8 de Março de 1828 – Officio do mandarim de Hain-chan (Heong-Sán) ao procurador da cidade de Macau, intimando-lhe que prohibisse aos residentes ingleses renovarem à sua custa, como intentavam, a estrada do campo de Mong-há, e passearem nella a cavallo pois com taes concertos e passeios afrontavam as sepulturas dos chinas e as barracas dos pescadores.” (1)

Padre Manuel Teixeira contesta esta informação, copiada de A. Marques Pereira e repetida por outros historiadores (Bento da França, Levy Gomes, Rocha Martins e Montalto de Jesus.)
Refere Padre Teixeira (2) que as chapas originais não tinham esse teor, mas conclui no entanto, por fim que a chapa de 23 de Maio de 1828 dizia «… rigorosas prohibições, para q. os Estrangeiros saiba daqui por diante, q. nos muros da Cidade se comprhendem os limites das suas habitaçoens, dentro das quaes habitarão socegamente e q se alguém se atreve a continuar a obra do sobred.º caminho, sera rigorozamt. e agarrado e castigado. »
Assim a chapa de 02-02-1828 diz:
« os europeus não podem andar ali a cavalo, nem os chinas abrir sepulturas para não impedir os ingleses de concertar esse caminho , que é para o bem comum.»

Macau from the Forts of Heang-shan 1839-42“Macau from the Forts of Heang-shan 1839 & 1842” (3)

A de 12 de Abril de 1828, o mandarim de Heong San, de apelido Li, publicou um edital para os chinas de Macau, dizendo que ordenara ao procurador «fizesse para a obra, q os Ingleses estavão fazendo no caminho fora da Cidade para os seus passeios a cavallo, obstando deste modo aos Chinas abrirem ali sepulturas»
O procurador respondera que esse «caminho tem sido desde tempos, huma estrada publica, tanto para os chinas como para os Europeus, e como com o andar do tempo, tem sido arruinado, e entupido de pedras, e lodo, fazendo-se assim difficultozo de se passar, os Inglezes tinham recorrido a elle, e ao Senado, pedindo-lhes permitissem concerta-lo,e q vendo elle Procurador e o Senado, q este concerto era mt.º útil, tanto para os Europeus, como para os China, sem obstáculo algum a estes para abrirem sepulturas, o tinhão permitido e q esperava por tanto da minha parte mandar aos chinas, q não fizessem sepulturas ao lado do caminho, para não servirem de obstáculo aos caminhantes…»
Finalmente a chapa de 23 de Maio, o mandarim da Casa Branca e o mandarim de Hian-san publicaram um edital «alguns inglezes estavam fabricando uma estrada fora da Porta da Cidade desde Cano Real, athé atrz do Pagode de Mohá… não hera hum caminho plano, nem largo, mas sim huma pequena estrada, em cujos lados se achavão sepulturas fabricadas, e que o  caminho , q. tudo havia embaraço…»
Acharam que aos portugueses primitivos que aqui vieram «se concedera somente habitarem dentro dos muros da Cidade (4) como pois se podia consentir, q elle representassem q. o caminho q hia abrir-se, era hum caminho antigo»
(1) A. Marques Pereira (1839-1881) na sua “Efemérides Comemorativas da História de Macau e das Relações da China com os Povos Cristãos “ (1868), citado por GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau
(2) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau Volume I
(3) Rise & Fall of the Canton Trade System Gallery: PLACES
href=”http://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027/rise_fall_canton_04/ 
(4) A cidade estava amuralhada, estendendo-se os muros desde a Porta de St.º António até à Fortaleza do Monte, e desta até à Colina de S. Jerónimo (Hospital S. Januário), ficando a Fortaleza da Guia fora das muralhas.
NOTA: a 27 de Fevereiro de 1847, o governador Ferreira do Amaral mandou abrir 3 estradas: uma desde a Porta de S. João até ao Pagode; outra rodeando a colina de Mong Há e a terceira desde a Porta de St.º António, indo fazer a ligação com a primeira junto ao Pagode e seguindo até à Porta do Cerco. Foram removidas cerca de 700 sepulturas. Daí a aversão dos chineses para com este governador e dois anos mais tarde a sua cabeça rolaria pelo chão.