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Da noite de 22 à madrugada de 23 de Setembro de 1874, um tufão violento atravessou a foz do Rio das Pérolas causando grandíssimas perdas, considerado na história de Macau como a Calamidade do Tufão de 1874.

Extraído de «BPMT», XX-39 de 26 de Setembro de 1874, p. 108

Anteriores referências a este tufão em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-i/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-ii-incendio-no-bairro-de-santo-antonio

Em 24 de Fevereiro de 1868, o aterro do rio, para o lado da Barra, achava-se já unido ao aterro do Pagode chinês, de modo que as povoações da Barra e Patane ficaram em comunicação pela estrada marginal (1)

Manuel de Castro Sampaio, no seu livro “Os Chins de Macau” (1867) informa (2): “Uma das primeiras povoações fica próxima da fortaleza da Barra e é por isso chamada Povoação da Barra. A outra acha-se na encosta outeiro da Penha, onde está a fortaleza do Bom Parto, e onde se encontram as mais lindas chácaras de Macau. Esta é conhecida pelo nome de Tanque-Mainato, nome derivado de um tanque de lavadeiros ou mainatos, como lhes chamam no paiz. As outras três povoações são denominadas de Patane, de Mong-ha e de S. Lázaro. Patane é de todas as cinco a mais importante, pela sua industria fabril e pelo seu comercio, principalmente, em madeiras de construção. Esta fica no litoral do porto interior, tendo Mong-ha do lado oposto, onde existe a maior parte dos agricultores e onde há alguma industria e comercio, como em todas as outras povoações, excepto a do Tanque-Mainato, onde pouca industria e nenhuma comercio há, por ser um povoado insignificante. A Povoação de S. Lázaro, que está em continuação  da cidade cristã, é onde principalmente habitam os chins que não tem abraçado o christianismo. Nesta povoação há além da Igreja de S. Lázaro que é o mais antigo templo de Macau, uma pequena capella a cargo de um sacerdote catholico, que se dedica a catechese”. (3)

Miguel Aires da Silva (4) concessionário das obras do cais e aterro, foi o homem que se abalançou à terragem da marginal do Porto Interior, ficando as obras concluídas em 4 de Março de 1881. (3)

Em 17 de Janeiro de 1873, o Governador Januário de Almeida, Visconde de S. Januário, ordenou a execução da primeira fase do alargamento do aterro marginal do Porto Interior e simultânea regularização do regime da corrente do rio, numa extensão de 160 metros, desde a Fortaleza da Barra até à Doca de Uóng-Tch´oi. (5)

NOTA: José Maria de Ponte e Horta governou Macau de 26-10-1866 a 16-05-1868. O Vice almirante Sérgio de Sousa chegou a Macau a 1-8-1868, tomou posse do governo a 3 de Agosto de 1868 e governou até 23 de Março de 1872, sucedendo o Visconde de S. Januário Correia de Almeida que governou de 23 de Março de 1872 a 7 de Dezembro de 1874. Na toponímia de Macau a Rua do Almirante Sérgio começa na Rua das Lorchas, a par da rua do  Dr Lourenço Pereira Marques e ao lado da Praça de Ponte e Horta e termina no Largo do Pagode da Barra

(1)

«Boletim da Província de Macau e Timor» , XIV-8 de 24-02-1868, p.45

(2) Sobre Manuel de Castro Sampaio, ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-de-castro-sampaio/

(3) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997,p 403

(4) Sobre Miguel Aires da Silva, ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/miguel-aires-da-silva/

(5) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954

Artigo de António Carvalho Brandão (1) publicado na revista ”A Terra” (2)

Depois duma primeira parte em que descreve as origens e trajectórias dos tufões da área do Mar da China, mais especificamente na área de Macau,, o autor relata com detalhes e compara entre os naufrágios e mortes causados por dois tufões que até então atingiram Macau: o tufão de 22 de Setembro de 1874 e o tufão de 20 de Agosto de 1927

Sinais precursores” (pp. 84-85): “Os primeiros sinais da proximidade dum tufão são dados pelo céu e pelo barómetro. No céu, bandos de cirrus em leque, corando-se dos mais belos tons, ao crepúsculo, do rosa pálido à viva purpura. No barómetro, alterações nas oscilações periódicas características das baixas latitudes, que se traduzem por estacionamento durante os períodos de subida (4h às l0h e 16h às 22h), ou descida mais rápida do que a normal durante os períodos de descida. Os sinais secundários que aparecem geralmente mais tarde do que aqueles, são calma, grande calor e aumento de umidade; agitação desu­sadada do mar; aparecimento de numerosos insectos, fugindo diante da tempestade. Esses sinais precursores são porém incapazes de indicar o grau de intensidade com que se sentirá o tufão. Só depois de começar soprando o vento do tufão, conjugando zs mudanças sucessivas da sua direcção com a baixa progressiva do barómetro, é possível determinar aproximadamente a direcção do centro e a sua trajectória, operação facilitada pelo uso dum simples instrumento creado pelo Padre Algué -o barociclonómetro. Mas este processo não permite deduzir com aproximação suficiente, nem a distância a que se encontra o centro nem a intensidade do tufão.

Estes elementos, indispensáveis para prever os seus efeitos prováveis no local, são obtidos pelo traçado das cartas sinópticas de propagação do tufão, feito repetidas vezes nos Observatórios · por meio dos telegramas meteorológicos recebidos a miudo das filipinas, Carolinas e outras ilhas próximas, assim como radiogramas de navios navegando no Mar da China e Pacífico Ocidental. Esta prática, creada em Manilla pelo Padre Algué e hoje melhorada graças à T. S. F., tem prestado inestimáveis serviços em todas as regiões atingidas pelos tufões destruidores, e salvo muitos milhares de vidas. Em Macau não se faz a concentração das observações de tufões, nem ha necessidade disso, pois que se recebem com pequenos intervalos os comunicados telegráficos do Observatório de Hong-Kong, situado a curta distância da nossa Colónia.

A comparação entre os naufrágios e mortes causados por dois tufões igualmente sentidos em Macau, um no século passado (22 de Setembro de 1874) e outro ha poucos anos (20 de Agosto de 1927, permitirá avaliar bem os benefícios da atual organização meteorológica do Mar da China.”

(1) António Carvalho Brandão, Capitão de fragata. Antigo Director do Serviço Meteorológico da Marinha. Presidente do núcleo de Lisboa da Sociedade de Meteorologia e Geofísica de Portugal

(2) Revista Portuguesa de Geofísica , n.º 14 (número colonial) , maio de 1934, pp. 83-91. – Director e Administrador: Raúl de Miranda

Extraído de «Gazeta de Macau e Timor». II-20 de 3 de Fevereiro de 1874, p. 2
Pintura do «USS Hartford» por E. Arnold

«USS Hartford» – corveta de guerra, primeiro navio da Marinha dos Estados Unidos com o nome de uma capital (de Connecticut), foi lançado em 22 de novembro de 1858 em Boston e comissionado em 27 de Maio de 1859, com Capitão Charles Lowndes no comando. Desde 1865, incorporado na Esquadrão Asiático da Marinha. Desactivado em 20-08-1926. Desmantelado e afundado em 20-11-1956. Características gerais – Tonelagem: 2900; Comprimento:  69 m; Raio: 13 m; Rapidez: 13.5 nós (25.0 km/h); Pessoal: 310 oficiais e alistados; Armamento: 20 × 9  (230 mm) “smoothbore Dahlgren guns”; 2 × 20 “pounder Parrott rifles”; 2 × 12 “pounder guns”. https://pt.wikipedia.org/wiki/USS_Hartford_(1858)

«Monocacy» em 1902

«USS Monocacy» foi lançado por “A. & W. Denmead & Son”, Baltimore, Maryland, em 14 de Dezembro de 1864, concluída no final de 1865, e colocado em serviço, em 1866. O futuro governador da Samoa Americana Henry Francis Bryan serviu como seu comandante durante alguns de seus dias de navegação. Designado para o esquadrão asiático, o «Monocacy» permaneceu aí até 1903, um período de serviço tão longo que o barco de tiro leve recebeu o apelido de “Jinricksha da Marinha“. (1) Após o serviço de patrulha até 1867, «Monocacy» juntou-se ao esquadrão em representação do governo dos EUA na abertura dos portos de Osaka e Hyōgo, Japão, em 1 de janeiro de 1868. Desactivado em 22 de Junho de 1903 (vendido). Características gerais – Tipo: Canhoneira; Tonelagem: 1.370 toneladas; Comprimento: 81 m; Feixe: 11 pés; Propulsão: Motor a vapor; Rapidez: 11,2 nós (20,7 km / h); Armamento: 1869 – 4x 8 inches “smoothbores” ; 2x 60 “pounder muzzle-loading rifles”; 2x 20 “pounder muzzle-loading rifles”. https://en.wikipedia.org/wiki/USS_Monocacy_(1864)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/03/03/leitura-liteiras-e-riquexos-1905/

João Pires Cutileiro, escultor (também ceramista) mais conhecido pelas suas esculturas em mármore, nascido em Lisboa em 1937, faleceu nessa mesma cidade no dia 5 de Janeiro deste ano.

Viveu e trabalhou em Évora desde 1985, tendo duas das suas obras expostas ao público em Macau: uma no jardim do Centro Cultural de Macau, inaugurado a 19 de Março de 1999, de um grupo escultórico esculpido em mármore cinzento de Estremoz com um barco de pedra e cavaleiros preparados para a guerra, inspirados nos guerreiros de terracota de Xian e a outra, mais escondida do público, “corpo feminino-mulher deitada” de 28 de Novembro de 1989, colocada no átrio principal de entrada aquando da inauguração do 1-ª edifício do conjunto dos três edifícios que constituía o Centro Hospitalar Conde de S. Januário.

Átrio principal da entrada do Centro Hospitalar Conde de S. Januário (C.H.C.S.J.) edifício do Bloco Clínica Obstétrica e Pediatra (para a esquerda da foto) e da Clínica Médico – Cirúrgica (para a direita da foto). Ao fundo, no centro, a escultura de João Cuteleiro.

Apresento três postais de uma colecção de seis (15 cm x 10 cm) que os Serviços de Saúde de Macau editou a propósito dos 120 anos da inauguração do «Hospital Militar de Sam Januário”, inaugurado a 6 de Janeiro de 1874.

Perspectiva do átrio principal do C.H.C.S.J.
Escultura de João Cutileiro – 1989; Átrio principal do C.H.C.S.J
Escultura de João Cutileiro (pormenor) – 1989; Átrio principal do C.H.C.S.J.

Recorda-se que a escultura não foi bem vista pela comunidade chinesa, apesar da ideia da mulher nua ter sido baseada na tradição dos tempos dos imperadores em que as mulheres dos mandarins não podiam ser observadas pelos curandeiros/médicos. Assim quando estavam doentes, as aias ou criadas levavam uma boneca /pequena escultura e apresentavam-na aos médicos, apontando o local da dor/maleita. Se precisassem ser observadas o médico somente podiam palpar o pulso para fazer o diagnóstico.

A escultura controversa foi, por isso, posteriormente transferida para o átrio do terceiro edifício deste Centro Hospitalar – a entrada para a Escola Técnica dos Serviços de Saúde e do seu anfiteatro (junto à placa da inauguração dessa Escola no dia 3 de Dezembro de 1992), onde suponho que lá esteja ainda hoje.

Extraído de «A Voz do Crente», I-1, de 1 de Janeiro de 1887

O estabelecimento oficial das Canossianas em Macau deve-se a D. Manuel Bernardo de Sousa Enes, bispo desta diocese desde 1873 a 1883. Foi ele que pediu oficialmente à Superiora de Hong Kong, Madre Stella para que as Canossianas se estabelecessem definitivamente em Macau. O bispo Enes só chegou a Macau a 2 de Janeiro de 1877 mas as Canossianas porém já estavam em Macau, antes dos finais de 1873 ou princípios de 1874. Na altura abriram uma escola chinesa para as crianças pobres que foi aumentando que logo necessitaram de maior espaço. Inicialmente na Rua de S. Paulo até ao tufão de 1874; depois na Rua de Santo António; e mais tarde na Horta da Companhia. Abriram também uma escola em S. Lázaro para as meninas chinesas. O Governador do Bispado Deão Manuel Lourenço de Gouvea e o Padre António Medeiros conhecendo o prestimoso auxílio das irmãs canossianas, pensaram em comprar uma casa maior. Adquiriram o edifico intitulado “Casa da Beneficência” (no Largo de Camões). (1)

Aí, em 1876, as Canossianas acolhiam meninas órfãs tanto europeias como chinesas. Até 1886, a escola da Casa de Beneficência era exclusivamente chinesa. Mas nesse ano muitas famílias portuguesas manifestaram o desejo de internar lá as suas; outras pretendiam também que as suas filhas lá estudassem como externas. Essa escola canossiana de instrução Primária (para além da instrução primária tinham aulas de inglês, francês, música, piano etc., e depois instrução secundária) esteve instalada na Casa de Beneficência durante quase um século, por isso também conhecido como «Colégio da Casa de Beneficência» (2)

(1) Era chamado pelos chineses, ”Hotel queimado”, sede da Procuratura das Missões estrangeiras francesas em Macau que vagou em 1847 com a transferência da sede dessa Procuratura para Hong Kong (2)

(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982, pp.327-331

16-11- 1915Aforamento de um terreno com a área de 4.000 m2 sito na Estrada dos Parses, a pedido de Francisco Xavier Anacleto da Silva. Ali mandou construir uma das mansões actualmente classificadas como património arquitectónico de Macau, Vila Alegre, hoje Colégio Leng-Nam”. (1) Idêntico pedido de aforamento de um terreno sito na colina de S. Januário em nome de Francisco Xavier Anacleto da Silva, consta no Processo n.º 42 do A. H. M. de 06-19-1916. (2)

Postal de c. 1920 – Vivendas no Monte da Guia (LOUREIRO, João – Postais Antigos Macau, 2.ª edição, 1997, p. 40)

A construção do palacete Vila Alegre, hoje escola “Leng Nam” bem como a Casa Branca ou casa Nolasco da Silva, sua vizinha, hoje Autoridade Monetária e Cambial, iniciaram se em 1917. Foram mansões residenciais respectivamente dos advogados macaenses Francisco Xavier Anacleto da Silva e Luiz Nolasco da Silva construídos mais propriamente na encosta da colina de S. Jerónimo., segundo um projecto do Eng. John Lamb, de Hong Kong. (1) (3)

A Vila Alegre só foi concluída em 1921, porque a mulher do proprietário, que tão entusiasticamente tinha escolhido as linhas arquitectónicas de uma casa que apreciou em Xangai- e que mandou fotografar – faleceu de parto e as obras foram suspensa. (1) Em 1937, a mansão senhorial de Francisco Xavier Anacleto da Silva – Vila Alegre – deu lugar à instalação da Escola Secundária Leng Nam/Ling Nam (posteriormente ampliada com um edifício anexo (1)

POSTAL de c. 1920 – Vista da Rada do Farol da Guia (Lei Kun Min; Lei Fat Iam – Macau em Bilhetes Postais do Séc. XIX e XX, p. 45.

Nota à foto anterior: o porto exterior ainda sem os aterros de 1923 com o sudeste da Colina da Guia (à direita) banhado pelo mar. Moradias: dt para esq. No sopé da Guia, a casa de Silva Mendes; a casa Nolasco da Silva e a seguir, Vila Alegre na encosta da colina de S. Jerónimo, em 1920 e no topo desta colina, o Hospital Militar São Januário (inaugurado em 1874)

Francisco Xavier Anacleto da Silva, (1883-1946) que teve como seu padrinho de baptismo, o Cónego Francisco Xavier Anacleto da Silva (1815-1888), estudou no Liceu de Macau e iniciou a sua vida na carreira de intérprete sinólogo. (4) Fez depois exame para advogado provisionário. (5) Foi Presidente do Leal Senado, (08-01-1921 – 14-06-1922; 02-04-1928 – 15-01-1930), (6) vogal do Conselho Legislativo, do Conselho Inspector da Instrução Pública e do Conselho da Administração das Obras do Porto. Comendador da Ordem de São Gregório Magno, da Santa Sé (7) e senador por Macau durante a 1.ª República. (8) Viúvo de Maria Bernardina dos Remédios, casou em Macau (2.ª núpcias) a 29-V-1920, com Leolinda Carolina Trigo (1891 – 1983), filha de Adriano Augusto Trigo, Director das Obras Públicas entre 1919 e 1925. (9)

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4 (1997) e Volume III, 3.ª edição, 2015,  pp. 33, 85, 96, 175, 256, 288)

(2)06-09-1916 – Processo n.º 42 – Série A – Pedido de Francisco Xavier Anacleto da Silva, do aforamento de um terreno sito na colina de S. Januário (Boletim do Arquivo Histórico de Macau, Tomo I (Janeiro/Junho de 1985), p. 167) – A.H.M.-F.A.C.P. n.º 37 – S-A

(3) Na 1.ª edição do Volume 4 da “Cronologia da História de Macau” (1997), p. 138, informação de que o projecto da mansão “Vila Alegre” poder ter sido do Engenheiro macaense José da Silva, mas essa informação não surge na edição reformulada e aumentada de 2015 (1)

(4) “18-01-1909 – Nomeação de Francisco Xavier Anacleto da Silva, intérprete-tradutor de 2.ª classe da Repartição do Expediente Sínico, para, durante o impedimento do respectivo titular, desempenhar o lugar de Professor da cadeira da língua Sínica do Liceu Nacional” (1)

(5) REGO, José Carvalho e – Notícias de Macau 7-04-1968 inTEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol. II, 1997, p. 437)

(6) “11-01-1916 – Nomeação do Presidente do Leal Senado da Câmara, Francisco Xavier Anacleto da Silva, para desempenhar as funções de Administrador do Concelho de Macau, durante o impedimento do proprietário Daniel da Silva Ferreira júnior” (A.H.M.-F.A.C.P. n.º 356 –S-N)-Arquivos de Macau, Boletim do Arquivo Histórico de Macau, Tomo I (Janeiro/Junho de 1985) , p.195.

(7) “28-10-1925 – Festa importante da entrega da Comenda da Ordem de S. Gregório Magno, concedida por S. S. o Papa Pio XI ao macaense Sr. Francisco Xavier Anacleto da Silva, Senador por Macau. (1)

(8) 1949 – Francisco Xavier Anacleto da Silva é o 1.º macaense a ter «assento em S. Bento». Esta a referência colhida em Macau na V Legislatura da Assembleia de Nacional, 1949-1953», Macau, U.N., 1953, pág 23, a propósito da eleição de António Maria da Silva, irmão do primeiro e que igualmente vem a ser eleito Senador da Republica (1)

(9) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol II, 1997, p. 434)

A «Gazeta de Macau e Timor, (1) noticiava a partida no dia 30 de Abril de 1873, da cidade de Goa para Macau, do brigue «Concordia», levando a bordo 41 praças mouras para a polícia de Macau, requisitadas pelo governador Visconde de S. Januário, sob o comando do tenente José dos Santos Vaquinhas (2) e de um sargento europeu.

«Gazeta de Macau e Timor», I- 37 de 3 de Junho de 1873

O mesmo jornal de 17 de Junho, (3) dava a notícia da chegada breve a Macau do brigue, por notícias de Penang (4) onde fez escala (faria ainda outra escala em Singapura no dia 2 de Junho). Noticiava ainda que os mouros seriam alojados no novo quartel em S. Lázaro. (5) O brigue «Concordia» chegou a Macau no dia 17 de Junho de 1873

«Gazeta de Macau e Timor», I- 39 de 17 de Junho de 1873,

(1) «Gazeta de Macau e Timor», I- 37 de 3 de Junho de 1873, p. 3

(2) José dos Santos Vaquinhas, tenente em 1873, da Guarnição de Macau e Timor, ocupa interinamente o cargo de Comandante do Posto Militar da Taipa e Coloane, que se encontrava vago em Março de 1874. Nomeado comandante militar da Taipa e Coloane de 04-06-1874 a 30-06-1874 e depois já Major, segundo comandante da guarda policial de Macau, em 1883. Em 1888, como inspector dos incêndios, foi nomeado responsável pelas operações sanitárias devido ao surto de “cólera morbus” declarado a bordo do transporte de guerra “Índia”, e ficou contagiado, falecendo em 1888, na sequência de complicações de ordem cerebral (6)

José dos Santos Vaquinhas tem vários artigos sobre Timor (história da colonização, usos e superstições, etc) que foram publicados entre 1881 a 1887 no «Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa», de que era correspondente. Ver anteriores referências de José do Santos Vaquinhas https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-dos-santos-vaquinhas/

(3) «Gazeta de Macau e Timor», I- 39 de 17 de Junho de 1873, p. 2

(4) Penang é um estado da Malásia, geograficamente dividido em duas partes: ilha de Penang (Pulau Penang) e Seberang Perai (estreita faixa no continente malaio)

(5) Terá sido um alojamento (casa) provisório até ser construído um novo quartel, o chamado «Quartel dos Mouros”, que foi inaugurado em 15-08-1874, na Barra. (7) O novo edifício especificamente destinado a aquartelar a companhia de mouros do Corpo da Polícia de Macau, foi construído segundo o projecto do arquitecto italiano Cassusso. Em 1905 foi transformado para nele se instalarem a Capitania dos Portos e a Polícia Marítima. (87)

(6) “16-08-1888 – Vindo de Hong Kong com tropas portuguesas em trânsito, chegou à Baía de Cacilhas o transporte de guerra Índia, tendo-se declarado a bordo «cólera morbus”, contraída na colónia britânica. De 20 de Agosto a 9 de Setembro fez-se um cordão sanitário com centro de operações na Guia, para isolar aquela zona. O responsável Major José dos Santos Vaquinhas, inspector de incêndios, acabou por ser contagiado e morreu, na sequência de complicações de ordem cerebral e apesar do seu caso ser inicialmente de cólera benigna.” https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/08/16/noticia-de-16-de-agosto-de-1888-pandemia-de-colera-morbus/

(7) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/quartel-dos-mouros/

(8) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.

TSYK I-30 de 28 de Abril de 1864,

A autora destes versos será provavelmente, Adelaide Clotilde Gonzaga (1839-1888), 2.ª filha de Guilherme Gonzaga (1) e Maria Bárbara Rangel (2). Professora de língua e literatura portuguesa na Escola do Governo, em S. Lourenço, nomeada em 2 de Janeiro de 1872. Sendo solteira, do seu cunhado 2.º Barão do Cercal, António Alexandrino de Melo (3) teve uma filha ilegítima, pelo que a criança nasceu no Hospital de S. José de Hong Kong a 16-10-1874 e foi baptizada, Adelaide Irene de Melo, na Catedral de Hong Kong. Parece que a mãe a confiou às madres, pedindo depois licença ao Governo para se ausentar para Lisboa durante um ano, mas nunca mais regressou. Em Lisboa foi professora e directora de uma escola de instrução primária.

O Boletim da Província de Macau e Timor n.º 19 de 06-05-1876 publicou a Portaria n.º 26 do Governador José Maria Lobo de Ávila (de 1874 a 1876) de 4-05-1876, exonerando-a, por abandono do lugar. Para este lugar foi nomeada D. Asteria Coelho dos Santos (4)

Extraído de «BPMT» XXII-nº 19 de 6 de Maio de 1876

(1) Guilherme Gonzaga, nascido na freguesia de S. Lourenço (c. 1810) comerciante em Macau, com negócios de fazendas, retrozarias e tabaco. Em 1844 era secretário da Associação do Montepio Geral de Macau. Casou em S. Lourenço a 22-06- 1836 com Maria Bárbara Rangel. Tiveram 4 filhas.

(2) Maria Bárbara Benedita Rangel (1813-1843), filha de Floriano António Rangel (1778-1843) e Ana Maria Antónia de Jesus Correia de Carvalho (1788-1843). Casou em 2.ª núpcias com Guilherme Gonzaga em 22-06-1836

(3) O 2.º Barão do Cercal, António Alexandrino de Melo (1837-1885) casou com a irmã Guilhermina Pamela Gonzaga (1841-1893), 3.ª filha do casal Guilherme Gonzaga/Maria Bárbara Rangel, na Igreja de S. Lourenço em 08-11-1858. Este casamento foi prejudicado pelas relações que o Barão mantinha com sua cunhada Adelaide, de quem viria a ter uma filha.

Informações de: FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volumes I. II e III, 1996 e http://pagfam.geneall.net/1020/pessoas.php?id=1072074

(4) 31-05-1876 – BPMT XXII- 26 de 24 de Junho de 1876

O governador de Macau, Januário Correia de Almeida, Visconde de S. Januário (1) partiu no dia 1 de Fevereiro de 1874 para Cantão (Guangzhou), a bordo da canhoneira Tejo, para tratar com o vice-rei dos dois Quangs, de negócios de alto interesse para o território.

Extraído de «Gazeta de Macau e Timor», II-20 de 3 de Fevereiro de 1874, p.2
Extraído de «Gazeta de Macau e Timor», II-21 de 10 de Fevereiro de 1874, p.2

O governador rgressou a Macau no dia 8 de Fevereiro a bordo da mesma canhoneira.

Extraído de «Gazeta de Macau e Timor», II-21 de 10 de Fevereiro de 1874, p.2


NOTA: No dia 20 de Março de 1874, terminou a publicação do semanário «Gazeta de Macau e Timor» (20-09-1872 a 20-03-1874; responsável: Francisco de Sousa Placé)  cujo principal colaborador foi o escritor Pedro Gastão Mesnier (1846-1886),  secretário particular do Governador Visconde S. Januário.
Sobre este escritor, aconselho a leitura do artigo de António Aresta no «Jornal Tribuna de Macau» em:
https://jtm.com.mo/opiniao/pedro-gastao-mesnier/
e
artigo do  «Diário Illustrado», n.º 4:685 de 12 de Maio de 1886
http://purl.pt/14328
(1) Anteriores referências:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/januario-correa-de-almeida-visconde-conde-de-s-januario/page/1/