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Camilo Pessanha INSTITUTO 1920 Gruta de CamõesOs fundadores do Instituto de Macau (Da esquerda para a direita: Eng. Eugénio Dias de Amorim, Camilo Pessanha, D. José da Costa Nunes, Com. Correia da Silva (Paço d´Arcos), Humberto S. de Avelar,, Alm. Hugo de Lacerda Castelo Branco, Dr. José António F. de Morais Palha, Padre Régis Gervais, José Vicente Jorge, Dr. Manuel da Silva Mendes, Dr. Telo de Azevedo Gomes e Ten. Francisco Peixoto Chedas) a homenagem ao poeta, na Gruta de Camões, no ano de 1920. (1)
Foi a 15 de Junho de 1920 que foi aprovado os estatutos da Associação Científica, Literária e Artística denominada «Instituto de Macau», criada para promover o estudo da sinologia e da acção e influência portuguesas no Oriente. (2)
Foi nesse ano que o único livro de poemas de Camilo Pessanha «Clepsydra» foi publicado em Lisboa, sem a sua participação (estava em Macau) com edição de Ana de Castro Osório, 1920, 1a edição. (3)
Foi também em 17 de Agosto desse ano que Camilo de Almeida Pessanha foi nomeado para 1.º substituto do Juiz de Direito, da comarca de Macau. (2)
(1) Postal da Colecção «CAMILO PESSANHA no 70º aniversário da publicação do “CLEPSIDRA”». Edição do Instituto Português do Oriente, Macau, 1990.
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7).
(3) Há edição fac-símile publicada pela Ecopy em 2009. Graças à iniciativa  de Ana Castro Osório, que publicou o livro a partir de autógrafos e recortes de jornais, os versos de Pessanha se salvaram do esquecimento. Posteriormente, o filho de Ana de Castro Osório, João de Castro Osório, ampliou a Clepsidra original, acrescentando-lhe poemas que foram encontrados. Essas edições foram publicadas em 1945, 1954 e 1969.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Camilo_Pessanha

“Durante o século XVIII, os criados eram escravos trazidos da África e de Timor, criaturas geralmente dóceis e cuja lealdade e valentia constituíam a salva-guarda das casas portuguesas na ausência dos donos.
Em algumas casas havia por vezes mais de trinta, entre homens e mulheres, casados entre si.
Geralmente eram bem tratados e alguns houve que, receberam ricos legados.
Os padres eram caridosos para com os escravos negros, chegando êstes a ter expostos à sua veneração, na igreja de S. Francisco (1), imagens de santos negros.
Além destes escravos, havia chineses vendidos aos portugueses, desde a infância. Esta escravidão foi proibida por D. José.” (2)
              MAPA DA CIDADE DE MACAU 1796 POR B. BAKER (3)

(1) Igreja de S. Francisco foi demolida em 1861 (Convento e Igreja, construídos por franciscanos) para ser construída o Quartel de S. Francisco (1864-1866).
(2) COLOMBAN, Eudore – Resumo da História de Macau. Macau, 1927, 149 p.
 (3) De Rise & Fall of the Canton Trade System Gallery: Places
http://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027/rise_fall_canton_04/cw_gal_01_thumb.html
NOTA: Embora referenciado no site anterior como de B. Baker, este foi o “gravador”. O mapa estava incluído no Atlas do “Authentic Account of an Embassy from the King of Great Britain to the Emperor of China” de George Leonard Staunton.  Este acompanhou a primeira embaixada britânica à China entre 1792-1794, sob o comando do embaixador Earl George Macartney (1737-1806)
http://www.elke-rehder.de/Antiquariat/Staunton-China-Art.htm

Síntese da História de Macau feito por Eudore de Colomban, pseudónimo do Pe. francês Régis Gervais. (1) (2) Este resumo foi apresentado num concurso promovido em 1923, (3) pelo então governo presidido pelo Governador Rodrigo José Rodrigues. Este concurso foi instituído com intuito de elaboração de um manual de história para ser ensinado nas escolas do território.
Esta obra (única concorrente) só foi publicada em 1927 com o título “RESUMO DA HISTÓRIA DE MACAU, por Eudore de Colombian de colaboração com o capitão de artilharia Jacinto J. N. Moura, editor, Macau, MCMXXVII”
O resumo foi refundido e aumentado pelo seu editor, Jacinto José do Nascimento Moura (4) (aliás o livro só foi publicado pela persistência  do seu editor já que com o abandono do cargo do Governador em 1922, o autor atirou o seu trabalho para os papéis, não desejando aperfeiçoá-lo ou publicá-lo)  (5) e imprimida na Tipografia do Orfanato da Imaculada Conceição, em 1927. O prefácio do livro também foi da sua autoria.(“Macau, 26-12-1927″)
Segundo Teresa Sena (6) “Existem mais duas edições publicadas em Macau, sendo a mais recente de 1980. É igualmente uma obra ultrapassada e desactualizada, com graves lacunas formais, mas que, apesar de se caracterizar por ser um apanhado algo sincopado dos factos, apresentados de forma demasiado centrada e pouco isenta, possui os seu méritos.”
NOTA: A mais antiga tentativa de síntese, ainda que tendenciosa e bastante descritiva, da História de Macau foi publicada pelo negociante sueco Andrew LjungstedtAn Historical Sketch of the Portuguese Settlements in China; and of the Roman Catholich Church and Mission in China“, em 1936, onde reúne, corrige e desenvolve dois dos seus ensaios anteriores de 1832 e 1834. (6)
Segundo Padre Teixeira, Ljungstedt usou os documentos pertencentes ao Bispo D. Joaquim de Souza Saraiva, Bispo e Pequim. Ljungstedt  que viveu em Macau de 1804 a 1835, está sepultado no Cemitério dos Protestantes.

MAPA DE MACAU DE 1927 INSERIDA NA PÁGINA VI DO LIVRO 

(1) COLOMBAN, Eudore de – Resumo da História de Macau. Ediçáo de Jacinto José do Nascimento Moura, Macau, 1927, 1.º Milheiro, 148 p. + XVI pp (prefácio e introdução), 21,5 cm x 14, 5 cm.
(2) Régis Gervais – Missionário francês ao serviço da Diocese de Macau, de 1917 a 1925, como professor do Seminário (foi professor de francês do Padre Manuel Teixeira no Seminário). Foi para Pequim em 1925 – convidado para professor de literatura francesa na Universidade de Pequim.
“Modelo de virtudes, raro exemplo de infatigável investigador histórico e de gratidão e admiração por Portugal. Entre as suas publicações é de salientar: “Hommes et chose d´Extrême-Ocident” (2 séries), “Zéphyrin Guillemin”, “Grisailles “(3 séries),”Brimborions”, “Esquisses jaunes”, “Resumo da História de Macau”, “Histoire abrégée de Macao (2 volumes).  Principal redactor, durante muito tempo, do “Boletim Eclesiástico“, ali iniciou a sua projectada obra sobre a influência portuguesa na China, a qual destinava, por gratidão, à família de Carlos da Maia.”
http://portugalnatailandia.blogspot.pt/2007/07/relaes-dos-portugueses-com-o-sio_03.html
 (3) Portaria n.º 67 de Maio de 1923. O concurso durou somente três meses, “tempo este insuficiente para uma perfeita coordenação e revisão de trabalhos e estudos de tal interesse” segundo o editor do livro. Rodrigo José Rodrigues (1879-1963) esteve como Governador de Macau de 1923 a 1925.
(4) Como indica na 1.ª página do livro, Jacinto José do Nascimento Moura, era capitão com o curso de Artilharia de Campanha. É autor do livro com interesse histórico “Relações dos Portugueses com o Sião”
(5) Segundo Jacinto Moura:
 “Colomban acedeu, por fim, sendo-me, porém, impostas as condições de o aperfeiçoar e de lhe dar o meu nome, sem fazer a mais leve referência ao seu. Se a primeira delas era quase insuperável, a segunda era-me absolutamente impossível aceitar. Colomban, vencido pela amizade, consentiu, por fim que o seu nome ocupasse o devido lugar, cabendo-me a mim não só refundir e aumentar o seu trabalho como todos os encargos e direitos.”
(6) SENA, Teresa – Da Polémica à História in MACAU, n.º 28, 1990, pp. 55-58.