Archives for posts with tag: Rua da Felicidade

Mais dois postais com fotos datadas de c. 1902, da colecção (10 postais), intitulada “MACAU ANTIGA, ETERNA”  – fotografias das primeiras décadas do século XX – com legendas em três línguas, publicada pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. M / Arquivo Histórico de Macau, em 2015. (1)

Postal – Hotel Boa Vista, c. 1902 (2)
Postal – Hotel Boa Vista, c. 1902, verso

NOTA: Data errada, a mesma foto, foi publicada em postal pela “Graça & Co”, de Hong Kong e datada “cerca de 1890

Postal – Rua da Felicidade, c. 1902 (3)

NOTA – outra data errada e mal legendada, não se trata da Rua de Felicidade. Será provavelmente uma rua do Bairro Chinês (Bazar).

“É referida como sendo a Rua da Felicidade, mas é uma outra rua de Macau, que ainda não consegui saber qual seria. Rua da Felicidade é que não é por causa das varandas e de os edifícios terem dois andares.” (informação de R. Beltrão Coelho)

Postal – Rua da Felicidade, c. 1902, verso

Aliás esta foto, está também em postal, de “Graça & Co” de Hong Kong com indicação “Chinese town –Gambling Houses and Chinese Restaurants”, c. 1890.

LOUREIRO, João – Postais Antigos MACAU, 2.ª edição, 1997, p. 101

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/10/07/postais-coleccao-macau-antiga-eterna-ii/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/09/25/postais-coleccao-macau-antiga-eterna-i/

(2) Anteriores referências ao Hotel Bela/Boa Vista em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-bela-vista-boa-vista/

(3) Anteriores referências à Rua da Felicidade em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-da-felicidade/

Uma estação Policial da Rua da Felicidade estava instalada no pavimento inferior dum prédio onde no piso superior funcionava um lupanar e era sítio de jogo, onde “reina grande bulha até alta noite” não permitindo a um pobre praça de armas recolher do seu serviço e ter alguns momentos de sossego … Havia já nessa altura um Regulamento para as meretrizes e casas toleradas de Macau actualizado em 20-01-1873

Extraído de «A Liberdade», I-7 de 30 de Agosto de 1890, p. 3

Caixa de fósforos de cor vermelha com as letras brancas (5,5 cm x 2,5 cm x 1cm )

VILA UNIVERSAL (1)
CHENG PENG BUILDING MACAU
TEL. 3247

No verso , fundo branco com caracteres chineses de cor verde claro

世界迎 (2)
澳門: 清平大
電話: 三二四七

(1) Havia uma «pensão residencial» com o nome de «Universal», de 32 quartos duplas (não tinha singulares), localizado na Rua da Felicidade n.º 73 (Anuário de Macau, 1966). Será o mesmo mas com o nome de «Vila Universal» registado como hotel de 2 estrelas e com o mesmo endereço: Rua da Felicidade n.º 73 , 1.º andar (Anuário de Macau, 1980)
Hoje ainda funcionante com os 32 quartos e na net traz como morada:
Rua da Felicidade, n.º 73, r/c, Macau; 福隆新街73號2樓
Telefone: +853 2837 7569
https://www.macaotourism.gov.mo/pt/accommodation/vila-universal/?class=0
(1) 世界迎 賓舘 (variante ) – mandarim pīnyīn: shì jiè yíng bīn guǎn; cantonense jyutping: sai3 gaai3 jung4 ban1 gun2
大利迎賓館mandarim pīnyīn: dà lì yíng bīn guǎn; cantonense jyutping: daai6 lei6 jing4 ban1 gun2
https://www.youtube.com/watch?v=pcC1YmJDORk

Henrique de Senna Fernandes nas suas memórias de Macau de 1934 descritas nos artigos “Cinema em Macau” , recordava:
“O evento social daquele Outono longínquo foi a inauguração da pastelaria “As Delícias“, dirigida por três senhoras da nossa sociedade, as irmãs Menezes, Celeste e Maria, e Ana Teresa d’Assumpção, mais conhecida por Anita d’Assumpção. “As Delícias” ficava na Avenida Almeida Ribeiro, onde hoje se encontra a Livraria da China fazendo esquina com a Rua Central.
A partir da sua inauguração, em 2 de Outubro, passou a ser apoiada pela melhor sociedade macaense, à hora do chá. Alguém dizia que correspondia em Macau à cafeteria Max de Hong-Kong. Descontando o evidente exagero, “As Delícias” era um local chique e elegante, de encontro e de reunião. Faziam-se toilettes para lá ir e não era de bom tom não o frequentar.
A pastelaria vinha satisfazer uma necessidade. Para quem não tivesse o bilhar e as partidas de “má-jong” e de brídge nos clubes e não permanecesse em casa, à hora da merenda, como se dizia em Macau antigo, o único sítio a ir era o Hotel Central. O Hotel Riviera, no entanto, tinha pruridos a hotel inglês, com as ementas nesta língua e os criados mascavando-a com convicção. Esse pseudo ambiente britânico não se coadunava com a vivacidade latina. Tirando a mesa de café do Dr. Carlos de Melo Leitão, à janela frente ao Banco Nacional Ultramarino, onde se reunia um grupo obrigatório para a cavaqueira, lá por volta das duas e meia da tarde, tudo o mais era inglês ou chinês de Hong-Kong. O “United States”, mais popular e terra-a-terra, não satisfazia os elegantes. Comia-se ali um espantoso “kai-si-fán” (arroz de galinha), muito nutriente, dizia – se, para quem viesse das blandícias da Rua da Felicidade, mas não tinha nada de requintado.
“As Delícias” apresentava um ambiente muito português. Os pastéis e os bolos eram divinos e, por todos os lados, só se ouvia o português. Tornou-se um centro nevrálgico de Macau. Quem quisesse conhecer as novidades da terra, os boatos, o diz-se, era para “As Delícias” que se dirigia. Ali pontificavam os avatares da cidade, os que arvoravam em saber de tudo. A expressão “Ouvi ontem dizer nas Delícias…” obteve foros de sacramental. Quem quisesse contactar com as figuras mais em evidência na terra, tinha que se sentar nas mesas de “As Delícias“. E nessas mesmas mesas, muito namoro e casamento se forjaram. “As Delícias” tinha uma verdadeira cor local, numa cidade muito portuguesa e ainda com ressaibos largos da vida patriarcal dos nossos maiores
Lembramo-nos do nosso primeiro encontro com “As Delícias“. Tínhamos vindo do matagal da Guia, onde fomos construir uma “mina” com companheiros. Mal chegámos a casa, a criada disse que os pais nos esperavam na pastelaria. Esquecemo-nos da apresentação e fomos com os joelhos marcados de terra, a camisa amarrotada. O olhar fulo da mãe gelou-nos. Sentámo-nos embaraçado, mas os pastéis dourados de amêndoa e ovos breve nos fizeram esquecer as agruras. Estávamos com fome e, logo à primeira, metemos todo o pastel na boca, com a voracidade típica da adolescência. Outro olhar fulo da mãe e a reprimenda clássica: “Esqueceste as maneiras que aprendeste”. Esta a primeira recordação de “As Delícias“.” (1)
FERNANDES, Henrique de Senna  – Cinema em Macau (1932-1936). Revista de Cultura N.º 23 (II Série) Abril/ Junho 1995. Instituto Cultural de Macau, pp. 133-170.

Este livro “Exposição do Mundo Português: Secção Colonial”, inaugurada a 23 de Junho de 1940, (1) serviu de catálogo da área colonial da “Exposição do Mundo Português” cujo director da secção colonial foi o Capitão Henrique Galvão (2)
Henrique Galvão afirma no Prefácio: “Uma vez que a Secção Colonial se instalava no Jardim Colonial, onde já se encontram numerosos espécimens da flora ultramarina e que fica situada junto de gloriosas e impressionantes recordações da nossa epopeia Além-Mar como são os Jerónimos e a Torre de Belém – isto é: uma vez que a Exposição se situava em quadro próprio, bastava assegurar a duração das construções e orientar de certa forma a realização para ficarmos automaticamente com o Museu Popular as Colónias que nos faltava e assegurarmos à cidade mais uma grande atracção de carácter permanente. Demais seria êste um museu originalíssimo – único do género na Europa.”
A capa apresenta foto de um quadro de Fausto Sampaio intitulado “Macau – Rua 5 de Outubro“. (3) Deste autor, estiveram expostos na Sala Fausto Sampaio, na área “Rua de Macau, 39 quadros com a temática: Macau e inserido neste livro, estão ainda fotos e outros 4 quadros de Macau, nomeadamente: “Velha rua com chuva”, “Leong-Soi Teng –O Curandeiro” , “Um Retrato”  e “Tancareiras” (4).
Do pintor Chiu Shiu Ngon estiveram presentes 22 quadros
O livro está dividido em duas partes A primeira apresenta os dados referentes às colónias nomeadamente: informação geográfica; informação económica; vias de comunicação; indústria; Comércio; situação financeira; informação etnológica e etnográfica;
Referente a Macau (pp.131 a 164) constam os seguintes dados: informação geográfica; informação económica; principais centros de população e colonização; produtos; vias de comunicação; comércio; indústria; pesca; informação etnológica e etnográfica sobre a população; vida material; vida intelectual – linguagem; arte e faculdades intelectuais; vida social, religião e família e acção civilizadora.
A 2.ª parte apresenta os catálogos, mapas, fotografias e esquemas dos pavilhões das colónias na secção colonial da Exposição. Está dividida em 5 secções:
Secção I – Pavilhões das províncias ultramarinas.
De Macau (pp. 276- 278) apresenta a “Rua de Macau” (composição dos cenógrafos Saúl de Almeida e Raúl Campos, sobre documentação fornecida pelo Director da Secção) composta por uma rua típica de Macau, com a sua côr, o seu movimento, o seu pitoresco e os mais importantes elementos de carácter.
Legenda:
1 – Carta da Colónia
2 – Diuramas
3 – Quadros

Entrada do pavilhão de Macau, (Eduardo Portugal) (5) para a Rua de Macau

Uma recriação da “Rua da felicidade”
Diário da Manhã, número especial da Exposição do Mundo Português em 1-12-1940

Fazem parte da rua, o Pavilhão de Macau com o seu material de documentação, vários estabelecimentos comerciais, a casa das lotarias, o Fan-Tan, um templo (pagode) e as moradias dos naturais da colónia que vieram à Exposição. Numa oficina típica, artífices de Macau realizavam os seus trabalhos em cedro e cânfora. Na rua, circulava os típicos riquechós conduzindo passageiros. Em edifício especial, ao lado do Pavilhão, no primeiro andar estava a «Sala Fausto Sampaio».
Secção II – Pavilhões diversos e instalações de documentação
Secção III – Aldeias e habitações dos povos indígenas
Secção IV – Monumentos, construções de utilidade pública, diversos
Entre eles, o Pavilhão do Chá Português (concepção: José Bastos e Decoração: Lino António)
Secção V – Pavilhões e mostruários particulares.
Secção VI – Expositores oficiais de arte.
Secção VII – Catálogos
(1) Exposição do mundo português: secção colonial / pref. Henrique Galvão. – s.n., 1940 (Lisboa: Neogravura. – [7] f., 299 p., XCVI pp (anúncios). il. ; 22 cm x 16,5 cm.
Incorporado na lombada (superior) um marcador (18 cm x 5,5 cm) com anúncio (idênticos dos dois lados) da marca “Graham” – (tecidos de Algodão crús, branqueados, estampados e tintos, etc)
(2) A Exposição do Mundo Português (exposição histórico-cultural) realizou-se de 23 de Junho a 2 de Dezembro de 1940, em Lisboa, e teve o propósito de comemorar simultaneamente as datas da Fundação do Estado Português (1140) e da Restauração da Independência (1640) mas, também (e esse seria o objectivo primordial), de celebrar o Estado Novo, então em fase de consolidação. Foi a maior exposição do seu género realizada no país até à Expo 98 (1998).
Incluía pavilhões temáticos relacionados com a história de Portugal e tinha uma Secção Colonial onde representava o império português no seu todo, incluíndo as colónias: S. Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné Portuguesa (Guiné-Bissau), Angola, Moçambique, São João Baptista de Ajudá (um enclave) e pelas colónias orientais de Macau, Timor Português (Timor-Leste) e Índia Portuguesa (Diu, Damão, Goa e Dadrá e Nagar Haveli).
(3) Já publicado em postagem anterior em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/10/21/leitura-fausto-sampaio-pintor-do-ultramar-portugues-iv/
(4) Também já reproduzidos em anteriores postagens:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/12/28/leitura-fausto-sampaio-pintor-do-ultramar-portugues-vii/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/10/01/leitura-fausto-sampaio-pintor-do-ultramar-portugues-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/10/11/leitura-fausto-sampaio-pintor-do-ultramar-portugues-ii/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/10/27/leitura-fausto-sampaio-pintor-do-ultramar-portugues-v/
(5) Hoje este pórtico encontra-se no Jardim Botânico Tropical (JBT) (outrora chamada Jardim Colonial ou Jardim do Ultramar),
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/09/macau-no-exterior-macau-e-o-jardim-oriental-em-lisboa-i/

No livro escolar, editado em 1963, de João Soares, antigo Professor do Instituto dos Pupilos do Exército (1) referente a Macau, só aparece duas fotos (que já são conhecidas doutros manuais escolares dessa época) e um pequeno mapa dentro do MAPA : Índia Portuguesa, Macau e Timor.

Macau, uma rua típica
NOTA: Rua da Felicidade
Vista aérea de Macau
NOTA: não é uma vista aérea , mas uma foto tirada da fortaleza da Guia.
MAPA: Índia Portuguesa, Macau e Timor
Mapa de Macau – escala de 1:500000

(1) SOARES, João – Novo Atlas Escolar Português, [Histórico-geográfico]. Livraria Sá da Costa Editora, Lisboa, Nona edição actualizada, 1963, 149 p.

NOTA: No 2.º parágrafo do artigo, há um erro de datação: Deveria ser: “ A 22 de Outubro de 1872, ele teve conhecimento….”.
Este artigo foi escrito pelo Padre Manuel Teixeira, em “A Polícia de Macau” (1) e reproduzida em (2) donde extraí este relato.
(1) TEIXEIRA, Manuel – A Polícia de Macau – 2ª ed. rev. e aum. – Macau : Imprensa Oficial, 1991. – 248 p.
(2) Extraído de https://www.fsm.gov.mo/psp/cht/revista%20da%20psp/pdf/09.pdf

Rua do Auto Novo (Teatro Chinês)

Extraído do “Anuário de Macau 1921”.
A foto vem legendada com indicação de Rua do Auto Novo (Teatro Chinês)
Trata-se no entanto da Travessa do Auto Novo.
Começa entre as Ruas da Caldeira e da Felicidade e termina na Travessa das Virtudes. Foi-lhe dado este nome por se representarem ali os autos chinas. Em chinês cama-se Cheng Peng Hong ou Ch´eng Sán Kai ou Ch´eng P´eng Chek Kai; tem este nome por lá existir o Cineteatro Cheng Peng que é o prédio n.º 23 dessa Travessa, construído um pouco antes de 1907. (1)
O Padre Teixeira, parece não ter razão quanto à data de início (“um pouco antes de 1907”) pois há indicações do Teatro/Auto China ter iniciado em 1875, construído por Vong Lok, um destacado comerciante de Macau (um dos fundadores do Hospital Kiang Wu) (2) e ainda uma outra referência a este teatro, de 1872, aquando da visita do Príncipe Alexis a Macau (3) pois embora não venha mencionado o nome do teatro, a menção do empresário “Eloc” muito possivelmente será o mesmo do apelido “Lok”
O Cine-Teatro Cheng Peng, no início, a maior parte dos espectáculos eram sessões de ópera chinesa (cantonense e de Beijing) mas a partir da década de 20 do século XX, com a popularidade do cinema, passava já filmes (4) predominantemente filmes chineses embora continuasse a apresentar ópera chinesa e outros tipos de espectáculos: circenses, musicais como por exemplo a do artista Xavier Cugat em 1953 (5), o “Trio Odemira” na década de 60, os chamados “pop concert” com artistas e agrupamentos de Hong Kong na década de 60s, etc. Recordo neste cine-teatro, os dois festivais de música de 1963 e 1964, concurso para eleger o melhor conjunto “ié ié” de Macau. Renovado em 1970 voltou a passar filmes (mais chineses) mas reposições e os chamados filmes “B”. Fechou no dia 21 de Agosto de 1992 quando o sistema de ar condicionado se avariou.
Foi o Cineteatro que mais tempo esteve em actividade em Macau 1875 a 1992 (117 anos).
(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau Volume 1,1997, p. 493
(2) https://macaostreets.iacm.gov.mo/p/route/detail.aspx?gid=4&id=0bc7aeda-ee3d-47b8-95f7-493cdc1fc971
Anteriores referências a este Cine Teatro
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/cine-teatro-oriental/
(3) “29-09-1872 – No domingo, dia 29 de Setembro, após o almoço, a que assistiram também vários funcionários, o Príncipe Alexis visitou o Leal Senado e a Gruta de Camões. De tarde recebeu cumprimentos dos funcionários e, à noite, novo jantar de gala, após o qual assistiu num teatro a um auto-china. Não se esqueceu de galardoar o empresário do teatro, chamado Eloc, com um alfinete cravejado dum pérola e brilhantes…. “ (TEIXEIRA, Padre Manuel – Residência dos Governadores do Macau, p. 13)
(4) Em 1925, projectou-se neste teatro o célebre filme de Lilian Gish “The White Sister” –  filme mudo americano (drama; filmado em Itália) de 1923 com Lillian Gish e Ronald Colman, dirigido por Henry King para a “Metro Pictures”.
https://www.youtube.com/watch?v=0Hh3ZcAEHPY
(5) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/11/29/noticia-de-29-de-novembro-de-1953-xavier-cugat-em-macau/

Bilhetes Postais Antigos LOGOContinuação da apresentação dos postais da colecção (1) (2) (3) (4)

Bilhetes Postais Antigos LOGO chinês

古董明信片中的澳門
Macau em Bilhetes Postais Antigos
Macau in Historical Postcards

Bilhetes Postais Antigos Jardim de S. Francisco c 1890“Macao, Public Garden”
Jardim de S. Francisco (por volta de 1890)

Bilhetes Postais Antigos Rua da Felicidade c 1890“Macao, China Town”
Rua da Felicidade (por volta de 1890)

NOTA: estes mesmos postais vêm referenciados em LOUREIRO, João – Postais Antigos de Macau, com a data: cerca de 1900, sendo emitidos originalmente em Hong Kong por M. Sternberg.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/02/21/postais-macau-em-bilhetes-postais-antigos-i/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/03/23/postais-macau-em-bilhetes-postais-antigos-ii/
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/04/17/postais-macau-em-bilhetes-postais-antigos-iii/
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/04/22/postais-macau-em-bilhetes-postais-antigos-iv/   

Pequeno opúsculo editado da Agência Geral do Ultramar (sem data, somente a indicação de “NEOGRAVURA – LISBOA – 5.000 ex”.; mas muito provavelmente do final de 50) (1), com o mesmo tamanho (16,5 cm x 12 cm) e impressão gráfica do opúsculo que publiquei em “FOLHETO DE PROPAGANDA – MACAU, PORTUGAL NO ORIENTE I e II”, impresso em 1964. (2)

Macau Terra de Maravilha AGU CAPA CONTRACAPA

O desenho da capa é de Fausto Rocha
Na contra-capa , o mesmo mapa de Macau (colorido mas com cores diferentes) existente na contra-capa do opúsculo “MACAO – UNE VILLE PORTUGAISE” (impresso em francês) (3)

Macau Terra de Maravilha AGU 1.ª Página1.ª Página, com uma fotografia da Rua da Felicidade

Embora o título seja diferente, assim como as fotografias (24 fotos, todas a preto e branco), o conteúdo é igual ao publicado, em 1964 (2). Apresenta o mesmo número de páginas: 32 páginas.
Assim os pequenos capítulos subdivididos são iguais. Escolho outros parágrafos, iguais nas duas edições.
1 -” Macau – terra maravilhosa“
Em 1910, Macau tinha apenas 3,380 quilómetros quadrados. Por causa de aterros efectuados para a construção do seu porto exterior e devido à reunião de lodos trazidos pelos braços do delta passou a contar, em 1927, mais 2,042 quilómetros quadrados. E desde essa altura, mercê de novos trabalhos a superfície da cidade não deixa de aumentar.…” (p. 3)

Macau Terra de Maravilha AGU Av. Almeida Ribeiro I“Trecho da Avenida Almeida Ribeiro”

2 – “Uma cidade maravilhosa “ (a única alteração é no título, na edição de 1964 é: “Uma grande cidade“)
A cidade tem uma vida intensa vida nocturna. Talvez de noite ela, seja ainda mais bela, mais aliciante, mais sedutora e mais original. Uma volta de automóvel por Macau faz-se em vinte minutos. O carro deixa a Almeida Ribeiro e entra na rua Pereira Marques, de grande movimento de gente e muita vida comercial. Da banda da direita, onde fica o porto interior, há uma série de pontes-cais, onde se embarca para Hong Kong, para Coloane e para a Taipa….…” (p. 6)

Macau Terra de Maravilha AGU Av. Almeida Ribeiro II“Outro trecho da Avenida Almeida Ribeiro”

3 – “Um elevado nível de cultura” 
“Na rua de Felicidade, que é caracteristicamente china, moram as mais lindas cantadeiras dos banquetes. São raparigas profissionais, muito dignas dentro do seu conceito de moral oriental, que, sendo diferente do nosso se deve apenas considerar como diferente.,. ” (p. 12).
4 – “Um pouco de história“.
5 – “A cidade de Macau
Em especial, no período que vai de Outubro a Março, na segunda monção, a cidade goza de magníficos dias, iguais aos de Lisboa. De Abril a Setembro é o tempo característico dos tufões que assolam os mares da China. Maca, porém, é raras vezes directamente vítima dessas terríveis tempestades. (p. 22)

Macau Terra de Maravilha AGU Rua Comercial“Uma rua comercial”

6 – “A ilha da Taipa
A Taipa Pequena, bastante pinturesca, possui duas praias e é muito acidentada, com vales de densa vegetação. Possui cais acostável, é servida por boas estradas e ali se encontra instalada uma importante indústria de fogo de artifício…” (p. 23)
7 – ” A ilha de Coloane“
Perto de Ká Hó estão instalados seis pavilhões que abrigam os leprosos que aparecem na província e ali são internados. Trata-se de um estabelecimento hospitalar considerado, no género, dos melhores de todo o Extremo Oriente. Ainda mais acidentada que, a Taipa, a ilha de Coloane possui igualmente vales pitorescos e abundante vegetação……” (p. 24)
8 – “Meios de comunicação
A viagem demora, aproximadamente, mês e meio e o turista que, largado de Lisboa, queira visitar Macau tem amplo tempo para descansar e ver algumas das mais belas e populosas cidades do Oriente. Os navios desta carreira escalam, entre outros, os portos de Porto Said, Suez, Mormugão, Singapura, Hong Kong e Macau. Alternadamente visitam também Dili, capital do nosso Timor e Manila, nas Filipinas….…” (p. 26)
Os procedimentos para “a entrada e permanência de estrangeiros” na edição 1964 eram ligeiramente diferentes, “a entrada ou permanência de estrangeiros na Província de Macau”: os vistos de entrada tinham a validade de quinze dias para os eram tirados nas representações diplomáticas e sessenta dias para os que eram  emitidos  nas representações consulares,  enquanto que , em 1964,  eram, respectivamente, de vinte e noventa dias.
A indicação dos “passeios e locais, dignos de visitar”, é idêntica nas duas edições.

Macau Terra de Maravilha AGU Páginas CentraisNas páginas centrais onde estava a foto de Macau, tirada do Farol da Guia na edição de 1964 (1),  nesta edição, encontra-se duas fotos: à esquerda: “uma vista parcial da Zona norte da cidade de Macau, tirada da Penha” e à direita: “Jardim de Camões”.

As alterações mais significativas encontram-se (nesta edição) nas indicações de:
Hotéis com os seus preçários (onde subdivide em “Principais Hotéis Europeus” e Principais Hotéis Chineses”) Ainda listava o «Hotel Central» que já não figura na edição de 1964.
Restaurantes (só estão referenciados: Fat-Siu-Lau – comida europeia, com especialidade em pratos de bacalhau; Golden Gate – comida europeia; Ruby – comida europeia; Long Kei – comida chinesa; Golden City – comida chinesa).
Teatros, cinemas e outros divertimentos– idêntico nas duas edições.
Acontecimentos anuais: Macau Grand Prix, Concurso hípico (Outubro); Feira Popular (Agosto a Novembro); Feira dos Santos Populares (Junho); Exposição Filatélica (permanente).
Festas religiosas.
Horário dos vapores da carreira de Hong Kong (referência somente ao «Tak Shing», «Tai Loy» e «Fat-Shan»)
Consulados (endereços) da Grã-Bretanha, Holanda, Tailândia e Delegação Especial do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.
Principais bancos (idênticos nas duas edições: Banco Nacional Ultramarino, Banco Tai Fung e Banco Lam Tong).
Agências de viagens (Agência Geral de Turismo, H. Nolasco & C.ª Lda., Companhia de Auto-carros «Fok Lai» e «Macao Air Transport»)
A indicação do Turismo, na edição de 1964:
Centro de Informação e Turismo – Palácio da Praia Grande – Tel. 2898
Nesta edição:
Secção de Propaganda e Turismo da Repartição Central dos Serviços Económicos.

(1) A descrição da ”entrada ou permanência de estrangeiros “, “hotéis “ e outros pequenos dados “turísticos”, leva-nos a pressupor que esta edição deverá ser do final da década de 50.

3 edições de MACAU AGUAs 3 edições referidas: 195? , 196? (em francês) e 1964

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/03/21/folheto-propaganda-macau-portugal-no-oriente-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/04/03/folheto-de-propaganda-macau-portugal-no-oriente-ii/
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/04/17/folheto-propaganda-macao-une-ville-portugaise/