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Chegada do Conselheiro Adrião Acácio da Silveira Pinto, (1) no dia 4 de Novembro de 1843, no brigue «Tejo» a Uóng-Pou (Vampu/Whampoa) (2) com os demais membros da missão enviada pelo Governo de Macau, para negociar com o Vice-Rei Kéi-Ieng, (Ki-Yin). Seguiu pelas 7.30 horas, em escaleres, para Cantão, residindo depois de realizada a conferência, na casa de campo do mandarim graduado Pau-Teng-Kua e no Consulado de França, onde realizou repetidas reuniões, durante dez dias. A missão não conseguiu que fosse relevado o foro pago pela colónia nem dispensada a demarcação do limite para fora dos muros do campo de S. º António; igualmente não conseguiu obter: o aumento do número de navios desta praça, então limitado a 25, para irem negociar a Manila e outros portos estrangeiros; a permissão para os navios portugueses frequentarem o porto de Fuchau (3) por este porto não estar ainda franqueado ao comércio estrangeiro; e o reconhecimento dum ministro plenipotenciário.

1843-whampoa-anchorage“Whampoa near Canton, China. Anchorage for European Shipping”
Litografia publicada em 1843 (4)

Os chineses anuíram porém, à igualdade do tratamento na correspondência oficial entre as autoridades portuguesas de Macau e as chinesas do distrito, exigindo, no entanto, que a correspondência a dirigir aos altos-funcionários da capital fosse em forma de tchâm (requerimento) ou pân (representação ou ofício de inferior para o superior); ao idêntico pagamento dos direitos de ancoragem dos navios estrangeiros em Uóng-Pou, (2) com redução de um mês e meio para os 25 navios portugueses de Macau (três mazes por tonelada), (5) mas os que não pertenciam a esse número continuariam a pagar cinco mazes por tonelada; à actualização dos direitos sobre mercadorias importadas pelos chineses de Macau, segundo a nova tarifa, com extinção de todas as gratificações e despesas adicionais; à livre construção de edifícios e barcos e à livre compra de materiais e livre emprego de operários nativos destinados para esse fim, mas do limite dos muros de Sto António; e à permissão para os navios portugueses poderem também comerciar nos portos de Cantão, Amói, (6) Fôk-Tchâu, (3)  Neng-Pó (7) e Xangai. (8) (9)

1843-whampoa-thomas-allom“Whampoa, from Danes Island”
Pintura de Thomas Allom, c. 1843 (10)
Nesta pintura vê-se o porto de Whampoa e a ilha de  Changzhou (ilha de Dane), no rio das Pérolas em Guangzhou (Cantão).

NOTA: Por volta de 1830, os comerciantes europeus pressionavam os seus governos para que conseguissem a liberdade de comércio na China. Em 1839, o vice-rei Lin Tseu-siu confiscou e destruiu, em Cantão, um carregamento de ópio, levando a Inglaterra a bloqueiar Cantão, iniciando, assim, a Primeira Guerra do Ópio, que durou até 1842. A 19 de agosto de 1842, a a assinatura do Tratado de Nanquim, que leva à abertura da China ao comércio britânico de portos vitais, como o de Cantão e Xangai, e a cedência, à Inglaterra, de Hong-Kong, ocupada desde 1841. Em 1843, a China reconheceu a extraterritorialidade de Hong-Kong. A abertura dos portos a outros países também se verificou em relação aos Estados Unidos, em 1844, e à França, a 24 de Outubro de 1844, por meio do Tratado de Whampoa, que estabeleceu também a tolerância do cristianismo e dos missionários.
(1) “27-10-1843 – O ex Governador Adrião Acácio da Silveira Pinto (governo de 22 de Fevereiro de 1837 a 3 de Outubro de 1843) que fora nomeado pelo Governador José Gregório Pegado, em sessão do Senado de 10 de Outubro, para tratar com os comissários chineses, no sentido de se melhorarem as condições da existência política deste estabelecimento, seguiu para Cantão no brigue de guerra «Tejo», do comando do capitão-tenente Domingos Fortunato de Vale. Agregaram-se a esta missão o Procurador da Cidade João Damasceno Coelho dos Santos e o intérprete interino José Martinho Marques” (8)
O Governador Adriano Acácio da Silveira Pinto (1818-1868) que faleceu em Lisboa, no posto de Marechal de Campo, ao 23 de Março de 1868, foi governador-geral da Província de Angola de 1848 a 1851.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/adriao-a-silveira-pinto/

1843-whampoa-island-and-the-canton-river“Whampoa Island and the Canton River”, 1843 (11)

(2) Whampoa, distrito da cidade de Guangzhou, romanização de Huangpu 黄埔 – mandarin pīnyīn: huáng pǔ; cantonense jyutping: wong 4 bou3 – porto/mercado amarelo.
(3) Fucheu (nome em português), ou Foochow  é a actual cidade Fuzhou, 福州, capital da província de Fujian (Fuquiém), na China.
(4) Litografia publicada em 1843 em Londres num livro de Julia Corner “The History of China & India, Pictorial & Descriptive”.
http://www.albion-prints.com/corner-1843-print-whampoa-near-canton-china-anchorage-for-european-shipping-178267-p.asp 
(5) Maze – antiga moeda de peso de Malaca; moeda do século XVI equivalente a 50 réis.

1843-amoy-from-the-anchorage“Amoy, from the anchorage, showing the forts”, 1843 (11)

(6) Amói ou Xiamen,  廈門 na província de Fujian . Xiamen foi um dos primeiros lugares onde os europeus assentaram para o comércio com a China, iniciado pelos portugueses no século XVI.

1843-ning-po“Ning-Po, from the river” (11)

(7) Neng Pó ou Ning Pó ou Liam Pó actual Ningbo (寧波)
(8) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(9) “Depois de conferenciar 10 dias com o delegado chinês, não conseguiu a abolição do foro pago por Macau à China nem a demarcação do limite para fora dos muros do campo de S. António nem permissão para construções além desse muro, nem o aumento do número de navios desta praça, limitado a 25 nem sequer autorização para os nossos navios frequentarem o porto de Fu-Chau, nem o reconhecimento dum ministro plenipotenciário.
Foi Ferreira do Amaral que resolveu o problema por si mesmo sem enviar delegações a Cantão. A 27 de Fevereiro publicou um edital comunicando aos chinas que ia abrir uma estrada das Portas de S. António até às Portas do Cerco; o seu objectivo era delimitar o território português,a firmando que todo esse campo era nosso, visto que as sepulturas chinas ali existentes nos pagavam foro. Para remoção dessas sepulturas, deu um prazo até ao fim de Março. O Mandarim de Heung-Sán oficiou logo ao procurador de Macau, intimando-o a parar a obra; mas Amaral não cedeu; e apesar dos vários protestos dos mandarins, as sepulturas foram removidas e a estrada fez-se.”
(TEIXEIRA, Pe. M. – Toponímia de Macau,  Volume 1, 1997.
(10) “Whampoa, from Danes Island’ , pintura de Thomas Allom, c. 1843, baseado num desenho do tenente White da “Royal Marines
(11) Desenhos do periódico “Saturday Magazine” n.º 677, 21 de Janeiro de 1843, no artigo “The Five Ports of China to British Trade”.
https://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027/opium_wars_01/saturday_magazine/index.htm 

Mais dois postais da colecção de 10 postais ilustrados por vários artistas da Gruta de Camões, editado pela Fundação Macau e Instituto Internacional de Macau, em Junho de 1999, já referidos em anterior postagem (1)

POSTAL A GRUTA DE CAMÕES 1843 Thomas AllomA Gruta de Camões, Macau
Gravura de S. Bradshaw, segundo desenho de Thomas Allom, c. 1843
Colecção do Museu de Arte de Macau

Trata-se de um desenho de Thomas Allom (2) segundo um esboço do tenente White e posteriormente gravado por S. Bradshaw. Segundo  MAM (3) a gravura é de c. 1850.

POSTAL A GRUTA DE CAMÕES 1993 Chio Sio ChiGruta de Camões
Óleo sobre tela
Chio Sio Chi (Macau, 1993)

Chio Sio Chi (1934-) pintor, residente em Macau desde 1980, tem um álbum publicado com pinturas em miniatura, a óleo, de paisagens de Macau publicado pelo Museu Marítimo de Macau, em 1999.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/01/22/macau-e-a-gruta-de-camoes-xxxv-postais-coleccao-a-gruta-de-camoes-1999-i/
(2) Sobre o pintor Thomas Allom, ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/thomas-allom/
(3) http://www.mam.gov.mo/oldmam/photodetail.asp?productkey=2004110301012&lc=2

Uma pequena pasta (“folder“) tipo envelope de 36 cm x 26 cm x 4 mm, contendo uma colecção de 5 quadros (25,5 cm x 16,5 cm), reproduções de pinturas de 5 artistas que passaram por Macau no século XIX. Oferta do Governo de Macau, na década de 90 (século XX). Foram impressas na “Tipografia Mandarim”.
19th Century Macau Prints FOLDEROs “quadros” são de Thomas Allom, Auguste Borget, (3 quadros) e  W.Purser.
Hoje apresento a pintura de Thomas Allom, a mesma que está reproduzida no exterior da pasta.

19th Century Macau Prints - Praia Grande THOMAS ALLOMMacau ca. 1835
Baía de Praia Grande, vendo ao fundo a Colina da Penha
Desenho de Thomas Allom a partir dum esboço feito pelo tenente Frederick D. White da “Royal Marines”. Gravado por W. H. Capone (1)

Comentários de G. N. Wright a este quadro “”The Pria Grande, Macao“.(1)
The Pria, or Praya Granda, is the most flattering surviving specimen of this emporium of Oriental trade. Approached from the water, this fine ambulatory presents a striking and agreeable appearance. A row of handsome houses, extending along the beach for upwards of seven hundred yards, is built in a crescent form, in obedience to the graceful and regular bend of the bay. In front, a spacious promenade is formed, on an artificial embankment faced with stone, interrupted, occasionally, by jetties for landing goods, and by steps for descending to the water. Here is the residence of the Portuguese governor, and here also is the English factory, plain substantial buildings; besides the Custom-house, distinguished by the display of the Imperial flag in front. At the termination of what is called the High-street, stands the Senate House, a structure whose pretensions to architectural beauty are of the humblest character, but its dimensions considerable. Beyond the Praya Granda, a mixed assemblage of styles presents itself, including English houses, towers of Portuguese churches, Chinese temples, and domestic roofs, generally grotesque. The church of St. Joseph, the most spacious and beautiful of the twelve which the first settlers raised here, dedicated to the Apostles, is collegiate, and richly adorned. The sea-view of the city does not partake of the Chinese character, because the low natives who reside at Macao inhabit the back streets only, and their dwellings being but one story in height, are’ concealed by the Portuguese and English houses that surround them: the Chinese are generally dealers in grain, vegetables, and sea-stores, in addition to their employments of joiners, smiths, tailors, & etc.
http://www.chinese-outpost.com/history/thomas-allom-china-illustrated/the-pria-grande-macao.asp

THOMAS ALLOM 1804-1872Thomas Allom, 1846
https://en.wikipedia.org/wiki/Thomas_Allom

Thomas Allom (1804-1872) arquitecto inglês, pintor de paisagens, ilustrador topográfico e gravador. Membro fundador do “Royal Institute of British Architects”.
Arquitecto de muitos estruturas (igrejas, prédios, etc) em Londres, (2) é conhecido pelos seus trabalhos topográficos (3) publicados em 1938 e ilustrações no “China Illustrated”  (1843-1945).
Embora tenha viajado bastante, Europa, Turquia, Ásia Menor, Anatólia, Síria e Palestina, muitos das suas ilustrações principalmente os de temática oriental são desenhos trabalhados de esboços de outros artistas tais como do tenente Frederick D. White (1847- 1918)  e do capitão Charles Stoddart (1806-1842).(3)
(1) O desenho foi publicado em Londres, 1843 na p. 46 do 1.º volume (total de 4 volumes publicados de1843 a 1847) “China, in a Series of Views, Displaying the Scenery, Architecture, and Social Habits of That Ancient Empire” com os comentários de George Newenham Wright (1790?-1877).
http://catalog.hathitrust.org/Record/001871339
(2) “He designed many buildings in London, including the Church of St Peter’s and parts of the elegant Ladbroke Estate in Notting Hill. He also worked with Sir Charles Barry on numerous projects, most notably the Houses of Parliament”.
https://en.wikipedia.org/wiki/Thomas_Allom
(3) “Numerous topographical works, such as Constantinople and the Scenery of the Seven Churches of Asia Minor, published in 1838 and  in “China Illustrated”, published in 1845., The first of Allom’s illustrations of China were published in 1843.”
https://en.wikipedia.org/wiki/Thomas_Allom
(4) “Although Allom traveled widely throughout his career, many of his Chinese illustrations were based on the works of earlier artists – Lieutenant Frederick White, R.M., Captain Stoddart, R.N. and R. Varnham, for example – rather than on his firsthand views of China. In fact, there is considerable doubt as to whether Allom ever visited the Middle Kingdom at all. Many sources refer secondhand to his having been there, but we know of no convincing firsthand evidence to prove it. Therefore, it is possible that all of Allom’s illustrations of China were based on, or “informed by,” works of other artists. This does not mean, however, that he simply copied the works of others. Evidence shows that he was very skillful in seeing a drawing, then creating another version of the featured location from a different angle, or showing a different activity occuring in that space. Even though Thomas Allom’s illustrations may not have been based on firsthand views, they do hold a significant place in history. In the 18th and early 19th centuries, the Western world was becoming quite intrigued by Chinese culture and decor, but notions of what China looked like were often vague and incomplete. he first of Allom’s illustrations were published the following year, in 1843. Allom’s illustrations, more than any other body of work up until that time, helped to provide a clearer picture of Imperial China, though certainly not a perfect one.
http://www.chinese-outpost.com/history/thomas-allom-china-illustrated/