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O lodo amorteceu a pedalada
Da perna treinada
Para mover o mundo
E a prancha flutuando
Andou dois palmos

Um peixe e mais além
Num esforço, outro e outro
Até a cesta revelar o produto
Do salário retirado dos detritos

Era assim a vida sempre
A mesma faina no limitado
Horizonte do delta

No cerco
Renda de bilros lançados
Como estacas a maré
Mais peixe o esperava – seria para depois
Antes, porém, foi pedalando a prancha
No reflexo dos prédios da baía
Desenhando no lodo arabescos
Copo curvas sinuosas
Do seu rosto sombreado
Pelo sol
Junto à rede, atolado
O pequeno barco aguardava
O regresso da maré.

Com a tarde chegou a hora
De recolher o cerco
E a renda foi subindo
Na jangada
Vela não tinha
Só um par de remos
Na amurada

Rota não tinha
Só nos olhos havia

Vida não via
Só a prancha a sustinha

Casa não tinha
Só o barco o sabia

Corpo sim existia.

Alberto Estima de Oliveira

Poesia e foto publicados na revista «Macau» n. 17 de 1989.

Na madrugada de 18 para 19 de Julho de 1989 passou o tufão «Gordon», um dos muitos tufões que habitualmente assolam a zona da Ásia/Pacífico, e nesse ano o que vinha com maior violência (ventos a mais de 180 Km/h)

Rajadas de vento superiores a 100 Km/h, foram sentidas em Macau.

Felizmente o Tufão viria a alterar a sua trajectória indo parar à República Popular da China, a 180 Km sudoeste de Macau. Mesmo assim para muitos dos residentes das ilhas da Taipa e Coloane foi o pior tufão a atingir as ilhas em muitas décadas anteriores.
O rescaldo da passagem saldou-se em algumas inundações, o derrube de alguns tapumes e árvores e a destruição parcial das protecções laterais e do sistema de iluminação  do istmo que ligava as ilhas da Taipa e Coloane. (1)

À passagem do «Gordon»  as zonas mais baixas da cidade ficaram inundadas

Antes de chegar a Macau, o  tufão « Gordon provocou grandes destruições na ilha de Luzon (Filipinas ) matando pelo menos cinco pessoas, com ventos de mais de 180 quilómetros hora.
As rajadas de vento chegou a 100 Km/h, acompanhadas de fortes bátegas de chuva, tenho sido içado o número 8 a partir de 18 horas (dia 18) e o n .º 9 , sete horas mais tarde.

Os bombeiros estiveram de prevenção enquanto o tufão se aproximava

80 habitantes de aldeamentos das ilhas, tiveram que ser evacuados e albergados provisoriamente na Escola Luso-Chinesa e Escola Primária Oficial, onde lhe foram servidas refeições. Os funcionários públicos estiveram dispensados do serviço entre as 16 horas de 18 até às 15 horas do dia seguinte. Todas  a área do Porto Interior e a zona baixa da Taipa ficaram inundadas pela chuva torrencial que não deixou de cair durante toda a madrugada, submergindo muitos veículos estacionados nas imediações. Às 12.00 horas, o sinal número 3 substituiu o sinal número 8, levando a reabertura ao trânsito da ponte Macau-Taipa e ao restabelecimento das ligações com Hong Kong. (2)
(1) Artigo e fotos da Revista «Macau» n.º 17 de 1989: “Tufão «Gordon» ameaçou Macau
(2) Informações retiradas do jornal «Tribuna de Macau» dos dias 18 e 19 de Julho de 1989

Caixas de fósforos do Hotel Beverly Plaza. Dimensões: 5,5 cm x 3,5 cm x 0,7 cm
Os dois lados da caixa com o mesmo design. O logótipo, o nome do hotel em chinês e em português

富豪酒店
HOTEL BEVERLY PLAZA

Num dos lados menores,  o endereço em chinês e o número de telefone.

澳門羅理基博士大馬路富豪酒店
337755

Cabeças dos fósforos de cor vermelhas.

O Beverly Plaza, situado na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 70-100,é um hotel de 4 estrelas, com 294 quartos e 6 suites (actualmente).
Tem 19 andares e foi inaugurado em 1989. Teve uma renovação em 2005.

Continuação na apresentação dos conjuntos referidos em (1): «Conjunto de 6 chávenas + pires de café – património histórico de Macau». Hoje, o referente à «Ermida da Penha»

copos-e-pires-de-cafe-ermida-da-penha-iCopo – «Ermida da Penha», na embalagem de esferovite, com plástico
copos-e-pires-de-cafe-ermida-da-penha-iiCopo de forma cilíndrica: 5 cm de diâmetro e 5,2 cm de altura
(asa lateral: 2 cm)
copos-e-pires-de-cafe-ermida-da-penha-iiiPires – diâmetro 12, 5 cm
(base: 7, 5 cm)

“PENHAPenha Hill is of peculiar attraction to many. T is famous for its century-old chapel, which itself replaced na old hermitage dating from the early days of the colony. Here will also found a replica of the Grotto of Lourdes, built by a former bishop of Macao, who had a special devotion to Our Lady of Lourdes, the miraculous cures at whose shrine in France are know throughout the world.
The beautiful bay of the famous Praia Grande seen from this vantage point is, probably, the most delightful scene about or in Macao. From the city heights beautiful views of the city of Macao can be obtained. The forts and churches rise above the surrounding chequerboards of roofs, and one wonders at the combination of Eastern and Western architecture.
(Retirado do panfleto turístico – “A Visitors´Handbook to Romantic Macao”, editado pela Direcção das Obras dos Portos, Macau, em 1928, 2.ª edição, 40 p.)
copos-e-pires-de-cafe-ermida-da-penha-iv(1)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/01/04/conjunto-de-6-chavenas-pires-de-cafe-patrimonio-historico-de-macau/

17 de Janeiro de 1995 – data de falecimento do escritor Miguel Torga (1). Este ano em que se comemora os 110 anos do seu nascimento, recordo aqui a edição do livro «O Senhor Ventura», (2) bilingue, de 1989, do Instituto Cultural de Macau. A tradução para chinês é de Cui Wei Xiao.
o-senhor-ventura-miguel-torga-capa

CAPA de MIO PANG FEI

O próprio escritor considera esta sua novela de 1943 “o elo mais fraco” da sua vasta obra (3); escreveu-a em 1943, mas só a publicou em 1985 (4), no entanto considero este pequeno romance um dos mais conseguidos da sua vasta bibliografia.
São 170 páginas (em português) e 142 páginas em chinês, divididas em três partes, cada uma com diversos pequenos capítulos que constituem a história de uma vida ficcionada, do senhor Ventura, que, aos vinte anos de idade, vai para a tropa, deixando Penedono e que, após a recruta, é mobilizado para Macau. História de amores, amizades e parcerias, dois relacionamentos marcantes na sua vida: o minhoto Pereira e a russa Tatiana.

o-senhor-ventura-miguel-torga-lombadaEle tinha o poder dos seus músculos e da sua vontade a cegueira da ambição e uma tenacidade irresponsável de selvagem.”

(1) Miguel Torga (pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha) (1907-1995), poeta (primeiro livro de 1928) escritor (primeiro livro em 1932), dramaturgo, ensaísta, contista e memorialista. Os livros mais conhecidos: “Os Bichos”, os “Diários” e “Contos da Montanha”.
Anteriores referências neste blogue:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/miguel-torga/
(2) TORGA, Miguel – O Senhor Ventura. Edição bilingue (português e chinês). Tradução de Cui Wei Xiao. Instituto Cultural de Macau, 1989, 251 p., ISBN 972-35-0072-8.
o-senhor-ventura-miguel-torga-1-a-pagina(3) Prefácio do livro, do próprio autor (Coimbra, Maio de 1985) nesta edição bilingue:
Escrito de uma assentada há mais de quarenta anos, na idade em que os atrevimentos são argumentos, nele deixei a nu toda a fantasia descabelada e toda a canhestrez expressiva que se tem impunemente na juventude. Mas tão embaraçado fiquei, quando na maturidade o reli, que fiz os possíveis por esquecê-lo e por que fosse esquecido. Hoje, porém, nesta vertente da vida em que se olham com lucidez e benevolência os verdores da mocidade, resolvi recuperá-lo. Pacientemente, limpei-o das principais impurezas, dei um jeito aos comportamentos mais desacertados, tentei, enfim, torná-lo legível. Por ele e por mim. Por ele, porque, apesar de tudo, conta uma história portuguesmente verosímil, dado que somos os andarilhos do mundo, capazes em todo o lado do melhor e do pior; por mim, porque nenhum autor gosta de deixar no espólio criações repudiadas.
(4) TORGA, Miguel – O Senhor Ventura. 1.ª edição em 1985. N.º 43 da coleção Mil Folhas. Ed. Público Comunicação Social SA. Lisboa.

No dia 15 de Outubro de 1989 realizou-se um rally-paper organizado pela Associação dos Antigos Alunos do Liceu Nacional Infante D. Henrique (A. A. L. M.).
rally-paper-1989-a-a-l-m-iTrinta e oito veículos e 152 concorrentes alinharam no primeiro rally-paper da Associação. Simultaneamente a este rally, esteve também um concurso de fotografia. A cerimónia final de entrega de prémios foi no restaurante “Portas do Sol” do Hotel Lisboa.
rally-paper-1989-a-a-l-m-iiForam os vencedores premiados com viagens, taças e muita música. O veículo número 38 de José Henrique Felício (na foto, à direita) acabou por ser a primeira deste rally-paper da A. A. L. M.
A Associação voltaria a organizar outras duas, o 2.ª Rally-paper no dia 28 de Maio de 1990 com a participação de 31 veículos envolvendo 170 pessoas entre participantes e organizadores e a 3.ª em 1991 (data ?)
Pedia-se aos concorrentes que entregassem algo que lembrasse Macau. Houve quem fosse comprar postais ou até porta-chaves. Mas afinal, a solução mais rápida estava à distância da carteira: a pataca.
Esta foi uma das muitas rasteiras que fizeram parte dos três rally-papers organizados pela Associação dos Amigos Alunos do Liceu. Os guiões nasceram pelas mãos e pela imaginação de Henrique Vieira e Leal de Almeida. Guiões em verso e com alguns truques pelo meio. Para ultrapassar os vários obstáculos, era essencial ter alguma cultura geral, estar familiarizado com os temas da educação, e sobretudo, não perder com distracções. Uma pitada de sorte também ajudava”. (1)
(1) PALAVRA, Mariana – Os Primeiros 15 anos da Associação dos Antigos Alunos do Liceu Nacional Infante D. Henrique de Macau (AALM), 2004.

No dia 9 de Outubro de 1989, os «Correios e Telecomunicações de Macau / CTT MACAU» emitiram e puseram  a circular o sobrescrito do 1.º dia de circulação (selos e carimbo) com o tema “Meios de Transporte Tradicionais – Hidroaviões” (1)
1-a-dia-circulacao-meios-de-transportes-tradicionais-hidroavioesApresento o sobrescrito (C5 – 229 mm x 163 mm) do 1.º dia de circulação com o seu motivo e da obliteração  – (frente e verso com o logótipo dos C.T.T., em relevo) – com um selo de $7.50 patacas (diferente dos quatro emitidos e que constam na folha lembrança).
1-a-dia-circulacao-meios-de-transportes-tradicionais-hidroavioes-folha-lembrancaA folha lembrança (em português, inglês e chinês; dimensões: 30 cm x 21 cm)  apresenta quatro selos com os desenhos são de Ng Wai Kim:
50 avos – hidroavião + igreja da Penha
70 avos – hidroavião + fortaleza da Guia
2,8 patacas – hidroavião + barraca de pesca
4 patacas –  hidroavião + junco chinês
1-a-dia-circulacao-meios-de-transportes-tradicionais-hidroavioes-dados-tecnicosAlém dos dados técnicos, apresenta um resumo histórico da autoria de Manuel Vilarinho (Contra-almirante) (2)
Só no princípio do século XX se conseguiu voar num avião, pois só nessa altura se soube construir um motor que permitisse ao avião elevar-se no espaço. Assim, em 1906, Santos Dumont consegue voar 270 metros. Mas é com a I Guerra Mundial que a aviação começa a demonstrar as suas potencialidades. Em Portugal começa por criar em 1914 a Escola de Aviação Militar, em Vila Nova da Rainha, e em 1916 cria-se o Centro de Aviação Naval de Lisboa. Só entre as duas guerras mundiais se começa a desenvolver a aviação civil.
Não é pois de estranhar que os primeiros aviões que voaram em Macau fossem militares e, dadas as características do território, aviões da Aviação Naval.
É certo que a 20 de Junho de 1924 sobrevoou Macau o Breguet XVI B2, Pátria que aqui não consegue aterrar, e tem que aterrar de emergência perto de Cantão. (3)
Contudo a Aviação Naval chega a Macau em 1927, fundando-se o Centro de Aviação Naval de Macau, equipado com três aviões Fairey, os n.ºos 17, 19 e 20. O Fairey 17, o Santa Cruz, era um dos três aviões que, pilotados por Sacadura Cabral e tendo Gago Coutinho por navegador, tinham tomado parte na travessia aérea Lisboa-Rio de Janeiro , em 1922. (4)
O Centro de Aviação Naval é extinto em 1933 e de novo reactivado em 1938, desta vez com aviões Osprey, primeiro os n.ºos 71 e 72, aviões que tinham embarcado nos navios Afonso de Albuquerque e Bartolomeu Dias, a que se juntam mais tarde, outros quatro aviões também Osprey.
Em 1942, em plena II Guerra Mundial, o Centro de Aviação Naval é definitivamente extinto.
Na década de 30 é a vez de a aviação civil aparecer em Macau, com os hidroaviões da Pan-American que estabelecem carreiras comerciais partindo dos Estados Unidos.  da guerra do Pacífico resultou  que pouco durassem essas carreiras.
Que se saiba, só em 1948 volta a amarrar em Macau um outro hidroavião, Catalina PBY-2. Mas a era do hidroavião tinha passado e os progressos da aviação comercial seriam feitos com aviões de rodas, primeiro a hélice, depois a jacto.
Macau voltará a ser sobrevoada por aviões quando estiver concluído o aeroporto. (5)
Neste período de 90 anos o progresso da aviação foi surpreendente e os aviões que virão a Macau não terão comparação com aqueles que aqui voaram em 1928. Também a aviação comercial é uma empresa bem estruturada e que não pára de se desenvolver e progredir.
Acabaram, assim, os tempos em que o avião era um brinquedo e voar uma aventura romântica, um  modo de morte, que atraía os que o praticavam e as multidões. Hoje é uma profissão bem estabelecida e cujos riscos são quase os de qualquer outra actividade.
1-a-dia-circulacao-meios-de-transportes-tradicionais-hidroavioes-folha-resumo(1) Portaria n.º 164/89/M – Emite e põe em circulação selos postais alusivos à emissão extraordinária ‘Meios de Transporte Tradicionais – Hidroaviões”.
(2) Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-vilarinho/
(3) Referências anteriores aos transportes aéreos em Macau
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/transportes-aereos/
(4) Referências anteriores ao Centro de Aviação Naval em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-de-aviacao-naval/
(5) O Aeroporto Internacional de Macau foi inaugurado em Novembro de 1995