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Entrevista em exclusivo com o “patrão” de Macau, Stanley Ho, dada ao jornalista José Pedro Castanheira em 1987, num dos escritórios do casino do Hotel Lisboa e publicada no “O Jornal Ilustrado”, suplemento da edição n.º 627 de “O Jornal” de 27 de Fevereiro a 5 de Março de 1987.

Algumas das frases mais chamativas:
“Se Macau prospera, eu também”
“Gostaria de ver mais mudanças em Portugal sobretudo na legislação laboral”
“Preferia um Governo maioritário”
“Volume de negócios? Não posso dizer!
“No Casino Estoril só temos tido trabalho, problemas e alguns pedidos de ajuda”
Ver anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/stanley-ho/

Retirado do BGU, Abril de 1962.

Faleceu em Hong Kong no dia 24 de Março de 1993, José Santos Ferreira (Adé). (1)
José Inocêncio dos Santos Ferreira, nasceu a 28-07-1919. Foi com a idade de 7 anos que começou a aprender as primeiras letras. Matriculou-se em 1931 no Liceu mas devido a falta de dinheiro para as propinas escolares frequentou até ao 5.º ano. O seu primeiro emprego foi na Repartição das Obras Públicas como amunuense recebendo apenas algumas dezenas de patacas. Cumpriu o serviço militar obrigatório de 1939 a 1940 mas devido à Guerra Sino-nipónica e à Guerra do Pacífico foi forçado a prestar o serviço militar mais alguns meses. Foi chefe de secretaria do Liceu. Trabalhou na Sociedade de Turismo e Diversões de Macau apór reformado.
Quando trabalhou no Liceu colaborava com jornais de Macau como por exemplo: “Notícias de Macau”, o “Clarim”, “Gazeta Macaense”. Foi um grande desportista praticando várias modalidades em especial o hóquei no Campo de Tap-Seac. Além disso tomava parte nas representações no Teatro D. Pedro com diálogo em patuá. Foi Mesário da “Santa Casa da Misericórdia de Macau”, director do “Club de Macau”, presidente do “Rotaty Club de Macau”. Condecorado com a medalha de Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique em 1979” (2)

JARDIM ABENÇOADO
Nôsso Macau, terá sánto
Sã unga jardim bendito
Co fula di más bonito,
Semeado na tudo cánto
 
Tudo fula são abençoado,
Pôs Dios j´ajudá semeá
Gente antigo regá
Co lágri adocicado.
 
Coraçám, triste, chorá,
Almá fica margurado
Si têm gente mal-prestado
Dessá fula cai, muchá.

Macau sã casa cristám
Qui Portugal já ergui;
Tudo gente vivo aqui
Têm fé na su coraçam.
 
Olá fé co amor juntado,
Sã cuza Dios más querê …
Vôs ne-bom disparecê,
Macau, jardim abençoado
José dos Santos Ferreira (3)

(1) Ver anteriores referências a este grande promotor das récitas em Patuá, além de praticante e dirigente desportivo em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-dos-santos-ferreira/
(2) BARROS, LeonelHomens Ilustres e Benfeitores de Macau, 2007, pp. 103-105.
(3) Poesia em dialecto macaense, primeiro poema do livro “Macau Jardim Abençoado” com poesia e prosa em “língu maquista”, publicado em 1988, pelo Instituto Cultural de Macau. Capa de Ung Vai Meng. O livro está dividido em duas partes. A 1.ª parte, os textos são no dialecto macaense e a 2.ª parte,  os textos são em português.
FERREIRA, José dos Santos – Macau Jardim Abençoado. Instituto Cultural de Macau, 1988, 181 p.

“MACAU. JARDIM ABENÇOADO é um livrinho simples e despretensioso, como o são, afinal, a terra de sonhos e o bom povo de quem fala. Tudo que há nele, página a página, de verso em verso, foi ditado pelo coração, escrito com o amor que Macau nos inspira em todos os momentos e actos da nossa vida.
         Macau cristã
         Minha única riqueza,
         Meu tudo na vida…
O maior bocado deste volume é apresentado na doce “língu maquista”, esse aliciante dialecto antigo criado pelos nossos maiores e que constitui, sem dúvida, uma das mais características tradições desta terra repassada de glórias e sentimentos cristãos, bem orgulhosa da Pátria que jurou amar para todo o sempre…” (“Aos leitores” na pág. 9) (3)

Do meu amigo, José Felício, agradeço o envio deste “poster/autocolante” (digitalizado) do “ III RALLY-PAPER DA A. A. L. M. “ (Associação dos Antigos Alunos do Liceu Nacional Infante D. Henrique) que se realizou no dia 26 de Janeiro de 1992. (1)
Os prémios:
iii-rally-paper-1992-a-a-l-mO “ III Rally-Paper da A. A. L. M.” que era para ser realizado em 1991, foi também, a última que se realizou pois “os rally-papers, não tiveram continuação. O crescimento de Macau ditou o aumento do trânsito e, consequentemente, o fim desta actividade.” (2)
Os prémios:
1.º Prémio: Viagens no valor de MOP 8 000.00
2.º Prémio: Viagens no valor de MOP 4 000.00
3.º Prémio: Viagens no valor de MOP 2 500.00
Patrocínio: Aldifera; S. T. D. M., Construções Técnicas, C. E. M., Serviços Sociais Administração Pública, C. T. T., e Livraria Portuguesa.
(1) Ver anterior referência aos “rallies” da A. A. l. M. em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/10/15/noticia-de-15-de-outubro-de-1989-rally-paper-da-a-a-l-m/
(2) PALAVRA, Mariana – Os Primeiros 15 anos da Associação dos Antigos Alunos do Liceu Nacional Infante D. Henrique de Macau (AALM), 2004.

MOSAICO II-9 MAI1951 Ponte n.º 16 IAspecto exterior da nova Ponte n.º 16
Inaugurada em 1951 mas na sua fachada está inscrita a data de 1948 (1)

No dia 7 de Abril de 1951, inaugurou-se a ampla Ponte-cais  n.º 16, sólida construção, em cimento armado, de linhas modernas e singelas, situada mesmo à entrada da Avenida Almeida Ribeiro, a principal artéria da cidade.

MOSAICO II-9 MAI1951 Ponte n.º 16 IIO Governador Comandante Albano Rodrigues de Oliveira efectuando o corte simbólico da fita inaugural
MOSAICO II-9 MAI1951 Ponte n.º 16 IIIUm aspecto da assistência no acto inaugural

A Ponte-cais n.º 16 foi expressamente construída para servir o luxuoso barco Tai Loi (2) da carreira Macau-Hong Kong
Tanto a Ponte n.º 16 como o barco Tai Loi são dois novos empreendimentos que se devem à Companhia de Navegação Tak Kee” (3)
MOSAICO II-9 MAI1951 Ponte n.º 16 IVAté princípios da década de 60 (século XX) a maioria dos barcos de carreira de passageiros (bem como os de carga) atracavam no Porto Interior. Depois de 1962, com a concessão do jogo à S. T. D. M. e a introdução da carreira de passageiros por hydrofoil, uma nova ponte-cais seria construída na Avenida marginal Dr. Oliveira Salazar (hoje Avenida da Amizade). Com o declínio e fecho da carreira Macau-Hong  Kong com os navios de passageiros tradicionais, no Porto Interior manteve-se somente o tráfego para os barcos de carga.

Fotos e referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/12/09/noticia-de-9-de-dezembro-de-1964-fotos-do-porto-exterior/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ponte-cais/

Hotel Sofitel Macau at Ponte 16 IFoto de 2007, retirada (com a devida vénia) de um blogue (inactivo desde 2009)
http://existiremmacau.blogspot.pt/2007/04/ponte-n16.html

(1) Posteriormente, pintaram a fachada de amarelo e depois de cor-de-rosa, retirando a data e os caracteres chineses, mantendo-se somente a inscrição “PONTE N.º 16“. Em 2007, mantendo o edifício na frente, construíram o complexo de 20 andares  com hotel/resort  de 5 estrelas da cadeia “Sofitel, 408 quartos, lojas, restaurantes, bares, piscinas, centro de saúde e de lazer, sala de reuniões multi-usos, museu 3D e claro, um casino – Hotel Sofitel Macau at Ponte 16″  澳門十六浦索菲特大酒店-  inaugurado em 2008 ( Rua das Lorchas e Rua do Visconde Paco de Arcos, entre Pontes 12A a 20).

Hotel Sofitel Macau at Ponte 16 IIhttp://www.agoda.com/pt-pt/sofitel-macau-at-ponte-16-hotel/hotel/macau-mo.html

(2) “Tai Loy” , o primeiro barco com casco de aço  construído em Hong Kong depois da 2.ª Guerra Mundial.
Ver anterior referência a este navio em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ponte-cais-n-o-16/
(3) Reportagem e fotos de «MOSAICO, 1951.»

Os «Pequenos Cantores» do Colégio D. Bosco deslocaram-se Japão, numa embaixada de arte e de boa-vontade. Levaram nas suas vozes o coração da sua terra natal, que historicamente se encontra ligada aquele país por laços muito antigos, que é preciso não só manter como estreitar para que deste facto resultem as mais benéficas consequências. A viagem foi patrocinada pelo Governo da Província e outras organizações locais, designadamente a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau.
Acompanhados do seu maestro, o Padre César Brianza, (alma dinâmica de todo o conjunto) de alguns superiores do estabelecimento a que pertencem, o grupo aterrou no aeroporto de Tóquio, no dia 5 de Abril de 1974, onde foram distinguidos com uma recepção amistosa.

MACAU B. I. T. X, 1-2 MARABR 1974 Pequenos Cantores I

Diário: 05-04-1974
Viam-se operadores de Televisão, raparigas com ramos de flores frescas, cravos vermelhos… (…)
Ficaram hospedados o hotel budista «Dansan Kaikan» destinado a peregrinos, mas dotado dos melhores e das mais confortáveis comodidades. Ficaram a servir os jovens, tratando sobretudo da roupa, um grupo de jovens japonesas que para este serviço se ofereceram voluntariamente, num gesto magnífico de amizade para corresponder à mensagem de boa vontade trazida de Macau pelos componentes do grupo musical, o que mostra o alto e refinado civismo da juventude japonesa … (…)
A Sociedade Luso-Nipónica teve uma parte importantíssima na recepção carinhosa que em todas as cidades japonesas foi tributada aos artistas visitantes, honrando desta maneira as suas tradições no fomento da amizade entre os dois países, entre os dois povos.

MACAU B. I. T. X, 1-2 MARABR 1974 Pequenos Cantores IIAs raparigas que voluntariamente cuidaram dos «Pequenos Cantores»

Diário: 06-04-1974
O primeiro concerto, que marcou a primeira comunicação artística com o povo japonês, e sobretudo com a sua esperançosa juventude, realizou-se na Universidade de Rokkyo, protestante, com uma assistência que ocupava literalmente a sala de espectáculos, predominando a juventude feminina. os aplausos entusiásticos que sublinharam cada interpretação traduzem o agrado de todos perante a audição, o que dispensa mais comentários. Esteve presente o Dr. Manuel Coutinho, embaixador de Portugal no Japão, que empenhadamente se interessou para que da missão dos «Pequenos Cantores» resultassem os maiores benefícios para as relações entre os dois povos.
No refeitório da universidade, onde foi servido o almoço, o coro desta escola superior entoou o «Laudate, pueri, Dominum», letra em latim, o que é interessante verificar num país tão afastado da cultura latina.
Seguiu-se, da parte da tarde, o converto organizado pela Associação da Indústria Corticeira, aproveitando-se a oportunidade para se proceder à entrega de condecorações a várias entidades japonesas, das ordens portuguesas, impostas pelo Dr. Manuel Coutinho.
Este organismo importa de Portugal toda a cortiça com que negoceia, tendo os «Pequenos Cantores»   visitando a sua fábrica no último dia da sua estadia em Tóquio, uma fábrica de magnífica instalações e moderníssimo equipamento.
O concerto teve a presença duma selecta assistência , predominado os elementos  ligados à Associação , que primou para que os visitantes fossem envolvidos numa recepção amiga, num ambiente de quente fraternidade
………………………………………………………….continua
Reportagem não assinada e fotos de «MACAU B. I. T.urismo, 1974»

A propósito do Grande Prémio de Macau (a 61.ª edição) que este ano, se realizará de 13 a 16 de Novembro, apresento uma visão dessas “corridas de carros” no circuito da Guia, em banda desenhada, dos princípios da década de 80 (século XX). O álbum original em francês foi publicado em 1983.

BD Encontro em Macau CAPA

Este livro de 1995, com edição em português «Michel Vaillant – Encontro em Macau» foi um número especial de venda conjunta e inseparável com o jornal “AutoSport“. (1)

BD Encontro em Macau Michel VaillantPersonagem da banda desenhada francesa, herói de múltiplas aventuras no grande circo do desporto automóvel (todas as suas aventuras decorrem nas provas automobilísticas desde a fórmula um até ao rallies). Michel Vaillant é piloto da equipa do pai, Henri Vaillant, proprietário dos motores Vaillant usados nessas corridas. O seu irmão Jean-Pierre, é o construtor. A série Michel Vaillant que retrata portanto o mundo do desporto automóvel, é criação de Jean Graton (1.ª aparição em 7 de Fevereiro de 1957, numa revista «Tintin» n.º 433). Nos anos noventa, o seu filho, Philippe Graton passou a colaborar nos argumentos. (2)

BD Encontro em Macau Circuito GuiaSinopse: Enquanto o grande prémio de Macau decorre dentro da normalidade, a equipa Vaillant aproveita o acontecimento para se reunir com um possível parceiro asiático. No entanto, trata-se de uma operação de grande envergadura, a qual deve-se manter “top secret”, para evitar qualquer tipo de vigilância ou de intercepção pela concorrência. Mas, para ganhar os futuros associados, requer uma vitória de dois carros Vaillants no grande prémio e vencer as manobras maquiavélicas de Ruth, que quer a todo o custo obter o contrato milionário! (3)

 

BD Encontro em Macau Teddy IpO autor retrata neste “Encontro em Macau”, uma personagem real, figura que muito contribui para a projecção do Grande Prémio de Macau, Theodore “Teddy” Yip.(4) Entusiasta em corridas já na década de 50, começou a participar nas corridas em Macau como piloto desde 1956 (terminou em terceiro em 1963, com um Jaguar E-Type, no ano que Arsenio Laurel ganhou pela 2.ª vez em Macau). Era proprietário da «Theodore Racing Team» , equipa, que nos anos 70, participou em diversos campeonatos automobilísticos: Indi, Formula 5000, Can Am e fórmula 2. Esta equipa tentou entrada na Formula 1 em 1978 sem grandes resultados (participação numa só corrida). Patrocinou vários corredores em Macau, entre eles, Ayrton Senna que venceu em 1983, o 1.º Grande Prémio de Macau em Fórmula 3.

Referência anterior de Teddy Yip em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/10/estrada-de-cacilhas-i/
(1) GRATON, Jean (texto e desenhos) – Michel Vaillant, Encontro em Macau. 2005.
Tradução de «Rendez-vous à Macao», de 1983, publicado pela “Graton éditeur”, (editora criado pelo próprio em 1982). A 1.ª edição em português foi editada pela Meriberica/liber em 1984, republicada no Jornal da BD e posteriormente Álbum Auto Sport (2005)
A colecção Michel Vaillant é editada em Portugal por Criativos – Marginália Editora.
(2) http://en.wikipedia.org/wiki/Michel_Vaillant
(3) http://comics-na-web.blogs.sapo.pt/43393.html.
(4) Theodore “Teddy” Ip (ou Yip) 葉德利 (1907-2003), de nacionalidade holandesa (nasceu na Indonésia de pais chineses, na altura colónia holandesa) negociante em Hong Kong a partir dos anos 40. Em 1962 formou com Stanley Ho, Yip Hon e Henry Fok, a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (S.T.D.M.)
Outra referência a Teddy Ip em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/10/estrada-de-cacilhas-i/