Archives for posts with tag: Rua da Felicidade

          Vivia em Macau, na Rua de Felicidade, um velhinho chinês dos seus 64 anos de idade, já todo calvo e trôpego, chamado Lei Seng, sendo, porém, mais conhecido por Iok-Hei Mông, isto é, o “Tonto de Artigos de Jade“, alcunha que lhe adviera do facto da sua profissão de vendedor de artigos de jade e da sua avançada idade. Ou por pressentimento ou porque talvez tivesse motivos suficientes para suspeitar o que lhe iria acontecer, ao sair da casa, no dia 2 de Julho de 1883 – era já cerca de meio-dia e meia hora – para o seu costumado giro pelas ruas da cidade, advertira a mulher que, se não regressasse dentro de duas horas e meia, isto é, pelas 3.00 horas da tarde, o mandasse procurar. Levava consigo o seu inseparável saquinho que continha braceletes de jade e diversos outros objectos de atavio com que as damas chinesas costumavam ornamentar o penteado, todo no valor de $ 700.00.

Rua da Felicidade c 1900

RUA DA FELICIDADE c. 1900

         O homenzinho fora visto a caminhar pela Rua de S. Lourenço, mas como não regressasse a casa, na manhã seguinte, a sua família, seriamente inquieta, tratou de dar parte da ocorrência à Procuradoria, receosas como estava de a causa do desaparecimento ter talvez sido motivada sabe-se lá por algum tenebroso crime. Por seu lado, logo que lhe constou não ter o vendedor de jóias regressado à casa, o dono da ourivesaria que lhe tinha confiado as jóias para vender, desassossegado com tão misterioso desaparecimento e palpitando, também, alguma sinistra fatalidade, anunciou alvíssaras para aquele que lhe pudesse dar qualquer informação sobre o paradeiro do desaparecido. Entretanto, a Capitania do Porto remeteu à Procuradoria um saquinho contendo uma pulseira e mais alguns objectos insignificantes, que a vasa tinha deixado a descoberto na areia da praia do Chunambeiro, mesmo defronte do Palácio da Justiça, estando cortado na extremidade e manchado de sangue.

Chunambeiro c. 1890

CHUNAMBEIRO, SUL DA PRAIA GRANDE c. 1890

          Informada da participação do desaparecimento de Lei Seng e da descoberta do saquinho de jóias, que facilmente se identificou como sendo seu pertence, a polícia, dirigida pelo capitão comandante da 1.ª divisão da Guarda Policial, Caetano Maria Dias Azedo, iniciou com afinco as suas investigações, conseguindo averiguar que aparecera um indivíduo num “hão de penhor” (casa de penhores), com o fim de tentar empenhar um par de braceletes de jade por $ 150.00 e que o inquilino da casa N.º 19 da Rua do Padre António, a mais central da Freguesia de S. Lourenço, chamado Ung-Tak Tch´oi, um rapaz dos seus 19 anos, apenas, mais conhecido pelo alcunha de Mou-I-Tch´âi (Sem Orelha), mudara de residência, alugando uma casa na Rua da Felicidade, para o que pagara de pronto $ 25.00, quantia correspondente ao aluguel de um mês …(…) ………………………………………………….continua (1)

(1) GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau. Instituto Internacional de Macau, 2010, 358 p. ISBN: 978-99937-45-38-9

Continuação do “post” anterior referente ao livro “Portugal e as Colónias Portuguêsas”. (1)
Reproduzo as três “fotos” do capítulo VII, dedicado a Macau.

Portugal e as Colónias Portuguesas VFig 70 – Macau – Pagode da Barra (pág. 318)

Templo de A-Má

Infelizmente são más cópias, talvez devido à qualidade do papel mas dá-nos uma ideia das paisagens da primeira década do século XX ou mesmo,  final do século XIX.

Portugal e as Colónias Portuguesas VIFig. 71 – Macau – Porto Interior (pág. 320) (2)

“… Na falta de territórios para a exploração agrícola, todas as fontes de riqueza pública em Macau se reduzem à actividade industrial e comercial; e ainda quanto a estas já teve a colónia maior prosperidade quando não sofria tanto a concorrência do pôrto inglês de Hong- Kong e de diversos portos chineses de novo abertos ao comércio estrangeiro.
O mais importante objecto da actividade económica de Macau é o ópio, importado em crú, preparado e reexportado…

Portugal e as Colónias Portuguesas VIIFig. 72 – Macau – Rua da Felicidade (Bazar Chinês) (pág. 322)                  Nota: dúvidas se será Rua da Felicidade

“… Semelhantemente se procede com o chá, que é também importado e preparado para dêle se fazer valiosa exportação, quási toda para Inglaterra.
É muito considerável a indústria da pesca, que abastece de peixe frêsco, sêco e salgado a cidade de Macau, Hong-Kong e outras povoações.
Outras indústrias de Macau: fabrico de sêda, descasca e moagem de arroz, fabrico de esteiras e fogos de artifício….”

(1) Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/03/31/leitura-portugal-e-as-colonias-portugue-sas-i/

ALMEIDA, Fortunato de – Portugal e as colónias portuguêsas: com um apêndice sôbre a história da geografia e uma nota bibliográfica sôbre a geografia de Portugal e dos seus domínios. Segunda edição. Editor: Fortunato de Almeida, Coimbra, 1920, 484 p. + mapas, 21 cm x 13 cm.

(2) Embora o livro tenha sido publicado em 1920, as fotos são muito mais antigas. Por exemplo, esta foto que foi posteriormente publicada no Resumo da História de Macau, de Eudore de Colomban de 1927, 

Resumo Hx Macau Eudore Colomban 1927 Porto Interioré a mesma, com uma melhor impressão, publicada na Revista Serões de 1902

Revista Serões 1902 Porto Interiore também anteriormente reproduzida na Revista TA-SSI-YANG-KUO, Vol I , de J. F. Marques Pereira (Est.XV) (1899-1900)
com o seguinte indicação:

Margem do porto interior, visto da Lapa – Photog. de P. Marinho, segundo uma photographia do sr. Carlos Cabral (1898)

Do caderno de exercícios da Colecção Editora, do ano lectivo 1968-69, referente ao 1.º ciclo – Língua e História Pátria, (1) encontrei um texto adaptado de Camilo Pessanha que vem referenciado como retirado da revista “Mundo Português”, n.º 17 – Maio de 1935. (2)

Exercício Escolar I

O texto foi retirado de “Macau e a Gruta de Camões” que foi publicado no semanário «A Pátria», de Macau, em 7 de Junho de 1924 e depois inserido no livro “China (Estudos e Traduções)”, publicado pela Agência Geral das Colónias (3).

Parte do texto:
Assim é Macau a única terra do ultramar português em que as estações são as mesmas da Metrópole e sincrónicas com estas. É a única em que a Missa do galo é celebrada em uma noite frígida de Inverno; em que a exultação da aleluia nas almas religiosas coincide com o alvoroço da Primavera – Páscoa florida com a alegria das aves novas ensaiando os seus primeiros voos; em que a comemoração dos mortos queridos se realiza no Outono.”

A fotografia inserida nesta folha, da Agência-Geral do Ultramar, é da Rua da Felicidade. A mesma fotografia que anteriormente foi publicada neste blogue (4) tinha sido retirada do opúsculo: Macau, Portugal no Oriente. Agência-Geral do Ultramar, 1964, 32 p,  16,5 cm x 12 cm.

Exercício Escolar II

Após leitura do texto, interrogo-me quantos dos actuais alunos de 12 anos (que corresponderiam ao antigo 1.º Ciclo) conseguiriam interpretar e responder correctamente às perguntas do exercício.

(1)   Exercício n.º 7 da Colecção Editora (1.º ciclo; 1968-69) – Exercício de Língua e História Pátria. Porto Editora Lda.
(2)    A revista “O Mundo Português” foi publicada entre 1934 e 1947, e era uma edição conjunta da Agência Geral das Colónias e do Secretariado da Propaganda Nacional (SPN; a partir de 1944, SNI).
(3)   PESSANHA, Camilo – China (Estudos e Traduções). Agência Geral das Colónias, Lisboa, 1944, 131 p.
(4)   https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-da-felicidade/