Archives for posts with tag: 1936

Artigo do jornal «Daily Sun» de Cantão, de 24 de Maio de 1931, (1) traduzido e publicado no «Boletim Geral das Colónias», n.º 74/75 de 1931.

Extraído de «BGC», ano VII, 1931 Agosto/Setembro n.º 74-75, pp. 313/314

(1) Joaquim Anselmo de Mata de Oliveira (1874-1948) governou por pouco tempo Macau, de 30 de Março de 1931 a 15 de Outubro de 1931. Tinha estado anteriormente em Macau como 1. º Tenente, comandante da lancha – canhoneira «Macau» no episódio contra os piratas em Coloane em 1910. Partiu para Lisboa, em serviço, a 15 de Outubro, no cruzador «Adamastor» que saiu da Ponte Nova do Porto Exterior. Só em 21 de Junho de 1932, Macau teria novo governador: Tenente Coronel de Artilharia, António José Bernardes de Miranda, exonerado a 4 de Janeiro de 1936.

Artur Tamagnini Barbosa, nasceu em Lisboa em 31-08-1881 e veio para Macau ainda bebé chegando no transporte África a 22-01-1882. Regressou a Portugal com a família aos 19 anos de idade, em 1900. Foi Governador de Macau por três vezes: de 1-07-1918 a 12-04-1919; 19-06-1926 a 19-11-1930 sendo exonerado a 2-1-1931; e novamente nomeado em 25-11-1936 para novo mandato que se iniciou a 11-04-1937 até sua morte, em Macau.

Outras referências a estes Governadores: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joaquim-a-mata-e-oliveira/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-jose-bernardes-de-miranda/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/artur-tamagnini-barbosa/

Por iniciativa do Padre Francisco Xavier Rôndina, S. J. (1) efectou-se a 3 de Abril de 1864, uma quermesse no teatro D. Pedro V, em benefício dos órfãos do Seminário de S. José. Este mesmo jesuíta que veio para Macau em 1862, para ensinar e dirigir o Seminário de S. José, (2) era um defensor dos direitos humanos, denunciando os problemas sociais dos mais pobres e desfavorecidos, e promovendo os meios para sustentar os asilados nomeadamente os órfãos.

Mas só em 1900 por iniciativa do Provedor da Santa Casa de Misericórdia Pedro Nolasco da Silva (1842-1912) surgiu o “Asilo dos Órfãos” instalado no Tap Seac, mas que por razões económicas em 1918, foi extinta. (3) (4)

Em 1933, a “Associação protectora dos jovens pobres e órfãos”, que tinha o edifício alugado denominado «Novo Asilo dos Órfãos» na Travessa dos Santos n.º 2, encomendou a construção de um edifício próprio que seria denominado “Asilo dos Orfãos”. (5)

 «Boletim Geral das Colónias», XII, n.º 134/135, Agosto/Setembro de 1936, pp.181

Para efectivação desta grande obra de beneficência, para angariação de fundos para a sua concretização, em Macau, Abril de 1936, (6) foi impresso e distribuído um “jornal” de 16 páginas (número único) onde se apresenta:

– Uma mensagem do Governador interino, Dr. João Pereira Barbosa

 – Um “ante-projecto, para mostrar o partido tomado e em que ainda não há uma preocupação de detalhe”, elaborado por Keil Amaral, (7) acompanhado de uma “descrição do projectado para construção de um edifício na Rua da Horta da Companhia, (8) a pedido da Associação protectora dos jovens pobres e órfãos”, assinado pelo mesmo arquitecto.

– Um artigo intitulado “Querer É Poder”, história resumida do Asilo dos Órfãos até então, por Luís Nolasco (Macau, 18 de Março de 1936) (9)

Com desenho/projecto na 1.ª página da “Fachada principal do novo edifício do Asilo dos Pobres e Órfãos de Macau”
Planta do 1.º pavimento
Planta do 2.º pavimento
Planta da cave
Mensagem manuscrita do governador interino, Dr. João Pereira Barbosa de 8 de Abril de 1936.

NOTA – Apesar de ter havido lançamento da primeira pedra do edifico, em 23 de Junho de 1936, com projecto do arquitecto Keil do Amaral, na Rua de Horta e Companhia, não consta ter havido concretização desta obra pois não encontro nas minhas pesquisas, até hoje, qualquer informação sobre a inauguração ou trabalhos realizados nessa mesma rua e também porque os «Anuários de Macau» de 1938 (p. 442) e 1940/41 (p. 462) referirem uma nova morada para o Asilo dos Órfãos, na «Vila Flora». Acrescenta-se o facto de, em 13 de Fevereiro de 1924, num terreno denominado Horta da Companhia, doado à Irmandade da Misericórdia de Macau pelo Governo da Província, ter sido construído um edifício destinado para Asilo dos Inválidos, (10)

(1) 08-06-1862 – Chegaram a Macau os Padres jesuítas Xavier Rôndina (1827-1897) e José Joaquim de Fonseca Matos, os primeiros professores do reaberto Seminário.  O Padre Francesco Saverio Rondina nasceu em Itália e aos 15 anos de idade ingressa na Companhia de Jesus e faz o seu noviciado em Roma. É enviado para Macau, tendo residido primeiramente, em Portugal entre 1859 e 1862, em Lisboa, no colégio de Campolide onde obteve a autorização régia para ensinar em Portugal, e posteriormente em Macau. Em 1862, passa pela ilha de Sanchoão, onde encontrou aí, a primeira sepultura de S. Francisco Xavier, que restaurou. Padre Rondina, depois de ter dirigido o Colégio de S. José em Macau de 1862 a 1871, devido à ordem que veio de Lisboa (os professores do Seminário teriam de ser obrigatoriamente de nacionalidade portuguesa e a aqueles que não cumpriam este requisito teriam de abandonar o território), abandona Macau com alguns colegas jesuítas e dirige-se para o Rio de Janeiro, onde permanecerá durante algum tempo mas, por motivos de saúde, regressa finalmente a Itália, em 1882. Nesse ano, quando conhece a obra educativa de S. João Bosco, sob a inspiração e nome de S. Francisco de Sales – os Salesianos – propôs a ida destes para Macau. D. João Paulino Azevedo (1902-1918) dá sequência à instalação dos salesianos em Macau, em 1906. (10)

Sobre a biografia e obra do Padre Rondina , aconselho leitura de: ARESTA, António – Cinco Figuras do Diálogo Luso-Chinês em Macau em file:///C:/Users/ASUS/Downloads/06-Cinco%20figuras__Antonio%20Aresta873-894.pdf

MARTINS, Maria M. B. – Compêndio de Philosophia Theorética e Pratica de Francisco Xavier Rondina S.J.; O Renascimento de Neo-escolástica  em https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/15970.pdf

(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – O Teatro D. Pedro V, 1971, p. 31.

(3) “1900 – Sendo Provedor da Santa Casa de Misericórdia Pedro Nolasco da Silva criou este grande vulto macaense o Asilo dos Órfãos, que ficou a cargo da mesma Santa Casa e instalado em edifício próprio, ao Tap Seac (hoje sede do Instituto Cultural do Governo da RAEM). A instituição foi extinta por medidas económicas em 1918, tendo recolhido e educado ao todo 182 rapazes, alguns dos quais atingiram lugares importantes dentro e fora de Macau. (10)

(4) “Havia antigamente o Asilo dos Órfãos da Santa Casa da Misericordia de Macau, instalado no edifício que a mesma Santa Casa propositadamente mandou construir ao Tap Seac e onde hoje funciona o liceu nacional. Um provedor, porém, em hora infeliz de confissão de incompetência e de comodismo propôs, e conseguiu, a sua extinção. Ficou, então, aberta uma lacuna na obra de assistência pública de Macau.” (Luis Nolasco) (6)

(5) “06-01-1933 – Foi inaugurado a 6 de Janeiro de 1933, o «Novo Asilo dos Órfãos», sob o patrocínio da «Associação Pública de Protecção aos jovens Pobres e Órfãos», alimentada com cotas mensais, sessões de animatógrafo e outras representações de benefício. Faltava um prédio adequado, porque o 1.º, ao Tap Seac, passou a ser o Liceu Central de Macau. Com a ajuda de muitas almas boas, entre elas o arquitecto Keil do Amaral e o Dr. Gustavo Nolasco da Silva (11), impulsionados por Pedro Paulo Ângelo, (12) o Asilo foi instalado na Travessa dos Santos n.º 2 e encontrou quem lhe permitisse continuar (10) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/06/noticia-de-06-de-janeiro-de-1933-novo-asilo-dos-orfaos/

(6) “O Asilo dos Orfãos”, jornal, número único, de Abril de 1936,Macau.

“ABRIL DE 1936 – Publicado um Jornal do Asilo com o título de “O Asilo dos Orfãos”, Número Único, com a história e o projeto de construção do edifício destinado a esta obra de assistência; ainda instalado na Travessa dos Santos, ali se utilizou a política de self-supporting-concern, com oficinas de tipografia e encadernação e professores (e material) concedidos pela Comissão Administrativa de Município, por proposta do Tenente Guedes Pinto. O projecto foi feito gratuitamente pelo arquitecto Keil do Amaral, sendo-lhe destinado um espaço cedido gratuitamente por diligência do Governador Interino, Dr. João Pereira Barbosa.” (10)

(7) Francisco Caetano Keil Coelho do Amaral (1910 — 1975) foi um arquiteto português ligado ao Modernismo, com destaque ao longo dos anos de 1940 e 1950, com responsabilidade projectual de importantes obras públicas, como por exemplo, Aeroporto de Lisboa, Feira das Indústrias de Lisboa, Parque Florestal de Monsanto, Lisboa etc. Completa o curso de Arquitetura da Escola de Belas Artes de Lisboa e a primeira obra é de 1934 (Instituto Pasteur, Porto). Este projecto para Macau terá sido um dos primeiros trabalhos encomendados (não consta na sua biografia) já que só em 1936, é referenciado o concurso para o Pavilhão de Portugal na Feira Universal de Paris, onde esteve durante 1 ano para acompanhar a construção do pavilhão. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Keil_do_Amaral)

(8) A Rua de Horta da Companhia, em 1969, foi redenominada Rua de D. Belchior Carneiro (actual designação) nas comemorações dos 400 anos da chagada a Macau do Bispo D. Melchior.

(9) Dr Luís Gonzaga Nolasco da Silva (1881-1954; filho de Pedro Nolasco da Silva) foi presidente do Asilo dos Órfãos de 1933 (Travessa dos Santos, n.º 2) a 1938/1939 (Vila Flor) (Directório de Macau, 1933, p. 518 e Anuário de Macau, 1938, p. 442) (https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/luis-gonzaga-nolasco-da-silva/)

(10) (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, 2015, Volume II, p. 338; Volume III, pp. 161, 230,239, 251, 283)

(11) Dr. Gustavo Nolasco da Silva (1909-1991; filho de Luís Gonzaga Nolasco da Silva) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/gustavo-nolasco-da-silva/

(12) 14-07-1931- O Sr. Pedro Paulo Ângelo, fazendo parte da Mesa Directora da Sta. Casa, inicia uma subscrição pública para reerguer o Asilo dos Orfãos, instituição onde crescera e sustentada pela Santa Casa da Misericórdia até 1918 quando foi fechado por medidas económicas. Em 13 de Agosto de 1931, os Estatutos foram aprovados pela Portaria n.º 936 do Governo de Macau. Com a subscrição e mais algumas achegas finais, adquiriu-se uma soma de 10 mil patacas.” (10)

Anteriores referências ao Asilo dos Órfãos: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/asilo-dos-orfaos/

Mais dois “slides” digitalizados da colecção “MACAU COLOR SLIDES – KODAK EASTMAN COLOR” comprados na década de 70 (século XX), se não me engano, na Foto PRINCESA.
(1)

Casa Memorial do Dr. Sun Yat-sen – 澳門國父紀念館 (2)

O Dr. Sun Yat-sen não terá vivido nesta casa, (3) mas sim os seus familiares. Conhecida como a “Mansão do Sun”, foi construída em 1912 numa imitação-mistura de traços arquitectónicos do estilo mourisco como residência para sua primeira esposa, (de 1885 a 1915) Lu Muzhen -盧慕貞 (1867-1952) que aí viveu desde 1913 com suas duas filhas, Sun Yan (孙延), Sun Wan (孙) e seu filho Sun Ke. Morou em Macau por 40 anos, falecendo aos 85 anos (1952).
A casa foi reconstruída em 1931 por ter sido muito danificada pela explosão do paiol da Flora. (3)
A casa, hoje museu, é um edifício alto de três andares com varandas ornamentadas e pátios espaçosos, localizado na Rua Silva Mendes, n.º1. Existe uma estátua de bronze do Dr. Sun Yat-sen na área exterior Casa Memorial.
O Mercado Municipal Almirante Lacerda, mais conhecido por Mercado Vermelho, (4) que ficou pronto em junho de 1936 (5) situa-se do lado oriental da Avenida Almirante Lacerda. É uma estrutura de três pisos em forma de paralelepípedo. Tem um espaçoso piso térreo e o 1.º piso possuem bancas fixas, vendendo os mais diversos produtos frescos ao passo que o 2-º piso é constituído por uma torre central. Quando se construiu o Mercado, a área a noroeste da Avenida era uma vasta zona de hortas e as zonas adjacentes (Av. Ouvidor Arriaga, Av. de Horta e Costa) eram pouco povoadas, com algumas residências de famílias abastadas ou de altos funcionários coloniais.
Na segunda metade de 1934, a arquitectura foi concebida por Júlio Alberto Basto, o cálculo da estrutura da obra encarregava-se o 3.º conde, Bernardino de Sena Fernandes, e o desenho foi feito por Wong Lam e Tse Shing. A obra da construção do mercado iniciou-se no princípio de 1935 e concluída em Junho de 1936.
(1) https://www.google.com/search?sxsrf=ACYBGNSn7Rmv6jkuR-8RXyab3nyp4y78NQ:1567866434430&q=nenotavaiconta+slides+coloridos+de+Macau
(2) 澳門國父紀念館 – mandarim pīnyīn: Àomén Guófù Jìniànguǎn; cantonense jyutping: ou3 mun4 gwok3 fu6 gei2 nim6 gun2.
Este “slide” é da década de 60 (século XX), antes de 1966, já que a Casa Memorial apresenta-se toda engalanada para as comemorações do dia 10 de Outubro, dis nacional da República da China -中華民國 (Zhōnghuá Mínguó). Esta data deixou de ser comemorada em Macau, após os acontecimentos de 1-2-3 de 1966.
(3) Em 13 de Fevereiro de 1912, Sun Yat-Sen renunciou ao cargo de Presidente provisório da República da China, tendo voltado a Macau em Maio de 1912 (após 17 anos desde que ele visitou o território pela primeira vez) e Junho de 1913. Em Maio de 1912, O Dr. Yat-Sem, acompanhado por sua filha mais velha, Sun Wan, ficou duas noites num pavilhão no Jardim de Lou Lim Ieoc que era o presidente do Hospital Kiang Wu, onde o Dr Sun trabalhara como médico.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/casa-memorial-sun-yat-sen/
(4) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/mercado-vermelho/
http://www.archives.gov.mo/pt/featured/detail.aspx?id=120
(5) Em Agosto de 1933, a Comissão de Terras concordou com o pedido de concessão de terras apresentado pelo Leal Senado da Câmara relativo ao uso gratuito de um terreno de 1,450 (mil e quatrocentos e cinquenta) metros quadrados, sito na Avenida Almirante Lacerda para construir um mercado.
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol 4, 1997.

Este anúncio, publicado no “Directório de Macau de 1932” é semelhante ao anúncio de 1934 que apresentei em anterior postagem sobre esta mesma «Leitaria/Vacaria Macaense» (1)
O “Clube de Corridas de Galgos de Macau” (“The Macao Greyhound Racinc Club”) foi fundado em 28-09-1932 (2) com o objectivo realizar corridas de galgos para entretimento / divertimento. As corridas duraram até 1936 quando foram suspensas.(3)
(1) Ver anteriores referências a esta Leitaria/Vacaria em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leitaria-vacaria-macaense/
(2) “Em 1932, um grupo de chineses e americanos organizam em Macau a «Associação de Corridas de Cães de Macau» e fazem construir um canídromo. A inauguração do espaço foi um acontecimento importante, a que não faltou o concurso de uma orquestra feminina, composta de 22 raparias americanas, com vistoso uniforme. Mas o preço das entradas, muito elevado para o nível médio de vida, não permitiu a manutenção do espectáculo que acabou em 1936. Em substituição das corridas de cães, o espaço do canídromo foi transformado em parque de diversões (ópera, acrobacia, jogo) assim se mantendo até cerca de 1940. Em 1940, o Governo de Macau transforma o espaço do canídromo no «Campo Desportivo 28 de Maio“. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997)
“In 1932, greyhound racing was first introduced to Macao by Fan Che Pang (范潔朋) and a group of overseas Chinese and Americans, who later formed the “Macao Canine Club” and built a greyhound racing stadium, which is now the “Yat Yuen Canidrome”.  However, this newly introduced game was not truly popular at that time. The business stopped operating several years after until it was reopened in September 1963
http://www.dicj.gov.mo/web/en/history/
(3) Ver anteriores referências ao Canídromo
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/canidromo/

Oa amplos portões em arco,, entrada para o «Canídromo Clube de Macau / Macau Canídrome Club»

Mais um “slide” digitalizado da colecção “MACAU COLOR SLIDES – KODAK EASTMAN COLOR” comprados na década de 70 (século XX), se não me engano, na Foto PRINCESA. (1)
Em 1940, o Governo de Macau transforma o espaço do canídromo que foi construído pela «Associação de Cães de Macau» para realizar corridas de “cães” (de 28-09-1932 até 1936, quando foram suspensas), no terreno depois chamado «Campo Desportivo 28 de Maio». Em 28-09-1963 nesse mesmo campo desportivo, teve (re) início das corridas de galgos na sequência da concessão efectuada em Agosto de 1961 à empresa «The Kun Pha».
Depois disso, o projecto sofreu alterações até 16-03-1963 quando foram aprovados os Estatutos doa Associação Desportiva e Recreativa «Canídromo Clube de Macau» (“Macau Canidrome Club»” – 逸園賽狗場) (2) (3)  (Portaria n.º 7213 – B.O. n.º 11)

A Companhia “The Macau (Yat Yuen) Canidrome Club “ que foi responsável pelo Canídromo de Macau (a única pista de corridas de galgos na Ásia) fechou a 21 de Julho de 2018.

Fotografia de 2008
https://en.wikipedia.org/wiki/Canidrome_(Macau)

(1) https://www.google.com/search?sxsrf=ACYBGNSn7Rmv6jkuR-8RXyab3nyp4y78NQ:1567866434430&q=nenotavaiconta+slides+coloridos+de+Macau
(2) 逸園賽狗場 – mandarim pīnyīn: yì yuán sài gǒu  cháng; cantonense jyutping: jat6 jyun4 coi3 gau2 coeng4
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.

O jornal «The Canton Register» de 15 de Setembro de 1831,  (1) dá notícia da saga de 14 japoneses naufragados na costa de Manila e depois enviados a Macau. Se houvesse benevolência por parte do Senado, a quem pediram ajuda, deveriam seguir por terra até Nimpo (Ninghpó, Liampo) e dali de barco para o Japão. O Procurador do Senado Floriano António Rangel, resolveu, apesar da tirania do Japão, atender à situação dos náufragos, que foram enviados para Cantão seguindo caminho para o seu país. (2)

https://babel.hathitrust.org/cgi/pt?id=mdp.39015080059747;view=1up;seq=5;size=150

(1) «The Canton Register» foi o primeiro jornal (8 de Novembro de 1827) em língua inglesa na China, fundado pelos mercadores escoceses, James Matheson e seu sobrinho Alexander junto com o americano William Wigtman Wood, que foi o primeiro editor. Publicado no início de duas em duas semanas era impresso em Cantão, mas depois transferido para Macau – de 1839 a Junho de 1843 – e a partir desta data impresso em Hong Kong. Terminou em 1936.
KING, Frank H.H.; CLARKE, Prescott (editores) – A Research Guide to China Coast Newspapers 1822 – 1911, pp. 41-44.
Um exemplar do semanário «The Canton Register», este de 1835 – Vol. 8, n.º 1, 6 de Janeiro de 1835. Editor: J. Slade.
https://babel.hathitrust.org/cgi/pt?id=mdp.39015080059747;view=1up;seq=5;size=150
Neste número, apresenta um anuncio, em português, da “Jardine, Matheson % Co. “
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.

Artigo do jornal “ A Voz de Macau” republicado no «Boletim Geral das Colónias», de Novembro de 1936, (1)
(1) Extraído de «Boletim Geral das Colónias» Ano XII, Novembro de 1936, n.º 137

Página do «Boletim da Sociedade Luso Africana do Rio de Janeiro», publicado aquando da 1.ª Exposição Colonial Portuguesa no Porto, em 1934, com fotos dos governadores de cada uma das antigas colónias, entre eles, o do Governador de Macau, Coronel Bernardo de Miranda (2)

Major Dr. Raúl Manso Peto (Governador de Timor)
Coronel  José Ricardo Cabral (Governador Geral de Moçambique)
General João Craveiro Lopes (Governador do Estado da Índia)
Capitão  Amadeu de Figueiredo (Governador de Cabo Verde)
Capitão Ricardo Vaz Monteiro (Governador de São Tomé)
Major Luiz de Carvalho Viegas (Governador da Guiné)
Coronel Eduardo Ferreira Viana (Governador Geral de Angola)
Coronel António Bernardes de Miranda (Governador de Macau)

(1) «Boletim da Sociedade Luso Africana do Rio de Janeiro», n.º 9, p. 72. Número especial Comemorativo da 1.ª Exposição Colonial Portuguesa – Porto 1934.
(2 António José Bernardes de Miranda, tenente-coronel de Artilharia com o curso do Estado Maior, tomou posse como governador de Macau a 21 de Junho de 1932 e foi exonerado a 4 de Janeiro de 1936.
O B.O. – S. n.º 25 de 20 de Junho, publica o convite e programa de festas pela chegada a Macau no dia 21 de Junho, a bordo da lancha “Cinati” e tomada de posse no Leal Senado.
No B. O. n.º 26 de 26-06-1932) o governador e esposa fazem saber que recebem as pessoas que desejem visitá-los no Palacete de Santa Sancha, aos sábados, das 15 às 17 horas.
Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-jose-bernardes-de-miranda/

No dia 2 de Abril de 1936, veio a bordo da canhoneira «Falmouth», (1) em visita oficial, o Vice-Almirante Charles Little (2), Comandante-Chefe da esquadra Inglesa na China (3)
Foi recebido pelo Governador interino, João Pereira Barbosa (29-02-1936 a 19-12-1936) (4)
(1) HMS FALMOUTH (L 34) – corveta da marinha inglesa (1.060 tons, 250 x 34 ft, 2-4in.) Construído e lançado a 27 de Outubro de 1932, foi colocado ao serviço naval do  comandante-em-chefe da estação da China. Em Setembro de 1939, fazia o patrulhamento na área de Hong Kong, interceptando navios inimigos. Como o navio não estava equipado com armamento adequado, foi entre Outubro e Dezembro especialmente modificado para a Guerra do Pacífico, instalando equipamento para detecção de submarinos. Em Março de 1940 foi colocado na base naval de Singapura e depois durante a guerra missões no Golfo Pérsico.
Após a guerra, foi readaptado para o transporte civiil
https://www.naval-history.net/xGM-Chrono-18SL-HMS_Falmouth.htm
https://www.naval-history.net/Photo18slFalmouth1PS.JPG

Vice-Almirante Charles Little em 1937

(2), Sir Charles James Colebrooke Little (1882 – 1973) ao serviço da marinha inglesa de 1897 a 1945, participou na I Guerra Mundial e foi nomeado em 1936, Comandante-Chefe da esquadra Inglesa na Estação da China. Em 1938 nomeado “Second Sea Lord and Chief of Naval Personnel”. Durante a II Grande Guerra, tornou-se “Head of British Joint Staff Mission” em Washington D. C. em 1941. Nomeado Comandante-Chefe em Portsmouth em 1942. Aposentou-se em 1945.
https://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Little_(Royal_Navy_officer)
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
(4) O Governador António José Bernardes de Miranda foi exonerado a 4 de janeiro de 1936 (governação de 21-06-1932 a 04-01-1936) e em 29 de Fevereiro desse ano foi nomeado Governador interino João Pereira Barbosa que ficou até 19 de Dezembro de 1936, data em que foi nomeado o novo Governador Artur Tamagnini Barbosa No entanto o governador Tamagnini Barbosa só tomaria posse a 11 de Abril de 1937 pelo que nesse intervalo 19-12-1936 a 11-04-1937, ficou encarregado do governo, António Joaquim Ferreira da Silva Júnior e João Pinto Crisóstomo.
O Dr. João Pereira Barbosa findo a comissão em Macau foi nomeado Director dos Serviços de Administração Civil, em Goa.

MACAO

An alien city rimmed by shallow seas
And purple islands, as the world extreme;
A siren of indolence and ease
Where men live at peace and poets dream
 
Clouds pass, men come and go, the seasons change,
But time moves on, although the clocks pretend,
Her beauty is familiar and strange …
Who, knowing her, shall not proclaim her friend?
 
I shall remember many of her way:
The signbords swingind in the autumn gales,
And on her inlets and tourquoise bays
The idle junks with safron coloured sails.

The yellow hour of twilight that recedes
The darkness burning with unnumbered stars
Dice rolling and men counting little beads,
The show sad songs girls sing to their  guitars.
 
A child cuts firewood in a coblet street
A crowd collects to watch two cricketsfight,
A city sonolent with nooday heat,
Transformed and shadowed with romance by night.
 
These memories and many others such
I shall retain; and underneath their charm
One of a woman I loved too much
And pray  that none may ever come to harm.
                                          Gerald Jollye
 

A baía da Praia Grande, a Igreja da Penha e o Hotel “Boa Vista”
 

Gerard Humphrey Jollye (1921-1950) Como militar britânico, no 1.º Batalhão no Norte de África foi ferido e como membro do Serviço Civil Malaio, morto aos 29 anos de idade, pelos comunistas na insurreição comunista na Malásia, numa emboscada perto de Malaca em 13 de Dezembro de 1950. Esteve em Macau (década de trinta- século XX) como cadete militar, a estudar chinês, hospedado no hotel «Boa Vista»
O Hotel «Boa Vista» que foi comprado em 1932 por Ieong Pat por 55 mil patacas, mas pouco durou como hotel pois em 1934, com um contrato de três anos (1934-1937) esteve alugado ao governo inglês para alojamento dos cadetes dos Serviços de Administração Civil Britânica, que vinham estudar chinês em Macau antes de entrarem no serviço administrativo. Com a invasão da China pelos japoneses, os cadetes regressaram a Hong Kong em 1936.
Segundo Padre Teixeira, «ouve vários romances entre os jovens cadetes e as jovens de Macau mas, como era vedado o casamento, vários corações ficaram partidos na hora da despedida» (1)
Relação dos funcionários ingleses pelo “Indian Office”, publicada no “The London Gazette”, Issue 35279,  19-09-1941 onde consta o nome de “Pte Gerard Humphrey Jollye”

(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997