Archives for posts with tag: Xiangshan 香山- Heong Sán/香山

Ainda incluída na colecção de cinco quadros de “19TH CENTURY MACAU PRINTS” (1), apresento os dois últimos desenhos.

R. Elliot Baía da Praia Grande c. 1835Macau, circa 1835
Bay of Praia Grande , looking towards Guia Hill
From sketch by Capt. R. Elliot  R. N. , engravedby W. Floyd, drawn by W.Purser

Uma das pinturas feitas a partir dos desenhos do  Capitão Robert Elliot (oficial da marinha inglesa -“Royal Navy” 1822-1833 – e conhecido pelos seus desenhos topográficos de 1822 a 1824)
Robert Elliot made a series of sketches, taken on the spot, of views in India, Canton, and the Red Sea. These were worked up by Samuel Prout, Clarkson Stanfield, and others into finished drawings; and were published in parts by Fisher & Co., appearing 1830-1833, under the title, “Views in the East, comprising India, Canton, and the Red Sea, with Historical and Descriptive Letterpress by Emma Roberts“.
https://en.wikisource.org/wiki/Elliot,_Robert_(DNB00)
Já em anterior postagem (2), publiquei o mesmo desenho .

Outro desenho atribuído a Auguste Borget (3) “ Vista de Macau dos fortes de Heang – Shan” . (4)

Auguste Borget 1835 Macau visto do forte de Heung ShanMacau, circa 1835
Macau from the Forts of Heang-shan 1839 & 1842
Unattributed but probably from sketch by Auguste Borget, engraved by S. Fisher

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/27/pinturas-19th-century-macau-prints-i-pasta-envelope-e-a-praia-grande-de-thomas-allom/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/03/macau-em-1856-a-praia-grande/
(3) Anterior referência a Auguste Borget em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/august-borget/
(4) Heang-shan/Heung-Shan/Heong San/Xiangshan (香山 – mandarim pinyin : xiāng shān; cantonense jyutping: hoeng1 saan1) é hoje Zhongshan (中山 – mandarim pinyin: Zhōngshān; cantonense jyutping: zung1 saan1) é uma cidade da província de Guangdong na China.

O mandarim Cso-tang, por apellido Fom, faz saber p. este Edital ao publico, q. em virtude da reprezentação dos Meirinhos Iam-Iun, e outros, dizendo, q. hum Portuguez estava cortando o monte atraz do Pagode da Barra, e q. os Principaes moradores Chinas de Macáo virão, q. isto causava obstaculo ao Fom-Xuei (1) (Agouro) do pagode, e à sua Serpente, e q. o Lingoa tinha já advertido ao Procurador p. mandar parar a obra, mas q. receando, q. esse Portuguez pagando occultam.te a algum China, faça este a obra; pedião p.r tt.º a elle mandarim, que além de Officiar ao Procurador, mandasse affixar Editaes, prohibindo aos Chinas, q. fação a obra, p.ª não redundar consequencias. Por tanto , além de ter mandado officos ao Procurador, manda elle Mandarim tbm affixar este Edital, para que todos vós os Chinas saibaes, e obedeçaes, nao vos deixando subornar pelos Portuguezes, p.ª fazer esta obra , q. grandes obstaculos cauza: os infractores pois desta Ordem serão agarrados, e rigorozam.te, castigados. 30 da 2.ª Lua do anno 9.º de Tau-quam. 3 de Abril de 1829. Traduzido por mim, abaixo assinado, João Roiz Glz, Interprete. (2)

CHINNERY - Praia Manduco e Colina da PenhaPraia de Manduco com a Colina e Ermida da Penha
George Chinnery (ca. 1830-33)
Aguarela sobre papel

Sobre o mesmo assunto, refere António Marques Pereira nas “Efemérides Comemorativas da História de Macau “, mas apontando-o para o dia 1 de Abril desse ano:
” 01-04-1829 (28.º dia da 2.ª do 9.º ano de Tau-kuang)- «O Mandarim de Hian-chan (Heong-San) por apelido Leu, faz saber ao sr. Procurador (do Senado) que lhe consta estarem os europeus cortando o monte no lugar chamado  Tchu-Tchai (3) (próximo da ermida de Nossa Senhora da Penha). Os principais  moradores chinas de Macau viram que isto prejudicava o Fom-xuei (1) (agouro)  do pagode da Barra  e a sua serpente, e pediram ao sr. procurador que mandasse parar a obra. para evitar que os europeus continuem em semelhante abuso, ofício ao sr. procurador, que, obedecendo prontamente, o impedirá, a fim de evitar consequências».
(1) Sobre o Fong Soi (風水 – mandarim pinyin: fēng shuǐ; cantonense jyutping:  fung1 seoi2 ) ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/19/leitura-o-fong-soi-de-macau/
(2) MOSAICO, VI-33/34, MAI/JUN, 1953, p. 85
豬仔 – mandarim pinyin: zhū  zǎi; cantonense jyutping: zyu1 zai2 – porco jovem (porquinho)

No dia 4 de Novembro de 1828, o mandarim da Casa Branca por apelido Lei, em virtude do ofício do Procurador da Cidade, ordenou que fossem desmanchadas as barracas da Praia Pequena, Barra e outros lugares, por serem coutos de maltrapilhos e publicou um edital, proibindo a construção de mais barracas, nos referidos sítios. Nesta mesma data, o mandarim de Hèong-Sán, por apelido Liu, proibiu por edital, que se continuasse a quebrar um grande rochedo na Ilha Verde. (1)

Ta-Ssi Yang-Kuo Vista do Porto Interior antes de 1847PORTO INTERIOR DE MACAU ( antes de 1847)
VISTA DA MARGEM DESDE O MATAPAO ATÉ AO ISTMO DA PORTA DO CERCO (2)

A 15 de Março desse mesmo ano, os padres do Seminário de S. José tinham comprado a Ilha Verde, a Bernardo Gomes de Lemos que com Manuel Homem de Carvalho, era o co-proprietário dessa Ilha.(1)
A escritura da compra da Ilha Verde foi feita no escritório do tabelião José Gabriel Mendes e assinada pelo Pe. Nicolau Borja por parte do Seminário de Macau, por Bernardo Gomes de Lemos, que era co-proprietário dessa ilha com Manuel Homem de Carvalho. O preço foi de duas mil patacas espanholas , nelas sendo empregue parte do dinheiro que recebeu da venda de bens da Missão Portuguesa de Pequim (3)
A Ilha media 3.300 «paos» ou «côvados» chineses, medidos por cima do alicerce do muro velho, em circuito. Tinha casas e árvores de fruto e a venda ao Seminário permitiu resguardá-la da ocupação abusiva de chineses que já por lá iam armando barracas clandestinas, ameaçando, aos poucos, tomar domínio dela.(3)

Ta-Ssi Yang-Kuo Ilha VerdeILHA VERDE (Antiga propriedade dos jesuítas)(4)

Há registos da insistência por parte das autoridades chineses sobre a autoridade na Ilha Verde e  as obras efectuadas nela.
21-07-1831 – Na correspondência entre o Mandarim de Heong-San por apelido Pao e o Procurador de Macau, o Mandarim reclamou insolentemente e por ignorância, sobre a posse («há mais de 200 anos») e contra uma obras  que se estavam efectuando na Ilha Verde. Acrescentava o Mandarim que os portugueses só têm residência autorizada dentro das muralhas e a Ilha Verde está fora delas, no mar, à distância de alguns lis; por isso não é portuguesa.(1)(3)
03-08-1831 – O mandarim tchói- t´óng de Macau por apelido do Tchau, proibiu, por edital, a construção dos muros no sítio do Bom Jesus e na Ilha Verde ameaçando os pedreiros que se incumbissem da execução de tais obras (1) (3)
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
Luís G. Gomes nas “Efemérides” aponta duas datas para a compra da Ilha Verde: 22-02-1828 e 1503-1828. Beatriz Basto da Silva menciona somente uma:  15-03-1828 (2).
(2) Photogravura de P. Marinho, segundo uma aguarela de João d´Almeida Vieira. (Ta-Ssi Yang-Kuo, 1899)
(3) SILVA, Beatriz Basto da  – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.
(4) ) Photogravura de P. Marinho, segundo uma “photographia de 188..”. (Ta-Ssi Yang-Kuo, 1899)

21-10-1808  – Principiaram os distúrbios entre os chineses e os soldados da força inglesa que, desde 21 de Setembro ( sob o pretexto de defender Macau contra qualquer força francês tendo o Governador Bernardo Faria tentado por todos os modos, dissuadir os ingleses de ficarem pois perturbavam com cavalgadas a paz dos vivos e até dos mortos) tinham desembarcado nesta cidade. O Procurador Manuel Pereira oficiou aos mandarins de Hèong-Sán e Casa Branca, pedindo providências para a repressão dos chineses. Os mandarins responderam que não eram precisas leis para castigar crimes que não deviam existir no império, que embarcassem os ingleses e tudo ficaria remediado.” (1)
13-10-1808 – O Mandarim da Casa Branca oficiou ao Vice-Rei de Cantão, dando-lhe informações sobre as tropas ingleses que, sob o comando do almirante Drury, tinham ocupado Macau, armando 300 tendas de campanha, desde S. Paulo até Patane, a pretexto de defender esta cidade contra os franceses. (1)
23-10-1808 – O Vice -Rei Chiun Kuan, em seu nome e das mais autoridades superiores de Cantão, participou ao Imperador o desembarque  das tropas inglesas em Macau, dando também conta das providências que tomara, sem resultado, para constranger o almirante Drury a pôr termo a essa ocupação.  (1)
Por pressão chinesa, o Almirante e o seu corpo expedicionário inglês  veio a sair de Macau em 19 de Dezembro desse ano, graças também ao tacto político do Ouvidor Miguel Arriaga Brum da Silveira que conseguiu reembarcar os ingleses.
Em 30 de Outubro de 1808 o Governador Lemos e Faria  (2) enviou ao Almirante Drury  uma carta com o seguinte teor:
Entre as dificuldades que vos fiz antever, citei a inevitável complicação com os chineses. Tenho conhecimento do sistema do seu governo por longa experiência, adquirida na prática; sei os vínculos que os unem a esta cidade e por isso previ o mau êxito da vossa êmpresa. Falei-vos com franqueza e fui considerado como desafecto aos vossos projectos. Em 20 do mês passado declarastes, ainda que pouco favoravelmente ao exercício do meu emprêgo, ser qualquer oposição do Govêrno chinês desembaraçada pelo Almirante com o Vice-Rei; agora vejo depender dêste Govêrno a ultimação do negócio.
O Senado trabalha para que não sejam reputados sinistros os fins da vossa expedição. Se tem havido desconfiança nos mandarins, não é motivada por êste Govêrno, pois tem patenteado com franqueza a sua correspondência.
Já vos disse e agora repito: dos macaenses, nem um só deixa de respeitar a cada de Bragança, costumada a encher esta cidade de benefícios, em honra do seu Govêrno e glória dos seus moradores. Porém, como lhe não seja vedado amar a tranquilidade do seu País, não deve estranhar-se de cada um chorar a sua desgraça; sem blasfemarem da causa, aborrecem os efeitos. O pais de família, lastimam a morte de seus filhos, pelo abandono das amas de leite que se retiraram. Os infelizes, que têm na labutação diária os seus recursos, lastimam-se pela escassês e carestia dos géneros alimentares. Os mais abastados lastimam-se por verem chegar a época de fazerem as suas negociações e terem ainda as mercadorias empatadas, por, falta de giro, há 50 dias. Até os navios estão ainda por fabricar, à míngua de artífices, que também fugiram. Os empregados públicos, vendo fugir o comércio, lastimam-se sabendo que dêle tira o Estado rendimento para lhe pagar. Os mesmos habitantes chineses dados ao comércio têm emigrado e levado até o mais inferior dos trastes. E assim era de esperar de homens pacíficos, ao verem aparatos de guerra, ameaçados, além disso, pelos mandarins,  que julgam a constituição do Império abalada pela vossa imprudência. à vista disto não admira que haja descontentes que deplorem a sua desgraça e aspirem ao sossêgo deste fiel estabelecimento, que há 252 anos tem sempre respeitado as ordens do seu Monarca. Julguem por êste quadro se um tal povo necessita de proclamações para ser fiel ao Rei a quem adora.”

                            A. de Lemos, Governador de Macau (3)

NOTA: sobre o mesmo assunto, ver anterior postagem “Notícia de 1 de Janeiro de 1809 – Edital do Vice-Rei de Cantão” em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bernardo-a-de-lemos-e-faria/
e trabalho de Frederic Wakeman Jr “Drury´s Occupation of macau and China´s Response to Early Modern Imperialism” em
http://www.eastasianhistory.org/sites/default/files/article-content/28/EAH28_02.pdf
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) Bernardo Aleixo de Lemos e Faria (1754 – 1826) natural da Freguesia de Deus, (Índia), Cavaleiro da Ordem de Aviz, Fidalgo Cavaleiro de Sua Alteza Real, Capitão de mar e guerra da Armada Real foi pela 2.ª vez governador e Capitão geral de Macau, de 8 de Agosto de 1806 a 1808 (foi destituído do 1.º mandato em 1788 – acusado de comércio ilegal de ópio). O novo governador, Lucas José Alvarenga (1768- 1831) (4) tomou posse a 1 de Janeiro de 1809 ( a posse esteve marcada para 26 de Dezembro de 1808, após a saída dos ingleses, mas teve de ser adiada por doença). Lucas Alvarenga governou somente até 19 de Julho de 1810, ordem vinda de Lisboa obrigou Bernardo Lemos e Faria a retornar a Macau e voltar a ser governador pela 3.ª vez  até 19 de Julho de 1814 data em que deveria ser substituído pelo mesmo Lucas Alvarenga mas este não tomou posse. Manteve-se Lemos e Faria até 1–07-1817, data de posse do governador José Osório de Castro Cabral de Albuquerque.
(3) COLOMBAN, Eudore de – Resumo da História de Macau – 1927.
(4) Sobre este governador, recomendo as leituras de Luís Sá Cunha e Anita de Almeida,  disponíveis em:
http://www.revistamacau.com/2013/08/14/um-poeta-no-inferno/
http://people.ufpr.br/~vii_jornada/ALMEIDA_Anita.pdf

Continuação da publicação dos mapas do livro “Tellurologie et Climatologie Medicales de Macau”, dois deles já publicados anteriormente (1) (2).

MAPA Obras dos Portos de Macau 1921 Tellurologie et ClimatologieEste mapa referente às obras dos portos de Macau (escala de 1/40.000),
PLANO DO PORTO ARTIFICIAL
tem a indicação “As obras do Norte de Macau e as da Taipa estão já em execução.”

O plano previa os aterros em Macau e Taipa e a construção do porto artificial no porto exterior com as docas para hidroaviões, para pequenos vapores e juncos e uma gare marítima) e o canal para a entrada e saída dos barcos.

MAPA delta do Si Kiang 1921 Tellurologie et Climatologie“Vue partielle du delta du Si-Kiang”

 “Au Nord , separée des montagnes de Hiong-Chan (Heong Sán) par le terrain neutre, elle a au Sud l´île de Taypa, à la distance de 2.350 mètres ; à l´Ouest, elle a son port fluvial (Porto Interior), de 600 mètres de largeur, qui la sépare de la haute île de Lapa, étant à l´Est amplement ouverte vers la Rade.
Entourée de hautes montagnes du côté de la terre, du Nord au Sud par l´Ouest , le cercle est fermé du côte de la mer, de loin, au delà de la rade, et de près par d´innombrables îles montagneuses, qui, comme des lignes de forts ou jetées, amortissent les attaques de la Mer de Chine et les tempêtes qui s´y forment.
La Rade est comme l´antichambre para où cette mer la visite deus foisd dans les 24 heures, en son flux e reflux.
A la distance de Canton (Guangzhou/Cantão) de 80 milles marins environ, Macao est à trios heures et demie de Hong-Kong, par les steamers de transport, ou à 25 minutes en hydroplane.” (1)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/06/01/leitura-tellurolo-gie-et-climatolo-gie-medicales-de-macao/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/06/23/mapa-de-macau-1921-relief-du-sol/

No livro “Tellurologie et Climatologie Medicales de Macau”, estão publicados quatro mapas da região de Macau. Um dos mapas foi já reproduzido em (1). Hoje mais um deles, – MACAU (Relief du Sol) – com a descrição do relevo do solo e subsolo.

MAPA do Relevo de Macau 1921 Tellurologie et ClimatologieEste mapa (escala de 1/50.000) foca o relevo do solo da cidade de Macau, em 1921, estando assinaladas as colinas e a Ilha Verde.

 “Le squelette de Macao est granitique. Les noyaux éruptifs sont indiqués par ses collines. Les rochers et la colline de Mong-Ha, celle qui est appelée Montanha Russa, les collines de Dona Maria, Guia, San Jerónimo, de Patane ou de la Grotte de Camoens, San Miguel, San Paulo do Monte, Santo Agostinho et Penha, – sont como les points d´ossification du squelette… (…)
L´isthme réunit cette terre à l´île de Hiong-Chan – et voilà formée la presqu´ile de Macao.
Un autre noyau, Ilha Verde (35 m. de alt), un peu plus isolé, est resté aussi sous línfluence dynamique du fleuve, et on a vu de nos jours l´oeuvre de la liaison naturelle au plus proche noyau, Mong-Ha, laquelle a été aidée par l´homme.
Les collines de Macao peuvent être divisées en deux groupes, délimités par la continuité qu´on remarque en chacaux d´eux. Appartenant au premier groupe, je citerai: Mong-Ha, Montanha Russa, Dona Maria, Guia, San Jerónimo, – dont la ligne d´enemble est une courbe sensible de concavité vers l´Ouest, les plus hautes cotes de niveau étant à Mong-Ha (59 mètres) et à Guia (76 à 99 mètres). La ligne du second groupr, courbe aussi en partie et envelippée par celle-là, évoque, en sa planification, la forme d´un bâton pastoral, dont la crosse est formée par les collines de Camoens, San Miguel, San Paulo do Monte, – se prolongeant selon l´axe de la presqu´île jusqu´à son extremité, passant para la Sé, Santo Agostinho, San Lourenço, Bom Jesus et Penha, et la cime atteignant les cotes plus élevées à San Paulo do Monte (40 m) et à Penha (70m).
Les terrains bas de Tap-Seac, Long-Tin-Chin, Mong-Ha, Sa-Kong, San-Kiu et Patane, oú coulent les eaux et les ruissellements des ravines voisines, sont développés en une grande superficie sub-urbaine, entre les deus courbes. Tap-Seac a un facile accés vers la mer, entre da Sé et San Francisco, et les autres terrains qui , naguère n´étaient que des marécages, ont été comblés aux dépens de l´aplanissement des colines de Mong-Há et San Miguel, et ils sont convenablement drainés et amplement libres vers le fleuve.
La zone base de la ville se développe dans la concavité de la courbe de rayon plus petit, en quartiers riverains qui s´appelent Tarrafeiro, Matapao, Bazar, et qui sont continués par les terrains marginaux de Praia Manduco et Barra.
Au dehors de la courbe plus grande on remarque, au Nord, les terrains bas de l´isthme et la plage Areia Preta. Dans le rest de la courbe, la petite plage de Cacilhas, exceptée, il ný a pas dáutres terrains bas, puisque le versant de la Guia coule vers la mer en pente brusque.” (1)
NOTA: o negrito é da minha autoria.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/06/01/leitura-tellurolo-gie-et-climatolo-gie-medicales-de-macao/

O secretário da embaixada de Lord Macartney à China, Sir George Staunton, (1) traduz o seguinte documento chinês sobre os inícios de Macau:
No distrito de Heang-shan-hien, (2) a uma distância de cem li (3) da cidade do mesmo nome, há um promontório que dá para o mar e está ligado à terra firme por um estreito istmo (4) como a folha do lírio da água (lótus), se apoia na sua haste.
A cidade é construída sobre este promontório e é totalmente habitada só por estrangeiros, sem nenhuns chineses entre eles: mas no limite (5)  está estabelecida uma alfândega para examinar todas as pessoas e mercadorias que passam dum lado para o outro.
O solo não produz arroz, sal ou vegetais, sendo isto enviado do interior para lá.
Dentro da cidade um oficial europeu preside com a categoria semelhante à dos governadores de províncias. Todos os éditos e comunicações governamentais lhe são explicados por meio de intérprete.
Um dos seus costumes peculiares é saudar tirando o chapéu.
Nós recebemos deles pelo comércio artigos de marfim, âmbar, tecidos finos e grosseiros, pau-brasil, sândalo, pimenta e vidro… “.(6)

(1) Ver referência anterior em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/28/noticia-de-28-de-janeiro-de-1866-busto-de-camoes/
George Leonard Staunton (1737-1801), botânico, foi secretário de Lord Earl George  Macartney, na primeira viagem da Embaixada de à China, em 1792-1794. A embaixada passou por Macau, no regresso de Pequim, e esteve de 14 de Janeiro de 1794 a 8 de Março desse ano, para reparação do navio.
Autor do livro – “An Authentic Account of an Embassy from the King of Great Britain to the Emperor of China, 3 vols, London: Nichol 1797”
(2) Distrito de Tcông Sán ou Heong Sán.
(3) Um quilómetro é igual a dois li ou lei, cem li é igual a cinquenta quilómetros.
(4) Istmo das Porta do Cerco.
(5) Porta do Cerco.
(6) TEIXEIRA, Pe. Manuel – Primórdios de Macau, 1990

Em 18 de Abril de 1667, o mandarim de Hèong-Sàn comunicou que viria a Macau, estando a Porta do Cerco fechada há 39 dias mas, no dia seguinte, informou que não poderia vir e convidou o Senado, para se avistar com ele, na Casa Branca. O Senado, receando alguma armadilha mandou-lhe dizer que não era seu costume sair do lugar em que sempre têm sido tratados os negócios desta cidade e que ele viesse, portanto, a Macau.
GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau.

Beatriz Basto da Silva (Cronologia da História de Macau, Vol 1, 1977) acrescenta a esta
notícia, o seguinte:
Todos os anos os chineses, exerceram pressão sobre Macau, invocando serem ordens do Imperador. Mas não eram. O Suntó ou Vice Rei de Cantão provou as suas culpas acabando por se enforcar

8 de Março de 1828 – Officio do mandarim de Hain-chan (Heong-Sán) ao procurador da cidade de Macau, intimando-lhe que prohibisse aos residentes ingleses renovarem à sua custa, como intentavam, a estrada do campo de Mong-há, e passearem nella a cavallo pois com taes concertos e passeios afrontavam as sepulturas dos chinas e as barracas dos pescadores.” (1)

Padre Manuel Teixeira contesta esta informação, copiada de A. Marques Pereira e repetida por outros historiadores (Bento da França, Levy Gomes, Rocha Martins e Montalto de Jesus.)
Refere Padre Teixeira (2) que as chapas originais não tinham esse teor, mas conclui no entanto, por fim que a chapa de 23 de Maio de 1828 dizia «… rigorosas prohibições, para q. os Estrangeiros saiba daqui por diante, q. nos muros da Cidade se comprhendem os limites das suas habitaçoens, dentro das quaes habitarão socegamente e q se alguém se atreve a continuar a obra do sobred.º caminho, sera rigorozamt. e agarrado e castigado. »
Assim a chapa de 02-02-1828 diz:
« os europeus não podem andar ali a cavalo, nem os chinas abrir sepulturas para não impedir os ingleses de concertar esse caminho , que é para o bem comum.»

Macau from the Forts of Heang-shan 1839-42“Macau from the Forts of Heang-shan 1839 & 1842” (3)

A de 12 de Abril de 1828, o mandarim de Heong San, de apelido Li, publicou um edital para os chinas de Macau, dizendo que ordenara ao procurador «fizesse para a obra, q os Ingleses estavão fazendo no caminho fora da Cidade para os seus passeios a cavallo, obstando deste modo aos Chinas abrirem ali sepulturas»
O procurador respondera que esse «caminho tem sido desde tempos, huma estrada publica, tanto para os chinas como para os Europeus, e como com o andar do tempo, tem sido arruinado, e entupido de pedras, e lodo, fazendo-se assim difficultozo de se passar, os Inglezes tinham recorrido a elle, e ao Senado, pedindo-lhes permitissem concerta-lo,e q vendo elle Procurador e o Senado, q este concerto era mt.º útil, tanto para os Europeus, como para os China, sem obstáculo algum a estes para abrirem sepulturas, o tinhão permitido e q esperava por tanto da minha parte mandar aos chinas, q não fizessem sepulturas ao lado do caminho, para não servirem de obstáculo aos caminhantes…»
Finalmente a chapa de 23 de Maio, o mandarim da Casa Branca e o mandarim de Hian-san publicaram um edital «alguns inglezes estavam fabricando uma estrada fora da Porta da Cidade desde Cano Real, athé atrz do Pagode de Mohá… não hera hum caminho plano, nem largo, mas sim huma pequena estrada, em cujos lados se achavão sepulturas fabricadas, e que o  caminho , q. tudo havia embaraço…»
Acharam que aos portugueses primitivos que aqui vieram «se concedera somente habitarem dentro dos muros da Cidade (4) como pois se podia consentir, q elle representassem q. o caminho q hia abrir-se, era hum caminho antigo»
(1) A. Marques Pereira (1839-1881) na sua “Efemérides Comemorativas da História de Macau e das Relações da China com os Povos Cristãos “ (1868), citado por GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau
(2) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau Volume I
(3) Rise & Fall of the Canton Trade System Gallery: PLACES
href=”http://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027/rise_fall_canton_04/ 
(4) A cidade estava amuralhada, estendendo-se os muros desde a Porta de St.º António até à Fortaleza do Monte, e desta até à Colina de S. Jerónimo (Hospital S. Januário), ficando a Fortaleza da Guia fora das muralhas.
NOTA: a 27 de Fevereiro de 1847, o governador Ferreira do Amaral mandou abrir 3 estradas: uma desde a Porta de S. João até ao Pagode; outra rodeando a colina de Mong Há e a terceira desde a Porta de St.º António, indo fazer a ligação com a primeira junto ao Pagode e seguindo até à Porta do Cerco. Foram removidas cerca de 700 sepulturas. Daí a aversão dos chineses para com este governador e dois anos mais tarde a sua cabeça rolaria pelo chão.

A propósito da publicação duma estampa, em 1864, num jornal semanário português, “Archivo Pittoresco”, (1), C. J. Caldeira (2) escreveu um artigo sobre «A casa e cêrca do sr. Lourenço Marques».

Archivo Pittoresco 1864 - A casa de Lourenço Marques ICasa e cerca do sr. Lourenço Marques em Macau

 A estampa representa a casa e cêrca do sr. Lourenço Marques, em Macau, na qual está a celebre gruta de Camões. O mirante que a coroa divisa-se por entre o arvoredo acima da casa que tem frontão triangular, que é a da residência do proprietário, cercada de jardins, horta e bosque, que a tornam uma das mais pitorescas da cidade, como se pôde julgar pelo desenho.
Ao lado direito se vê parte da povoação chineza de Patane, já fôra dos muros da cidade, próxima da porta de Santo António e da egreja e freguesia da mesma invocação, que ficam na parte oculta à esquerda do espectador.
A casa vasta e elegante, que está à esquerda do desenho, pertence e é ocupada por irmãos e outros parentes do mesmo sr. Marques, e foi habitação de seu pae. Atraz d´esta divisam-se em grupo os mastros e velas de algumas embarcações chinesas, que costumam fundear próximo à povoação de Patane, ao sopé do montículo, e que o circunda quasi todo.
O fundo representa o porto interior de Macau, vendo-se sobre a esquerda a ilha da Lapa, antigamente denominada dos Padres, e mais ao longe as alturas da chamada ilha, ou antes península Heang-shan, d´onde corre um canal ou pequeno braço do rio de Cantão, denominado Passagem de Macau, que vem desembocar no dito porto interior.

Archivo Pittoresco 1864 - A casa de Lourenço Marques IINa ilha da Lapa há três povoações chinesas, em frente de Macau, que são: Lapa, Parsan e Choimi. Esta ultima é fronteira à gruta de Camões.
Na direcção dos dois navios que se observam no porto está a importante povoação chineza chamada Casa Branca, e um pouco à direita o celebre forte de Passaleão, onde o actual major Vicente Nicolau de Mesquita praticou, com um punhado de valentes soldados, um dos maiores feitos de armas da moderna história portugueza.
O desenho e notícia especial da gruta de Camões deste semanário pôde vêr-se (3) e também a notícia e estampa do busto do grande poeta, (4) que o sr. Lourenço Marques mandou fundir em bronze, em Lisboa, no arsenal do exército, para colocar na dita gruta. Por este e outros factos de patriótica dedicação à memoria de Camões, e pelos longos serviços que tem prestado como membro do senado e procurador da cidade de Macau, é que o mesmo sr. Foi agraciado com a comenda de Christo, que já tivera seu pae, o falecido coronel Pio Marques.
As presentes noções e a gravura, completam, com as anteriores a que nos referimos, o que há de mais notável em Macau em comemoração do principe dos nossos poetas.

TA-SSI-YANG-KUO Quinta da Gruta de Camões e Patane 188..QUINTA DA GRUTA DE CAMÕES E POVOAÇÃO DE PATANE (em 188..)
(Photograv. De P. Martinho, segundo uma photographia) (5)

(1) Archivo Pittoresco, 1864
(2) Referências anteriores de Carlos José Caldeira em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/carlos-jose-caldeira/
(3) Publicado em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/11/leitura-macau-e-a-gruta-de-camoes-xvi-c-j-caldeira-1857-i/
(4) Publicado em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/30/leitura-macau-e-a-gruta-de-camoes-xxvi-busto-de-camoes-para-a-gruta-de-macau/
(5) Retirado de TA-SSI-YANG-KUO, VOLS I-II. p. 531.
A mesma fotografia foi publicado (embora retirada de outra revista) no meu post:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/03/30/noticia-de-30-de-marco-de-1827-a-gruta-de-camoes-xx/