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Carta “privada” escrita de Macau para publicação no «The Asiatic Journal and Monthly Register for British and Foreign India, China, and Australasia», jornal financiado pela “East India Company” (impresso em Londres). (1)

Nesse ano de 1842, “nascia” Hong Kong e a abertura de cinco portos chineses nos termos do “Tratado de Nanquim”, que seria assinado a 29 de Agosto. Pelo “Tratado de Nanquim” isentava os estrangeiros da jurisdição chinesa, em resultado do desfecho da Guerra do Ópio, seguindo-se os chamados “Tratados Desiguais”. Foi o fim da “I Guerra do Ópio”. A China pagou pesada indemnização e foram abertos ao comércio estrangeiro os cinco portos seguintes: Cantão, Amoy, Fuchau, Ningpo (Liampó) e Shanghai (2)

(1) Extraído de « The Asiatic Journal and Monthly Register for British and Foreign India, China, and Australasia », VOL XXXIX SET –DEC 1842, p. 294. Este jornal esteve em circulação quase quarenta anos de 1816 a 1845, com alteração do título: 1816-1829 – Série 1: The Asiatic Journal and Monthly Register for British India and its Dependencies; 1830-1843 – Série 2: The Asiatic Journal and Monthly Register for British and Foreign India, China, and Australasia; 1843-1845 – Série 3: The Asiatic Journal and Monthly Miscellany. https://en.wikipedia.org/wiki/The_Asiatic_Journal_and_Monthly_Register_for_British_India_and_Its_Dependencies

(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, p. 97

23-07-1926 – Passagem para Xangai destinada ao Chefe de Esquadra do Comissariado de Polícia Parménio Marques, (1) que ali se desloca para receber, em nome das autoridades portuguesas um preso português, de nome Mendonça acusado de homicídio voluntário” (2)   

(1) Parménio Ocúcio Marques nascido na Sé a 8.3.1890 e falecido na Sé a 1.7.1938. Solteiro, Chefe da P.S.P. Filho de José Maria Marques (1858-1911), Chefe do Serviço Telegráfico de Macau e 2.º sargento do Batalhão Nacional de Macau e de D. Euclídia da Anunciação da Luz . FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume II, ‘p. 571

(2) “A.H.M. – F. A. C. P. n.º 595 – S- P” in SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, p. 187.

Uma outra recordação (1) da participação da delegação de Macau representada pela Associação Recreativa e Desportiva dos Deficientes de Macau – ARDDM – nos “THE FIFTH NATIONAL GAMES OF THE DISABLED OF THE PEOPLE`S REPUBLIC OF CHINA” que se realizaram de 6 a 14 de Maio de 2000, na cidade de Shanghai.

São treze envelopes comemorativos deste evento, todos diferentes, representando as 11 modalidades desportivas em competição e mais dois envelopes, representativos do dia da abertura e do dia de encerramento dos jogos. Todos os envelopes embora diferentes têm o mesmo selo da R.P. da China no valor de 80 分, com o carimbo evocativo.(excepto o envelope do encerramento)

Reproduzo os dois relativos à abertura (13-1) e encerramento dos jogos (13-13).

Envelope do primeiro dia (6.5.2000) , com selo e carimbo
Envelope do dia de encerramento (14-5.20025), com selo (sem carimbo)
Verso do envelope de 06-05-2000 – S.J.F (2000) 7 (13-1)
Verso do envelope de 14-05-2000 – – S.J.F (2000) 7 (13-13)

Também como recordação destes jogos, foi-me oferecido um pequeno livro (24,8 c x 24,1 cm x 0,9 cm), em chinês, contendo envelopes e selos emitidos pela República Popular da China, comemorativos dos anteriores ( e o presente) eventos desportivos relativos aos deficientes.

CAPA
Páginas 2-3
Páginas 4-5
CAPA + CONTRACAPA

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/12/09/vestuario-desportivo-da-associacao-recreativa-e-desportiva-dos-deficientes-de-macau/

Ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/associacao-recreativa-e-desportiva-dos-deficientes-de-macau-arddm/

分 – mandarin pīnyīn: fēn; cantonense jyutping: fan. Unidade de moeda chinesa, em cantonense 仙 sin1, denominação semelhante ao avo em Macau.

O Colégio Imaculada Conceição fundado por iniciativa do comendador Albino da Silveira (1) foi inaugurado, em 15 de Março de 1864, sob a direcção das Irmãs do Instituto de S. Paulo de Chartres, discursando nessa ocasião Bernardino de Sena Fernandes, o Governador Coelho do Amaral e o Padre Vitorino de Almeida; em virtude do Decreto de 20 de Setembro de 1870, que excluía do ensino professores estrangeiros, o Colégio fechou em Setembro de 1871, sendo reaberto em 24 de Novembro de 1872, falando nessa ocasião a “sympathica e talentosa jovem Maria José”, (2) o Padre Vitorino de Almeida, o Governador da Colónia, Visconde de S. Januário, e o Governador do Bispado, o Padre António Luís de Carvalho. Os discursos de Maria José Pereira e do Visconde de S. Januário podem ler-se na «Gazeta de Macau e Timor», 1.º anno, n.º 10 de 26 de Setembro de 1872 (3)

O comendador Albino da Silveira, estando em Shanghai, abriu uma subscrição para a fundação de um Colégio feminino em Macau, encarregando-se ele de mandar vir da França as mestras, as Irmâs de Caridade de S. Paulo de Chartres O seu projecto, a requerimento de Bernardino de Sena Fernandes, aprovado por Portaria de 26 de Dezembro de 1863, (4) e autorizada a sua continuação por Portaria de 17 de Março de 1868, (4) o qual o Colégio apenas durou por mais três anos. Em Setembro de 1871, devido ao decreto de 20 de Setembro de 1870 (exclusão do ensino em Macau dos professores estrangeiros), as professoras retiraram-se, encerrando-se o estabelecimento.

(1) Albino da Silveira (Macau 1823- Macau 1902) filho de Francisco Cândido Pereira da Silveira e de Francisca Carlota Pereira da Silveira, naturais de Macau, foi empregado, em Cantão, em casa de Robinnet, negociante de sedas e depois em casa de Jardine, Matheson & CO. Mais tarde foi para Shanghai, em casa de Dent & Co e por fim estabeleceu-se em Hong Kong, onde serviu de guarda-livros da “Union Insurance Society of Canton” recebendo, ao reformar-se uma pensão vitalícia desta Sociedade. O comendador foi em Hong Kong Presidente do Club Lusitano, do Círculo Católico, da Confraria de SSmo Sacramento e da Sociedade de S. Vicente de Paulo por 25 ano Nomeado sócio ordinário, em 1892, da Sociedade de Geografia de Lisboa. A comenda da Conceição foi-lhe atribuída pelo Governo Português em 1893. Era também Cavaleiro de S. Silvestre. Em Shanghai foi vice-consul de vários fundou um jornal português “O Aquilão”, de duração efémera. Faleceu em Macau, na residência do Comendador Lourenço Marques, onde vivia. (3)

A filha do comendador Ana Joaquina da Silveira, estudou no Colégio da Imaculada Conceição até Junho de 1870, quando foi para França para continuar os estudos. Foi uma das primeiras alunas macaenses a ingressar no Instituto da Congregação de S. Paulo, e em 1876, tomou o hábito em Chartres  com o nome de Soeur Basilide Joseph e lá faleceu. (5)

(2) Maria José Pereira, nascida em 18 de Outubro de 1861 é filha de Bartolomeu António Pereira e de Belmira da Encarnação e casou com Leôncio Alfredo Ferreira. (6) Maria José foi aluna distinta do Colégio da Imaculada Conceição 

(3) TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942, p. 453

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/colegio-da-imaculada-conceicao/

(5)) TEIXEIRA, P. Manuel – A Educaçao em Macau, 1982, p. 315

(6)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leoncio-alfredo-ferreira/

Notícia de Janeiro de 1945 revela que “à revelia dos tratados sino-portugueses vigentes e numa tentativa para obliterar no terreno o regime de extraterritorialidade portuguesa na China, as autoridades chinesas de Chongqing (重慶) detêm o macaense Lourenço Osvaldo Sena, antigo agente do corpo da PSP de Macau, sob suspeitas de ter ligações com os japoneses e com o cônsul britânico e por outros actos praticados em Macau no exercício das suas funções policiais.” (1)  

E neste dia de 16 de Janeiro de 1945, ás 9 horas da manhã, teve lugar o primeiro bombardeamento aéreo de Macau por uma esquadrilha de três aviões da «Carrier Task Force 38», da Força Aérea dos EUA, sob o comando do almirante William Halsey. (2)  O alvo principal do ataque aéreo era a destruição dos depósitos de combustível existentes no hangar do extinto Centro de Aviação Naval de Macau, construído em 1938 e situado no Porto Exterior . (1)

Recordações do Padre Teixeira desse dia:

Nam Van” n.º 10 de 1 de Março de 1985, pp.23-25

Em 1945 começou a guerra civil na China, Chiang Kai-shek –
蔣介石(1887 –1975, em mandarim como Chiang Chieh-shih ou Jiang Jieshi) lançou um golpe em Shanghai , desfazendo a aliança entre o seu partido , o Kuomitang, (國民黨), e o Partido Comunista. O conflito terminou com a vitória da facção de Mao Zedong (毛泽东) e o estabelecimento da República Popular da China em 1949. O governo de Chiang Kai-shek fugiu de Xunquim (Chongqìng) (4) em 1949 após a derrota na Guerra Civil Chinesa.

(1) (FERNANDES, Moisés Silva – Sinopse de Macau nas Relações Luso-Chinesas 1945-1995 Cronologia e Documentos, 2000. Pp. 27-28.

(2) A força naval “Carrier Task Force 38”, formada pelos aliados para dar batalha à Esquadra Japonesa do Sul, sob o comando do almirante William Halsey, tinha como núcleo, oito grandes porta aviões: Yorktoun, Hancock, Ticonderoga, Essex, Wasp, Hornet, Enterprise e Lexington; e seis porta aviões mais ligeiros como apoio: San Jacinto, Monterey, Cowpens,langley , Cabot e Independence. Estes porta aviões que levavam 850 aviões dirigiram-se para o mar da China do Sul em 10 de Janeiro de 1945 para atacar os navios e os aviões japoneses . A 14 desse mês atacaram a baía de Cam-rahn e o porto de Saigão; mas os coraçados japoneses não estavam lá; estavam em Singapura. A Task Force 38 dirigiu-se para o norte para atacar os aeródromos na costa da China do Sul, de Yulin, na ilha de Hainão até Swatow. Foi designado o Grupo 5 da Task Force 38, conhecido por T. F. 38.5 para atacar os navios e aeródromos japoneses na proximidade do Estuário do Rio das Pérolas. Isto significava ataques aso aeródromos do Hong Kong, Cantão, e infelizmente, Macau. (3)

(3) Na data desta entrevista (1985), o liceu que ficava no Tap Seac, era o edifício da Delegacia de Saúde. Hoje Instituto Cultural. TEIXEIRA, P.e Manuel – Bombardeamento de Macau 16 de Janeiro de 1945 in Nam Van” n.º 10 de 1 de Março de 1985, pp.23-25.

(4) Xunquim (重慶 ; mandarim pinyin: Chóngqìng) é uma cidade no sudoeste da China. Administrativamente, é um dos quatro municípios sob administração direta do governo central da República Popular da China (os outros três são Pequim, Xangai e Tianjin) e o único município localizado longe da costa. É a cidade mais populosa do mundo. Em 1901, criou-se uma colônia japonesa na cidade. Em 1938, Xunquim transformou-se na capital provisória da China Nacionalista durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, (1937-1945), depois da queda de Nanquim (Nanjing). Xunquim foi gravemente bombardeada pelas tropas japonesas durante esse período. https://pt.wikipedia.org/wiki/Xunquim

Anteriores referências aos bombardeamentos de Macau, na Guerra do Pacífico: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/18/noticias-de-16-e-20-janeiro-de-1945-bombardeamento-aereo-de-macau/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/01/16/noticia-de-16-de-janeiro-de-1945-bombarde-amentos-em-macau/

O Cônsul da França em Cantão , (1) conde de Chappedelaine (2) visitou Macau de 23 de Setembro a 1 de Outubro de 1872. O jornal «Gazeta de Macau e Timor» de 8 de Outubro,   reporta esta estadia.

Extraído de «Gazeta de Macau e Timor», I-3 de 8 de Outubro de 1872, p. 3

(1)

(2) Julien René Emmanuel Stephen de Chappedelaine, conde Chappedelaine foi Cônsul da França em Cantão (Shameen ou Shamian) de Abril de 1872 a Junho de 1872 (interino). Nomeado em 10 de Junho de 1872 até 9 de Setembro de 1872, Cônsul-geral de França em Shanghai (interino). Em 10 de Setembro de 1872,voltou a ser nomeado (2.ª vez, interino) cônsul interino em Cantão até 1873. Voltou a ser nomeado pela 2.ª vez, cônsul interino em Shanghai de 25 de Maio de 1875 a 13 de Fevereiro de 1876. Nascido em 1844 (e falecido em 1917) é filho de Charles Marie de Chappedelaine (1817-1895), cavaleiro da Legião de Honra da França e de Barbe Holinska (ca 1820-1898). Julien René E. S. de Chappedelaine recebeu também, em 31-12-1904 a nomeação de Oficial da Legião de Honra. https://gw.geneanet.org/pierfit?lang=en&p=julien+rene+emmanuel+stephen&n=de+chappedelaine

Extraído de «O Macaense», Vol. V, n-º 1 de 10 de Junho de 1886

Luis Adolfo Lubeck dedicava grande amizade a Pedro Nolasco da Silva em cuja casa terá sido educado como irmão. A mãe Matilde Rosália Barreto foi encarregada de educação de Edith Angier (filha dum inglês protestante de Hong Kong que regressou a Inglaterra e que confiou a sua filha aos seus cuidados) que viria a casar com Pedro Nolasco da Silva em 1868. É autor duma poesia “À Memória de Pedro Nolasco da Silva” que escreveu em Shanghai em 14 de Outubro de 1912. Pedro Nolasco da Silva faleceu a 12 de Outubro de 1912 (1)

Luís Adolfo Lubeck nasceu em Macau a 25-08-1859 (batizado na Igreja de S. Lourenço a 4-04-1866 e faleceu em Shanghai a 06-07-1922. Guarda livros. casou com Ana Joaquina Tavares, em Shanghai. É filho mais velho de Louis Augustus Lubeck e de Matilde Rosália Barreto (viúva, em 1871, ingressou no Convento das Irmãs da Caridade (Canossianas) em Hong Kong). O pai, Louis Augustus Lubeck nasceu na Suécia cerca de 1817, em 1849 vivia em Hong Kong onde era armador de navios e em 1850 foi para Macau, onde faleceu a 14-06-1863. (2)

O irmão de Luís Adolfo, Henrique Carlos Lubeck (Macau 15-07- 1861/ Shanghai a 17-04-1943) foi baptizado em S. Lourenço no mesmo dia do irmão. Terá sido Henrique (3) o primeiro a emigrar para Shanghai.

L.A Lubeck, foi o correspondente em Shanghai dos jornais macaenses “ O Macaense” e “O Mensageiro” . (4)

 “O Macaense” I-1 de 28 Fevereiro de 1882, p. 4

Foi eleito Presidente, do “Club de Recreio”, de Shanghai em 1897 (neste cargo pelo menos até 1903) (5) e também Presidente da “Associação Macaense de Socorro Mutuo” de Shanghai, em 1918. (6)

NOTA: Sobre a família Lubeck, recomendo leitura do blogue onde está ”The Story of the Lubeck Family … and their house in Shanghai”

(1) REIS, João C. – Trovas Macaenses, 1992 pp. 113-116

(2) Em Junho de 1863, um tufão destruiu a empresa de Louis Augustus Lubeck tendo este falecido nesta data (está sepultado no Cemitério Protestante – túmulo n.º 214).

 Os filhos, Luís Adolfo e Henrique, de 5 e 3 anos de idade ficaram a cargo das autoridades portuguesas, tenho depois sido entregues à família Nolasco da Silva, para educação.

(3) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume II, 1996, pp.423 –

(4) Os nomes de H. O Lubeck e L. A. Lubeck, constam no livro “The Desk Hong List; A general and business directory for Shanghai and the Northern and River Ports etc. 1884″,com a seguinte indicação:

Lubeck Fire Insurance Co: Lubeck. Mrs. H. O. – n.º9, Boone Place, Lubeck, Mrs. L. A – 13, Canton Road https://archive.org/stream/1884deskhonglist/1884deskhonglist_djvu.txt

(5) O “Club de Recreio” de Shanghai foi fundado por macaenses, nos princípios de 1890 e em 1893 a sede estava localizada no “No. 36 Whangpoo Road “. Em 1903, a sede foi transferida para “North Szechen Road No. 31”.

(6) A “Associacao Macaense de Socorro Mutuo” de Shanghai foi instituída na década de 10 com sede localizada na “North Szechuen Road n.º 32”

Pequeno trecho extraído da “Noticia sobre as Lorchas de Macau” do livro “Macau em 1850 – Crónica de Viagem” de Carlos José Caldeira, Capítulos XXXI- XXXII, pp.193 e 205 (1)

“Em 25 de Abril de 1851 saiu da rada de Macau a corveta. Joaõ I, com destino para Xangai, onde havia pouco tempo fora reconhecido pelas autoridades chinesas o cônsul português, e convinha ali fazer tremular pela primeira vez o nosso pavilhão de guerra. O comandante da corveta levava instruções para recolher informações sobre o procedimento de várias das lorchas de Macau, nas costas do Norte da China, e para adoptar providências oportunas paras erem castigados os excessos e crimes por elas praticados, do que havia contínuas queixas em Macau dirigidas pelo governador de Hong Kong, que pedia ou antes exigia sérias medidas a tal respeito. Desgraçadamente estas queixas tinham em grande parte fundamento, e para elas bem se compreenderem entrarei em algumas particularidades sobre as lorchas de Macau, e importância do seu tráfego; assunto pouco conhecido, porém curioso em mais de um sentido.

Ainda em 1835 contava a praça de Macau 18 navios de longo curso: hoje tem apenas 8 e são: barcas, 2 brigues e 3 escunas. As lorchas da mesma praça andam por 60 actualmente em serviço, medindo ao todo umas 4 000 toneladas.

Há 8 lorchas de 100 toneladas para cima, contando a maior 146; há 34 de 50 a 100 toneladas, e as restantes são para menos de 100 toneladas, sendo a mais pequena de 38.

Estas lorchas montavam 557 canhões de calibres diferentes, a saber:

Calibre 1 …………..………… Canhões   35

Calibre 2 …………..……..…. Canhões   71

Calibre 3 ………………..…… Canhões   82

Calibre 4 …………..….…..… Canhões 198 

Calibre 5 ………..…………… Canhões 134

Calibre 9 …………..…………. Canhões   16

Calibre 12 ………..…..……… Canhões   15

Calibre 18 ………………..….  Canhões     5

Calibre 24 Paixhans……… Canhões     1

                           Total ……………….…..557

A lorcha de maior força montava 20 peças e tinha portinholas para mais 2: as mais pequenas tem de a 6 peças, e em quase todas estão montados em rodizio os canhões do calibre superior.

Os armamentos e apetrechos de guerra eram os seguintes:

Espingardas ………………………………….….. 304

Lanças ……………………………….……………….423

Espadas …………………………………………..….182

Machados………………………………………………81

Pistolas ……………………………………………..….54

Balas …………………………………………..….15 725

Metralha em libras portuguesas ……….14 131

Barris de pólvora …………………………..…….502

O total das lorchas, pelas matrículas correspondentes quando se fazem ao mar, levam termo médio de 380 a 420 portugueses, e de 480 a 525 chinas….(…). Estas lorchas foram feitas em Macau, e grande parte nos anos de 1847 e 1848, e algumas posteriormente. Esta cidade apresenta muitos recursos e operários para as construções navais, e em poucos meses bastantes lorchas se poderiam fazer e apetrechar. … (…)” (1)

Boletim do Governo da Província de Macau, Timor, e Solor, VI, n.º 28 de 31 de Maio de 1851, p.86

“Em 21 de Maio, com excelente tempo, viu-se entrar na rada de Macau a corveta D. João I, toda empavesada e até com sobrejoanetes largos. Causou isto geral supressa, e logo grande desgosto ao governador. A corveta vinha arribada, e falhara a comissão de Xangai. … (…). Em 27 de Maio, 5 dias depois de arribada, saiu a corveta para Vampu no rio de Cantão, onde esteve algum tempo fundeada, e dali regressou para Macau.” (1)

(1) CALDEIRA, Carlos José, Macau em 1850 – Crónica de viagem. Quetzal Editores, 1997, 342 p. Anteriores referências a este autor: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/carlos-jose-caldeira/

Em Fevereiro de 1918, registaram-se, em Macau, alguns casos da epidemia de meningite cerebro-espinal, vinda de Hong Kong por contágio de forças australianas em trânsito para o teatro da guerra em França” (1)
A doença “Meningite Cerebro-Espinal” afectou as tropas australianas estacionadas nos campos rurais na cidade de Victória em 1915 e espalhou-se para todos os estados da Austrália em 1916 e 1917, determinando medidas de isolamento e quarentena em toda a Austrália.
meningite-cerebroespinal-1918-iEm 1934, na revista científica médica, (2) William W. Cadbury publicou um artigo “Epidemic Cerebrospinal Meningitis in China” em que apresentava um quadro com a incidência da meningite cérebroespinal (números de casos e de mortes) em cinco cidades da China, de 1918 a 1932. Em 1918, Macau teve quatro casos de meningite (dados recolhido do relatório de Dr. Peregrino da Costa de 1932). (3)
meningite-cerebroespinal-1918-iiUm das primeiras epidemias meningiocócica na China foi em 1918. (4)
O primeiro caso foi declarado em 9 de Fevereiro de 1918 em Hong Kong mas provavelmente teria havido casos em Janeiro. A máxima incidência ocorreu em Março depois um decréscimo rápido durante o mês de April. Reportaram-se 1 232 casos com uma mortalidade de 76 %. (968 mortes) Durante este período nenhum caso foi declarado oficialmente  em Cantão mas durante o ano de 1918, 1 caso fatal num Hospital em Cantão. (5)
Nos anos seguintes, os casos diminuíram em Hong Kong (nenhum caso em Macau) verificando-se novo aumento progressivo a partir de 1926.  Nova epidemia,  em 1932, que se iniciou no distrito vizinho de Chung San atingiu Macau e  a causa foi atribuída aos milhares de refugiados que foram para Macau, Hong Kong e Cantão devido ao ataque de Shanghai pelos japoneses.
Em Macau esta epidemia assumiu proporções (cerca de 600 casos  com uma mortalidade de 58%)  que vieram a ser detalhadamente descritos pelo Dr. Pedro J. Peregrino da Costa. (3)
(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
(2) CADBURY, William W –  Epidemic Cerebrospinal Meningitis in China. American Journal of Public Helth and meningite-cerebroespinal-1918-iiiThe Nation´s Health Vol 24, September, 1934, Number 9
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1558731/pdf/amjphnation00920-0009.pdf
(3) COSTA, P. J. P. da – Relatório da Epidemia de Meningite Cerebro-Espinal em Macau.  Macau, 1932.
Relatório que mereceu o seguinte despacho do Encarregado do Governo, João de Magalhães de 15-06-1932 : «Aprecio muito este relatório do Sr. Dr. Peregrino da Costa, a quem louvo pelos seus relevantes serviços.» O relatório foi publicado no Boletim Oficial e foi traduzido em inglês, de que se tirou separata.
TEIXEIRA, Pe. Manuel – A Medicina em Macau, Volumes III-IV, 1998p.344
Dr. Pedro Joaquim Peregrino Francisco da Costa (1890) tenente-médico em 29-07-1916, embarcou para Macau a 9 de Outubro de 1916 tendo chegado a este território em 12 de Dezembro. Regressou a Portugal em 1919 e de novo foi colocado em Macau em 1920, chegou somente a 12 de Março de 1921. Entre outros cargos em Macau, foi director do Laboratório Bacteriológico e director dos Serviços de Saúde e Higiene da colónia. É também autor dos Relatórios da epidemia de cólera de 1937 e 1938. Reformado no posto de tenente-coronel em 1937, esteve em Macau 14 anos e 14 dias.
(4) Quarentena em Hong Kong
Public Health Reports (1896-1970),Vol. 33, No. 35 (Aug. 30, 1918), pp. 1470-1476
https://www.jstor.org/stable/4574878?seq=1#page_scan_tab_contents
(5) Em Macau, uma das medidas foi a construção em 13 de Março de 1918, de um pavilhão destinado ao isolamento e tratamento de doenças epidémicas, na Colina de D. Maria. Em 6 de Abril de 1918 foi publicada em Boletim Oficial, as medidas profilácticas contra a doença. (1)

Para angariar fundos destinados à criação duma secção desportiva, os portugueses de Xangai, que se encontravam refugiados em Macau, organizaram no dia 16 de Setembro de 1951, um festival desportivo, no campo Desportivo 28 de Maio, que alcançou retumbante êxito, com encontros de softbol (do inglês: softball), (1) tendo prestado o seu concurso vários grupos desportivos desta modalidade  da vizinha colónia de Hong Kong. (2)

mosaico-iii-14-out1951-softbol-iA equipa portuguesa feminina de softbol “Wahoos”, campeã de Hong Kong em épocas sucessivas.
mosaico-iii-14-out1951-softbol-iiA equipa portuguesa “Squaws”, que se tem evidenciado, extraordinariamente, nos torneios de Hong Kong
mosaico-iii-14-out1951-softbol-iiiO grupo português de softbol  “Braves”, campeão de Hong Kong em 1949, 50 e 51
mosaico-iii-14-out1951-softbol-ivA equipa chinesa “Pandas”, uma das mais afamadas de Hong Kong

(1) O softbol foi inventado por George Hancock em 1887 nos Estados Unidos, que arranjou uma forma de se praticar o basebol em recintos desportivos cobertos. Por isso é um desporto muito parecido com o basebol (objectivo do softbol, tal como o do basebol, é marcar o maior número possível de pontos “corridas” para vencer o jogo), sendo as regras praticamente as mesmas. As principais diferenças entre o softbol e o basebol são as dimensões da bola (maiores no softbol), as dimensões do campo (menor do que o de basebol) e a duração do jogo (que é de sete entradas no softbol, em vez de nove). Além disso, o lançamento no softbol é completamente diferente, tem de ser feito por baixo, junto à anca. Outras regras menos expressivas como o roubo de bases e a mecânica das substituições de jogadores também diferencia estas modalidades. Em termos de alta competição o softbol é maioritariamente praticado por equipas femininas. Esteve incluído no programa dos Jogos Olímpicos a partir de Barcelona 1992, até Pequim 2008.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Softbol
(2) Informações de «Mosaico» Vol III, n.º 14, Outubro de 1951