Archives for posts with tag: Templo de Kun Iam/Kun Iam Tong/ 觀音堂)

MACAU B.I.T.XII, 7-8, Set-Out, 1977 capaSALA TÍPICA NO INTERIOR DO TEMPLO “KUN IAM” (1)

Sobre o Templo de Kun Iam (Kun Iam Tong) ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-de-kun-iam/
(1) De«MACAU B.I.T., 1977»

Continuação da publicação das fotografias deste pequeno álbum (1)

“SOUVENIR DE MACAU”

Souvenir de Macau 1910 Um Templo Chinez - Kum Iam I“UM TEMPLO CHINEZ”
Templo de Kun Iam (Kun Iam Tong) 

”Outrora havia um largo, chamado Largo do Pagode de Mong Há. Esse largo ficava em frente do Kum Yam Tong, mais conhecido por Pagode de Mong Há, mas foi quase totalmente absorvido pela Avenida do Coronel Mesquita, pelo que deixou de existir.
Kun Yam Tong ficava na antiga aldeia chamada Mong – Há Tch´un . Esta designação tem sido traduzida de três maneiras: Aldeia do Vestíbulo da Esperança, Aldeia que contempla H´á Mun ou Aldeia que contempla a Casa Grande ou Palácio.
O actual edifício de Kun Yam Tong data de 1627, (2) sendo o templo restaurado durante os reinos de Chia Ching (1796-1821) (3) e de Tong Chih (1862-1875) (4).
Na fachada do 1.º templo há frisos de barro vidrado polícromo.
Dentro, no altar, três budas de madeira dourada – os Sám Pou Fát  (三寶佛) – três Budas Preciosos), isto é: Sek Ka Man Ni Fat – 釋迦牟尼佛 (Saquiamuni) tendo à esquerda O Mi T´ó Fat –阿彌陀佛 (Amitabha) e à direita, Mi Lak Fat –彌勒佛 (Maitreia); ignora-se a época da sua construção.” (5)

Souvenir de Macau 1910 Um Templo Chinez - Kum Iam II“UM TEMPLO CHINEZ”
Templo de Kun Iam (Kun Iam Tong)

Segue-se o 2.º templo, em que se vê o Tch´eong Sau, deus da eternidade, sentado numa flor de lotus.”
O templo de Kun Yam tem em chinês dois nomes Kun Yam T´ong  (pavilhão da deusa da Misericórdia) e P´ou Tchai Sin Sim Yun (Asilo de Beneficência); os bonzos são da seita esotérica.” (5)

NOTA: Anteriores referências a este templo, 觀音堂 – Kun Iam Tong ver em:
      https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-kun-iam/
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/artes/
(2) Os edifícios actuais do templo foram construídos em 1627, facto comprovado por uma laje do pátio onde está escrito, em chinês: “Construído no sétimo mês do sétimo ano do reinado do Imperador Tian Qi”.
(3) Imperador Jiaqing  (Chia ching ) –  嘉慶帝: mandarin pinyin: Jiāqìng Dì; cantonense jyutping: Gaa1 hing3 dai3
(4) Imperador Tongzhi (Tong chih) – 同治帝 –  mandarin pinyin: Tóng zhì Dì; cantonense jyutping: Tung4 ci4 dai3
(5) TEIXEIRA, Padre Manuel – Pagodes de Macau, 1982

寶佛mandarim pinyin: sàn bǎo fó; cantonense jyutping: saam1 bou2 fat1.
釋迦牟尼佛mandarim pinyin:  shì jiā móu ní fó; cantonense jyutping: sik1 gaa1 mau4 nei4 fat1.
阿彌陀佛mandarim pinyin: à mí duò fó; cantonense jyutping: aa2 mei4 to4 fat1.
彌勒佛mandarim pinyin: mí lè fó; cantonense jyutping: mei4 laak6 fat1.

Roteiro do Ultramar Interior do Kum Yan“Pormenor do templo da Deusa Kun Yan”

 No jardim, anexo ao templo de Kun Yâm ou Kwan Yin existe uma mesa de pedra, na qual se diz ter assinado, a 3 de Julho de 1844, o primeiro tratado Sino-Americano, por Ki-ying, governador -geral de Kuangtung (Cantão),  ministro e comissário extraordinário do imperador da China  e Caleb Cushing, comissário, enviado extraordinário e ministro plenipotenciário dos Estados Unidos na China. (1) Este tratado ficou conhecido como Tratado de Wang-hia ou Whangshia (望廈條約), nome  do local em mandarim, em cantonense, Mong há (望廈)

Roteiro do Ultramar Panorâmica da CidadeMacau: um panorama da cidade 

Em primeiro plano, à esquerda o Bairro Tap Seac. Ao fundo a Ilha Verde já com a sua ligação à península e os aterros do Fai Chi Kei.

Fotogravuras do livro de
GONÇALVES, Manuel Henriques – Roteiro do Ultramar. Lisboa, 1958, 131 p. De 22 cm x 16 cm.

Referência anterior ao Tratado de Wanghia, ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/tratado-de-wanghia/
(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I. Instituto Cultural de Macau, 1997, 667 p.

Continuação da apresentação da colecção de 10 marcadores de livro, emitidos por “Comissão Territorial de Macau para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses”, sob o lema

“TEMPLOS 廟宇” (1)

MARCADOR TEMPLOS logotipoHoje outro marcador com dois: “Templos de Macau/ 澳門廟宇”(2)
Dum lado do marcador
Marcador de livro Kun Iam Tong
Marcador de livro Kun Iam Tong IKUN IAM TONG /觀音堂 (3)
“Situado na Avda. Coronel Mesquita, este templo budista é dedicado à deusa da Misericórdia Kun Iam, construído na dinastia Ming (1368-1644 DC). É o templo maior e mais rico de Macau com pavilhões muito decorados e o principal ponto de encontro no Ano Novo Chinês. Lugar de cheiro característico a fumo e incenso muito agradável aos deuses e às finanças do pagode! À entrada, está uma bela trípode ou “fogareiro” que se destinava a manter a comida quente. O templo está dedicada a Kun Iam, jovem mártir que curou o pai de uma doença de pele com medicamentos feitos com a sua própria pele! Pelos pavilhões encontram-se várias divindades e símbolos budistas que tornam obrigatória a visita a este templo.”

Doutro lado:
Marcador de livro Hong Kong
Marcador de livro Hong Kong IHONG KONG / 康公廟 (4)
“Misterioso este templo no Largo do Pagode do Bazar! No pórtico encontram-se dois morcegos que seguram dísticos de caracteres chineses e no seu interior, está à direita, um cavalo branco que veio da guerra! Reza a história que Hong Kong, quando simples mortal, saíu vitorioso de muitas batalhas. Numa delas, a sorte foi-lhe adversa e cairia certamente nas mãos do inimigo se não surgisse um bando de patos que, com os bicos apagaram as pegadas do fugitivo. Grato aos seus salvadores proibiu que no dia da sua festa os devotos comessem carne de pato. Vale a pena uma visita para ver o que resta dos altares no seu interior, lindos retábulos em talha lavrada.”
(1) Ver: https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/templos-chineses/
(2) 澳門廟宇 –mandarim pinyin: Ào men miào yù; cantonense jyutping: Ou3 mun4 miu6 jyu5.
(3) 觀音堂 – mandarim pinyin: guàn yin táng ; cantonense jyutping: gun1 jam1 tong4.
(4) 康公廟  mandarim pinyin:  kang gong miào;  cantonense jyutping:  hong1 gung1 miu6. Tradução literal: templo público pacífico (calmo).

Ilustração Portugueza1908 Macau Cidade de Prazeres TÍTULO

Última parte, a “5.ª”, da leitura do artigo “Macau Cidade de Prazeres” (1) sem indicação de autor, publicado na “Ilustração Portugueza”, 1908, na página 808.

Ilustração Portugueza1908 Macau Cidade de Prazeres Transporte de passageiro“O vapor que faz o serviço de transporte de passageiros e mercadorias entre Macau e Hong-Kong

 Após uma digressão pelas casas de jogo, d´amor, d´embriaguez, traz-se a impressão cançada do goso, mas olhando n´um dealbar verão a cidade onde as nhonhas de lindas pernas, com seus trajes de dó ou com seus vestidos leves, vão passar dentro em pouco, reparando n´esses bairros adormecidos, sob a luz doce do sol e comparando-a com essa China do luxo e da mizeria onde tantos milhões de homens luctam, sente-se bem que Macau foi feito para paraizo dos mandarins, dos ricos e dos piratas e logo nos vem á mente que com esse caminho de ferro de Cantão até ali, que já temos licença para fazer, a cidade seria definitivamente o logar de regalo de todo esse Extremo Oriente se dentro de gosos, que abafa ou se regela na sua atmosfera e que ali, em Macau, encontraria a sua estancia de prazeres, fazendo correr o ouro que seria applicado em torar mais deslumbrante a linda terra das nhonhas e das delicias.

Ilustração Portugueza1908 Macau Cidade de Prazeres Saída da Igreja“À sahida da missa”

 A macaísta, que mettida nos seus trajos de dó tem alguma cousa das nossas antigas damas embiocadas, talvez então se desse mais à vida da rua, talvez mergulhasse n´esse banho de luxo e perdendo a característica do trajar iria docemente, sem dar por isso, deixando o recolhimento em que vive.

Macau é, pois, o logar onde se folga onde os piratas – que os há ainda – veem deixar o seu ouro, com os riscos de serem apanhados pela polícia vigilante. Mas é tal o prazer que todo o chinez tem em se demorar na cidade que eles, foragidos às leis, correm para o jogo, para o ópio e para as lindas chinesas, até que um dia lá vão amarrados pelos rabichos, levados por uma escolta para a fortaleza do Monte até serem entregues às suas auctoridades, até que as suas cabeças sejam degoladas em terras do Celeste Império e expostas nas ruas gotejando sangue.

Ilustração Portugueza1908 Macau Cidade de Prazeres Pagode de Monh Há“Pagode de Mong há” (2)

 Apezar de tudo o pirata vem e na hora da morte não se lembra decerto das suas façanhas, mas sim dos olhos oblíquos de alguma linda chinesinha da rua da Felicidade, d´essa extranha cidade de prazeres.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/02/01/leitura-macau-cidade-de-prazeres-i-anno-novo-china-1908/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/02/02/leitura-macau-cidade-de-prazeres-ii-o-jogo-do-fantan-1908/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/02/16/leitura-macau-cidade-de-prazeres-iii-
(2) Templo de Kun Iam (Kun Iam Tong) em Mong Há, construído em 1627 (sétimo ano do reinado do imperador Tian Qi / 天啓 (1620-1627), o templo mais antigo de Macau)- Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/03/26/postais-macau-artistico-vi/

“É inaugurada, como forte sinal de vitalidade, a Exposição Industrial e Feira de Macau, ideia do Governador Rodrigo Rodrigues, só exequível no Governo interino do Almirante Hugo de Lacerda. (1).

ILUSTRAÇÃO 1919 n.º 25 Exp. Ind.e Feira de Macau 1926 MAPAO local da Feira foi o então espaço livre (8 hectares de várzeas), na continuação da Avenida Conselheiro Ferreira de Almeida a caminho de Mong Há, logo depois de cruzar a Avenida Horta e Costa, onde havia uma pequena lagoa (mesmo em frente à entrada do Kum Iam Tong), que emprestou beleza ao recinto, sobretudo com as iluminações nocturnas e com engalanados barcos de onde os estudantes do liceu ofereceram uma serenata.

O importante e concorrido certame acompanha o desenvolvimento industrial da I República (1910-1926) em Portugal. A atestá-lo mencionam-se entre outros ramos, a pesca e a conserva de peixe, tradicional e em lata, os curtumes e o calçado, os fósforos e panchões, papel e tabaco, actividade têxtil (seda, algodão), etc. (2)

ILUSTRAÇÃO 1919 n.º 25 Exp. Ind.e Feira de Macau 1926 IO Pavilhão da Casa Portuguesa

Dos 650 inscritos, estiveram presentes 597 expositores (os mais numerosos: carpintaria e marcenaria: 57; sapatarias: 51; ourives: 30; alfaiates: 28; vinhos chineses e estrangeiros: 28; papelarias: 21; trabalhos em bambú: 20), sendo 540 de Macau e os restantes de Hong Kong e de outras procedências. Os produtos expostos atingiram um valor aproximado de $ 1000.000,00 (3)

  ILUSTRAÇÃO 1919 n.º 25 Exp. Ind.e Feira de Macau 1926 IIO lago e o moinho holandês (4)

Num dos 60 pavilhões, o pavilhão «Portugal-Oriente», salientam-se produtos vinícolas (vinhos portugueses e conservas com 10 expositores) barracas de tiro ao alvo, roleta com prémios, loto, animatographo (1 expositor  classificado como “filmagem cinematográfica”), etc. A Feira durou mais de um mês (fechou a 12 de Dezembro) e apenas como referência estatística, em 3 dias, só no Parque de Diversões foram registados 15 000 visitantes. Estes, no total, foram 289 537, supondo-se que cerca de 50 000 fossem forasteiros. (2)

 ILUSTRAÇÃO 1919 n.º 25 Exp. Ind.e Feira de Macau 1926 IIIOutro aspecto do lago e do moinho holandês

Foi feito um opusculo, em Macau, publicado em português e inglês, da autoria de João Carlos Alves e João Barbosa Pires, pela Tip. Mercantil, em 1927. (3) (5)

 ILUSTRAÇÃO 1919 n.º 25 Exp. Ind.e Feira de Macau 1926 IVFerry Wheel (Grande roda)

(1) Sobre este almirante: Hugo Carvalho de Lacerda Castelo Branco, ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/27/leitura-a-necessaria-morigera-cao-dos-costumes/
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7)
(3) ALVES, João Carlos; PIRES, João Barbosa – Macau e a sua Primeira Exposição Industrial e Feira. Com uma breve notícia do Porto. Macau, 1927. Tip. Mercantil da N. T. Fernandes e Filhos, 39 pp., 23 cm.
(4) Segundo informações da revista “Ilustração”, donde foram retirados estas fotos, “o rendimento diário do aluguer de sete barcos em serviço neste lago é de cerca 1 200$00.”~
(5) Sobre a Tipografia Mercantil da N. T. Fernandes e Filhos, ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/04/04/anuncios-tipografia-mercantil-de-n-t-fernandes-e-filhos/

Estamos no pagode (1) mais antigo de Macau, dizem-nos, se bem que a maioria das opiniões que temos ouvido reserve tal antiguidade para o da Barra.(2)
O pagode de Macau-Seac (Pedra de Macau) (3) ou “Tin-Hau-Seng-Mou-Miu” (Templo de “Nossa Senhora Rainha do Céu”) (4)  fica situado numa ponta escarpada e outrora sobranceira ao mar que hoje está substituída pelos aterros a nordeste do porto novo.
Situação, na verdade, privilegiada, donde se disfruta um dos muitos variados e lindos panoramas de Macau, numa minúscula ponta rochosa coroada por  frondosa “arvore do pagode”  e onde se abre, cavada na pedra, uma espécie de capela.
Muito limpa, pintada de fresco e a cores, a lâmpada acesa e suspensa em frente do altar, dá-nos a impressão, e entrada, que chegamos a um recinto da fé cristã.
Mas o exotismo das figuras e caracteres chineses esculpidos em alto relevo na rocha, so utensílios do culto, o cheiro perturbante do sandalo que arde e se evola, qual narcotico enjoativo e dôce, como interrogação ameaçadora na antecamara do misterio, tudo isto depressa nos convence da falta de santidade crista do lugar.
Mas, áparte estas rapidas impressôes que por nós  perpassam como uma intuição distante, é alegre a capelinha pintada a côres garridas, muito aceada, o que é digno de nota e, num pequeno santuário, aberto ao fundo e todo renovado, vê-se a imagem ali venerada, a deusa ” Tin Hau” ou “Rainha do Céu“.

Templo de Macau Siac 1929O Pagode de Macau-Seac – 1929

            A deusa, dizem-nos, protege especialmente contra os tufões e todos os anos se lhe faz uma festa em Março.
Este pagode, dantes muito procurado pela gente maritima, hoje é frequentado quasi só pelo elemento feminino, especialmente pela tankareiras, pobres mulheres que no rio labutam a sus miseria, vivendo nos tankárs.
Por fora do pagode, um gracioso balcão  de pedra cerca o pequeno templo que á saída tem microscopicos e toscos altares, como os chineses usam por toda a parte.
Peixes alegoricos, “peixes de céu”, encimam o telhado que a sombra protectora da arvore cobre, como protectora á deusa para os chineses de Macau.
O china sacristão, sorri-nos, sorri constantemente às nossas inquirições sem lhes atinar o fim: nos ramos altos, a passarada chilrea cantando a gloria do dia e deixamos o precioso morro, como que reduzido hoje a uma ilhota no meio dos aterros, depois de lhe cortarem mais estrada à volta.
O camartelo destruidor do progresso está ali, mesmo ao pé, nas oficinas dos holandeses, perturbando o ambiente com inoportunos sons metálicos.(5)
Oh, o progresso, a civilização!

(1) O termo “PAGODE” é o mais correcto para designar os templos chineses embora correntemente (e mesmo a nível oficial) se empregue o termo “Templo”
PAGODE: espécie de templo pagão, entre alguns povos da Ásia. (Dicionário de Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo, Vol II)
Na China,   os pagodes chamam-se miu (mandarim pinyin:  Miào; cantonense jyutping: Miu6)
(2) Os vários pavilhões do Templo de A-Má (媽閣廟 – pinyin: Māgé Miào; jyutping: Maa1 Gok3 Miu6) foram construídos em diferentes épocas, sendo que a sua configuração actual data de 1828. O Pavilhão da Benevolência julga- -se pertencer à estrutura original, com data de 1488. O Pavilhão de Orações, também conhecido por “Primeiro Palácio da Montanha Sagrada”, foi construído em 1605 e reconstruído em 1629, conforme indicam inscrições em pedra aí encontradas. A data da construção do Pavilhão de Guanyin é desconhecida, mas uma inscrição encontrada numa placa de madeira, na zona de entrada, regista a data da restauração, realizada no ano de 1828. O Pavilhão Budista de Zhengjiao Chanlin foi restaurado nesse mesmo ano.
http://www.macauheritage.net/pt/HeritageInfo/HeritageContent.aspx?t=M&hid=51
(3) Má Kau Seak (馬交石mandarim pinyin: ma jiao dàn; cantonense jyutping: maa5 gaau1 sek6) significa «Rochedo do Cavalo no Coito»  porque essa pedra que existia nessa zona (foi destruída com as obras do porto de Macau tinha a forma de dois cavalos a cobrir-se uma ao outro (5). Permanece na Toponímia de Macau uma rua denominada “Rua de Ma Kau Seak”
(4) TÍN HAU SENG MOU MIU  – 天后圣母廟 (mandarim pinyin: tian hòu shèng mú miào; cantonense jytping: tin1 hau6 sing3 mou5 miu6 )
O “Pagode da Santa Mãe, Rainha do Céu”, fica na Rua dos Pescadores, que começa na antiga Avenida do Dr. Oliveira Salazar, entre o reservatório de águas da Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau e a Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, e termina na Estrada de D. Maria II, ao lado do prédio n.8. Outrora, esta rua contornava, pelo lado sul, o pagode Tín Hau Ku Miu (天后古廟) antigo Pagode da Rainha do Céu (6),  vulgarmente conhecido por pagode de Ma Kau Seak. O mar vinha bater quase no sopé da colina do pagode, deixando apenas um estreito carreiro de 40 centímetros para passagem de peões. Em frente dessa colina, existia duas outras que foram arrasadas há cerca de 60 anos, transformando-se esse local num chão de hortas e casebres chineses. (7)
Obras porto de Macau (1923)

http://www.prof2000.pt/users/avcultur/Postais2/Macau/006_Macau.jpg

(5) Trata-se dos estaleiros da companhia “The Netherland Harbour Work & C.º Amsterdão“, que desde 1923 desenvolvia trabalhos de aterro do Porto Exterior, empreitada da primeira fase das obras do Porto Artificial de Macau.
12-10-1922 – Foi assinado o contrato definitivo da empreitada da primeira fase das obraas do porto artificial de Macau, entre o representante do governo da província, o Almirante Hugo de Lacerda, Director das Obras dos Portos , e o Engenheiro Vam Exter, representante da companhia adjudicatária The Netherland Harbour Work & C.º Amsterdão” (GOMES, Luís  G. – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.)
(6) TIn Hau Ku Miu, antigo Pagode para diferenciar-se do outro Pagode, situado n mesma zona de Ma Kau Seak – O Kun Yam
(7)  TEIXEIRA, Padre Manuel  – Pagodes de Macau. Direcção dos Serviços de Educação e Cultura, 1982, 203 p. + |3|

NOTA: outras referências a Jaime do Inso em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jaime-do-inso/

Neste dia, 3 de Julho de 1844, foi assinado o primeiro tratado sino-americano, conhecido como o Tratado de Wanghia – Tratado de Paz, Amizade e Comércio entre os Estados Unidos da América e o Império Chinês, numa mesa de pedra existente dentro do templo chinês de Mong – Há, em Macau, , o Kun Iam Tong. (1) (2)

Kun Iam Tong POSTAL (década de 60)Templo de Kun Iam (década de 60)

Kun Iam Tong Mesa do Tratado década de 50A mesa de pedra existente no Templo de Kun Iam,  na década de 50

Dizem as más línguas (os filo-filo di Macau falâ « mallínguâ») que o tampo da mesa de pedra pouco depois da assinatura, “rachou” (em duas partes “não iguais” ?) sendo por isso «mau agoiro» –  o geomante do Templo prediria que as relações sino-americanas nunca seriam boas.

Kun Iam Tong Mesa do Tratado POSTALA Mesa do Tratado (2) na década de 80

 (1) O Tratado de Wanghia (chinês tradicional: 望廈條約, pinyin: Wàngxià tiáoyuē) foi um acordo diplomático assinado a 3 de julho de 1844 entre a Dinastia Qing, (China) e os Estados Unidos, no Templo de Kun Iam. Após a passagem pelo Congresso dos Estados Unidos, foi ratificado pelo presidente John Tyler a 17 de Janeiro de 1845. É considerado como um exemplo dos chamados “tratados desiguais”. Exemplo: o Tratado de Wanghia instituía para os cidadãos norte-americanos residentes na China, o privilégio da extra-territorialidade: mesmo se culpados de delitos de direito comum, não seriam condenados pela legislação chinesa. Obviamente, o privilégio da extra-territorialidade não era recíproco, não valia  para os cidadãos chineses residentes nos EUA.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_de_Wanghia
(2) Um dos postais da Colecção «MACAU ».
Este, «Mesa do Tratado /Treaty Table» tem no seu verso em cinco línguas (chinês, japonês, português, francês e inglês) a seguinte legenda:”A mesa de pedra em que foi asinado (sic) o primeiro tratado Sino-Americano / Lieu óu fut signé le premier traité Sino-Americain / The table on which was signed the first Sino-American treaty on July 1844

Postais fotográficos publicados num livro de 1922 – na sequência dos publicados anteriormente em (1)

 Jardim de S. Francisco TorreãoJardim de S. Francisco /Torreão (2)

Kum Iam TongVista interior do pagode Pou-Chai-Sin-Yun em Mong Há / Templo de Kun Iam (Kun Iam Tong)

 O Templo de Kun Iam foi construído em 1627 (sétimo ano do reinado do imperador Tian Qi / 天啓 (1620-1627), o templo mais antigo de Macau, (3) em Mong Há (Avenida Coronel Mesquita) , no local onde já existia desde o reinado de Wan Li /萬曆 (1573-1620), o mosteiro de Pou Chai Sim Un (Templo de Pou Chai).

Fotos sem grande qualidade na sua impressão mas valem pelo valor histórico. Muitas destas fotografias foram já impressas, com melhor qualidade, noutras publicações.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/15/postais-macau-artistico-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/15/postais-macau-artistico-ii/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/30/postais-macau-artistico-iii/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/09/postais-macau-artistico-iv/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/18/postais-macau-artistico-v/
(2) Sobre o Torreão ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/03/20/servico-postal-militar-em-macau/
(3) Em 1277, cerca de 50000 apoiantes e alguns membros da Dinastia Song/宋朝, fugindo dos invasores mongóis, chegaram a Macau e construíram várias povoações, sendo a maior e a mais importante delas localizada na região de Mong-Há (que se localiza no Norte de Macau). Pensa-se que o templo mais antigo de Macau, o Templo de Guanyin /Kun Iam Tong / Templo da Deusa da Misericórdia, se localizava precisamente nessa região.
觀音堂  (mandarim pinyin: guan yin táng; cantonenese jyutping:gun1; jam1tong4)

Sobre este templo, recomendo leitura de
http://cronicasmacaenses.com/2012/05/11/templo-budista-kun-iam-tong-de-1627-em-macau/