Archives for posts with tag: Procissões

A principal festa da Paróquia de S. Lourenço é a de N. Sra. dos Remédios, celebrada sempre na segunda -feira in albis, na Igreja de S. Lourenço. (1) Consta de missa de oferecimento, Pontifical, Vésperas do Santíssimo, Sermão e Procissão. A novena começa no domingo de Páscoa” (2)
A festa e a procissão são promovidas pela Confraria da Nossa Senhora dos Remédios,
Os estatutos da Confraria foram confirmados, por bula do Papa Urbano VIII, em 2 de Outubro de 1626, sendo a mais antiga confraria da cidade de Macau (3)
O altar de N. Sra. dos Remédios na Igreja de S. Lourenço foi erecto em 1618, data em que foi também ali colocada a estátua da mesma Senhora A actual estátua de N. Sra. dos Remédios foi benzida e inaugurada no dia 10 de Abril de 1931. (4)

B. G. M. e T. XIV-18, 1868.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-lourenco/
(2) TEIXEIRA, Pe. Manuel – Paróquia de S. Lourenço, 1936.
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954-
() Ver anteriores referências:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/04/28/noticia-de-28-de-abril-de-1703-milagre-da-nossa-senhora-dos-remedios/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/04/26/noticia-de-26-de-abril-de-1892-desabamen-to-na-igreja-de-s-lourenco-no-dia-24-de-abril/

Hoje realiza-se a Procissão de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos em Macau. A propósito desta festividade, recordamos a mesma, no ano de 1955, numa notícia publicada no «BGU» (1)

A procissão ao sair da Sé Catedral

A procissão do Senhor dos Passos ao chegar ao Largo do Senado, vendo-se, sob o pálio o Bispo de Macau e à frente o cónego Morais Sarmento, na altura, decano dos missionários portugueses de Macau

A menina Judite Colaço com o Santo Sudário

(1) Extraído de «BGU» XXXI – 357, 1955.
Anteriores referências a esta festividade em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/21/a-tradicional-procissao-do-senhor-dos-passos-1973/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/25/noticia-de-25-de-marco-de-1708-tradicoes-que-se-continuam-ii-a-procissao-dos-senhor-dos-passos-ou-senhor-da-cruz-as-costas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/04/noticias-de-4-e-5-de-marco-de-2017-tradicoes-que-se-continuam-a-procissao-do-senhor-dos-passos-i-fotos-de-1974/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/03/07/noticia-de-7-de-marco-de-1954-a-grande-devocao-ao-senhor-dos-passos-em-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/21/a-tradicional-procissao-do-senhor-dos-passos-1973/

A procissão à saída da Sé Catedral

Extraído do «BGC» XXVI-302-303, 1950.

Extraído de «Ephemerides da semana» de A. Marques Pereira  in Bol. do Gov. de Macau XII-36, 1866.
NOTAS:
1 – O governador era Diogo de Pinho Teixeira (tomou posse em 5 de Agosto de 1706 e governou até 28-07- 1710). Teve um mandato muito complicado com as constantes desavenças com o Senado de Macau e com o Bispado (por causa das contendas entre partidários do Patriarca de Antioquia e os do Padroado Real)
Anteriores referências neste blogue em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/diogo-de-pinho-teixeira/
2 – O Patriaca de Antioquia desde 1701, era o legado apostólico Carlos Tomás Maillard de Tournon (1668-1710) que chegou a Macau, pernoitando apenas na Ilha Verde, a caminho de Cantão tendo sido enviado à China, pelo Papa Clemente XI, para acabar com as controvérsias entre os jesuítas e os missionários de outras ordens, sobre os Ritos Chineses. Faleceu em Macau a 8 de Junho de 1710, pouco depois de receber o barrete cardinalício.
Anteriores referências  aeste Patriarca em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/carlos-tomas-maillard-de-tournon/ 
3 – Devido à ocupação e à independência de Portugal de Espanha  e à disputa quanto à nomeação do novo bispo , desde 1633 (o último Bispo foi D. Diogo Correia Valente de 1630 a 1633) até 1690 ficou vaga o lugar de Bispo de Macau. O Bispo D. João do Casal (1641-1735), do hábito de S. Pedro, foi nomeado em 1690 por D. Pedro II, confirmado pelo Papa Alexandre VII, que na mesma data criou as Dioceses de Macau, Nanquim e Pequim, como distintas, cada um com o seu Bispo. D. João do Casal chegou a Macau tomando posse em 1692, instituiu o Cabido de Macau em 1698,  foi Provedor da Misericórdia, em 1706, e Governador Interino de Macau, em 1735. Faleceu em 20-09-1735, em Macau tendo sido sepultado na Sé Catedral-
Anteriores referências ao Bipso D. João do Casal em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-joao-do-casal/
Informações de: SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 1 e 2,  1997)

Aspecto da procissão de S. João (1)
O andor de S. João entrando na Sé Catedral

Todos os anos, em cumprimento da promessa de proclamar S. João Baptista como Patrono de Macau, o dia de 24 de Junho, dia de S. João Baptista era condignamente festejado, com cerimónias religiosas. Assim foi, também no dia 23 de Junho de 1954. Pelas 18.00 horas, Iniciaram-se na Sé Catedral as festividades religiosas em honra de S. João Baptista, Padroeiro da cidade.
O Administrador Apostólico de Diocese presidiu às cerimónias que constaram de Vésperas solenes e de sermão proferido pelo Chantre Morais Sarmento, aludindo ao significado histórico e religioso da data. Foi também lembrada a vitória que os portugueses alcançaram sobre os holandeses nesse inolvidável dia 24 de Junho de 1622.
A procissão saiu cerca das 19.00 horas percorrendo o itinerário do costume. Os rapazes do Orfanato de Imaculada Conceição e do Colégio D. Bosco abriram alas à frente destacando-se os guiões e estandartes dos Padres Salesianos.
O andor do santo Padroeiro completa e artisticamente enfeitado com flores naturais, era conduzido pelos fiscais municipais, ladeado por uma deputação de bombeiros municipais, vendo-se à frente algumas crianças vestidas de anjos. Seguia após o elemento eclesiástico, onde se viam os alunos do Seminário de S. José, membro do clero secular e regular e o Cabido Diocesano. O Prelado da Diocese levava, sob o pálio, o Santo Lenho seguindo atrás as entidades oficiais. Um grande acompanhamento de fiéis fechava o cortejo sendo de notar, a par da grande multidão de civis, uma larga representação  elemento militar.  Banda dos Salesianos tocou durante o percurso.
No dia 24, às 10.30 horas foi celebrada Missa Solene na Sé Catedral com a presença da Vereação Municipal e de entidades civis e militares.
Na noite do mesmo dia, em continuação dos festejos em honra dos Santos Populares, promovidos pelo Leal Senado e patrocinados pela Esposa do Governador, D. Laurinda Marques Esparteiro, houve arraial à portuguesa no amplo terraço do mercado de S. Domingos. A festa dessa noite, como nos anteriores iniciadas pelo Santo António e as dedicadas depois a S. Pedro teve carácter beneficente, sendo as receitas inteiramente destinadas às obras de assistência.
Além da música de «pick up», o recinto foi abrilhantado por música de «jazz», pelos Grupos «Esperança» e «Negro-Rubro», música instrumental pela banda da Polícia e por fados, guitarradas e canções portuguesas em que alguns elementos dos soldados expedicionários se revelaram amadores competentes. (2)
(1) Foto de BGU XXX- 35, 1954.
2) Reportagem e fotos (infelizmente mal impressas) retirados de «MACAU B. I.» I-22, 1954.

Duas fotografias do ano de 1954 publicadas na imprensa portuguesa (1) no mês de Abril.

Aspecto da procissão do Senhor dos Passos, no trajecto a passar à frente da Igreja de S. Domingos.
Aspecto parcial do Porto Interior, vendo-se atracado numa das pontes-cais um navio que transportava arroz para Macau.

(1) BGU, XXIX – 346, 1954.

Consta por memorias antigas e papeis particulares que neste dia (4-04-1702) em que foi o de Sexta feira maior, houvera huma grande bulha com hum Mandarim e seus soldados e muitos Chinas ao mesmo tempo em que sahia a Procissão do Senhor morto, levando os Chinas preso à presença do Mandarim seu que aqui se achava o Procurador do Senado, por cujo motivo se pos a Cidade em Armas, mas três dias depois se acabou a dezordem em bem“. (1)
Sendo este dia Sexta-Feira de Paixão houve grande desordem entre os cristãos e a comitiva de um mandarim, na ocasião da procissão do Encontro. Os chineses, que se juntaram contra os portugueses, prenderam o Procurador do Senado, Manuel Gonçalves Rabouça, levando-o à presença do mandarim da cidade. Travaram-se lutas nas ruas, os moradores puseram-se de alarme, mas, no fim de três dias, foi restaurada a ordem. (3)
(1) BRAGA, Jack M. – A Voz do Passado, 1987.
(2) PEREIRA, A. M. – Efemérides Comemorativas da História de Macau.
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.

25-03-1708 – Neste dia se fes a Procissão do Sr. Crus as Costas pelas Ordinarios por ordem do Sr. Bispo, visto estarem os Padres de St.º Agostinho impedidos no seu convento por cauza de controvercias que tem havido a respeito do Patriarcha – Os Irmãos que acompanhavão o Sr. ião com Capa branca e murça rôxa. A Procissão foi athé S.m Domingos onde ficou ali. (BRAGA, Jack M.- A Voz do Passado, 1987).
PEREIRA, A. Marques – Ephemerides commemorativas da historia de Macau e das relações da China com os povos Christãos, 1868.

Por ordem do Bispo D. João do Casal, a procissão de Nosso Senhor dos Passos (ou da Cruz) foi feita pelos Ordinários, pelo facto dos padres agostinhos se encontrarem retidos no seu convento, em consequências do conflito entre eles e o patriarca da Antióquia, o Cardeal Carlos Mailard de Tournon.
A nomeação de D. Carlos Mailard de Tournon pela Santa Sé em 1702 para negociar com o imperador da China uma condenação formal dos ritos que se concluiu a 20 de Novembro de 1704, foi um pretexto da Santa Sé para neutralizar a influência dos jesuítas na corte de Pequim e enfraquecer assim o direito do padroado português sobre as dioceses chinesas. Aliás, o rei D. Pedro II de Portugal não aceitou em 1902 a indigitação do Cardeal. Talvez,por isso, no dia 2 de Abril de 1705 quando o Patriarca na sua rota para Pequim passou por Macau recusou entrar na cidade ficando hospedado por uma noite na Ilha Verde onde recebeu o Bispo D. João da Casal e o Governador da cidade. A missão de Tournon na China foi desastrosa, acabando por ser expulso, sob custódia para Macau onde chegou em 30 de Junho de 1707. A sua permanência em Macau agravou mais esse conflito entre Bispo D. João do Casal, na defesa do padroado português e os prelados que apoiavam o Patriarca da Antioquia, nomeadamente os Agostinos e os Dominicanos. Os Agostinhos  sofreram um interdito logo em 1707 (os dominicanos em 1709) acabando depois pelo encerramento do convento em 1712 (já depois da morte do patriarca) e os religiosos enviados para Goa.
A seguir, continuação da publicação das fotografias da Procissão do Senhor dos Passos de 1974.
Ver anterior artigo e fotos em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/04/noticias-de-4-e-5-de-marco-de-2017-tradicoes-que-se-continuam-a-procissao-do-senhor-dos-passos-i-fotos-de-1974/

Hoje e amanhã (4 e 5 de Março) em Macau realizam-se mais uma vez a procissão do Senhor Bom Jesus dos Passos, a grande manifestação de fé da comunidade macaense, residente e da diáspora.

A Procissão do Senhor dos Passos devia ter sido implantada em Macau logo nos primórdios de fixação dos portugueses nestas paragens do mundo. Uma transposição exacta duma prática religiosa que vigora ainda nas mais diversas terras metropolitanas, com as mesmas manifestações exteriores e até na forma como se realiza o cumprimento das promessas, hoje abolido, porque já não se observam as pessoas penitentes descalças debaixo do andor, como noutros tempos, embora se via ainda na década de 60 (século XX) perdida na multidão uma ou outra mulher que se descalça para cumprir o voto feito em momentos de extrema aflição, voltada para a misericórdia do Bom Jesus dos Passos.
Domina no cortejo a cor preta ou cores de acentuada tonalidade discreta, pois seria uma discordância com o espírito que domina todo acontecimento se o berrante ou as cores mais vivas impusessem a sua presença.
O silêncio, que agora se não observa com o rigor doutros tempos, constitui igualmente uma nota característica de todo o aparato que atrai ainda hoje em dia uma grande multidão de fiéis que nele se incorporam, depois de grande parte deles ter assistido à novena que precede o acontecimento e que decorre na igreja de Santo Agostinho. (1)
É pena que por imposições aceitáveis do trânsito que se intensifica cada vez mais, com o crescente aumento dos veículos em circulação, as ruas do itinerário não possam ser ocupadas literalmente pelos que se integram nesta tão devota procissão, a lembrar velhos tempos de fervor religioso entre a gente portuguesa de ambas as bandas dos oceanos, hoje já bastante arrefecido não só pela mudança de atitudes como pela recessão que a própria Igreja está a decretar sobre as prácticas que comportam muito exteriorização com detrimento duma vida interior mais consciente. Compreende-se… (2)
(1) Este ano, devido às obras realizadas na Igreja de Santo Agostinho, a procissão com o andor sairá da Igreja de S. Domingos no dia 4 de Março para a Sé Catedral e regressará, no dia 5, à mesma Igreja. Por isso, o trajecto habitual da procissão sofrerá, este ano, alterações.
(2) Fotos e 1.ª parte do texto (com adaptação) não assinado de M.B.I.T., 1974.

A festividade religiosa em honra do Senhor Bom Jesus dos Passos é quase tão antiga como a vinda dos primeiros portugueses para Macau.
Esta festividade comemorava-se através de cerimónias que se impunham pela riqueza de significados e pela seriedade e piedade de que se revestiam. As mais piediosas de todas estas cerimónias eram, sem dúvida, as duas procissões  que fecha tão solene e respeitávcel manifestação de fé. São elas das cerimónias mais queridas ao espírito católico em Macau.
MBI I-15 15MAR1954 Procissão Senhor dos Passos IEstas fotos são da Procissão do Senhor Bom Jesus dos Passos que se efectuou no dia 7 de Março de 1954, à tarde, em que milhares católicos de Macau a que se juntaram numerosos fiéis vindos de Hong Kong, seguiram os passos do Senhor desde a Catedral até Santo Agostinho, onde recolheu a cerimómnia processional.
Na noite do dia anterior, saiu a Procissão da Cruz da Igreja de Santo Agostinho indo recolher à Sé Catedral.

MBI I-15 15MAR1954 Procissão Senhor dos Passos IIServiu de Verónica, a menina Maria de Fátima Henriques

A todos as cerimónias presidiu o Rev. D. João de Deus Ramalho, Administrador Apostólico, que na procissão dos Passos levou o Santo Lenho, rodeado pelo cabido da Sé Catedral e pelo clero secular e religioso.
Fotos e informações recolhidas de “Macau B. I.”, 1954.