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Programa / Catálogo com 12 folhas (5 folhas – 9 páginas em português, 5 folhas – 9 páginas em chinês e 2 folhas com anúncios em chinês), agrafadas, da “SEMANA DE CULTURA CHINESA”, realizada de 30 de Setembro a 8 de Outubro de 1985, e editada pelo Instituto Cultural, com a colaboração do sector publicitário e cultural da Firma Nam Kwong, Livraria Seng Kwong, Ma Man Kei, Chui Tak Kei e “Southern Film Co.”

CAPA: 25 cm x 24,2 cm

No dia 30 de Setembro foi a inauguração no Teatro Alegria, pelas 20.00 horas, com a apresentação do Grupo de Música e Dança de Cantão que actuaram também nesse teatro, com o mesmo programa, nos dias 1 e 2 de Outubro de 1985.

Extraído de «BGM», IX- 42 de 21 de Setembro de 1863, p. 172

A Rua da Barca começa na Estrada de Adolfo Loureiro junto da Rua de Francisco Xavier Pereira e termina na Rua de João de Araújo, em frente da Rua da Pedra.

Luís Gonzaga Gomes escreveu em 18-05-1942 (1) o seguinte:   “Mas qual será a origem toponímica desta extravagante nomenclatura em sítio onde não existem vestígios de ponte (Travessa da Ponte Nova) ou de barcas (Rua da Barca). A necessidade de conquistar o terreno por meio de expropriações e de aterros, para construção de novas e espaçosas vias, e o consequente aformoseamento da cidade fizeram desparecer o que havia de mais pitoresco em certos lugares tipicamente chineses cuja existência é, no entanto, ainda recordada nos nomes por que são designadas certas ruas. Ora, uma das áreas consideradas das mais perigosas para a saúde da população da cidade era a que ficava em volta do Templo de Lin K´ai. (蓮溪廟). (2) É ela conhecida pelo nome de Sân- K´iu  (新桥) que significa – Ponte Nova – e um das ruas que serve esta zona é denominada Tôu- Sun-Kái, (渡船街) isto é, a Rua dos Tôu, ou das Barcas.

Se pudéssemos voltar algumas dezenas de anos atrás, isto é, antes da drenagem e do aterro desta zona, teríamos visto na realidade uma ponte de pedra, colocada entre as actuais ruas de João de Araújo e da Pedra. Esta última, chamava-se assim porque era ali que vivia um grupo de operários chineses dos mais pobres, cujo mister consistia no trabalho de lapidação de blocos de granito, utilizados em obras de cantaria ou na de pavimentação de lajeados. Quanto à ponte, foi esta primitivamente construída com bambus, mas como este material se deteriorava, obrigando a constantes reparações, substituíram-na mais tarde, por uma de pedra, custeada a expensas dos moradores do referido bairro. A ponte era imprescindível porque sem ela não lhes seria possível ir até ao Templo de Lin- K´âi venerar as divindades da sua devoção, visto o local onde se encontravam edificada tal casa de culto estar separada da outra margem por um riachozinho. (Regato de lótus)

Esta derivação do braço do delta que banha o Porto Interior, entrava na zona de Sân- k´iu nas alturas do edifício onde funcionou o Cinema U-Lók (娛樂) e, serpeando até ao templo onde formava um largo charco, seguia depois em direcção à antiga aldeia de Mong Há, através das ruas da Barca e da Ressurreição, para ir ligar – se outra vez ao delta, depois de ter regado com as suas barrentas águas a entrada do convento budista de P´ôu Tchâi-Sim-Un (普濟禪院) .(3)

Como a ponte não bastasse para o grande movimento das pessoas que por ela diariamente transitavam, muitos moradores deste bairro, para entrar na cidade, tinham de fazer a travessia do riacho em tán-ká (tancá) que nesse tempo costumavam varar em grande número nas duas margens. Ora, nessa época as estâncias de madeira e os estaleiros chineses estavam também instalados nesse local e, como ainda não existiam barcos a vapor, foi esse o período da sua maior prosperidade. Por isso, inúmeros tôu da navegação costeira entravam constantemente nesses estaleiros a fim de sofrerem as beneficiações de que careciam para o prosseguimento das suas viagens. Os chineses passaram então a chamar Tôu-Sun-Kái à rua que servia esses estabelecimentos e este nome passou para o português na sua tradução da Rua da Barca.” (1)

(1) GOMES, Luís Gonzaga – Curiosidades de Macau Antigo. ICM, 1996, ISBN-972-35-0220-8, pp. 41/42

(2) Templo Lin Kai  (蓮溪廟), na Travessa da Corda n.ºs 25-31 está  situado ao lado do Cinema Alegria do Bairro San Kio. Antigamente, havia um riacho chamado Lin Kai (Regato Lótus) que passava por Bairro San Kio. O templo foi fundado à margem direita do riacho, sendo denominado Templo Lin Kai. Este templo foi construído em 1830 e, mais tarde, os habitantes locais reuniram fundos para reconstruí-lo e ampliá-lo, o que aconteceu entre 1875-1908. Desde então o templo tem sido conhecido por “Templo Novo de Lin Kai” e é dedicado a 15 Deuses e deusas. Ver: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-de-lin-kai/

(3) Templo de Pou Chai Sim Un (普濟禪院), também conhecido por “Templo de Kun Iam Tong”, na Avenida Coronel Mesquita. Ver: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/03/26/postais-macau-artistico-vi/

CAPA
Programa (27,5 cm x 14,5 cm) foi impresso na Tipografia Welfare Co. – Macau

Actuou em Macau de 4 a 8 de Maio de 1984, o Grupo Acrobático de Guangdong (Cantão) – 中國廣東 雜技團,(1) fundada em 1951, a convite do Sr. Chiu Iu. Creio que os espectáculos foram no Teatro Alegria. Era a 3.ª vez que o Grupo se deslocava a Macau sendo as anteriores actuações nos anos de 1959 e 1960

(1) 中國廣東 雜技團mandarim pīnyīn: zhōng guó guǎng dōng zá jì tuán; cantonense jyutping: zung1 gwok3 qwong2 dung1 zaap6 gei6 tyun4

A paixão pelo cinema desde miúdo levou-me a ver, quando era possível e o dinheiro chegava, todo o tipo de cinematografia. E da minha avó herdei o gosto pelos “filmes de Hong Kong” predominantemente cantonense das décadas de 50 e 60 que passavam principalmente nos teatros que frequentava, “Oriental” e  “Cheng Peng” (menos o “Alegria”).
E sem dúvida um dos ídolos deste cinema é (era) o actor LAM KA SING
Lembrei-me dele ao ter encontrado este recorte no meu dicionário escolar.
林家聲   Lam Ka-Sing  (aliás Lam Kar-Sing, Lam Ga-Sing)
Actor/cantor de ópera chinesa (cantonense, em Macau conhecido como “Auto China“)), Lam Ka-Sing nasceu em Hong Kong, em 1933 (nome de nascimento Lam Man Shun) e faleceu em Hong Kong a 5 de Agosto de 2015. Com a família foi para Guangzhou (Cantão) durante a ocupação japonesa de Hong Kong, na II Guerra Mundial. Aí estudou ópera cantonense (canto e representação). (1) Após a Guerra, regressou a Hong Kong continuando a aperfeiçoar-se. Iniciou a carreira de actor em cinema no filme “Prostituting to Raise the Orphan”, em 1947. Fez cerca de 301 (o último em 1967). Actuou em numerosas peças teatrais (formou a sua própria companhia de ópera cantonense – a última «tournée» em Hong Kong e Estados Unidos foi em 1993, tenho fixado a sua residência em Canadá após esta data). Regressou a Hong Kong em 2009. Em 2010 foi agraciado como Doutor Honorário pela «Hong Kong Academy for Performing Arts» e em 2012 recebeu a «Silver Bauhinia Star» (2)
Alguns actores/actrizes deste tipo de ópera chinesa, de Hong Kong, eram muito populares em Macau por isso actuavam neste território, em espectáculos no Teatro Cheng Peng ou (muitas vezes) em palcos improvisados e montados para as festas por exemplo (por mim presenciados) nas comemorações anuais do Templo de Deus da Terra (na Horta da Mitra – Cheok Chai In) (3) ou em espectáculos para angariação de fundos para associações ou auxílios aos pobres. (4)
O exemplo é esta fotografia tirada no Teatro Cheng Peng e publicada no Boletim Geral do Ultramar, em 1956, onde a «estrela» Hung Sin Nói (5) e o «galã» Iam Kim Fai (6) (actriz que fazia quase sempre o papel masculino, aliás muito vulgar na ópera cantonense) estavam em Macau, numa das suas digressões que as companhias de ópera chinesa (algumas exclusivamente de actrizes)  faziam à China, e outros países com comunidades cantonenses.
(1) Ópera Cantonense (粵劇) é uma da óperas chinesas originária do Sudeste da China, na província de Guangdong , muito popular nesta província e em Guangxi nas comunidades chinesas de Hong Kong (onde tem uma escola superior desta arte), Macau e no sudeste asiático. É uma arte tradicional chinesa bastante complexa envolvendo música, canto, artes marciais, acrobacia e representação. Existe dois géneros principais da ópera cantonense: a MOU (武, “artes marciais”) focando os aspectos da guerra, com personagens guerreiras (generais e soldados), e envolvendo cenas/acções da guerra com armamento e armaduras; a MAN (文, mais clássica), envolvendo a cultura chinesa – poesia, literatura.
粵劇 – mandarim pīnyīn: yuè jù; cantonense jyutping: jyut6 kek6
(2) http://www.scmp.com/news/hong-kong/education-community/article/1846733/cantonese-opera-master-lam-ka-sing-dies-hong-kong
A Filmografia deste actor de 1947 a 1967  (301 filmes) em:
http://hkmdb.com/db/people/view.mhtml?id=1332&display_set=eng
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/02/27/noticia-de-27-de-fevereiro-de-2017-tou-tei-o-deus-da-familia/
(4) Há descrições de palcos improvisados para a ópera chinesa por exemplo um que se “montou” nos terrenos das corridas de cavalos (actual, canídromo) entre 1935-1942 e que colapsou ao fim de 5 dias. O Teatro chinês “Cheng Peng” (7) durante a guerra no Pacífico tinha frequentemente ópera chinesa com os artistas de Hong Kong e Guangdong fugidos da ocupação japonesa. Consta-se que os melhores cantores eram bem pagos (para aquele período) e a mais conhecida Tam Lan Hing –譚蘭卿 (8) que chegou a Macau em 1942 (e diziam as más línguas de Macau que “engordou” no período da guerra) ganhava “um tael de ouro por um dia de actuação
https://en.wikipedia.org/wiki/Yam_Kim-fai
Hung Sin Nui em 1956 no filme “The Peach-Blossoms Are Still in Bloom”
(5) Hung Sin Nui 紅線女 (1924-2013) aliás Hong Sin-loi, Hong Xian-nu – uma das  grandes estrelas da ópera cantonense e actriz de cinema na China e Hong Kong (106 filmes)
Filmografia e biografia em
http://www.hkmdb.com/db/people/view.mhtml?id=1365&display_set=eng

(6) Yam Kim Fai 任劍輝 – Ren Jianhui (1913-1989) actriz /cantora da chamada nova ópera cantonense. Filmes desde 1937 a 1968 num total de 300 filmes onde na maioria actuou em papéis masculinos.
Filmografia e biografia  em:
http://www.hkmdb.com/db/people/view.mhtml?id=499&display_set=eng
(7) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2011/12/28/cinemas-de-macau-i/

(8) 譚蘭卿  Tam Lan Hing   aliás Tam Shui-Fan (1908 – 1981)
Filmografia (1935-1969 – 187 filmes) e biografia em:
http://hkmdb.com/db/people/view.mhtml?id=133&display_set=eng

Esteve em Macau no princípio do mês de Agosto de 1985 para uma série de concertos realizados no Teatro Alegria, o «Grupo de Música de Cantão».
NAM VAN n.º15 1985 - Concerto Teatro Alegria IO «Grupo de Música de Cantão», resultou de uma fusão do «Grupo de Música Popular de Cantão» e do «Conjunto de Música Oeste de Cantão», e tem-se empenhado, desde a sua fundação, ocorrida em 1958, na promoção da música de Cantão e de Guanxi nas suas formas mais tradicionais.
NAM VAN n.º15 1985 - Concerto Teatro Alegria IIO grupo actuou em Macau com dez músicos, durante duas horas e sempre do agrado do público que se deslocou ao Teatro Alegria, sendo de destacar as actuações dos seus mais reconhecidos artistas, nomeadamente Wong Siu Mui, Lai Tam Hong e Ieong Tat.
Retirado de «NAM VAN n.º 15, 1985»

Filme “promocional” de um dos grupos que apareceram em Liverpool, na década de 60, na sequência do êxito de  “The Beatles” e do filme “A Hard Day´s Night” – «Gerry and the Pacemakers», um dos grupos do chamado “Merseybeat bands“. Surgido em 1962 o grupo terminou em 1966 embora depois, reformulado por Gerry em 1974 para actuações.

Filme pouco relevante, de 1965, a preto e branco, e apesar de ter sido anunciado como filme musical (Título em Macau: «Filme musical – “THE PACEMAKERS”») é somente um filme com músicas do grupo «Gerry and The Pacemakers”». A canção mais conhecida dá o título do filme “Ferry cross the Mersey”, composto por Gerry Marsden em 1964. Uns dos produtores do filme era o Brian Epstein (manager de “The Beatles” e deste grupo))

Estreado em Macau no dia 19 de Abril de 1966.

Teatro Nam Van - 1965 - Ferry Croos the Mersey

O próprio argumento é muito sucinto:
“A história deste filme baseia-se no falado conjunto musical “The PACEMAKERS” formado pelos irmãos Gerry e Fred Maraden” (engano: Gerry e Fred Marsden -baterista, falecido em 2006).
Este conjunto musical adquiriu fama começando por tocar no “CAVERNS CLUB” um dos mais conhecidos e frequentados clubes de Liverpol.
Dodie a namorada de Gerry resolve promover um festival musical cujo fim é escolher e classificar o melhor conjunto de Liverpool.
Após uma “luta renhida entre vários conjuntos os “PACEMAKERS” são detentores da taça

Teatro Nam Van - 1965 - Ferry Croos the Mersey verso

Gerry Marsden compôs 9 canções para o filme, onde também participa Cilla Black (cantora inglesa conhecida pela canção “You´re My World” – 1964), Jimmy Savile (famoso DJ inglês, na época,  mas que posteriormente, após a sua morte em 2011- «julgado como criminoso sexual – abuso sexual de crianças“), George Martin (produtor de “The Beatles”) e alguns conjuntos do Merseybeat.

Trailer do filme em:
https://www.youtube.com/watch?v=k-d0xUXdzoY
http://www.dailymotion.com/video/x45rat_ferry-cross-the-mersey-gerry-the-pa_music

Gerry ficou também celebrizado pela canção “You´ll Never Walk Alone”, canção adoptado posteriormente pelos adeptos do Liverpool para apoiar a equipa nos jogos.
https://www.youtube.com/watch?v=OV5_LQArLa0

NOTA: anos depois (talvez, 1969) vi este filme pela 2.º vez no Teatro ROXY, (1) numa «matiné» (16H00 ???), “por engano”, pois no jornal chinês anunciava “um filme musical com quatro cantores «malucos» de Liverpool” e eu pensei ser o filme “A Hard Day´s Night” de “The Beatles”

High Wind in JamaicaBREVEMENTE: “A high Wind in Jamaica”, (1965), filme baseado na novela do mesmo nome, «Tempestade na Jamaica» (uma história de piratas) foi dirigido por Alexander Mackendrick para os estúdios da «20th Century-Fox , com Anthony Quinn, James Coburn, Deborah Baxter, Gert Frobe.http://en.wikipedia.org/wiki/A_High_Wind_in_Jamaica_(film)

Uma nota de curiosidade, em Macau este filme esteve anunciado nos folhetos como BREVEMENTE durante meses, creio que só foi estreado em Agosto de 1966.
Trailer em
http://www.imdb.com/video/screenplay/vi3852928281.

(1) Teatro Roxy, desactivado em 1970-71 e depois o edifício foi demolido; estava na Rua Ribeira do Patane. Era considerado um grande «cine-teatro» com capacidade para 1005 lugares.(Os outros quatros maiores que o «Roxy» eram o «Teatro Nam Van».«Teatro Alegria»(não sei se ainda mantém os 1160 lugares que tinha inicialmente), «Teatro Apollo» e o «Teatro Oriental»). Passava filmes chineses sobretudo de Hong Kong e nas chamadas “matinés“, filmes americanos/ingleses já anteriormente estreados noutros cinemas.