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Notícia com este título “MACAU – SOBERANIA PORTUGUESA E A GUERRA CIVIL NA CHINA” foi publicada no «Boletim Geral das Colónias» em Dezembro de 1949 (1)
Esta mesma notícia foi republicada no número seguinte do mesmo Boletim mas com o título “MACAU E OS ACONTECIMENTOS NA CHINA”.
NOTA 1 – “Zhou En Lai, Primeiro – Ministro da China, entre 1949 e 1976, e Ministro dos Negócios Estrangeiros, entre 1049 e 1958, reconhece que é inútil tomar pela força Macau, como exigiam alguns radicais maoístas e os soviéticos, pois seria pernicioso para os interesses da China (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
NOTA 2 – “1 de Novembro de 1949 – Com a queda da cidade de Shiqui, capital do distrito de Zhongshan, território contíguo a Macau, nas mãos do Exército Popular de Libertação, é criada a junta militar comunista do distrito, chefiada por Wang Zhu (Uóng Iôk).
O ministro de Portugal na China, J. B. Ferreira da Fonseca que chegou a Macau no dia 29 de Outubro no vapor da carreira Chien Mien, é «chamado em serviço» a Lisboa. O embaixador do Reino Unido em Lisboa, Sir Nigel Ronald, apresenta um memorando ao Palácio das Necessidades expondo a posição do governo britânico acerca do reconhecimento de jure da República Popular da China (FERNANDES, Moisés Silva – Sinopse de Macau nas Relações Luso – Chinesas, 1945-1995, 2000, p.74)
“10-11-1949 – O Exercito Popular de Libertação (EPL) toma pela força o Forte do Passaleão a norte das Portas do Cerco e sob instruções do general Wang Zhu (Uóng Iôk), comandante militar de Zhongshan e dum quartel próximo de Macau o comissário-adjunto da alfândega do porto da Ilha da Lapa (ocupada pelo EPL em 4 de Novembro), Carlos Basto (1909-1986), cidadão português, é enviado a Macau para informar o governador e o encarregado de negócio (primeiro secretário) da legação de Portugal na China, João Rodrigues Simões Affra (que chegou a Macau a 24 de Outubro, com o ministro de Portugal na China) de que as autoridades comunistas respeitarão a neutralidade de Macau e nenhum elemento do exército vermelho procura entrara na colónia uniformizado e armado…” FERNANDES, Moisés Silva – Sinopse de Macau nas Relações Luso – Chinesas, 1945-1995, 2000, p.76)
(1) «BGC», ANO XXV -294, Dezembro de 1949.
(2) «BGC», XXVI – 295, Janeiro de 1950.

Extraído de «BGC»  ANO XIII, Julho de 1937 p. 173-174.
O Governador Tamagnini Barbosa tinha visitado no dia 1 de Junho de 1937 a cidade de Shinking, acompanhado pelo Bispo de Macau e outras individualidades tendo levado os seus filhos Miguel Ângelo e Mário António. Sobre esta visita, ver anterior postagem:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/06/01/noticia-de-1-de-junho-de-1937-visita-do-governador-a-shinking/

Informações da Imprensa estrangeira «France Presse» e «Reuter» acerca dos acontecimentos na China (guerra civil) e seu reflexo em Macau que o «Boletim Geral das Colónias» publicou em duas notícias semelhantes em Dezembro de 1949 (1) e em Janeiro de 1950 (2)

Foi a 9 de Novembro de 1949 que o general Wang Zhu, máximo responsável militar na área, declarou taxativamente que «a posição da vizinha Macau será absolutamente respeitada» Garantias nesse sentido foram secretamente transmitidas às autoridades portuguesas dois dias depois. (PEREIRA, Bernardo Futscher – Crepúsculo do Colonialismo. A Diplomacia do Estado Novo (1949-1961), 2017)

NOTA: A República Popular da China, na sequência da vitória de Mao Zedong (Mao Tse Tung – 1893 – 1976- 毛澤東) sobre o Kuomitang de Chiang Kai-Shek (Jiang Jieshi – 蔣介石1887-1975) que se retira para a Ilha Formosa (Taiwan) foi fundada a 1 de Outubro de 1949. Zhou Enlai (Chu En Lai – 周恩来 – 1898-1976), Primeiro Ministro entre 1949 e 1976, também Ministro dos Negócios Estrangeiros entre 1949 e 1958, publicou um comunicado expressando a intenção de abrir relações diplomáticas entre o seu Governo e os Governos de todas as nações, com base na igualdade e no mútuo respeito (excepto com Taipei).

Zhou Enlai – 周恩来 em 1946
https://pt.wikipedia.org/wiki/Zhou_Enlai

Zhou Enlai  enviou um ofício ao ministro de Portugal na China a exprimir a vontade do novo regime chinês. Mas António Salazar rejeitou tal opção.
Sobre Macau, Zhou Enlai reconheceu ser inútil tomar Macau pela força, como exigiam na altura alguns radicais maoístas e os soviéticos, pois seria pernicioso para os interesses da China. Em 1952 aquando do conflito militar às Portas do Cerco, José Estaline (Josef Stalin – líder da União Soviética) ao querer inteirar-se sobre Macau, Zhou Enlai respondeu-lhe “Macau continua, como anteriormente, nas mãos de Portugal”.
Apesar de oficialmente não haver relações diplomáticas entre Portugal e a RPC,  em Macau, a diplomacia paralela ia funcionando com os intermediários:  O Lon (director clínico do Hospital Kiang Wu; 1.º secretário da cédula do Partido Comunista em Macau transferido para Cantão em 1951 , o seu irmão O Cheng Peng (Ke Zhengping) que em Agosto de 1949 funda a Sociedade Comercial Nam Kwong (no fundo o governo sombra da RPC em Macau até 1999); e Ho Yin, o líder da comunidade chinesa até à sua morte em 1983.  (dados recolhidos de SILVA, Beatriz Basto da Silva – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997 e FERNANDES, Moisés Silva – Macau nas Relações Sino-Portuguesas, 1949-1979. Administração XII-46, 1999.
(1) «BGC» XXV  – 294, Dezembro de 1949.
(2)  «BGC» XXVI – 295 , Janeiro de 1950.

Outro postal da colecção de oito postais (seis da Ilha da Taipa e dois da Ilha de Coloane), da década de 90 (século XX), com edição da Câmara Municipal das Ilhas. Indicações em português, chinês e inglês. Fotografia de Fong Kam Kuan (1)

“Altar e estátua de Buda no Templo de Pou Tai Un, Taipa
氹仔菩提園大佛像 (2)
Altar and statue of Buda in Pou Tai Un – Taipa

Esta estátua dedicada ao Buda Saquiamuni é de bronze com a altura de 5,4 metros e um peso de 6.5 toneladas. Fica no último andar do edifício principal do Mosteiro/Templo Pou Tai Un(3) chamado de Palácio Budista (Tai Hong Pou Tin)
1)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/10/08/postal-da-ilha-da-taipa-da-decada-de-90-seculo-xx-i/
(2) 氹仔菩提園大佛像  – mandarim pīnyīn: dàng zǎi pú dī yuán dà fó xiàng; cantonense jyutping: tam5 zai2 pou4 tai4 jyun4 daai6 fat6 zoeng6.
(3) O Mosteiro Pou Tai situa-se entre a antiga Estrada Lou Lim Ieok (hoje, Avenida Lou Lim Ieoc 5 – 5B) e a Rua do Minho. Fica junto ao antigo sopé oriental do morro da Taipa Pequena, e tinha uma vista panorâmica sobre a zona central da vila. Era o maior e mais rico de todos os templos das Ilhas e um dos principais santuários budistas de Macau.
Nele encontra-se vários santuários dedicados às divindades budistas e da religião popular chinesa, aposentos dos bonzos, pavilhões onde se colocam as cinzas dos defuntos, salas para tabuletas dos espíritos, um jardim e um restaurante (não sei se ainda se mantém em funcionamento).

Foto de “Roteiro das Ilhas – Ilha da Taipa”, 1996 (3)

O templo chamava-se originalmente mansão (ou jardim) Pou Tai e foi construído pela família Lo em 1927.Um dos seus membros chamava-se Lo Pou San, e era então um dos pintores mais famosos da província de Guangdong, da Escola de Pintura de Lignan, morando na mansão com a sua mãe. O espaço total da mansão foi registado oficialmente em 1933 com uma área tão espaçosa que incluía ainda uma parte da terra onde ficava a Fábrica de Panchões “Him Son” e a terra onde ficava o edifício contíguo da “Wa Seng”. Depois da morte de Lo Pou San, seu filho Lo Vai Chong mudou de residência para Hong Kong e vendeu os terrenos da mansão Pou Tai, que foram comprados por cinco entidades. No dia 16 de Julho de 1964, uma destas entidades, Mestre-Monge Sik Chi Un, comprou a parte principal da mansão, que incluía um pequeno templo que se chamava Palácio Lok Chou, e a maior parte do jardim com a área de 3330 m₂.

Foto de “Roteiro das Ilhas – Ilhada Taipa”, 1996 (3)

O mestre Sik Chi Un introduziu o ramo do budismo Cheng Tou (Terra Limpa/Pura) em Macau. Nasceu na província de Zhejiang na China. Tornou-se monge no templo Chiu Heng na cidade de Hangzhou em 1928, e começou a difundir a doutrina budista, pregando no distrito de Zhongshan na província de Guangdong durante alguns anos. No período da guerra entre o Japão e a China, mudou-se para Macau e estabeleceu o ramo Budista Chi Sam. No mosteiro Pou Tai encontram-se actualmente deuses do Budismo e do taoísmo.
Extraído de: Roteiro das Ilhas – Ilha da Taipa. Câmara Municipal das Ilhas, 1996

diario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-cabecalhoNa sequência da notícia publicada no «Diario Illustrado» no dia 22 de Janeiro de 1909 (1), outra notícia foi publicada no mesmo jornal, no dia seguinte (23 de Janeiro de 1909), abordando a questão das dependências do território de Macau – o problema do domínio territorial – com informações de um alto funcionário (?) que preferiu não ser identificado.
diario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-idiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-iidiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-iiidiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-ivdiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-vdiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-vidiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-viidiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-viii(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/01/22/noticia-de-22-de-janeiro-de-1909-a-defeza-de-macau/

João Rodrigues GonçalvesNasceu  a 12 de Maio de 1806, em Macau,  João Francisco Rodrigues Gonçalves (1806-1870), descendente da família Cortela.(1)
Desde muito novo se dedicou ao estudo da língua chinesa, (2) vindo a ser um abalizado sinólogo. Era amicíssimo do Governador João Maria Ferreira do Amaral e um dos melhores colaboradores dos eu governo, sendo o tradutor de todos os documentos oficiais nas relações com os chineses. (3) O Governador Ferreira do Amaral costumava sair com ele a passeio e à tarde era frequente ver os dois a cavalo pelas ruas da cidade.(4)
Após a morte do governador continuou a prestar serviços a esta Província como intérprete da Procuratura dos Negócios Sínicos.
João F. Rodrigues Guimarães foi nomeado membro da missão diplomática (5) que , em 1862, se deslocou a Tien-Tsin (天津 – Tientsin)  a fim de firmar o célebre tratado de 54 artigos, pelo qual a China reconheceu Macau com Colónia Portuguesa. Presidia a esta missão diplomática o Conselheiro Isidoro Francisco Guimarães, (6) então Governador que mercê do sucesso obtido foi agraciado com o título de Visconde da Praia Grande.
Em reconhecimento da valiosa colaboração prestada como intérprete e que muito contribuiu para este sucesso , foi também agraciado pelo Governo de Sua Majestade com o grau de Oficial da Ordem de Torre e Espada, por Decreto de 22 de Junho de 1863, do Ministério do Reino.(7)
João Rodrigues Gonçalves foi ainda outra vez a  Pequim, em 1860), como intérprete da embaixada francesa de Mons. de Bourboulon, ministro plenipotenciário francês.
Em recompensa também por outros serviços pelo zelo e dedicação sempre brilhantemente demonstrados, foi ainda agraciado com as Comendas da Conceição e da Ordem de Cristo.
Faleceu a 18 de Outubro de 1870 amargurado de desgostos, vítima de injúrias e traições (8) mas mais tarde a Justiça soube desfazer, dando jus ao seu nome e à sua acção.
Os seus amigos levantaram-lhe no cemitério de S. Miguel onde foi sepultado, um mausoléu e bem digno dele, no qual foram gravadas estas palavras: «Bem-aventurado tu que sofreste injustiças, porque grande será o teu galardão no céu».(9)
(1) A sua avó materna, Antónia Baptista Cortela, nascida em Macau, em 13 de Agosto de 1715, era filha de Lourenço Baptista Cortela e de Esmeralda Soares e neta paterna de João Baptista Cortela e de Coleta de Sousa.(10)
(2) Teve como mestre o Padre António Afonso Gonçalves no Colégio de S. José.(10)
(3) Nomeadamente toda a correspondência  após a morte do governador Ferreira do Amaral com as autoridades de Heong Sán e Cantão (publicadas no Boletim Oficial de 1849-1850) até à devolução da cabeça e da mão de Ferreira do Amaral.(10)
(4) Esta amizade e dedicação acarretou-lhe o ódio dos chineses, que segundo consta, chegaram a pôr a sua cabeça a prémio, oferecendo $ 10.000 a quem assassinasse o Governador e $ 5.000 a quem assassinasse o intérprete da língua chinesa, João Rodrigues Gonçalves. Por ocaso, no dia em que o governador Amaral foi assassinado, João Rodrigues Gonçalves não o pode acompanhar, devido ao seus trabalhos oficiais.(10)
(5) João Rodrigues Gonçalves nomeado intérprete por Portaria n.º 20 de 19 de Abril de 1862.(10)
(6) Conselheiro Isidoro Francisco Guimarães, governador de Macau de 1851 a 1863. A Missão diplomática partiu de Macau em 23 de Abril de 1862, chegando a Xangai a 3 de Maio e a Tien-Tsin a 26 do mesmo mês. O Tratado de Tien-Tsin (天津 条约 – Tratado de Tianjin) foi assinado a 13 de Agosto. Regressou a Macau em 9 de Setembro.(10)
(7) Portaria n.º 48, publicada no Boletim do Governo de Macau, n.º 41 de 14 de Setembro de 1863.(10)
(8) Mesquinhas questões suscitadas por António Feliciano Marques Pereira (secretário da missão diplomática ao Tratado de Tien-Tsin) que era Procurador dos Negócios Sínicos, o redactor do «Echo do Povo», e João Rodrigues Gonçalves, 1.º intérprete da Procuratura, veio este a ser suspenso do seu cargo pela Portaria n.º 55 de 8 de Maio de 1869 e demitido de 1.º intérprete da língua chinesa por Decreto Régio de 3 de Outubro de 1869.(10)
(9) Informações de «Macau B. I. 1954»
(10) TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942.

Ainda incluída na colecção de cinco quadros de “19TH CENTURY MACAU PRINTS” (1), apresento os dois últimos desenhos.

R. Elliot Baía da Praia Grande c. 1835Macau, circa 1835
Bay of Praia Grande , looking towards Guia Hill
From sketch by Capt. R. Elliot  R. N. , engravedby W. Floyd, drawn by W.Purser

Uma das pinturas feitas a partir dos desenhos do  Capitão Robert Elliot (oficial da marinha inglesa -“Royal Navy” 1822-1833 – e conhecido pelos seus desenhos topográficos de 1822 a 1824)
Robert Elliot made a series of sketches, taken on the spot, of views in India, Canton, and the Red Sea. These were worked up by Samuel Prout, Clarkson Stanfield, and others into finished drawings; and were published in parts by Fisher & Co., appearing 1830-1833, under the title, “Views in the East, comprising India, Canton, and the Red Sea, with Historical and Descriptive Letterpress by Emma Roberts“.
https://en.wikisource.org/wiki/Elliot,_Robert_(DNB00)
Já em anterior postagem (2), publiquei o mesmo desenho .

Outro desenho atribuído a Auguste Borget (3) “ Vista de Macau dos fortes de Heang – Shan” . (4)

Auguste Borget 1835 Macau visto do forte de Heung ShanMacau, circa 1835
Macau from the Forts of Heang-shan 1839 & 1842
Unattributed but probably from sketch by Auguste Borget, engraved by S. Fisher

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/27/pinturas-19th-century-macau-prints-i-pasta-envelope-e-a-praia-grande-de-thomas-allom/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/03/macau-em-1856-a-praia-grande/
(3) Anterior referência a Auguste Borget em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/august-borget/
(4) Heang-shan/Heung-Shan/Heong San/Xiangshan (香山 – mandarim pinyin : xiāng shān; cantonense jyutping: hoeng1 saan1) é hoje Zhongshan (中山 – mandarim pinyin: Zhōngshān; cantonense jyutping: zung1 saan1) é uma cidade da província de Guangdong na China.

VERSOS SOBRE S. PAULO

Os que chegam, pela primeira vez, a uma terra estranha, procuram, infalivelmente novidades.
Encontrarão assim pessoas que usam fatos curtos e coletes compridos.
O corpo é tatuado. As pessoas que se encontram na encruzilhada.
São do templo de S. Paulo.
Os seus chapéus feitos de folhas de bambu são superiores aos tuduns (1)
Os gradeados palanquins são melhores que os carros.
Aos nossos compatriotas já não lhes interessam as nossas cousas. Preferem os estrangeiros que são mais fervorosos.
Volto a elogiar os pigmeus.

Sêk-Tchêk-Tch´ák  (2)

Estes versos sobre “o Templo de S. Paulo” (muito possivelmente se referia à Igreja da Madre de Deus e ao Colégio de S. Paulo que estava adjacente) do livro: 澳門 (Ào mén jì lüè) (3) são tradução de Luís Gonzaga Gomes (4).

Ruínas S. Paulo 1900FRONTESPÍCIO DA EGREJA DE S. PAULO EM MACAU (1900)

Outra versão, tradução de Jin Guo Ping em (5)

SANBASI
Para os recém-chegados, tudo é novidade
De fatos curtos, capa comprida e corpo tatuado…
Os que se encontram pelos cruzamentos
São de Sanbasi
As folhas de bambu fazem toldos,
As carroças quando saem, saem com rodas vermelhas, (6) competindo em luxo.
Há uns anos as ruas eram desérticas,
Que inveja das frequentes missas dominicais em línguas estranhas.

Shi Jinzhong (2)

CHINNERY Ruínas S. Paulo 1834Desenho de George Chinnery (1834)

A igreja principal é a de Sám-Pá (São Paulo), (7) que fica a nordeste de Macau, encostada a uma montanha e tendo de altura vários tch´âm (2,64 metros). Na parte lateral do edifício, abrem-se portas, feitas com estreitas e compridas pedras esculpidas e incrustadas com ouro azulado, que brilham fulgurantes. A parte superior parece-se com um docel voltado. Os lados são rendilhados, encontrando-se espelhados neles admiráveis jaspes. Aquela que dizem ser a Mãe do Céu chama-se Maria. A sua figura é de uma jovem abraçando uma criancinha que se chama jesus Senhor do Céu. O fato não é cosido e cobre todo o corpo que, desde a cabeça é revestido duma simples pintura e dum véu esmaltado. Em se olhando para ela, dir-se-ia que foi moldada. Ao lado, encontram-se trinta figuras. A sua mão esquerda segura a esfera armilar. Os quatro dedos da direita fazem lembrar o gesto de quem discursa. Os cabelos e as sobrancelhas são caracterizadas por pesados lóbulos; o nariz alto; os olhos como se estivessem a comtemplar qualquer cousa distante; a boca, com a atitude de quem quer falar.” (4)

(1) Nome que em Macau se dá aos enormes chapéus chineses de abas larguíssimas, terminando em bico, sendo feitos de hastilhas de bambu entrelaçadas e usados, indiferentemente, por homens ou mulheres do povo.
(2) Sêk-Tchêk-Tch´ák  – tradução em «Ou-Mun Kei-Leok»  (3) ou Shi Jinzhong – tradução em «Breve Monografia de Macau» (4)
(3) 澳門 (mandarin pinyin: Ào mén jì lüè; cantonense jyutping: Ou3 mun4 gei3 loek6) – Breve Monografia de Macau foi escrita por dois magistrados, letrados, poetas chineses do antigo distrito de Xiangshan (hoje com o nome de Zhongshan  中山) que prestavam serviço na região de Guangdong 廣東,  entre 1744 -1746, período de Qianlong: 印光任 (Yin Guangren /Ian-Kuong-Iâm) que iniciou a monografia e depois completada por 汝霖 (Zhang Rulin/Tcheong-U-Lam). Terá sido concluída em 1751, com aparição da primeira edição xilogravada depois 1751 e antes de 1757. Dividida em dois capítulos, a segunda é dedicada ao estabelecimento dos portugueses em Macau: “Crónica dos Bárbaros de Macau” (5)
(4) OU-MUN KEI-LÉOK Monografia de Macau por Tcheong-U-Lam e Ian-Kuong-Iâm. Tradução do chinês por Luís G. Gomes. Editada pela Repartição Central dos Serviços Económicos- Secção de Publicidade e Turismo, Macau. Imprensa Nacional, 1950, 252 p.
(5) YIN Guangren; ZHANG Rulin – Breve Monografia de Macau. Tradução e notas de Jin Guo Ping. Instituto Cultural do Governo da R.A.E. de Macau, 2009, 485 p., ISBN 978-99937-0-11-6 (6)
(6) NT: alusão aos carros de luxo
(7)  As Ruínas de S. Paulo, em chinês: 大三巴牌坊 (mandarim pinyin: dà sàn bā pái fāng; cantonense jyutping: daai6 saam1 baa1 paai4 fong1).

Neste dia de 12 de Janeiro de 1938 aconteceu um estranho episódio entre o “hidroavião Osprey 71” pertencente ao aviso «Bartolomeu Dias», estacionado em Macau, com aviões japoneses.
Este episódio (creio que pouco conhecido) encontra-se bem relatado (recomendo a leitura) com o título «”Ataque” português a aviões japoneses», no blogue “Aterrem em Portugal de Carlos Guerreiro, de 14 de Fevereiro de 2013, donde retirei as informações que se seguem: (1).
O hidroavião Osprey 71, quando sobrevoava as águas de Macau num teste ao rádio do hidravião, foi “abordado” por seis hidroaviões japoneses, em dois grupos de três, que terão disparado uma rajada de metralhadora.
Este episódio foi presenciado e depois relatado pelo tenente Manuel Antunes Cardoso Barata que se encontrava a bordo do aviso «Bartolomeu Dias».
Inexplicavelmente, após o hidroavião português ter amarrado, quer o piloto, 2º tenente Rodrigo Henriques Silveirinha quer o co-piloto, o 2º tenente Cardoso Dias, disseram não terem apercebido da presença dos aviões japoneses e ainda menos da rajada de metralhadoras.
Dias depois do incidente o comandante Francisco Luiz Rebello era chamado pelo governador do território, Artur Tamagnini Barbosa, para dar satisfações sobre um telegrama que chegara do Ministério das Colónias e onde se dava nota de que o Ministro Japonês em Lisboa tinha apresentado “um protesto contra o facto de o nosso avião ter cometido um acto de hostilidade contra uma esquadrilha de aviões japoneses“.
(1) http://aterrememportugal.blogspot.pt/2013/02/ataque-portugues-avioes-japoneses.html

NOTAS DE OUTRAS NOTÍCIAS RELACIONAS COM A GUERRA SINO-JAPONESA:
1937 – 1945 – 2.º Guerra Sino-Japonesa. Nos primeiros anos desta Guerra, a Cruz Vermelha americana e a Associação Geral Chinesa de Hong Kong, além de auxílio pecuniário, mandaram para Macau géneros (arroz, aveia, trigo, leite condensado) com que a Diocese de Macau acudia a mendigos não só de Macau como do distrito de Chong-Sán (só em Seak-Kei, capital deste distrito, eram sustentados diariamente 17 mil famintos. Fomes e epidemias criam situações de maior miséria. Afluxo desmedido de refugiados a Macau. Mas Macau é, na sua pequenez física e de recursos, terra de Missão e Misericórdia históricas, o oásis desses refugiados, a que somariam outros, empurrados pela presença japonesa em Hong Kong (II GG). A Comissão de Socorro para Chong-Sán, já em 1942, era composta pelos PP. Joaquim Monteiro, Mário Acquistapace, SDB, e Martinho Schneidtberg (TEIXEIRA, Pe. Manuel – Macau Durante a Guerra in SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4)
26-01-1938 – As forças japonesas resolveram retirar-se da Ilha da Montanha (Tái-Uóng-Kám) entregando-a às autoridades chinesas. (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau).
1-10-1938 – Ocupação de Cantão pelos japoneses
20-03-1940 – Em consequência da invasão da China pelo Japão foi ocupada a parte da Lapa por nós reivindicada por uma força da nossa polícia. (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau).
20-03-1940 – A vertente oriental da Ilha da Lapa é ocupada por uma força portuguesa de 60 polícias em consequência da entrada de tropa japoneses na Lapa. Em litígio com a China e sendo Portugal (e Macau) neutrais, ninguém melhor do eu os portugueses para assegurar frente aos japoneses a posse da ilha. Os habitantes chineses vieram refugiar-se, por isso, na zona defendida pela polícia portuguesa (Cfr periódico A Voz de Macau, de 22 de Março de 1940 e o diário de Hong Kong – South China Morning Post, da mesma data in SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4.

Tomou posse da Capitania e Governo de Macau, no dia de 5 de Julho de 1685, o macaense António de Mesquita Pimentel, que foi Capitão Mor da Viagem de Manila, em 1663, Vereador do Senado, em 1678; dono duma estância na ilha da Lapa. Governou Macau até Julho de 1688 (1)

Mapa Macau 1685Mapa do ano de 1685 da Ilha de Xiangshan  (香山) (2) onde se vê ao sul, a península de Macau (3)

Teve várias desavenças com o Senado de Macau tendo este, em 9 de Outubro de 1688, manifestado o seu desgosto e aborrecimento pelo facto do governador cessante (António de Mesquita Pimentel) não ter querido dar cumprimento, aos privilégios concedidos, em alvará, pelos Vive-Reis da índia, ao Senado de Macau. (4) Posteriormente, de 1695 a 1697 foi Capitão-Geral e Governador de Timor e Solor. Foi arguido de excessos e delitos cometidos nos governos de Macau e Timor . (1)

O governador seguinte, André Coelho Vieira, também ele natural de Macau, tomou posse a 31-07-1688  (governou até 1691). Também este governador teve querelas com o Senado de Macau que por várias vezes se queixou dele ao Vice Rei da Índia.

(1) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p., 18 cm x 12 cm.
(2) Hoje denominado Zhōngshān (中山), distrito/cidade ao sul do Delta do Rio da Pérola, na Província de Guangdong/Cantão.
(3) Retirei este mapa do “Atlas da Prefeitura de Cantão” de:
OLIVEIRA, Francisco Roque de – Cartografia Antiga da Cidade de Macau, c. 1600-1700: Confronto entre modelos de Representação Europeus e Chineses.
Aconselho a leitura deste bom trabalho científico em:
http://www.ub.edu/geocrit/sn/sn-218-53.htm
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Séculos XVI-XVII, Volume 1. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997198 p (ISBN 972-8091-08-7)