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Em 01 de Agosto de 1632, nasceu em Seong Sok, na província de Kong-Sou, (1) um dos mais afamados aguarelistas chineses o pintor Ung Lek (2) (3) que foi ordenado em Macau, em 1 de Agosto de 1688, (4) aos 57 anos de idade, com o nome de Pe. Simão Xavier da Cunha, S. J.”(4)

Pintura de Wu Li IWu Li – Spring Comes to the Lake

(1) Changzhou (ou Changchow) 常州, na província de Jiangsu (ou Kiangsu) 江蘇, cuja capital é Nanjing (ou Nanquim) 南京.
(2) Wu Yushan (吳漁山) (1632-1718), também conhecido como Wu Li (吳歷), notável aguarelista e pintor de paisagens chineses, também calígrafo e poeta (pioneiro na poesia chinesa cristã), viveu no período da dinastia Qing (1644–1912).
(3) “His style name was ‘Yu Shan’ and his sobriquet was ‘Mojing Daoren’. Wu learned poetry from Qian Qianyi. He was taught painting by Wang Shimin and Wang Jian, and was influenced by the painters Huang Gongwang and Wang Meng. His landscapes utilized dry brush strokes and light colors. His distinctive style elevated him to where he is now identified as one of the Six Masters of the early Qing period.”
https://en.wikipedia.org/wiki/Wu_Li
(4) Tornou-se católico entre 1675 e 1677, foi ordenado padre jesuíta com o nome de Simão Xavier da Cunha, aos 57 anos de idade. Segundo algumas fontes terá estudado durante sete anos no Colégio de S. Paulo (1681-1688) e ordenado padre em Macau; outros autores confirmam 1 ano de estadia em Macau e ordenação pelo Bispo Chinês dominicano Lo Wanzao, em Nanking, no dia 1 de Agosto de 1688 (data de aniversário, 56 anos). Após ordenação foi colocado em Shanghai e aí permaneceu durante 30 anos, como padre nas aldeias chinesas. Em 1691 foi coordenador dos assuntos religiosos em Jiading (嘉定), subúrbio de Shanghai onde faleceu em 1718.
O´NEILL, Charles E.; DOMINGUES, Joaquin Maria – Diccionario Histórico de la Compania de Jesús. Biográfico-Temático III-  Infante de Santiago.Piatkewicz . Universidad Pontificia Comillas, Madrid, 2001, ISBN: 84-8468-039-8 (t.. III)
O primeiro jesuíta chinês Zheng Mano (Manuel Siqueira) foi ordenado em Coimbra c. 1663 e de outros três jesuítas chineses enviados pelo Visitador Francesco Saverio Filippuci (1632-1692) para Macau onde estiveram um  ano completando o noviciado, Liu Yunde (Bras Verbiest; 1628-1707), Wu Yushan, também conhecido como Wu Li (Simão Xavier da Cunha; 1632-1718)) e Wan Qiyuan (Paulo Banhes; 1631-1700) ordenados em Nanking, em 1688, pelo Bispo Chinês dominicano Lo Wanzao (consagrado em Nanking, 1685)”
BROCKEY, Liam Matthew – Journey to the East , The Jesuit Mission to China 1579-1724.  The Belenap Press of Harvard University Press, 2007.
(4) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.

Pintura de Wu Li -1632-1718 IIWu Li – “Boat Trip on the River Underneath a Buddhist Temple”

NOTA: O Instituto Ricci de Macau organizou um Simpósio internacional dedicado ao estudo do intercâmbio intercultural entre a China e o Ocidente, tanto numa perspectiva histórica como de actualidade, no ano de 2003 (entre 23 e 29 de Novembro) intitulado:  “ Culture, Art, Religion: Wu Li and His Inner Journey / Cultura, Arte e Religião: Wu Li ( Simão Xavier da Cunha) e o seu caminho interior”. Os oradores (mais de seis dezenas de participantes oriundos de diversos países da Europa, Estados Unidos da América e América do Sul influindo um significativo número de investigadores da China, de Macau e de Hong Kong), analisaram, aspectos culturais, espirituais e históricos da época de Wu Li, período bastante conturbado durante o qual se deu o ocaso e queda da dinastia Ming e a ascensão do poder manchú com a Dinastia Qing.
http://www.riccimac.org/eng/newsletter/2/portugues.htm

Recorte do jornal “Ultramar” (1), órgão oficial da I Exposição Colonial (Dir. Henrique Galvão), de 1934
ULTRAMAR 1934 n.º 6 -adamastor IO Cruzador “Adamastor” construído nos Estaleiros Navais de Livorno, lançado à água em 12 de Julho de 1896, comprado pelas receitas provenientes de uma subscrição pública organizada como resposta portuguesa ao ultimato britânico de 1890, entrou pela primeira vez a barra do Tejo em 7 de Agosto de 1897.

DIARIO ILLUSTRADO 7-8-1897 Adamastor IO “Diario Illustrado” de 7 de Agosto de 1897  dando a notícia da chegada do “Adamastor”, na sua primeira página (2)

DIARIO ILLUSTRADO 7-8-1897 Adamastor II Ferreira do AmaralO seu primeiro comandante foi o Conselheiro, capitão de mar-e-guerra Ferreira do Amaral. (3)
Com um comprimento (entre perpendiculares) de 73.81  metros  81 cm (comprimento de fora a fora) e velocidade máxima de 18 nós (uma propulsão de 4000 cv – 2 máquinas a vapor com 4 caldeiras alimentadas a carvão), o “Adamastor” tinha uma capacidade (inicial) composta de 215 elementos (16 oficiais, 36 sargentos e 163 praças (4). Em matéria de armamento (há várias versões) (5):
2 peças Krupp de 150mm/ 30 Calibres – Mod.1895 (Calibre: 150mm/Alcance: 14Km)
4  peças  Krupp 105mm/4.0GR Mod. 1895 (Calibre: 105mm/Alcance: 9Km)
4 peças Hotchkiss 65/46
2 peças Hotchkiss 37/42
2 metralhadoras Nordenfelt 6,5 mm e 3 tubos lança-torpedos
DIARIO ILLUSTRADO 7-8-1897 Adamastor IIIEm relação à estadia do “Adamastor” em Macau  e Extremo Oriente:
1.ª comissão ao Ultramar em Outubro de 1899 repartida pela Divisão Naval do Índico e pela Estação Naval de Macau. Regressa em Junho de 1901.
2.ª comissão, em Novembro de 1903 parte para o Extremo Oriente. Chega a Macau em Março de 1904. Desde Agosto desse ano até Março de 1905 permanece em Xangai a fim de proteger os interesses da colónia portuguesa residente, missão que se repetiria mais tarde. Em Agosto chega a Lisboa.
3.ª comissão, larga em Junho de 1907. Parte de Luanda em Maio de 1908 com destino a Timor, onde esteve de 6 de Julho a 24 de Agosto de 1908. Regressa a Lisboa em Julho de 1909.
No ano de 1910 foi montado no navio um aparelho T.S.F. e toma parte na implantação da República, marcando o seu início com 3 tiros como sinal. (6)
Em Outubro de 1912 inicia a sua 4.º comissão. Além de Macau escala Xangai e outros portos da China e chega a Lisboa em Outubro de 1913.
Foi durante esta comissão que o cruzador sofreu um acidente, no dia 11 de Maio de 1913, ao sair do porto de Hong Kong, tendo sido assistido pela canhoneira “Pátria” e o contra-torpedeiro inglês “Otter”. (7) Na sequência do acidente, o “Adamastor” deu entrada na doca de Whampoa, em Kowloon, para ser submetido a reparações. Daí seguiu para o Brasil (Rio de Janeiro e Santos) para participar no lançamento nas festividades da primeira pedra para a construção de um monumento em memória do marechal Deodoro da Fonseca, primeiro Presidente da Primeira República Brasileira, terminando esta missão em Dezembro.
Em meados de 1913, o então capitão de fragata, João de Canto e Castro (1862 -1934) (futuro Presidente da República, que sucede a Sidónio Pais) recebe a missão de se deslocar a Macau para aí assumir o comando do cruzador português Adamastor. (8)
De Agosto de 1919 a 18 de Julho de 1925 sofre grandes restauros, em Lisboa.
Em 1926 a 1928, nova comissão de serviço em Macau. Destacado para outras missões, em Julho de 1926 chega a Xangai  a fim de defender as concessões internacionais e render ao mesmo tempo o cruzador “República”, (9) tendo desembarcado uma força de 30 praças sob o comando de um 2.º tenente. Larga de Xangai em Março de 1928 e entra no Tejo em Abril.
Em Setembro de 1929 rumo novamente para o Extremo-Oriente, escala Macau e parte no dia 8 de Fevereiro de 1932, com destino a Xangai e dali parte em viagem diplomática para Japão. Volta a Xangai para protecção da comunidade portuguesa em virtude do início da guerra sino-nipónica.
Em 15 de Outubro de 1931, parte para Lisboa, em serviço, levando o  Governador de Macau, capitão de Fragata Joaquim Anselmo da Matta e Oliveira (9)
Em 18 de Junho de 1932 está fundeado em Macau, reclassificado como aviso de 2,.ª classe, em péssimo estado geral nomeadamente do seu aparelho propulsor e da sua guarnição reduzida, pelo que é decidido que seja abatido em Lisboa. Larga de Macau em Março de 1933 chega a Lisboa em Julho (depois de uma atribulada viagem em que é obrigado a diversas paragens por sucessivas avarias).
Após 36 anos de serviço, foi o “Adamastor” abatido ao “Efectivo dos Navios da Armada” em 16 de Novembro de 1933.
Esta notícia do jornal de 15 de Abril de 1934, encerra a “vida” do “Adamastor” – foi arrematado o casco, vendido à Firma F. A. Ramos & Cª., pelo preço de 60.850$00 (10)
Cruzador ADAMASTOR(1) Ultramar n.º 6, 15 de Abril de 1934 , p. 8 .
(2) http://purl.pt/14328/1/j-1244-g_1897-08-07/j-1244-g_1897-08-07_item2/j-1244-g_1897-08-07_PDF/j-1244-g_1897-08-07_PDF_24-C-R0150/j-1244-g_1897-08-07_0000_1-4_t24-C-R0150.pdf
Francisco Joaquim Ferreira do Amaral(3) Francisco Joaquim Ferreira do Amaral (1844 —1923), mais conhecido por Francisco Ferreira do Amaral ou apenas por Ferreira do Amaral, foi um militar (almirante) português, administrador colonial (Governador de S. Tomé e Príncipe, Governador-Geral de Angola, Governador da Índia Portuguesa)  e político da última fase da monarquia constitucional portuguesa (Presidente do Conselho de Ministros) Era o único filho de Maria Helena de Albuquerque (1.ª baronesa de Oliveira Lima)  e do governador de Macau João Maria Ferreira do Amaral.
Mais informações em
https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Ferreira_do_Amaral
(4) Em Macau tinha uma tripulação de 206  (14 oficiais, 23 sargentos e 169 praças.)
BARROS, Leonel – Memórias Náuticas, 2003, p. 67
(5) http://www.portugalgrandeguerra.defesa.pt/Documents/Cruzador%20Adamastor.pdf
(6) “Para além de Machado dos Santos ( comissário naval), a Marinha teve um papel destacado na revolução, através do “Adamastor” e do “S. Gabriel”, e dos oficiais, sargentos e marinheiros que participaram em acções no Quartel de Alcântara, na abordagem ao D. Carlos….” (VENTURA, António – A Marinha de Guerra Portuguesa e a Maçonaria, 2013, pp. 25.
(7) 11-05-1913 – O cruzador «Adamastor» foi de encontro a uma rocha perto de Hong Kong ( SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4)
Ver referência a este episódio em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/cruzador-adamastor/
(8) “Em meados de 1913, recebe a missão de se deslocar a Macau para aí assumir o comando do cruzador português Adamastor. Esta será uma viagem inesquecível. Além de conhecer outras paragens (passa pela Alemanha, Rússia e China), contacta duas figuras políticas com que se cruzará mais tarde e em circunstâncias bem diversas: Sidónio Pais, que encontra em Berlim quando ruma a Macau, e Bernardino Machado, que recebe, na qualidade de embaixador de Portugal no Rio de Janeiro, a bordo do cruzador na sua passagem pelo Brasil.”
http://www.museu.presidencia.pt/presidentes_bio.php?id=27
(9) 6-03-1927 – Ida do cruzador «República» para Xangai.
15-10-1931- Parte para Lisboa, em serviço, o Governador de Macau, capitão de Fragata Joaquim Anselmo da Matta e Oliveira no Cruzador “Adamastor” que  sai da Ponte Nova do Porto Exterior (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4)
(10) https://pt.wikipedia.org/wiki/NRP_Adamastor.

Um anúncio publicado em Portugal (1), em 1957, referente à empresa “H. Nolasco & C.ª, Lda“, ainda hoje na Avenida Almeida Ribeiro n.º20.
Fazia publicidade ao seu representante em Lisboa

“João Nolasco, Lda” (2)
Praça do Município 19 – 4º
de S. Francisco 2-A

ANÚNCIO - Henrique Nolasco Lda - João Nolasco Lda(1) GOMES, F. Matos (dir. literária) – 30 Anos de Estado Novo 1926 – 1956.  Lisboa, 1957, 639 p. + 17  páginas de anúncios + 33 p. de saudações das entidades governativas do continente e do ultramar. 28 cm x 20 cm.
Ver
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/03/19/leitura-30-anos-de-estado-novo/
(2) João Frederico Nolasco da Silva,(23-09-1871/20-08-1951),  filho de Pedro Nolasco da Silva e de D Edith Maria Angier,e  irmão de Henrique Maria Nolasco da Silva (09-02-1884/17-11-1969), fundador e proprietário da firma. «H. Nolasco & C.ª Lda»(3)
João Frederico alistou-se no Exército onde serviu 7 anos, em Lisboa, Macau e Timor. Passou à actividade civil e foi 1.º oficial da Secretaria Geral do Governo de Macau. Em 1903 trabalhou em Shanghai onde organizou e comandou a Companhia Portuguesa «Coronel Mesquita»  (4) e condecorado com o grau de Cavaleiro da Ordem de S. Bento de Aviz. Depois trabalhou em Lisboa, Angola, Canárias, S. Tomé e Funchal. Fixou residência definitiva em Lisboa onde fundou a firma «João Nolasco Ldª»
FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses,  Volume II, 1996. p. 781
(3) Ver em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/henrique-nolasco-da-silva/
(4) Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/companhia-portuguesa-coronel-mesquita/

No dia 10 de Março de 1865, o Comendador Lourenço Marques, em nome dos cidadãos portugueses residentes em Xangai (Shanghai), ofereceu ao Governador José Rodrigues Coelho do Amaral (1) um bastão feito na Inglaterra, para comemorar a sua passagem por esta cidade em Junho de 1864. (2)

Foi um governador com grande iniciativa e de extraordinário dinamismo.
“ … Foi Isidoro Francisco Guimarães que pela sua grande obra que em Macau realizou (agraciado com o título de visconde de Praia Grande) vertebrando a economia de Macau com sólidas e oportunas medidas, que proporcionou ao seu sucessor, o conselheiro José Rodrigues Coelho do Amaral os meios necessários para as notáveis obras de fomento que este realizou em Macau, pelo que o seu nome se encontra perpetuado na estrada que mandou abrir, distinguindo-o a edilidade com o título de Cidadão Benemérito.
…. Aproveitando bem o numerário que o seu antecessor lhe havia deixado nos cofres públicos, e os rendimentos já superiores que então recebia a fazenda, fez desapparecer as portas da cidade; ligou por bons caminhos o bairro christão com o china e os diferentes bairros entre si; alargou os limites da cidade; alterou todo o systema de viação; construiu pontes; abriu novas ruas; e, começando a rua «Marginal», que deixou adiantada, estabeleceu uma das principais artérias de circulação da cidade.” (3)

Em 24 de Junho de 1866, seria o corpo de Voluntários de Hong Kong a oferecer em Macau uma espada ao mesmo governador Coelho do Amaral como sinal de reconhecimento, pela cordial recepção que teve nesta cidade, na sua visita, em 19 de Novembro de 1864. (4)
Em vésperas de regresso à Metrópole, foi alvo duma imponente manifestação de despedida, oferecendo-lhe a província de Macau um brilhante baile nas salas do Teatro D. Pedro V, em 15 de Outubro de 1866, ao qual assistiu o enérgico e insigne Governador de Hong Kong, sir Richard Graves Macdonell (e esposa) que no seu extenso e eloquente brinde, se referiu à «amizade de bom irmão» vindo assistir (4)
Tem uma Estrada, uma Rua e uma Travessa com o seu nome: Coelho do Amaral.
A Estrada de Coelho do Amaral começa na Estrada do Repouso, em frente da Rua Coelho do Amaral, e termina na Av. do Coronel Mesquita, entre os prédios n.ºs 73 e 75.O troço desta estrada que vai desde a Avenida de Horta e Costa até à Avenida do Coronel Mesquita teve, primitivamente a designação de Estrada de Mong Há.

José Coelho do AmaralO Governador José Rodrigues Coelho do Amaral com o bastão
(Galeria dos Retratos do Leal Senado)

(1) José Rodrigues Coelho do Amaral (1808-1878) assentou praça na Armada com 17 anos de idade e passou depois para o exército (Corpo de Engenharia) em 1834. Foi um dos primeiros professores da Escola do Exército em 1837. Governador de Macau, nomeado a 7 de Abril de 1863, tomou posse a 22 de Junho; era simultaneamente ministro plenipotenciário de Portugal nos reinos de China, Japão e Sião. Governou Macau até 26 de Outubro de 1866). Em 17 de Julho de 1865, o coronel de engenharia José Rodrigues Coelho do Amaral, Governador de Macau foi promovido ao posto de general de brigada. (4)
Foi posteriormente, ministro da Marinha (1868), Governador de Angola, Moçambique (1870) onde faleceu em 1878 estando sepultado na ilha de Moçambique.
(2) Revista «Mosaico». n.º 7,  indica a data de 09-03-1865,  mas o próprio Luís G. Gomes na sua “ Efemérides da História de Macau” corrige e refere 10 de Março de 1865.
(3) GOMES, Luís G. – Notícias de Macau, em 19-09-1965.
(4)(GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau).

No dia 8 de Outubro de 1922, chegava a Macau, o General Gomes da Costa, (1) acompanhado do seu filho Carlos Nunes Gomes da Costa, como Secretário, e o tenente Salgueiro Rego, seu ajudante de campo, para inspecionar os serviços militares de Macau (2) 
1922 – Conflitos no Oriente – Decretado o estado de sítio em Macau, depois de sangrentos conflitos com cerca de três dezena de mortes (29 de Maio). O Governo pensa nomear Gomes da Costa para governador de Timor, mas o grupo parlamentar dos democráticos opõe-se.
O general escreve, então, uma carta para o jornal A Capital a denunciar o facto e António Maria da Silva trata de mandá-lo dar uma grande volta de inspecção extraordinária às colónias do Oriente (15 de Julho). Parte em Agosto de 1922 e só regressa a Lisboa em Maio de 1924.” (3)

 Gomes da Costa em Xangai 1922Esta foto documenta a passagem do Marechal Gomes da Costa por Xangai (Shanghai) junto aos elementos da “Companhia Portuguesa CORONEL MESQUITA“. Da esquerda para a direita: Tenente F. Leitão; Tenente Coelho; Capitão Dinis; General Gomes da Costa; Tenente Brito; Tenente M. Leitão e Tenente Costa

 A Companhia Portuguesa Coronel Mesquita foi criada a 26 de Fevereiro de 1906, em resultado dos esforços e empenho de Fernando J. de Almeida, Joaquim F. das Chagas, José M Placé dos Remédios e João Frederico Nolasco da Silva. Este último foi o 1.º oficial e Comandante. Organizada a Companhia, começada a instrução, em breves dias conquistavam os seus rapazes os mais vivos aplausos nas paradas e marchas, ao lado das outras, mercê do aprumo e do garbo que a si mesmos se impuseram. Um ano depois, 1907, o Município de Xangai autorizava a Companhia a usar uniforme, vozes de comando, instrução e disciplina, segundo o padrão do Exército Português. Rapidamente vários membros da Companhia foram promovidos a oficiais, sendo-lhes dadas as patentes em sessão solene promovida pelo Município.

 Ano III Companhia Coronel Mesquita 1922O Ministro de Portugal na China, Dr. Armando Navarro que se deslocou de Pequim (Beijing) para esse efeito, condecora a bandeira da Companhia com a comenda de Cristo

 Esta Companhia foi constituída em consequência dos sucessivos ingressos de voluntários portugueses nas diversas companhias de Ingleses e Americanos (4), nomeadamente na formação de uma companhia designada «Companhia D», formada só por portugueses, em 1891, que durou até 1896 (5). Esta Companhia foi licenciada em 1897. Em 1900 novamente se tentou formar outra Companhia estritamente portuguesa para o que o Comando Militar de Macau enviou o tenente Lopes como instrutor e organizador mas por desinteligências entre os promotores, esse oficial e os recrutas não foi avante). Mais tarde, seis anos depois foi então criada a «Companhia Portuguesa Coronel Mesquita». (6)

Ano III Companhia Coronel Mesquita 1922 II Nas paradas militares em Xangai, a Companhia Portuguesa formava sempre em primeiro plano

Marechal Gomes da Costa(1) Manuel de Oliveira Gomes da Costa (1863-1929), militar (campanhas de pacificação das colónias em África e na Índia, I Grande Guerra Mundial, marechal em 1926), e político que liderou a revolução de 28 de Maio de 1926, com tomada do poder a 17 de Junho de 1926. Presidente do Ministério (10.º presidente da República) por pouco tempo. A 9 de Julho do mesmo ano,  o General Óscar Carmona fez a contra revolução.

(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4, Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7)
(3) http://maltez.info/respublica/portugalpolitico/anuario/1922.pdf
(4 ) Na sequência das desordens, em fins de 1853, motivadas pelas hostes rebeldes dos Tai-pings (seita chinesa sanguinária e rebelde, com carácter religioso, que tentou estabelecer uma nova dinastia com carácter imperial e cuja política e comportamento tomava um caracter anti-estrangeiro), os representantes consulares e mercantis, na salvaguarda dos seus interesses dos seus compatriotas que nessa cidade se estabeleceram, Xangai, resolvem criar um Corpo de Voluntários para o policiamento dos seus súbditos pois até aí nenhuma polícia havia. Esses voluntários, juntamente com as forças de desembarque da Grã-Bretanha, França e América do Norte defendiam também as outras comunidades estrangeiras contra qualquer agressão vinda de fora, ocupando um círculo de defesa nos locais de concessões. A comunidade portuguesa era pequeníssima; existiam no entanto, as famosas lorchas portuguesas que comboiavam os juncos estrangeiros que faziam imenso tráfego mercantil no rio Yang-Tsé e seus afluentes.
(5) Teve como seu Comandante, o capitão português Capitolino Senha e como subalterno, o tenente, Pereira de Campos.
(6) MACAU Boletim Informativo, n.º 38, 1955