Archives for posts with tag: 1935

Morre em Roma a 29 de Novembro de 1976, depois de receber a visita e bênção de Paulo VI. D. José da Costa Nunes. (1) As Exéquias foram na Basílica de S. Pedro e o seu túmulo está na Igreja de Santo António dos Portugueses em Roma. (2)
Recordo-o, neste dia, apresentando um postal de 1964.

Creio tratar-se de uma foto da missa campal repleta de fiéis celebrada pelo Cardeal D. José da Costa Nunes e co-celebrada pelo Bispo de Macau, D. Paulo José Tavares (bispo de Macau: 1961-1973) em frente às Ruínas de São Paulo, no ano de 1964.
Em 10 de Novembro de 1964, o Cardeal D. José da Costa Nunes foi nomeado pelo Papa Paulo VI, legado papal para as comemorações do IV Centenário das Missões da Companhia de Jesus em Macau e IV centenário da chegada dos primeiros missionários católicos a Macau. (3)
Nesse mesmo mês e durante a sua estadia, no dia 23 de Novembro de 1964, o Leal Senado, em sessão ordinária desta data, proclamou o Cardeal D. José da Costa Nunes (Bispo de Macau de 1920 a 1940) como Cidadão Benemérito de Macau.
(1) Antes de completar o curso teológico, acompanhou para Macau, como secretário particular de Bispo D. João Paulino, tendo chegado a Macau em 1903 e ficou a estudar no Seminário de S. José. Foi ordenado sacerdote e, em 1920, foi nomeado Bispo de Macau, Restaurou o Colégio de Sta. Rosa de Lima, confiando em 1932 a direcção do estabelecimento às Franciscanas Missionárias de Maria; inaugurou a nova igreja de Santa Clara; fundou as escolas chinesas “Pui Cheng”, “Mong Tak”, “Kung Chon” e o Colégio de S José; melhorou a Escola Portuguesa, ambas anexas à Casa de Beneficência; inaugurou em 13 de Outubro de 1935 a nova Igreja de Nossa Senhora da Penha; restaurou o Paço Episcopal; confiou o Seminário de S. José aos jesuítas; foi professor do Liceu de Macau.
(SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5, 1998).
NOTA 1: Há muita informação sobre a vida e a obra do Cardeal D. José da Costa Nunes acessível através da net:
Sugiro entre outros:
http://www.eccn.edu.pt/index.phpoption=com_content&view=article&id=3&Itemid=268
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_da_Costa_Nunes
COSTA, Susana Goulart – D. José da Costa Nunes (1880-1976); Um Cardeal no Oriente
http://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/4523/1/LS_S2_19-20_SusanaGCosta.pdf
Nos «Arquivos da RTP: Chegada do Cardeal José da Costa Nunes, Vice-camarlengo da Santa Sé. a Lisboa, em 1964.»
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/chegada-do-cardeal-jose-da-costa-nunes/#sthash.TfvpHSEE.dpbs
(2) No dia 27 de Junho de 1997, os seus restos mortais foram solenemente trasladados para a Igreja Paroquial de Nossa Senhora das Candeias, freguesia da Candelária, concelho da Madalena.
(3) A Companhia de Jesus desempenhou papel preponderante na fundação e de Macau. Embora as notícias dos primeiros Jesuítas em Macau datam de 1555, (chegada do padre Belchior Nunes Barreto, o Irmão Fernão Mendes Pinto e o padre Gaspar Vilela (conforme carta escrita pelo padre Belchior Nunes Barreto) os Jesuítas só se estabeleceram definitivamente em Macau em 1563, com a vinda dos padres Francisco Peres e Manuel Teixeira e do Irmão André Pinto:
O padre Francisco Peres, em 1565, fundou em Macau, junto à ermida de Santo António, a primeira residência da Companhia de Jesus.
SEABRA, Leonor Dias de – Macau e os jesuítas (séculos XVI e XVII) . História Unisinos 15(3):417-424, Setembro/Dezembro 2011.
Acessível em
http://revistas.unisinos.br/index.php/historia/article/viewFile/htu.2011.153.09/609
NOTA 2: Circula na net outro postal (mesma imagem) deste evento com a seguinte legenda:

Sam Ba Sing Tzik St. Paul’s Cathedral Macau 1964

No dia 31 de Outubro de 1935, exibiram-se, no Ténis Civil, o campeão de ténis do mundo Henri Cochet e o campeão das Filipinas Francisco Árgon (1)
Henri Jean Cochet (1901 – 1987) (apelidado “Le Magicien”) foi um famoso tenista francês da década de 1920 e do início da década de 1930. Considerado como um dos quatro “Mosqueteiros” franceses (com Jean Borotra, René Lacoste e Jacques Brugnon) que dominaram o ténis mundial nas décadas de 20 e 30 (século XX) (2)
Henri Cochet venceu oito torneios do Grand Slam em simples em Roland-Garros, US Open e Wimbledon e foi número um mundial em 1928 e tornou-se profissional em 1933 (3)

Henri Cochet em 1922
https://pt.wikipedia.org/wiki/Henri_Cochet

Francisco Aragon foi um tenista filipino (bem como seu irmão Guilhermo Aragon) com o apogeu na década de 20. Os irmãos foram indicados para representar as Filipinas na «Taça Davis» (na altura, denominada «International Lawn Tennis Challenge») de 1921 a 1923, mas o país não participou nessas edições. As Filipinas participaria pela primeira vez na «Taça Davis» em 1926, com os dois irmãos, (4) sendo o primeiro país do sudoeste asiático a participar nesta prova. (5)

Francisco Aragon (à direita)
Revista «Life», Vol 15 n.º8, 1943.

NOTA: Henrique de Senna Fernandes nas suas ”memórias” do cinema em Macau e outros acontecimentos, menciona:
“Henri Cochet apresenta-se no Ténis Civil, no dia 31 de Outubro, perante uma compacta assistência. A sua exibição é memorável. Para os entendidos, não deu o máximo das suas possibilidades, mas a impressão é boa. “A Voz de Macau” classifica-o de mestre. Joga contra os tenistas locais, entre eles Raul Canavarro, figura de renome entre os tenistas do Extremo Oriente e várias vezes campeão de Xangai, o qual perde com galhardia. O chá, que depois foi servido, revelou ao francês a fina elegância da sociedade macaense de então.”:

(1) GOMES, Luís G. Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) Conquistaram a “Taça Davis” para a França seis vezes consecutivamente. (1927 a 1932).
(3) Informações recolhidas de
https://pt.wikipedia.org/wiki/Henri_Cochet
(4) As Filipinas chegaram às semifinais, perdendo com o Japão por 5-0 (torneio realizado em S. Francisco (E.U.A.) de 25 a 27 de Junho de 1926.
(5) Informações retiradas de:
https://www.philstar.com/sports/2006/07/23/348849/rp-advances-davis-cup-group-2#rCjmwSTbyXrhq70F.99https://en.wikipedia.org/wiki/1926_International_Lawn_Tennis_Challenge

Duas fotos de Macau, com legendas, publicadas na imprensa estrangeira em 1935.

Embarcações de Pesca no Porto Interior
Macau – Casa Chinesa, iluminada em dia de procissão.
Infelizmente, dado ter sido tirada à noite, a foto não é bem perceptível,.

Extraído do «B. G. C.»  XI-122-123, 1935.

NOTA: «Excelsior» foi um jornal ilustrado francês que se publicou de 1910 a 1940.
https://fr.wikipedia.org/wiki/Excelsior_(journal)
Edmund Demaitre (1906-1991) jornalista, escritor e analista político, conhecido por ter coberto como jornalista a ocupação da Áustria e Checoslováquia pelos alemães e invasão da China pelos japoneses. Depois correspondente para o “Daily Express” de Londres (1940) e ingressou no “Voice of America” em 1949 até se reformar em 1976.
https://www.nytimes.com/1991/05/27/obituaries/edmund-demaitre-retired-journalist-85.html
Henry Sazenac de Forge (1874-1943) escritor francês com vários livros publicados, o mais conhecido “Ah ! la Belle France ! (Impressions du Front)” (1916); colaborador do jornal “La Dépêche coloniale ilustrée”, que se publicou durante 19 anos.
https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/cb327559237/date

Vista aérea da cidade de Macau desde a Praia Grande até ao Porto Interior vendo-se ao centro a Avenida Almeida Ribeiro.

Fotografia publicada no número do «Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio Janeiro» de 1935, dedicado à  promoção da “Mostra de Turismo” realizado no Rio de Janeiro em 20 de Abril de 1935. (1)
(1) Do diário “Correio da Manhã” do Rio de Janeiro de 21 de Abril de 1935

Fotografais de Macau publicadas no Boletim da «S. L. A. do Rio de Janeiro», em 1935  e 1936.

Continuação da publicação dos postais constantes da Colecção intitulada “澳門老照片 / Fotografias Antigas de Macau / Old Photographs of Macao”, emitida em Setembro de 2009 pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. de Macau/Museu de Macau (1)

Coreto da Avenida Vasco da Gama

Contíguo a este largo (onde está o monumento a Vasco da Gama, planeado para ser levantado em 1898, mas só inaugurado a 31 de Janeiro de 1911) e do lado da estrada da Victoria procede-se actualmente à construção d´um coreto para música, ao centro d´um pequeno jardim, sendo este jardim fechado por duas rampas circulares d´acesso da Avenida para a estrada da Victoria que devem produzir um lindo efeito.” (artigo do engenheiro Augusto César d´ Abreu Nunes (2) , em 1898, publicado no “Jornal Único”) (3)
Os actuais Jardim da Vitória e Jardim de Vasco da Gama, são o que resta da antiga Avenida Vasco da Gama, aberta em 1898, por ocasião do IV Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia.
Essa avenida, que com mais propriedade, se deveria chamar alameda ou mesmo pequeno parque, tinha 500 metros de comprimento e 65 de largura. Progressivamente, a partir de 1935, foi retalhada para receber equipamentos urbanos como o campo desportivo do Tap Seac, as escolas primária oficial Pedro Nolasco da Silva e Luso-chinesa Sir Robert Ho Tung, uma piscina municipal e mais tarde, uma unidade hoteleira (Hotel Estoril)” (4)
Ao longo da Avenida corriam dois parques de árvores de S. José (Ficus chloro-carpas) que lhe davam um aspecto bucólico de frescura campestre… (… ) Do lado N. a Avenida terminava pelo Jardim da Vitória , que era de forma circular com 58 m de diâmetro, sendo torneado pela rua central da Avenida. (5)
(1) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/postais/
(2) A avenida Vasco da Gama foi projectada pelo engenheiro Augusto César d´Abreu Nunes.
(3) O “Jornal Único” publicou-se, num único número, no dia 20 de Maio de 1898,
com óptima apresentação e interessante colaboração, em comemoração do 4. º Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
(4) ESTÁCIO, António J. E.; SARAIVA, António M. P. – Jardins e Parques de Macau. Instituto Português do Oriente, 1993, p. 36.
(5) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol. I, 1999, pp. 228.