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Outras fotografias de José Neves Catela (tiradas entre 1934 e 1936) publicadas e legendadas em português, inglês e chinês no «Directório de Macau de 1936». 

Liceu Central de Macau – O Ginásio

NOTA I: “1933 – Foi determinado que o Liceu Central de Macau passe à categoria de Nacional (Boletim Geral das Colónias, Ano IX, Dezembro 1933, n.º 102 pp. 222)

Nos anos lectivos 1933/34 e 1934/35, o professor (interino) de Educação Física era Artur António Tristão Borges. No ano lectivo 1935/36, o professor era Firmino José Miranda da Costa e no ano lectivo seguinte encontrava-se vago.

24-11-1934 – BOGCM N.º 2 DE 12 DE Janeiro de 1935, p. 25

NOTA II: “16-08-1937 – É escolhido e dado ao Liceu o nome de Infante D. Henrique (P.P. n.º 2366 – B. O. n.º 34, p. 560 (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, p. 259)

Igreja do Seminário de S. José
Um dos motores “Diesel” da estação geradora da Companhia de luz eléctrica

NOTA III: “1933 – Publicado no BO n.º 46 de 18 de Novembro de 1933, a escritura de contrato de concessão do exclusivo de fornecimento de energia eléctrica à Cidade de Macau pela Melco: ”The Macao ElectrIc Lighting Company Limited” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III,  2015, p. 239)

Sobre este fotógrafo, ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-neves-catela/

Do diário de Harriet Low, para este dia de 2 de Abril de 1830:

George Chinnery – Forte de São Francisco com o Fortim de S. Jerónimo em 2.º plano e ao longe, o Forte da Guia, 1833

«Depois do jantar, olhando pela janela, vi um dos barcos da Companhia (East Ìndia Company) com o sol brilhando sobre as suas bem enfunadas velas. Como desejei possuir o talento para a pintura de sr. Chinnery, (1) a fim de poder esboçar para ti a linda vista que tinha diante de mim, a grande e elegante igreja, branca de leite, com uma esplêndida escadaria de pedra e cercada de árvores e arbustos (Igreja do Convento de S. Francisco). (2)

George Chinnery – Degraus da Igreja de S. Francisco , c. 1835-38
George Chinnery  – Mosteiro/ Convento e Fortaleza de S. Francisco, c. 1833-38

Pouco além, a fortaleza (de S. Francisco), (3) e a baía alongando-se. Ainda mais além, podem-se ver os barquinhos, resvalando-se sobre a superfície das águas do rio. À distância, podem-se discernir duas elevadas ilhas e um lindo barco, desmandando a sua tal alvejada pátria. Um porco mais longe está um pequeno barco europeu, navegando a toda a vela e, à vista, uma quantidade de barcos chineses. Pode agora imaginar quão agradável á a vista que gozamos do nosso terraço? (4)

E agora estou aqui sentada no meu quarto a lutar contra os mosquitos. A cada meio segundo, ponho a pena na boca, enquanto me esforço por cometer assassinatos. Os cúlis estão a “dormir bem audivelmente” debaixo do meu quarto. Não conheço ninguém que ressone tão fortemente como eles. A tia Low tem mandado lá abaixo alguém, muitas vezes, às tardes a virá-los” (5) (6)

George Chinnery – Mosteiro de S. Francisco e Fortaleza d Guia ao longe, c. 1835-38

(1) George Chinnery, pintor inglês, nascido a 05.01-1774 e falecido em 30-05-1852. Ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/george-chinnery/

(2) A igreja com a sua elegante escadaria de pedra e o convento foram demolidos em 1864. Na mesma data foi completamente destruída a fortaleza e levantada outra, de que sé resta o muro exterior. No lugar do convento surgiu o quartel que foi concluído em 1866. Quatro colunas salomónicas e o altar do Crucifixo foram parar à Igreja do Seminário de S. José, onde ainda hoje se podem admirar. (6)

TA-SSI-YANG-KUO, Volumes I e II, 1899

(3) “… dali (da Fortaleza da Guia) volta o muro para o sul em direitura ao convento de S. Francisco, e antes de chegar a ele tem hua porta que cahe para o mar , a qual se fecha todas as noites. Está a Fortaleza de S. Francisco pegada ao convento, que te hu postigo na cerca dos Frades, e da parte de dentro a porta da Fortaleza tem hua peça de 40 libras de bronze invocada N. Snra. De Loreto, outra peça de 20 libras de bronze invocada N. Snra. do Rozario , segue-se outra peça de 18 libras de bronze, e vindo correndo o pano de muro para a p.te da Cidade, e praya grande que acaba no princípio da Povoação da Cid.e, aonde tem hua porta que sahe para o rocio (7) de S. Francisco” ( Padre José Montanha – Apparatos para a Historia de Macau”) (6) (8)

(4) Terraço da casa do tio da Harriett, sr. William Henry Low, que foi o chefe da firma Russel & Co. (desde 1 de Janeiro de 1830 até Outono de 1833, quando partiu de Macau, por causa da doença respiratória), ficava no Pátio da Sé, n.º 2, ao alto da Calçada de S. João.

(5) TEIXEIRA, Padre Manuel – Toponímia de Macau, Volume II, p. 10

(6) TEIXEIRA, Padre Manuel – Macau do Séc. XIX visto por uma jovem americana, 1981, p.6

(7) Rocio , aliás rossio é uma praça ou terreno espaçoso e refere-se ao Campo, hoje Jardim de S. Francisco..

(8) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2021/03/14/noticia-de-14-de-marco-de-1761-a-livraria-do-colegio-de-s-paulo-e-os-caixotes-do-irmao-jesuita-joao-alvares/

Outros enxertos do diário de Harriet Low, neste blogue, em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/harriet-low/

Quadros com aguarelas de George Vitalievich Smirnoff (1) de 1945 que estavam no então Museu Luís de Camões. (2)

“Igreja de St° António”. Aguarela, 1945. 22,4 x 28.3 cm.
“Igreja do Seminário de S. José e Casario Chinês”. Aguarela, 1945. 28,6 x 22.6 cm
“Igreja da Penha Vista do Porto Interior”. Aguarela, 1945, 22,5 x 28,6 cm.
Igreja de St° Agostinho Vista da Calçada do Gamboa”. Aguarela, 1945. 29 x 25,5 cm
“Igreja de S. Domingos”. Aguarela, 1945, 28,5 x 22,5 cm.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/george-smirnoff/

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/museu-luis-de-camoes http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30026/1863

No dia 30 de Março de 1786, (1) chega a Macau, vindo de Cantão, o Padre João Baptista Marchini, procurador da sagrada congregação da Propaganda, (2) que transferiu para Macau a Procuradoria, fundada em 16-08 1705 , em Kuang-Chau pelo Patriarca Tournon.

O Padre Marchini (1758-1823)  além de Procurador da Propaganda, foi procurador das Missões Estrangeiras de Paris (3) de 1813 a 1816. Esta sociedade foi suprimida por Napoleão I em 1809, e o seu procurador expulso de Roma em 1812. De 1785 a 1803 foi procurador das M. E. P. em Macau Claude François  Letondal; sucedeu-lhe Marchini e a este, o Padre Jean Jacques Louis Baroudel (1816-1830). Marchini faleceu em Macau em 22-IV-1823, sendo sepultado na Igreja do Seminário, onde se encontra a sua lápide com a seguinte inscrição :

«A João Baptista Marchini, Dertonense, Protonoraio Apostolico, Procurador da Congregação da Propagação da Fé insigne pela piedade, doutrina e sabedoria; benemérito da Religião Cristã. O seu companheiro Carlos Vidua Conzani, italiano, dedicou (esta lápide) a um italiano. Viveu 65 anos. Faleceu em Macau no ano de 1823» (4)

Foto de José Neves Catela, publicado em 1940 (5)

 (1) O Padre João Baptista Marchini, da Congregação de São João Baptista, Companheiro encarregado das missões da China, partiu de Lisboa em Abril de 1780, acompanhando o padre Francisco José da Torre, da mesma Congregação que foi nomeado Procurador dessas missões.

20-05-1780Carta de Roma do Cardeal Antonelli, Prefeito [da Sagrada Congregação de Propaganda Fide], para o Núncio Apostólico e Arcebispo de Petra, acusando a recepção da carta de 18 de Abril em que o informava do embarque do Padre Francisco José da Torre e do seu colega, Padre Marchini, para Macau. O autor recomenda a chamada dos ex-Jesuítas Espinha e Loureiro, residentes, respectivamente, em Pequim e Cantão, para que regressem a Portugal.” (Arquivo Secreto do Vaticano-Expansão Portuguesa, Tomo II – Oriente, 2011) http://www.lusosofia.net/textos/20121207-arqsecretovaticano_tomo_ii.pdf

Ensaio sobre o Padroado Portuguez. Dissertação Inaugural Para o Acto de Conclusões Magnas de J. Lopes Praça, Coimbra, 1869, p. 127 https://www.fd.unl.pt/Anexos/Investigacao/1484.pdf

(2) Com a “Bula Inscrutabili Divinae”, do dia 22 de junho de 1622, o Papa Gregório XV criava a Congregação, com o nome de “Propaganda Fide”. A tarefa primordial da Congregação é missionária, propagação da Fé pelo mundo inteiro, com a específica competência de coordenar todas as forças missionárias, de proporcionar directivas para as missões, de promover a formação do clero e das hierarquias locais, de incentivar a fundação de novos Institutos missionários e de prover às ajudas materiais para as actividades missionárias. A recém-criada Congregação se transformara, deste modo, o instrumento ordinário e exclusivo do Santo Padre e da Santa Sé, para o exercício da jurisdição sobre todas as missões e a cooperação missionária. Com o tempo foi-se acrescentando outros documentos pontifícios fundamentais como: “Romanum decet” (com a mesma data), “Cum inter multíplices” (14 de Dezembro de 1622), “Cum nuper” (13 de Junho de 1623), e por fim “Immortalis Dei” (1 de Agosto de 1627)

(3) A Sociedade para as Missões Estrangeiras de Paris (em francês, La Société des Missions Étrangères, outrora chamado de Séminaire des Missions Étrangères; em latim, Societas Parisiensis missionum ad exteras gentes), fundada em 1660 (outras fontes: 1658-1663), é uma sociedade de vida apostólica e de direito pontifício, católica romana, constituída por padres seculares e leigos dedicados à evangelização em terras estrangeiras. Logo, não é uma ordem religiosa. Seu acrónimo é M.E.P. Os dois fundadores da Sociedade, os padres franceses Pierre Lambert de La Motte (1624 – 1679) e François Pallu (陸方濟) (1626 – 1684), foram respectivamente nomeados vigários apostólicos da Cochinchina e do Tonkin pelo Papa Alexandre VII, em 1658. Estas nomeações entraram em directo confronto com o Padroado português, que naquela altura era o principal responsável pela evangelização da Ásia e do Extremo Oriente (excepto as Filipinas). https://en.wikipedia.org/wiki/Paris_Foreign_Missions_Society

(4) SILVA, Beatriz de – Cronologia da História de Macau, Vol. 2, 1997

(5) Sobre José Neves Catela, ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-neves-catela/ Foto extraído de TEIXEIRA, P. Manuel – Macau e a sua Diocese, 1940

No campanário do Seminário de S. José (1) há dois sinos fundidos em Macau no ano de 1796, pelo artista fundidor e serralheiro José António Pederiva. Era natural de Brixen (Tirol) (2); aperfeiçoou o seu ofício em Colónia, casou enviuvou e voltou a casar em Macau, onde nasceram os filhos. Aqui deixou vasto trabalho na sua arte, nomeadamente canhões, testemunhado em requerimento que sobre ele fez ao Senado em 29 de Outubro de 1796. (3)

Fachada da Igreja do Seminário de S. José – 1957

(1) Há grande divergência entre os investigadores sobre a data da sua fundação. Sabe-se que já existia em 1749, (3) podendo situar seguramente o seu começo no segundo quartel do século XVIII. Existia, então, no sítio onde se levanta o actual edifício, conhecido durante muito tempo como Monte do Mato Mofino, um grupo de 3 casitas pertencentes a um homem rico, Miguel Cordeiro, que as ofereceu aos missionários jesuítas. Nelas se instalou o primitivo Seminário e delas se foi erguendo, ano a ano, gradualmente o grandioso maciço que ainda é conhecido entre os chineses: Sam Pá Tchai ou S. Paulo Menor. (M. B. I. Ano I, n.º 31, de 15 MAR 1955).
(2) José António Pederiva era natural de Fascia ??? – Itália., segundo o sítio recente (macaumemoria.mo), que refere ter extraído de TEIXEIRA, Manuel – Igreja do Seminário, s. d.
https://www.macaumemory.mo/entries_d8509df7777b42bc8cc55dcf44402f33?token=+pb7VLGA5VT0a8FGKdkgZg==&lgType=pt
(3) “22-02-1657 Fundação, pelos jesuítas, do Seminário de S. José. A Igreja é de 1750” SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau,  Volume 2, 1997.