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Não tenho informação sobre a localização desta Padaria. Possivelmente será o mesmo  primeiro estabelecimento português desta actividade (padaria) em Macau de José Francisco Borja que anunciou em 15 de Maio no Boletim do Governo (em português e inglês) a abertura duma padaria na casa n.º 25 da Rua do Campo para o dia 20 de Maio de 1857.

Fornecimento de pão feito com boa farinha da Europa e boa maça, e por preço cómodo”

A propósito de mais um «aniversário» do Farol da Guia, com a postagem de 24 de Setembro (1)  apresento uma camisola de algodão, de mangas curtas, em forma de T (t-shirt) de cor azul, com uma estampagem, um  design muito sugestivo para os turistas – um dinossauro com o farol da guia no topo da cabeça e  “atado” ao pescoço.
Creio que é um produto das “Indústrias Culturais e Criativos de Macau
Comprado este ano, 2017, na Rua do Campo, No 258, Broadway Plaza, por cima do Centro Comercial Chi Fu.
(1) Ver anterior postagem:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/09/24/noticia-de-24-de-setembro-de-1865-1965-o-farol-da-guia/

«AURORA PORTUGUEZA», restaurante, botequim, pensão e mercearia, na Rua do Campo n.º 47. Publicidade inserida no jornal «A Voz de Macau», de 1942.
Preparavam-se neste estabelecimento chouriços à moda portuguesa: chouriços caril, farinheiras com sauce, chouriços de carne e chouriços de sangue.
Ver anterior anúncio da mesma loja “Aurora Portuguesa” do ano de 1922 que pertencia à «Rocha, Fernandes & Ca» e cujo gerente era A. M. Fernandes. Nesse ano era já Restaurante, Botequim e Mercearia.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/01/anuncio-de-1922-loja-aurora-portuguesa/

O Grupo Desportivo «Argonauta», agremiação de gloriosas tradições que muito contribuiu para o progresso do desporto nesta terra, festejou, hoje, 30 de Junho, o seu 25.º aniversário de fundação, tendo concorrido às comemorações grande número de associados, entre os quais alguns sócios fundadores.
Pela manhã, os associados assistiram à Santa Missa, na Sé Catedral, mandada rezar pela colectividade, em sufrágio das almas dos sócios falecidos. à noite, reuniram-se na Pousada «Macau», (anexo), onde tomaram parte num  jantar de confraternização.“(1)
O Grupo Desportivo «Argonauta»  foi fundado em 1931 (os Estatutos aprovados pela Portaria n.º 680-E, de 29 de Junho de 1931, foi publicada no Boletim no Boletim Oficial n.º 28/31) e a sede ficava na Rua do Campo n.º 8.
No ano de 1956, tinha a sede na Avenida Conselheiro Ferreira de Almeida, n.º 27 com cerca de 300 sócios e tina como actividade desportiva,  o futebol e desportos atléticos.
Estava filiado no Clube de Futebol «Os Belenenses», de Lisboa.
Jogava neste clube o famoso jogador macaense Joaquim Pedro Pacheco, desde o ano de 1942 – os anos da Guerra do Pacífico, não se realizaram campeonatos de futebol embora mantivessem os jogos de “bolinha” – e em 1946, tendo ingressado na Polícia passou a alinhar pelo Grupo Desportivo da Polícia. Em 1948 jogou na equipa de  St Joseph de Hong Kong até ao seu ingresso no Sporting em Portugal em 1950  e onde permaneceu até 1959 (jogou depois pelo Leixões de 1959 até 1962)  (foi quatro vezes campeão nacional pelo Sporting e foi uma vez internacional por Portugal, em Milão contra a Itália que ganhou por 3-0)
Se o «Tenebroso» lhe deve, deve-lhe a Polícia  e deve-lhe muito o «Argonauta», pois Manuel Maria de Jesus, o «Manecas, era o coração do «Argonauta». Deste clube tipicamente macaense, aonde se juntava Frederico, José Borges, Pedro Silva, Guta, Boaventura do Rosário, «Pum-Pum» (Manuel de Magalhães) , os irmãos Madeira de Carvalho (A Fét, Luís, José, Augusto), Laertes – tantos e tantos” (2)
A Direcção (ano 1956) era constituída por:
Presidente – Anísio Rómulo Luís.
Secretário – Constâncio José Gracias.
Tesoureiro – António do Rosário
Vogais – Acácio Miguel Osório Xavier e Eduardo Armando de Jesus.
(1) «Macau B. I.», 1956.
(2) RÊGO, José de Carvalho e – Figuras Desportitivas do Passado, 1996
Referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/04/14/final-da-taca-de-macau-1951/

A loja “AURORA PORTUGUESA“, propriedade de “Rocha, Fernandes & Ca.”, cujo gerente era, no ano de 1922 (ano deste anúncio), A. M. Fernandes,  (1)  anuncia “ o fornecimento de comida mensalmente, avulsa, e almoços ou jantares diários ” e
ANÚNCIO - LOJA AURORA PORTUGUESA 1922previne também o público de que acaba de receber de Portugal os artigos abaixo mencionados, que vende por preços convidativos…” como vinhos, azeitonas do Douro, colorau dôce e picante, marmeladas , sardinhas, chouriços, paios, etc.
Mais previne o público e em especial os apreciadores dos bons licores portugueses que acaba de receber os licores da conhecida fábrica «Ancora» (2) , aguardente de ginja e ervadoce.
(1) A “Aurora Portuguesa”, em 1927, estava licenciada como “mercearia” na Rua do Campo n.º 45 (nesse ano de 1927, o gerente era Manuel C. Carlouto).
ANÚNCIO - Fábrica ÂNCORA(2) “A fábrica “Âncora” foi fundada na década de 40 do século 19 e manteve-se em produção até à década de 80 do século 20. Durante os cerca de 140 anos em que existiu, produziu alguns produtos que eram incontestavelmente líderes nas suas categorias, nomeadamente o absinto, cujo rótulo ainda hoje é copiado pela concorrência. De resto, fabricava o vasto leque das destilarias de licores: ponche, rum, genebra (o gin cá da terra nas célebres garrafas de louça que eram recicladas em botijas de água quente), licor de pêssego, triplice (triple sec), curaçao de hollanda, anis, licor de ouro (eau-de-vie de dantzig), etc.”
http://purl.pt/19053
http://diasquevoam.blogspot.pt/2006/10/fbrica-de-licores-ncora-um-dia-destes.html

Souvenir de Macau 1910 CAPAPequeno álbum de fotografias de J. Arnold (dimensões da capa: 18,5 cm x 12,5 cm; 25 folhas), contendo 24 fotografias de Macau (dimensões: 14,5 cm x 9 cm), da década de 10 do século XX, com legendas em português.

Souvenir de Macau 1910 1.ª páginaFoi publicado em 1921 pela gráfica “HOOD & Co. LTD., Engravers and Printers, MIDDLESBROUGH, ENGLAND”

Souvenir de Macau 1910 Panorama de MacauPANORAMA DE MACAU

 Muitas das fotografias deste álbum são já conhecidas pois foram reproduzidas em muitas publicações quer em revistas/jornais quer em livros.
NOTA: John Arnold é autor de A Handbook to Canton, Macao and the West River, revised and re-witten (Hong Kong: Hong Kong, Canton and Macao Steamboat Co., Ltd, etc, 1910) e de A Day in Macao wiih a Camera, Scenery on the West River com fotos tiradas em Fevereiro de 1910.
Muito possivelmente foram tiradas, como em Hong Kong, com uma camera construída por Messes J. A. Sinclair & Co. Ltd, London.
É autor de dois livros com fotografias de Hong Kong que podem ser vistos em:
“Through Hong Kong with a camera : some photographs of picturesque scenery and other views in Hong Kong”, by J. Arnold. Middlesbrough, England,Hood & Co., 1910.
http://ebooks.lib.hku.hk/archive/files/3c66345ba7948c688d9289f7c42d0b58.pdf
“Picturesque Hong Kong: a handbook for travellers / illustrated with original and copyrighted photographs by J. Arnold.” Hong Kong,  Tillotson & Sons, 1911.
http://ebook.lib.hku.hk/CADAL/B38633735.pdf
No “website” do Arquivo Histórico de Macau, (1), acerca destas fotografias, encontramos oito delas, com esta explicação:
UM DIA EM MACAU COM MÁQUINA FOTOGRÁFICA
Este pequeno livro da biblioteca de Luís Gonzaga Gomes revela-nos, através da lente de um fotógrafo, a Macau de 1910. Imagens de há cem anos que nos fazem recuar a um Macau pacato, de vias quase desérticas e de um céu límpido: a marginal da Praia Grande; o descarregar do peixe nos portos interior e exterior; a Avenida Vasco da Gama ladeada de árvores, e a Estrada da Bela Vista, ambas desertas; as serenas Ruínas de S. Paulo, os tranquilos Templo de A-Ma e Jardim de Camões. Macau, tal como era antes do desenvolvimento e prosperidade que trariam mais tráfico e turistas à cidade.
Das 8 fotos digitalizadas pelo Arquivo Histórico, as seis primeiras (legendadas em inglês) estão presentes neste meu pequeno álbum, embora as legendas dos lugares, em português, não coincidam com as legendas inglesas.

Souvenir de Macau 1910 Praya Grande “Praya Grande”

 “A view of Macao from the sea is exquisitely fine. The semicircular appearance of the shore, which is unencumbered and unbroken by wharfs or piers [there are one or two small landing places projecting] and upon which the surge in continually breaking and receding in waves of foam, whereon the sun glitters in thousands of sparling beams, presents a scene of incomparable beauty. The Parade [Praia Grande] which is faced with an embankment of stone, fronts the sea and is about half a mile in length. A row of houses of a large description extends along its length, Home are coloured pink, some pale yellow and others whit.e The houses, with their large windows extending to the ground with curtains,  convey an idea to the visitor that he has entered a European rather than an Asiatic seaport. ” (Macao: the Holy City,  the Gem of the Orient Earth, by J. Dyer Ball, 1905).

Souvenir de Macau 1910 Entrance to the Barra Temple“Entrance to the Barra Temple”

“The temple near the inner harbour is remarkable for its situation. A mass of gigantic boulders are heaped together by Nature in chaotic confusion and at their feet are the main buildings of the temple while stone steps lead up amongst the masses of the rock, amidst which here and there, are perched different buildings and shrines. Inscriptions are cut in the rocks, and stone seats are placed on the little terraces, which occupy every coin of advantage, grudgingly granted by the great granite boulders.” (Macao: the Holy City,  the Gem of the Orient Earth, by J. Dyer Ball, 1905.)

Souvenir de Macau 1910 Inner Harbour“Fishing Fleet Inner Harbour”

“Unfortunately the outer Harbour on which the Praya Grande faces is shallow and any large vessels which may call at Macao have to lie some miles from the shore in the offing. The Inner Harbour lying between the Peninsula and the Island of Lappa affords a secure harbour, but, unfortunately it has been silting up with mud for many years past. Of late years, however, a dredger has improved matters. The Praya on the Inner Harbour presents a great contrast to the other Praya for whereas quiet reigns on the seaward one, the inland one is all bustle; rows of Chinese vessels are anchored off the shore and boats and sampans line the banks on which coolies are busy loading or unloading cargo to carry into the stores, shops, and wholesale Chinese merchants’ places of business on this Menduia Praya or into the back streets.” (Macao: the Holy City,  the Gem of the Orient Earth, by J. Dyer Ball, 1905)

Souvenir de Macau 1910 Ruin S. Paulo Cathedral “Ruin of San Paulo Cathedral”

 Descrição do frontispício da antiga catedral de S. Paulo por J.. Dyer Ball, ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/03/27/pintura-de-macau-de-1831-1832-vi-ruinas-de-s-paulo/

Souvenir de Macau 1910 Villa Leitão View from Road Below the Guia Lighthouse

 Esta foto é conhecida por apresentar a Villa ou Chácara Leitao (2) que ficava à beira mar no Porto Exterior, na encosta onde hoje está o Cemitério dos Parses e o começo da antiga Estrada de Solidão (desde 1869, Estrada de Cacilhas), que torneia a fortaleza da Guia pelo lado do mar. Termina na antiga praia de Cacilhas.
Curiosamente a legenda em português, está “Estrada da Bella Vista” (levando por isso certos autores a atribuírem esta foto, à actual Avenida da República na zona do Hotel Bela/Boa Vista) mas a Estrada com esse nome existe, não no sítio da foto mas na estrada que circunda a Montanha Russa junto à Estrada de D. Maria II portanto perto da antiga praia de Cacilhas (hoje reservatório) e da Colina D. Maria II:
“Tem este nome Macau Seac (Má-Káu-Seak 馬交石)(3),a via pública designada actualmente por Avenida do Almirante Magalhães Correia, via esta que começa na Estrada da Areia Preta  e termina na Rua dos Pescadores. Teve também a mesma designação, em época anterior, uma via pública que começava na Estrada da Bela Vista e terminava na Estrada de D. Maria II”. (4)
Em 1858, Osmund Cleverly comprou uma propriedade chamada «Jardim do Carneiro» e também «Bela Vista», fora das muralhas da cidade para o novo Cemitério Protestante, que fica na Estrada de Ferreira do Amaral” (4)

Souvenir de Macau 1910 Avenida Vasco da GamaEntrance to the Avenida Vasco da Gama.

 Creio que o a legenda correcta é “Rua do Campo” pois esta estava ladeada de árvores e casas já no ano de 1910.
Recorda-se que na entrada da Avenida «Vasco da Gama», em 1911 (31 de Janeiro) foi inaugurado o busto de Vasco da Gama e ainda nesse ano de 1911 existia um Coreto. A abertura de novas ruas através da propriedade denominada «San Fá Un», Jardim de Vasco da Gama foi só em 1928. (5)
As duas últimas fotos do Arquivo, legendadas como “ Scenes on the quays, inner harbour”, não constam deste meu álbum.Souvenir de Macau 1910 Scenes of Inner Harbour(1)  http://www.archives.gov.mo/pt/featured/detail.aspx?id=15
(2) Ver em https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/chacara-leitao/
(3)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-de-ma-kau-seak/
(4) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau Volume I
(5) “31-03-1928 – Expropriação de vários prédios e faixas de terreno para alargamento das ruas Central e Entena, e para a abertura de novas ruas através da propriedade denominada «San Fá Un» (Jardim de Vasco da Gama)”
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4.

ACTUALIZAÇÃO EM 15-03-2016: o nome do autor estava errado, por isso corrijo-o hoje. J. Arnold é John Arnold. Peço desculpas a todos pelo erro. Ao João Botas, muito obrigado por me ter alertado para esse facto.

Avenida da República 1910Trecho da avenida marginal em 1910 – futura Avenida da República

Construída em 1910, aberto ao público a 10 de Dezembro desse ano sendo as obras dirigidas pelo Engenheiro Miranda Guedes.

Avenida da República 1910 construçãoA avenida marginal em construção. Ao fundo a colina e a ermida da Penha

Como a República havia sido implantada em Portugal, os republicanos de Macau, que já haviam dado o nome de Rua de Cinco de Outubro à Rua Nova de El-Rei, baptizaram a nova avenida marginal com o nome de Avenida da República (1)

Avenida da República 1910 Chácara Santa SanchaNova avenida marginal do porto exterior – Avenida da República.
Ao fundo a Chácara de Santa Sancha

A 1 de Setembro de 1924, o tarefeiro Au-Koc, comprometeu-se a executar a mão de obra dos trabalhos da «Pavimentação da Avenida da Praia Grande, desde a Rua do Campo até à Calçada do Tanque do Mainato», sendo parte dos trabalhos por conta do orçamento de 43 000 patacas.
TEIXEIRA, Pe. M. – Toponímia de Macau Volume I.