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Hoje, 17-04-2020, o «Jornal Tribuna de Macau» noticia(1) que “O Corpo de Polícia de Segurança Pública encontrou uma réplica de canhão numa obra de canalização, no Porto Interior. A obra já foi suspensa. Funcionários dos Serviços de Alfândega, Instituto para os Assuntos Municipais e Instituto Cultural já estiveram no local para avaliar a situação.”

De Macau, informam-me que o “achado” foi localizado na Zona do Patane. O canhão estará relacionado com o Forte do Patane (também conhecido como Palanchica) ? E/ou às docas de embarcações que existiram nessa zona? (2)

Pormenor de Mapa de Macau Vista da Lapa de «Ou-Mun Ke- Leok, 1979» p.97

O forte estaria situado perto da Calçada da Palanchica, (3) na pequena elevação do Patane, junto à capela dedicada a Sto. António? (Igreja de N.S. do Amparo?)  e tinha como “missão” proteger a cidade de uma invasão do Continente. Segundo Jorge Graça (4), o forte tinha “3 plataformas, cada qual provida de uma peça de artilharia. O acesso à esplanada superior era efectuado por meio de uma escada que a ligava com a de baixo. Estava ligado à fortaleza de S. Paulo (5) por uma secção da muralha Nordeste da cidade, na encosta ocidental da colina de S. Paulo e ao Porto Interior por outra secção desta muralha. Não é conhecida a data certa da sua construção, mas parece ser a mais antiga das fortificações do Macau primitivo. Estava provido com peças de artilharia retiradas dos barcos de comércio do Japão. Foi demolida juntamente com a muralha da cidade que ligava a fortaleza de S. Paulo ao Porto Interior em 1640 por exigência chinesa.

Segundo Padre Teixeira, o chamado Forte da Palanchica sobre o montículo de Patane não tem História, “ porque os únicos documentos que encontrou sobre Patane: ambos afirmam que se construiu um muro que ia desde S. Paulo a Patane e se tentou construir um forte neste lugar, mas gorou-se esta tentativa devido à oposição chinesa.”(6) Esta também foi a opinião do historiador Ljungstedt: (7) «Parece que em 1925 se tentou construir um forte num lugar chamado Patane a fim de ligá-lo por meio duma cortina com o Monte. Mas os chinas fizeram um tal resistência que se abandonou a obra, e a cortina mudou-se em muro do Jardim, que se estende até um braço do Porto Interior»

Era nessa zona designada por Patane ou Chão do Campo dos Patanes ou Campos de Patane que “corria um importante veio de água potável (Ribeira do Patane), suficiente não só para dessedentar a povoação mas ainda para o fornecimento da aguada aos juncos e mais barcos de cabotagem que já concorriam ao porto. Era por isso a zona que servia não só para abrigo e aguada, mas também servia de doca para reparação das naus da carreira do Japão, ou naus da prata, enquanto aguardavam a monção para prosseguir viagem. A Ribeira do Patane veio com o andar do tempo, após o inquinamento completo das suas águas pelas várzeas que o foram marginando, a converter-se num colector de esgoto que ainda não há muitos anos se via a descoberto e que era conhecido pelo canal de San Kiu” (6)

Planta de Macau, anónimo, Pedro Barreto de Resende no Livro das Plantas de Todas as Fortalezas, Cidade e Povoações do Estado da Índia Oriental de António Bocarro, c 1635

(1) https://jtm.com.mo/local/breves-1220/

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ribeira-de-patane/

(3) As obras efectuadas na zona do Patane e Tarrafeiro em 1868 acabaram com o labirinto de becos e travessinhas da Palanchica. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/travessa-da-palanchica/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/palanchica/

(4) GRAÇA, Jorge – Fortificações de Macau, Concepção e História. ICM, 1985, p.99

(5) “D. Francisco Mascarenhas, governador de Macau (1623-1626) mandou construir uma muralha de 500 barças, que se estendia desde a Fortaleza de S. Paulo ao Patane. Os Chineses objectavam que, estando esta muralha voltada para a China, era contra eles que se dirigia e não contra os inimigos de fora, e, por isso, exigiram a sua demolição. Mascarenhas opôs-se, mas o Senado cedeu às exigências chinesas e revoltou-se contra o governador em Outubro de 1624 e demoliu essas 500 barças de muro em Março de 1625. D. Francisco Mascarenhas, para evitar efusão de sangue, engoliu em seco esta amarga pílula” (6)

(6) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I. ICM, 1997, pp. 36-37

(7) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/andrew-ljungstedt/

Esta lenga – lenga tem a particularidade de se referir às velhas amas africanas – Chacha di Congo – que eram levadas para Macau no séquito de seus senhores portugueses e as relações, que se diz nunca terem sido muito boas, entre africanos e chineses em Macau:

Chacha di Congo, de melmissó
Vai botica comprá missó
China dá pôco,
Chacha querê tanto
China dá-le-chacha
Chacha berá: Aió

A velha do Congo vai à loja comprar misso (molho de feijão), o china da loja dá pouco, ela exige mais (pelo mesmo dinheiro), o china bate-lhe (dá-le) e a velha berra: Aió .
 
Chacha – avó; mulher velha (actualmente a palavra é usada em sentido jocoso)
Conversa de chacha – conversa de velhas, conversa sem interesse (1)
No livro OU-MUN-KEI-LEOK (Monografia de Macau), (2) o tradutor Luís Gonzaga Gomes, apresenta uma pequeno vocabulário com transcrição fonética dos termos portugueses/macaenses para a pronúncia chinesa e a respectiva tradução em chinês.
Assim para o termo «chacha»

Xá-Xá (avó)  ———Tchi –tchá 自茶 —–em chinês A-pó

(1) Retirado de BATALHA, Graciete – Os Poetas Populares Macaenses.
Trabalho apresentado no III Encontro de Poesia realizado em Vila Viçosa, de 6 a 10 de Junho de 1987, iniciativa de «Património XXI», com o patrocínio da Câmara Municipal de Vila Viçosa.
(2) OU-MUN KEI-LEOK (Monografia de Macau) por Tcheong-U-Lâm e Ian-Kuong-Iâm. Tradução do Chinês por Luís G. Gomes, 1950.
mandarin pīnyīn: yà pó; cantonense jyutping: aa3po4
自茶mandarin pīnyīn: zì chá; cantonense jyutping: zi6 caa4

Eudore de Colomban Aterros da Areia Preta 1927“Um dos sítios outrora mais procurados pelos chineses pela razão da sua beleza era a magnífica praia da Areia Preta.
Incrustada numa pequena angra era ali que nas tardes de Verão  os habitantes desta cidade concorriam em grande número para se divertirem, quer nadando quer gozando a fresca aragem vinda do mar.
Frente à enseada, as escalvadas Nove Ilhas e a Lêng-Têng quebravam a monotonia do extenso horizonte com as suas recortada s silhuetas, disfrutando-se assim da praia um admirável e inspirador cenário.
Enterradas na praia, os recifes e os penhascos, brunidos e exalviçados pela ressaca das vagas, forneciam outra nota de graciosidade ao local já de si tão aprazivelmente encantador.” (GOMES, Luís Gonzaga – Curiosidades de Macau Antiga, 1996)
Eudore de Colomban Aterros de Macau Siac 1927Má Kau Seac (Macau-Siac) significa ” Rochedo do Cavalo no Coito“, pois essa pedra tinha a forma de dois cavalos a cobrir-se um ao outro; ficava na Areia Preta, tendo sido destruída durante os trabalhos das Obras do Porto Exterior.
A Monografia de Macau /Ou-Mun Kei-Leok diz a pág. 37: «Na encosta setentrional fica a Ma-Kau-Seak (Rochedo do Dragão-Cavalo), diminuto, áspero  sem base, pois é sustentado por três pequenos blocos de pedra, que têm sido conservados até hoje, alisados pelas vagas do mar
12-10-1922 – Foi assinado o contrato definitivo da empreitada da primeira fase das obras do porto artificial de Macau, entre o representante do governo da província, o Almirante Hugo de Lacerda, Director das Obras dos Portos , e o Engenheiro Vam Exter, representante da companhia adjudicatária «The Netherland Harbour Work & C.º» Amesterdão”. (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
“15-04-1925 – Contratos celebrados entre a Direcção das Obras  dos Portos e a «Netherlands Harbour Works Co.»; publicação em Boletim Oficial e divulgação através de separatas (A.H.M. – F.A.C.  P. n.º 126-S-C)”. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997)

Anteriores referência de Ma Kau Seac /Macau Siac, ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ma-kau-seac-macau-siac/
Fotos do livro COLOMBAN, Eudore de – Resumo da História de Macau, 1927.

Conta-se sobre um pescador que, farto de andar pelos mares, certo dia, resolveu ficar em terra e deitar-se em cima de uma rocha onde acabou por adormecer. Era noite quando acordou e, ao olhar em seu redor, nada conseguiu ver no meio da espessa escuridão.
De repente, ouviu vozes estranhas, vindas do lado do mar, que o atemorizaram, pois julgou tratar-se de almas do outro mundo. Foi então que percebeu que as vozes retratavam uma “discussão” entre a água do rio e uma rocha coberta de ostras, para ver qual delas era mais resistente.
Tudo indica que ambas terão resistido, pois nas águas de Macau continua a haver grande quantidade de ostras….” (1)
O vocábulo «manduco» é designada a râ de Macau.
A Monografia de Macau (Ou-Mun Kei-Leok, 1950, p. 39), diz que: “em Macau havia três rochas estranhas: a Ieong-Sun-Seak, (Rocha de Barco Oceânico) no Pagode da Barra, (é sobre a superfície desta rocha que se encontra presentemente em frente do pagode da barra gravaram o desenho de um barco e quatro caracteres.

MACAU B. I. T. XII-9-10 Nov-Dez 1977 CAPA Templo da BarraTemplo de Á Má ou da Barra / Foto de 1977

a outra era a Hói-K´ók-Seak, (Rocha da Percepção do Mar) no Promontório de Neong-Má (Neong Má Kók) no mesmo Templo da Barra  e uma outra a Há-Má-Seak (Rocha da Rã)  « é arredondada e de cor verde-macia. Sempre que venta e chove e, pela tarde, quando a maré principia a subir, ouve-se produzir nela o som Kók-Kok».
A Rocha de Rã ficava na Praia do Manduco. Quando houve a necessidade de a destruir para a abertura de novos arruamentos, levantaram-se protestos da parte dos chineses. (2).
Era nesta Praia de Manduco onde,  após a fixação dos portugueses,  se realizavam as trocas comerciais  e onde atracavam no cais da praia, os barcos de pesca (quando a indústria da pesca era próspera no território). Vários comerciantes de Macau tinham nela cais privativo (3). Fica para recordação presente,  a Rua da Praia de Manduco uma das mais antigas ruas de Macau.  Começa na Rua de João Lecaros, ao fundo da Calçada do Januário e termina na Rua do Almirante Sérgio, ao lado do prédio n.º 255-F.
 
(1) BARROS, Leonel – Tradições Populares, Macau, Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), 2004.
(2) Já em 9 de Abril de 1829, «o Mandarim de Hian-Chan por appelido Liu faz saber ao sr. procurador de  Macau que recebeu, um offício do vice-rei de Cantão, em que, attendendo sua ex.ª às representações de Sung-Ku-Chi e outros contra o portugez Bemvindo o qual se apossou  de um baldio marginal sito na praia onde está a pedra chamada Manduco  fazendo um aterro, e destruindo um pagode, que ali existia… (…)… attendendo a que a mencionada pedra do Manduco, sendo memorável na história de Cantão, não devia ser assim coberta de entulho, o que constitue desobediência às leis; ordena a ele mandarim que mande affixar editaes e officie ao sr. procurador e ao sr. ouvidor, para que obriguem o Bemvindo a demolir immediatamente o caes já fabricado e a restituir o terreno ao seu estaddo primitivo…»
PEREIRA, A. F. Marques – Efemérides Comemorativas da História de Macau in TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997.
(3) Dezembro de 1797 «dis Manuelde Oliveira Reys cazado, e morador nesta Cidade, que elle Sup. e comprara em publico Çeilão duas moradas de cazas citas na praya de Manduco, q. forão do Def.to Ant.º Ribro, as quais tem seus caes, e perto delle ao mar hua Caldr.ª, mas sem muros, e como o Sup.e quer  fabricar as d.as cazas puxando-as m.s (mais) fora p.ª endireitar a rua, formar hua Caldr.ª na porta do Caes e mover p.ª fazer lugar p. guardar os pertences do seo Navio: e como não pode fazer sem liçenca», pede-o ao Senado. O Senado despachou favoravelmente o requerimento em 30 de Dezembro de 1797.
TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997
11-11-1829 – Nesta mesma data, este mesmo mandarim proibiu, por edital, as lorchas chinesas de aceitarem, na Praia do Manduco, (praia da ) Feitoria e outros lugares, mercadorias estrangeiras, para as transportarem, clandestinamente, para Franquia, Nove Ilhas, Leng-Teng e outros lugares (GOMES, LG – Efemérides da História de Macau, 1954)

VERSOS SOBRE S. PAULO

Os que chegam, pela primeira vez, a uma terra estranha, procuram, infalivelmente novidades.
Encontrarão assim pessoas que usam fatos curtos e coletes compridos.
O corpo é tatuado. As pessoas que se encontram na encruzilhada.
São do templo de S. Paulo.
Os seus chapéus feitos de folhas de bambu são superiores aos tuduns (1)
Os gradeados palanquins são melhores que os carros.
Aos nossos compatriotas já não lhes interessam as nossas cousas. Preferem os estrangeiros que são mais fervorosos.
Volto a elogiar os pigmeus.

Sêk-Tchêk-Tch´ák  (2)

Estes versos sobre “o Templo de S. Paulo” (muito possivelmente se referia à Igreja da Madre de Deus e ao Colégio de S. Paulo que estava adjacente) do livro: 澳門 (Ào mén jì lüè) (3) são tradução de Luís Gonzaga Gomes (4).

Ruínas S. Paulo 1900FRONTESPÍCIO DA EGREJA DE S. PAULO EM MACAU (1900)

Outra versão, tradução de Jin Guo Ping em (5)

SANBASI
Para os recém-chegados, tudo é novidade
De fatos curtos, capa comprida e corpo tatuado…
Os que se encontram pelos cruzamentos
São de Sanbasi
As folhas de bambu fazem toldos,
As carroças quando saem, saem com rodas vermelhas, (6) competindo em luxo.
Há uns anos as ruas eram desérticas,
Que inveja das frequentes missas dominicais em línguas estranhas.

Shi Jinzhong (2)

CHINNERY Ruínas S. Paulo 1834Desenho de George Chinnery (1834)

A igreja principal é a de Sám-Pá (São Paulo), (7) que fica a nordeste de Macau, encostada a uma montanha e tendo de altura vários tch´âm (2,64 metros). Na parte lateral do edifício, abrem-se portas, feitas com estreitas e compridas pedras esculpidas e incrustadas com ouro azulado, que brilham fulgurantes. A parte superior parece-se com um docel voltado. Os lados são rendilhados, encontrando-se espelhados neles admiráveis jaspes. Aquela que dizem ser a Mãe do Céu chama-se Maria. A sua figura é de uma jovem abraçando uma criancinha que se chama jesus Senhor do Céu. O fato não é cosido e cobre todo o corpo que, desde a cabeça é revestido duma simples pintura e dum véu esmaltado. Em se olhando para ela, dir-se-ia que foi moldada. Ao lado, encontram-se trinta figuras. A sua mão esquerda segura a esfera armilar. Os quatro dedos da direita fazem lembrar o gesto de quem discursa. Os cabelos e as sobrancelhas são caracterizadas por pesados lóbulos; o nariz alto; os olhos como se estivessem a comtemplar qualquer cousa distante; a boca, com a atitude de quem quer falar.” (4)

(1) Nome que em Macau se dá aos enormes chapéus chineses de abas larguíssimas, terminando em bico, sendo feitos de hastilhas de bambu entrelaçadas e usados, indiferentemente, por homens ou mulheres do povo.
(2) Sêk-Tchêk-Tch´ák  – tradução em «Ou-Mun Kei-Leok»  (3) ou Shi Jinzhong – tradução em «Breve Monografia de Macau» (4)
(3) 澳門 (mandarin pinyin: Ào mén jì lüè; cantonense jyutping: Ou3 mun4 gei3 loek6) – Breve Monografia de Macau foi escrita por dois magistrados, letrados, poetas chineses do antigo distrito de Xiangshan (hoje com o nome de Zhongshan  中山) que prestavam serviço na região de Guangdong 廣東,  entre 1744 -1746, período de Qianlong: 印光任 (Yin Guangren /Ian-Kuong-Iâm) que iniciou a monografia e depois completada por 汝霖 (Zhang Rulin/Tcheong-U-Lam). Terá sido concluída em 1751, com aparição da primeira edição xilogravada depois 1751 e antes de 1757. Dividida em dois capítulos, a segunda é dedicada ao estabelecimento dos portugueses em Macau: “Crónica dos Bárbaros de Macau” (5)
(4) OU-MUN KEI-LÉOK Monografia de Macau por Tcheong-U-Lam e Ian-Kuong-Iâm. Tradução do chinês por Luís G. Gomes. Editada pela Repartição Central dos Serviços Económicos- Secção de Publicidade e Turismo, Macau. Imprensa Nacional, 1950, 252 p.
(5) YIN Guangren; ZHANG Rulin – Breve Monografia de Macau. Tradução e notas de Jin Guo Ping. Instituto Cultural do Governo da R.A.E. de Macau, 2009, 485 p., ISBN 978-99937-0-11-6 (6)
(6) NT: alusão aos carros de luxo
(7)  As Ruínas de S. Paulo, em chinês: 大三巴牌坊 (mandarim pinyin: dà sàn bā pái fāng; cantonense jyutping: daai6 saam1 baa1 paai4 fong1).

“Ergue-se no centro da cidade o majestoso edifício dos Paços de Concelho ou Leal Senado, sede do município macaense.
O Senado de Macau foi instituído, em 1583, vinte e seis anos após a data da fundação da Povoação de Macau (1557). Nasceu duma assembleia dos moradores, convocada por iniciativa do bispo D. Melchior Carneiro, a qual escolheu para sua administração a forma senatorial, baseada nas franquias municipais outorgadas pelo rei a algumas cidades de Portugal.
No ano seguinte, foi adoptado o nome de “Senado da Câmara”, sendo este composto de dois juízes ordinários, três vencedores e um procurador da cidade, escolhidos, anualmente, por eleição popular.
Em 10 de Abril de 1585, o vice-rei da Índia, D. Duarte de Meneses, concedeu, em nome de Filipe I, a carta de privilégio com que este rei fez mercê, à Cidade do Nome de Deus do Povo de Macau, na China, e aos seus moradores, dos privilégios da cidade de Évora, carta essa que foi confirmada em 3 de Março de 1595.

Não existe nenhum documento iconográfico respeitante à traça e delineamento arquitectónicos do primitivo edifício, a não ser uma gravura chinesa, na obra «Ou-Mun-Kei-Leok», publicada no século XVIII, que mostra um pavilhão no estilo colonial fantasiosamente concebido pelo artista chinês, seu autor.
MOSAICO I.3, 1950 Leal Senado OU-MUN-KEI-LOK

O risco do actual edifício data de 1783, pois, como se verifica dum documento que se encontra nos arquivos do Senado em 6 de Dezembro desse ano, o juiz-sindicante, Joaquim José Mendes da Cunha, oficiara, remetendo a planta da reconstrução dos Paços do Concelho e da Cadeia, que lhe estava anexa, e comunicando ter ajustado com o senhorio a compra das casas e do terreno necessários para esse fim.

MOSAICO I.3, 1950 Leal Senado 1940Em 1940, fez-se a restauração completa do edifício, sendo respeitada a nobreza e a sobriedade das suas linhas tão características das antigas construções apalaçadas e, em 2 de Junho desse ano, foi reaberta a benzida a capela dedicada a Santa Catarina de Sena, patrona desta cidade, desde 2 de Maio de 1646.

MOSAICO I.3, 1950 Leal Senado dísticoNo átrio, encimando o primeiro lanço de escadaria de granito, lê-se o seguinte dístico:

“CIDADE DO NOME DE DEUS, NÃO HÁ OUTRA MAIS LEAL.
EM NOME D´EL REI NOSSO SENHOR DOM JOÃO IV MANDOU O CAPITÃO GERAL D´ESTA PRAÇA JOÃO DE SOUZA
PEREIRA PÔR ESTE LETREIRO EM FÈ DA MUITA LEALDADE QUE CONHECEU NOS CIDADÃOS D´ELLA EM 1654”

A atestar, eternamente, o fervoroso culto ao qual, com nunca desmentida lealdade, se entregaram sempre os moradores desta cidade, pela Pátria distante, tanto nas angustiosas horas das maiores incertezas, como em épocas de despreocupadas e afortunadas bonanças.
Em recompensa dos esforços envidados no extermínio dos piratas, principalmente pela retumbante e decisiva derrota infligida pelo ouvidor Arriaga à esquadra de Cam-Pau-Sai bem como pelos importantes socorros pecuniários prestados em muitas ocasiões ao Estado da Índia, D. João VI concedeu, em 13 de Maio de 1810, ao Senado de Macau, o título de LEAL.
Quando se criou o Museu de Macau, instalando-o no edifício do Senado, foi resolvido colocarem-se no átrio, onde ainda hoje se encontram, todas as pedras com instruções, e de valor histórico, descobertas na cidade. Uma das mais antigas, e que foi encontrada no jardim de San Fá Un, diz, como se vê na gravura, o seguinte:

MOSAICO I.3, 1950 Leal Senado Pedra históricaREINAD FELIPE
4.º NOSSO SÔR E
SENDO CAPT.M DE
STA FORTALEZA
FRCº dE SOUZA
DE CASTRO, SE
FES ESTE BEL
VARTE NAERA
D 1633

Presume-se que esta pedra tivesse sido retirado do antigo fortim de S. Pedro, na Praia Grande, que estava construído mesmo em frente do antigo Palácio das Repartições, depois Tribunal Judicial da Comarca de Macau.

MOSAICO I.3, 1950 Frontaria Igreja MisericórdiaNo alto da parede que fica ao fundo do patamar da escadaria principal e em cima do arco que dá para um pequeno jardim interior, foi colocado um admirável baixo-relevo, em granito, que estava incrustado na frontaria da antiga igreja da Misericórdia, cuja demolição fora decidida em 21 de Setembro de 1883.
Representa esta obra-prima de escultura local a Virgem Mãe da Misericórdia, cujo manto protector e acolhedor dos crentes é assegurado em cada lado por um querubim. À sua direita, o cardial de Alpedrinha e o Papa Alexandre VI r; e, à sua esquerda, a rainha D. Leonor, D. Martinho da Costa e o frade Miguel Contreiras. Um pouco atrás, o rei D. Manuel.
MOSAICO I.3, 1950 Leal Senado Salão

Em 1940, ao mesmo tempo que se fez a restauração do edifício do Senado, tratou-se igualmente de provê-lo com recheio condigno, tendo assim sido encomendado à firma Lane Crawford, de Hong Kong, o rico mobiliário em estilo D. João V que enche o vasto salão nobre, de tão honrosas tradições onde se faziam as aclamações dos reis, tomavam e tomam posse os governadores e se decidiram os assuntos mais graves da acidentada existência desta cidade quadrissecular.

MOSAICO I.3, 1950 Leal Senado BibliotecaNo primeiro andar e na ala direita, está instalada a Biblioteca de Macau, que encerra nas estantes trabalhadas ao gosto das bibliotecas da época de D. Joaõ IV, alguns valiosos exemplares de obras respeitantes aos primeiros tempos da nossa expansão no Oriente.

Fotos e informação retirados de
O Leal Senado da Câmara de Macau. Reportagem fotográfica de José Neves Catela e comentários de Luís Gonzaga Gomes in MOSAICO,1950.

Em 7 de Abril de 1541 sai a primeira expedição jesuíta de Lisboa (1) para a Índia e Extremo Oriente,  chefiada por Francisco Xavier (2) (que fazia nesse dia 35 anos) na nau “Santiago”, iniciando assim os 200 anos  de missionação que se seguiriam para essa direcção. Segundo cartas datadas de Fernão Mendes Pinto e do Pe. jesuíta Belchior Nunes Barreto, a presença dos primeiros missionários jesuítas na Índia foi a partir de 1542 e em  Macau, a partir de 1555 (3)
 
Um jesuítaOs padres estrangeiros não pertencem a uma só classe. Os frades de S. Paulo rapam o cabelo e usam um barrete verde parecido com uma mitra. O superintendente da religião chama-se fât-uóng (soberano das leis, ou seja, o Bispo). até o próprio Governador, que vem de Portugal, não tem poderes como ele. Se ocorrer qualquer caso importante ou, por suspeita, se aprisione, o Governo e o Procurador de Senado não podem resolver. pedem então (ao Bispo) uma ordem. passada a ordem, recebem-na, acatando-a, respeitosamente. Quando o Bispo sai ou entra, é protegido por um grande pálio e rodeado de padrezinhos. Os homens e as mulheres, quando o vêem, avançam, apressadamente, ajoelham-se, segurando-lhe respeitosamente os pés, esperando pela sua passagem e, só depois, é que se levantam. Se o Bispo afagar as suas cabeças, isto é considerado como uma grande felicidade. As mulheres são as que têm mais fé nele.” …
As regras do Convento de S. Paulo são mais severas... (4) 

(1) Inácio de Loyola, de origem nobre, em 15 de Agosto de 1534 e seis outros estudantes encontraram-se na Capela dos Mártires, na colina de Montmartre e fundaram a Companhia de Jesus para “desenvolver trabalho de acompanhamento hospitalar e missionário em Jerusalém ou para ir aonde o papa nos enviar, sem questionar”. Nessa data, fizeram os votos de pobreza e castidade. A Companhia de Jesus é uma organização rigidamente disciplinada de absoluta abnegação e a obediência ao papa e aos superiores hierárquicos (“perinde ac cadaver“, “disciplinado como um cadáver“). O lema dos jesuítas é “Ad maiorem Dei gloriam” (“Para a maior glória de Deus“). Salienta-se a importância dos jesuítas na expansão portuguesa principalmente no Oriente e a sua grande influência em Macau.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Companhia_de_Jesus
(2) S. Francisco Xavier faleceu no dia 27 de  Novembro de 1552 (segundo outros autores, 3 de Dezembro de 1552), na Ilha de Sanchoão.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/27/noticias-27-de-novembro-de-1552/
(3) SILVA, Beatriz Basto da Silva. Cronologia da História de Macau, Séculos XVI-XVII, Volume 1. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª edição, Macau, 1997, 198 p., ISBN 972-8091-08-7
(4) OU-MUN KEI-LÉOK Monografia de Macau por Tcheong-U-Lam e Ian-Kuong-Iâm. Tradução do chinês por Luís G. Gomes. Editada pela Repartição Central dos Serviços Económicos- Secção de Publicidade e Turismo, Macau. Imprensa Nacional, 1950, 252 p.

O firmamento não voga à força das águas.
Na atmosfera, o Sol ambiciona o espaço.
O fundeadouro dos barcos fica ao largo de S. Paulo.
A porta dos marés encontra-se no meio de Sâp-Tchi (Canal da Taipa).
Os peixes voam encobrindo o desordenado fogo.
O arco-íris rompe, penetrando através da barreira das nuvens.
Chegam mercadorias estrangeiras vindas de Leste e Oeste.
Os veleiros singram dez mil lei, arrastados pelo vento.

Sêk Kâm Tchông (1)

Fortaleza Guia década 60Fortaleza da Guia – década de 60

Estes versos sobre a Fortaleza da Guia, tradução de Luís Gonzaga Gomes (1) tem outra versão, tradução de Jin Guo Ping em (2) (o tópico não é a fortaleza mas um miradouro do mar, aliás, tradução mais adequada)

VERSOS DO MIRADOURO DO MAR

Não é pela força das águas  que se sustenta o firmamento,
Por onde está o Sol sabe-se que está enevoado.
Os ancoradouros ficam fora de Sanba, (S. Paulo)
As marés vêm pela Shizimen. (3)
Peixes saltam para fora da água, agitando as ondas que parecem chamas,
Com a quebra do arco-íris, o céu livrou-se de nuvens pestilenciais,
Chegam mercadorias bárbaras vindas de leste e de oeste.
Os barcos à vela percorrem 10 000 li a favor do vento

Shi Jinzhong (2)
 
(1) OU-MUN KEI-LÉOK Monografia de Macau por Tcheong-U-Lam e Ian-Kuong-Iâm. Tradução do chinês por Luís G. Gomes. Editada pela Repartição Central dos Serviços Económicos- Secção de Publicidade e Turismo, Macau. Imprensa Nacional, 1950, 252 p.
(2) YIN Guangren; ZHANG Rulin – Breve Monografia de Macau. Tradução de Jin Guo Ping. Instituto Cultural do Governo da R.A.E. de Macau, 2009, 485 p., ISBN 978-99937-0-11-6
(3) “A baía de Haojing encontra-se registada na Mingshi (História Oficial dos Ming) com o nome de Aomen. Pelo facto de existirem ao sul desta baía quatro ilhas, que surgem do mar separadas umas das outras, levando a água a distribuir-se de uma forma semelhante ao carácter dez, deu-se a este lugar o nome de Shizimen (2)
Anteriores referências ao livro:
LEITURA – OU MUN KEI LEOK – MONOGRAFIA DE MACAU
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/08/09/leitura-ou-mun-kei-leok-monografia-de-macau/
POESIA – VERSOS SOBRE O FAROL DA GUIA
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/08/02/poesia-versos-sobre-o-farol-da-guia/

Tenho vindo a referir este livro em anteriores postagens (1). Trata-se de uma monografia de Macau publicada em chinês pela primeira vez em 1751.
Escrita, no século XVIII, por dois magistrados chineses  do antigo distrito de Héong-Sán que, no desempenho do seu cargo, tiveram bastas oportunidades de visitar a cidade de Macau, a “OU-MUN KEI-LEOK” é o repositório mais importante que se encontra publicado, em chinês, dos assuntos referentes a esta nossa terra, quer pela cópia de informações nele compendiadas e que corroboram ou suprimentam as que são já conhecidas, quer pelos documentos oficiais chineses nele reproduzidos que não devem ser hoje possíveis de se conhecerem através doutras fontes.” (2)
O próprio autor, Iân-Kuóng-Iâm (3), explica a origem desta monografia:
No décimo-primeiro ano de Kín-Lông (1747), recebi um ofício chamando-me à presença do Imperador. A substituir-me ficou Tchèong Tchi-Lèong e, como possuísse conhecimentos literários, entreguei-lhe a cópia original para ele ma rever, na esperança de concluirmos juntos esta obra.
               Tchéong-Tchi disse-me que, como estava muito atarefado com os registos, receava não poder corresponder à magnitude da obra. Por isso que a confiasse a Tch´ôi-Hông-Tch´un de Sâu-Sán, da província de Cantão, meu íntimo amigo e cuja idade é igual à minha, a fim deste ma ordenar…(…)
               A doença de Tch´ôi era, porém, grave e, passado pouco tempo faleceu, desaparecendo o original desta obra…(…)
               Tchéong-Tchi foi nomeado Superintendente do sal e, nas horas extra-oficiais, conversámos, cara a cara, lamentando muitas vezes com pesar o tempo que eu tinha levado em fazer o perdido trabalho. Procurei e recolhi, por este motivo, os abandonados papéis e, em dez dias, consegui reunir uns oito a nove cadernos.
               Tchéong-Tchi fixou o plano da obra, ordenou-a e desenvolveu-a considerávelmente, em substituição da que tinha desaparecido. Comparada com os grosseiros ramos e as grandes folhas do meu trabalho, a sua obra é completamente diferente…(…)
               Do trabalho que esteve em poder de Tch´ôi e que julguei ter desaparecido, encontraram-se, cinco ou seis anos após a sua morte, uns amarrotados papéis que ainda restavam com tinta e tinham sido lançados num cesto. Como não estivessem devorados pelos bichos, puderam ser salvos e compilados de forma a constituir esta obra….
Possuo esta edição de 1950 (4) que foi dedicada ao Governador, Comandante Albano Rodrigues de Oliveira pelo tradutor (“Preito de sincera admiração pelo muito que tem feito pela Colónia de Macau”)

Possuo também outra edição (5) , composta e impressa pela Tipografia Mandarim  (Macau) para a Quinzena de Macau realizada em Outubro de 1979-Lisboa. O conteúdo desta publicação é uma reprodução fiel do original “OU-MUN KEI-LEOK”. O que os diferencia, são os mapas. Na edição de 1950, os mapas estão em folhas de 30 cm, dobráveis enquanto que na edição de 1979, têm o tamanho das páginas do livro.

Um dos mapas representa o primitivo edifício do Leal Senado, construído em 1583.
Esta imagem mostra uma construção de feição nitidamente chinesa num edifício de um só piso, dotado de um alpendre e situado dentro de um recinto murado. Não temos a certeza da fiabilidade deste desenho, podendo o autor, acostumado à sua própria arquitetura, ter adaptado formas que lhe eram estranhas, ou seja, ter dado um ar chinês a um imóvel com características que eram efetivamente ocidentais ou, pelo menos, mais ocidentais.” (6)
Outro, apresenta o mapa de Macau (1751) , onde já se salientam os seguintes lugares: Macau Seak, Templo da Kun-Iam, Aldeia de Mong Há, Templo de Neong Má, Fortaleza da Guia, Tribunal do Mandarim, Portas de S. Paulo, Porta do Cerco
(1) POESIA – VERSOS SOBRE O FAROL DA GUIA
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      FESTA LITÚRGICA – S. DOMINGOS DE GUSMÃO
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(2) Prefácio do Tradutor, Luís G. Gomes, datado “Macau, 22 de Junho de 1950.
(3) Iân-Kuóng-Iâm , aliás Fu-Tch`èong, natural de Pou-Sán, funcionário oficial, foi nomeado prefeito (magistrado) de T´ai-Pêng, de Kuóng-Tông (Província de Guangdong/Cantão/ 廣東, em 1746. Foi também poeta e escritor. Principiou a escrever a “Monografia de Macau – Ou-Mun Kei-Léok”, mas não chegou a conclui-la tendo a mesma sido completada por Tcheong-U-Lâm.
O outro autor Tcheong-U-Lâm , natural de Sun-Seng, foi também funcionário oficial tendo atingido o grau de Licenciado Sénior. Foi magistrado Distrital em Héong-Sán. Criou a Subprefeitura de Macau (” Macau fica situada ao sul da fronteira de Héong-Sán e entra pelo mar dentro. Ali residem os bárbaros para comerciar com a China “)
(4) OU-MUN KEI-LÉOK Monografia de Macau por Tcheong-U-Lam e Ian-Kuong-Iâm. Tradução do chinês por Luís G. Gomes. Editada pela Repartição Central dos Serviços Económicos- Secção de Publicidade e Turismo, Macau. Imprensa Nacional, 1950, 252 p. 25 cm x 17,4 cm.
(5) OU-MUN KEI-LÉOK Monografia de Macau por Tcheong-U-Lâm e Ian-Kuong-Iâm. Tradução do chinês por Luís G. Gomes. Edição da Quinzena de Macau, 1979 – Lisboa, 298 p.  24,5 cm x 17 cm.
(6) http://www.hpip.org/def/pt/Homepage/Obra?a=496

8 de Agosto é a festa litúrgica de S. Domingos, canonizado em 1234 pelo Papa Gregório IX.
Domingos de Gusmão (24-06-1170 / 6-08-1221) foi o fundador e Mestre Geral da Ordem dos Pregadores, mais conhecidos como “dominicanos” (1)
O primeiro dominicano a visitar as ilhas do arquipélago de Cantão foi o português Fr. Gaspar da Cruz. (2) (3)

“Os frades de s. Domingos não usam barrete. Arrastam um fato comprido que, por fora, é preto e, por dentro, branco. Atrás tem um pano branco para cobrir os seus ombros” (4)
 

Da igreja e convento dos Padres Pregadores de Macau só resta a conhecida Igreja de S. Domingos (5) e denominada pela população chinesa com o nome de N. Senhora do Rosário. (3)
Deve-se também a esta Ordem (época áurea em Macau no século XVII) a influência para que a Câmara do Senado tenha proclamado S. Catarina de Sena, padroeira da cidade, à semelhança da Imaculada Conceição, S. João Baptista e S. Francisco Xavier. ( 3)

(1) Ordem dos Dominicanos ou Ordem Dominicana, foi fundada em Toulouse (França), no ano de 1216 por S. Domingos de Gusmão, sacerdote castelhano. Os dominicanos não são monges, mas sim religiosos, realizam voto de pobreza, castidade e obediência. Vivem em comunidade que se designam por conventos e não como abadias ou mosteiros.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dominicanos
(2) Autor do livro “Tratado das cousas da China e de Ormuz“. Um verdadeiro missionário no Oriente, renunciou ao bispado de Malaca para se dedicar à propagação do evangelho.
Como curiosidade, “tendo chegado a Cantão em 1556, foram escassos os frutos do seu apostolado, não constando mesmo se chegou a baptizar algum pagão, motivo por que se retirou da China” (3)
(3) ARNAIZ, Pe. Eusébio – Macau, Mãe das Missões no Extremo Oriente. Macau, 1957, 180 p. + |5|
(4) OU-MUN KEI-LEOK (Monografia de Macau) por Tcheong-U-Lâm e Ian-Kuong-Iâm, tradução do chinês por Luís G. Gomes. Macau-Imprensa Nacional, 1950, 250 p. + |2|
(5) O convento foi fundada no ano de 1587, dando-se logo começo à igreja. A actual Igreja é de época muito posterior e serviu durante muitos anos de catedral.
1 de Setembro de 1587 – chegaram a Macau, vindos do México (embarcaram no porto de Acapulco em 3 de Abril de 1587), o Pe. António de Arcediano e seus dois companheiros Alonso Delgado e bartolomeu Lopes, no navio S. martinho, com o capitão português Lopes de palácio, os quais, tendo partido de Espanha em Junho de 1586, vieram fundar nesta cidade o Convento dos Dominicanos. (foram acolhidos primeiramente no Convento de Santo Agostinho
23 de Outubro de 1587 – Fundação do Convento de S. Domingos, dedicado a Nossa Senhora do Rosário. Os dominicanos espanhóis foram substituídos por portugueses em Março de 1588, por ordem do Vice-Rei da Índia”
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Séculos XVI-XVII, Volume 1. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª edição, Macau-1997, 198 p., ISBN 97-8091-08-7.