Archives for posts with tag: Rua da Praia do Manduco
Extraído de «O Independente», I – 12 de 20 de Novembro de 1868, p. 104

Operários a demolir um secular casarão na Rua da Praia do Manduco, próximo da Capitania dos Portos, encontraram um túnel de dezenas de metros de comprimento e cerca de um metro de largura, capaz de dar passagem, em alguns segmentos a um homem em pé. Presume-se estar perante um corredor de passagem subterrânea ou um depósito escondido para algum tesouro ou armamento, lavrado em tempos idos. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 5, 1998)

A rua da Praia do Manduco uma das mais antigas de Macau, local onde se iniciaram as trocas comerciais com os chineses locais e onde os barcos de pesca atracavam no cais perto da rua, começa na Rua de João Lecaros, (1) ao fundo da Calçada do Januário e termina na Rua do Almirante Sérgio, ao lado do prédio n.º 255-F. A Praia do Manduco era uma das mais frequentadas pela marinha mercante e vários comerciantes tinham nela cais privativos.

(1) Juan Lecaroz , famoso negociante espanhol que viveu em Macau, durante mais de 50 anos e aqui faleceu, a 7 de Setembro de 1904, deixando uma fortuna imensa. Herdou por morte da esposa, Ana Josefa Sabina Carneiro (1839-1900) o antigo palácio do Barão de S. José de Porto Alegre (2), que foi comprado pelos pais de Ana Josefa, Bernardo Estevão Carneiro (3) e Ana Maria Peres da Luz e Silva. O palácio ficava na Rua da Praia do Manduco e foi destruído em 1939. Alfredo Augusto de Almeida (4) ainda conseguiu “salvar” a base da entrada do palácio que foi depois depositada na Jardim da Flora (ainda estará lá ???). TEIXEIRA. P. Manuel – Toponímia de Macau Volume I, 1997, p. 135

(2) Para melhor conhecer esta “história”, aconselho vivamente a leitura do artigo de Manuel BasílioUm prédio que deu nome a três vias públicas” publicado no blogue “Crónicas Macaenses” em: https://cronicasmacaenses.com/2017/03/29/conheca-a-historia-do-predio-que-deu-nome-a-tres-ruas-em-macau/

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bernardo-esteves-carneiro/

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/alfredo-augusto-de-almeida-1898-1971/

Anteriores referências à Rua e à Praia do Manduco 下環街: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-da-praia-do-manduco/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/praia-do-manduco/

Dois postais (1) da colecção MAM, de 18 cmx 12 cm, com duas excelentes fotografias de Ou Ping, fotógrafo de Macau.
Lembro-me muito bem destes “ardinas” de Macau que a pé ou, os mais afortunados, de bicicleta, distribuíam logo pela manhã (muitas vezes ainda antes de amanhecer) os jornais (chineses e portugueses), pondo nas caixas de correio das residências dos assinantes, ou como este, verdadeiros malabaristas ao atirarem para as varandas dos 1.ºs e 2.º andares das casas, sem deixarem de pedalar.
歐平mandarin pīnyīn: ōu píng ; cantonense jyutping : au1ping4
Ou Ping trabalhou para o Jornal Ou Mun mais de 40 anos. Foi Presidente da Sociedade Fotográfica de Macau e sócio honorário da Sociedade Internacional de Imagem de Hong Kong. Foi convidado pela Associação de Fotógrafos da China, para em Pequim, integrar no Festival Internacional de Cinema da Ásia. Participou em muitas exposições tanto em Macau como no estrangeiro.
http://www.macaucreations.cn/artist/view/34.html
NOTA: Pode ver e ouvir (em cantonense) este artista aquando duma sua exposição:
Reminiscence – Macao Old Photos Collection Exhibition
https://www.youtube.com/watch?v=F3vUdlgXJCk
(1) Da «Colecção do Museu de Arte de Macau», comprado em 2015.

Conta-se sobre um pescador que, farto de andar pelos mares, certo dia, resolveu ficar em terra e deitar-se em cima de uma rocha onde acabou por adormecer. Era noite quando acordou e, ao olhar em seu redor, nada conseguiu ver no meio da espessa escuridão.
De repente, ouviu vozes estranhas, vindas do lado do mar, que o atemorizaram, pois julgou tratar-se de almas do outro mundo. Foi então que percebeu que as vozes retratavam uma “discussão” entre a água do rio e uma rocha coberta de ostras, para ver qual delas era mais resistente.
Tudo indica que ambas terão resistido, pois nas águas de Macau continua a haver grande quantidade de ostras….” (1)
O vocábulo «manduco» é designada a râ de Macau.
A Monografia de Macau (Ou-Mun Kei-Leok, 1950, p. 39), diz que: “em Macau havia três rochas estranhas: a Ieong-Sun-Seak, (Rocha de Barco Oceânico) no Pagode da Barra, (é sobre a superfície desta rocha que se encontra presentemente em frente do pagode da barra gravaram o desenho de um barco e quatro caracteres.

MACAU B. I. T. XII-9-10 Nov-Dez 1977 CAPA Templo da BarraTemplo de Á Má ou da Barra / Foto de 1977

a outra era a Hói-K´ók-Seak, (Rocha da Percepção do Mar) no Promontório de Neong-Má (Neong Má Kók) no mesmo Templo da Barra  e uma outra a Há-Má-Seak (Rocha da Rã)  « é arredondada e de cor verde-macia. Sempre que venta e chove e, pela tarde, quando a maré principia a subir, ouve-se produzir nela o som Kók-Kok».
A Rocha de Rã ficava na Praia do Manduco. Quando houve a necessidade de a destruir para a abertura de novos arruamentos, levantaram-se protestos da parte dos chineses. (2).
Era nesta Praia de Manduco onde,  após a fixação dos portugueses,  se realizavam as trocas comerciais  e onde atracavam no cais da praia, os barcos de pesca (quando a indústria da pesca era próspera no território). Vários comerciantes de Macau tinham nela cais privativo (3). Fica para recordação presente,  a Rua da Praia de Manduco uma das mais antigas ruas de Macau.  Começa na Rua de João Lecaros, ao fundo da Calçada do Januário e termina na Rua do Almirante Sérgio, ao lado do prédio n.º 255-F.
 
(1) BARROS, Leonel – Tradições Populares, Macau, Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), 2004.
(2) Já em 9 de Abril de 1829, «o Mandarim de Hian-Chan por appelido Liu faz saber ao sr. procurador de  Macau que recebeu, um offício do vice-rei de Cantão, em que, attendendo sua ex.ª às representações de Sung-Ku-Chi e outros contra o portugez Bemvindo o qual se apossou  de um baldio marginal sito na praia onde está a pedra chamada Manduco  fazendo um aterro, e destruindo um pagode, que ali existia… (…)… attendendo a que a mencionada pedra do Manduco, sendo memorável na história de Cantão, não devia ser assim coberta de entulho, o que constitue desobediência às leis; ordena a ele mandarim que mande affixar editaes e officie ao sr. procurador e ao sr. ouvidor, para que obriguem o Bemvindo a demolir immediatamente o caes já fabricado e a restituir o terreno ao seu estaddo primitivo…»
PEREIRA, A. F. Marques – Efemérides Comemorativas da História de Macau in TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997.
(3) Dezembro de 1797 «dis Manuelde Oliveira Reys cazado, e morador nesta Cidade, que elle Sup. e comprara em publico Çeilão duas moradas de cazas citas na praya de Manduco, q. forão do Def.to Ant.º Ribro, as quais tem seus caes, e perto delle ao mar hua Caldr.ª, mas sem muros, e como o Sup.e quer  fabricar as d.as cazas puxando-as m.s (mais) fora p.ª endireitar a rua, formar hua Caldr.ª na porta do Caes e mover p.ª fazer lugar p. guardar os pertences do seo Navio: e como não pode fazer sem liçenca», pede-o ao Senado. O Senado despachou favoravelmente o requerimento em 30 de Dezembro de 1797.
TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997
11-11-1829 – Nesta mesma data, este mesmo mandarim proibiu, por edital, as lorchas chinesas de aceitarem, na Praia do Manduco, (praia da ) Feitoria e outros lugares, mercadorias estrangeiras, para as transportarem, clandestinamente, para Franquia, Nove Ilhas, Leng-Teng e outros lugares (GOMES, LG – Efemérides da História de Macau, 1954)

Foi inaugurado a 1 de Setembro de 1954, o Mercado Municipal de S. Lourenço, projectado por Chan Kwan Pui, um dos mais importantes arquitectos de Macau do século XX. Estava situado na Rua da Praia do Manduco.

MBI II 1954 Mercado de S. LourençoEste mercado, apesar da oposição do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) e da Protecção do Património Histórico e Cultural de Macau (1), foi demolido em 2006, para construção de um novo edifício que foi inaugurado a 9 de Dezembro de 2009. (2)
O edifício do novo mercado de S. Lourenço tem sete pisos, três dos quais subterrâneos, dedicados a estacionamento. O mercado ocupa dois andares, tendo ainda uma biblioteca, um centro de actividades sociais, uma área de restauração e no topo do edifício, uma zona verde.
(1) http://umquartocomvista.blogspot.pt/2006/07/mercado-de-s-loureno-provisrio.html
(2) Artigo da jornalista Raquel Carvalho em:
http://arquivo.jtm.com.mo/view.asp?dT=333803012
Foto de MACAU Boletim Informativo, 1954.