Archives for posts with tag: Rua Conselheiro Ferreira de Almeida

anuario-de-1927-liceu-central-de-macau-iO Liceu Central de Macau (1927)

No dia 11 de Dezembro de 1923 foi nomeada Amália Alda Jorge para reger, interinamente, as disciplinas do 2.º grupo Português/Francês -do Liceu Central. Terá sido, ao que sabemos, a primeira professora do sexo feminino, no Liceu Central. (1) (2) (3)
Nesse ano de 1923, o Liceu de Macau estava instalado no edifício do antigo “Hotel Boa Vista”. Só a 12 de Julho de 1924, mudaria a instalação para o prédio n.º 89 da Rua Conselheiro Ferreira – as fotos do Liceu no ano de 1927.

anuario-de-1927-liceu-central-de-macau-ii-escadasA entrada do Liceu Central de Macau (1927)

Amália Alda Pacheco Jorge, é a filha mais velha de José Vicente Jorge, nascida em S. Lourenço a 30-08-1898 e faleceu em Lisboa a 17.03.1977. Foi professora primária e em 1923/1924 nomeada professora do 2.º grupo do Liceu. Estudou medicina (1924/1925) em Lisboa cujo curso frequentou até ao 2.º ano tendo regressado a Macau após falecimento da mãe, em 30 de Dezembro de 1926, porque, como irmã mais velha, sentiu-se responsável pelos irmãos (11), alguns deles ainda muito novos. (4)

anuario-de-1927-liceu-central-de-macau-iii-varandaA varanda do Liceu Central de Macau (1927)

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
(2) O Liceu de Macau que foi criado pela Carta de lei de 27 de Julho de 1893, regulamentada pela Portaria Provincial de 14 de Agosto de 1894, foi elevado a Central em 8 de Outubro de 1917 pelo Decreto n.º 3.432. Quando foi criado, o Liceu de Macau ministrava em três cursos: o curso geral (4 anos), o de letras (3 anos) e o de sciências (3 anos). Era condição essencial para a matrícula ao Curso de Letra ou de Sciências, possuir os 3 primeiros anos do Curso Geral. Este regime foi alterado pala Portaria Provincial de 16 de Setembro de 1897, que mandou pôr em vigor a organização dos Liceus Nacionais da Metrópole, terminando desde então, os cursos de letras e de sciências, e ficando o Liceu apenas com o Curso Geral, que passou a ser de 5 anos.
(3) Consta no «Anuário de 1924» como professora interina do 2.º grupo (Português e Francês) D. Amália Aldo Jorge. Nomeada secretária da 1.ª e 5.º classe, e regente das seguintes disciplinas: francês 1.ª, 2.ª e 5.ª classe e Matemática da 1.ª classe. O seu pai José Vicente Jorge era professor provisório do 3.º grupo (Inglês); secretário de 6.ª e 7.ª classe e regente das seguintes disciplinas: inglês 2.ª, 3.ª, 4.ª 5.ª 6.ª e 7.ª classe
(4) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Vol. II.

directorio-1934-liceu-central-de-macau-fachadaLiceu Central de Macau – Fachada

O Liceu Central de Macau (1) instalou-se no prédio 89 da Rua Conselheiro Ferreira de Almeida em 12 de Julho de 1924.
Adoptaria o nome de Liceu Nacional Infante D. Henrique em 1937 (B.O. n.º 34/1937)

directorio-1934-liceu-central-de-macau-bibliotecaLiceu Central de Macau – Biblioteca

Nesse ano de 1934 o Reitor era o Dr. José Ferreira de Castro e o Secretário, Fernando de Lara Reis que também chefiava a Secretaria com um funcionário, o 3.º oficial, Júlio José Gracias.
Como professores efectivos: Dr. José Ferreira de Castro (2.º grupo), Dr. Pedro Guimarães Lobato (5.º grupo), Dr. Artur Gonzales de Medina (6.º grupo), Dr. Adelino dos Santos Dinis (7.º grupo), Dr. José Maria Pereira (8.º grupo) e Fernando de Lara Reis (9.º grupo). Encontravam-se vagos, o 1.º e  o 2.º grupo.
Como professores provisórios e interinos estavam:
1,º grupo: Cónego Raúl Camacho
2.º grupo: Dr. João da Costa de Sousa de Macedo Vila Franca
3.º grupo: (Inglês) José Machado Nolasco da Silva
3.º grupo: (Alemão) Filipe Augusto do Ó Costa
Educação Física: Artur António Tristão Borges
Canto Coral: Bernardino de Sena Fernandes.
(1) Ver referências anteriores do Liceu Central de Macau em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/liceu-centralnacional-de-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/liceu-de-macau/

Notícia com interesse nessa época: a 19 de Abril de 1930, procedeu-se à instalação de um telefone no gabinete do Reitor do Liceu Central de Macau.(1)

Recorda-se que o Liceu Central, nesse ano, já estava instalado (desde 12 de Julho de 1924), no prédio n.º 89 da Rua Conselheiro Ferreira de Almeida e foi também nesse mesmo ano, em 23 de Outubro que a instalação eléctrica foi efectuada.

A Central Telefónica de Macau funcionava em quartos alugados à Santa Casa de Misericórdia até à conclusão do edifício dos Correios e Telégrafos em 1929, no  Largo do Senado. Os telefones automáticos já tinham sido montados em 07 de Dezembro de 1928.

Em 1922 havia em Macau 104 telefones instalados sendo particulares 76 deles. (1)

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, 4.º Vol, 1997.

Foi inaugurado a 6 de Janeiro de 1933, o «Novo Asilo dos Órfãos», sob o patrocínio da Associação Pública de Protecção aos jovens Pobres e Órfãos, alimentada com cotas mensais, sessões  de animatógrafo e outras representações de benefício. Faltava um prédio adequado, porque o 1.º, ao Tap Seac, passou a ser o Liceu Central de Macau (1). Com a ajuda de muitas almas boas, entre elas o arquitecto Keil do Amaral e o Dr. Gustavo Nolasco da Silva (2), impulsionados por Pedro Paulo Ângelo, o Asilo foi instalado na Travessa dos Santos n.º 2 e encontrou quem lhe permitisse continuar. (3) (4).

Asylo dos ÓrphãosAsylo dos Orphãos na Rua Conselheiro Ferreira de Almeida (Tap Seac) (5)

O Asilo dos Órfãos foi criado em 1900 (Boletim Oficial n.º 15 de 14-04-1900), pelo Provedor da Santa Casa da Misericórdia, Pedro Nolasco da Silva tendo ficado a cargo da mesma Santa Casa e instalado em edifício próprio, ao Tap Seac.  A instituição foi extinta por medidas económicas em 1918, tendo recolhido e educado  ao todo 182 rapazes, alguns dos quais atingiram lugares inportantes dentro e fora de Macau. Um dos ex-protegidos, Pedro Paulo Ângelo, então fazendo parte da Mesa Directora da Sta. Casa, resolveu reerguer o Asilo e, após proposta em sessão, foi a mesma aprovada por unanimidade.

Assim em 14 de Julho de 1931, Pedro Paulo Ângelo inicia uma subscrição pública para reerguer o «Asilo dos Órfãos”.  Em 13 de Agosto de 1932, os Estatutos foram aprovados pela Portaria n.º 936 do Governo de Macau. Com a subscrição e mais algumas achegas finais, adquiriu-se uma soma de 10 mil patacas.

(1)   O Governo de Macau compra o edifício do Hotel Bom Vista, em 1923, à Santa Casa de Misericórdia por 82 585 patacas. O Liceu de Macau que estava funcionando neste edifício até aí, vai mudar-se para o Tap Seac.
Em 12 de Julho de 1924, o Liceu Central de Macau instala-se no prédio n.º 89 da Rua Conselheiro Ferreira de Almeida (Tap Seac). E aí ficará até à mudança para o novo Liceu (entretanto, em 1937, seria denominado Liceu Infante D. Henrique) construído no aterro da Praia Grande, junto da antiga Avenida Dr. Oliveira Salazar e inaugurado a 2 de Outubro de 1958.
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7)
Posteriormente com a inauguração do novo Liceu, o edifício passou a Repartição Provincial dos Serviços de Saúde e a Delegacia da Saúde, e depois Serviços de Saúde de Macau. Presentemente este é o Edifício do Instituto Cultural do Governo da  R.A.E.M. (Praça do Tap Seac)
Anteriores referências ao Liceu, ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/liceu-nacional-infante-d-henrique/
(2)   Gustavo Nolasco da Silva (1909-1991), filho de Luis Gonzaga Nolasco da Silva (7.º filho de  Pedro Nolasco da Silva e proprietário da «Casa Branca», posteriormente Convento da Órdem do Precioso Sangue) era licenciado em Direito. Foi conservador do Registo Predial de Macau. Foi advogado da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia  (Cartório da Santa Casa).
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/09/postais-macau-artistico-iv/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/06/personalidade-pedro-nolasco-da-silva/
(3)   GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(4)   Uma entrada de Abril de 1936, na “Cronologia “ citado em (1) da Dra. Beatriz Basto da Silva, refere ainda nesta data, a localização do Asilo na Travressa dos Santos. No entanto já tinha projecto de construção do edifício destinado a esta obra de assistência. O projecto foi feito gratuitamente pelo arquitecto Keil do Amaral sendo-lhe destinado um espaço cedido gratuitamente por diligência do Governador Interino, Dr. João Ferreira Barbosa.
(5) Foto de Man-Fook.  Retirado do Arquivo Científico Tropical:
http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD6878