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História das Colónias Portuguesas  CAPAROCHA MARTINS
da Academia das Ciências de Lisboa
HISTÓRIA DAS COLÓNIAS PORTUGUESAS
OBRA PATRIÓTICA
SOB O PATROCÍNIO DO “DIÁRIO DE NOTÍCIAS”

História das Colónias Portuguesas  1.ª PáginaO livro (1) foi composto e impresso em 1933 embora na última página esteja impresso “acabou de se compor o original deste livro, aos 16 de Março de 1934”
História das Colónias Portuguesas  ENCO meu exemplar está encadernado com capas da brochura
Este livro é um das mais apreciados da longa bibliografia do autor (2), ilustrado com numerosas vinhetas ao longo do texto, estampas em folhas à parte e 9 mapas desdobráveis (um deles de Macau).
No prefácio
…A «História das Colónias Portuguesas», que escrevi sob este desígnio, é o pequeno varinel, obra de um artífice humilde, singrando a caminho da alma popular, tripulado por sombras, duendes, fantasmas heróicos a vizinharem com algumas evocações de vivos que ajudaram a cimentar o Império Colonial Português.”
História das Colónias Portuguesas  MAPA 1933“A colónia de Macau é constituída pela cidade do Santo Nome de Deus de Macau, com uns 78.000 habitantes em 10 quilómetros quadrados. Seu principal comércio é o do charão, ópio e sêdas, mas a maior riqueza do encantador domínio é o seu magnífico pôrto. Em construção, embora tardia, aumentar-lhe-á os réditos e a importância. Constitui um governo, um bispado e uma comarca.”
Os capítulos referentes a Macau estão nas páginas 349 a 382 e na terceira parte, dedicado ao Macau do ano 1886 a 1919, nas páginas 647 a 650.
CAPÍTULO XXVII – DA ENTRADA DOS PORTUGUESES EM MACAU ATÉ AO FIM DO DOMÍNIO CASTELHANO.
A acção portugueza contra um pirata chinês- Povoação do Porto de Santo Nome de Deus – Vexames de mandarins e de governadores. (pp. 351- 356)
CAPÍTULO XXVIII – A VIDA DE SUJEIÇÂO DA COLÓNIA
Indiferença da metrópole-Conflitos civis e religiosos – oriente contra os «bárbaros do ocidente». (pp. 357-362)
História das Colónias Portuguesas  MACAU 1897CAPÍTULO XXIX – MACAU E A CELESTIAL DINASTIA
Como continuaram os vexames – Vistas dos ingleses sobre Macau – Uma vitória portuguesa sobre os piratas. (pp. 363-369)
História das Colónias Portuguesas  Palácio do GovernoCAPÍTULO XXX – A LIBERTAÇÃO DE MACAU
A Inglaterra e a posse de Hong Kong – Influência deste acontecimento na vida da cidade de Santo Nome de Deus – O governador João Ferreira do Amaral e os chineses. (pp. 370 – 377)
História das Colónias Portuguesas  Porto de MacauCAPÍTULO XXXI – MACAU E O RECONHECIMENTO DA SUA INDEPENDÊNCIA
Trabalhos diplomáticos – As dificuldades com a China – Os estudos para as obras do pôrto. (pp. 378 – 382)
CAPÍTULO LV – A GRANDE NECESSIDADE DA CONSTRUÇÂO DO PÔRTO DE MACAU
Diligencias para realizar as obras do pôrto – Acção dos governadores – Os religiosos e a instrução nas colónias. (pp.647 -650)
(1) MARTINS, Rocha – História das Colónias Portuguesas. Diário de Notícias, Lisboa Tipografia da Emprêsa Nacional de Publicidade, Lisboa 1933, 698 p. : il. Mapas, quadros. Dimensões: 20 cm x 13,5 cm x 3,5 cm.
Rocha Martins(2) Francisco José da Rocha Martins, mais conhecido por Rocha Martins (Lisboa, 1879 — Sintra, 1952), foi um jornalista, historiador e activista político português (monárquico convicto mas liberal, colaborador nos primeiros momentos do Estado Novo, tornar-se-ia um activo oposicionista do salazarismo), um dos mais prolíficos escritores da primeira metade do século XX, publicando uma vasta obra de divulgação histórica para além de ter publicado diversas biografias e muitas novelas e romances históricos de grande sucesso. Jornalista profissional, trabalhou em diversos jornais e revistas de Lisboa, entre as quais as revistas Serões (1901-1911) (3) e Illustração portugueza  (1903-1923) (4).
http://pedroalmeidavieira.com/indexbh.asp?p/785/1089//R/1723/
Colaborou no argumento do filme «Bocage», longa metragem de ficção portuguesa, musicado, realizada por Leitão de Barros no ano de 1936.(5)
(3) http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/Seroes/Seroes.htm
(4) http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/IlustracaoPortuguesa.htm
(5) Ver cenas do filme em  https://www.youtube.com/watch?v=3gGSdGiRcRM

Em 20 de Fevereiro de 1924 foi atribuído pelo Governo da Província um louvor ao Chefe da Policia de Investigação Criminal, Lao Ngui, pela habilidade e grande zelo demonstrados nas diligências a que procedeu, em Cantão, para a descoberta dos falsificadores de notas do Banco Nacional Ultramarino, e apreensão das máquinas empregadas neste fabrico. (1)
Um exemplar de uma nota de cinco patacas (pagável em Macau em moeda corrente) do Banco Nacional Ultramarino de 1 de Janeiro de 1924 apresentado no site (2)

NOTA BNU 5 ptcs 1924À esquerda, um navio a vapor (emblema do banco) (3) e
à direita um junco (referente a Macau)

NOTA BNU 5 ptcs 1924 verso
Recorda-se que no ano de 1924 a “Colónia” teve uma quebra das receitas por perda da exploração do exclusivo do ópio “descera das 263 668 patacas de média mensal para cerca de 22 000 nesse mês de Julho, com uma perspectiva para o mês de Agosto, que dizem, a custo chegará a 70 000 (carta do gerente em Macau, Monteiro Lopes, enviada a 29 de Julho de 1924). (4)
Também nesse ano, 1924, devido a tumultos em Cantão, muitos refugiados procuraram Macau. Foi a primeira vez que Macau ultrapassou os 100 mil habitantes, tendo cerca de 193 175. Quando os tumultos passaram nem toda a gente regressou a Cantão. A população em Macau baixou, mas mesmo assim registaram-se 120 mil habitantes. (1)
(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4.
(2) A nota foi impressa por “Thomas De La Rue & Company Limited, London, England.
http://www.worldbanknotescoins.com/2014/09/macau-banknotes-5-patacas-1924-banco-nacional-ultramarino.html
Emblema BNU(3) Da redacção dos primeiros Estatutos do BNU consta que o selo do Banco terá por emblema um navio a vapor com a legenda na parte superior “Banco Nacional Ultramarino” e na inferior “Colónias, Comércio e Agricultura
(4) Citado em: http://banconacionalultramarino.blogspot.pt/2011/07/bnu-macau.html

Carta escrita por Ebenezer Townsend Jr., supercargo (oficial dos navios mercantes, encarregado da carga e dos assuntos comerciais da viagem) a bordo do “Neptune” (1) na sua viagem pelo Pacifico Sul, Cantão e Penang, entre 1796-1799.

«Caro Irmão…
À 1 P.M. (24 de Outubro) ancorámos na rada de Macau numa profundidade de cinco braças e fomos a terra buscar um piloto para Cantão – a nossa primeira tarefa foi ir visitar o Governador (2) e a seguir o Comodoro dos navios ingleses na Taipa, que eram então comandados pelo Capitão Turner. Suponho que não tínhamos obrigação de ir cumprimentar este inglês, mas é costume, e eu senti satisfação ao ouvir ali um cavalheiro inglês que havia estado algum tempo na América e pensava que a casa pública de Butler em New Haven era melhor em que tinha estado e preguntou-me se já lá tinha estado – fundada em Peters, ordinariamente chamada a única casa pública…(…)
Há grande número de belos edifícios. A cidade é muralhada e muito bem fortificada. O chamado porto interior é bom com cerca de 13 pés de água, mas as fragatas ancoram na Taipa. Há agora treze navios de velas redondas e vários barcos menores no porto interior. O tufão não lhes causou prejuízos, pois o porto é como um lago. Os barcos que aqui estão carregam de cem a centenas de toneladas.
No verão é lugar de residência para os sobrecargos e empregados da East India Company, visto que nessa estação não se faz negócio em Cantão, e aqui podem viver mais economicamente e mais agradavelmente do que em Cantão.
Eu, porém, vi pouco que me agradasse. Vi poucas mulheres portuguesas nas ruas, mas elas estavam de tal forma cobertas com um véu que eu não posso dizer se eram bonitas ou feias; porém, se é verdade o que dizem, eu poderia ter examinado mais intimamente as suas feições por uma pequena compensação.
Comprámos ovos e laranjas – cem por meio dólar – e bom vinho no hotel – uma garrafa por ¾ de dólar.
Há cerca de doze igrejas (3) e uns 4.000 habitantes (4) no máximo; eles vão à igreja, mas são falhos de iniciativa. No início o estabelecimento era muito florescente; mas a riqueza, que o ergueu, foi provavelmente a causa do seu declínio; tornaram-se faustosos e enervados”

The Diary of Ebenezer Townsendhttps://archive.org/details/extractformsicdi00town

(1) The Original Diary of Ebenezer Townsend, Jr. While on Board the Supercago of the «Neptune» 1798  in TEIXEIRA, M – Macau através dos séculos , p 31.
(2) O Governador nesse ano, era D. Cristóvão Pereira de Castro (1797-1800)
(3) Sé, S. Lourenço, St.º António, S. Lázaro, S. Paulo, S. José, S. Domingos, S. Agostinho, S. Francisco, Stª. Clara, St.º Casa e N. Sr.ª da Penha.
(4) A 8-8-1777, o Bispo D. Alexandre Pedrosa Guimarães dizia que «todos os Cristãos de Macau assim velhos como moços e crianças de peito, pretos e brancos de yum e de outro sexo não chegarão a 6.000 e muito fracos» (TEIXEIRA, M. – Macau e a sua Diocese, II, p. 261); Bocage em 1789-1790 dizia que havia em Macau «cinco mil nhon´se chinas cristãos».

O Bispo Governador de Macau, D. Alexandre da Silva Pedrosa Guimarães (1) escrevia, neste dia de 8 de Agosto de 1777:
« É o terceiro, não podemos resistir com força a qualquer ordem, que se houver de não cumprir, porque os Chinas nesta Cidade são perto de 22 000 e todos os cristãos assim velhos como moços e criança de peito, pretos e brancos, dum e doutro sexo, não chegarão a 6 000 e muitos fracos. O Imperador num instante meterá nesta Cidade, de improviso, tantos Chinas, que lançando cada um neste rio um sapato, fariam entupir a barra» (2)
Foi a resposta dada pelo Bispo-Governador à consulta que o Senado lhe fez sobre a possibilidade da aplicação da ordem de expulsão dos estrangeiros (3) dizendo ser inexequível ou pelo menos inaconselhável, tanto mais que os fundamentos alegados para essa expulsão não correspondiam aos factos ou eram de insignificante importância.
Já a 5 de Agosto desse mesmo ano, D. Alexandre Guimarães emitira um parecer ao Senado sobre este assunto e onde refere, entre outros aspectos, que:
« Há mais de 10 anos  (isto é, em 1760), os estrangeiros foram para aqui mandados pelo Vice-Rei de Cantão e a cidade viu-se forçada a recebe-los.»
«Estamos aqui consentidos há 222 anos, vivendo em boa harmonia e com subjeção  nos delictos a justiça do Imperador havendo algum reo de morte feita em China, mas no mais aplica-se a justiça portuguesa» (4)
Mapa de Macau de Bellini 1764

Plan de la Ville et du port de Macao, publicado por Jacques Nicolas Bellin (Le Petit Atlas Maritime) 1764

(1) D. Alexandre da Silva Pedrosa Guimarães, (1727-1799) foi eleito Bispo de Macau a 13 de Julho de 1772. Chegou a Macau a 23-08-1774, tomando posse a 04-09-1774. Tomou posse do cargo de Governador e capitão-Geral de Macau, interinamente, a 25-06-1777. Adepto incondicional da política pombalina, deixou de ser governador a 1 de Agosto de 1778, com a queda do Marquês de Pombal, e falecimento do Rei D. José em 1777.
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XVIII, Volume 2. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 216 p. (ISBN 972-8091-09-5)
(2) TEIXEIRA, P.e Manuel – Os Macaenses. Centro de Informação e Turismo, 1965, 99 p.
(3) Foi um despacho do Supremo Tribunal de Goa, datada de 9-05-1773 e um posterior aditamento da carta do Governador e Capitão-Geral dos Estados da Índia, de 17-05-1776, com a  ordem para a expulsão de todos os estrangeiros residentes em Macau, sob o fundamento de arruinarem o comércio da cidade, em razão da carestia dos géneros e mantimentos provocada com a sua estadia e por perverterem os costumes dos naturais
O parágrafo 4.º do aditamento constava o seguinte:
« Em ordem a este fim não consinta V. Excia que de novo se admita qualquer estrangeiro a residir e morar nessa cidade, etc…»
Sobre esta ordem, o Bispo Pedrosa Guimarães comentava que as leis e as ordens sobre a proibição do comércio estrangeiro têm valor nas terras onde o rei tem domínio absoluto, mas que sobre Macau o Imperador da China tem toda a força e nós nenhuma e sugeria a reformulação a ordem de 1773, permitindo que os estrangeiros possam carregar o ópio «nos nossos navios a fretar para Macao e toda a fazenda que mais quiserem introduzir e transportar…»
« elle he senhor directo de Macao que lhe paga hum foro e nos apenas tempos o domínio útil; a terra não se obteve por conquista, e assim a nossa rezidencia não se firma ……………..»
«He verdade que depois que os estrangeiros particulares entrarão a concorrer com os seos navios a Cantão, principalmente os Arménios e os Ingleses, arruinarão o comercio da costa, e Macao tem sentido muito grave prejuízos»

Curiosamente, a 2 de Março de 1778, o Senado informava o Bispo-Governador que recebera uma carta do Conde da Ega, (seria o 2.º Conde de Ega, D. Aires José Maria de Saldanha Albuquerque Coutinho Matos e Noronha) onde mandava que se conservassem os arménios (talvez por serem ricos mercadores) nesta cidade por não serem propriamente estrangeiros, e nem terem Príncipe próprio a quem devam originária vassalagem. (1)
(4) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.

Província de Macau

Os escassos 10 quilómetros quadrados que constituem o território português de Macau, e que abrangem uma pequena península onde se encontra a cidade e as duas ilhas da Taipa e de Coloane, encravados na costa sul da China e na foz do Si-Kiang, teem para Portugal uma importância que não é apenas histórica mas também turística e comercial … (…) 

Joranl da Europa - Hospital de Macau 1929O Hospital  de Macau

Embora a legenda refira Hospital de Macau, nessa data era o Hospital Militar Sam Januário.

Pelo último censo foi a população de Macau avaliada em 83 984 habitantes, dos quais 79 807 chineses e 4 170 portugueses. Calcula-se que, pelo próximo censo, o aumento da população deve sêr de 100 % devido ao grande desenvolvimento que a cidade tem tomado sob o impulso das grandes obras do porto que se encontram em via de conclusão … (...) (1)

Joranl da Europa - Casa Nolasco 1929Aspectos de Macau

Trata-se de uma foto tirada do lado sul da Colina da Guia, das residências particulares, sensivelmente igual ao postal por mim publicado em (2) onde se observa em primeiro plano, no canto direito, a Casa Silva Mendes (hoje, sede do Instituto Internacional de Tecnologia do Software da Universidade das Nações Unidas), a Casa Nolasco da Silva, ou a Casa Branca (hoje Autoridade Monetária de Macau ) e mais atrás, à esquerda, a Vila Alegre  (hoje, a escola Leng Nam)

“… A situação financeira da colónia é favorável. Não só, no ano económico de 1928-29, as receitas cobradas excederem as previstas em 200 000 patacas, como o orçamento para 1029-30 apresenta um saldo de 150 000 patacas, além de 200 000 com que foi reforçado o fundo de reservas.” (1)

Joranl da Europa -  1929 CAPA(1) Fotos e artigo não assinado in Jornal da Europa, informação colonial e marítima para Portugal, Colónias, Ilhas, Brasil e América do Norte. Editora Portugal Ultramar, 2.ª Série, n.º 17, 1929, 78 p.

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/09/postais-macau-artistico-iv/

O bairro do Patane é também designado pelos chineses por Sá Kong, nome por que era conhecido, outrora, um montículo que, então ali existia, formado por acumulação de areia trazida pelo vento.
Por este motivo, o referido local também tinha a designação de «Fei-Lôi-Kóng» (montículo que apareceu a voar). Este montículo, segundo a tradição, desapareceu durante um abalo sísmico que, dizem os historiadores chineses, devia ter ocorrido entre 1862 a 1875, durante o reinado do imperador T´ông-Tchi. (1)

Os Chineses também chamam a este local «Sá -Lei-T´âu», (2) devido ao facto de as suas ruas, quando da construção das primeiras casas do referido bairro, apresentarem o formato duma pera.

Da primitiva povoação (3) nasceu o actual bairro do Patane, um dos mais populosos dos bairros congéneres. (4) . Nos finais do século XIX e princípios de XX, este bairro chegou a ser um importante bairro comercial, onde se encontravam concentrados os estabelecimentos que, então, negociavam com o interior da China. (5)

É no sopé do montículo do Patane (sobre o qual se ergue o recinto do Jardim da Gruta de Camões) que se encontra o templo conhecido entre os chineses pelo nome de «Templo dos Deuses Locais» – Tou Tei Miu, já referido em anterior postagem: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/05/lenda-do-templo-dos-deuses-locais-tou-tei-miu/

Mapa PATANE, 1984MAPA DE MACAU (ZONA DO PATANE) (1984) (6)

(1) Imperador Tongzhi 同治 (1856-1875), nono imperador da Dinastia Manchu, reinou de 1861 a 1875.
(2) 梨頭 (mandarim pinyin: li tou; cantonense jyutping: lei4 tau4 – cabeça de pera.
(3) Uma das primeiras referências a esta zona, foi feita pelo Padre António Cardim, reitor do Colégio de Macau de 31-08-1632 a 23-05-1636 e autor de “Título dos bens de raiz do collegio de Macau”. Neste, referia que existia já nessa época um local de Macau, denominado «Penedos de Camões», junto do «campo dos patanes»
(4) A população total de Macau sem tomar em conta a população da Taipa e Coloane em finais do século XIX:

BAIRROS

1867

1871

1878

Bazar

14.572

19.877

14.343

Patane

8.481

7.215

6.524

Mong   Há

8.182

5.576

2.328

S.   Lázaro

2.590

2.598

3.111

Sé,   S. Lourenço, Santo António e Barra

22.426

20.941

20.313

TOTAL   DA POPULAÇÃO TERRESTRE

56.252

56.202

46.619

POPULAÇÃO   MARÍTIMA

15.590

10.060

8.831

TOTAL

71.844

66.267

55.450

Quadro retirado de CORVO, João de Andrade – Estudos sobre As Províncias Ultramarinas, Lisboa 1887,189 p.
(5) Vejamos agora quaes são as cinco povoações ruraes mais antigas a que nos referimos, para depois nos ocuparmos da cidade christã, como lá se lhe chama.
O primeiro d´estes bairros suburbanos fica proximo da fortaleza da Barra, e é por isso denominado povoação da Barra.
O outro acha-se na encosta do outeiro da Penha, onde está levantada a fortaleza do Bom Parto; chama-se povoação do Tanque do Mainato.
É aqui que se encontram as mais bonitas vivendas de Macau, chamadas «chácaras».
As tres restantes povoações são a do Patane, de Mong Há, e a de S. Lázaro.
A do Patane é de todas cinco a mais importante, já pela industria fabril, já pelo seu commercio, principalmente em madeiras de construcção.
Fica no littoral do porto interior, na especie de cotovello, que a peninsula faz ao formar a enseada da ilha Verde, terminando onde começa a de Mong Há
A povoação do Patane tem hoje tomado tão grande desenvolvimento, são tantos n´ella os estaleiros e estancias de madeira, que  se pode considerar dividida em tres povoações a saber: Patane propriamente dita (bairro hoje, a bem dizer, urbano), San Kiu e Sá- cong (povoações ruraes e piscatórias.)
É entre o Patane e Mong Há que predominam as hortas e as varzeas.
Artigo não assinado no “O Occidente”, 1890.
(6) Parte do Mapa de Macau retirado de “Antigos Navegadores e Marinheiros Ilustres nos Monumentos e Toponímia de Macau. Edição da Obra Social dos Serviços de Marinha, Macau, 1984, 17 p.

Este livro é o 4.º Volume, dos “Estudos sobre As Províncias Ultramarinas”, da autoria de João de Andrade Corvo (1) , “sócio effectivo  da Academia Real das Sciencias de Lisboa” e é dedicado às colónias asiáticas: “A Índia”, pp7-109; “Macau”, pp.113 a 173 e “Timor” pp. 177 -179.

De Macau, são cinco capítulos (não intitulados): I – estabelecimento de Macau, resumo da evolução histórica da cidade, relação com a China; II – censo populacional; III – a emigração por Macau /a emigração dos cules, comércio (estatísticas), despesa pública; IV – evolução do comércio, V – instrução pública.

Estudos sobre Províncias Ultramarinas CAPADeste último capítulo:
A instrução da população de Macau está muito pouco desenvolvida mesmo entre a parte portuguesa; a parte china manifesta um descuido grande que se chama a attenção. Existe uma escola de instrucção primaria unicamente para o seso feminino, e essa é frequentada por 30 a 40 alumnas, de que a maior parte comparece com muita irregularidade; as escolas para o sexo masculino teem maior numero de alumnos, e a frequencia é muito mais regular.
A população, emquanto ao grau de instrucção, apresenta as seguintes circumstancias. O total da população em 1878 era de 68:086: d´esta sabia ler: 23: 2056
 

CHINAS NÃO CHINAS TOTAL
HOMENS 19:510 1:610 21:120
MULHERES 372 1:564 1:936

Não sabem ler: 45:030”
 

CHINAS NÃO CHINAS TOTAL
HOMENS 20:555 727 21:282
MULHERES 23:095 653 23:748

(1)   CORVO, João Andrade – Estudos sobre As Províncias Ultramarinas, Volume IV. Lisboa, por ordem e na tipografia da Academia Real das Sciencias, 1887, 189 p. 22.5 cm x 14 cm

Macau descrito no capítulo XII (Portugal Ultramarino) do livro escolar de 1912, “Corografia de Portugal”, noções elementares para o ensino primário oficial. (1) (2)

Corografia de Portugal CAPA

“…A cidade de Macau ´é muito populosa, pois conta cêrca de 78 000 habitantes, na maior parte chins, havendo alguns europeus e mestiços christãos, e também alguns estrangeiros. Nos quintais e hortas de Macau produzem boas frutas; mas a ocupação dos seus habitantes é principalmente o comércio dos produtos das províncias limítrofes e dos que se manipulam em Macau, como são o chá, ópio, sedas, charões, sendo grande o número de embarcações que cada dia entram e saem de Macau para este comércio….”

Corografia de Portugal MAPA

(1)   D´ÉÇA, Vicente Almeida (lente da Escola Naval) – Corografia de Portugal (Noções Elementares). Nova edição, aprovada por Decreto de 21 de Novembro de 1910. Casa Editora de Figueirinhas, 1912, 111 p. + Índice |1|+ Apêndice |4|
(2)   Corografia descrição de uma região ou de parte importante de um território.
Corografia foi a especialidade da Geografia que se dedicava ao estudo geográfico de um país ou de uma de suas regiões, mais concretamente «estudo geográfico particular de uma região ou de um país» ou «compêndio que trata do estudo geográfico de uma região ou de um país» . A corografia esteve em grande voga na primeira metade do século XIX, sendo depois paulatinamente substituída pela geografia regional à medida que a descrição dos lugares se foi integrando no contexto mais vasto do ambiente em que se inserem e as questões históricas foram sendo relegadas para outros âmbitos disciplinares” ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Corografia)

Parte do texto retirado do livro escolar de 1970 (autorizado, para cinco anos -1/8/970 a 31/7/975-, por despacho ministerial de 2 de Julho de 1970) “História e Geografia” para o 2.º ano Ciclo Preparatório (1)

História e Geografia MAPA

Macau, também foi antigamente uma ilha; o istmo, agora chamado da Porta do Cerco, formou-se depois.
O território de Macau é de 16 quilómetros quadrados apenas, – com uma população calculada para 1966 em cerca 280 000 pessoas o que dá a espantosa densidade de 17 500 habitantes por quilómetro quadrado….(…)
            Muitos dos habitantes vivem em barcos, no porto de Macau.

História e Geografia SAMPANAS

Sampanas no porto de Macau

 A  indústria mais importante é a de roupa e confecções.
Mas há muitas outras: de fogo-de-artifício, de fósforos, de tecidos, etc. As matérias-primas para estas indústrias são importadas.
Em 1966, o total das exportações foi de 690 000 contos.
O primeiro lugar coube aos artigos de vestuário e roupas, com quase 270 000 contos, o segundo ao fogo-de-artifício, com 60 000 contos, seguidos por 21 000 contos de peixe e 43 000 de crustáceos e moluscos, 28 000 de tecidos, 13 000 de calçado, etc.
A importação foi de quase um milhão e meio de contos.

História e Geografia HIDROAVIÃOHidroavião da carreira de Hong Kong, na rampa em frente ao Hangar do Porto Exterior (2)

O turismo é uma grande fonte de receita. Com efeito, Macau é visitada por muitos orientais e europeus que aí fazem seus negócios e se distraem…

(1)   FERNANDES, Maria da Graça Lameiras; SIMÕES, Manuela Lobo da Costa; FREITAS, Gustavo de – História e Geografia de Portugal, para o 2.º ano de Ciclo -Preparatório do Ensino Secundário. Porto Editora/ Emp. Lit. Fluminense/Livraria Arnado, 1970, 279 p.

História e Geografia CAPA

(2)   Esta foto será do final da década de 50 ou princípio de 60. A “carreira de Hong Hong” era feita pela “Companhia Limitada de Transportes Aéreos de Macau” (registada em Abril de 1948 por Pedro Lobo e Liang Chang) e era quase exclusivamente ao transporte do ouro, embora pudesse também transportar passageiros, sobretudo nos voos entre Macau e Hong Kong.
Em 1961, as estatísticas indicavam um movimento anual de 48 hidroaviões em Macau, transportando ouro no valor de 305 milhões de patacas. Mas a MATCO (Macao Air Transport Company) estava condenada a desaparecer e mesmo quando foi comprada por Stanley Ho ninguém acreditou na sua viabilidade. Os aviões foram sendo vendidos às companhias da região… (, Luís Andrade de – Aviação em Macau, Um Século de Aventuras. Companhia do Aeroporto de Macau/Gabinete do Aeroporto Internacional de Macau/Livros do Oriente, 1990, 119 p. ISBN 972-9418-07-1)

«N´uma representação, escripta em 1821, para ser apresentada ao rei constitucional D. João, affirma-se que em 1583 havia em Macau 900 portuguezes, além de mulheres, escravos, e muitas centenas de meninas chinas que tinham sido compradas como tambem muita gente que tinha vindo dos portos portuguezes da Asia; e affirma-se  mais que no fim do século décimo sétimo a população de Macau subia a 19 300 almas; mas em 1821 estava essa população reduzida a 4 600 consistindo de homens livres, escravos e gente de todas as nações incluindo convertidos chinas, que se vestiam á europeia; a saber, subditos livres acima de quinze annos de idade, 604 indivíduos; abaixo de quinze annos 473; escravos 537 e mulheres 2 692, fazendo um total de 4 307. N´este numero não estavam comprehendidos 186 homens pertencentes ao batalhão, nem 19 frades e 45 freiras. Em 1830 calculava-se a população de Macau com exclusão dos militares e do clero, em 4 682, a saber, em 1n 202 homens brancos, 2 146 mulheres de differentes castas. Os portuguezes nascidos em Portugal e seus dominios, que 1 834 residiam em Macau, não excediam 90 pessoas. Nem elles, nem qualquer outro subdito podiam sahir de Macau sem previo consent´mento do governo» (1)

Macau 1830Macau, “Vista das duas baías”, c. 1830 (2)

 (1) LJUNGSTEDT, Andrew – Esboço Histórico dos Estabelecimentos Portugueses na China. Citado por TEIXEIRA, P.e Manuel – Os Macaenses. Centro de Informação e Turismo, 1965, 99 p.
(2) http://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027/rise_fall_canton_04/cw_gal_01_thumb.html