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Artigo publicado em 1930 na revista “Magazine Bertrand” (1), (sem indicação do nome do autor) intitulado “MACAU MARAVILHA DO ORIENTE”
A acompanhar o texto, seis fotografias de Macau cedidas, segundo o Director, pelo “ilustre amador Constantino Alves de Almeida, premiado no concurso fotográfico de Macau”

“As magestosas ruinas de S. Paulo do Monte (Macau)”
“Baía da Praia Grande, em Macau”
“Pagode da Barra, o mais antigo templo chinês de Macau”
“Pedra de São Paulo do Monte, colocada na muralha da fortaleza do mesmo nome”
“O Farol da Guia, o mais antigo do extremo Oriente”
“Armas da cidade de Macau que se encontram no Salão Nobre do leal Senado da Câmara”

(1) “Magazine Bertrand” ano IV, n.º 46, outubro de 1930, pp. 36-39.

Do diário de Harriet LOW   (1)
“6 de Agosto de 1830:
Desejaria dar-te a mais pequena ideia duma procissão que passou aqui esta tarde. Parece que estão a dedicar uma nova igreja ou pagode e fazem grande alarido na cidade. Mas, ainda que enchesse muitas páginas, receio que não te poderia dar uma boa ideia dela.
Em primeiro lugar, não se pode calcular o seu comprimento e a variedade de objectos, vestidos, música, etc. …
Muitos dos vestidos eram esplêndidos, com cores e materiais que podes imaginar, mas num estilo que não pode agradar aos olhos de qualquer pessoa dotada de bom gosto.
Havia mulheres esplendidamente adornadas, montadas em cavalos, indo escarranchadas; rapazinhos ataviados com os chapéus e vestidos mais grotescos, empunhando bandeiras trabalhadas com todo o esplendor e de todas as cores.
Iam crianças suspensas no ar e até parecia que se não apoiavam em coisa nenhuma, tal a forma engenhosa como havia sido aquilo disposto.
Havia ainda uma pequena Vénus, saindo da sua concha, e milhões de outras coisas de que não me posso lembrar.
E então a música! Música, disse eu? Ó céus! Se sons tão dissonantes se podem chamar música, aquilo deve ser o supra-sumo da perfeição, pois não podia haver maior ruído; os gongos batiam horrivelmente de sorte que não se podia ouvir de pessoa alguma, ainda que estivesse perto. Oh! Não devo esquecer-me dos porcos tão interessantes! Pobres porcos assassinados, assados e besuntados para essa ocasião, e levados nos carros.
Havia um cordeiro, pobre animalzinho, todo tosquiado, e colocado num carro como se ainda estivesse vivo.
Seguia-se um porco pronto para ser cortado, outro assado e outro besuntado.
Olha que em todas as procissões de casamento, nos funerais, e não sei que mais, são sacrificados os pobres e inocentes porcos.
Seguiam-se carros cheios de fruta – presentes aos deuses como suponho.”

Macau. 1832.
Gravura de W. Floyd  dum desenho de  W. Purser. Colorido à mão. (2)

(1)  Segundo Padre Teixeira (1) esta procissão seria a “festa anual de T´in Hau” (天后/Mazu/A Má), Imperatriz do Céu Deusa dos Mares/Pescadores, protectora dos pescadores e dos navegantes que ainda hoje em Hong Kong se celebra em Agosto, assistindo até o governador”. (TEIXEIRA, Padre Manuel – Macau no Séc. XIX visto por uma jovem americana, 1981, p. 38/39.
A Procissão/Festival em honra a T´in Hau – 天后, em Hong Kong, desde 1963, celebra-se no 23.º dia do 3.ª mês lunar do ano (entre finais de Março e Maio dependendo do calendário lunar).
T´in Hau é a protectora do Pagode Da Barra e de grande devoção dos pescadores de Macau.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-tin-hau-coloane/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-tin-hau-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-tin-hau-taipa/
(2) Esta mesma pintura já foi apresentada em anterior postagem com a indicação de “Macau, 1935”
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/04/06/quadros-19th-century-macau-prints-iv-pintura-de-auguste-borget-e-robert-elliot/
Esta indicação “Macao, 1832” retirei-a de:
http://www.antique-prints.de/shop/catalog.php?list=KAT08&seg=2 

Pagode Chinese située à l´entrée du Port de Macao (1)

Desenho de Chrétien-Louis-Joseph de Guignes (1759-1845), filho do orientalista/sinólogo Joseph de Guignes (1721-1800), publicado no livro:
Voyages a Peking, Manille et l’Île de France faits dans l’intervalle des années 1784 à 1801” (2)
Chrétien-Louis-Joseph de Guignes era conhecedor de várias línguas asiáticas incluindo o chinês (fluente em cantonense e mandarim, escrito e falado) (3) Em 1783 fixou residência na China onde ficou até 1797, e foi cônsul da França em Cantão (Guangzhou) de 1783 a 1787. Em 1794-95, foi contratado como intérprete da embaixada de Isaac Titsinghonhis, embaixador holandês, numa viagem pelo império chinês de Cantão a Pequim para se apresentar na corte do Imperador Qianlong que o convidou para estar presente nas comemorações do seu 60.º reinado. A embaixada foi recebida no Yuangmingyuan (Palácio de Verão) e ficou conhecida por ter sido a última visita de europeus a este Palácio já que os estrangeiros foram posteriormente expulsos da China e o Palácio foi destruído (melhor dizendo saqueado) em 1860 pelas tropas anglo francesas.
Esta viagem, conforme afirma o autor, foi traçada seguindo um mapa de viagem de Cantão para Pequim elaborado pelos jesuítas.

Prefácio do I Volume, p. XIV

Chrétien-Louis-Joseph de Guignes terá estado cerca de 10 anos em Macau.

Volume I, p. 356

O livro pode ser consultada em:
https://archive.org/stream/voyagespkingman01guiggoog#page/n7/mode/2up
(1) http://www.cca.qc.ca/en/collection/877-voyages-a-peking-manille-et-l-ile-de-france
(2) Publicado em Paris em 1808, em três volumes. No primeiro volume apresenta uma história sumária da China e o início da crónica da viagem para Pequim. No segundo a viagem para Pequim, estadia e retorno a Cantão. No terceiro volume as suas observações da vida quotidiana da China de 1783 a 1797. É neste terceiro volume que faz mais referências a Macau nomeadamente uma história sumária das relações desta cidade com os ingleses, franceses, holandeses e chineses.
Anexo aos 3 volumes, uma colecção de chapas contendo cerca de uma centena de desenhos: templos, pagodes, pontes, barcos, jardins, festivais, funerais, túmulos, santuários vestimentas, notas musicais, mapas etc.
(3) Autor do dicionário DE GUIGNES C.-L.-J. (1813) – Dictionnaire Chinois, Français et Latin, le Vocabulaire Chinois Latin. Paris: Imprimerie Impériale.

Artigo de Jaime do Inso publicado no «Jornal de Macau» do dia 16 de Abril de 1931 e republicado no Boletim Geral das Colónias, acerca da possibilidade de se instalar em Lisboa, o pavilhão de Macau (fachada: templo da Barra – Á Má) que esteve presente na Exposição Ibero-americana de Sevilha (1929)
Ver anterior referência a este pavilhão
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/07/20/leitura-macau-na-exposicao-ibero-americana-de-sevilha-1929/

Três fotos (infelizmente com fraca impressão) publicados na imprensa escrita em 1921

Edifício do Leal Senado da Câmara de Macau
Teatro D. Pedro V e Club de Macau
Pagode da Barra (Má – Kóc – Miu)

Templo da Deusa À-Má
(Templo da Barra – Ma-Kok-Mio)
Porta do Cerco
Avenida da República

Por postura do Leal Senado de 20 de Outubro de 1883, se torna proibido praticar os seguintes actos contrários à boa ordem e ao bem estar dos moradores de Macau:
Queimar fogo de artifício, foguetes e panchões «durante as horas mortas da noite»; fazer cantos e toques festivos ou fúnebres – hábito chinês – durante «noutes seguidas e a deshoras».
Consideram-se horas mortas, entre as 11 da noite e as 7 da manhã.
São excluídos da disposição os festejos executados nos seis templos chineses (Barra, Bazar, Patane, Sankiu, Mong Há, e Istmo da Porta do Cerco). Também constitui excepção e estão, portanto autorizados os festejos consecutivos por 3 noites sucessivas no Ano Novo Chinês e a noite de véspera do Ano Novo Cristão.
Em noites de teatro nos Bairros Chineses pode-se queimar fogo de artifício e panchões. Quando houver lugar, dentro da cidade, a «Auto de Pao» (bonifrates), a representação em determinada época do ano é aceite como manifestação cultural chinesa, mas deve cessar à meia-noite. (1)
(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3., 1995