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Pequeno opúsculo de 24 páginas (23cm x 16 cm) escrito por Hugo C. de Lacerda Castelo Branco (na altura, Vice-Almirante da reserva engenheiro hidrógrafo) e publicado pela Imprensa da Armada (Lisboa) em 1932.
O autor (então como capitão dos portos) traça o historial do “projecto porto de Macau” (que defendeu desde 1912  em favor do Porto Interior), desde finais do século 19:
Fôra um muito considerado oficial da marinha, o Comandante Cinatti, então capitão dos portos de Macau, que, no último quartel do passado século, levantára o grito de alarme contra a crescente envasamento que cada vez mais entulhava o pôrto e bloqueava aquela colónia…
Parte do conteúdo foi apresentado pelo autor no Congresso Colonial da Sociedade de Geografia realizado em 1921 com a tese: “A Valorização do novo pôrto de Macau como base de maior ressurgimento da Colónia
O autor viria mais tarde após ter sido director das Obras dos Portos de Macau, a defender o porto em favor do Porto Exterior justificando que as circunstâncias iniciais eram totalmente diferentes entre as duas épocas (considerações políticas e económicas). Apresenta as razões de não ter tido maior afluência da navegação ao Porto Interior apesar das melhorias para a navegação.Na nota final , apresenta um recorte duma carta do autor escrita ao « Diário de Notícias» de 17 de Junho de 1933, a propósito das afirmações do Governador de Macau (António José Bernardes de Miranda nomeado em 21 de Junho de 1932) numa a entrevista desse jornal.
BRANCO, Hugo C. de Lacerda Castelo – Considerações sôbre o pôrto para navios em Macau. Separata dos “Anais do Club Militar Naval”. Imprensa da Armada, Lisboa, 1932, 24 p.
Anteriores referências a Hugo C. de Lacerda Castelo Branco em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hugo-lacerda-castelo-branco/

Livro escrito por Aires Carlos de Sá Nogueira, (1) de 1933, reeditado pelos Serviços Florestais e Agrícolas de Macau em 1984. (2)
Tem nesta edição uma “Apresentação” de António Júlio E. Estácio (p. 3):
Tem sido a flora do Território referida em alguns trabalhos, de que é justo destacar o presente, cujo original veio ao público, em Macau há cinquenta e um anos.
Hoje, dada a sua raridade e considerando-se a informação nele contido, entendeu-se como de interesse proceder-se à reedição da presente obra no intuito de que o seu reaparecimento continua valioso apoio a quantos se dedicam a estudos botânicos…
O autor Aires de Sá Nogueira esteve em trabalho, em Macau, nos meses de Setembro de 1932 a Março de 1933, e durante cerca de seis meses “manuseei alguns milhares de exemplares botânicos, para apenas catalogar 380 espécies…” (Advertência, p. 5)
A arrumação sistemática seguida no Catálogo é a mesma seguida na “Flora of Kwangtung and Hong Kong” de S. T. Dunn (3) e W. J. Tutcher,(4) edição de 1912 e por enumerar cerca de 255 espécies com a indicação de existir em Macau.

Recibo original dos “Serviços Florestais e Agrícolas de Macau, n.º 106 de 17 de Outubro de 1984, data da adquisição deste livro por vinte patacas.
Pág 82, referente ao Crisântemo bravo, branco – Pac Cok Fá (白菊花)

Interessante anotação: em 1933 ainda se encontrava 白菊花 – Pak Cok Fá nos muros da Estrada de Cacilhas.
白菊花mandarim pīnyīn: bái jú huā; cantonense jyutping: baak6 guk1 faa1
(2) NOGUEIRA, A. C. de Sá – Catálogo descritivo de 380 espécies botânicas da Colónia de Macau. 2.ª edição. Serviços Florestais e Agrícolas de Macau, 1984, 181 p.; 21 cm-x 14,8 cm.
(3) Stephen Troyte Dunn (1868,-1938), famoso botânico britânico que descreveu e sistematizou numerosas plantas em todo o mundo principalmente na taxonomia da flora da China. Foi o primeiro a descrever cientificamente a “Bauhinia blakeana”, a flor que hoje é o símbolo de Hong Kong.
(4) William James Tutcher (1867-1920) – Botanista que trabalhou desde 1891 no Departamento Botânico de Hong Kong. Regressou a Inglaterra em 1904.

Artigo do Capitão-Tenente Jayme do Inso, de Lisboa, Abril de 1932, publicado no n.º 2 do Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro, Maio de 1932.

Desenho de autor desconhecido publicado no Boletim da “S. L. A. do Rio de Janeiro” de 1932.
Sobre a Avenida Almeida Ribeiro ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/avenida-almeida-ribeiro/

Anúncio na imprensa do Rio de Janeiro de 1932, do livro de Jaime do Inso. “O Caminho do Oriente!” (1)

“Obra patriotica e de ressurgimento nacional pelo regresso ao Oriente de cujo comercio ha tanto nos afastamos”
“A viagem e as cenas vividas nesse Oriente maravilhoso , onde ainda tanto perdura a tradição portuguesa, tornam este livro de uma leitura agradavel, em que o romance e a descrição se aliam numa linguagem que prende sem cansar”

(1) Ver em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/02/17/leitura-o-caminho-do-oriente/

Mais duas formas de brasões de Macau ao longo da história (1) recolhidos da imprensa escrita.
Brasão de armas de Macau “Colónia Portuguesa de Macau” que vigorou de 8 de Maio de 1935 a 11 de Junho de 1951. Em 1951, o listel branco passou a ser: “Província Portuguesa de Macau” e em 1975 “Governo de Macau“.
Ordenação simbólica das Províncias do Império Português de Além-Mar (Macau) segundo o parecer que a pedido da Agência das Colónias, e por incumbência do Instituto Português de Heráldica, o Senhor Afonso Dornelas elaborou em Junho de 1932.
(1) Brasão de armas ou, simplesmente, brasão, na tradição europeia medieval, é um desenho especificamente criado – obedecendo às leis da heráldica – com a finalidade de identificar indivíduos, famílias, clãs, corporações, cidades, regiões e nações.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bras%C3%A3o
VER anteriores referências a Brasões/Insígnias de Macau em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/insignias-brasoes/

A loja comercial, “ Casa Brunswick” estava localizada na Avenida Almeida Ribeiro, n.º 14 (Telefone n.º 293) e vendia discos e grafonolas que na altura (1929) era uma novidade.
A única informação que consegui recolher desta casa comercial, foi a indicação do registo, em 1932 da «Brunswick (sub-Agência)» na mesma Avenida mas com o n.º 8 (Directório de Macau, 1932). No entanto a casa já não figurava no item “Agência de Companhias Estrangeiras” no Directório de 1933, pelo que suponho não ter durado muito a actividade desta casa comercial.

Anúncio publicado no «Jornal de Macau», de 1929.

A «Brunswick Records» foi uma das três grandes gravadoras dos Estados Unidos, juntamente com «Victor» e «Columbia Records», nas décadas de 30 a 70, do século XX.
A companhia começou primeiramente produzir fonógrafos em 1916, no Canadá e com a fidelidade de áudio dos primeiros anos de 1920, os discos Brunswick, acusticamente gravados, estavam acima da média para a época.
Em 1930 a «Brunswick-Balke-Collender» vendeu a patente para a «Warner Brothers», que no ano seguinte o passou para a «American Record Corporation». Em 1932 a filial britânica da «Brunswick» foi vendida à «Decca Records». Em 1973, todas as empresas que pertenciam à «Music Corporation Of America» – inclusive a «Decca», a «Uni Records» e a «Kapp Records» – foram transformadas na «MCA Records». (1)
É de notar que a maioria dos discos referidos no anúncio estão associados a canções-temas dos filmes que na altura eram ainda mudos.
Das canções enumeradas no anúncio, o n.º 40432 – “Ramona (cantado)” , o n.º 40476 – “Gallito e o n.º 403 74 –“Juventuded que vás” estão referidas na lista das gravações elaborada por Ross Laird – Brunswick-Balke-Collender Company e  Brunswick Radio Corporation.
Brunswick Records New York sessions, 1916-1931” (disponível na net)
A melodia n.º 40476 – “Gallito” é um “paso doble flamenco. (2)
A canção n.º 40432 – “Ramona” foi cantada por GENE AUSTIN (1900 -1972), compositor e cantor, um dos primeiros chamados “crooners”, muito popular nas décadas de 20-30 (século X). As suas composições “How Come You Do me Like You Do?” (1924) ; “When My Sugar Walks Down the Street” (1924)  “The Lonesome Road” (1929) e “Ridin Around in the Raian “ (1934) foram êxitos na rádio e nos discos. (3)
A canção “Ramona” é de 1928 e foi composta por Mabel Wayne com letra de L. Wolfe Gilbert .(4) É canção-tema do filme “Ramona” de 1928, dirigido por Edwin Carewe (5)
A canção ”Juventud que te vás” um “charleston foi muito popular na voz duma das    melhores mezzo-sopranos de Cuba (zarzuela, ópera e concertos), Tomasita Nunez (1901-1980). (6)

A canção N.º 40485 – “Angela Mia” é um “foxtrot”, gravado em 21 de Abril de 1928 (“Victor” 21338), música de Erno Rapée, letra de Lew Pollack. (7)
Foi a canção-tema do filme “Street Angel” de 1928 (produção de William Fox) com os actores Janet Gaynor (1906-1984) (8) e Charles Farrell (1902-1990).
A canção n.º 3129 – “Napolitan Nights”, de 1928, é cantado por James Melton. (9)
Canção-tema do filme “Fazil” de Howard Hawks, de 1928. (10)
(1) https://en.wikipedia.org/wiki/Brunswick_Records
(2) Gallito, Paso Doble Flamenco de Santiago Lope interpretado ao piano  por H. Asborno
https://www.youtube.com/watch?v=V57n6NP8Mnw
Gallito, Paso Doble Flamenco de Santiago Lope interpretado pela Banda de Almenara
https://www.youtube.com/watch?v=xB7ux-ONLUM
(3) https://www.google.pt/search?q=Gene+Austin&oq=Gene+Austin&aqs=chrome..69i57j0l5.13143j0j8&sourceid=chrome&ie=UTF-8
Gene Austin – My Blue Heaven (1927)
https://www.youtube.com/watch?v=5w-_xbBmXJ4
Gene Austin – Forgive Me (1927)
https://www.youtube.com/watch?v=APn30l293wA
(4) Disco gravado em 2 de Abril de 1928. O lado B. do disco “Girl of My Drams” foi também muito popular.
“Ramona” (1928) pela orquestra “Brunswick Hour Orchestra”
https://www.youtube.com/watch?v=gpZF0QDRkfA
Ramona” foi n.º 1 do ano de 1928 – a canção gravada mais popular (a 2.º mais popular foi a célebre canção “Sonny Boy” de Al Jolson). Foi canção-tema do filme “Ramona” protagonizada por Dolores del Rio. Existem várias versões desta canção.
https://en.wikipedia.org/wiki/Gene_Austin#/media/File:Gene_Austin_01.jpg
(5) “Ramona”, filme de 1928, mudo, drama dirigido por Edwin Carewe com os actores Dolores del Rio e Warner Baxter
https://en.wikipedia.org/wiki/Ramona_(1928_film)
(6) Tomasita Nunez –Sin Encontrarte

Tomasita Nunez –Por Eso Te Quiero

(7) Versões disponíveis na net:
“Angela Mia”, cantado por James Melton
https://www.youtube.com/watch?v=HXTkmu6wpOo
Ângela mia (My Angel), com Francisco Alves acompanhado por Simão Nacional Orquestra.
https://www.youtube.com/watch?v=Fj7yUSACJsQ
Paul Whiteman – My Angel (Angela Mia) (1928)
https://www.youtube.com/watch?v=fJLFukGTVgE
“Angela Mia” cantdo por Harold Scrappy Lambert
https://www.youtube.com/watch?v=Tf6kxC3avTM
(8) Janet Gaynor foi a primeira actriz a receber o Óscar de melhor actriz principal em 1928, por três filmes: “7th Heaven” (1927), “Sunrise: A Song of Two Humans” (1927), e “Street Angel”l (1928) (foi a única vez que uma actriz recebeu este galardão por múltiplas participações)
(9) “Napolitan Nights”, cantado por James Melton
https://www.youtube.com/watch?v=7YtsHahgXzk
(10) “Fazil”, de 1928, filme mudo, drama, dirigido por Howard Hawks, Com os actores Charles Farrell (1902-1990). e Greta Nissen