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Iniciam-se, hoje, as corridas constantes do 67.º Grande Prémio de Macau que neste ano, devido á situação sanitária de Macau, (1) ficaram muito reduzidas (com um programa de somente 5 corridas somente em três dias, 20 a 22) (2) e sem a presença de muitos dos mais conceituados condutores e marcas das diferentes modalidades.

Uma das corridas canceladas é a prova de motos por isso recordando antigas corridas, desta modalidade, apresento cinco fotografias (infelizmente não datadas e com poucas condições de conservação) de uma das corridas de moto (de finais da década de 60 ou princípios dos anos 70). De interessante serem fotos pessoais de um dos percursos do circuito pouco fotografados durante as provas – a Estrada de Cacilhas – á frente dos actuais prédios n.º 7 e n.º 9. (esta última, no lugar onde era a casa dos meus pais).

Ao fundo, o Miradouro de Nossa Senhora de Mar, à direita as três “vivendas” da STDM (nomeadamente para a permanência do Stanley Ho quando vinha a Macau, nos primeiros tempos da STDM, constituída em 1962), (3) (à esquerda a “guarita” de madeira construía pela STDM, para a vigilância (a PSP fazia guarda nas 24 horas, quase sempre por polícias trabalhando em horas extraordinários)

À esquerda, uma saliência à estrada (ainda hoje existente) obra da STDM que alisou e cimentou parte do monte que exista atrás do muro para fazer parque de estacionamento para frota dos carros dos seus gerentes e convidados para as festas. Nos dias de grande prémio, com o circuito “fechado”, servia para colocação dos carros rebocados “avariados” ou  “acidentados” – na foto uma mota e um carro.

No inferior direito, o muro da casa n.º 9

(1) De forma a assegurar que o evento decorra com as condições de segurança, a comissão organizadora implementou um número de medidas de prevenção epidémica. Como por exemplo a obrigatoriedade de quarentena de 14 dias à entrada em Macau, e redução dos lugares para o público de 14.000 para 10.000.

 (2) O 67º Grande Prémio de Macau será realizado de 20 a 22 de Novembro. O programa inclui cinco corridas: Grande Prémio de Macau de Fórmula 4, (a substituir a de Fórmula 3), Taça GT Macau, Corrida da Guia Macau, Taça de Carros de Turismo de Macau e Taça GT – Corrida da Grande Baía. https://www.macau.grandprix.gov.mo/pt/news/event/1553

(3) Após a compra à família da vivenda do alferes Luís (n.º 7 da Estrada de Cacilhas), a STDM, acrescentou num dos terrenos do lado, um prédio com garagem que serviu para, nesses primeiros anos, estacionamento dos automóveis de corrida utilizados por Teddy Ip (1913-2003) – um dos sócios da STDM – grande impulsionador do Grande Prémio de Macau e piloto participante, na década de 50 (século XX). https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/teddy-ip/

Foi assinado, no dia 23 de Abril de 1976, entre o Governo de Macau e os representantes da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (S.T.D.M.), um novo contrato para a exploração dos Jogos de Fortuna e Azar, após os trabalhos de estudo iniciados em 5 e Dezembro de 1975 de maneira a salvaguardar os interesses da comunidade.
À  S. T. D. M. foi adjudicada a exploração do Jogo em Macau, no ano de 1962, através de um contrato firmado entre os seus delegados e o Governo do território, tendo sido cessada a última revisão do contrato em causa em 1972, que terminaria em 1977, pelo que a presente revisão, entrou em vigor com a antecipação de uma ano.

Momento da leitura das cláusulas do novo contrato

De acordo com as novas cláusulas, a S.T.D.M. passou a pagar a renda anual de 30 milhões em dólares de Hong Kong sendo que as obrigações anuais passariam a mais de 80 milhões anuais, contra os 9  milhões do contrato que terminava.
Foram também integradas no novo contrato cláusulas referentes aos investimentos que a Concessionária seria obrigada a realizar como participação no desenvolvimento económico de Macau, ficando estipulado que o montante anual seria de 30 milhões de dólares de Hong Kong.
– Aumento do capital social da Companhia de Electricidade de Macau no valor de 100 milhões
– Construção de um complexo de estaleiros navais em associação com as Oficina Navais e a obrigação da S.T.D.M. mandar executar nas Oficinas Navais os trabalhos de conservação e reparação das suas embarcações, mantendo ainda a antiga obrigação contratual de dragar os canais dos portos interior e exterior. No entanto permitia ao Governo contratar outras empresas especializadas para a realização de trabalhos que a S.T. D. M. não pudesse cumprir, correndo as despesas por conta da Concessionária.
– Construção dum terminal marítimo no Porto Exterior, mantendo a obrigação de sanear e urbanizar os aterros do porto Exterior, suportando a S.T.D.M. o encargo de indemnizar e alojar 200 famílias por ano.
– Fomento das indústrias transformadoras excepto têxteis.
– Criação de empresas de utilidade pública.
– Construção de infraestruturas do território.

Um aspecto da assistência à cerimónia da assinatura do novo contrato

Ficou, igualmente, estipulado que tanto o valor da renda como o montante dos investimentos seriam revistos, anualmente, face à evolução dos lucros brutos da empresa.
Para tanto, a Inspecção dos Contratos dos Jogos tinha o cargo de fiscalização das receitas ilíquidas cobradas pela empresa de modo a que o Governo pudesse ter conhecimento do movimento financeiro da exploração.
Para além dos pagamentos da renda e dos investimentos, em moeda de Hong Kong, a S.T.D.M. foi obrigada a contribuir para o equilíbrio cambial da pataca, pondo também à disposição da Companhia de Electricidade de Macau (CEM), a importância necessária, na mesma moeda, para que esta empresa pudesse liquidar os seus compromissos com o exterior.

O Governador, Coronel Garcia Leandro assinando o documento do novo contrato

Quintuplicava o rigor das penalidades, traduzidas em multa, a que a S.T.D.M- se sujeitaria caso não cumprisse as leis e as cláusulas do contrato.

Stanley Ho, Administrador-delegado da S.T.D.M. assinando o documento do novo contrato

No capítulo do Turismo, a empresa concessionária obrigava-se a realizar a propaganda turística de Macau, de acordo com as directrizes do Centro de Informação e Turismo Centro além de impender sobre a mesma a obrigação de realizar, quinzenalmente, espectáculos de variedades, atracções e diversões de bom nível artístico, além de organizar anualmente, exposições, espectáculos e provas desportivas.

Teddy Hip, um dos directores da S.T.D.M., apondo a sua assinatura novo contrato

Nesse ano o capital social da STDM, que era de 3 milhões foi aumentado para uma importância nunca inferior a 80 milhões sendo o depósito da caução para garantia do cumprimento do contrato elevado para 10 milhões
Extraído de «MBIT», XI-1/2, 1976.

Notícia publicada no «Boletim Geral do Ultramar» de 1964 (1)

Uma foto tirada do Quartel da Guia em 09-12-1964, a ponte cais do Porto Exterior e o P/V Macau» (2)

Quando a “Sociedade de Turismo e Diversões de Macau – S.T.D.M.” ganhou a concessão exclusiva de exploração de jogo em Macau nos anos 60 do século XX, assumiu também a gestão da Ponte-cais n°16 para dinamizar o transporte marítimo no Porto Interior principalmente as ligações com Hong Kong. Mas o rápido desenvolvimento do território com a introdução dos “hidroplanadores”e a modernização dos navios até então existentes ( a STDM possuía o “Fat Shan”) exigiu que as ligações marítimas com Hong Kong passassem a ser no Porto Exterior onde se construiu uma Ponte-Cais, precisamente onde havia a rampa de subida dos primeiros hidro-aviões de Macau e sensivelmente na mesma direcção do Hangar Militar.

Anúncio de 1966

O navio P/V «Macau» foi construído em 1931 (inicialmente movido “a carvão”) com o nome de «Princess Margaret» para operar nos portos do Reino Unido. Tinha um peso de 2523 toneladas, 99m de comprimento, velocidade de 20,5 nós e podia transportar cerca de 1250 passageiros. Em 1952 passou a usar “óleo” e foi vendido em 1962 à «Shun Tak Shipping Co. Ltd.», pertencente a Stanley Ho, passando a chamar-se «P/V Macau».
Terá terminado em meados a final dos anos 80s (ainda viajei numa viagem nocturna com partida às 23h00 e chegada a Hong Kong às 6H00, numa “camarata” com camas de beliche, em 1984)
Sobre o transporte marítimo dos anos 60s para Hong Kong, recomendo a leitura dos artigos escritos pelo meu colega do liceu, Jorge Bastos: “Os antigos «ferries» Macau-Hong Kong, dos anos 60s”, disponível em:
https://cronicasmacaenses.com/2013/04/03/os-antigos-ferries-macau-hong-kong-dos-anos-60s-por-jorge-basto/
(1) «BGU»  – XL 473/474, 1964.
(2) Repetição duma fotografia do meu álbum, já publicada em anterior postagem:
https//nenotavaiconta.wordpress.com/2014/12/09/noticia-de-9-de-dezembro-de-1964-fotos-do-porto-exterior/

Entrevista em exclusivo com o “patrão” de Macau, Stanley Ho, dada ao jornalista José Pedro Castanheira em 1987, num dos escritórios do casino do Hotel Lisboa e publicada no “O Jornal Ilustrado”, suplemento da edição n.º 627 de “O Jornal” de 27 de Fevereiro a 5 de Março de 1987.

Algumas das frases mais chamativas:
“Se Macau prospera, eu também”
“Gostaria de ver mais mudanças em Portugal sobretudo na legislação laboral”
“Preferia um Governo maioritário”
“Volume de negócios? Não posso dizer!
“No Casino Estoril só temos tido trabalho, problemas e alguns pedidos de ajuda”
Ver anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/stanley-ho/

No dia 2 de Abril de 1982, o Governador de Macau,  contra-almirante Almeida e Costa  presidiu à cerimónia de imposição a  Stanley Ho das insígnias de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, com que foi agraciado pelo Presidente da República Portuguesa, general Ramalho  Eanes.
macau 82 -jornal do ano - Comendador Stanley HoA cerimónia, realizada no Palacete de Santa Sancha, assistiram os membros do Governo, o Presidente da Assembleia Legislativa, Dr. Carlos d´Assumpção e algumas entidades  do território, que participaram, em seguida, num jantar oferecido pelo contra-almirante Almeida e Costa.
A comenda foi concedida em Abril de 1881 ao administrador-delegado da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), pelo Presidente da República, na sua qualidade  de Grão-mestre das Ordens Honoríficas Portuguesas.
Notícia e foto de ” macau 82 – jornal do ano, primeiro semestre. Edição do Gabinete de Comunicação Social, Outubro de 1982.

Sobre Stanley Ho e a S.T.D.M., referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/stanley-ho/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/stdm/

MACAU B.I.T. VIII-11-12 1973 VÉSPERA DO ANO NOVO IVéspera do Novo Ano Lunar, no ano de 1973 – Ano do Boi, a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau ofereceu um lauto jantar a numerosos convidados, portugueses e chineses no dia 2 de Fevereiro de 1973, no restaurante «Portas do Sol» do Hotel Lisboa.
MACAU B.I.T. VIII-11-12 1973 VÉSPERA DO ANO NOVO IIO Governador e Esposa dão entrada no Restaurante «Portas do Sol», do Hotel Lisboa,acompanhados pelos anfitriões, Henry Fok, Stanley Ho e Teddy Ip,

MACAU B.I.T. VIII-11-12 1973 VÉSPERA DO ANO NOVO IIIMesa de honra do  jantar

MACAU B.I.T. VIII-11-12 1973 VÉSPERA DO ANO NOVO IVMACAU B.I.T. VIII-11-12 1973 VÉSPERA DO ANO NOVO VNa altura dos brindes falaram os Comendador Henry Fok, Presidente do Conselho de Administração da Empresa e Comendador Stanley Ho, Administrador delegado, o primeiro em chinês e o segundo em português tendo apresentado à consideração dos presentes os planos e as realizações da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau,relacionados com o desenvolvimento turístico da e Macau.
Do discurso de Stanley Ho:
Os meios marítimos entre esta Província e Hong Kong  continuam na agenda dasnossas preocupações. Com a chegada do vapor «Nam Shan», e, Agosto do ano findo, e dos «hydrofoils» «Balsa», «Cacilhas» e «Barca», a frota que esta sociedade traz ao serviço das carreiras diárias passou a ser de 7 «hydrofoils» e 5 barcos do tipo clássico.
Contudo, ainda antes do próximo Ano Novo Lunar teremos mais um vapor, o «Lou Shan» , e dois novos «hydrofoils» do tipo PT75, encomendados da Itália e Inglaterra.
Ordenamos também dos Estados Unidos,, ao preço de 24 milhões de patacas, um «jetfoil» Boeing, o qual, a partir de Junho de 1974, cobrirá a distância entre Macau e Hong Kong em apenas 45 minutos. A lotação deste «jet-foil» é de 284 lugares.
Dado ao aumento da frota, a ponte-cais do Porto Exterior terá de ser beneficiada em extensão, com um acréscimo de cerca de 116 metros, para permitir a atracção simultânea de 4 «ferries».
Os trabalhos com o saneamento e urbanização dos aterros do Porto Exterior vão iniciar-se em ritmo acelerado, tudo indicando que muito em breve disporá Macau de novos terrenos para construção, ao mesmo tempo que receberá nessa zona tão importante a fisionomia própria dos modernos centros urbanos.
O Hotel Lisboa foi aumentado em 55 quartos, ficando agora com um total de 400 quartos, enquanto outros 200 estão em construção. Assim em meados de 1974, este moderno e luxuoso hotel que continua a ser umas das atracções de Macau funcionará com 600 quartos.
O nosso  edifício «Tudima» está a ser adaptado a estabelecimento hoteleiro de nível turístico. Chamar-se-á «Hotel Sintra» e terá 200 quartos, além de 70 apartamentos residenciais…. (…)
MACAU B.I.T. VIII-11-12 1973 VÉSPERA DO ANO NOVO VINo fim , o Governador General José Manuel Nobre de Carvalho proferiu o discurso de agradecimento.
Reportagem não assinada e fotos retirados de «MACAU Boletim de Informação e Turismo, 1973».

A propósito do Grande Prémio de Macau (a 61.ª edição) que este ano, se realizará de 13 a 16 de Novembro, apresento uma visão dessas “corridas de carros” no circuito da Guia, em banda desenhada, dos princípios da década de 80 (século XX). O álbum original em francês foi publicado em 1983.

BD Encontro em Macau CAPA

Este livro de 1995, com edição em português «Michel Vaillant – Encontro em Macau» foi um número especial de venda conjunta e inseparável com o jornal “AutoSport“. (1)

BD Encontro em Macau Michel VaillantPersonagem da banda desenhada francesa, herói de múltiplas aventuras no grande circo do desporto automóvel (todas as suas aventuras decorrem nas provas automobilísticas desde a fórmula um até ao rallies). Michel Vaillant é piloto da equipa do pai, Henri Vaillant, proprietário dos motores Vaillant usados nessas corridas. O seu irmão Jean-Pierre, é o construtor. A série Michel Vaillant que retrata portanto o mundo do desporto automóvel, é criação de Jean Graton (1.ª aparição em 7 de Fevereiro de 1957, numa revista «Tintin» n.º 433). Nos anos noventa, o seu filho, Philippe Graton passou a colaborar nos argumentos. (2)

BD Encontro em Macau Circuito GuiaSinopse: Enquanto o grande prémio de Macau decorre dentro da normalidade, a equipa Vaillant aproveita o acontecimento para se reunir com um possível parceiro asiático. No entanto, trata-se de uma operação de grande envergadura, a qual deve-se manter “top secret”, para evitar qualquer tipo de vigilância ou de intercepção pela concorrência. Mas, para ganhar os futuros associados, requer uma vitória de dois carros Vaillants no grande prémio e vencer as manobras maquiavélicas de Ruth, que quer a todo o custo obter o contrato milionário! (3)

 

BD Encontro em Macau Teddy IpO autor retrata neste “Encontro em Macau”, uma personagem real, figura que muito contribui para a projecção do Grande Prémio de Macau, Theodore “Teddy” Yip.(4) Entusiasta em corridas já na década de 50, começou a participar nas corridas em Macau como piloto desde 1956 (terminou em terceiro em 1963, com um Jaguar E-Type, no ano que Arsenio Laurel ganhou pela 2.ª vez em Macau). Era proprietário da «Theodore Racing Team» , equipa, que nos anos 70, participou em diversos campeonatos automobilísticos: Indi, Formula 5000, Can Am e fórmula 2. Esta equipa tentou entrada na Formula 1 em 1978 sem grandes resultados (participação numa só corrida). Patrocinou vários corredores em Macau, entre eles, Ayrton Senna que venceu em 1983, o 1.º Grande Prémio de Macau em Fórmula 3.

Referência anterior de Teddy Yip em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/10/estrada-de-cacilhas-i/
(1) GRATON, Jean (texto e desenhos) – Michel Vaillant, Encontro em Macau. 2005.
Tradução de «Rendez-vous à Macao», de 1983, publicado pela “Graton éditeur”, (editora criado pelo próprio em 1982). A 1.ª edição em português foi editada pela Meriberica/liber em 1984, republicada no Jornal da BD e posteriormente Álbum Auto Sport (2005)
A colecção Michel Vaillant é editada em Portugal por Criativos – Marginália Editora.
(2) http://en.wikipedia.org/wiki/Michel_Vaillant
(3) http://comics-na-web.blogs.sapo.pt/43393.html.
(4) Theodore “Teddy” Ip (ou Yip) 葉德利 (1907-2003), de nacionalidade holandesa (nasceu na Indonésia de pais chineses, na altura colónia holandesa) negociante em Hong Kong a partir dos anos 40. Em 1962 formou com Stanley Ho, Yip Hon e Henry Fok, a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (S.T.D.M.)
Outra referência a Teddy Ip em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/10/estrada-de-cacilhas-i/

Parte do texto retirado do livro escolar de 1970 (autorizado, para cinco anos -1/8/970 a 31/7/975-, por despacho ministerial de 2 de Julho de 1970) “História e Geografia” para o 2.º ano Ciclo Preparatório (1)

História e Geografia MAPA

Macau, também foi antigamente uma ilha; o istmo, agora chamado da Porta do Cerco, formou-se depois.
O território de Macau é de 16 quilómetros quadrados apenas, – com uma população calculada para 1966 em cerca 280 000 pessoas o que dá a espantosa densidade de 17 500 habitantes por quilómetro quadrado….(…)
            Muitos dos habitantes vivem em barcos, no porto de Macau.

História e Geografia SAMPANAS

Sampanas no porto de Macau

 A  indústria mais importante é a de roupa e confecções.
Mas há muitas outras: de fogo-de-artifício, de fósforos, de tecidos, etc. As matérias-primas para estas indústrias são importadas.
Em 1966, o total das exportações foi de 690 000 contos.
O primeiro lugar coube aos artigos de vestuário e roupas, com quase 270 000 contos, o segundo ao fogo-de-artifício, com 60 000 contos, seguidos por 21 000 contos de peixe e 43 000 de crustáceos e moluscos, 28 000 de tecidos, 13 000 de calçado, etc.
A importação foi de quase um milhão e meio de contos.

História e Geografia HIDROAVIÃOHidroavião da carreira de Hong Kong, na rampa em frente ao Hangar do Porto Exterior (2)

O turismo é uma grande fonte de receita. Com efeito, Macau é visitada por muitos orientais e europeus que aí fazem seus negócios e se distraem…

(1)   FERNANDES, Maria da Graça Lameiras; SIMÕES, Manuela Lobo da Costa; FREITAS, Gustavo de – História e Geografia de Portugal, para o 2.º ano de Ciclo -Preparatório do Ensino Secundário. Porto Editora/ Emp. Lit. Fluminense/Livraria Arnado, 1970, 279 p.

História e Geografia CAPA

(2)   Esta foto será do final da década de 50 ou princípio de 60. A “carreira de Hong Hong” era feita pela “Companhia Limitada de Transportes Aéreos de Macau” (registada em Abril de 1948 por Pedro Lobo e Liang Chang) e era quase exclusivamente ao transporte do ouro, embora pudesse também transportar passageiros, sobretudo nos voos entre Macau e Hong Kong.
Em 1961, as estatísticas indicavam um movimento anual de 48 hidroaviões em Macau, transportando ouro no valor de 305 milhões de patacas. Mas a MATCO (Macao Air Transport Company) estava condenada a desaparecer e mesmo quando foi comprada por Stanley Ho ninguém acreditou na sua viabilidade. Os aviões foram sendo vendidos às companhias da região… (, Luís Andrade de – Aviação em Macau, Um Século de Aventuras. Companhia do Aeroporto de Macau/Gabinete do Aeroporto Internacional de Macau/Livros do Oriente, 1990, 119 p. ISBN 972-9418-07-1)

Esta foto retirada do Anuário de Macau, 1938 (foto entre pág. 72 e 73) (1) , retratando a chegada do “China Clipper” ao “aéreo-porto” de Macau, vê-se a Estrada de Cacilhas (“ao meio” da foto), uma pequena “guarita” no futuro “Miradouro de Nossa Senhora do Mar“, e a vivenda do “alferes Luís”, como era conhecida.
Esta foto, infelizmente com má qualidade, tirada em 9-12-1964, vê-se o Porto Exterior com hortas e “barracas” onde se cultivava as variadas hortaliças e se criava porcos e galinhas; a mesma Estrada de Cacilhas com a vivenda do “alferes Luís” (n.º 7 ) (nessa altura já adquirida pela STDM e conhecida pela casa de Stanley Ho)
A vivenda do “alferes Luís” foi  comprada  pela STDM,  nos finais de 50/princípios de 60, para “instalar” os seus administradores quando se deslocavam a Macau e foi utilizada muitas vezes por Stanley Ho nas suas estadias em Macau. Posteriormente foi “acrescentado”  um prédio no jardim.  A garagem era utilizada por Teddy Ip (um dos administradores da STDM) para guardar  os seus “bólides” durante o período do Grande Prémio de Macau, na altura em que participava como piloto e depois como patrocinador.
No lado direito da foto, vê-se uma casa mais pequena (n.º 9), a casa do Cabo Pereira, o Paioleiro de Cacilhas. O paiol da Estrada de Cacilhas ficava mais á frente, após duas/três curvas.
Notícias de um acidente de trabalho na Estrada de Cacilhas, possivelmente em Junho de 1955 (2) – TRÁGICO DESASTRE”  
“Quando seis operários chineses se encontravam em trabalho de escavação para alargamento da Estrada de Cacilhas, nesta cidade, deu-se um desmoronamento de terra que os soterrou por completo. Das seis vítimas, 4 tiveram morte instantânea, conseguindo-se salvar as outra duas devido ao pronto socorro prestado por oficiais e praças do nosso Exército. Compareceram, pouco depois, no local uma brigada de Bombeiros e outra da P.S.P. Sua Ex.ª o Governador da Província, que visitou o local do sinistro, interessou-se pela condição dos feridos e pelas famílias das vítimas.”.
É de recordar que no ao anterior, em 30 e 31 de Outubro de 1954, se realizaram as primeiras provas do 1.º Grande Prémio de Macau. Estas obras de certeza que faziam parte dos planos para o alargamento do circuito, no troço da Estrada de Cacilhas.
(1) Anuário de Macau, 1938, 7.º Ano de Publicação. Colónia de Macau, Repartição Central dos Serviços Económicos.
(2) «MACAU – Boletim Informativo». Repartição Central dos Serviços Económicos – Secção de Propaganda e Turismo, 1955, n.º 48.

NOTA POSTERIOR (CORRECÇÃO) DE 28-06-2017: O acidente deu-se em Julho (dia 25 ) e não em Junho de 1955.
“25-07-1955 – Um trágico desmoronamento de terra, ocorrido à entrada da Estrada de Cacilhas, em frente do Aquartelamento do Ramal dos Mouros, colheu a vida de quatro operários chineses e feriu outros dois. Sua Exa. o Governador visitou o local do sinistro“.  (Número especial dedicado ao Governador de Macau, comemorando o 4.º aniversário do seu governo. Editado e Publicado pelo Diário “Tai Chung Pou”, Macau, 23 de Novembro de 1955).