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Em consequência da informação prestada por Bessard, comandante duma canhoneira chinesa, o comandante da escuna Príncipe Carlos, 1.º tenente Vicente Silveira Maciel, no dia 21 de Agosto de 1873 , foi atacar uma lorcha fundeada um pouco ao norte a escuna que, durante a noite deveria largar do porto de Macau com numerosos piratas, alguns  dos quais pertencentes à equipagem da embarcação que apresara próximo de Lintin e uma outra de comércio, depois de terem cometido revoltantes atrocidades. Travou-se combate, conseguindo prender-se 51 piratas, tendo fugido alguns a nado e a coberto da escuridão. (GOMES, Luís Gonzaga –  Efemérides da História de Macau, 1954).

O 1.º tenente Vicente Silveira Maciel viria a morrer em 21 de Novembro desse mesmo ano (relatado na notícia “Trágico Acidente nas águas do Porto Interior  ” talvez por vingança dos piratas, pela acção da escuna Príncipe Carlos no combate à pirataria)
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/20/noticia-de-20-de-novembro-de-1873-tragico-acidente-nas-aguas-do-porto-interior/

Às 19.00 horas do dia 20 de Novembro de 1873, o 1.º Tenente da Armada, Vicente Silveira Maciel (1), comandante da escuna Príncipe Carlos, acompanhado do guarda-marinha Caminha e do Capitão de Infantaria Caetano Gomes da Silva, que jantara a bordo com os oficiais, quando seguiam numa baleeira (remadas por cinco robustos marujos) para terra, um fai-hái, (2) abalroou, premeditadamente, contra a baleeira.
Apesar das manobras do 1.º Tenente Maciel, que guinou, imediatamente para bombordo, a embarcação chinesa bordejou acto contínuo, para estibordo, continuando a dirigir-se de encontro à baleira. O fái-hái vinha com tal velocidade que não foi possível esquivar-se ao brusco choque. A baleeira apanhada de chofre, ao pé da voga, meteu, imediatamente toda a borda de bombordo debaixo da água e ficando atravessada na proa do barco chinês.
Lançaram-se, então, os marujos da baleeira bem como o guarda marinha ao mar e agarrando-se com desespero aos remos do fái-hái, que continuava a deslizar à voga arrancada com rumo para a Ilha da Lapa, conseguiram não sem grande dificuldade, saltar dentro dela.
Tendo conseguido trepar até ao fai-oi, os oficiais e dois ou três marinheiros que iam na baleeira travaram rijo combate com os chineses, caindo o Tenente Maciel no mar, onde foi salvo por um marinheiro, agarrando-se ambos a um bambu. Salvaram-se também o guarda- marinha Caminha e um marinheiro. O Capitão Silva e outros marinheiros foram considerados como desaparecidos. (3)
NOTA: No ano de 1873, governava Macau o Capitão Januário Correia de Almeida, Conde de S. Januário e a Estação Naval de Macau era comandada pelo 1.º Tenente Fernando Augusto da Costa Cabral
(1) A escuna Príncipe Carlos, comandada pelo 1.º tenente Vicente Silveira Maciel, já em Novembro de 1871, tinha dirigido uma expedição de nulo resultado, contra os piratas da Ilha da Montanha.
(2) 快 蟹 mandarim pinyin: kuài xiè; cantonense jyutping: faai3 haai5)
Fái-hái (caranguejo veloz), tipo de embarcação rasa, utilizada, principalmente, no contrabando do ópio importado pelos ingleses e que fazia a ligação da Ilha Lintin para Cantão.
(3) GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau. Instituto Internacional de Macau, 2010, 357 p., ISBN: 978-99937-45-38-9

ACTUALIZAÇÃO em 16 de Outubro de 2016:
O guarda marinha Caminha que com o 1.º Tenente da Armada, Vicente Silveira Maciel e o marinheiro se salvaram neste episódio, viria a ser capitão de mar-e-guerra, governador de Benguela (1883-1886) e mais tarde Vice-Almirante. Caetano Rodrigues Caminha (4) prestou serviço em Macau na escuna “Príncipe D. Carlos” que se afundou devido a um forte tufão em 1874 (5) e fez parte da tripulação da corveta “Duque de Palmela” (6)
(4) Caetano Rodrigues Caminha (1850-1930) Correspondente nacional, 1893 Capitão-de-fragata, comandante da Escola da Marinha. Sócio do Instituto de Coimbra (1852-1978)
https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/21258/3/Lista%20de%20s%C3%B3cios_2015.pdf

caetano-rodrigues-caminha-1893Capitão de fragata 1893 (7)
caetano-rodrigues-caminha-1901Capitão de mar e guerra (1901 ?) (7)
caetano-rodrigues-caminha-1911Vice-Almirante (1911) (7)
caetano-rodrigues-caminha-dr-8jan1911Diário da República n.º 8-11 de Janeiro de 1911 p. 114 (8)

(5) “Príncipe D. Carlos” (1866-1874) — Escuna de vapor construída em Inglaterra e que foi adquirida pelo governo de Macau em 1866. Armou com quatro bocas de fogo.
Em 1874, em Macau, perdeu-se por encalhe, devido a um tufão.
(6) A corveta “Duque de Palmela”, que em 1873 partiu de Hong-Kong para ir a Saigão receber o governador de Macau, Visconde de Januário, e a sua comitiva, para serem conduzidos a Banguecoque na corveta portuguesa. No trajecto, o comandante do navio ficou tão perturbado com os perigos da navegação na baía de Banguecoque que, ao passar uma zona bastante perigosa de bancos de areia, e ao ver a embarcação soçobrar, pediu para ser substituído pelo Caetano de Rodrigues Caminha e atirou-se ao mar! Este episódio é descrito por um jornal brasileiro da época, da província do Maranhão.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Caetano_Rodrigues_Caminha
(7) http://www.flickriver.com/photos/cgoulao/21904590309/
(8) file:///C:/Users/ASUS/Downloads/portaria_de_diario_da_republica_8_11_serie_i_de_quarta_feira_11_de_janeiro_de_1911.pdf