Hoje Dia Mundial do Livro, aconselho a leitura do livro de Miguel Real (1) romance publicado em Outubro de 2013 (2), sobre a história ficcional de Fátimo Martins colocado como professor no Liceu Infante D. Henrique, em Macau, no início dos anos 40, e de um amor proibido no território onde se jogou o fim do império português.

A CIDADE DO FIM Capa

Cada capítulo, que começa por uma letra do alfabeto, de A a Z, vai-nos fazer viajar pela vida de Macau nos últimos 70 anos. Tudo começa quando Fátimo, no início dos anos 1940, chega ao território asiático para ser professor de liceu. Como sempre nos livros de Miguel Real, cada herói traz um lastro do muito que andou para ali chegar. Como aqui, para onde fugiu Fátimo: “Um sítio longínquo, onde ninguém o conhecesse e pudesse recomeçar a vida, a sua vida, a verdadeira vida, vida própria, não a de filho de operário, não a de afilhado de um casal francês rico, não a de perfeito de colégio, cortar com tudo, o passado de pobreza, a meia-irmã boçal, o Barreiro estupidificado, os colegas fascistas do colégio, os colegas ricos do curso que trabalhavam nas empresas de família, considerando um desprestígio ser professor de liceu. Fátimo foi o único concorrente com estágio para a disciplina de Português.” (3)

A CIDADE DO FIM Contra Capa

Da contra-capa:

“Fugindo de uma família com a qual nunca se identificou, Fátimo – assim chamado por ter nascido no ano das Aparições – concorre a um lugar de professor no Liceu Infante D. Henrique, em Macau, acabando por permanecer quase toda a vida nessa cidade que, dividida em duas comunidades aparentemente estanques – a branca e a chinesa -, soube cruzar e reunir o melhor dos costumes de ambas, gerando uma atmosfera social deveras singular. Partilhando o seu tempo entre a escola e os livros, a portuguesa Maria Augusta – com quem mantém um casamento de fachada – e a chinesa Siu Lin, a «Pequena Flor de Lótus» – por quem nutre desde sempre uma paixão proibida -, o protagonista de A Cidade do Fim, será, ao longo de meio século, uma testemunha privilegiada da lenta decadência do poder imperial, dos conflitos com a comunidade chinesa e, por fim, da entrega oficial do território à República Popular da China, em 1999. Tomando então consciência de que, com a independência das Colónias, se jogou em Macau o fim do império português, decide re- latar num romance de amor a história de Macau a par da sua própria história – e nenhuma das duas está isenta de improbabilidade, escândalo, surpresa e mesmo violência. A Cidade do Fim, é, pois, a homenagem de Fátimo à sua língua natal, à pátria que o adoptou e, claro, à pequena flor de lótus que fez desabrochar. E é mais um notável romance de Miguel Real, que assim celebra os 500 anos de relações entre Portugal e a China.”

NOTA: Poderá ouvir uma entrevista ao autor sobre este livro no programa “À Volta dos Livros” em
http://www.rtp.pt/play/p312/e132451/a-volta-dos-livros
(1) Sobre Miguel Real, pseudónimo do professor e escritor Luís Martins ver em
http://torresdeleitura.weebly.com/uploads/2/4/1/8/2418789/miguel_real.pdf
(2) REAL, Miguel – A Cidade do Fim. Publicações D. Quixote, 2013, 310 p., ISBN: 978-972-20-5324-2, 23.5 cm x 15,5 cm
(3) LAGASTINHO, Rui em http://ipsilon.publico.pt/livros/critica.aspx?id=327476