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Das crónicas de Henrique de Senna Fernandes: “O Cinema em Macau – II, 1930-31,  A Emoção do Sonoro”, relativo ao desporto em Macau, no mês de Novembro de 1929.

 “No capítulo de desporto, havia uma actividade intensa. No campal começava, ainda incipiente, a preparar-se a grande geração dos hoquistas que tanto honrariam Macau. O futebol era marcado pelo “Argonauta”, pelo “Tenebroso” e pelo “team” da Sociedade União Recreativa. Mas foi o ténis que se impôs, com os campeonatos do Ténis Civil e do Ténis Militar e o Grande Torneio de Ténis Xangai-Macau.

Este torneio de ténis, entre Xangai e Macau, realizado em fins de Novembro de 1929, não foi propriamente um despique entre as duas cidades, pois os tenistas visitantes emparceiraram com os nossos em quase todas as partidas. Os tenistas de Xangai eram Mlle. Telma Colaço, Raúl Canavarro (campeão de Xangai), Gordon Lum e Paul Kong, tendo estes dois representado a China no “Davis Cup”. Os tenistas de Macau que participaram nos jogos do Ténis Civil foram Mlle. Emília Figueiredo, D. João de Vila Franca (campeão de Portugal), José Maria de Senna Fernandes, António Melo, Raúl Xavier e Alberto Jorge. Os desafios marcaram, não só pelo vigor empenhado, como também pela elegância desportiva manifestada. A mais impressionante partida que delirou a assistência, foi o despique Portugal-China; dum lado, Raúl Canavarro e D. João de Vila Franca, e doutro, os chineses do “Davis Cup”. Ganhou a China, após luta brava.

Os visitantes conheceram o melhor da hospitalidade macaense. Começou o programa com uma recepção no Clube de Ténis da Areia Preta, onde se realizaram alguns encontros amigáveis. Houve no dia seguinte um passeio a Tong Ká (China), um porto piscatório, a 50 quilómetros, a nordeste de Macau. Os desafios propriamente ditos, tiveram lugar, durante dois dias, no Ténis Civil, terminando o programa com um jantar muito elegante no Hotel Riviera. Os visitantes ainda se demoraram mais alguns dias, a convite doutros clubes de ténis, como o Ténis Militar, o Ténis Naval, etc.. Por último, houve a desforra Portugal-China, com os mesmos parceiros, terminando com a vitória da China, que não foi fácil.”

“Nos dias 18 e 19 de Setembro de 1954, realizou-se, em Hong Kong, o III «Interport» de ténis entre Macau e Hong Kong, o qual foi ganho pelos tenistas macaenses que, com grande brilhantismo, alcançaram uma merecida vitória de 4 a 1.

A representação de Macau, confiada aos tenistas do velho e prestimoso Ténis Civil, portou-se à altura de honrar o desporto local, quer no campo da contenda, em que revelou a sua apreciada classe quer no convívio com os seus leais adversários de Hong Kong, tão fortes foram os seus desejos de contribuir para um estreitamento cada vez maior dos laços de amizade que unem bons desportistas e vizinhos. Foi disputada uma linda taça de prata oferecida pelo Leal Senado, a qual havia já sido ganha pela equipa de Hong Kong nos dois primeiros «Interports» e estava em riscos de ficar definitivamente em poder da mesma, dada a condição de três vitórias sucessivas previamente estabelecida, para a posse definitiva do troféu. Resolvidos a não permitir que tal acontecesse, os tenistas de Macau encheram-se de brio desta vez e foram a Hong Kong das mostras d seu valor, arrancando, por fim, uma vitória nítida e honrosa que lhes valeu regressarem juntamente coma «Taça Leal Senado». A série dos «Interports» de ténis entre Macau e Hong Kong , apesar de iniciada há apenas uns escassos meses, tem já conquistado para si um lugar de destaque na história dos intercâmbios desportivos que anualmente se realizam entre Macau e Hong Kong.

Infelizmente má impressão da foto em «MBI» (1)
Esqª p/ dta: Alexandrino Boyol, Humberto Rodrigues, Artur Canavarro, Artur de Melo e José Boyol

O primeiro «Interport» realizou-se em Macau, a 23 e 4 de Outubro de 1953, registando Hong Kong a sua primeira vitória, com o resultado de 3 a 2.. Para a realização do segundo «Interport», os tenistas de Macau deslocaram-se a Hong Kong , em 20 de Dezembro seguinte, tendo ali perdido novamente, pelo mesmo resultado 3 a 2. O sucesso alcançado agora no terceiro «Interport» pelos tenistas de Macau veio não só quebrar a sequência das sucessivas vitórias dos seus adversários como ainda salvar a má impressão deixada pelos velhos , mas ainda valorosos jogadores do Ténis Civil quando das duas primeiras competições. Eis os resultados dos jogos realizados  

Singulares-homens Artur Canavarro (Macau) venceu Roch Liang por 6-2 e 6-1; Eng.º Humberto Rodrigues (Macau) venceu Cheung Chau, por 6-0 e 6-1; Francis Ma (Hong Kong) venceu António de Melo, por 6-2 e 6-0

Pares-homens Eng.º Humberto Rodrigues e Alexandrino Boyol (Macau) venceram Joseph Hsu e Ernir Pereira, por 6-1, 1-6 e 8-6; Artur Canavarro e José Boyol (Macau) venceram Chung Wing Kuong e Cheng Tai Chi por 6-3 e 8-6.

(1) Artigo não assinado, publicado em «MBI», II. N.º 28 de 30 de Setembro de 1954, p.13/14

Realizou-se nos dias 6 e 7 de Outubro um intercâmbio desportivo entre os portugueses de Hong Kong e Macau, tendo sido disputados com grande animação e concorrência, os diversos desafios de hóquei em campo, ténis e bridge.
Macau saiu vencedora em ténis e hóquei em campo mas perdeu no bridge.
O Encarregado do Governo e esposa assistiram interessados ao desafio de hóquei em campo entre os grupos de Hong Kong e Macau, no campo do Tap Seac.
O grupo de honra do Hockey Club de Macau que derrotou o grupo visitante por 2 a 0
De pé (da esqª para dtº) Herculano da Rocha, , Augusto Jorge, César Capitulé, José Vítor do Rosário, Armando Basto, Humberto Rodrigues
1.ª fila: Luís da Cunha, Frederico Nolasco da Silva, Lourenço Ritchie, Fernando Marques Marques, Albertino Almeida
Os grupos de 2.ªs categorias do Clube de Recreio e Hockey Club de Macau
O vice-cônsul de Hong Kong, sr. Fernando Ribeiro, entregando a Taça Brazão ao Sr. António de Melo, capitão do Ténis Civil de Macau que derrotou o Club de Recreio de Hong Kong por 8 a 1.
Os numerosos convivas que participaram no jantar de confraternização
O representante do grupo de Hong Kong, Sr Jackie Noronha, agradecendo a hospitalidade de Macau.
Extraído de «Mosaico» III-15/16,1951

Hóckey (Oquei) Club de Macau – Direcção (Anuário de Macau 1951/52)
Presidente : António Emílio Rodrigues da Silva
Secretário: Engenheiro Humberto Rodrigues
Tesoureiro : Herculano Silvânio da Rocha
Vogais: Frederico Nolasco da Silva e Pedro Hyndman Lobo

Ténis Civil – Direcção (Anuário de Macau 1951/52)
Presidente – Dr Cassiano C. de Castro Fonseca
Secretário: Eduardo Batalha da Silva
Tesoureiro Armando Rodrigues da Silva.

Existiu uma Associação de Bridge de Macau, que teve como presidente foi Frederico Nolasco da Silva, mas não consegui determinar com exactidão a data da sua existência.

No dia 31 de Outubro de 1935, exibiram-se, no Ténis Civil, o campeão de ténis do mundo Henri Cochet e o campeão das Filipinas Francisco Árgon (1)
Henri Jean Cochet (1901 – 1987) (apelidado “Le Magicien”) foi um famoso tenista francês da década de 1920 e do início da década de 1930. Considerado como um dos quatro “Mosqueteiros” franceses (com Jean Borotra, René Lacoste e Jacques Brugnon) que dominaram o ténis mundial nas décadas de 20 e 30 (século XX) (2)
Henri Cochet venceu oito torneios do Grand Slam em simples em Roland-Garros, US Open e Wimbledon e foi número um mundial em 1928 e tornou-se profissional em 1933 (3)

Henri Cochet em 1922
https://pt.wikipedia.org/wiki/Henri_Cochet

Francisco Aragon foi um tenista filipino (bem como seu irmão Guilhermo Aragon) com o apogeu na década de 20. Os irmãos foram indicados para representar as Filipinas na «Taça Davis» (na altura, denominada «International Lawn Tennis Challenge») de 1921 a 1923, mas o país não participou nessas edições. As Filipinas participaria pela primeira vez na «Taça Davis» em 1926, com os dois irmãos, (4) sendo o primeiro país do sudoeste asiático a participar nesta prova. (5)

Francisco Aragon (à direita)
Revista «Life», Vol 15 n.º8, 1943.

NOTA: Henrique de Senna Fernandes nas suas ”memórias” do cinema em Macau e outros acontecimentos, menciona:
“Henri Cochet apresenta-se no Ténis Civil, no dia 31 de Outubro, perante uma compacta assistência. A sua exibição é memorável. Para os entendidos, não deu o máximo das suas possibilidades, mas a impressão é boa. “A Voz de Macau” classifica-o de mestre. Joga contra os tenistas locais, entre eles Raul Canavarro, figura de renome entre os tenistas do Extremo Oriente e várias vezes campeão de Xangai, o qual perde com galhardia. O chá, que depois foi servido, revelou ao francês a fina elegância da sociedade macaense de então.”:

(1) GOMES, Luís G. Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) Conquistaram a “Taça Davis” para a França seis vezes consecutivamente. (1927 a 1932).
(3) Informações recolhidas de
https://pt.wikipedia.org/wiki/Henri_Cochet
(4) As Filipinas chegaram às semifinais, perdendo com o Japão por 5-0 (torneio realizado em S. Francisco (E.U.A.) de 25 a 27 de Junho de 1926.
(5) Informações retiradas de:
https://www.philstar.com/sports/2006/07/23/348849/rp-advances-davis-cup-group-2#rCjmwSTbyXrhq70F.99https://en.wikipedia.org/wiki/1926_International_Lawn_Tennis_Challenge

Comemorando os 30 anos de actividade, o “Ténis Civil” convidou as outras duas associações de ténis do território, o “Ténis Militar-Naval” e o “Clube Chinês de Ténis” para um “Torneio da Liga de Ténis”, no seu campo, na Avenida da República n.º 16.

Extraído de «MBI» IV-74, 31AGO1956, pp. 14-15

O «Ténis Civil” fundado em Agosto de 1926 (sede: Avenida da República n.º 16), nesse ano de 1956, além, do ténis, tinha outras duas actividades: tiro e golf, com um total de 124 sócios (81 ordinários e extraordinários e 43 estudantes)
A Direcção era constituída por:
Presidente – Adm. Alberto Eduardo da Silva.
Secretário – Alfredo José da Silva
Tesoureiro – Horácio da Conceição.
A direcção do “Ténis Militar–Naval” cuja sede ficava ao lado do Ténis Civil , era constituída por:
Presidente – Capitão Luís de Azevedo Machado
Secretário – Tenente Luís Maria Coelho Casquilho
Tesoureiro – Tenente Baltazar de Morais Barroco
O “Clube Chinês de Ténis” (sede: Estrada da Areia Preta) tinha como direcção:
Presidente – Lee Po Tin
Secretário – Dr. Lam Tin Kwan
Tesoureiro – Chan Lam
Vogais – Fong Ki Tak e Allen Brook
(dados recolhidos do Anuário de Macau 1956/57 pp. 257-258)

Notícia publicada no jornal de Macau “A Verdade” de 18 de Agosto de 1928 e reproduzida no Boletim Geral das Colónias (1)
NOTA: A “Royal Air Force“ (RAF) estava instalada em Kai Tak desde 1927 e tinha os hidroaviões bombardeiros  da geração doss “Fairey IIIF ” (aparelhos de dois lugares motorizados com motores “Napier Lion”), utilizados pela RAF de 1926 a 1934.  A “RAF KAI TAK”  além das missões militares actuava também no combate à pirataria nos mares da China. Foi transferida em 1938, para “Sek Kong Airfield” nos Novos Territórios onde esteve até  1999, ano da entrega de Hong Kong à RPChina. Durante a ocupação japonesa de 1941 a 1945 o aeroporto de Kai Tak foi a base dos aviões japoneses “A6M Zero”.
https://en.wikipedia.org/wiki/RAF_Kai_Tak
http://www.rafweb.org

http://asasdeferro.blogspot.pt/2015/09/fairey-iii.html

Anteriores referências ao Centro de Aviação Naval da Taipa e à Aviação Naval  em Macau:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/06/23/centro-de-aviacao-naval-de-macau-taipa-1928/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/aviacao-naval/
(1) «BGC», n.º 40 , Outubro de 1928.

O jornal «O Independente» de 5 de Novembro de 1892, anunciava a demonstração aeronáutica do Sr. Leo Hernandez, que já tinha actuado em Hong Kong (1) e de lá viria  até Macau para em Dezembro realizar uma ascensão às 9 horas da noite, elevando-se à altura de sete mil pés. O aeróstato (2) que se denominava Telegraph, tinha de largura 150 pés e de altura 75 pés e era iluminado por 500 luzes.
O mesmo jornal, de 24 de Dezembro, noticiava o seguinte: “Realizou-se na tarde de segunda -feira última a ascensão aeronáutica do sr. Leo Hernandez, partindo do campo do Lawn Tennis. (3) O aerostato elevou-se a uma altura considerável e tinha percorrido no sentido horizontal uma grande distância quando se viu desprender-se dele o pára-quedas com o auxílio do qual desceu o aeronauto, vindo a cair no mar em frente da vertente sueste da montanha da Guia, com espanto dos que presenciavam a queda. Leo Hernandez dirigiu-se em seguida a nado até uma das lanchas que estavam naquele sítio e que o recolheram, tanto a ele como ao pára-quedas e ao balão.
Foi escassa a concorrência dos espectadores no local da ascensão; mas os montes vizinhos viam-se apinhados de curiosos, que não se arrependeram de ali terem ido assistir ao espectáculo.
O mesmo jornal voltava a noticiar no dia 31 de Dezembro:
Fez no último sábado a sua ascensão; mas desta vez não lhe foi possível abrir de todo o pára-quedas, vendo-se obrigado a descer com o balão.
O pior é que o sr. Hernandez por duas vezes expôs em Macau a sua vida sem que levasse consigo um avo, tendo gasto nesta cidade todo o produto dos espectáculos.
Comenta Beatriz Basto da Silva: “Não se pode dizer que foi um sucesso, nem pelo que o aeronauto ofereceu, nem pelo produto  do espectáculo que esperava receber” (4)
NOTA: «O Independente» foi fundado em Agosto de 1868 por José da Silva (redactor, proprietário e responsável)  com uma periodicidade quinzenal, até 30-04-1874,  passando a semanal a 7 de Maio de 1878. Este periódico foi suspenso por diversas vezes, o que aconteceu em Julho de 1890 e em Novembro (17) de 1894, sendo retomada a sua edição em Julho (18) de 1891 e em Setembro (12) de 1897, respectivamente. O Padre Manuel Teixeira indica 24 de Julho de 1898 como a data do final desta publicação.
A 17 de Janeiro de 1889, por motivos de saúde, José da Silva passa o jornal a seu filho, Constâncio José da Silva (nº1, vol. 1) A 18 de Julho de 1891, José da Silva volta a aparecer como redactor principal. O seu redactor foi diversas ocasiões espancado, multado e preso por artigos publicados no seu jornal. Frequentemente criticava actos da administração pública e inseria diatribes contra pessoas particulares e contra os Jesuítas. (http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/25639/2/tesemestculturaesociabilidades000103700.pdf)
(1) O jornal “The Hongkong Telegraph de 10 de Novembro de 1892  anunciava o espectáculo aéreo do mexicano Leo Bill Hernandez, em Hong Kong..
ANÚNCIO da exibição de Leo Hernandez“Leo Mexican Bill Hernandez, acrobat and aeronaut, would ascend from the West Point Praya. Then from the trapeze platform of his brilliantly illuminated balloon Mexican Bill would fire signal rockets from amid the clouds. The climax of his show had him floating to the ground on a fiery parachute – advertised as a stunt never done before.
The cost to the Inner Enclosure was $HK1; Outer Enclosure .50 cents; soldiers, sailors and children half price. With the 9pm deadline approaching gate receipts exceeded $HK100 – a considerable amount for the time!”
Informação retirado de Chic´s Webs: “Kai Tak -The Prior Years”
http://www.chingchic.com/kai-tak—the-prior-years.html
ANÚNCIO Balão von Charles
O aérostato apresentado no anúncio é do tipo “Balão von Charles” também conhecido como “Charlière”,  desenhado (1783) pelo físico Jacques Charles (1746-1823)
(2) Aeróstato – balão que se enche de ar aquecido ou de gás mais leve que o ar atmosférico e que por isso se eleva e se sustém na atmosfera. (http://www.priberam.pt/dlpo/aer%C3%B3stato)
Podem existir balões de voo livre, em que a deslocação é feita através da impulsão externa das correntes atmosféricas, e balões cativos, que não se deslocam, estando permanentemente presos ao solo.
(3) Clube de Ténis Civil de Macau localizado na Avenida da República n.º
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.

Nos dias 10 e 11 de Outubro realizaram-se em Macau os jogos de ténis e hóquei em campo integrados no programa do «Interport» lusitano.
O «Interport» lusitano era o intercâmbio desportivo que anualmente se realizava para a disputa entre os desportistas portugueses de Macau e Hong Kong. As duas modalidades em disputa eram o hóquei em campo e o ténis. Por vezes juntando a estas duas modalidades, disputavam-se as partidas de «bridge» e canasta, como aconteceu nesse ano-
A representação de Hong Kong era sempre confiada aos elementos das duas únicas agremiações portuguesas de Hong Kong que eram o Clube de Recreio e o Clube Lusitano. Macau era sempre representada pelo Hóquei Clube de Macau e Ténis Civil. No «bridge» e canasta a representação de Macau cabia ao Clube de Macau.
Nesse ano de 1953, além do apoio material e moral à organização do «Interport» que teve lugar em Macau, o Governador Marques Esparteiro ofereceu,  para ser disputada pelos hoquistas, uma taça de prata a qual entraria  na posse definitiva da equipa que ganhar por três vezes consecutivas  ou seis alternadas.

M B. I. Ano I n.º5 15OUT1953 Interport Lusitano IO Governador cumprimentando os jogadores do Clube de Recreio de Hong Kong

O Governador esteve presente no encontro de hóquei tendo entregue no final do encontro ao capitão da equipa local, Frederico Nolasco, a Taça «Governador Joaquim Marques Esparteiro. A equipa local saiu vencedora por 6 a 3.

M B. I. Ano I n.º5 15OUT1953 Interport Lusitano IIOs tenistas de Macau e Hong Kong que participaram no intercâmbio desportivo

No ténis registaram-se 9 vitórias contra 0 dos visitantes.
Foi de 20 000 pontos de diferença a vitória de Macau na canasta e de 7 450 pontos a vitória em bridge».

M B. I. Ano I n.º5 15OUT1953 Interport Lusitano IIIA mesa da presidência no jantar realizado no Clube de Macau.

Os desportistas e dirigentes tanto de Macau como de Hong Kong reuniram-se na noite  do dia  11, nas salas do Clube de Macau para um jantar de confraternização, seguido de baile.
Informação e fotos recolhidas de MACAU B. I.,953.

O edifício do Hotel Boa Vista (após 1936, Hotel Bela Vista), debruçado sobre o Bom-Parto e a baía de Bom Pastor, terá sido construído em 1870 para residência da família Remédios e foi no ano de 1890, registado como Hotel, passando a ser propriedade do Capitão Inglês William Edward Clarke. (1)
Foi inaugurada como unidade hoteleira europeia a 1 de Julho de 1890 (2) e a gerência do Hotel manteve-se na família Remédios: L. M. Remédios e sua esposa Maria Bernardina dos Remédios, de 1891 a 1894. (1)

Hotel Boa Vista MAN FOOK 1907O HOTEL BOA VISTA (Foto de MAN FOOK), 1907

Embora o Hotel Boa Vista esteja registado no Registo Predial com a data de 1900 (n.º 5 431 (3), já em 18-11-1899, estava inscrito no Livro do Tabelião Serpa, como pertencente ao Capitão da Marinha Mercante Inglesa William Edward Clarke e mulher, Catherine Hannack Clarke. (1)
A 11 de Novembro de 1899, Clarke e sua esposa hipotecaram o hotel por $ 15 000,00 à “Hong Kong , Canton and Macau Steamer C.º” (onde Clarke trabalhava como capitão); essa quantia foi paga a 21 de Novembro de 1901. Quando o Governador da Indochina Francesa quis comprar o hotel, para aí instalar um sanatório militar e naval, (para a convalescença dos funcionários civis e militares que eram atacados de febre paludosa) “levantou-se tamanha celeuma na imprensa e no parlamento inglês que o governo português se viu obrigado a expropriá-lo para aplacar as iras do leão britânico” (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I). O governou expropria o edifício e vende-o à Santa Casa da Misericórdia por 80 mil patacas.
(1) Não é certo que tenha sido proprietário em 1890 pois em Março 1891, Maria Bernardina dos Remédios aparece em assentos documentais como proprietária do Hotel para reclamantes perante o novo Regulamento de Décimas e Impostos, e em 31 de Maio de 1891, no Processo n.º 339/G, regista-se um recurso interposto ao Conselho da província por Maria Bernardina dos Remédios, após pedido de redução verbal apresentado por Maximiano António dos Remédios e não atendido, contra a Junta de Lançamento de Décimas, que desatendeu a sua reclamação em relação ao valor locativo do Hotel Boa Vista. O Conselho de Província atendeu, em 13 de Junho do mesmo ano, baixando das $750.00 para $ 500.00, por ser tratar de uma unidade hoteleira incipiente (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 3, 1995).
(2) O jornal «Hong Kong Daily Press» do dia 4 de Julho de 1890, «acaba de aparecer uma importante contribuição para as instalações hoteleiras de Macau. O Hotel Boa-Vista, belo e novo edifício com 20 quartos, situado na Baía do Bispo, (4) frente ao Mar do Sul, foi aberto a 1 de corrente… (…). Mrs Maria Bernardina dos Remédios passou a ser apenas gerente” (TEIXEIRA, Pe.M – Toponímia de Macau,  Vol. II)

 Hotel Boa Vista 1910HOTEL BOA VISTA, 1910

(3) Registo Predial N.º 5431 (Ano de 1900): prédio urbano denominado Hotel Boa Vista e dependências sito na freguesia de S. Lourenço, Rua do Tanque do Mainato,(5) tendo a sua entrada principal o n.º1 de polícia …(…) É formado principalmente , pelo Hotel Boa Vista, que abre para esta Rua do Tanque do Mainato e mais cinco terraplenos, ligados por escalas de pedra servindo de jardins, com árvores e duas casetas. Ao fundo do lado do mar tem três tanques pequenos de pedra, dos quais um está arrasado, bem assim a muralha que cercava nesse sítio a propriedade. Tem o valor venal de vinte e cinco mil patacas segundo mostra a escriptura de compra e venda donde se extraiu esta descripção a fls. 47v do Liv. 25 de notas do Tabelião em 18 de Novembro de 1899.(TEIXEIRA, Pe. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I.)
(4)”Havia a praia de Cacilhas, na base do Ramal dos Mouros, hoje totalmente coberta pelo Reservatório, a Praia da Guia onde se erguia a antiga Chácara do Leitão, a Praia do Bom Parto, a Praia do Bispo, onde nadavam os ingleses do Hotel Bela Vista, outro hotel de serviço europeu, e a Praia do Tanque do Mainato, estas duas últimas na baía do Bom Pastor que vai da curva de Bom Pastor à ponta de Santa Sancha” . ” Onde hoje está o Ténis Civil, ficava estão a Baía do Bispo.” “O Tanque do Mainato ficava entre a Baía do Bispo e a Vacaria do Vaz ou Leitaria Macaense, a qual ocupava a área atrás da antiga casa da Obra das Mães.” (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I)
(5) O edifício do Hotel Boa Vista, depois Bela Vista, fica na rua do Comendador Kou Ho Neng antes chamada Rua do Tanque do Mainato ( durante séculos com esse nome por haver ali um tanque onde os mainatos lavavam a roupa. No próprio jardim do Hotel Boa Vista havia outrora três tanques de pedra que depois foram tapados). (TEIXEIRA, Pe. M. – Toponímia de Macau, Volume I).  Hoje, residência oficial do cônsul Geral de Portugal em Macau.