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Antigamente, o aviso de aproximação dos tufões, aos habitantes e gentes do mar, era feito com hasteamento de bandeira e com tiros de canhão quando o ciclone caía sobre a cidade. Em 1898, a Repartição da Administração Marítima de Macau começou a adoptar as “Bandeiras do Código Internacional para as Letras”, (1) concebidas pelos Serviços Meteorológicos de Xangai, para informar os cidadãos da vinda e direcção dos tufões. O actual sistema de aviso por código de sinais numerados foi adoptado pela Capitania dos Portos de Macau em 1912, em consonância com os sistemas usados nas zonas costeiras da China e de Hong Kong.(2) 
Mas a adopção dum “signal para indicar a probabilidade de taes temporaes, com uma bandeira “toda branca com um quadrado vermelho no centro” acompanhado “com um tiro de peça”, já é de 1862, com a publicação do AVISO emitido pelo Conselho do Governo no Boletim Oficial de 16 de Agosto de 1862.
Extraído do «Boletim do Governo de Macao» VIII – n.º 37 de 16 de Agosto de 1862
(1)
(2) Retirado do Catálogo “Em Tempo de Tufões” do Instituto Cultural do Governo da RAEM., 2014.
Ver anteriores referências a sinais de tufão em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/sinais-de-tufao/

O recente tufão que atingiu Macau – Hato, foi o mais forte em 53 anos (com rajadas superiores a 200 quilómetros por hora), mas não conseguiu ultrapassar o tufão Ruby, um dos mais severos que afectaram Macau, com os ventos em rajadas de 211 Km/h e que passou por Macau no dia de 5 de Setembro, de 1964. 
“Tufão de grande violência, foi dos mais severos que afectaram Macau. Formou-se a leste do canal de Balintang e entrou em terra entre Macau e Hong Kong. A pressão desceu a 954, 6 mb (715, 9 mm Hg) valor que passou a ser o mais baixo deste século (século XX) durante a ocorrência de tufões. O vento, de grande intensidade, atingiu, em rajada, 211 Km/h, valor este que é o mias elevado que se encontra em registos do Observatório e que se fez sentir logo após um período de calmaria, devido à proximidade do «olho» da depressão tropical. No entanto além de inúmeros estragos, tendo-se declarado um violento incêndio, somente se registou a perda de uma vida.” (1)
Mesmo quanto a perdas de vidas humanas o Hato que, segundo a imprensa, fez dez mortos (e mais de 240 feridos) não ultrapassou o causado pelo Tufão Ellen que atingiu o território na manhã do dia 9 de Setembro de 1983.
Formou-se no Pacífico, atravessou o canal de Balintang e mantendo sempre uma rota orientada para WNW ou NW, passou sobre Macau durante a manhã do dia 9. O Território foi severamente atingido e as rajadas, fortes e persistentes, ultrapassaram os 150 Km/h, mais de uma dezena de mortos, afundamento de vários juncos e enormes prejuízos materiais. O sinal 10 foi hasteado, o que não sucedia desde 1979, e a pressão mínima foi de 963,0 mb.” (1)
Contudo o que causou mais estragos, quer em vidas humanas quer em prejuízos materiais foi o tufão de 1874 (há 143 anos no dia 22 de Setembro próximo). Não havendo na altura a sinalização registada (deveria ter sido de 10), os registos dos elementos disponíveis colhidos indicam no entanto valores inferiores ao do Tufão Ruby.
Formou-se n o Pacífico, passou na Ilha Luzon e atingiu a China entre Macau e Hong Kong. Foi considerado, na altura, o tufão mais violento de que há memória, causando milhares de vítimas e prejuízos da ordem de 1 milhão de patacas. As povoações de Taipa e Coloane quase que desapareceram. A pressão desceu a 709, 00 mm (cerca de 945 milibares) ” (1)
Sobre estes tufões, ver antecedentes neste blogue em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-ii-incendio-no-bairro-de-santo-antonio/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-tufao-e-o-farol-da-guia/
Sobre outros tufões ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/tufoes/”>https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/tufoes/ 
(1) SIMÕES, Joaquim Baião – Macau e os tufões. 1985.

Outro livro sobre “Tufões” que passaram por Macau (dois anteriores já foram “postados”) (1) (2), este do engenheiro geógrafo Joaquim Baião Simões, director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau , «MACAU E OS TUFÕES», de 1985 (3), bilingue (português pp. 1-46 e chinês pp. 47-83).  Impresso 1000 exemplares, este exemplar adquirido em 21 de Novembro de 1986, na Livraria Portuguesa (então, do Instituto Cultural de Macau).

MACAU E OS TUFÕES - CAPACAPA

Na “Introdução”, o autor refere desta publicação (o 2.º volume da série de publicações da Direcção dos Serviços) o seguinte:
“… Tema de interesse permanente, constantemente renovado pela convivência anual com essas depressões tropicais (que sempre apresentam aspectos diferentes e algo desconcertantes) pretende este pequeno volume clarificar algumas ideias e, em termos simples, dar à população uma visão global de alguns aspectos relacionados com a sua formação e desenvolvimento…” (p. 4)
MACAU E OS TUFÕES - página 6 - Trajectórias dos tufõesTrajectórias normalmente observadas nos ciclones ou tufões que afectam as zonas do Pacífico e do Índico.
Conforme as regiões assim se utilizam designações diversas: «typhoon», «cyclone», «hurricane», etc” (p.6)

MACAU E OS TUFÕES - página 44 -Código dos sinaisCódigo dos Sinais de Tempestade (p. 44)

Nas “Considerações Finais” (p. 45:
“Não esqueçamos que «Tufão» é sinónimo de violência e existência de forças destruidoras de grandes proporções. A palavra de ordem poderá ser então englobada nesta simples frase: «Prudência, Vigilância e Consciência da Situação».
(1) ALVES, Carlos – Os Tufões do Mar da China. Separata da Revista «Técnica», 1931, 12 p.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/13/leitura-os-tufoes-do-mar-da-china/
(2) NATÁRIO, Agostinho Pereira – Tufões que Assolaram Macau. Serviço Meteorológico de Macau, Macau, Imprensa Nacional, 1957, 20 p + 26 p. (gráficos, mapas e fotografias), 32 cm. x 23 cm.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/07/06/leitura-tufoes-que-assolaram-macau-i/
(3) SIMÕES. Joaquim Baião – Macau e os Tufões. Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau,  Agosto de 1985, 83 pp., 29 cm x 21, 5 cm.

Mapa para Tufões  1980 I

Mapa (29 cm por 25 cm) do ano de 1980, do mar do sul da China com os territórios que o rodeia (entre 10º N – 25º N e 105º E – 125º E), destinado à marcação da trajectória do centro da depressão (Tropical Cyclone Tracking Chart). (1)

O anexo de 10 cm x 25 cm (à direita do mapa) tem as indicações sobre tempestades tropicais – classificação das tempestades (em português, chinês e inglês) dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos do Governo de Macau.

Mapa para Tufões  1980 II

No verso, o Código dos Sinais de Tempestades (em português, chinês e inglês), com as indicações do aspecto, significado dos sinais e as recomendações para cada um dos casos.

CODIGO DOS SINAIS DE TEMPESTADE
風暴訊號 (2) / LOCAL STORM WARNING SIGNALS 

Os sinais a que se refere este código eram içados nos seguintes locais: Capitania dos Portos, Fortaleza da Guia, Fortaleza do Monte, Fortaleza de Mong Há, Centro de Recuperação Social da Taipa e Posto da Polícia Marítima e Fiscal de Coloane.
Mapa para Tufões  1980 Código 1 e 3

Em comparação com os sinais já publicados (3), estes eram: n.º 1, n.º 3, o n.º 8 que subdividia-se em NW, SW, NE e SE,Mapa para Tufões  1980 Código 8

os  n.º 9 e n.º 10 e a indicação de Sinal de Ventos Fortes de Monção.

Mapa para Tufões  1980 Código 9 e4 10

(1) Retirado do Anuário de Macau de 1980.
Comparar com o mapa de 1950 em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/25/mapas-para-o-estudo-da-trajectoria-dos-tufoes-no-mar-da-china/
(2)暴訊號mandarim pinyin: fèng bào xùn hào; cantonense jyutping: fung1 bou6 seon3 hou6.
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/18/sinais-indicativos-de-tufao-para-os-portos-da-colonia-de-macau-em-1931/.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/07/12/sinais-indicativos-de-tufao-no-ano-de-1927/.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/07/26/chuvas-chuvadas-e-tufoes/

Os Tufões do Mar da China Sinais Indicativos I

CÓDIGO DE SINAIS
Os sinais indicativos de tempestades no mar da China foram unificados na década de 30, e posto em vigor em Macau com um código. Estes sinais seriam colocados no mastro do Observatório (1) logo que se recebiam quaisquer comunicações de movimentos ciclónicos entre os paralelos 10˚ e 26˚ de Lat. N e os Meridianos 108˚ – 126˚ de Long. E Gr.
Os sinais eram feitos por meio de várias figuras correspondendo cada, a um algarismo como no quadro seguinte:
Os Tufões do Mar da China Sinais Indicativos II
Os símbolos indicativos da posição eram içados na 1.ª adriça da verga (visto o mastro do lado da terra) e correspondiam os dois de cima aos graus de latitude e os dois de baixo aos algaritmos das dezenas e unidades de longitude.
Para referir a direcção que tomava o centro do ciclone, as suas condições de formação, desenvolvimento ou extinção e ainda a sua área e a maior violência usavam-se a seguinte convenção:
Os Tufões do Mar da China Sinais Indicativos III
Os sinais de direcção ou condição, raio e intensidade içavam-se na adriça da direita, ficando estes últimos por baixo.
Os Tufões do Mar da China Sinais Indicativos IV
Para definir ainda a ocasião em que foi determinado o tufão ou simples depressão içavam-se no top do mastro um dos seguintes sinais:
Os Tufões do Mar da China Sinais Indicativos V
Um exemplo da interpretação dos sinais colocados:
Os Tufões do Mar da China Sinais Indicativos VIEsta manhã o tufão estava com excepcional velocidade movendo-se para W na Lat. de 14˚ N e Long. 109˚ E.
NOTA: quando não se tratava dum verdadeiro tufão, mas simplesmente de uma depressão, o sinal só diferia do do tufão em ser usado na parte inferior da adriça da direita o símbolo representativo de depressão, isto é, a figura n.º 9.
Informações retirados do livro “Os Tufões do Mar de China” – ver em:
(1) “Em 1931, o Serviço de Observação Meteorológica fazia 30 anos. Foi instalado nos finais do século XIX, quando este ramo do saber se desenvolveu graças a Verrier, director do Observatório de Paris. Antes disso, as observações meteorológicas socorriam-se em Macau, apenas, de um barómetro da Capitania dos Portos.”
Desde 1905 que o Observatório Meteorológico funcionava no antigo Fortim de S. Jerónimo, desactivado para efeitos militares desde 1877 (destruído depois para a construção do Centro Hospitalar)
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p. (ISBN 972-8091-11-7)
Informações retiradas do livro “Os Tufões do Mar de China”.
Sobre este livro e sobre tufões e sinais indicativo, ao longo dos anos, ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/sinais-de-tufao/ 
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/tufoes/ 

Separata da Revista «Técnica» (1), “Os Tufões do Mar da China”, do Engenheiro Carlos Alves (antigo director dos Portos de Macau), publicada em 1931 (2)

Os Tufões do Mar da China CAPA

Este exemplar contém duas assinaturas de posse.
Na capa: “ Deu-me este exemplar o Sr Dr. Manuel Fratel “ Assinatura ilegível.

Os Tufões do Mar da China 1.ª página

Na 1.ª página outra dedicatória:
Ao Exmo. Senhor Doutor Joaquim Fratel, Digníssimo Secretário Geral do Ministério das Colónias, respeitosa homenagem do

Auctor
6  de Nov.º de 1931” (3)

Na página 6 (Fig 3) apresenta um mapa do sul da China com as trajectórias mais prováveis dos tufões ao sul da China (nessa altura) conforme os meses do ano.

Os Tufões do Mar da China MAPA Sul da China

(1) Creio que a «Revista Técnica» era publicada pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa.. A sua primeira edição foi em Dezembro de 1925 e
“… das suas páginas constavam artigos científicos e técnicos, muitas vezes pioneiros nos domínios da Engenharia. A Revista foi assim ganhando alguma visibilidade entre a comunidade do Instituto e chegou mesmo a ser enviada para outras universidades e escolas nacionais e estrangeiras.”
http://tecnico.ulisboa.pt/pt/noticias/2013/3/O_regresso_da_Revista_Tecnica
(2) ALVES, Carlos – Os Tufões do Mar da China. Separata da Revista «Técnica», 1931, 12 p.
(3) Manuel Joaquim Fratel (1869-1938), deputado pelo Partido Regenerador, foi Ministro da Justiça e dos Negócios Eclesiásticos em 1910 e secretário-geral do Ministério das Colónias em 1930.

O mês de Julho costumava ser um mês de chuvas em Macau prenunciando a época dos tufões. isto a propósito da recente passagem do tufão n.º 10 por Macau (VICENTE ) (1)  pouco frequente neste mês e com tal intensidade.
Na década de 50, por não haver ainda um bom sistema de drenagem das águas nas vias publicas, chuvas mais fortes (e que caíam com intensidade em curto espaço de tempo), alagavam e inundavam rapidamente as zonas mais baixas da cidade e a hortas do Porto Exterior, Areia Preta e a zona do Patane. Muitas vezes estas chuvadas apesar dos incómodos para a população, eram “bem-vindas” já que aliviavam em grande parte, o calor asfixiante próprios dos meses de Verão.
Estas duas fotos duma revista da época, apresenta inundação da Avenida Almeida Ribeiro e dos estabelecimentos comerciais, bem como os chineses transitando descalços, por causa da água.
No ano de 1950, de harmonia  com as alterações dos Observatórios de Hong Kong e Manila, os sinais de tufão a içar nos mastros da Fortaleza da Guia, Fortaleza do Monte, Capitania dos Portos e Taipa seriam:
Os sinais n.ºs 2, 3 e 4 não eram içados em Macau
Eram usados os silvos de sereia ou os tiros segundo as circunstâncias do tempo. Assim, o  sinal n.º 10 era seguido de 3 silvos de sereia ou 3 tiros de peça dados na Fortaleza do Monte.
Como indicação de estar passado o tufão em Macau, eram arriados os sinais e feitos os seguintes avisos:
a) Dois silvos de sereia com a duração de 30 segundos cada um e intervalos de 5 segundos.
b) Dois tiros na Fortaleza do Monte para SW.

(1) Ver notícias e fotos dos jornais publicados em Macau:
http://www.jtm.com.mo/view.asp?dT=407503013
http://pontofinalmacau.wordpress.com/2012/07/25/vicente-o-forte/