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A. Marques Pereira – Efemérides Comemorativas da História de Macau. (1)
POSTAL – RUÍNAS DA IGREJA DE S. PAULO, c. 1925

As relíquias e a imagem de S. Francisco Xavier, foram salvas deste incêndio e em 19 de Fevereiro foram depositadas na Igreja de Santo António. Foram depois transferidas para a Sé e mais tarde estiveram em poder duma senhora macaense, donde passaram para o Seminário de S. José. A Companhia de Jesus celebrou em 1994, o IV Centenário co Colégio Universitário de S. Paulo (2)

Anuário de Macau, 1922, p. 10

POSTAL – RUÍNAS DE S. PAULO/RUINS OF ST. PAUL/大三巴牌坊
M 9402 (16,3 cm x 11,3 cm). Produced by Tak Lee Trading Co

(1) «Boletim do Governo de Macau» XIII-4, 28 de Janeiro de 1867,  p.20.

(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, 2015, Volume II, p. 72

Anteriores referências a este incêndio e à Igreja de S. Paulo em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-da-madre-de-deus-s-paulo/

“A inscrição do Relicário Grande de S. Francisco Xavier, em prata, que está fechado à chave e selado exposto na Igreja de S. José (Seminário de S. José), consta o seguinte:

Aqui está depositada a reliquia do
Glorioso S. Francisco Xavier Apostolo do Oriente
Este relicário foi mandado fazer em Londres por
António Pereira
Seus filhos e noras
E oferecido a
Sé Cathedral de Macau
Em 1.º de Septembro do anno de
1865

Sala «Sacrarium» da Capela de S. Francisco na Igreja de S. José

A relíquia de S. Francisco Xavier que consiste em um grande pedaço de osso do braço do Santo Apóstolo do Oriente e que viera de Goa para a igreja de S. Paulo de Macau, onde se conservou posteriormente à expulsão dos Padres Jesuítas, foi salva do incêndio que destruiu o complexo de S. Paulo a 26 de Janeiro de 1835.
A Relíquia do Braço de S. Francisco estava exposta em S. Paulo durante a batalha contra os Holandeses (24-06-1622).
A 3 de Fevereiro de 1835, foram entregues por António Teixeira Machado Bastos, por parte do Procurador do Leal Senado aos Padres Lourenço Taveira de Lemos e Rafael A de Sousa (nomeados pelo Vigário Capitular para este efeito), três baús de ossos que foram tirados, a maior parte, da parede da capela de S. Francisco Xavier, onde o Bispo D.. Francisco de N. Sra. Da Luz (1) havia depositado e mais alguns bocados de ossos que estavam no Santuário. Entre os objectos entregues estava “o caixilho de prata queimado com a cana do braço do Gloriosos S. Francisco Xavier que se tirou do sítio chamado santuário, de cima da parede, onde estava guardada esta Relíquia…”

Pormenor do braço de S. Francisco Xavier, Macau, Igreja de S. José

Em 19 de Fevereiro de 1835, foi transportado para a Sé Catedral onde se acha inventariada com nota à margem de ter sido, por ordem do Bispo D. António Joaquim Medeiros, (2) e entregue aos Padres do Seminário de S. José para a guardarem.
Essa (e outras relíquias que então estavam no Seminário) foram confirmadas (“comprovativo da autenticidade”) pelo mesmo Bispo.de Macau D. António Joaquim de Medeiros (1884-1897).(3)
Em 1974, a relíquia de São Francisco Xavier juntamente com as ossadas de mártires portugueses e japoneses mortos em Nagasáqui, durante as perseguições no ano de 1597, e as ossadas dos mártires vietnamitas do séc. XVIII, foram transferidas para a Capela/Igreja de S. Francisco Xavier, em Coloane. (4) Posteriormente, o relicário de prata como o osso do braço de S. Francisco Xavier, foi transferido para a Igreja de S. José.(5)
(1) Francisco de Nossa Senhora da Luz Chacim, O. F. M – bispo de Macau de 1804 a
1928.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-francisco-de-n-s-da-luz-chacim/
(2) António Joaquim de Medeiros – bispo de Macau de 1884 a 1897.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-antonio-joaquim-de-medeiros/
(3) Informações extraídas de TEIXEIRA, Padre Manuel – Macau e a Sua Diocese, Tomo II, 1940, p. 485 – 486).
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-francisco-xavier/
(5) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-jose/

Outro postal da colecção (1) de seis da Ilha da Taipa e dois da Ilha de Coloane, da década de 90 (século XX), com edição da Câmara Municipal das Ilhas. Indicações em português, chinês e inglês. Fotografia de Fong Kam Kuan.
Este é referente também à ilha de Coloane, nomeadamente ao antigo jardim, hoje Largo Eduardo Marques, onde está um monumento, (2) com uma lápide decorado com balas de canhão e correntes de ferro, evocativo dos combates contra os piratas nos dias 12 e 13 de Julho de 1910, e atrás, erigido mais tarde, a Igreja de S. Francisco Xavier (3)

Igreja de S. Francisco Xavier e obelisco comemorativo, Coloane
路環聖方濟各教堂反紀念碑– (4)
St. Francis Xavier´s Church and a memorial obelisk – Coloane.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/10/26/postal-da-ilha-da-taipa-da-decada-de-90-seculo-xx-iv-avenida-da-praia/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/10/17/postal-da-ilha-da-taipa-da-decada-de-90-seculo-xx-iii-mosteiro-de-pou-tai/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/10/10/postal-da-ilha-da-taipa-da-decada-de-90-seculo-xx-ii-biblioteca-do-carmo/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/10/08/postal-da-ilha-da-taipa-da-decada-de-90-seculo-xx-i/
(2) Ver anteriores referências:
nenotavaiconta.wordpress.com/tag/monumento-de-13-de-julho-coloane/

O largo Eduardo Marques em 1940.

(3) A Igreja de São Francisco Xavier (estilo barroco) foi construída e sagrada pelo então bispo de Macau D. José da Costa Nunes em 1928, para evangelizar e servir a pequena comunidade católica em Coloane.
Ela é a igreja matriz da Missão de São Francisco Xavier, que engloba toda a ilha de Coloane. A igreja foi ampliada em 1962 e depois restaurada em 2013, por parte do Instituto Cultural.
Estavam na igreja os ossos dos ”mártires do Japão e Vietnam” (5) que foram depois transferidos (alguns) para o Museu de Arte Sacra (nas Ruínas de S. Paulo), em 1996, e outros após escolha “devolvidos” ao Japão (6) e o relicário de prata que é um osso do braço de S. Francisco Xavier, que foi transferido para a Igreja de S. José.
Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-francisco-xavier
(4) 路環聖方濟各教堂反紀念碑 mandarim pīnyīn: lù huán shèng fāng jì gè jiāo táng fǎn jì  niàn bēi; cantonense jyutping: lou6 waan4 sing3 fong1 zai2 gok3 gaau1 tong4 faan1 gei2 nim6 bei1
(5) Estavam anteriormente na Igreja de S. Paulo, depois no Seminário de S. José e em 1978 transferidas para esta Igreja.
(6) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/martires-japoneses/

https://en.wikipedia.org/wiki/Coloane#/media/File:Macau_coloane_village_1.jpg

Jorge Álvares morre nos braços do seu grande amigo Duarte Coelho, na tarde do dia 8 de Julho de 1521: « … e foi enterrado ao pé de hum padrão de pedra com as Armas deste Reyno, que elle mesmo Jorge Àlvares alli puzera hum ano ante que Rafael Perestrello fosse aquellas partes no qual ano que ali esteve, ele tinha enterrado hum seu filho que lhe faleceo…» (1)
« … Estando os nossos no qual trabalho em perigo, em vinte e sete de Junho de quinhentos e vinte e um, chegou Duarte Coelho em um junco seu aperecebido, e com êle outro dos moradores de Malaca. O qual, tanto que soube dos nossos o estado da terra, e como o Itau, que era Capitão-mor do Mar, os cometera já por vezes, quisera-se logo tornar a sair; mas, vendo que os nossos não estavão apercebidos pera isso, po-los ajudar a salvar, ficou com êles. E principalmente por amor de Jorge Álvares, que era grande seu amigo, o qual estava tam enfêrmo, que da chegada dêle, Duarte Coelho, a onze dias, faleceu e foi enterrado ao pé de um padrão de pedra com as armas dêste reino, que êle mesmo Jorge Álvares ali pusera um ano ante que Rafael Perestelo fêsse àquelas partes; no qual ano que ali esteve, êle tinha enterrado um seu filho que lhe faleceu…» (2)
Numa postagem anterior sobre Jorge Álvares (3) sublinhei o seguinte:
Por falar em Jorge Álvares, consta-se que foi Sarmento Rodrigues, nessa viagem a Macau, em 1952, quem mandou erguer uma estátua a Jorge Álvares. Coincidência ou não… eram ambos de Freixo de Espada à Cinta.
Ora este Jorge Álvares embora venha mencionado em muitos trabalhos como natural de Freixo de Espada à Cinta, não há documento que comprove tal facto.
Artur Basílio de Sá, autor do livro “Jorge Álvares”, (2) retrata não o Jorge Álvares (cuja naturalidade não se conhece) escrivão, por mercê do capitão de Malaca e modesto armador de um junco, primeiro europeu a aportar a China por via marítima em 1513 mas outro Jorge Álvares, este sim, natural de Freixo de Espada à Cinta, abastado mercador e capitão de um navio, homem do mar, navegador por vocação, primeiro cronista do Japão, grande amigo do padre Mestre Francisco Xavier, a quem tanto procurou auxiliar nos seus trabalhos apostólicos, pondo ao serviço do santo o seu navio, o seu saber e a sua fé de zeloso e instruído cristão.
Assim mesmo na Introdução, o mesmo autor escreve:
“Com sobejos motivos e fundamentos se interessou pois, o Sr. Comandante Sarmento Rodrigues quando ainda Ministro do Ultramar, por uma justa consagração daquele seu conterrâneo na sua vila natal. E para que naquela terra transmontana se pudesse erguer um condigno monumento ao insigne navegador dos ares do Oriente e primeiro cronista do Japão, teve intervenção decisiva e generosa o Sr. Governador de Macau, contra-almirante Joaquim Marques Esparteiro, concedendo para esse efeito um subsídio, retirado da verba destinada ao levantamento em Macau da estátua do outro Jorge Álvares, o primeiro navegador ocidental que foi à China e cuja naturalidade ainda se não conhece.”
Cita o mesmo autor: “ … no período situado entre 1511 e 1550, o nome de Jorge Álvares aparece-nos a designar alguém que desempenha ofícios vários em datas diferentes:
– Em 1511, o escrivão da nau «S. João Rumessa» chamava-se Jorge Álvares
-Em 1514, o primeiro português qua vai à China como feitor da fazenda de el-rei embarcada no junco do bendara de Malaca, chamava-se Jorge Álvares.
-Em 1518, o homem de armas que sabia a língua malaia e traduziu três cartas dos reis das Moluscas tinha igualmente o nome de Jorge Álvares.
– Finalmente, em 1548, um dos grandes amigos do Padre Mestre Francisco chama-se também Jorge Álvares., que Fernão Mendes Pinto diz ser natural de Freixo de Espada à Cinta.”
A estátua que está em Freixo de Espada à Cinta (foto anterior) é deste navegante (e não o da China) embora a escultura dele seja de Euclides da Silva Vaz (1916), o mesmo escultor que fez a estátua do Jorge Álvares colocada em  Macau (foto seguinte).

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_%C3%81lvares

A estátua foi colocada frente ao edifício das Repartições, na então zona de aterro da baía da Praia Grande, a 16 de Setembro de 1954 (data do descerramento)
(1) BARROS, João de – Da Ásia (edição de 1777), Década III, Liv VI, Cap. II in KEIL, Luís – Jorge Álvares O Primeiro Português que foi à China (1513). Instituto Cultural de Macau, 1990.
(2) SÁ, Artur Basílio de – Jorge Álvares, Quadros da sua biografia no Oriente. Agência Geral do Ultramar, 1956, 143 p.
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/01/07/noticia-de-7-de-janeiro-de-1514-leitura-jorge-alvares-o-primeiro-portugues-que-foi-a-china-1513/
Anteriores referências a Jorge Álvares
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jorge-alvares/

Carta do irmão Fernão Mendes ao padre Baltasar Dias, reitor da Companhia de Jesus em Goa , datada de 20 de Novembro de 1555.

“…E aos 20 de Julho chegámos a Sanchão, (1) onde o padre saiu em terra e foi dizer missa sobre a cova onde  o  nosso padre bem-aventurado mestre Francisco Xavier fora enterrado, a qual já achámos coberta de muitas ervas, que arrancámos com as mãos, e alguns com muito sentimento e devoção, porque ali parece que dava Nosso Senhor muito a sentir que para que era mais senão acabar ali um homem sua vida e ali ser enterrado. E dali nos embarcámos e viemos ter a 3 dias de Agosto a Lampacau, onde os navios fazem fazenda, donde o padre  mestre Melchior (2) foi duas vezes a Cantão, como lhe lá escreverá…” (3)

MAPA - China Regio Asiae 1589CHINA REGIO ASAE, mapa anónimo possivelmente de origem portuguesa, de meados do  século 16 (4)

“Partidos nós desta ilha de Champeiló, fomos demandar as ilhas de Cantão, e aos cinco dias de nossa viagem, prouve a Nosso Senhor que chegássemos a Sanchão, que era a ilha onde fora enterrado o padre mestre Francisco, como atrás tenho dito. Ao outro dia pela manhã, toda a gente da frota desembarcou em terra e nos fomos todos em procissão ao lugar do jazigo do santo padre, o qual achámos já todo coberto de ervas e de mato, sem aparecer dele mais que só as pontas das cruzes de que estava cercado; porém logo por todos foi limpo e preparado com muita devoção, e após isso fechado com umas grades de pau  fortes, e por fora se fez mais outra estacada, e todo o chão ao redor foi muito limpo e aplainado, e toda esta obra em roda estava cercada de muito bons valos, `enetrada dos quais estava uma cruz muito alta e muito formosa… (…)
Ao outro dia pela manhã nos partimos desta ilha de Sanchão, e ao sol-posto chegámos a outra ilha que está mais adiante seis léguas para o norte, chamada Lampacau, onde naquele tempo os portugueses faziam sua veniaga com os chins, e aí se fez sempre até ao ano de 1557, em que os mandarins de Cantão, a requerimento dos mercadores da terra nos deram este porto de Macau, onde agora se dfaz, no qual sendo antes ilha deserta, fizeram os nossos uma nobre povoação de casas de três a quatro mil cruzados, e com igreja matriz em que há vigário e beneficiados, e tem capitão e ouvidor e oficiais de justiça, e tão confinados e seguros estão nela, com cuidarem que énossa, como se ela estivera situada na mais segura parte de Portugal.” (5)
(1) Ilha de Sanchoão – 上川 (mandarim pinyin: shàng chuān ; dǎo; cantonense jyutping: soeng5 cyun1 dou2). Também denominada Chang-Chuang, Sancian, San-choão
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ilha-de-sanchoao/
(2) Padre jesuíta Belchior Nunes Barreto, que esteve nas costas da China, de Agosto de 1555 a 7 de Junho de 1556 e exerceu o seu apostolado entre os 300 portugueses que se encontravam, então em Macau, Fundou uma missão de Cantão.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/fernao-mendes-pinto/
(3) CATZ, Rebecca D. – Cartas de Fernão Mendes Pinto e outros documentos. Editorial Presença, 1983
Alguns trabalhos desta investigadora norte-americana (Universidade de Califórnia, Los Angeles) relacionados com Fernão Mendes Pinto:
CATZ, Rebecca D. – Fernão Mendes Pinto, The Travels of Mendes Pinto. ed. & tr. Chicago and London (The University of Chicago Press) 1989, 663 pp., ISBN 0-226-66951-3.
CATZ, Rebecca D.  – A Sátira Social de Fernão Mendes Pinto: análise crítica da Peregrinação. Lisboa, prelo Editora, 1978, 358 p. (tradução de:  Iconoclasm as Literary Technique: A Study of the Satiric Devices used in the Peregrinação de Fernão Mendes Pinto (1972).
CATZ, Rebecca D.  – Fernão Mendes Pinto and His Peregrinação in Hispania. Volume 74, Number 3, September 1991.
http://www.cervantesvirtual.com/obra-visor/hispania–11/html/p0000002.htm
(4) Retiraoa de “Mapas e Iconografias dos Sécs. XVI e XVII” –  Mapa da China in Epitome theatri orteliani, praecipuarum regionum delineationes, minoribus tabulis expressas...; cópia equivalente à da ed. de Antuérpia, Christophorus, 1589, fl. 85r.
http://www.tdx.cat/bitstream/handle/10803/4951/fmpnro4de4.pdf;jsessionid=6E1775B5EBE59AF37C63E385C6F3658A.tdx1?sequence=4
(5) Retirado  das pp. 33-34: Fernão Mendes Pinto  – Peregrinação in SANTOS, Carlos Pinto; NEVES, Orlando – De Longe à China, Tomo I Instituto Cultural de Macau, 1988, p. 383.

São Francisco Xavier (Francisco de Jasso Azpilcueta Atondo Y Aznáres) nasceu a 7 de Abril de 1506 e faleceu na Ilha de Sanchoão a 3 de Dezembro de 1552. (1)
Recordo aqui o livro do Padre Benjamin Videira Pires sobre “Xavier em Sanchoão” (2)

Benjamin Videira Pires- Xavier em Sanchoão I

A primeira descrição da Ilha de Sanchoão, com um mapa rudimentar dela e dos seus arredores, é em xilogravura chinesa e caracteres latinos, de 1700: “RELATIO SEPULTURAE MAGNO ORIENTIS APOSTOLO S. FRANCISCO XAVERIO ERECTAE IN INSULA SANCIANO ANNO SAECULARI MDCC por Gaspar Castner, S. J., de Munique, e missionário em Fat-Shán. Reeditada com um valioso prefácio e comentário de Giuseppe Ros em Bessarione 11 (1907).
Uma segunda e longa descrição da mesma ilha (mas “sem fundo histórico” segundo Padre Videira Pires) foi do missionário J. B. Berthon, numa série de artigos intitulados “Autour du tombeau de Saint François-Xavier”, em “Les Missions Catholiques, 18″ (1886)

Benjamin Videira Pires- Xavier em Sanchoão ILHACHAPELLE DE S. FRANÇOIS XAVIER DANS L´ILE DE SANCIAN

Em 1557, António de Santa Fé, o catequista chinês que assistiu à morte de Xavier, chamou à ilha, pela primeira vez, Sanchoão, como faria o P. Francisco de Sousa, em 1710, nome que este explica assim “Sanchoão compõe-se de três ilhas, que estão perto uma das outras e parecm uma única ilha. Por isso, se chama Samchoa (Sam- três) (Choa-ilhas), pelos chineses.”

Benjamin Videira Pires- Xavier em Sanchoão MAPA上川岛 ( mandarim pinyin: shàng chuān ; dǎo; cantonense jyutping: soeng5 cyun1 dou2).
Também denominada Chang-Chuang, Sancian, San-choãomapa de 1994

Data de 1544, o mapa mais antigo da ilha de Sanchoão, situada na costa sul da província de Cantão. Atribui-se a Pierre Descelliers, da escola cartográfica francesa de Dieppe. Foi desenhado, porém, sobre um portulano português que desapareceu. (4)

(1) Ver anteriores “posts” sobre S. Francisco Xavier em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/s-francisco-xavier/
(2) PIRES S. J. , Benjamin Videira – Xavier em Sanchoão. A Ilha de Sanchoão ontem e hoje. Monografia histórica. Macau, 1994, 39 p., I-VIII Estampas.
(3) Samchoa – três Ilhas 三 洲 (mandarim pinyin: sàn zhou; cantonense jyutping: saam1 zau1.
(4) SCHURHAMMER S. J., George – Francis Xavier, his life, his times. Translated by M. Joseph Costelloe, S. J. . The Jesuit Historical Insritute, Rome , 1982, Volume 4.º.

No dia 2 de Dezembro de 1866, organizou-se uma peregrinação a Sanchoão (1) em que se incorporaram 750 peregrinos. Devido a uma tempestade nesse dia, só puderam desembarcar 30 homens. Mesmo assim, foi celebrada missa e a chamada Cruz dos Macaenses, transportada para terra no dia anterior, foi erguida, ao fundo da escadaria, em comemoração dessa romaria.
A Cruz dos Macaenses tinha a seguinte inscrição: (2)
Em cima, verticalmente, dois caracteres chineses (?) ilegíveis, com a ideia talvez de “dedicaram”. Frontalmente: “S. P. Francisco Xaverio” e, na vertical mais longua, de alto para baixo: “macaenses die 3 dedanno 1869”. (3)

Xavier em Sanchoão Crus dos Macaenses ICruz dos Macaenses levantada em Sanchoão em 3 de Dezembro de 1866.

Em frente, vê-se o Padre Robert Y. Cairns, missionário da ilha, e o Comandante do vapor Hai-Ning, na peregrinação de Dezembro de 1933. (2)

 O P. Rondina, S.J., (4) segundo o próprio afirma, tomou também parte nessa peregrinação e foi um dos que levantou a Cruz. Segundo Padre Videira Pires, terá sido ele quem disse a missa nesse dia.
O missionário jesuíta de Sanchoão, John Garaix (5), em 1906, relatava:
Quando Mons. Guillemin (6) chegou ao lugar em Janeiro de 1869, o que circundava o túmulo era o seguinte: em baixo, perto da praia e num pequeno espaço de terreno nivelado, uma enorme Cruz de pedra, aquela que tinha sido erigida pelos peregrinos em 1866; a seguir, um pouco mais acima, cinco degraus que davam para outro espaço e terreno nivelado: ali estava o túmulo; por último, uns sete degraus mais acima, estavam as ruínas da antiga capela (de 1700). “ 

Xavier em Sanchoão Crus dos Macaenses IIA Cruz dos Macaenses a contra-luz (2)

 A Cruz dos Macaenses desapareceu do lugar após 1942.

SUGESTÃO: Nesta semana de encontro dos macaenses em Macau, era uma boa ideia e sugeria às associações de macaenses pelo mundo fora, a iniciativa de organizar uma comissão encarregada de fazer uma nova Cruz dos Macaenses (talvez por subscrição pública) e tratar por  via diplomática com as autoridades chinesas da sua colocação na Ilha, de preferência no mesmo local da anterior (quem sabe se no próximo encontro de macaenses em Macau, no dia 3 de Dezembro)

(1) Sobre a Ilha de Sanchoão e S. Francisco Xavier ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ilha-de-sanchoao/
(2) PIRES, Benjamim Videira – Xavier em Sanchoão. A ilha de Sanchoão ontem e hoje. Macau, 1994, 39 p. + |VIII|
(3) Segundo Padre Videira Pires o ano está errado: deveria ser 1864.
(4) O Padre Francisco Xavier Rôndina já tinha participado em anterior peregrinação àquela ilha no ano de 1864. O Padre Rondina (1827-1897), missionário no Padroado português do Oriente, foi professor, pregador e escritor. Dirigiu o Colégio/Seminário de S. José. Foi redactor da revista mensal «Civiltà Cattolica» a partir de 1882.
(5) GARAIX, S. J., John – Sanchoan, the Holy Land of Far East, 1906, 29 p. in Padre Videira Pires (2)
(6) Mons. Zeferino Guillemin, Prefeito Apostolico da Perfeitura de Kuông tông e Kuón-sai, em 24 de Agosto de 1867, procedeu ao lançamento da primeira pedra para uma nova capela sobre o túmulo de S. Francisco de Xavier, na Ilha de Sanchoão (pertencente à província de Guangdong/Cantão)

Em 7 de Abril de 1541 sai a primeira expedição jesuíta de Lisboa (1) para a Índia e Extremo Oriente,  chefiada por Francisco Xavier (2) (que fazia nesse dia 35 anos) na nau “Santiago”, iniciando assim os 200 anos  de missionação que se seguiriam para essa direcção. Segundo cartas datadas de Fernão Mendes Pinto e do Pe. jesuíta Belchior Nunes Barreto, a presença dos primeiros missionários jesuítas na Índia foi a partir de 1542 e em  Macau, a partir de 1555 (3)
 
Um jesuítaOs padres estrangeiros não pertencem a uma só classe. Os frades de S. Paulo rapam o cabelo e usam um barrete verde parecido com uma mitra. O superintendente da religião chama-se fât-uóng (soberano das leis, ou seja, o Bispo). até o próprio Governador, que vem de Portugal, não tem poderes como ele. Se ocorrer qualquer caso importante ou, por suspeita, se aprisione, o Governo e o Procurador de Senado não podem resolver. pedem então (ao Bispo) uma ordem. passada a ordem, recebem-na, acatando-a, respeitosamente. Quando o Bispo sai ou entra, é protegido por um grande pálio e rodeado de padrezinhos. Os homens e as mulheres, quando o vêem, avançam, apressadamente, ajoelham-se, segurando-lhe respeitosamente os pés, esperando pela sua passagem e, só depois, é que se levantam. Se o Bispo afagar as suas cabeças, isto é considerado como uma grande felicidade. As mulheres são as que têm mais fé nele.” …
As regras do Convento de S. Paulo são mais severas... (4) 

(1) Inácio de Loyola, de origem nobre, em 15 de Agosto de 1534 e seis outros estudantes encontraram-se na Capela dos Mártires, na colina de Montmartre e fundaram a Companhia de Jesus para “desenvolver trabalho de acompanhamento hospitalar e missionário em Jerusalém ou para ir aonde o papa nos enviar, sem questionar”. Nessa data, fizeram os votos de pobreza e castidade. A Companhia de Jesus é uma organização rigidamente disciplinada de absoluta abnegação e a obediência ao papa e aos superiores hierárquicos (“perinde ac cadaver“, “disciplinado como um cadáver“). O lema dos jesuítas é “Ad maiorem Dei gloriam” (“Para a maior glória de Deus“). Salienta-se a importância dos jesuítas na expansão portuguesa principalmente no Oriente e a sua grande influência em Macau.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Companhia_de_Jesus
(2) S. Francisco Xavier faleceu no dia 27 de  Novembro de 1552 (segundo outros autores, 3 de Dezembro de 1552), na Ilha de Sanchoão.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/27/noticias-27-de-novembro-de-1552/
(3) SILVA, Beatriz Basto da Silva. Cronologia da História de Macau, Séculos XVI-XVII, Volume 1. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª edição, Macau, 1997, 198 p., ISBN 972-8091-08-7
(4) OU-MUN KEI-LÉOK Monografia de Macau por Tcheong-U-Lam e Ian-Kuong-Iâm. Tradução do chinês por Luís G. Gomes. Editada pela Repartição Central dos Serviços Económicos- Secção de Publicidade e Turismo, Macau. Imprensa Nacional, 1950, 252 p.

 25 de Março de 1347 – data de nascimento de Santa Catarina de Siena (1)

Muitos conhecem o padroeiro de Macau: S. João Baptista, mas poucos sabem que Macau tem quatro padroeiros: S. João Baptista, a N. Sra. da Conceição, S. Francisco Xavier e Santa Catarina de Sena. (2)

Sta Catarina de Sena

Foi em 1646 que a Cidade de Macau escolheu Sta. Catarina de Sena para sua Padroeira.  Nada menos de 47 dos mais honrados e ilustres cidadãos  desta terra, entre os quais os Mordomos de Sta. Catarina, dirigiram nesse ano, ao Senado um requerimento, pouco dias antes da sua festa que ocorre no dia 22 de Abril, pedindo que ela fosse declarada Padroeira pelas seguintes razões:
«Agora  que insta a solenidade a festa gloriosíssima Santa Virgem…como era este povo falto de tudo humano nas extremas calamidades e misérias que padece , esperam eles suplicantes em Deus Nosso Senhor ser socorridos da sua Misericórdia, por intercessão desta gloriosíssima Santa, como também esperam no mesmo Senhor  que por meio dela se consiga a paz civil deste povo, de que a gloriosa Santa é poarticular advogada e Padroeira, pois ela tratou da Igreja católica, quando ardia em cismas de anti-papas em tempo de Urbano VI, ela a que trabalhou pela paz dos Florentinos, que com o Papa Gregório II estavam desavindos, ela finalmente que compôs a dissensão civil do Povo Senense» (3)
Atendendo a este pedido, o Senado de Macau, na Vereação de 2 de Maio de 1646, declarou que:
«visto o que dita a petição alegava e o estado miserável, em que esta terra estava, (4)  que era coisa mui acertada que se tomasse como de hoje para todo sempre se tomou, por Patrona desta cidade e gloriosa Sta. Catarina de Sena, para que, como tão mimosa de Deus Nosso Senhor, alcance de sua Divina Majestade se apiade desta sua cidade, pondo nela seus Divinos olhos de Misericórdia, dando-nos nela muita paz, união e concórdia»
NOTA : na “Cronologia” da Dra. Beatriz Basto da Silva (5) (7) existem as seguintes referências:
1836 – A capela do Salão Nobre do Leal Senado é dada como de invocação de N.ª S.ª da Conceição, por Ljungstedt. Luís Gonzaga Gomes indica  a anterior invocação a Sta. Catarina de Sena. A Embaixada mártir – 1597 – tomou Sta. Catarina de Sena  como Padroeira dos moradores e embaixadores de Macau ao Japão. Um termo do Senado, com data de 2 de Maio de 1646 apresenta «Termo de como se tomou por Patrona desta cidade a glorioza Virgem Sta. Catarina de Senna»”
“02-06-1940 – Foi inaugurado no edifício do Leal Senado, depois de devidamente restaurado e benzida, a capela dedicada a Santa Catarina de Sena que, noutros tempos, era destinada ao serviço divino, antes de cada sessão. O restauro deve-se ao Engº Valente de Carvalho”

Padre Teixeira na obra citada (3) apresenta foto da capela privativa, encravada no corpo do Salão Nobre do Leal Senado, com a imagem da Imaculada Conceição (Nossa Senhora da Conceição)

(1) Catarina Benincasa  (Siena, 25 de Março de 1347 – Roma, 29 de Abril de 1380), leiga da Ordem Terceira de São Domingos, venerada como Santa Catarina de Siena/Sena na Igreja Católica, canonizada em 1461 pelo Papa Pio II. Doutora da igreja desde 1968 pelo Papa Paulo VI. É Padroeira dos Meios de Comunicação, da Itália (desde 1939) e da Europa. A data do seu nascimento é alvo de controvérsia
(2) “Em 1647, o Senado determinou que todos os oficiais do mesmo Senado se confessassem e comungassem nas festas anuais destes Padroeiros nas igrejas em que elas se celebrassem:  N. Sra. da Conceição em S. Francisco, S. João na Sé, S. Francisco Xavier em S. Paulo e Santa Catarina de Sena em S. Domingos” (3)
(3) TEIXEIRA, P. Manuel – O Leal Senado. Edição do Leal Senado de Macau, s/ data, 24 p.
(4) “O estado miserável da cidade” refere-se às consequências do domínio filipino pois após a Restauração de Portugal em 1640, Macau que já tinha perdido o comércio do Japão, em 1639, perde também o comércio espanhol das Filipinas. Pede-se também, “paz”  porque a sociedade macaense encontrava-se nesse ano muito dividida com desordens, culminando com o assassinato do Governador, D. Diogo Coutinho Docém em 1647. (6)
(5) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9)
(6) 25-06-1646 – Nomeado D. Diogo Coutinho Docém, capitão-geral no governo de Macau”
“1647-1650 – Tendo sido assassinado o anterior governador (caso único), passa a governador D. João Pereira, porque D. Braz Coutinho, nomeado para tal, se recusa
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Séculos XVI-XVII, Volume 1. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 198 p (ISBN 972-8091-08-7)
(7) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7)

“Faleceu o jesuíta Francisco Xavier (1), o grande Apóstolo da Ásia, na ilha de Sanchoão (2) segundo testemunho do jovem chinês António de Santa Fé, por ele baptizado. Fernão Mendes Pinto diz que este acontecimento ocorreu, em 2 de Dezembro de 1552, data geralmente aceite e baseada, numa carta escrita pelo Pe. Belchior Nunes Barreto, Provincial dos Jesuítas na Índia, em 1554, que colheu esta informação, numa carta escrita em Lisboa, em 23 de Dezembro do mesmo ano, pelo Pe. António Brandão” (3)

A data geralmente aceite como a do falecimento deste Santo é 3 de Dezembro de 1552, dia em que  Igreja comemora-o como Patrono Universal das Missões.

 Igreja de S. Francisco Xavier, em Sanchoão (4). A fachada está a data da sua construção 1869.
 Interior da Igreja de S. Francisco Xavier, em Sanchoão (5).

Na Capela da Missão de Coloane, dedicada a S. Francisco de Xavier, encontra-se uma das três relíquias, as únicas actualmente existentes, de S. Francisco Xavier. Trata-se de parte do úmero direito (as outras duas relíquias são o seu corpo incorrupto em Goa e o antebraço direito em Roma) que se encontra na sala «Sacrarium» da capela. Este pedaço de osso esteve na Igreja da Madre de Deus (S. Paulo). Depois do incêndio de 1835, a relíquia esteve em vários sítios acabando por ser colocado na ilha de Coloane (5) (6)

Sala «Sacrarium» da capela de S. Francisco (5)
  Parte do úmero direito
  Interior da Capela da Missão, em Coloane, 1985 (6)

(1) S. Francisco Xavier (1506 – 1552), nascido Francisco de Jasso y Azpilicueta em Navarra (Espanha), discípulo de Inácio de Loyola, um dos sete jesuítas, de Monmartre em 1534, chega a Lisboa em fins de 1540, para embarcar a 7 de Abril de 1541 para o Oriente.(7)  Em 17 de Abril de 1552, aos 46 anos de idade, parte de Goa com o grande objectivo de entrar na China. Chega à ilha de Sanchoão, via Malaca, nos princípios de Setembro e enquanto aguardava uma oportunidade para  entrar na China, adoece gravemente. Canonizado, juntamente com Inácio de Loyola, pelo Papa Gregório XV no dia 12 de Março de 1622.
(2)  “A ilha de Sanchoão é chamado pelos chineses «Sêung Ch´uen T´ou – ilha a montante da foz do rio do oeste, para distinguir de Há Ch´uen T´ou, a que fica a juzante.”  (4)
上川pinyin Shàngchuāndǎo. Também denominada Chang-Chuang, Sancian, Sanchão ou ilha de S. João
Nesta ilha existe um parque, onde está a igreja, um cenotáfio e uma estátua em memória do Santo.
(3) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(4) AIDO, Paulo – Cumprir o sonho de Xavier. Macau, n.º 27, 1990
(5) CARMO. António – Sanchoão (A antepenúltima morada). Macau, n. º20, 1990
(6) ORTET, Luís – Na ilha de Coloane está guardada uma das três relíquias de S. Francisco Xavier. Nam Van, n. 8, 1985.
(7) “Sai a primeira expedição jesuíta de Lisboa para a Índia e Extremo Oriente, chefiada por Francisco Xavier (que fazia nesse dia 35 anos), na nau Santiago. Com ele seguem Micer Paulo (ou Paulo Camerte), Francisco Mansilhas e Diogo Rodrigues (noviço)”
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Séculos XVI-XVII, Volume 1. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 198 p (ISBN 972-8091-08-7)