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Há 22 anos, em 1998, neste dia de 13 de Outubro, foi lançado em Macau, um novo livro do escritor e advogado Henrique de Senna Fernandes, intitulado “MONG-HÁ” (1)

Edição do Instituto Cultural de Macau, 14.º livro da sua colecção “Rua Central”, com a direcção gráfica e capa de Victor Hugo Marreiros e imprimido na Tipografia Hung Heng.

Na contra capa: “Mong Há, hoje descaracterizada pelo avanço implacável de cidade, a caminho do norte do Território, é uma vasta área que, grosso-modo, se estende da zona de Flora e de Montanha Russa até o Porto Interior, confinada à esquerda para quem desce, pela Avenida Horta e Costa, o Patane e o bairro do San Kio, cercando, doutro lado, a Colina dos Diabos Pretos, até a Areia Preta e a zona das Portas do Cerco e Ilha Verde. (…)” (2)

O leitor poderá estranhar o título da obra, pois aparentemente não parece relacionado com qualquer das estórias que se seguem, senão uma ténua referência. No entanto, a sua gestação nasceu precisamente na Pousada de Mong-Há, encravada na colina do mesmo nome e conhecia pelos chineses por Hak-Kai-Sán, a Colina dos Diabos Pretos, por a guarnição da fortaleza ser constituída por soldados landins de Moçambique. Aconteceu numa tarde quando, em roda de amigos, se festejava a vinda dum visitante que há muito jáo não se via, com uma mesa repleta do presunto, enchidos de porco – salpicão, chouriço de sangue, morcela e alheiras – queijos e vinho tinto a rodos. Isto,à distância de dois lustros, pelo menos. Tarde memorável aquela, em que, de conversa em conversa, se falou de tudo. Política, bocados de má-língua, alguma literatura e cinema, mulheres, anedotas de padre e de alentejano, recordações e experiências de Macau. Como que uma tertúlia palreira e alegre, emque cada um contribui com a sua verve e o seu comentário. Quando saímos, íamos confortados, mas nostálgicos. Alguém tocou-me no braço e sugeriu:  – Porque não escreve aquilo que nos contou? Publique, ajuntando o que se acha espalhado nos jornais e revistas e os manuscritos que envelhecem no escuro da gaveta”. . (…)

Que título, porém ia dar ao acervo de estórias que escrevera ou juntara? Rabisquei vários e não gostei. De súbito, lembrei-me magicamente do local em que brotara o primeiro impulso da sua feitura. Mong-Há! E MONG-HÁ ficou. ” (1)

“… um conjunto de recordações, experiências pessoais entremeadas de ficção onde a temática Macau está sempre. São histórias onde aparece sempre o Henrique Senna Fernandes, vivências e observações de aspectos da realidade de Macau onde a ficção surge para dar um maior interesse àquilo que eu conto” (3)

(1) FERNANDES, Henrique de Senna – Mong Há. Instituto Cultural de Macau, 1998, 275 p., ISBN-972-35-0269-0

(2) A continuação da descrição feita por Henrique de Senna Fernandes no “Frontispício” deste livro, escrito em “Macau, Abril de 1998, na Páscoa “, poder-se-á ler em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/07/24/noticia-de-24-de-julho-de-1901-varzeas-de-hong-ha/

(3) Afirmações de Henrique de Senna Fernandes ao jornal ”Tribuna de Macau” em 12 de Outubro de 2018.

Anteriores referências a este escritor em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/henrique-de-senna-fernandes/

Uma obra de arte – capa da Revista «Macau» (1), uma criação de Vítor Hugo Marreiros sobre o tema «500 Anos dos Descobrimentos»
(1) «MACAU», n.º 9, Fevereiro/Março de 1988.