1) Ligado à publicação do semanário «Ta-Ssi-Yang-Kuo (Daxiyangguo 大西洋國)», de 1863 a 1866.

Além de outros cargos públicos foi Superintendente da Emigração Chinesa (1860-1865) (2); Procurador dos Negócios Sínicos, (1865 – 1868) (3); capitão da 1.ª Companhia do Batalhão Nacional de Macau (4); secretário da Missão Diplomática à Corte de Pekim nomeado pela Portaria de 15 de Abril de 1862 e exonerado a 11 de Setembro de 1862 (ordem n.º 34) de «BGMVIII», n.º 41 de 13 de Setembro de 1862, p. 164.

Depois da sua saída de Macau, António Feliciano Marques Pereira ocupou o posto de cônsul de Portugal no Sião (Janeiro de 1875) e Singapura (1876). Em Abril de 1881 embarcou para Bombaim, a fim de exercer as funções de cônsul-geral de Portugal na Índia Britânica, onde faleceu no dia 11 de Setembro desse ano.

NOTA: Sugiro a leitura da biografia mais pormenorizada de António Marques Pereira, publicado por António Aresta, recentemente na página 13 do «Jornal Tribuna de Macau», de 24 de Março, a evocação de «António Marques Pereira, o fundador da macaulogia» – https://jtm.com.mo/record/2021/03Mar/24-03-2021.pdf

(1) Acção filantrópica: 14-08-1868 – Doou a quantia de 104 patacas produto da publicação do livro “Ephemerides commemorativas da história de Macau e das relações da China com os povos christãos” à Santa Casa da Misericórdia

(2) Elaborou um relatório sobre a emigração chinesa a partir do porto de Macau. “Relatório da Emigração Chinesa em Macau”, que entregou ao governador em 31 de Julho de 1861 e é hoje considerado um texto fundamental no estudo da questão dos cules. Tem outro livro de interesse “As Alfândegas Chinesas de Macau. Análise do Parecer da Junta Consultiva do Ultramar Sobre Este Objecto” publicado em 1870.

(3) Elaborou o “Relatório acerca das atribuições da Procuratura dos Negócios Sínicos da Cidade de Macau”, dirigido ao Governador. Depois publicado em 1867 pela Typografia de J. da Silva.

(4) 9-01-1869 – Ordem n.º 16 – Nomeado capitão da 1.ª companhia do Batalhão Nacional de Macau («BPMT»,  XV n.º2 de 11 de Janeiro de 1869, p. 6

Anteriores referências neste blogue, em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-feliciano-marques-pereira/

Após prolongado sofrimento que o trazia prostrado no leito há mais dum ano, faleceu, na sua residência n.º 71 da Rua da Praia Grande, vitimado por uma tuberculose pulmonar, no dia 6 do corrente, o Sr. Leôncio Alfredo Ferreira, com 69 anos de idade. O funeral realizou-se no dia seguinte, às 17 e meia horas”.(1)

Nascido em Macau a 15 de Maio de 1849, era filho de D. Maria Gualdina Gonçalves, natural de Macau, e de João Eleutério Ferreira, nascido em Portugal. (2) Fez os seus estudos na «Escola Macaense» e transitou para o Seminário de S. José, onde foi sempre aluno distintíssimo, distinguindo-se em todo o seu curso pela sua aplicação, aproveitamento e comportamento exemplar, ganhando inúmeros prémios e referências elogiosas da imprensa.

Terminado no Seminário de S. José, o seu curso com distinção, dirigiu-se para Goa a fim de estudar Jurisprudência, regressando a Macau depois de formado. Estudioso apaixonado da língua chinesa, conhecedor profundo da mentalidade e psicologia dos chineses, revelou-se não só um valoroso intérprete mas mais especialmente um medianeiro inteligente nas relações destes como nosso governo.

Casou na Sé Catedral de Macau em 27 de Setembro de 1881, com Maria José Pereira (1861-?). Segunda núpcias, em 20 de Dezembro de 1894, com sua tia por afinidade Ana Teresa Vieira Ribeiro (condessa viúva de de Senna Fernandes). Não deixou filhos.

Além de advogado de provisão, professor da Escola Municipal e jornalista, (3) desempenhou os altos cargos públicos, com distinção e aprumo moral que eram o timbre do seu carácter integérrimo, enumerando aqui alguns dos cargos: pela Portaria n.º 82 de 20 de Julho de 1825, foi nomeado Secretário da Comissão Administrativa da Santa Casa de Misericórdia; pela Portaria n.º 106, de 8 de Novembro de 1875, foi nomeado Delegado interino da Comarca de Macau de que, porem, se escusou, em 5 de Julho de 1876

«BPMT», XXII-28 de 8 de Julho de 1876, p. 114

Comentando este caso alguém escreveu no «Jornal de Macau» n.º 29 de 24 de Novembro de 1875: “O Senhor Leôncio Ferreira que exerceu com zello e intelligencia o lugar de procurador da coroa, d´esta vez entendeu que não devia aceitar semelhante cargo porque não quer aferir pela balança por onde são pezados os membros da exma. Junta, que estão no equilíbrio das ilegalidades, em quanto se não justificarem das acusações que lhe hão feito” (1)

Pela Portaria n.º 97, de 23 de Dezembro de 1876, foi nomeado Administrador interino do Concelho de Macau, cargo que anteriormente já vinha desempenhando; em 23 de Setembro de 1879 foi nomeado pela Portaria n.º 118, administrador efectivo.

«BPMT», XXII-52 de 23 de Dezembro de 1876

Pela Portaria n.º 67 de 27 de Julho de 1877, foi exonerado do cargo de secretário da Comissão Administrativa da Santa Casa sendo nomeado Pedro Nolasco da Silva para o substituir (Portaria n.º 75 de 3 de Agosto de 1877); pela Portaria n.º 53 de 14 de Agosto de 1878, foi nomeado Procurador interino dos Negócios Sínicos. Exonerado em Setembro de 1879, para tomar posse, em 23 de Setembro, (Portaria n.º 118) do cargo de Administrador efectivo do Concelho de Macau. (até 1881). (4)

No dia 17 de Maio de 1881, António Joaquim Bastos Junior foi demitido do cargo do procurador dos negócios sínicos, para que havia sido interinamente nomeado por portaria n.º 56. Leoncio Alfredo Ferreira foi nomeado para o mesmo cargo. (BGPMT n.º 21 de 21 de Maio de 1881); pela Portaria n.º 81, de 12 de Novembro de 1881, foi nomeado Presidente da Comissão Administrativa da Santa Casa de Misericórdia; pela Portaria n.º 117 de 27 de Outubro de 1883, foi nomeado cônsul de 1.ª classe, em Shanghai (1883-1884).

Pela sua diplomacia, inteligência e valor demonstrados no desempenho desta missão, foi condecorado pelo Governo Central de Lisboa com o Grau de Oficial da Torre e Espada por Diploma de 23 de Janeiro de 1896.

Pela Portaria n.º 22, de 1 de abril de 1885, foi nomeado vogal do Conselho Inspector de Instrução Pública.; pela Portaria n.º 144, de 20 de Dezembro de 1898, foi louvado pela Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar, pela maneira como se houve durante a epidemia de petes bubónica que assolou Macau, de Fevereiro a Julho desse ano, no desempenho dos serviços de higiene e desinfecção; pela Portaria n.º 145, de 5 de Dezembro de 1902, foi nomeado Vogal do Conselho de Governo da Província.

Dados biográficos extraídos de : «Macau Boletim Informativo», II-27 de 15 de Setembro de 1954, pp. 11-12; FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses Volume I, pp. 1077-1078; e o livro referenciado em (1) 

(1) TEIXEIRA, P. Manuel- Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, p. 449-497.

(2) João Eleutério Ferreira (c.1785 – 1872) nasceu em Coimbra, Portugal, vindo para Macau casou, nesta cidade, pela 1.ª vez em 1830 e pela 4.ª vez com Maria Galdina Fernandes, filha de Vicente José Fernandes e de Ricarda Constantina Fernandes e irmã de Bernardino de Sena Fernandes (1.º Barão, 1.º Visconde e 1.º Conde de Sena Fernandes), de quem teve apenas um filho, Leôncio Alfredo Ferreira.

(3) Em favor dos Jesuítas, expulsos de Macau publicou um opúsculo, intitulado: “Um brado pela verdade ou a questão dos Professores Jesuítas em Macao e a Instrução dos Macaenses, Macau, Tipographia Mercantil, 1872.

(4) Na sua qualidade de Administrador do Concelho fez o relatório sobre a morte trágica co coronel Mesquita. (1)

NOTA 1: A Câmara de Macau decidiu honrar a sua memória atribuindo o seu nome à «Rua Leôncio Ferreira» – começa na Avenida de Sidónio Pais, a entrada da Rua de Silva Mendes, e termina na Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida, entre os prédios n.ºs 58-H e 60.

NOTA 2 : Aconselho a leitura dos trabalhos de António Aresta, intitulados ” O Pensamento Moral de Leôncio Alfredo Ferreira, e “A Sinologia Portuguesa: um esboço breve” disponíveis para leitura em: https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/15959.pdf   e http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30032/1963

Anteriores referências neste blogue em: em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leoncio-alfredo-ferreira/

Extraído de «A Voz do Crente», I-1, de 1 de Janeiro de 1887

O estabelecimento oficial das Canossianas em Macau deve-se a D. Manuel Bernardo de Sousa Enes, bispo desta diocese desde 1873 a 1883. Foi ele que pediu oficialmente à Superiora de Hong Kong, Madre Stella para que as Canossianas se estabelecessem definitivamente em Macau. O bispo Enes só chegou a Macau a 2 de Janeiro de 1877 mas as Canossianas porém já estavam em Macau, antes dos finais de 1873 ou princípios de 1874. Na altura abriram uma escola chinesa para as crianças pobres que foi aumentando que logo necessitaram de maior espaço. Inicialmente na Rua de S. Paulo até ao tufão de 1874; depois na Rua de Santo António; e mais tarde na Horta da Companhia. Abriram também uma escola em S. Lázaro para as meninas chinesas. O Governador do Bispado Deão Manuel Lourenço de Gouvea e o Padre António Medeiros conhecendo o prestimoso auxílio das irmãs canossianas, pensaram em comprar uma casa maior. Adquiriram o edifico intitulado “Casa da Beneficência” (no Largo de Camões). (1)

Aí, em 1876, as Canossianas acolhiam meninas órfãs tanto europeias como chinesas. Até 1886, a escola da Casa de Beneficência era exclusivamente chinesa. Mas nesse ano muitas famílias portuguesas manifestaram o desejo de internar lá as suas; outras pretendiam também que as suas filhas lá estudassem como externas. Essa escola canossiana de instrução Primária (para além da instrução primária tinham aulas de inglês, francês, música, piano etc., e depois instrução secundária) esteve instalada na Casa de Beneficência durante quase um século, por isso também conhecido como «Colégio da Casa de Beneficência» (2)

(1) Era chamado pelos chineses, ”Hotel queimado”, sede da Procuratura das Missões estrangeiras francesas em Macau que vagou em 1847 com a transferência da sede dessa Procuratura para Hong Kong (2)

(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982, pp.327-331

Relato sumário das acções realizadas pela Canhoneira “Tejo” desde a saída de Macau no dia 21 de Maio até voltar a 27 de Maio de 1876, período em que esteve, no dia 24 de Maio, em Hong Kong, nos festejos do aniversário natalício da Majestade Britânica (1)

Extraído de «BPMT», XXII – 23 de 3 de Junho de 1876

O primeiro tenente Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, (2) foi nomeado comandante da Canhoneira “Tejo” (3) em despacho de El-Rei de 4 de Março de 1876, em substituição do primeiro tenente da armada Fernando Augusto da Costa Cabral (4)

Extraído de «BPMT», XXII – 24 de 10 de Junho de 1876,

(1) Rainha Vitória (24 de Maio de 1819 – 22 de Janeiro de 1901) do Reino Unido de 1837 até à sua morte

(2) Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, (1844 -1923) (reformado com o posto de Almirante), filho do Governador João Maria Ferreira do Amaral, Tinha 5 anos quando o pai foi assassinado, assentou praça na marinha aos 12 anos de idade; em 1855 era aspirante; e em 1861 completou o curso sendo promovido a guarda marinha em Agosto de 1866 e a primeiro-tenente em 1874. Nesse meio tempo, comandou os seguintes navios: «Penha Firme», o couraçado «Vasco da Gama, em que foi à inauguração do canal de Kiel na Alemanha; imediato da corveta «Mindelo», da fragata «D. Fernando» e comandante da corveta «Duque da Palmela». Como comandante do vapor «Tete» participou na expedição à África Oriental, tomando parte em três combates. Governou S. Tomé e Moçâmedes em 1878 e 1879. Em 1882 nomeado governador de Angola e em 1886 governador da Índia. Ministro da Marinha em 1892 e ministro interino dos Negócios estrangeiros em 1898.

Foi comandante da Estação Naval de Macau de 1876 a 1878. Em 1878 levou a Bangkok na canhoneira «Tejo», o Governador de Macau Carlos Eugénio Correia da Silva, que lá foi em missão diplomática. Esta missão regressou a Macau a 20 de Março de 1878. Ferreira do Amaral que não se dava bem com o governador Correia da Silva, (episódio que relatarei em próxima postagem) recusou receber o mandarim da Província de Cantão que vinha a Macau, em Julho de 1878, pois não podia suportar a afronta à memória do pai. Na véspera entregou o Comando da canhoneira ao oficial imediato e foi para o Hong Kong. O governador vingou-se, pedindo a sua exoneração a El Rei, e Ferreira do Amaral foi exonerado do comando com regresso imediato ao reino. (TEIXEIRA, Mons. Manuel – Marinheiros Ilustres Relacionados com Macau, 1988, pp. 117-118.)

(3) Ver anteriores referências à Canhoneira «Tejo» em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/canhoneira-tejo/

Na Revista “O Occidente”, XIII- n.º 418 de 1 de Agosto de 1890, na página 171 aparece um apontamento quanto à duração da estadia em Macau da canhoneira, na nota de rodapé do artigo “Apontamentos sobre a Marinha de Guerra dos Diversos Países – Marinha de Guerra Portuguesa”::

(4) Fernando Augusto de Costa Cabral (1839-1901), filho de António Bernardo da Costa Cabral, 1.º conde de Tomar e 1.º marquês de Tomar, instaurou o “Cabralismo” em Portugal) )   irmão de António Bernardo da Costa Cabral, 2.º conde de Tomar, foi oficial na marinha, contra-almirante, condecorado com a medalha da Crimeia e cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, e foi ajudante de campo do rei D. Carlos. O pai adoeceu gravemente em Nápoles, , em princípios de Setembro de 1885, sendo trzido para Portugal a bordo da corveta Estefânia, então sob o comando do seu filho Fernando Augusto da Costa Cabral. https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Bernardo_da_Costa_Cabrall

TSYK I-30 de 28 de Abril de 1864,

A autora destes versos será provavelmente, Adelaide Clotilde Gonzaga (1839-1888), 2.ª filha de Guilherme Gonzaga (1) e Maria Bárbara Rangel (2). Professora de língua e literatura portuguesa na Escola do Governo, em S. Lourenço, nomeada em 2 de Janeiro de 1872. Sendo solteira, do seu cunhado 2.º Barão do Cercal, António Alexandrino de Melo (3) teve uma filha ilegítima, pelo que a criança nasceu no Hospital de S. José de Hong Kong a 16-10-1874 e foi baptizada, Adelaide Irene de Melo, na Catedral de Hong Kong. Parece que a mãe a confiou às madres, pedindo depois licença ao Governo para se ausentar para Lisboa durante um ano, mas nunca mais regressou. Em Lisboa foi professora e directora de uma escola de instrução primária.

O Boletim da Província de Macau e Timor n.º 19 de 06-05-1876 publicou a Portaria n.º 26 do Governador José Maria Lobo de Ávila (de 1874 a 1876) de 4-05-1876, exonerando-a, por abandono do lugar. Para este lugar foi nomeada D. Asteria Coelho dos Santos (4)

Extraído de «BPMT» XXII-nº 19 de 6 de Maio de 1876

(1) Guilherme Gonzaga, nascido na freguesia de S. Lourenço (c. 1810) comerciante em Macau, com negócios de fazendas, retrozarias e tabaco. Em 1844 era secretário da Associação do Montepio Geral de Macau. Casou em S. Lourenço a 22-06- 1836 com Maria Bárbara Rangel. Tiveram 4 filhas.

(2) Maria Bárbara Benedita Rangel (1813-1843), filha de Floriano António Rangel (1778-1843) e Ana Maria Antónia de Jesus Correia de Carvalho (1788-1843). Casou em 2.ª núpcias com Guilherme Gonzaga em 22-06-1836

(3) O 2.º Barão do Cercal, António Alexandrino de Melo (1837-1885) casou com a irmã Guilhermina Pamela Gonzaga (1841-1893), 3.ª filha do casal Guilherme Gonzaga/Maria Bárbara Rangel, na Igreja de S. Lourenço em 08-11-1858. Este casamento foi prejudicado pelas relações que o Barão mantinha com sua cunhada Adelaide, de quem viria a ter uma filha.

Informações de: FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volumes I. II e III, 1996 e http://pagfam.geneall.net/1020/pessoas.php?id=1072074

(4) 31-05-1876 – BPMT XXII- 26 de 24 de Junho de 1876

Poesia de J. M. da Fonseca datada de Novembro de 1854 e publicada no «Boletim do Governo da Província de Macau, Timor e Solor», de Dezembro desse ano (1) com o título “A AMASONA” (lorcha de guerra «Amazona») e dedicado ao 1.º Tenente J. E. Scarnichia (2) que em 10 de Novembro de 1854, passou a comandar já no posto de 2.º tenente, a lorcha de guerra Amazona.(1) Extraído de «BGPMTS» I-7 de 2 de Dezembro de 1854, p. 27
(2) João Eduardo Scarnichia (1832- 1888) guarda marinha em 1841, colocado na corveta D. João I em 1853 e em 10 de Novembro de 1854, passou a comandar no posto de 2.º tenente, a lorcha de guerra Amazona. Por esta brilhante acção de 12 de Novembro de 1854, foi promovido por distinção em 12-11-1854, a 1.º Tenente. Do comando da Amazona passou a desempenhar o cargo de Capitão do Porto de 1861 a 1876. Depois foi comandante da Polícia Marítima durante 8 anos (1868-1876) e posteriormente em 1877 foi eleito deputado pelo círculo de Macau. Reeleito, exerceu o cargo de deputado até à morte. (TEIXEIRA, Mons. Manuel – Marinheiros Ilustres Relacionados com Macau)
Anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-eduardo-scarnichia/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/lorcha-amazona/

Aviso publicado no «Boletim do Governo de Macau e Timor,» XVIII – n.º 20 de 11 de Maio de 1872
Escaler – Pequena embarcação de quilha ordinariamente de remos ou vela, para serviço de um navio ou de uma repartição ou estação marítima. pública.
João Eduardo Scarnichia (1832 – 1888) -斯卡尼西亚capitão-de-mar-e-guerra da Marinha
Aos treze anos, assentou praça na Armada, iniciando-se muito cedo na vida do mar. Após frequência da escola Politécnica, foi promovido a guarda marinha em 1841 e embarca neste posto no vapor Mindelo.

Annaes Maritimos e Coloniaes, 1846
http://library.umac.mo/ebooks/b31365243f.pdf

Em Fevereiro de 1848 completa o curso da Escola Naval sendo promovido a guarda-marinha efectivo. Envolve-se nas lutas liberais que deflagraram em 1846 sendo deportado. É integrado no Exército de operações em Janeiro até Agosto do mesmo ano, voltando a embarcar no Mindelo. E nesse mesmo ano é-lhe concedido o grau de cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada.
Em 3 de Setembro de 1853, passou à corveta D. João I que largou de Lisboa a 6-10-1853 chegando a Macau em 1854 sob o comando do capitão-de-fragata Carlos Craveiro Lopes, levando na viagem 6 meses e vinte e tantos dias (passando pelo cabo de Boa Esperança e Timor).
Em 1854 passou a comandar, no posto de 2.º tenente, a lorcha de guerra Amazona Promovido por distinção (várias expedições contra a pirataria nos mares da China) em 12-11-1854, a 1.º tenente.
Casou em Macau a 15-07-1856 na Sé Catedral com Maria Kikol Goularte (nascida em Macau)
Nomeado Capitão do Porto de 1861 a 1876, sendo nesse tempo promovido a capitão-tenente e capitão-de-fragata e
Comandante da Polícia Marítima de 1868 a 1876. Em 16-08-1876 foi promovido a Capitão-de-mar-e-guerra, Regressou a Portugal em 1877.
Em 1877, (1) foi eleito deputado pelo círculo de Macau cargo que exerceu até à sua morte, em 26 de Fevereiro de 1888 (no posto de contra-almirante) vítima de congestão cerebral.
Informações de TEIXEIRA, Mons. Manuel – Marinheiros Ilustres Relacionados com  Macau, 1988.
Anteriores referências a João Eduardo Scarnichia em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-eduardo-scarnichia/
(1) Foi João Eduardo Scarnichia que, como deputado, teve uma intervenção no parlamento em 1880 chamando a atenção da decadência e incúria do jardim de Camões e da necessidade de aquisição do espaço por parte do Governo. Esta aquisição sé seria concretizada em 1885 com a intervenção do Governador Tomás Roa e do comendador Lourenço Marques
Ver
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/comendador-lourenco-marques/page/3/ 
卡尼西 mandarin pīnyī: sī qiǎ ní xī yà; cantonense jyutping: si1 kaa1 nei4 sai1 ngaa3
Do «Diário Illustrado» de 26 de Setembro de 1878 (n.º 1972) na coluna  “High Life” extraí esta nota social:

O prédio N.º 27 da Praia Grande, denominado Palácio do Cercal (que estava arrendada ao Estado para habitação do Governador desde 1876 (1) tendo sido penhorado em execução movida pelo Chartered Bank of Índia, Australia & China, contra a Viscondessa do Cercal, foi posto em arrematação pelo Juízo de Direito, no dia 18 de Março de 1881, para ser arrematado a quem cobrisse a importância do valor de quatro quintas partes da sua avaliação, que era de $ 25.068,66  (2)
O Governo Central aprovou a compra por arrematação em praça do Palácio do Cercal por 20.080 patacas em 17 de Maio de 1881.

Postal da década 90 (século XX), da série MACAU 澳門 – LH101 –
澳督府 (3)- Government Palace
Verso do postal: em chinês, japonês, inglês, português e francês
“Former residence of the family of Baron of Cercal in 19th century, today is the Government Palace”

(1) 08-06-1875 – contrato de arrendamento ao Governo do Palácio da Praia Grande , por período de um ano: 1-06-1875 a 31-05-1876; renovável se não houver aviso algum de qualquer das partes. Foi depois Palácio do Governo até 1999 e após essa data, sede oficial do Chefe do Executivo de Macau e do seu Governo.
(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(3) 澳督府mandarim pīnyīn: ào dū fǔ; cantonense jyutping: ou3 duk1 fu2
Anteriores referências ao Palácio do Cercal
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/palacio-do-governo-do-cercal/

Duas notícias do dia 8 de Novembro referentes ao Colégio de Santa Rosa de Lima:
A primeira, do dia 8 de Novembro de 1846, data em foi reorganizado o Colégio de Santa Rosa de Lima para educação de meninas (1)
A segunda, do dia 8 de Novembro de 1876, por Decreto, o governo da Metrópole com os rendimentos do recolhimento de S. Rosa e do Mosteiro de S. Clara constitui uma doação para o Colégio de S. Rosa de Lima, que tinha o valor aproximado de cem mil patacas, incluindo todos os edifícios, propriedades, foros e capitais, que foram destinados à sustentação do colégio (2)
No ano anterior (1875), o Convento de Santa Clara (onde funcionava desde 1857 o Recolhimento de Santa Rosa) fundiu-se com o Recolhimento de Santa Rosa, com o nome de Colégio de Santa Rosa de Lima.

colegio-de-s-rosa-de-lima-1907-man-fookColégio de Santa Rosa de Lima em 1907
Atribuída ao fotógrafo Man Fook

Entre estas duas datas, alguns apontamentos mais importantes:
21-12-1848 – As Filhas de Caridade de S. Vicente de Paula, que se estabeleceram em Macau devido aos esforços do Bispo D. Jerónimo José da Mata, assumiram a direcção do Recolhimento de Santa Rosa de Lima, destinado à educação de meninas. O recolhimento funciona a partir de 1849 até 1857 no extinto Convento de Santo Agostinho, sob a direcção do Prelado da Diocese. (1)
02-10-1856 – Foi ordenado por decreto que o recolhimento para a educação das pessoas do sexo feminino, denominado de Santa Rosa de Lima e estabelecido no edifício do extinto convento de Santo Agostinho fosse anexado ao Mosteiro de Santa Clara. (1)
22-01-1857 – Provisão do Bispo D. Jerónimo José da Mata reorganizando o Recolhimento de Santa Rosa de Lima para a educação de meninas pobres anexando-o ao Mosteiro de Santa Clara de acordo com o Decreto anterior. (1)
06-07-1857 – Tendo sido transferido para o Convento de Sta Clara a escola de meninas que funcionava no convento de S. Agostinho, foi este transformado em Hospital Militar até 1872, ano em que foi construído o Hospital Conde de S. Januário. O convento foi depois comprado por Artur Basto que o transformou em sua residência. Com a morte foi adquirido pela Companhia de Jesus e, sob o nome de Residência de Nossa Senhora de Fátima serve de casa de repouso aos jesuítas. (1)
30-1-1875 – A Portaria Provincial n.º 19 desta data determina a incorporação na Fazenda, segundo a lei dos bens móveis e imóveis do Convento de Sta Clara, por ter falecido a última religiosa. (3)
Os Estatutos do Colégio foram publicados em Fevereiro de 1875 e em 4-03-1875 foi nomeada regente do colégio D. Theresa da Annunciação Danemberg, senhora de esmerada educação e muitas virtudes e para professoras sras. D. Lydia Francisca da Santa Cruz e D. Leonidia Maria da Conceição. Estas três senhoras residiam há muitos anos no convento e viram-se sem amparo com a morte da última freira. (2)

colegio-de-s-rosa-de-lima-directoria-1934O Colégio de Santa Rosa de Lima, em 1934

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982.
(3)  Por Portaria Provincial n.º 19 de 30 de Janeiro de 1875, o governador José Maia Lobo d´Ávila determinou o seguinte:
Tendo falecido a ultima religiosa do convento de Santa Clara, (4) e devendo pelas leis em vigor serem incorporadas na fazenda todos os bens pertencentes ao mesmo convento, e sendo necessário proceder a um inventário geral dos mesmos bens: hei por conveniente nomear para este efeito uma comissão composta do secretário da Junta de Fazenda João Correa Paes d´Assompção, do delegado interino do Procurador da Coroa e Fazenda, o advogado Albino António Pacheco e o P. Capelão Vicente Victor Rodrigues Esta Comissão em 15 de Março de 1875 tomou posse de todos os bens móveis e de raiz, e da administração do mesmo extinto convento num valor total de $ 77.983,25.”
(4) Em 1834, pelo decreto de Joaquim António de Aguiar, foram extintos os conventos em Portugal . Esta lei teve a sua repercussão no ano seguinte em Macau, em 1835, mas o governo local continuou a respeitar a existência das Claristas, mantendo-as no seu convento de Sta. Clara até à morte da última religiosa que faleceu a 18 de Fevereiro de 1875.

A 8 de Junho de 1875, (1) na Secretaria da Junta da Fazenda Pública compareceu o Barão do Cercal, como representante do Visconde do Cercal, proprietário do Palácio da Praia Grande, para lavrar o contrato do arrendamento ao Governo com as seguintes condições:

  1. É arrendado por um ano: 1-6-1875 a 31-5-1876.
  2. A renda é de $ 2 4000 patacas.
  3. Os concertos maiores – queda do muro ou do telhado – serão pagos pelo proprietário, os menores – janelas, portas, sobrado, tecto, caiação – pelo locatário.
  4. Ao terminar o contrato, o locatário não poderá desfazer os melhoramentos.
  5. Durante o contrato, o proprietário não poderá ordenar o despejo das casas.
  6. O locatário entregará tudo na mesma ordem e aceio em que o recebeu.
  7. Terminado o prazo, se não houver aviso algum de qualquer das partes, este é renovado.
  8. Antes de se proceder a concertos, deverá obter-se a permissão do proprietário (2)

Residência dos Governadores de Macau - Palácio da Praia GrandeFoto de 1981

A residência  dos Barões do Cercal (pai e filho) na Praia Grande foi construída em 1849 pelo arquitecto macaense José Agostinho Tomás de Aquino (talvez a obra-prima da arquitectura de raiz macaense)   para o 1.º Barão do Cercal (depois Visconde, a partir de 1865) Alexandrino António de Melo  que a mandou construir. O Palácio foi alugado ao Governo pelo filho António Alexandrino, (2.º Barão do Cercal) em representação Visconde do Cercal.
Com a morte do Visconde do Cercal, o Palácio passou para a sua viúva. A família do Barão do Cercal caída em decadência por dívida da viúva ao Chatered Bank, foi o Palácio à praça. A 18-03-1881, saiu o anúncio da “arrematação da casa n.º 27 da Praia Grande chamada Palácio do Cercal, e penhorada em execução que move Chartered Bank contra a Viscondessa do Cercal, e será de $ 25 068.66.” Foi então comprado pelo governador Joaquim José da Graça por $ 20 080.00, compra esta que foi aprovada pelo Governo de Lisboa a 17-05-1881.
Desde 1884 (o primeiro governador a residir aí, foi Tomás de Sousa Rosa que exerceu o seu mandato de 1883 a 1886) os Governadores de Macau passaram a viver neste Palácio, até 1926, quando o governador Tamagnini Barbosa (2.º mandato) escolheu Santa Sancha para sua residência permanente.
O Palácio da Praia Grande ficou a servir apenas de sede de governo (nele funcionava também a Assembleia Legislativa e o Conselho Consultivo do Governador) foi completamente restaurado em 1983.

Revista Casa e Jardim 1994 - Palácio da Praia Grande FotoFoto de 1994

(1) Os primeiros governadores viveram em casas alugadas pelo Leal Senado, até 1772, quando passaram a residir no edifício da Praia Grande em frente do fortim de S. Pedro. Nesse mesmo local o Visconde da Praia Grande,  Isidoro Francisco Guimarães (governador de Macau de 1851 a 1863) construiu em 1851, um grandioso palácio para nele instalar o Palácio do Governo.  Dois tufões, o de 1874 e o mais terrível de 1875, quase destruíram o Palácio construído pelo Governador Visconde Praia Grande, tornando-o  inabitável. Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/31/noticia-de-31-de-maio-de-1875-tufao-de-1875/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-tomas-de-aquino/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/palacio-do-governo-do-cercal/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/10/noticia-de-10-de-dezembro-de-1862-visconde-da-praia-grande/
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – Residência dos Governadores de Macau, 19 – -, p. 16.