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Mais uma vez, em 12 de Maio de 1836, o Vice-Rei de Cantão (Suntó de Cantão)  e o mandarim da Casa Branca comunicaram ao Procurador de Macau que era permitido fazerem-se as reparações das fortalezas do Monte e Guia, desde que nada fosse acrescentado ao que já existia e ordenaram que fosse desfeita e entulhada uma estrada nova que fora aberta atrás da Guia.

PEREIRA, António Marques – Ephemérides Commemorativas da História de Macau, 1868

Notícia de 9 de Abril de 1829: «O mandarim de Hian-Chan por appelido Leu (Liu) faz saber ao sr. Procurador de Macau que recebeu, um offício do vice-rei de Cantão, em que, attendendo sua ex.ª às representações de Sung-Ku-Chi e outros contra o portuguez Bemvindo o qual se apossou  de um baldio marginal sito na praia onde está a pedra chamada do Manduco  (1) fazendo um aterro, e destruindo um pagode, que ali existia; attendendo á letra de um edital do seu antecessor, o vice-rei Pô, que pruhibe construírem-se mais casas e até acrescentar um só pedram ou ripa, ás que existem; atendendo a que a mencionada pedra do Manduco, sendo memorável na história de Cantão, não devia ser assim coberta de entulho, o que constitue desobediência às leis; ordena a ele mandarim que mande affixar editaes e officie ao sr. procurador e ao sr. ouvidor, para que obriguem o Bemvindo a demolir immediatamente o caes já fabricado e a restituir o terreno ao seu estado primitivo dando parte depois de executada a ordem, sem opposição alguma. Sobre este objecto já elle mandarim oficiou ao sr. Procurador, que ainda se não dignou prestar-lhe atenção. É porem urgente que a ordem se cumpra, para que não tenha de oficiar a sua ex.ª, que então mandará um commissario executa-l´a. O sr procurador dará parte quando a tenha cumprido, afim de que elle mandarim o leve ao conhecimento da autoridade superior. – 6 da 3.ª lua do 9.º anno de Tau-kuang”(2)(3)

(1) Ver Praia do Manduco: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/praia-do-manduco/

(2) PEREIRA, A. F. Marques – Ephemerides Commemorativas da Historia de Macau, p. 33. O mesmo citado em TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997, pp. 430-431.

(3) Imperador da Dinastia Qing (Cheng)– Daoguang 道光帝 (Tao Kuang) (1821-1850). https://en.wikipedia.org/wiki/Daoguang_Emperor

Extraído de «Abelha da China», XVIII de 16 de Janeiro de 1823, p, 69

António José de Gamboa nasceu em Lisboa a 26 de Agosto 1754, veio para Macau (cerca de 1775) onde se entregou à vida comercial, vindo a ser um grande capitalista (com o comércio do ópio) e proprietário de navios. Desempenhou o cargo de Procurador do Senado em 1793 e em 1795. (1) Em sua memória, existe na toponímia de Macau, 4 vias com o seu nome.

Rua do Gamboa 夜 姆() (2) 街 – começa na Rua da Alfândega, em frente da Calçada do Gamboa e termina na Rua das Lorchas, entre os prédios n.º 25 e 27. Tem um arco alpedrado junto da Travessa da Louça. (1) 夜 姆 () mandarim pīnyīn: yè mǔ  jiē ; cantonense jyutping: je6 mou5 gaai1

Travessa do Gamboa夜姆() (2) 巷 – começa na Rua do Gamboa ao lado do prédio n.º 3, e termina na Travessa das Virtudes. (1) 夜姆巷- mandarim pīnyīn: yè mǔ hàng; cantonense jyutping: je6 mou5 hong6

Calçada do Gamboa夜姆() (2) 斜巷 – começa no cimo da Calçada do Tronco Velho, junto do Largo de Santo Agostinho, e termina na Rua da Alfândega, em frente da Rua do Gamboa. (1) 夜姆斜巷- mandarim pīnyīn: yè mǔ xié hàng; cantonense jyutping: je6 mou5 je3 hong6

Beco do Gamboa – 夜姆() (2)  里. Também conhecida como 深巷仔. 夜姆里 – mandarim pīnyīn: yè mǔ lǐ; cantonense jyutping: je6 mou5 lei5. 深巷仔mandarim pīnyīn: shēn hàng zǐ; cantonense jyutping: sam1 hong6 zai2

(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume II, 1997, pp.291-292.

(2) Questionei o meu amigo Manuel Basílio sobre a grafia chinesa desta rua e com a sua autorização da qual muito agradeço, publico o texto e os anexos que me enviou:

“Boa pergunta.  Este topónimo, em chinês, apesar de me ter dado muitas voltas à cabeça, acabei por chegar a uma conclusão, que me parece ser mais lógica. Como bem sabe, os topónimos em chinês não estavam fixados, nem inscritos em qualquer relação ou cadastro das vias públicas do século XIX, oficialmente publicados.  Naquela altura, certos topónimos em chinês variavam consoante o tradutor e até o próprio Pedro Nolasco da Silva, ora utilizava um caracter, ora outro, em traduções que fazia ou aprovava para publicação no B.O., e um dos exemplos é relativamente à Rua e à igreja de Santo António.

No caso da Rua do Gamboa, o registo oficial mais antigo que encontrei, em chinês, foi o que consta do Cadastro das Vias Públicas Macau do ano de 1905, em que está registado 夜母街  (yé, noite; mou, mãe; e kái, rua).  Mais tarde, no Cadastro de 1925, aparece então registado 夜呣街  (com o caracter  , formado por  mou, com o radical  hâu, boca).  O radical 口hâu, em caracteres chineses, é uma característica do dialecto cantonense, devido aos seus sons específicos, quando falado. No entanto, nos Anuários de Macau, em vez de mou ou , utilizaram um outro caracter –  mou  (mulher que cria ou cuida um filho de outrem, isto é, ama seca), tendo repetido a mesma chapa em todas as edições subsequentes até 1957.  Dado que os residentes chineses, desde longa data, chamavam àquela via 夜呣街  (Yé Mó Kái), portanto, com a publicação do Cadastro das Vias Públicas e Outros Lugares da Cidade de Macau, de 1957, fixou-se finalmente “Yé Mó Kai” para a designação, em chinês, da Rua do Gamboa (o mesmo caracter usado no Cadastro de 1925).  O termo “Yé Mó” é, sem dúvida, o que faz mais sentido, visto que naqueles tempos havia em Macau vadios e refugiados, sobretudo, no período da Rebelião Taiping  (1851-1864), conhecidos pelo nome de “lanchaes” (lán châi), que aqui não conseguiam trabalho e meios de subsistência e, por isso, praticavam roubos pela cidade e a Rua do Gamboa era um dos alvos, por ser uma via principal.  O topónimo 夜呣  (Yé Mó) deveria ter sido derivado do termo homófono 夜摩  (Yé Mó), que significa gatuno, conforme registado no Dicionário Chinês-Português, editado pelo Governo da Província no ano de 1962, sendo autores A. Melo, Pe. Ngan e Pe. Hó.  Infelizmente, em Macau, continua a haver designações em chinês cujos caracteres estão incorrectamente escritos, casos como a de “Tap Seac”, “Lou Seac T’óng” (antiga Rua do Mastro, hoje Rua Camilo Pessanha), etc., muitas vezes por culpa dos tradutores daqueles tempos e que, até agora, continuam sem a devida rectificação.  Macao sã assi! “

CADASTRO 1905
CADASTRO 1925

Aconselho a leitura de Manuel Basílio: “Uma rua em Macau com estranha denominação em chinês” disponível em: https://cronicasmacaenses.com/2020/02/12/rua-do-gamboa-uma-rua-em-macau-com-estranha-denominacao-em-chines/.

Extracto da Chapa do Mandarim Cso-tam sobre os Servidores Chinas nas Casas do Portuguezes em Macao

O Mandarim Cso-tam por apelido Pom faz saber ao Sr. Procurador, que sendo evidente, que as Cazas Portuguezas em Macao quando allugão servidores Chinas, o fazem à sua vontade , sem ser por introdução de fiadores, nem por via de compradores capazes; donde procede portarem-se esses servidores sem temor, nem respeito, concebendo logo ideas sinistras, já espreitando qualquer couza para furtar, e fugir, já abusando da confiança que os ditos Portuguezes deles fazem a respeito de dinheiro, ou fazendas, cometendo faltas, e se auzentão: e quando sobem queixas do Sr. Procurador nos Mandarins, só vem apontado o nome do individuo, ou indivíduos por não se saber o seu cognome, nem o de seus Irmaons, filhos, e parentes, nem o nome dos lugares de suas moradias; … (…)

… (…) quando os Estrangeiros alugarem servidores Chinas, deverão estes ser inculcados por compradores. E em Macao quando não há compradores, deverá haver fiadores seguros para então se assegurarem os descuidos…

Extraído de «O Macaista Imparcial» n.º 117 (Vol 2, n.º 12) de 20 de Setembro de 1837 p. 54

NOTA: Neste ano (1837) o governador e capitão-geral de Macau era Adrião Acácio de Silveira Pinto que tomou posse a 22 de Fevereiro de 1837 (nomeado para o cargo em 4 de Março de 1836). O Procurador do Senado era Francisco António Seabra (1837-1843) e por isso o vereador encarregado dos negócios sínicos, com o título de “mandarim intendente do distrito” perante o mandarim da Casa Branca. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/adriao-a-silveira-pinto/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/francisco-antonio-seabra/

Extraído de «BGPMTS», I-30 de 12 de Maio de 1855, p. 118

A «Sociedade Philarmonica Macaense» foi constituída no dia 14 de Dezembro de 1844, com a primeira reunião da mesa da Assembleia Geral no dia 22 de Dezembro na Feitoria de Francisco António Pereira Thovar, para apresentação e discussão do projecto dos Estatutos da Sociedade. https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/10/08/noticia-de-8-de-outubro-de-1851-representacao-teatral-na-sociedade-philarmonica-macaense/

Extraído de «BGPMTS»  I-34 de 9 de Junho de 1855 p-135

O procurador era Lourenço Caetano Cortela Marques mais conhecido pelo nome de Lourenço Marques (1811-1902). (1) Exerceu o cargo de Procurador do Leal Senado de 1851 a 1856 e de 1859 a 1865; em 1865 foi eleito vice-presidente do Leal Senado e em 1871 Presidente do mesmo

(1) Anteriores referências a este Macaense em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/comendador-lourenco-marques/

Os Negociantes de Macau, F. J. de Paiva, (1) J. V. Jorge (2) e B. Barretto (3) deram  no dia 11 de Abril de 1837, o último dos três dias sucessivos dos festejos pelo casamento da rainha D. Maria II (4) com o príncipe Fernando de Saxe- Coburgo-Gotha (1816- 1885) – rei consorte Fernando II, em Lisboa na Sé patriarcal no dia 19 de Abril de 1836.

O chá começou às nove horas, o baile às dez e a ceia depois das duas e a função acabou na manhã seguinte, ou para melhor dizer ao meio-dia; por quanto, depois de saírem os primeiros convidados, entraram os segundos, que eram os mendigos, pelos quais se repartiu tudo, quanto restou da lauta ceia, que tudo poderia fartar a mil pessoas

Extraído do « O Macaista Imparcial»,  I-88 de 13 de Abril de 1837

 (1) Francisco José de Paiva (1801-1849) – próspero comerciante, juiz ordinário do Senado (1831), encarregado dos Negócios Sínicos e major comandante do Batalhão do Senado (1847). Foi o 1.º cônsul geral de Portugal em Hong Kong nomeado em 21-01-1847, comendador da Ordem de Cristo e presidente (1835-1842) da comissão liquidatária da Casa «Casa de Seguros de Macau», extinta em 1825 e da qual tinha 6 acções.  Existe em Macau uma rua com o seu nome “Travessa do Paiva”. (5) Anteriores referências em:https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/francisco-jose-de-paiva/

(2) José Vicente Jorge (1803/1857) – negociante e exportador, em navios próprios, ligado ao negócio de emigração de trabalhadores chineses, almotacé da Câmara em 1831, procurador do concelho em 1840 e 1845 e provedor da Santa Casa da Misericórdia. (5) Mais informações em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-vicente-jorge-1803-1857/

(3) Bartolomeu Barretto (1784 – 1845) – natural de Bombaim (21-07-1784), estabeleceu-se como comerciante e classificador de chá em Macau. Casou pela 1.ª vez ,em Macau, com Antónia Maria Francisca Gonçalves Pereira na Igreja de S. Lourenço a 14-05-1816 e a 2.ª vez, a 18-07-1821, com a sua cunhada Angélica Rosa Gonçalves Pereira Foi director da Casa de Seguros de Macau que se estabeleceu novamente em Macau em 1822, da qual tinha 9 acções. Em 1825, foi eleito almotacé da Câmara. Faleceu em Macau a 25-02-1845. Pai de João António Gonçalves Barreto (1824-1881), , um dos fundadores do Clube Lusitano de Hong Kong. (5) Ver anterior citação de J. A. Barreto em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/j-a-barreto/

(4) Dona Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga (Rio de Janeiro, 1819 – Lisboa, 1853), foi a Rainha de Portugal e dos Algarves – D. Maria II, em dois períodos diferentes: primeiro de 1826 a 1828, quando foi deposta por seu tio Miguel, e depois de 1834 até à sua morte em 1853. Era a filha mais velha do imperador Pedro I do Brasil, que também reinou em Portugal brevemente como Pedro IV, e da sua primeira esposa, a imperatriz consorte do Brasil, Rainha Consorte de Portugal e dos Algarves e Arquiduquesa da Áustria, Maria Leopoldina da Áustria. Maria da Glória foi a única monarca da Europa a nascer fora de terras europeias

Retrato de D.Maria II, por John Simpson, c. 1837. https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_II_de_Portugal

D. Maria II, casou três vezes. Em 1826 casou com o seu tio o infante D. Miguel mas foi considerado nulo e dissolvido em 1834. Casou pela 2.ª vez, em Munique com príncipe Augusto de Bauhamais (1810-1835) em Janeiro de 1835 mas este faleceu em Março de 1835 de difteria. Casou então, com príncipe Fernando de Saxe- Coburgo-Gotha (1816- 1885) – rei consorte Fernando II, em Lisboa na Sé patriarcal em 19 de Abril de 1836. D. Maria II de D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gota, esteve grávida 12 vezes, sendo que deu à luz 11 vezes, e só 7 dos seus filhos sobreviveram, e acabou por morrer no seu 11º parto.

(5) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume I, 1996.

O Beco da Rede começa na Calçada da Barra, entre os prédios n.ºs 13 e 15 e termina na encosta da Colina da Penha.
“Este toponímico deriva de outro desaparecido, chamado Ponte da Rede, ali em frente.
A 2 de Dezembro de 1828, o mandarim Tso-Tang, de apelido Fom, publicou um edital, dizendo que os chinas anciãos de Macau lhe haviam representado:
«que o Portuguez Leiria na Ponte da Rede mandou fazer hum muro, que cercou o quadro, em que se pretendia fabricar a torre da Fortuna, (1) pelo que indo em pessoa indagar, achei ser verdade todo o referido na representação deles. Por tanto além de ter eu mandado ao Procurador para mandar parar a ditta obra; ordeno tbem a vós todos os pedreiros , e picadores de pedras, que não façaes mais obra naquele terreno, nem leveis para ali mais pedras, com cominação de serdes agarrados, e castigados» (Arq. da Procuratura)
Supomos que o português Leiria é Hermenegildo António Leiria, natural de Lisboa, filho de José António Leiria e de Maria de Jesus; casou em 3 de Março de 1829 com Eugénia Maria Inácia Cortela, filha de António Joaquim Cortela (falecido a 1-06-1842) e de Ana Josefa de Azevedo (falecida a 21-01-1830), neta paterna de Lourenço Baptista Cortela (2) e de Mariana Muniz da Rosa (falecida a 5-11-1788) e materna de Bernardo Manuel de Azevedo e de Inácia Vicência Gomes.
Hermenegildo António Leiria morreu afogado em 1 de Agosto de 1836, à vista de Macau, pelo naufrágio do navio Suzana, onde ele vinha» (3) (Registo de Óbitos da freg. de S. Lourenço) ”(4)
(1) ”2-12-1828 – O tchó-t´óng proibiu os pedreiros de continuarem a construção dum muro, propriedade do português Leiria, na Ponta da Rede, por essa obra vir a cercar dum terreno, onde os chineses pretendiam edificar a Torre da Fortuna (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
(2) Da família Cortela. Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/12/noticia-de-12-de-maio-de-1806-vulto-ilustre-de-macau-do-seculo-xix-joao-francisco-rodrigues-goncalves/
(3) Este registo de óbito em S. Lourenço não está correcta segundo Jorge Forjaz: faleceu «no naufrágio do dia 31 de Agosto de 1836 sucedido ao navio «Suzana» aonde vinha de passagem o qual Navio deo a costa nas praias de Nameam em Sanchoão em que o dito Leiria enterrado » segundo o escrivão Gonçalves no Livro dos Termos das Eleições.
A. H. M. Santa Casa da Misericórdia, Livro dos Termos das Eleições, cód. 144.
FORJAZ, Jorge – Família Macaenses, Volume II, 1996.
(4) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997.

A propósito da restituição do convento de Santo Agostinho e seguindo a leitura dos “3 Casos Milagrosos” descritos por BRAGA, Jack M. em A Voz do Passado, 1987 (1), transcrevo um outro “CAZO MILAGROSO” que aconteceu durante os 10 anos em que o Convento de Santo Agostinho foi ocupado por “outros padres”.
Com a falta dos Religiosos tinha cessado a procissão dos Passos que se não fasia havião três anos deles irem para Goa, pelas razões que havião por cauza do Patriacha como consta em 1712. Fevereiro 14 succedeo que houvesse nesta Cidade huma grande carestia pela falta de mantimentos. Os Chinas attibuindo isto a não se fazer a procissão requererão ao Procurador do Senado para que fizesse andar pelas ruas aquelle homem de pao ás Costas (palavras delles) oferecendo-se para os gastos. Fes-se com efeito a procissão, cessou a carestia, e os Chinas contentes pagarão as despesas.”
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/07/25/noticia-de-25-de-julho-de-1721-restituicao-do-convento-de-santo-agostinho-e-o-1-o-cazo-milagroso/
Anteriores referências a esta procissão:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/25/noticia-de-25-de-marco-de-1708-tradicoes-que-se-continuam-ii-a-procissao-dos-senhor-dos-passos-ou-senhor-da-cruz-as-costas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/09/01/noticia-de-1-de-setembro-de-1709-a-excomunhao-do-bispo-o-patriarca-de-antioquia-e-os-frades-de-s-domingos/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/04/noticias-de-4-e-5-de-marco-de-2017-tradicoes-que-se-continuam-a-procissao-do-senhor-dos-passos-i-fotos-de-1974/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/03/10/noticia-de-10-de-marco-de-2019-o-senhor-dos-passos-em-1955/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/03/07/noticia-de-7-de-marco-de-1954-a-grande-devocao-ao-senhor-dos-passos-em-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/21/a-tradicional-procissao-do-senhor-dos-passos-1973/

In «Bol do Governo da Província de Macau, Timor e Solor», Vol 6, 16 de Agosto de 1851, n.º 39
TIM-TIM
1- Ferro velho, homem que anda pelas ruas comprando objectos usados e que se faz anunciar batendo com um pequeno ferro numa chapa metálica.
2- Geralmente no plural tim-tins – Lojas e tendas onde se vendem objectos usados: louças, móveis, antiguidades, etc. Ir aos tim-tins é precorrer as ruas onde se concentram essas lojas e tendas, as ruas dos tim-tins. Havia antigamente ao Largo dos tin-tins (cf. T.S.Y.K.II Vol.)
´´Etimo – tin-tin, é apenas onomatopaico. O chinês popular tem a expressão teng-teng lou, em que lou (佬) é “homem”, e teng teng (não é palavra chinesa) é apenas uma forma onomatopaica. (BATALHA, Graciete Nogueira – Glossário do Dialecto Macaense, 1977.p.546) 
ADELLO (ADELO) (do árabe – corretor, leiloeiro, pregoeiro)
1- Pessoa que compra roupas e coisas usadas para revender. = ADELEIRO, FERRO-VELHO
2- Estabelecimento onde se vende roupa, livros ou outros objectos usados. (in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa)
NOTA: Sugiro visualização de “Um olhar sobre os tintins
http://bairrodooriente.blogspot.com/2009/10/um-olhar-sobre-os-tintins.html