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Edital de 11 de Setembro de 1851, assinado pelo governador, Capitão de Mar e Guerra da Real Armada, Francisco António Gonçalves Cardoso – Regulamento sobre a prostituição dentro dos muros da cidade e as casas toleradas. (1) Este edital é constituído por 14 artigos sendo de destacar os seguintes:

Extraído de «Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor», Vol. 6, n.º 43 de 13 de Setembro de 1851, pp. 145-146

(1) Ver anterior postagem sobre este mesmo edital em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/09/11/noticia-de-11-de-setembro-de-1851-prostitui-cao-em-macau/

Extraído de «O Procurador dos Macaístas», II-21 de 24 de Julho de 1845.

Mais duas fotografias publicadas no Anuário de Macau de 1922 (1) (infelizmente sem grande nitidez) com o ´titulo de “MACAU ARTÍSTICO”

Vista parcial da cidade: à esquerda a Praia Grande, à direita a ilha Verde e parte do pôrto interior; no fundo a ilha da Lapa
Rada de Macau:à direita vê-se a Praia Grande; ao centro o Chunambeiro e a colina da Penha, à esquerda a ilha da Lapa e entrada do pôrto interior

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/07/09/macau-em-1922-fotografias/

Colecção de 10 postais (postal: 16 cm x 11 cm) intitulada

澳門老照片 / Fotografias Antigas de Macau / Old Photographs of Macao”

emitido em Setembro de 2009 pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. de Macau/Museu de Macau (1), com legendas no verso de cada postal em chinês, português e inglês. Separação de cores e impressão na Tipografia Seng Si Lda.
Preço: 25 patacas. Esta minha, comprada no Museu de Macau
No interior da contracapa a fotografia do Museu de Macau com indicação da morada. Praceta do Museu de Macau, n.º 112, telefone (853) 28357911 Fax: (8539 28358503 e horário de funcionamento: 10h00 – 18h00, excepto às segundas-feiras
(1) 澳門老照片 / Fotografias Antigas de Macau / Old Photographs of Macao.  Instituto Cultural do Governo da R. A. E. de Macau/Museu de Macau, Setembro de 2009 , 1.ª edição, ISBN 978-99937-0-113-2
澳門老照片 mandarim pīnyīn: ào mén lǎo zhào piān,; cantonense jyutping: ou3 mun3 lou5 ziu3 pin3
O primeiro postal:

燒灰爐 /Àrea do Chunambeiro /Chunambeiro area
澳門十九世九十年代/Macau – década de 1890/ Macao – 1890s

A área do Chunambeiro era o antigo lugar de Macau, próximo da fortaleza de Bom Parto, no extremo sul da baía da Praia Grande. Nesse local havia antigamente fornos de cal de ostras, e também foi o local da antiga fundição de artilharia e casa de pólvora de Manuel Tavares Bocarro no século XVII (1) (2) (3)
Nessa altura para vir da Barra à Praia Grande era necessário atravessar a colina pois a marginal terminava no Chunambeiro. (4) O projecto do primeiro lanço de 135 metros da extensão da muralha de Bom Parto e aterro marginal da Praia Grande do Chunambeiro à Fortaleza do Bom Parto foi aprovado em 17 de Janeiro de 1873. (5)
O aterro do Chunambeiro foi iniciada em 1871 sob a direcção de Vicente de Paulo Portaria e continuada no mesmo ano pelo tenente Henrique Augusto Dias de Carvalho, condutor das Obras Públicas, segundo ele diz no seu relatório de 30 de Junho desse ano. (3)
(1) BOXER, Charles Ralph (anotada por) – Ásia Sínica e Japónica, Vol II. Instituto Cultural/Centro de Estudos Marítimos de Macau, 1988, 245 p.
(2) Existia no Chunambeiro a fundição de artilharia de bronze de Manuel Tavares de Bocarro de 1625 a 1656. Foi capitão-geral ou governador desta cidade de 1657 a 1664. Faleceu em Macau ou em Goa (3)
Segundo Marques Pereira in Ta-Ssi-Yang Kuo III (edição 1984), p.126, nota 2:
Manuel Tavares Bocarro fundiu peças em Macau desde 1626 a 1631.É possível que depois fosse para a India onde fundiu em 1641 a peça existente no Museu de Artilharia ou foi fundida mesmo em Macau por ordem do governador da Índia, Telles de Menezes?
(3) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997.
(4) Chunambeiro de chunambo ou chuname (6) que significa no Oriente cal de ostra – e por haver neste sítio antigamente em Macau também fornos para a queima desse marisco.
Existe presentemente a Rua do Chunambeiro (existia nos fins do século XIX ou princípios do Século XX o Largo do Chunambeiro) que começa na Praça de Lobo de Ávila  e termina na Calçada do Bom Parto. Em chinês chama-se Siu Fui Lou Kai (7)  que significa Rua do Forno do Cal.
(5) Em 1 de Outubro de 1869, o major de artilharia, Francisco Maria da Cunha, inspector das Obras Públicas, informava que em 1 de Julho a 30 de Setembro se fizera uma casa da guarda em S. Sancha «pela necessidade de estabelecer uma estação de polícia em um dos sítios mais isolados da cidade, mais importante pelas casas de campo que ali existem, e ponto quási obrigatório da passagem da povoação da Barra para a Praia Grande, atravessando a montanha intermédia».
Boletim da Província de Macau e Timor, XVI, n.º 3 de 17-01-1870.
(6) “Chunambeiro – forno para fabricação de chunambo ou local onde se fabricava chunambo.
Chunambo– cal obtida pela calcinação de conchas de ostras.”
BATALHA. Graciete – Glossário do Dialecto Macaense, 1977, pp. 144/145.
Charles Boxer (in Àsia Sinica e Japónica, Vol II, p. 234, nota 7) (1) refere: “Xinamo, Chunname ou Chunambo como cal obtida pela calcinação de conchas de mariscos. O motivo de admissão do termo indiano é que a cal da Ásia se faz de outro material. O étimo é o maliada Chunnambra, relacionado com o neo-arcaico chunã, sânscrito churna.”.
7) mandarim pīnyīn: shāo lú huī jiē; cantonense jyutping: siu 1 fui1  lou4 gaai1

Todo o visitante que viajava, no século passado, nos barcos de carreira, ao curvar a Barra para entrar no Porto Interior, deparava com a Fortaleza de S. Tiago, encostada nos rochedos que se erguiam pela colina da Barra.

Fortaleza de S. Tiago 1899Fortaleza de S. Tiago da Barra
Photograv. De P. Marinho, segundo uma photographia do sr. Carlos Cabral (1899) (1)

A Fortaleza está situada na ponta Sul da península de Macau, à entrada do Porto Interior. Esta importante fortaleza era essencial e indispensável à defesa de Macau por proteger o Porto Interior. Em 1638, Marco D´Avalo descrevia “ Todos os navios e juncos que desejam entrar esta barra ou pôrto têm necessariamente que passar dentro de 3 ou 4 alabardas de distância do forte porque (cerca de 6 a 7 metros) os portugueses  bloquearam a restante parte do canal a fim de protegerem melhor o local.” (2)

Fortaleza da Barra 1775Fortaleza de S. Tiago, ou da Barra.
Planta aguarelada, autor desconhecido, s.d. (século XVIII) (provável: 1775) (3)

A artilharia estava orientada e apontava directamente para este único meio de acesso ao Porto Interior e o canal entre as ilhas da Taipa e de D. João (4)

Dentro da Fortaleza de S. Tigo1888Bateria da Fortaleza de S. Tiago da Barra
Photograv. De P. Marinho, segundo uma photographia de 188? (1)

A fortaleza estava a Sudeste da Fortaleza de Bomparto e em frente à Ilha da Lapa (4)
A construção da Fortaleza (Forte da Barra) iniciou-se em 1616 e ficou concluía em 1629 no local de uma primitiva bateria de canhões, com a função de defesa do ancoradouro interior. A sua importância estratégica para a defesa de Macau era de tal ordem que nos séculos XVII e XVIII “o capitão deste baluarte é nomeado directamente pelo rei ou em seu nome e o capitão geral da cidade não pode substitui-lo por outro, excepto em caso de negligência manifesta ou então, provisoriamente até que seja recebida a aprovação do Rei” (2)

Mapa Macau dps 1622Macau no século XVII (depois de 1622)
Estampa publicada por Manuel de Faria e Souza no tomo 3.º da Asia portuguesa (1)

Quando se deram os combates contra os holandeses, em 1622, a primitiva bateria era apenas uma bateria montada mas prestou uma valiosa defesa. O local tinha características de boa defesa militar e ainda mais na defesa costeira, como auxiliar dos outros fortes que serviam a costa exterior.
O proprietário do forte era um homem robusto chamado João Soares Vivas.
Em regime de propriedade privada era contudo de utilidade na defesa, e mantinha ao seu serviço bom número de homens, pois esse valoroso capitão marchou com 160 homens para a elevação da Guia para a defender dos ataques que nessa altura os holandeses vibravam contra esta possessão.
A sua situação estratégica foi depois aproveitada, após a derrota dos holandeses, para resistir a futuras investidas. Assim, foi dotada de 14 canhões de grosso calibre, alguns de 50 libras de bala. Estes últimos eram feitos de bronze, mas estava guarnecida de material, tanto de ferro como de bronze, em parte fabricado nas fundições do Chunambeiro. (5)
NOTA: A fortaleza sofreu muitas alterações quer na traça quer no tamanho ao longo dos anos principalmente no alargamento dos arruamentos (ex: Rua de São Tiago).
Baluarte de Santiago de la Barra, por onde os navios passam e que é muito bom e forte dando a aparência de ser por si uma pequena cidade quando visto à distância devido às grandes construções e aquartelamento existentes no seu circuito. Existe um reduto no tôpo da montanha que serve de refúgio, aonde há 16 peças pesadas 4 das quais têm bôcas largas para tiros de pedras, enquanto as restantes são de calibre para bala de ferro de 24 libras. Dentro dêste referido baluarte há um outro baluarte mais alto, provido de seis canhões, como os referidos, que têm um alcance muito longo” (2)

(1) PEREIRA, J. F. Marques – Ta-Ssi-Yang-Kuo, Vol II. Antiga Casa Bertrand – José Bastos, 1899-1900, 812 p.
(2) “Descrição da cidade de MACAOU ou, MACCAUW, com as suas fortalezas, peças, negocio e costumes dos habitantes”, escrita por MARCO D´AVALO, italiano, em 1638 in BOXER, Charles Ralph – Macau na Época da Restauração (Macao Three Hundred Years Ago). Fundação Oriente, Lisboa, 1993,2 31 p.
(3) http://fortalezas.org/?ct=fortaleza&id_fortaleza=1313&muda_idioma=PT
(4) A Fortaleza “está mesmo à frente da aldeia conhecida antigamente por «Ribeira Grande», na Ilha de Lapa.
GRAÇA, Jorge – Fortificações de Macau Concepção e História. Instituto Cultural de Macau, 1.ª edição em português, s/ data, 144 p.
(5) Macau Boletim Informativo n.º 48 de 1955 e n.º 72 de 1956.

Outros dois desenhos a lápis, do álbum da colecção Duarte de Sousa, presente no livro “Macau, Cidade do Nome de Deus na China” (1).

Pintura de 1831-1832 - Praia Grande“Macao, from the Balcony of the Albany
No livro, a legenda para este desenho: “Macau – Praia Grande”

“Balcony of the Albany” – desenhado duma varanda de “Albany” (não consegui descobrir a tradução deste termo). Pela perspectiva destes dois desenhos, tratar-se-ia da varanda de uma residência, num alto, na zona da Praia Grande / Bom Parto (2), com uma vista para o mar desde o E/SE até ao SW.

Reparar no desenho seguinte, a entrada da residência por debaixo da varanda, (à direita), próximo da marginal da entrada do Porto Interior

Pintura de 1831-1832 - Entrada do porto interior“From the Albany, Macao
Looking to the South”
No livro, a legenda para este desenho: “Macau – Entrada do porto interior”

(1) Álbum de Desenhos a Lápis Sobre Macau e Ilhas do Atlântico e Índico – 50 desenhos.
http://purl.pt/index/porCulture/aut/EN/933589_P6.html.
Ver anteriores “posts”
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/02/21/pintura-de-macau-de-1831-1832
(2) A zona da Praia Grande até ao Bom Parto foi aterrado somente a 1869, tendente a harmonizar e tornar mais saudável a zona de Chunambeiro e só mais tarde, em 1910, concluir-se-ia com a pavimentação em terra batida da Avenida  da República, a ligação do Bom Parto a S. Tiago da Barra e Porto Interior. A primeira referência ao Hotel Boa-Vista (depois Hotel Bela Vista) é de Julho de 1890
(Beatriz Basto da Silva, Cronologia da História de Macau,, 3.º Vol)

 

Festa de arromba, porém, e que ficaria a marcar, foi a que o governador, Visconde de S. Januário deu, no dia 31 de Outubro, para assinalar o aniversário natalício do rei Luís (1) , para a qual se tinham efectuado, com a devida antecedência, todos os preparativos, para que nada faltasse ao luzimento que se lhe pretendia imprimir. Era, portanto, esperada com grande ansiedade, na cidade, não se falava mesmo de outra coisa, e, efectivamente, a sua realização excedeu toda a expectativa.
Nessa noite, a Praia Grande, desde o largo do Chunambeiro (hoje Praça Lobo d´Ávila) até ao quartel do batalhão, mostrou-se garridamente engalanada, sendo uma fita contínua de balões multiformes e multicolores, e as fachadas das moradias, ao longo dessa avenida, apresentavam-se primorosamente iluminadas, diligenciando os seus proprietários, por se superarem uns aos outros em riqueza de ornamentação, originalidade e bom gosto, sendo de destacar o palácio do Barão de Cercal (2), que tinha, no centro da elegante varanda, uma luz eléctrica – autêntica novidade para a época – levando as espias até ao topo do mastro do consulado – era ele Cônsul da Itália – balões de variadas cores.
     

Parte duma pintura de um artista chinês desconhecido (3)
Praia Grande vista da Colina da Penha, ca 1870

Na residência de B. E. Carneiro, via-se o retrato de D. Luís, a óleo, encaixilhado numa cercadura de cristal polícromo e lanterninhas de diversas cores dispostas em arco nas janelas.
A varanda de Bernardino de Sena Fernandes,(4) de todas , a que mais sobressaía na Praia Grande, estava enfeitada com as letras V. I. I., encimadas por uma estrela, constituindo também atracções que obrigavam os transeuntes a deter-se para as admirar, as iluminações das residências do Visconde do Cercal, Cônsul do Brasil, a do Sr. Garcia e a do cidadão britânico Deacon, cônsul de Portugal em Cantão.
No mar, a iluminação mais surpreendente era a lancha a vapor dos agentes de emigração, brilhantemente decorada à veneziana, e dois grandes lustres espargiam intensa luzem frente do peristilo do Palácio do Governo.
Era tão grande a concorrência nas ruas, que as cadeirinhas – meios de transporte usados nessa época – dificilmente conseguiam prosseguir o seu caminho, obrigados constantemente a longos compassos de enervante espera…...”
……………………………………………………………….Continua (5)
(1) O Rei D. Luís I de nome completo: Luís Filipe Maria Fernando Pedro de Alcântara António Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis João Augusto Júlio Valfando de Saxe-Coburgo-Gotha e Bragança, nasceu em Lisboa a 31 de Outubro de 1838. Em 1872, festejava os 34 anos de idade (foi coroado em 1861, após o falecimento do seu irmão D. Pedro V que não deixou descendência, e faleceu em 1889).
(2) O Palácio do Barão de Cercal (depois Visconde de Cercal)  construído em 1849, foi em 1881 comprado pelo Governo de Macau que passou a utilizá-lo a partir de 1884 como Palácio do Governo até à passagem da soberania, e mantendo essa mesma função no Governo da R.A.E.M.
(3) De “Rise & Fall of the Canton Trade System:
http://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027/rise_fall_canton_02/cw_essay02.html
(4) Sobre esta moradia, ver anterior post:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-caravela/
(5) GOMES, Luís Gonzaga – Macau Factos e Lendas páginas escolhidas. Edição da Quinzena de Macau,  Lisboa, Outubro 1979, 152 p.

“Corria, suavemente, o Outono, em Macau, no ano de 1872, Outubro……(…)…
Vivia-se assim, despreocupadamente, pensando cada um em divertir-se da melhor forma que pudesse, sem precisar de pensar no dia de amanhã, pois o próspero negócio da emigração (1) dava para que toda a gente andasse ocupada e passasse os dias sem problemas económicos que a atribulassem.
Surtos no porto, viam-se três barcos de guerra nacionais, a corveta a vapor «Duque de Palmela»(2), a escuna de guerra «Príncipe Carlos » (3) e o vapor de guerra «Camões», além dos navios mercantes como a galera «Viajante» do comando de Francisco Jerónimo de Mendonça; a barca « Cecília» comandada por H. Mesquita e o brigue «Concórdia». Naves doutras nações demandavam também o nosso porto, como o vapor italiano «Glensannox», o vapor espanhol «Buenaventura», que sairia no dia 30, com destino a Havana, levando a bordo 84 colonos chineses, a galera da mesma nacionalidade «Alaveza», as barcas francesas «Blanche Marie» e «Veloce», os brigues «Maggie» e «Water Lily» e a galera «Star of China», que navegavam sob bandeira inglesa, a barca da confederação germânica «Vidal» e os vapores de guerra chineses «An-Lan», «Chien-Jui» e «Ngan-Tien»….
As disponibilidades que abarrotavam os cofres do tesouro público foram, no entanto, bem aproveitadas, pelo inteligente governador, Visconde de S. Januário, de nome, Januário Correia de Almeida (4), bacharel formado em Matemática, que chegara a Macau, com o posto de capitão do Estado-maior, tendo exercido, anteriormente, o cargo de governador geral da Índia. Assim grandes melhoramentos se efectuaram, no seu áureo governo, como:

  • a construção da estrada da Barra, até aos depósitos de lixo que existiam por aquelas bandas, saneando um local que constituía um foco de infecção, obra dispendiosa, pois muita rocha nos sopés das colinas de Penha e de Barra teve de ser arrebentada para se poder abrir esta via pública; (5)
  • a estrada de D. Maria II;
  • os trabalhos de pesquisa de água com a abertura duma mina na parte posterior do jardim da Flora;
  • a bateria rasante na ponta da praia em S. Francisco; (5)
  • uma nova casa para a guarda principal na Praia Grande (as outras foram construídas no campal das Portas do Cerco, no campo de Santo António, no largo de Matapau e na Flora, respectivamente, as duas primeiras em 1863, e as duas restantes em 1866 e 1869;(5)
  • uma carreira de tiro no campo da VItória;
  • ao alargamento do aterro marginal do porto interior; (5)
  • à canalização geral das ruas, próximas do bazar e teatro chinês; (5)
  • à construção de um quartel, destinado a uma bateria de artilharia, na fortaleza do Monte;
  • ao aterro marginal e construção da muralha da Praia Grande para o lado sul, (5) e
  • de muitos outros melhoramentos, mas nenhum sobrelevou ao da construção do hospital, que veio a ter o seu nome….

………………………………………………………………………………continua………

GOMES, Luís Gonzaga – Macau Factos e Lendas, páginas escolhidas. Edição da Quinzena de Macau, 1979, 152 p.

MACAU, 1870 – FOTO de JOHN THOMSON (8)

(1) Sobre o negócio e a emigração de Cules, aconselho a leitura do livro de
SILVA, Beatriz Basto da – Emigração de Cules Dossier Macau 1851-1894. Fundação Oriente, 1994, ISBN-972-9440-35-2.

O último Regulamento do Governo de Macau sobre Cules foi promulgado a 28 de Maio de 1872 (estabelecia a liberdade de emigrar e de ser repatriado no caso de mudar de intenções), embora posteriormente tivesse surgido acrescentos a este regulamento.
(2) “8 de Novembro de 1871 – Uma força composta de 60 praças de marinhagem da corveta «Duque de Palmela», com dois guarda-marinhas, 18 soldados da polícia do porto e de loucanes (marujos chineses) da guarnição dos escaleres, transportados, na lancha a vapor Sergio, em dois escaleres da polícia do porto levados a reboque e na lancha da corveta, desembarcaram em Uong-K´am (Ilha da Montanha), sob o comando do 2.º Tenente Vicente Silveira Maciel da lorcha Amazona, e conseguiram destruir um couto de piratas”
Em 2 de Setembro desse ano, a corveta «Duque de  Palmela» tinha sofrido grandes avarias, em consequência dos embates com os barcos chineses, por causa de um tufão.
 (3) “No dia 20 de Novembro de 1873, pelas 19.00 horas, o 1.º Tenente da Armada Vicente Silveira Maciel, comandante da escuna «Príncipe Carlos», acompanhado do guarda-marinha Caminha e do capitão de Infantaria Caetano Gomes da Silva, que jantara a bordo, quando seguiam numa baleeira para terra, veio um “fai-ai”, com uma equipagem de 60 a 70 homens, «abalroou premeditadamente contra a baleeira» ficando atravessada na proa do barco chinês, que mudou de rumo para a Lapa. Tendo conseguido trepar até ao “fai-ai”, os oficiais e dois ou três marinheiros que iam na baleeira travaram rijo combate com os chineses, caindo o Tenente Maciel ao mar; mas foi salvo por um marinheiro, agarrando-se ambos a um bambu. Salvaram-se também o guarda-marinha Caminha e um marinheiro. O capitão Silva e outros marinheiros foram considerados como desaparecidos” (7)
 (4) “23 de Março de 1872 – Januário Corrêa de Almeida, Visconde de S. Januário, capitão de cavalaria e bacharel de matemática, toma posse do cargo de Governador de Macau (para que tinha sido nomeado em 19 de Janeiro anterior)”. O Visconde fez entrega do governo ao seu sucessor em 7 de Dezembro de 1874, José Maria Lobo d´Ávila (tinha sido nomeado em 7 de Maio de 1874) (7)
(5) “17 de Janeiro de 1873 – O Governador ordenou a execução da primeira fase do alargamento do aterro marginal do Porto Interior e simultânea regularização do regime da corrente do rio, numa extenção de 160 metros desde a Fortaleza da Barra até à Doca de Uong-Tch´oi, a canalização geral das ruas próximas do novo bazar e teatro china, junto da doca, que acabava de ser aterrada, denominada de Manuel Pereira, construção de um edifício destinado a quartel de uma bateria de artilharia, na Fortaleza do Monte; e a continuação da muralha e aterro marginal no Chunambeiro, próximo da Fortaleza do Bom Parto até à chácara de Maximiano António dos Remédios (antigo Hotel Bela Vista)” (7)
(6) Há duas informações sobre S. Francisco:
“26 de Julho de 1872 – A portaria Provincial n.º 48 determina a construção de uma bateria «em forma de luneta» na ponta da praia de S. Francisco para as peças de grosso calibre”
e outra
“1 de Dezembro de 1872 – Lançamento da primeira pedra para a construção da Bateria Rasante 1.º Dezembro. A planta é do capitão de engenharia Dias de Carvalho e do Barão de Cercal, macaense e vice-presidente da Câmara
Para esta última bateria foi necessário fazer o corte do “Outeiro de S. Francisco
(7) SILVA, Beatriz Basto da –Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p., ISBN 972-8091-10-9
(8) http://images.wellcome.ac.uk/indexplus/image/L0055556.html